sexta-feira, janeiro 22, 2010

HÉLÈNE CIXOUS, ALICE WALKER, TONI MORRISON, FIAMA HASSE BRANDÃO, JOHN TRUMBULL, MEMENTO MORI, VALUNA & EDUCAÇÃO AMBIENTAL


A arte do pintor estadunidense John Trumbull (1756-1843).

VALUNA: CIDADE CORAÇÃO - Foto Rio Una, de Carlos Calheiros - A cidade era minha, rio acima de nenhuma margem, menino que não precisava saber qualquer coisa de nada. Se as ruas repletas de sangue coagulado eram veias que se abriam do talho involuntário, qual esquina não morava o agouro e eu sequer distinguia a bondade congênita da malévola tapiação. Não devia o pé fora de casa, nenhum passo além da placenta rasgada, inferno que pulsava a madrugada na festa vazia. Ali eu pensava em nunca esquecer a distopia de heróis fugitivos dos gibis levando todo mundo aos pandarecos, como se o estágio da esperança entre mendigos bem aquinhoados, servissem à desolação do ermo. A cidade não existia nem nunca existiu nas minhas migrações por pisos falsos e escravos de Babel: uma tábua suspensa no ar, a qualquer momento despencava num poço sem fundo. Nunca se sabia por aqui se é inverno ou verão, a chuva torrencial logo passageira se ia sem me levar e deixava o Sol mostrar o avesso e a pirotecnia que nunca se viu. Todos dormiam diante do espetáculo horrível, ou não enxergavam, nem queriam sequer ver. Eu não sabia e a cidade era um defeito de alheias convalescências. Nada havia mudado desde sempre além do estardalhaço, nenhuma perspectiva no horizonte, nem havia mais futuro e se dissolvia com contagem de ir até quando acabar. Desconhecia perguntas que soavam ao vento, se versos inauditos ou poemas sequer recitados, eram vozes sombrias e ninguém escutava: os mortos declamavam a esperança de acender a noite revelando a vida real em que não existiam respostas largas ou longas, a memória violada de tantas agruras. Assim os meus dias e outros dias e a cidade era uma nuvem de seres desérticos, coração em chamas, outras escuridões. Todo dia era quarta-feira de cinzas por aqui, mesmo ano a cada virada, quem diria. Apesar do calendário o que restava era sorrir sem saber se tarde ou não, porque ninguém mais tinha direção alguma para amparar e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.
  

A arte do pintor estadunidense John Trumbull (1756-1843).

DITOS & DESDITOS - Nós morremos. Esse talvez seja o sentido da vida. Mas nós fazemos linguagem. Essa talvez seja a medida de nossas vidas. Pensamento da escritora estadunidense e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1993, Toni Morrison. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens. Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento. Pensamento da premiada escritora e ativista estadunidense Alice Walker. Veja mais aqui.

A MULHER & A CHEGADA À ESCRITURA – [...] Era eu uma mulher? ao reviver esta pergunta interpelo toda a história das mulheres. uma história feita de milhões de histórias singulares, mas atravessada pelas mesmas perguntas, os mesmos terrores, as mesmas incertezas. As mesmas esperanças pelas que até pouco tempo só se abriam para consentir, se resignar ou com desesperança. Tomar-me por uma mulher? De que maneira? Que mulher? […] Quantas mortes a atravessar, quantos desertos, quantas regiões em chamas e regiões geladas, para chegar um dia a dar um bom nascimento! E você, quantas vezes morreu antes de poder pensar, “Sou uma mulher”, sem que esta frase significasse: “Então sirvo”? […]. Trechos extraídos da obra A chegada à escritura (Amorrotu, 2005), da escritora francesa Hélène Cixous que, sobre a mulher, expressa: A mulher deve escrever sobre si própria e levar mulheres a escrever.

TRES POEMAS - OS AMIGOS QUE MORREM - Os amigos que morrem são arbóreos, / plantados e memoráveis como freixos. / Um freixo, que vejo entre árvores / como a aura, o tronco novo / sulcado de rasgões, a raiz curta / comparável à memória viva enterrada. / Têm uma única forma até à morte, próximos do Sol, / que torna as outras árvores mais ténues que os isolados freixos. MARÉ - Quando a maré baixa sob o céu róseo, / são a terra e a areia que absorvem / o infindo fumo e a neblina. / Além, um pescador; além, uma gaivota; / são os mesmos corpos movendo-se, / são a mesma inércia da morte. / O pescador revolve a areia / acocorado sobre algas douradas / em busca de mínimos seres vivos. / Um imenso bando de gaivotas intenta / separar de súbito o céu da terra / como se estas águas da ria, / tão lisas, fossem a antimatéria. DESDE QUANDO? - Os dois vultos encaminham-se hoje / para o pinhal. Entram / na cancela delineada. Será possível / saber qual a parte do Todo ou sinédoque / verdadeira. Transposta a caocela / o primeiro desejo de ambos / é escolher a clareira. Vêem pedras / espelhadas, várias flores miríficas / como as candeias rasteiras / com a sua coifa arroxeada e o pavio branco / estranho. Olham toda a periferia / para recompilar as árvores que os rodeiam. / Num manso pinheiro próximo / podem arrancar o córtex / já seco e solto. / Entalhadeiras / de pequenos artefatos, vasilhas e baixela / miniatural, cor castanho poroso e de leveza / surpreendente. O ofício diário industrioso / torná-las-á figuras móveis / do microcosmos. Cada uma traz uma navalha, / e a mais experiente entalhadeira ensina / a indústria matinal / à mais nova praticante da metafísica. / Depois, todas essas manhãs se juntam / numa cadeia de elos semelhantes. Poemas da escritora, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa Fiama Hasse Brandão (1938-2007), autora de obras tais como Novas visões do passado (1974), Área branca (1978), e Três rostos (1989).

MEMENTO (AMNÉSIA) – O premiado filme Memento (2000), dirigido por Christopher Nolan, baseado no conto Memento Mori, de Jonathan Nolan, conta uma história de um homem que sofre de amnésia anterógrada, impossibilitando que ele adquira novas memórias. Para a antropóloga Alba Zaluar (1942-2019), em seu estudo Confiança e memória: antídotos da violência (Sociofilo, 2017), no filme: [...] o desmemoriado protagonista, que vive no mais poderoso e moderno país do mundo, inscreve no seu próprio corpo os fragmentos de informação que julga imprescindíveis na sua luta pela manutenção da identidade e da própria sobrevivência. Todos os outros personagens que interagem com o protagonista, mas que não têm nenhum vínculo social, portanto moral, com ele, são alvo de suas suspeitas acerca do provável assassino de sua mulher. Fragmentos de lembranças sobre o episódio o fazem crer que um homem a violentou e matou, mas não há tanta certeza. Mesmo assim, movido pela vingança, ele pode matar sem culpa no circuito interminável da represália que dispensa a segurança e a justiça administradas pelo Estado. Ele mesmo um perito no setor de seguros, não confia no perito policial que assassina violentamente no início da história. Não que lhe falte a capacidade de entrar num avião, andar numa movimentada rodovia, obedecer a sinais de trânsito, falar no telefone e fazer buscas na Internet, tudo isso sintomas do que Giddens denominou alta modernidade. Mas o filme narra exaustivamente repetições de trechos de encontros, todos marcados simultaneamente pela desconfiança e pelo desafio à hombridade do protagonista, esta típica de sociedades tradicionais. O personagem mata sem nenhum remorso mais três pessoas no circuito da reciprocidade negativa. Mas, ao contrário do que ocorre nas sociedades pré-modernas, ele o faz sem o testemunho, o apoio e da memória coletiva do grupo do qual faz parte. Ele mata sozinho. É uma fábula moderna sobre o vazio, a individuação e a suspeita eterna num contexto ideacional e sentimental de racionalidade instrumental utilitária (ou econômica ou de mercado) aliada à vingança, ou reciprocidade negativa, como pretexto para matar. O filme, como tantos outros do imaginário guerreiro, constrói o discurso ou o mito pós-moderno da licença para matar, embora se valendo do milenar circuito de trocas negativas. Atormentado pelo desespero de encontrar marcas de memória e pela compulsão a agir antes que o outro o faça, ele encarna a fábula do que Norbert Elias denominou de homo clausus e Alain Caillé o individualista egoísta. O que não cria laços, não confia e, pour cause, é naturalmente violento e não tem memória. A falta de identidade social estável, da confiança básica e da memória que as acompanham revelaram-se, para mim, facetas constitutivas da violência na sociedade de alta modernidade. A ausência de vínculos sociais e de identidades estáveis é também expressa pelos que se envolveram em crimes violentos de diversas maneiras no Brasil, país do capitalismo tardio, em que se combinam desigualmente as modernidades, altas ou não, e as tradições. Os bandidos jovens e pobres por mim entrevistados são adeptos de uma ideologia moderna e individualista que não se baseia, porém, nos direitos positivos da participação democrática, mas numa confusa definição de liberdade: a ilusão quanto à independência absoluta do sujeito e de sua liberdade de agir sem restrições está atrelada a uma concepção extremamente autoritária do poder. Se o chefe ou cabeça é concebido como homem inteiramente autônomo e livre, esta capacidade de exercer sem restrições a sua vontade faz-se às custas da submissão dos seus seguidores denominados teleguiados, uma relação sempre mediada pelas armas de fogo modernas (e pela disposição em usá-las sobre outro ser humano), bem como pelo poder do dinheiro que o chefe acumula. “Eu preciso de alguma coisa que me segure”, “fiz tudo da minha cabeça, ninguém me influenciou” são frases de uma modernidade inteiramente assumida, mas conflitiva e plena de riscos para os que não conseguem sair do vazio das múltiplas escolhas individualizadas, para os que, precisando da lealdade para não morrer traídos, vivem envolvidos em circuitos intermináveis da vingança. [...]. Veja mais MementoMori & Cinema aqui, aqui, aqui & aqui.


EDUCAÇÃO AMBIENTAL – A questão ambiental envolve um conjunto de atores do universo educativo, onde a participação para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Tal questão aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos e da população na busca de soluções para os problemas ambientais que vivencia. Para tanto, a escola assume um papel desafiador e fundamental na formação de valores, com o ensino e aprendizagem de procedimentos. As questões atinentes à ação educativa na promoção da cidadania e da preparação para a vida e para o trabalho, traz no bojo de sua ação a necessidade de uma abordagem acerca da afetividade, da solidariedade e da existência humana, no sentido de produzir a compreensão acerca da missão e função do ser humano na vida. Trata-se de uma ação educacional que se encontre pautada com a humanidade e o entendimento do ser humano na vida, por meio de práticas que sensibilizem e busquem incorporar noções que validem a existência humana na sua condução vital.
A EDUCAÇÃO - Na contemporaneidade a educação tem assumido um papel de suma importância na formação do cidadão e de sua preparação para a vida e o trabalho, trazendo a exigência da integração no ensino-aprendizagem da potencialização das experiências vividas e da realidade que circunda a vida do educando, no sentido de integrar nesse processo o sentimento, o pensamento e a ação no contexto afetivo e valorativo.
A educação deve preparar o indivíduo para o entendimento dos opostos, na construção de uma ética da compreensão no diálogo entre o argumento e o debate, a confiança e a desconfiança, enfim, abarcando a multidimensionalidade, o complexo e as condições do comportamento humano, o subjetivo e objetivo. Tal conduta requer um constante auto-exame critico da atuação e percepção do individuo, por meio do reconhecimento de preferências e escolhas que signifiquem a postura da personalidade, colocada em jogo num debate crítico para entendimento da multiplicidade de características que são incorporadas no ser humano por meio de sua formação cultural, empírica e social da complexidade humana.
Nesse sentido é que se deve levar ao questionamento individual das escolhas, preferências e hábitos, no sentido da observância de condutas tolerantes ou intolerantes, privilégios e exclusões, o admitido e o contrário, enfim, reavaliando todos os mitos, ideologias, crenças e convicções na busca pela humanização das relações humanas.
Tal condução visa a consolidação democrática na compreensão individual e entre as culturas, na tarefa de se atuar no desenvolvimento da compreensão, buscando um equilíbrio entre o pensamento racional, lógico e fundado para a formação do pensamento divergente, na busca do outro olhar dar à luz soluções novas, expressões recriadas e o humor sadio, articulando a produção e reprodução do conhecimento por meio de práticas como a da criatividade, do trabalho em equipe, do senso de solidariedade e levando à reflexão sobre questões importantes, tais como ambientais, sociais, culturais, religiosas, políticas, enfim, todas inerentes ao ser humano.
A visão interdisciplinar evita, entre outras, as dicotomias entre teoria-prática, subjetivo-objetivo, espiritual-corporal, envolvendo-se com a complexidade do viver e conviver; do existir e co-existir; do pensar; do sentir e na busca de significar a existência, num processo que deve levar do múltiplo ao uno e, por conseqüência, por meio de fundamentos epistemológicos e axiológicos, alcançar a multidisciplinaridade e pluridisciplinaridade.
Por ser a educação em sua totalidade uma prática interdisciplinar, sendo, pois, mediação do todo da existência, deve promover a superação da visão fragmentadora de produção de conhecimentos, articulando e produzindo coerência entre os múltiplos fragmentos de conhecimento da humanidade, promovendo a elaboração de sínteses na recomposição da unidade entre múltiplas representações da realidade e possibilitar o reencontro da identidade do saber na multiplicidade de conhecimentos.
O trabalho inter e transdisciplinar constituiu-se no corolário dos princípios da formação explicitados na articulação teoria e prática e na formação do professor pesquisador, antevendo a possibilidade de superação das dicotomias e fragmentações como prática social, portanto histórica e contextual e que, no processo de sua efetivação, demanda um trabalho coletivo e interdisciplinar e concorre para a humanização dos homens.
Para tanto, se faz necessário ao educador assumir condutas interativas e afetivas fundamentadas na reflexão da prática e na formação da competência ético-profissional, levando sua práxis por meio de um compromisso ético e político no exercício de sua prática docente, no sentido de poder corroborar mudanças necessárias ao desenvolvimento do docente, da população, da nação, mediante o êxito da competência de seus cidadãos.
Nesse sentido, Morin (2002, p. 35) assinala a necessidade da transformação da informação em conhecimento e do conhecimento em sabedoria para promover a formação solidária, planetária; da concepção de homem indivíduo em sujeito sociocultural; da proposição de um ensino simplificado, especializado e disciplinar na complexidade da educação, defendendo que “[...] É preciso aprender sobre a condição humana, a compreensão e a ética, entender a era planetária em que vivemos e saber que o conhecimento, qualquer que seja ele, está sujeito ao erro e à ilusão". Nesse sentido, o auto confronta o erro, a ilusão e as cegueiras do conhecimento, trazendo princípios do conhecimento baseados no ensino da condição humana, da identidade terrena, do enfrentamento das incertezas, do ensino da compreensão e na construção de uma ética do gênero humano. É nesse sentido que o autor defende os saberes fundamentais para toda cultura e toda sociedade, e que são indispensáveis frente à racionalidade dos paradigmas dominantes que deixam de lado questões importantes para uma visão abrangente da realidade.
A educação ambiental proporciona que a escola procure abrir e construir espaços de dialogicidade entre os grupos que vivenciam de modo diferente a mesma problemática, implicando no aprofundamento do debate democrático de diferentes idéias e de representações de diferentes grupos, em busca de um consenso mínino entre a comunidade escolar e a população que possibilite ações concretas conjuntas.
Em razão da questão ambiental está envolvida com aspectos relacionados à qualidade de vida humana, os impactos da ação humana sobre as condições climáticas, hidrológicas, geomorfológicas, pedológicas e bio-geográficas, em todas as escalas de tempo e espaço, observando-se que os problemas encontrados na área são decorrentes de profunda crise social, econômica, filosófica e política que atinge toda a humanidade, resultado da introjeção de valores e práticas que estão em desacordo com as bases necessárias para a manutenção de um ambiente sadio, que favoreça uma boa qualidade de vida a todos os membros da sociedade.
As escolas por serem centros de formação e aprendizagem podem priorizar o estudo do conteúdo escolar, numa linguagem adequada com base nos dados apontados no diagnóstico e incluir, de forma sistemática, participativa e criativa, a temática da importância global, regional e local, envolvendo cenários possíveis para o processo de educação ambiental junto a uma população com um conjunto de estratégias que possibilitem a compreensão global, regional e local dos problemas ambientais.
CONCLUSÃO – A educação ambiental propicia o aumento de conhecimentos, mudanças de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular uma maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente. Dessa forma, a educação ambiental deve ser levada pela escola de forma crítica e inovadora, voltada, acima de tudo, para a transformação social, buscando uma perspectiva de ação que propicie, de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e, de outro, estimular uma visão global e crítica das questões ambientais e promover um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.
A prática docente possui a necessidade de integração no processo de ensino-aprendizagem com o pensamento, o sentimento e a ação orientado por valores, na busca por uma atitude de observação permanente dos fatos ocorridos na relação pedagógica, em íntima vinculação com o contexto social, político e cultural em que suas práticas se efetivam e, ainda, construir habilidades investigativas da prática, na prática e a partir dela, frente aos desafios da realidade, apresentar propostas que respondam às demandas desse contexto.
Tal condução leva à aproximações, integrações, coletivização de pensamentos, de práticas para enfrentamento dos desafios, angústias e incertezas do cotidiano, das rotinas, ritos e rituais; proporcionando rompimento de hábitos e acomodações, a quebra de esquemas mentais rígidos, novas construções, novas dúvidas, novas inquietações e novos aprendizados.
A educação em sua prática deve favorecer a experiência criatividade com fundamento filosófico, psicopedagógico e antropológico, para promover uma atitude pró-ativa e criativa de vida
Por isso, a educação deve promover a percepção do educando além do conhecimento, a sensibilidade, da ação e dos valores, proporcionando uma identificação da vida dentro do mistério da existência.

REFERÊNCIAS
DIAS, G.. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2000.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1987
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2002.
UNESP.. Educação para um futuro sustentável: uma visão transdisciplinar para uma ação compartilhada. Brasília: Ibama, 1999. Veja mais aquiaqui, aqui, aqui e aqui.




Veja mais sobre:
Fecamepa & a escravaria toda, Monteiro Lobato, Cruz e Sousa, Milton Nascimento, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Edu Lobo, Cacá Diégues, Zezé Motta, Samir Mattar, Missa dos Quilombos, A guerra dos escravos, O quilombo dos Palmares, Arena conta Zumbi, Chica da Silva & José Augusto Coelho aqui.

E mais:
Pletora dos antípodas aqui.
Alegoria da Loucura aqui.
Porque hoje é sábado, Selma Lagerlöf, René Magritte, Sigfrid Karg Elert, Voltaire, Norman Jewison, Boris Karastov, Goldie Hawn & Luiz Delfino aqui.
A violência na escola aqui.
Palmares & o Encontro de Palmarenses aqui.
Hermilo Borba Filho, Rubão, Doro, Dr. Zé Gulu & Humoreco aqui.
Cordel: Que língua essa nossa, de Carlos Silva aqui.
Estudante Estéfane, musa Tataritaritatá aqui.
Cordel: É coisa do meu sertão, de Patativa de Assaré aqui.
Barrigudos afagando o ego aqui.
Psicologia escolar, Túmulo & Capela & Joséphin Peladan aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja aquiaqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.




quinta-feira, janeiro 21, 2010

RIMBAUD, TCHÉKOV, HANNAH ARENDT, PICASSO, FRIDA CASTELLI, LITERÓTICA & A CHUPÓLOGA PAPA-JERIMUM

 
A arte da islutradora italiana Frida Castelli.



LITERÓTICA: A CHUPÓLOGA PAPA-JERIMUM - Vinham-me duma só vez a noite e a solidão. Enquanto descia a calçada da praia com o vento incendiando o irrevelável no sopro dos cabelos aureolados, vinham as imagens mais inimagináveis e desconexas, soltas e desconcertando o juízo que se alojara no mindinho do pé ou se arvorara a passear solfejando à toa pela paisagem convidativa. De repente, quando, ao longe, com o barulho das águas do mar luzidio e os reflexos da lua em noite cheia, e a minha noite solitária seguia o olhar palpitante daquela que se parecia ao longe uma coisa que se vê quando vai e não volta nunca mais, tomando da lua a luz das estrelas e a emoção alvoroçada que saculejava minhas veias adentro, até sentir-lhe de longe o mormaço etéreo do seu ser sobre a minha cobiça desenfreada. Ah, que a noite era mais longínqua que a sensação de tê-la bem pertinho e provar do seu oxigênio restaurando minha vitalidade de quase morto perdido nas sequelas e adversidades calejadas de quem sabe o mundo ao alcance da mão e lá léguas muitas depois. Ah, como ela era bela com a sua face de lua impune e sedutora, uma princesinha chocha que enamorava a minha afeição para quem a vida alentava e salvava do escanteio compulsório de sempre na esgoelada e lúbrica arranhada da voz sob o tormento que me açodava a possibilidade de apertar-lhe as mãos doces monóicas pela força de poder no jeito de agasalhar a minha hora de fragilidade, temperamentalmente fêmea e reluzente, decididamente determinada a alcançar o seu querer, enquanto eu timidamente apenas acendia o meu querer-lhe a qualquer custo. Ah, como ela era terminantemente do tamanho que toda minha querência podia ser premiada enquanto ela, do outro lado da rua, não largava o meu olhar, nem eu ao dela, sabia, conhecíamo-nos naquela hora, aliás, nem nos conhecíamos, ainda, apenas descobríamos o momento que flagrávamos ali na captura e nenhum gesto fora necessário para que ela atravessasse com firmeza de caçadora sagaz, a rua que distava entre o meu desejo e o dela, quando se acercava da minha inércia, divisando-me rente ao seu cheiro de terra florida a dar-me paz no meu desconcerto intranquilo, de perceber o nosso tremor de desejo na carne adente. Ah, como seu lábio rubro e pronunciado com todos os tentáculos feminis de absorver minha sanha louca e de abarcar minha sede num beijo transcendente com o gosto da paçoca do pilão de Pirangi do Norte; da tapioca com ginga na Redinha; da guaiamunzada na Barra do Rio; do grude de Extremóz; e voávamos sobre as dunas de Genipabu enquanto a rua repleta de frinfras & garbosos & petulantes & de nada & de mentirinha de ontem e de hoje & testemunhavam nossa loucura obscena e radiante rasgando nossas vestes & carcaças & intimidades descobertas naquela iniciação, com as minhas mãos buliçosas manuseando suas margens, seus contornos, seu território, sua reentrância, sua curvilínea geografia. Ah, era bom demais de íntimo para ser público na calçada da praia, eu levado, ela conduzindo meu faro de cão sedento e desvalido, até a alcova dos sonhos que eu não sabia existir jamais para que minhas mãos pudesse tocá-la mais na areia fininha da clarividente água do seu corpo, e eu pudesse beijar suas coxas em brasa e sentir-me a volúpia de sua alma e seu agridoce ventre e o incenso de sua carne ardendo suas chamas que carbonizavam o meu querer, a seguir-lhe as pegadas, tonto, cego, entregue e sorvendo a totalidade do seu ser desnudado na rota do sol, eu me enfiando pelo seu Morro do Careca de Pontanegra, servindo-me do seu circo de Búzios, dominando seu jeito de golfinho de Pipa, degustando da suntuosidade de seu Cotovelo, mergulhando na profundidade de sua ilha de Galinhos, até saber-me impregnado por seu olhar maravilhoso de por do sol do Potengi com sua balsa na Igapó lá no fundo levando toda a minha consciência para nada mais saber de nada de nada de nada & nada; usurpando a sua barreira do inferno que é o céu e o purgatório e todas as celestiais camadas da eternidade mais finita das infinitudes que estonteiam a cosmogonia de semi-deuses, pseudo-deus feito eu, até provar do orgasmo no cajueiro de Pirangi do Norte. Ah, eu me deleitava e não mais sabia de nada, a vida era ela, meu sopro vital e mais nada e mais nada me interessaria a esta altura, quando tudo era lindo e celestial no ápice da minha crença oculta. Ah e onde estávamos não sabíamos, nem seu nome nem de mim nem da nossa comunhão de tudo e nada, eu jogado como um navio errante de Rocas e ela a água imensa do Atlântico levando-me pelo oceano adentro até Pacíficos & Índicos & mais até onde nem mais sabia além de céu e mar, apenas; enquanto eu me sentia submerso em seu segredo porque ela roçou-me com sua língua reptante os meus músculos toráxicos, o umbigo e o declive das intimidades sondadas com seu faro e seu toque palatar no encontro da coxa e do ventre acercando-se do meu cordão sacralizado e lambendo-me a superfície da minha pontiaguda efervescência e abarcando-me a glande e engulindo-me rijo na felação de sua caverna até a abóbada palatina mais estrelada com o cometa da língua solta a lambuzar-me de seu sobejo mágico babando abundantemente até acender-me a vida. E tudo era tão mágico quanto exótico de prazer ao chupar-me levando de mim todas as posses que reconditamente ainda poderia possuir todas as latências, toda existência e apropriando-se da totalidade de mim que a partir de agora era levado pelo seu ansioso poderio de mulher insaciável. Ah, como fizera de mim reduzido a ser apenas o macho que transferia toda sua vitalidade para a sua vampiresca necessidade de se apoderar de toda conformação de menino homem feito que nunca ficou adulto de envelhecer como uma criança que não sabe o tempo que passou e que passará e já nem se dará conta que o sisifismo se faz imanente até o labirinto do átimo paradoxal. Ah, era ao mesmo tempo a minha fortaleza restituída, a minha inutilidade restaurada para algo maior que minhas próprias proporções, do que me levava e exauria, resultando a minha segunda pele hercúlea, poderosa, remoçada e viril duplamente satisfeito nas mais íntimas necessidades. Era o espetáculo da entrega onde a posse era despossuída e a servidão era a completa interação entre a deificação da carne e a dessacralização da alma. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.



DITOS & DESDITOS – [...] Os quadros são uma soma de destruições. Eu faço uma pintura e em seguida a destruo. Mas, no fundo, nada é perdido. O vermelho que retirei de um lugar qualquer pode ser encontrado em uma outra parte do quadro. [...]. Trecho extraído da obra O pensamento vivo (Martin Claret, 1985), do pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CULTURA –[...] A cultura – palavra e conceito – é de origem romana. A palavra “cultura” origina-0se de colere – cultivar, habitar, tomar conta, criar e preservar – e relaciona-se essencialmente com o trato do homem com a natureza, no sentido do amanho e da preservação da natureza até que ela se torne adequada à habitação humana. [...] compreendemos por cultura a atitude para com, ou melhor, o modo de relacionamento prescrito pelas civilizações com respeito às menos úteis e mais mundanas das coisas, as obras de artistas, poetas, músicos, filósofos e daí por diante [...]. Trechos extraídos de Entre o passado e o futuro (Perspectiva, 1972), da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui.

O BEIJO – [...] Geralmente quando fico a sós comigo mesmo ou estou em meio de pessoas do meu agrado, nunca penso nos meus méritos [...] mas, em presença de gente como Hnekker, os meus méritos parecem-me uma montanha altíssima , cujo cume desaparece nas nuvens e ao pé da qual se movem uns Hnekker quase imperceptíveis [...] Trechos extraído da obra O beijo e outras histórias (34, 2006), do dramaturgo e escritor russo Anton Tchékov (1860-1904). Veja mais aqui, aqui e aqui.

MARINHAAs charretes de prata e de cobra - / as proas de aço e de prata - / tocam as espumas - / elevam as camadas das aroeiras selvagens. / As correntes do areal, / e os sulcos imensos do refluxo, / correm circularmente para o este, / na direção dos pilares da floresta, - / rumo os tonéis do molhe, / cujo ângulo é atingido por turbilhões de luz. Poema do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui.


A arte da islutradora italiana Frida Castelli.



Veja mais sobre:
E o poema se fez domingo, André Gide, Margaret Atwood, Joaquín Rodrigo, Pedro Demo, Márlio Silveira Silva, Sara Marianovich, Tom Jobim & Vinicius de Morais, Leon Hirszman, Miguel Covarrubias & Christian Rohlfs aqui.

E mais:
Moto perpétuo aqui.
O uivo da loba aqui.
Aprendi com a vida, John Cleland, Wolfgang Amadeus Mozart, Maria João Pires, Iara Iavelberg, Flávio Frederico, Maria Melilo, Lucian Freud, Jorge Calheiros & Railton Teixeira aqui.
A fila da Caixa pro caixote da Fecamepa, Raimond Bernard, Jean-Jacques Rousseau, Hideo Nakata, Barbara Hendricks, Yūko Takeuchi, Denis Mandarino, Os sonhos e a morte & Música na escola aqui.
Fecamepa à República, Sigmund Freud & Fundamentos da técnica psicanalítica, Leopold Nosek, Björk, Lars von Trier, Catherine Deneuve, Renée O’Connor & Ísis Nefelibata aqui.
Antígona de Sófocles, Emily Dicksinson, Sérgio Augusto & outras tuitadas das biblias do voyeurismo mundano aqui.
Educação, PNE & inclusão aqui.
A trajetória da mulher, Manuel Bandeira, Abade Vogler, Bastos Tigre, Augusto Boal, Cristina Gallardo-Domas, Silveira Bueno, Heather Graham, Steve Hanks, Herbalismo & Califasia aqui.
Adoção no Brasil aqui.
Sacadas & tuitadas aqui.
Leitura, escrita, aprendizagem & avaliação na educação aqui.
Coisas de Maceió: Coagro aqui.
Pequena história da formação social brasileira aqui.
Idealismo & educação aqui.
Psicanálise e educação aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.


 CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Leitora Tataritaritatá!
Veja aqui e aqui.



CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Recital Musical Tataritaritatá

Veja aqui.

HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...