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sexta-feira, outubro 06, 2017

BRECHT, JACK LONDON, NOAM CHOMSKY, JULES DE BRUYCKER & BIBLIOTECA FENELON BARRETO

UMA TAPA & A HONRA ENGASGADA NA MEMÓRIA – Imagem: arte do pintor, desenhista, artista gráfico e ilustrador belga Jules De Bruycker (1870-1945). - Mais de trinta anos separavam Terdílio e Disonaldo. O reencontro foi festivo, abraços, lorotas, humilhações mútuas ressaltando a esperteza de um sobre o outro, viradas de copos, cada qual mais ufano pela enrolada na leseira do parceiro, dois bicudos que não se beijavam, mas que se consideravam por conta das estripulias da juventude. Disonaldo humilhava o amigo revelando as dedadas, os desacertos, molecagens e trapalhadas do Terdílio que à época, apesar de tão franzino quase tísico, não abria nem prum trem na horagá da arenga. Quanto mais Disonaldo gastava soberba, Terdílio relevando, riso tímido, todo na sua, bebericando de leve e exaltando as astúcias do metido, até a hora que o sabido lembrou De uma tapa dada por ele e guardada na memória. Tapa? Sim, lembra? Tapa? Isso mesmo, você me deu uma tapa da porra! Lembro não. Realmente, Terdílio não lembrava disso, puxando no passado, franzindo o cenho e estranhando a existência do fato. Você deve já estar bêbado, lembro disso não, reiterou. Ah, quem dá não se lembra, quem leva nunca esquece. E sorriram desancando um ao outro pelas presepadas. Lá pras tantas, depois de muita mangação, Terdílio se despediu e prometeu tomarem umas outras juntos em breve, agora precisava ir pra casa arrumar as coisas que ainda estavam aos monturos pela mudança recente de endereço. A despedida, abraços afetuosos e compromisso asseverado de novo encontro. Quando Terdílio deu as costas, Disonaldo ficou remoendo e virando copo atrás de gole: a tapa não lhe saía engasgada na ideia. Dois dias depois, lá ia Terdílio sóbrio voltando pra casa, quando dá de frente com Disonaldo completamente embriagado: meu amigo, pronde vai? Pra casa, ainda estou ajeitando as coisas da mudança. Vamos tomar uma! Não dá, agora não, mas no final de semana a gente emenda os bigodes numa cachaçada boa. É bom mesmo, não se esqueça da tapa, você me deve! Que tapa? Não se lembra mesmo? Não! Oxe, você deu uma tapa da porra! Lembro disso não. Destá, final de semana a gente relembra tomando uma. Dias depois, lá ia Terdílio com o pão pro jantar e Disonaldo trocando as pernas quase desequilibrado na calçada, atravessou seu caminho: Meu amigo, vamos tomar uma! Tenho que levar a comida pro jantar, final de semana a gente toma todas! Você está me enrolando! Estou não, ainda não arrumei tudo em casa por causa da mudança, mas desse final de semana não passa. Aos abraços se despediram e Disonaldo ficou maquinando, aos tombos seguiu os passos do Terdílio, perdeu de vista, desgraçado, dali então, todos os dias no encalço, a tapa, a pinga, a meiota, a lavada com a cerveja, o juízo se apertando, a tapa desajustando tudo, outra lapada, meiota, litro e meio, duas cervejas lavando o sangue e a sobriedade, trôpego, meio lá meio cá, equilibrista a pulso, meteu a mão nos bolsos: Eita! só mixaria. Cadê meu dinheiro? Será que o porra do Terdílio tomou meu dinheiro e eu não vi, ele me paga, ah, vai me pagar dobrado, a tapa e meus trocados que ele embolsou e eu não, filho da puta! O dia amanheceu e pela primeira vez o primeiro pensamento de Disonaldo foi Terdílio: Danou-se! Sonhei a noite toda com esse porra! Acordo com ele no meu juízo! Que droga é essa? Remexeu os bolsos, não havia nada. Foi até a gaveta da petisqueira, tinha algumas cédulas, pegou o cartão do banco, foi até o caixa do atendimento automático, errou a senha: O filho da puta do Terdílio já me roubou a senha? Pode não! Refez a operação, saíram cédulas, tudo certo. Dinheiro pra ele era só pra beber, comer e cagar, mais nada. Isso mesmo: beber, comer e cagar! Serve para mais alguma coisa? Serve sim, para eu pegar Terdílio e vingar da tapa e de todo prejuízo que ele me casou esses anos todos. Ah, vou foder a alma do Terdílio, ah, se vou! Destá. Saiu decidido. Encheu o copo com a aguardente, era seu desjejum. Virou uma meiota de vez, pediu uma cerveja, bebeu no gargalo, trocou os olhos, dor de cabeça da peste, engasgou-se, tossiu, bateu na caixa dos peitos, manda outra! Virou a garrafa todinha goela adentro, apertou a vista, tudo estreito, tudo em dupla, olhou pras mãos: não tremiam. Agora estava no ponto, pronto pro que desse e viesse. Ao virar a esquina, deu de cara com o amigo desafeto. Eita! Teve um troço, foi bater no hospital, três dias em coma, ao acordar-se: Que é que estou fazendo aqui? Dê graças a Deus ao seu amigo ter-lhe salvado a tempo, senão hoje era mais um prestes a ser homenageado com missa de sétimo dia. Eita! Mais uma? Esse filho de uma quenga me paga! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor, compositor e ativista estadunidense de causas humanitárias e sociais Stevie Wonder: Live at last: A Wonder summer’s night; da musicista especializada em Viola de Gamba, integrante do Conjunto de Música Antiga da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora dos cursos de extensão em Música, KristinaAugustin interpretando Bach em parceria com Mário Orlando; do violonista e compositor inglês Stanley Myers (1930-1993): Kaleidoscope, Catavina & Echoes; da harpista, cantora e compositora Cristina Braga interpretando Stairway to heaven, Love parfait, No silêncio na chuva, Bem e mal, Brasileirinho e Ária de Emília. Para conferir é só ligar o som e curtir.

O LUCRO OU AS PESSOAS - As conseqüências econômicas dessas políticas têm sido as mesmas em todos os lugares e são exatamente as que se poderia esperar: um enorme crescimento da desigualdade econômica e social, um aumento marcante da pobreza absoluta entre as nações e povos mais atrasados do mundo, um meio ambiente global catastrófico, uma economia global instável e uma bonança sem precedente para os ricos. Diante desses fatos, os defensores da ordem neoliberal nos garantem que a prosperidade chegará inevitavelmente até as camadas mais amplas da população – desde que ninguém se interponha à política neoliberal que exacerba todos esses problemas! No final, os neoliberais não têm como apresentar, como não apresentam de fato, a defesa empírica do mundo que estão construindo. Ao contrário, eles apresentam – ou melhor, exigem uma fé religiosa na infalibilidade do mercado desregulado, que remonta a teorias do século 19 que pouco têm a ver com o nosso mundo. O grande trunfo dos defensores do neoliberalismo, no entanto, é a alegada inexistência de alternativas. [...] As hordas são uma visão aterradora: “elas incluíam sindicatos, lobistas ambientais e dos direitos humanos e grupos de pressão que se opõem à globalização” – quer dizer, a globalização na forma particular exigida pelo “público interno”. A horda turbulenta subjugou as estruturas de poder patéticas e impotentes das ricas sociedades industriais. Ela é dirigida por “movimentos marginais que defendem posições extremadas” e possui uma “boa organização e sólidas finanças” que a capacitam “a manejar a sua grande influência com a mídia e com os membros dos parlamentos nacionais”. [...] Mesmo sabendo que o poder e o privilégio com certeza não vão descansar, as vitórias populares devem ser inspiradoras. Elas ensinam lições sobre o que se pode conquistar mesmo quando a desigualdade das forças em luta é tão bizarra quanto à do confronto em torno do AMI. É verdade que são vitórias defensivas. Mas elas impedem, ou pelo menos adiam, o enfraquecimento ainda maior da democracia e a transferência de mais poderes para as mãos das tiranias privadas em rápido processo de concentração, que querem administrar os mercados e se constituir num “Senado virtual” que dispõe de diversos meios de frustrar o desejo popular de usar as formas democráticas em benefício do interesse do público: a ameaça da fuga de capitais, a transferência das unidades de produção, o controle da mídia e outras formas de coação. Devemos prestar muita atenção ao medo e ao desespero dos poderosos. Eles compreendem muito bem o alcance da “arma definitiva” e só esperam que aqueles que buscam um mundo mais livre e justo não adquiram essa mesma compreensão e a coloquem efetivamente em uso. Trechos da obra O lucro ou as pessoas (Bertrand Brasil, 2002), do filósofo, linguista, cientista cognitivo e ativista político norte-americano, Noam Chomsky. Veja mais aqui e aqui.

O ESCRITOR, A FAMA E A SOCIEDADE - [...] Se tivesse recebido ao menos uma linha, uma linha de caráter pessoal com uma das notas de recusa, ter-se-ia sentido mais animado. Mas nenhum dos editores dera tal prova de sua existência. E ele só podia concluir que não havia seres humanos do lado de lá, mas rodas, apenas rodas, bem lubrificadas, acionando a máquina para um funcionamento perfeito. [...]. Trecho da obra Martin Eden (Nova Alexandria, 2003), do escritor, jornalista e ativista estadunidense Jack London (1876-1916). Veja mais aqui.

HOLLYWOOD - Para ganhar o pão, cada manhã / vou ao mercado onde se compram mentiras. / Cheio de esperança / ponho-me na fila dos vendedores. Poema do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956), extraído de O duplo compromisso de Bertolt Brecht, do livro O arco-íris branco (Imago, 1997), de Haroldo de Campos. Veja mais aqui.

BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Conversando com o público nos eventos da Biblioteca Fenelon Barreto, coordenado pelo diretor João Paulo Araújo.

Veja mais:
A música de Stevie Wonder aqui.
O talento musical de Cristina Braga aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, desenhista, artista gráfico e ilustrador belga Jules De Bruycker (1870-1945). Veja mais aqui.
 

terça-feira, maio 10, 2016

DUÍLIA DE MELLO, DALTON TREVISAN, CRISTINA BRAGA, DESCALS, MITO & LENDA


À PROCURA DA PATERNIDADE (Imagem: arte do artista plástico espanhol Ernest Descals)- Não sabia de si. Para ela, só o mundo dos olhos. Dentro dela, um negrume de vazio abissal. Muitas querências insaciáveis, rompidas, irreveláveis. Tinha até medo de fechar os olhos e se perder no nada. Assim era o que foi e o que será. Aos dezesseis anos, sonhos e fantasias espatifadas no piso que agora lhe fugia aos pés num futuro negro e incerto. A vida passa depressa, o mundo corre solto pelas calçadas e ruas. Perder o bonde torna tudo mais difícil. Passou, ah passou, uma nova espera. A espera de sempre. Por um instante a fragrância da infância, quando era riso pra tudo: mimos, trelas e tretas. Agora, a inocência perdida. Restava a efígie no espelho da parede. Gostava de expor-se: batom vermelho nos lábios, calcinha, sutiã e salto alto. Vermelhos. Uma dama de luxo cobiçada por todos, a sua vaidade. Insinuante, olhos tímidos. O vestido vermelho, o decote nos seios, o corte do tecido macio a mostrar-lhe as coxas, as pernas, achava bonito seus calcanhares sobre a colcha da cama. Era quando ficava embalada com o pensamento do sarro no namorico, aos beijos, tudo espionado por uma implacável perseguição. Sabia. Adivinhava. Agora entendia porque a mãe insistia em chamá-la de malagradecida. Era ciúme, só podia. Bastou depará-la mocinha, quase mulher feita e ela mudou por completo. Antes, mãe dedicada, prestimosa, tolerante. Agora não, desde o flagra de braços e corpo colado ao namorado, daquele dia em diante, ela passou a ser reticente, aborrecida, repetitiva: não foi pra isso que lhe criei, malagradecida. Não pra isso que passei horas de sono, cuidando de você. A bem da verdade, ela não tinha mesmo muito a ver com o jeito, nem com nada do que era. E tinha quase certeza que eles não gostavam dela, privaram-na de tudo, sempre um não pra tudo que lhe trouxesse alegria. Isso depois de mocinha. Na lembrança repassava os dias em que o pai bêbado, a mãe na missa, galanteios e carinhos afetados, não entendia nada, era a princesinha dele, alisando os cachos do cabelo, obrigando-a submissa a sentar no seu colo, e ele mãos com dedos quase na vagina dela, um ajeitado nos peitinhos, beliscões delicados nas nádegas, chamava para chupar sorvete, puxava a alça da blusinha, a palma da mão dela levada para um alisado numa saliência que emergia da braguilha dele, promessa de presentes deslumbrantes se alisasse direito, brincando de adivinha, o que é o que é, ela à mercê. E isso desde criancinha, por isso, pra ela, era tudo natural, estava acostumada, nem ignorava já mocinha sonsa usar disso para conseguir o que queria. Quando o pai aquiescia, assentindo o que quisesse pra sua felicidade, a mãe botava gosto ruim, implicava na maior peitica, até estragar tudo. Parece que ela adivinhava o que se passava quando trancada no quarto com o pai. Ou dissimulava na hora e se vingava dela pro resto da vida. Agora não mais, consoante a investida dele, embriagado, desvencilhava-se como podia. Agora, aquilo lhe dava náuseas. Não mais a provocante e fatal sedutora. Agora, decentemente trajada, procurava um rumo pra sua vida. Tinha de ter cautela, estava encurralada. Detendo-se, à espreita, fitava a casa mobiliada carregada com todas as memórias insustentáveis. A descoberta dos pais postiços assim de súbito, dera o sinal de sua ruína. Perdia a noção da vida e de tudo. Não havia mais a quem recorrer, nem o namorado inspirava confiança, ele sabia e não lhe dissera nada. Esfacelara-se no meio de toda rememoração. Pra onde ir, não sabia. Da mãe biológica, apenas Maria. Nenhum sobrenome pra sair à procura de quantas mães Marias na face da terra. Comovida pela triste sorte, sentiu-se à beira de um precipício: a constatação da orfandade. Não havia mais em quem acreditar, não discernia mais o falso do verdadeiro. Deu vontade de morrer, matar-se de tudo, uma nódoa na alma, nada como remover, demovê-la dos seus martírios. Quem sua mãe, seus pais, não sabia, nem tinha pistas do paradeiro deles. Restava debulhar as lágrimas e sumir do mundo. Não havia mais sentido em viver, a vida acabou. Não sabia. Trancou-se em si e não mais viu nada. A sua solidão reinava. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: arte do artista plástico espanhol Ernest Descals.

Curtindo o álbum Espelho d’água (ViSom, 2001), da harpista, cantora e compositora Cristina Braga. Veja mais aqui.

PESQUISA

Lenda, mito e magia na imagem do artista: uma experiência histórica (Presença, 1988), de Ernst Kris & Otto Kurz, tratando o enigma do artista sob as perspectivas psicológica, a natureza do homem criador de obras de arte; e a sociológica, como é que tal pessoa, a cujo trabalho é atribuído um valor particular, é avaliada pelos seus contemporâneos.


LEITURA 
A trombeta do anjo vingador (Record, 1981), do escritor Dalton Trevisan. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA
Acho o nosso planeta maravilhoso, mas precisamos tratá-lo bem porque é o único que temos.
Foto: astrônoma e professora de Física e Astronomia da University Washington, pesquisadora do Goddard Space Flight Center – NASA, e autora do livro Vivendo com as Estrelas (PandaBooks, 2009), Duília de Mello.

Veja mais Brincarte do Nitolino, Hermilo Borba Filho, Mikhail Bakhtin, Albert Camus, Luiz Gonzaga, Guerra Peixe, Stella Leonardos, Ettore Scola, Patrice Murciano, Sophia Loren & Léon Bakst aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do artista plástico espanhol Ernest Descals.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

domingo, janeiro 03, 2016

SAMIRA, BLASBAND, MACKE, MARTEL, ANTUÑA, DIANA DOMINGUES, CRISTINA BRAGA, SUSIE CYSNEIROS, BAILUNE & MUITO MAIS!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? SAMIRA, A RUIVINHA SARDENTA - Quase enlouqueci de paixonite aguda pela Samira, uma lindíssima ruivinha sardenta que me deixou nas nuvens encantado com a sua beleza adolescente. Tínhamos quinze anos quando a conheci. Ganhou o concurso de miss, eleita na capital e seguindo pra São Paulo para concorrer à miss Brasil. Aos dezoito, desapareceram-lhe milagrosamente as sardas e estudamos juntos na faculdade. Privei da sua amizade, tornando-me íntimo de suas confidências, enquanto me encantava por inteiro com o sua companhia para lá de prazerosa. Ah, aqueles seus seios expressos na blusinha de alça a dar-me água na boca e estimular minha libido; aquela geografia sedutora de milagre dos céus, formas assimétricas deliciosamente harmonizada com a expressão da maior lindeza do universo; aquele jeito encantador de olhar meigamente, falar doce na alma alheia, tocar daquelas mãos sedosas e maravilhosamente imantada de ser capaz de acender-me as mil e uma volúpias. Deus fora generoso com aquela criatura. Foi nessa época que descobri que toda marmanjada da cidade se enrabichara por seus encantos pra lá de envolventes. Eu sabia que não era pro meu bico, todavia ela gostava de conversar comigo nos horários vagos e no intervalo das aulas, às vezes até me convidando a ir pra sua casa jogar conversa fora e segredar suas íntimas ansiedades e decepções. Tulinho, um fazendeiro rico da região, também foi tragado por uma paixão avassaladora por ela. E não fez cerimônia, cortejou-la insistentemente até levar um fora de sair enraivecido, dizendo de si pra si: - Se não for minha, não será de ninguém. Ela só deitara seus olhares mais insinuantes para mim e pro Gersinho, um promissor jogador de futebol que estava sendo contratado por um time da capital. Por causa disso, saí do páreo, a barra estava pesando demais e eu sabia que não sairia incólume dela. Os ciúmes não me deixariam em paz. E ela, linda além da conta, já se entregara de vez aos agarros com o jogador pra cima e pra baixo. Meses depois, com o anúncio do noivado e futuro casamento, ouço a notícia: foram ambos encontrados terrivelmente mortos, completamente decapitados no veículo dele, jogado numa vala à beira do acostamento da rodovia federal. Minha nossa! Foi. E vamos aprumar a conversa aquiaqui.

PICADINHO
Imagem: Reclining female nude, do pintor expressionista alemão August Macke (1887-1914). Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Harpa Bossa (Enja Records, 2010), da harpista, cantora e compositora Cristina Braga.

EPÍGRAFEPara quem monta cavalo esperto, toda lonjura é perto! Provérbio caipira recolhido por Hernani Donato e registrado no Dicionário de provérbios, locuções e ditos curiosos (Documentário, 1974), organizado por R. Magalhães Junior, correspondente aos ditados de que o tempo só é ruim para quem não esperar. Assemelha-se pela formulação com seu antônimo conceitual: Para quem está perdido, todo o mato é vereda. Veja mais aqui.

SEGUNDA INTERATIVIDADE – O livro Criação e interatividade na ciberarte (Experimento, 2002), da professora, pesquisadora e artista multimídia Diana Domingues, trata sobre cibercultura e interatividade; ciberarte, criação e interatividade; fronteiras da arte e da ciência. Da obra destaco o trecho que aborda sobre a segunda interatividade criando situações: [...] geradas no interior de sistemas guiados por modelos perceptivos oriundos das ciências cognitivas que simulam o funcionamento da mente e por princípios de inteligência artificial e vida artificial. São simulações que operam de forma complexa, em ambientes que evoluem em suas respostas, como, por exemplo, os dotados de redes neurais e suas camadas ou percetrons que funcionam como conexões de sinapses artificiais e que podem ser treinadas para a aprendizagem, dando respostas para além da mera comunicação em moldes clássicos [...] Em pesquisas mais recentes, surgem, assim, sistemas artificiais dotados de fitness, com plena capacidade de gerar e lidar com imprevisibilidades resultando em processos de solução de problemas por trocas aleatórias, seleção de dados, cruzamentos de informação, auto-regulagem do sistema, entre outras funções [...]. Veja mais aqui.

O MEDO – No premiado livro A vida de Pi (Rocco, 2004), do escritor canadense Yann Martel, encontro o trecho em que ele fala sobre o medo:  [...] Preciso dizer uma palavra sobre o medo. É o único verdadeiro adversário da vida. Só o medo pode derrotar a vida. Ele é um adversário inteligente e traiçoeiro, eu bem sei. Não tem ética alguma, não respeita nenhuma lei ou convenção, não demonstra qualquer misericórdia. [...] Começa sempre em nossa mente, sempre. [...]. Veja mais aqui.

APETITE, GIGA & TOQUE - A poeta e professora Ana Bailune, é autora do livro Vai ficar tudo bem (Pimenta Malagueta), de mais cinco livros virtuais, participou de diversas antologias e reúne seu trabalho literário no Recanto das Letras e em diversos blogs, entre eles Expressão e A Casa e a Alma. Entre os seus poemas, destaco inicial Apetite: Tinha uma fome insaciável, / Passava tardes entre banquetes/ A língua lânguida deslizando / Por sobre os cones de mil sorvetes. / Tinha uma fome tão perigosa! / Enchia a boca de mil mordidas / E mastigava tudo, ruidosa / E engolia frementemente. / Tinha uma fome de muitas eras, / Prendia tudo entre lábios e dentes, / E escorriam de sua boca / Todos os sumos das frutas quentes. / Tinha uma fome que não passava, / E mergulhava em potes de mel / Cremes, champanhes, e muitos doces / Mas sua fome só aumentava!... / Tinha uma fome de pratos cheios, / De camas quentes, lençóis de seda, / E ela servia-se sobre uma mesa / Para senhores de fino gosto. / Tinha uma fome de fazer gosto, / E devorava, com muito gosto / Tudo o que via e que tinha gosto / Com tal prazer, e com tanto gosto, / Que sua mesa era sempre farta, / E suas ancas, sempre tão cheias!... / Deliciosas, todas as ceias, / Mais quente o sangue de suas veias! Também, GiGa: Em volta do fogo / As palmas se encontram / E os pés tocam o chão / Em Stacatto / O suor escorre, vermelho, / Dos nús regaços / A roda se abre / A procura de espaços. Por fim, o poema Toque: Nada supera, / Nada minimiza / Teu toque de Midas / Sob as fibras / Da minha camisa! / O prazer ascendendo / Como as fímbrias / De uma bactéria, / Espalhando-se em luz / Pelas artérias... / Um toque certeiro, / E o espanto / Pelo que veio, / Um toque certeiro, / E a alma se entrega / Sem esteio! / Teu toque me sabe, / Me conhece, / Recita, seguro, / A minha prece! Veja mais aqui.

UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA – A peça teatral Uma relação pornográfica (Une liaison pornographique, 2003), do escritor, dramaturgo e diretor de cinema iraniano Philippe Blasband, conta a história de uma mulher que encontra um parceiro sexual por meio de anúncio de jornal. O que deveria ser uma relação prazerosa e impessoal, acaba se tornando a repetição de um esquema conjugal de rotina com ansiedade e inseguranças. Quando assisti a peça no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, no ano de 2005, pelo grupo mineiro Encena, com direção de Wilson Oliveira, o destaque ficou por conta da atuação da talentosa atriz e jornalista Christiane Antuña. Veja mais aqui.

LOLA RENNT – O premiado filme Lola Rennt (Corra Lola, corra, 1998), do diretor Tom Tykwer, conta a história de um coletor de uma quadrilha de contrabandistas, que esquece no metrô uma sacola com cem mil marcos e só tem vinte minutos para recuperar o dinheiro ou irá confrontar a ira do seu chefe, um perigoso criminoso. Desesperado, ele telefona para Lola, sua namorada, que vê como única solução pedir ajuda para seu pai, que é presidente de um banco. Assim, Lola corre através das ruas de Berlim, sendo apresentados três possíveis finais da louca corrida de Lola para salvar o namorado. O destaque do filme vai para a atriz alemã Franka Potente. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico chinês He Jiaying.
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à arquitetamiga e produtora cultural Susie Cysneiros & Boibumbarte.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui e aqui.
 

LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca , sobe-desce na sua fubica incrementada, todo a...