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sexta-feira, março 15, 2019

O CORPO DE LELOUP, GILBERTO FREYRE, GEORG SIMMEL, MARI PAVANELLI, JOEMA CARVALHO & ADRIANO SALES



O CORPO DE LELOUP – Uma leitura além de esclarecedora foi a que fiz da obra O corpo e seus símbolos (Vozes, 1999), do PhD em Psicologia Transpessoal, doutor em Teologia e professor de Filosofia, Jean-Yves Leloup. O livro de forma geral chama atenção para o fato de que o corpo não mente, uma vez que ele conta muitas histórias que deixam marcas profundas e que é preciso descobri-las para que se tenha paz, satisfação e tranquilidade na vida. Observa a flexibilidade de todas as articulações do corpo, além das de natureza psíquica e da inteligência humana, fazendo leituras e reflexões tanto física quanto psíquica de cada parte corporal. Começa pelos pés que são os alicerces e raiz do corpo, a semente, aqueles que escutam a terra. Saber o seu cheiro ou odor, o prazer ou não de pisar a terra, lavá-los a si e os de outros, como proporcionar capacidade de prazer e amor. Segue para os tornozelos que são as primeiras articulações, das quais dependem a harmonia e livre circulação da energia, assim como sua relação com o momento entre a vida antes e depois do nascimento: a saída do útero e a vida. Já os joelhos são importantes porque a sua rigidez afeta diretamente a coluna vertebral e os rins, fato que evidencia torná-los bastante flexíveis, uma vez que possuem relação direta com o peito e os seios, o colo e as lembranças orais da infância, relacionando-se, portanto, com as causas da bulimia ou anorexia, entre outras enfermidades. Por sua vez, as pernas e as coxas são responsáveis pela postura, condução, caminhar e de apresentar-se, a identidade e perfil de cada um. O destaque para a região sagrada por ser aquela que define os sentimentos de perda, guarda ou falta, fazendo com que seja necessário respeito com esta dimensão para se livrar dos tabus e seguir para a integração, recomendando: “A matéria só se salva se deixarmos que a luz atinja suas profundezas”. Enfatiza ainda que o estudo do sacro envolve a imagem que a sociedade e as religiões têm da sexualidade, as atrações e repulsões individuais, a qualidade dos orgasmos e, por consequência, o bem-estar e a felicidade. Com relação aos genitais, o autor chama atenção: o encontro de dois seres não é apenas o encontro de duas libidos, mas de duas almas, de dois espíritos, dois seres interiores que se completam. Portanto, observa que “O sexo é o local onde se encarna a vida, onde se transmite a vida. Por isto é algo muito sagrado”. Por conseguinte, o ventre é o local onde existem o pai e a mãe, pelo qual o corpo é religado ao que se passa no mundo e as emoções: escutá-lo significa ter o centro da gravidade, a possibilidade das transformações, exigindo-se de cada um a postura justa, relaxada, adequada para acolher o sopro. Além do mais, o fígado está associado com o humor, sujeito a sintomas e distúrbios que influenciam diretamente o comportamento. Assim como juntamente com a vesícula biliar, o baço, o pâncreas e o estômago que são identificados como os caminhos do autoconhecimento, o discernimento. É essa parte do corpo que se relaciona com o perdão e o rancor, a digestão. Os rins têm a forma de semente: escutam as mensagens interiores e são os filtros que retiram as impurezas orgânicas. Por outro lado, referem-se à escuta para enfrentar a existência e os acontecimentos. A coluna vertebral é o local da escuta das solicitações da vida, como uma escada a subir e a lei estruturante, o elo, a árvore da vida. As vértebras precisam estar ajustadas à sua estrutura interior, mantendo-se ereta para estar em pé face às provações da existência. O coração e os pulmões possuem relação direta com uma vida saudável: respirar adequadamente para que se possa viver bem. O pescoço é o elo entre a cabeça e o coração, o local onde a palavra nasce e se conhece o desejo, o sussurro que nasce do interior, o contato com a identidade verdadeira. A nuca precisa ser a mais flexível possível porque dela se amplia a inteligência. As mãos representam a transmissão de conhecimento e carregam uma riqueza simbólica como guia e auxílio. A cabeça e as linhas do rosto, a boca, o nariz e as orelhas, estas possuem a forma de semente e escutam os dizeres e informações, e nos revela a identidade e comportamento. Em suma, o que o autor chama atenção é que o corpo inconsciente guarda os segredos tanto pessoais como os da história coletiva, donde fica evidenciado que o corpo somatiza problemas que não são apenas de cada um, mas a memória da família e da coletividade. Por fim, o autor aconselha escutar o corpo, uma escuta infinita para conhecê-lo e respeitá-lo, sobretudo aceitá-lo para tornar-se feliz e, com isso, proporcionar a cura individual para curar o mundo. Por tudo isso é uma leitura para lá de recomendável, necessária em todos os sentidos do conhecer-se a si mesmo, conhecer o mundo ao redor e a própria razão de viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] o significado do dinheiro junta-se com o do poder; como este, o dinheiro é uma pura potência que acumula uma mera antecipação subjetiva do futuro na forma de um presente objectivamente existente. [...] dinheiro pode ser comparado com a linguagem que também se transporta às mais divergentes direções de pensamento e sentimento; o dinheiro pertence àquelas forças cuja peculiaridade é a falta de peculiaridade, mas apesar disto, pode colorir a vida de muitas cores porque a sua natureza meramente formal, funcional e quantitativa é confrontada com conteúdos qualitativamente determinados e direções de vida e induzi-las a gerarem novas formações qualitativas. [...] Podemos então caracterizar o efeito do dinheiro como uma atomização da pessoa, como uma individualização que ocorre na pessoa. É uma tendência geral na sociedade que se estende ao interior do indivíduo. [...] O mesmo processo de diferenciação que deu ao indivíduo um significado especial tornando-o relativamente único e insubstituível torna o dinheiro o equivalente e padrão de muitos e diferenciados objetos; a sua crescente indiferenciação e subjetividade torna-o progressivamente menos aceitável como equivalente de valores pessoais [...] Se o homem moderno é livre – livre de comprar e vender tudo – procura agora nos objetos esse vigor, estabilidade e unidade interior que perdeu [...] O importante, entretanto, é que o dinheiro é percebido em toda parte como fim e, com isso, muitas coisas que têm o seu fim em si mesmos são rebaixados a simples meios. Ao mesmo tempo que o dinheiro, por definição, é o meio, os conteúdos da existência se colocam num profundo contexto teleológíco sem começo e sem fim [...] A desproporcionalidade no aumento dos preços leva a que determinados grupos de pessoas e profissões sejam especialmente beneficiados e outros prejudicados. Em tempos históricos isso acontecia com os camponeses. No final do século 17, o camponês inglês, sem conhecimentos e sem meios, como ele era, foi literalmente espremido, entre as pessoas que lhe deviam e o pagavam apenas o valor nominal, e as que ele devia dinheiro e o exigiam a peso de ouro [...].
Trechos extraídos da obra Philosophy of Money (Routledge 2004), do sociólogo e professor alemão Georg Simmel (1858-1918), na qual o autor procura compreender quais as consequências da invenção, introdução e difusão social desse meio de troca (simbólica), tendo em vista considerar que o dinheiro alterou enormemente as relações sociais, provocando efeitos que convergiram para a individualização ou individualismo, numa fase da história em que as relações tradicionais ou pré-modernas, estavam em vias de serem superadas pela emergência do modo de produção capitalista. Conforme demonstra o autor, a relação de tipo monetária que se tornou predominante na época moderna representa o patamar máximo da individualização humana. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista Mari Pavanelli. Veja mais aqui & aqui.

A POESIA DE JOEMA CARVALHO
EROS UMA VEZ - O rio corre nas veias e sai do controle / Confundido pela poeira do asfalto nos olhos / Algum tempo de abandono e solidão / A dança do dia-a-dia no meu microcosmo / Você no céu e eu na lua / Seria tão bom se me prendesse com uma corda / Para que flutuasse baixo e por perto / Fica esquecido no silêncio / No caminho da noite escura / Na vida que passa e que se perde / Que de repente volta / Uma página nas folhas de outono / Coloridas numa lira infinita / Soando longe / Estou querendo te ter novamente / Na cidade, no sol, no mar / Em uma floresta que desencanta todos os sonhos e desejos / Em algum hemisfério consciente / Acho que o que um sente pelo outro não se finge / Pode ser que eu não seja mais 100% / Mesmo sabendo que serei mais inteira / As coisas vão ficando mais simples / As cores do jardim estão refletidas no céu / Precipitam em gotas de amor / Sentindo o ar conduzir / Os jasmins-dos-poetas estão em flor / E envolvem o arco-íris junto ao vento da estação / Disse que voltou para me buscar / Não sabia que estava tão perto / O acaso te trouxe / Mais rápido do que eu pude processar / Ainda consome as minhas noites / Meu ciclo mensal / Meus sonhos / De dia a rotina ocupa os meus poros e não sou mais ação / Os 100% ficam nos bueiros / Escorrendo com o vento, com a poeira e com a enxurrada / E quando te encontrar? / Agarro no seu pescoço / Te engulo com ossos, cabelos e todo o seu cheiro? / Ou espero o momento certo / Com a diplomacia dos equilibrados? / Depois da peça / Depois que abaixarem as cortinas? / Em algum momento que houver um vácuo, uma deriva? / Em algum momento de aquecimento global e globalização de Todas as células? / A hora certa? / Acho que te ter de novo não será evolução do meu espírito / Muito menos da minha alma / Talvez eu vá repetir o que tem sido / Mas o não ser, eis a questão? / Isso confunde minha ilusão / Pode ser que se eu te olhar de novo / Deturpe os teus traços / Que eles não sejam mais o que eu aprecie / Como água para chocolate / Como uma pimenta rosa / Queria que assumisse o que eu sinto como sendo teu / Espero que agora a gente possa esperar a lua fechar a noite / O carrossel do sol nascer / Em um céu novamente nosso / A natureza determina / A onda que chega e que vai / E a flor que desabrocha em paz e harmonia.
Poemas extraído da obra Luas & Hormônios (SEC-PR, 2010), da poeta, engenheira, pesquisadora e consultora ambiental Joema Carvalho. Veja mais da autora aqui.
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A POESIA QUÂNTICA DE ADRIANO SALES
O lado oculto da poesia quântica é o título do próximo lançamento em livro do poeta Adriano Sales que é formado em Logística, Gastronomia, Informática e Psicanálise, atuando como analista de sistema e consultor e é membro fundador da Academia Escadense de Letras (AELE) da qual é vice-presidente, membro secretário da Academia Palmarense de Letras (APLE), membro correspondente da Academia Tobiense de Letras e Artes (ATLAS). É autor dos livros Eu – poesias em vias (2015), O regozijo e a veemência (2016) e participa de diversas antologias. Veja mais do autor aqui e aqui.
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A obra do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) aqui, aqui & aqui.
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A obra do PhD em Psicologia Transpessoal, doutor em Teologia e professor de Filosofia, Jean-Yves Leloup aqui, aqui , aqui e aqui.


quinta-feira, maio 26, 2016

OSCAR WILDE, PAULO FREIRE, YANTO LAITANO, KIRCHNER, ERICKA HERAZO, CORPO, LARRY CARLSON & POESIA DO RECIFE

OS FEITIÇOS DA PAIXÃO (Imagem: The True Lovers, by Ericka Herazo) - Quando é manhazinha, ela é Iaravi mortal raínha do fogo e tão fulgurante quanto a majestade do Sol iluminando os mais recônditos mistérios vitais de todas as coisas despertas. O dia nasce nos seus olhos de festa, as pálpebras erguidas com seu terno e radiante riso lindo de espanto a me olhar fixamente como quem descobre a maior grandeza daquilo que não sou. E me envolve com seu jeito maternal no êxtase do enternecimento e flagro a sua língua passeando nos contornos escarlates dos seus suaves e provocantes lábios rubros que se exaltam da boca voluptuosa de todos os beijos e cantos e poemas e paixões. E sou mais dela que de mim mesmo ao ser-me dado o prazer do seu sobejo mais que purificador a me lavar o corpo e a alma. E me fita lindamente enamorada a me estender suas mãos hábeis para que eu seja devidamente encantado com o que há de mais exuberante no universo, a me agraciar com todos os prêmios concedidos a qualquer mortal. E mais que revigorado com a ânsia aerdente de suplicar seus beijos mais que estimulantes na manhã ensolarada e sou mais que cobiça à sua entrega enrubescida. E me devolve o fôlego com a graça de sua cabeça ligeiramente inclinada pro lado, quando sou rendido por sua risonha face a me contemplar dos seus quereres e ao se aproximar com um beijo pronto e sinto sua ofegante respiração roçando meu rosto e o seu hálito doce e cálido e seus beijos que recendem ao mel e me dão a mais farta doçura de todos os prazeres. É quando vem o crepúsculo e o seu entardecer se insinua para a noite advena, ela se torna possuidora de um raro poder e com uma secreta fórmula de encanto se transforma Freya, a mais estonteante emanação do que possa haver de impossível em toda paragem. E é de tal maneira exuberante que sua excitação a transforma no que há de mais fascinante para imaginar sob a forma de mulher. E sou envolvido por seu intenso desejo inebriado por uma desvairada voluptuosidade arrebatadora e, com efeito, a sua aparição é muito mais que todos os meus sonhos noturnos e diários, quando de modo impulsivo ela age com sua proposital sedução a me enlevar num paraoxismo enlouquecedor a me fazer desbravar as ondulações lascivas do seu corpo sensual que se desvanecem entre os raios do luar e a faz dotada de todos os atributos de deusa a desfilar toda graça e desembaraço sobre o meu desmesurado apetite. É nela que a prodigalidade da criação se manifesta nas formas que se encontram na mais perfeita ordem para que eu me desfaça e vibre na mais tensa e deliciosa expectativa do caos na sua lapa de grandeza. Esse o meu premio, esse o seu feitiço e bruxaria a comungar do amor da mais bela entre as mulheres e que faz feliz meu coração. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui. 

 Imagem: a arte do pintor expressionista alemão Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938)


Curtindo o álbum Horizontes e Precipícios (2010), do compositor, pianista, cantor e produtor Yanto Laitano, mestre em composição pela UFRS.

PESQUISA
Ação cultural para a liberdade e outros escritos (Paz e Terra, 1981), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Poesia viva do Recife: 100 poetas vivem, amam e eternizam a cidade (Companhia Editora de Pernambuco, 1996), organização do escritor, editor, produtor e agitador cultural Juareiz Correya. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Imagem: Portrait of Oscar Wilde, by Steve Justice.
Hoje em dia tendemos a considerar a vida como uma investigação teórica, mas ela não é uma investigação: é um sacramento; o ideal dela é o amor, a sua purificação é o sacrifício.
Trecho extraído do livro Aforismos (Newton Compton Brasil, 1995), do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Imã (2009), coreografia do espetáculo comemorativos dos 40 anos da companhia de dança contemporânea mineira Corpo, fundada em 1975. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Emmanuel Lévinas, Mario Perniola, Sivuca, Maria Helena Kühner, Jaci Bezerra, Emanuel Leutze, Maria Clara Gueiros & Dorothea Lange aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Colage (2012), by Larry Carlson.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

terça-feira, agosto 25, 2015

ROGERS, GREENAWAY, FREI BETTO, STOCKHAUSEN, GOODRIDGE, SOCIODRAMA & FENELIVRO.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A ATIVIDADE ARTISTICA COM FUNÇÃO ALTERNATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO (Fotos: Givanilton Mendes. Matéria A Região, ano I, nº 2, Dez/1983 / Artigo: A Região, Ano I, nª 5, 1984) – Após o lançamento do livro A intromissão do verbo (Pirata, 1983), fui convidado pelo então presidente da Fundação de Hermilo Borba Filho, poeta Juareiz Correya, para a Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Fundação, pela qual desenvolvi a palestra A atividade artística como função alternativa para o progresso do município, ministrada no auditório do Teatro Cinema Apolo e registrada na edição de dezembro de 1983, da recém-criada revista A Região – lançada no dia 15 de outubro de 1983, da qual eu fazia parte do conselho editorial. Fui convidado, então, a ministrar essa palestra em diversas instituições locais, bem como em cidades vizinhas atendendo convite das prefeituras da região. O foco principal da palestra estava no levantamento do acervo artístico e cultural da região, para catalogação e programação de eventos que pudessem se tornar um calendário aliado e de valorização do patrimônio histórico e turístico. Para facilitar o acesso às ideias defendidas e requisitadas pelas pessoas, fiz publicar o artigo homônimo nova edição de A Região (1984), trazendo detalhes da ideia para difusão em toda região Mata Sul de Pernambuco. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: Nude on a sofá, 58 huile 25 x 32, do pintor canadense Goodridge Roberts (1904-1974).


Curtindo o álbum – livro e cd - Kurzwellen (1968), do compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007).

GRUPOS DE ENCONTRO – O livro Grupos de encontro (Matins Fontes, 2009), do psicólogo norte-americano e criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa, Carl Rogers (1902-1987), trata sobre origens e objetivos do movimento de grupos, modalidades e formas diferentes, linhas comuns, o processo de grupo, medo criado pelo movimento, o processo do grupo de encontro, fracassos, desvantagens, riscos, contexto filosófico e atitudes, função da criação de ambiente, aceitação do grupo, aceitação do individuo, compreensão empática, confrontação e feedback, expressão dos problemas, a mudanças nas pessoas, nas relações e nas organizações, a pessoa isolada e as suas experiências em grupo, campos de aplicação, construindo capacidades facilitadoras, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] No futuro perturbado que está à nossa frente, o movimento da experiência intensiva de grupo está ligado a problemas profundos e significativos que têm que ver com mudança. Mudanças que acontecem nas pessoas, nas instituições, na nossa alienação urbana e cultural, nas tensões raciais, nos conflitos internacionais, nas nossas filosofias e valores, na nossa própria imagem do homem. é um movimento profundamente significativo, e o seu caminho futuro terá, para melhor ou para pior, uma profunda influencia em todos nós. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

BATISMO DE SANGUE – O premiado livro – Premio Jabuti 1863 - Batismo de Sangue: Os dominicanos e a morte de Carlos Marighella (Bertrand Brasil, 1987), do teólogo e escritor Frei Betto, conta os bastidores do regime militar com a participação dos frades dominicanos na resitência à ditadura, a morte de Carlos Marighella e as torturas sofridas por Frei Tito. O livro foi adaptado para o filme homônimo em 2007, dirigido pelo cineasta Helvécio Ratton. Da obra destaco o trecho inicial: Foi na realidade uma noite do povo, publicou O Globo em sua edição do dia seguinte. Espetáculo de gala no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Pelé teria festejado seu grande dia se o resultado fosse ao contrário. Mas foi o Coríntians que marcou quatro gols no Santos. Magnífica atuação do time do Parque São Jorge. A equipe praiana fez apenas um tento. E não foi de Pelé, foi de Edu. Os portões foram franqueados ao público. Arquibanca das repletas, torcidas excitadas, tambores, cornetas e apitos alegrando a noite de terça-feira, 4 de novembro de 1969. Bandeiras coloridas flutuavam sobre a multidão que aplaudia o desempenho de seus times. Bem que Pele tentou. Mas não seria ainda dessa vez.Quando ele dominava a bola, o coração da torcida batia acelerado. Poderia ocorrer a qualquer momento. Rivelino, porém, roubou-lhe a noite e balançou a rede adversária duas vezes. Pelé permaneceu na soma de 996 gols ao longo de sua brilhante carreira. Não seria ainda dessa vez que ele marcaria o milésimo gol. A contagem foi aberta aos 25 minutos. Rivelino centrou forte para a pequena área, Ivair entrou livre e tocou a bola para dentro da meta do goleiro santista. A torcida corintiana explodiu: a euforia reboava, as cornetas soavam estridentes, as baterias assemelhavam-se a disparos acelerados de canhões em salvas de tiros. Aos 32 minutos, Benê tentou cortar Joel e Ramos Delgado, sendo derrubado pelo primeiro. De pé esquerdo, Rivelino bateu a falta, chutando entre a barreira do Santos para ver a pelota enroscar-se no fundo da cidadela de Agnaldo. No intervalo do jogo, a torcida movimentava-se, agitada. O cheiro de suor misturava-se ao hálito úmido do clima chuvoso da noite quente, Dedos nervosos cruzavam, entre mãos estendidas, dinheiro, pipocas, refrigerantes, sanduíches, amendoim torrado. Possantes holofotes cobriam com um véu branco o gramado verde do Pacaembu. Nos vestiários, os times recobravam fôlego. De súbito, um ruído metálico de microfonia ressoou pelo estádio. Um ajustar de ferros puxados por corrente elétrica. Cessaram as batucadas, silenciaram as cornetas, murcharam as bandeiras em torno de seus mastros. O gramado vazio aprofundou o silêncio curioso da multidão. O locutor pediu atenção e deu a notícia, inusitada para um campo de futebol: Foi morto pela policia o líder terrorista Carlos Marighella.Augusto Marighella viera de Ferrara para a Bahia acompanhado de outros imigrantes do Norte da Itália. Era de Emilia, terra de destacados líderes italianos, como o fascista Mussolini e o socialista Nenni. Seus olhos claros refletiam a esperança que o animava. Mecânico de profissão, socialista de idéias, trazia consigo a experiência emergente do sindicalismo europeu. A baiana Maria Rita fixou o coração de Augusto em terra brasileira. Descendia ela dos negros haussás, escravos africanos trazidos do Sudão, sempre rebeldes à privação da liberdade. Moravam à Rua do Desterro, 9, na Baixa do Sapateiro, onde a 5 de dezembro de 1911 nasceu o filho Carlos. É dura a vida de operário, nesta terra quem não é doutor não tem vez, sabia Augusto. A mulher não queria os oito filhos subjugados como seus ascendentes negros; queria-os livres, senhores de seu destino. Os pais não pouparam esforços para que Carlos ingressasse, aos 18 anos, no curso de Engenharia Civil da antiga Escola Politécnica da Bahia. [...] Também destaco dois dos seis poemas de Frei Tito publicados no livro, que se suicidou no seu exílio na França, A Mulher: Vestiste de brancas nuvens e de sol azul / foste musa dos deuses; / de Baco, foste a primeira dama. / Alegraste corações, criaste profundezas. / Nos teus seios, pousou a mais bela borboleta / porque os tornaste esplendorosos como uma Rosa. / Rosa que cheira; / Rosa que atenta; / Rosa que ama. / Sois toda pura, / Ó formosa e bela mulher. Também Se o Céu e a Terra: Se minh'alma é morta, quem a ressuscitará? / De noites sombrias, / de luzes opacas. / Meu espírito geme em dores. / Meu coração bate como o tic-tac de um relógio / em busca do ser quando este ser é o nada. / Minha vida encerra-se em um eterno dilema: / O ser e o não-ser, / viver é ver, / ver estrelas, / ver flores, / ver a infinita beleza de um ser criador. / Não busco o céu, mas talvez a terra, / um paraíso perdido. / Se o céu é terra, nele eu me movo como um ser / moribundo: experiência, experiência do meu viver. / Em luzes e trevas derrama o sangue da minha existência. / Quem me dirá como é o existir / Experiência do visível ou do invisível? / Se o invisível é visível, para que ver? / Meu ver é sofrer, num mundo oculto / de minha profundeza: minha singularidade. / Talvez minha simplicidade complicada. / Há razões para o não-ser, / pois no nada, no vazio, / encontre uma chama que apanhe um absoluto. / Mas aonde? / Em que terra? / Olho todos os dias as estrelas, olhar singelo / de um infinito, tão vasto quanto a distância de seu brilho / Talvez elas sejam os olhos de Deus, do Deus criador / sem data. Veja mais aqui.

SOCIODRAMA – No livro O agente social que transforma: o sociodrama na organização de grupos (Ágora, 2004), de Marlene Magnabosco Marra, encontro a parte que trata do Sociodrama – perspectiva teórica e metodológica, da qual destaco o trecho: [...] O sociodrama como método de tratamento possibilita enfrenta a complexidade da realidade por promover o envolvimento de todos os atores sócias (família, conselheiros, pesquisadores) de forma presencial – a microrrealidade e a comunidade, organizações sociais, institucionais, mediante a macrorrealidade contida nas referências dos participantes (contexto social). Favorece também a mobilização popular, a transformação de conceitos, a construção de serviços alternativos por ser considerado um suporte clínico-educativo, uma clínica social, uma socioterapia in loco, uma vez que promove intervenções psicossociais com a perspectiva de confirmação e ampliação da competência e das estratégias construídas pelo grupo. Todos participam da construção, conformando o pensamento de Santos (1998) de que todo conhecimento é autoconhecimento. [...] No sociodrama, trabalhamos com os conteúdos sociodinâmicos, objetos da educação não só no sentido da educação formal (ensino), mas como um meio de continuidade social, de mudança, de transformação. [...] No sociodrama, as pessoas são levadas a investir e experienciar como se sentem ao receber uma nova informação e ao avaliar as impressões subjetivas e os sentimentos que têm a esse respeito. [...] O treinamento da espontaneidade é um modo imprescindível a qualquer programa que vise modificar o comportamento das pessoas no sentido do compromisso com novas aprendizagens para os relacionamentos interpessoais [...] O sociodrama cria um espaço para o desempenho espontâneo de papeis, possibilitando desvendar as determinações culturais de um grupo, suas redes sociais e a tomada de consciência da situação e da condição de cada participante em certo contexto social. [...] Veja mais aqui.

THE DRAUGHTSMAN’S CONTRACT – O filme The Draughtsman's Contract (O Contrato do Amor, 1982), do cineasta e artista multimídia britânico Peter Greenaway, conta uma história que se passa no campo Inglês em 1694, na qual um um desenhista é chamado por uma senhora para fazer doze desenhos de sua casa a partir de ângulos diferentes. Ele concorda, contanto que ele pode ter a senhora para seu prazer íntimo. Ele é um perfeccionista e muito meticuloso em seus desenhos, exigindo que cada uma das pessoas da casa sigam suas regras, sobretudo o que tem para permanecer no mesmo lugar enquanto ele desenha. A partir de então, coisas estranham começam a acontecer: estátuas de pedra começar a se movimentar e ocupar locais diferentes para contorcer em outra postura estática, objetos começam a mudar de local para confundir em seus desenhos, até acontecer momentos de chantagens e violência. Veja mais aqui e aqui.

FENELIVRO – Acontecerá entre os dias 28 de agosto e 7 de setembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, a I Feira Nordestina do Livro (Fenelivro), um evento gratuito com realização da Associação do Nordeste de Distribuidores e Editores de Livros (Andelivros) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). No dia 30 de agosto acontecerá a Noite Alagoana no evento, na qual realizarei palestra ao lado dos convidados Arriete Vilela, Carlito Lima e Eduardo Proffa. Veja detalhes aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Espetáculo de ballet Lecuona, do Grupo Corpo, com coreografia de Rodrigo Pederneiras, música de Ernesto Lecuona (1895-1963), cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras e figurino de Freusa Zechmeister.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa.
Na programação: Leonard Bernstein & Gershwin, Pat Metheny, Jean Michel Jarre, Salif Keita, Fernanda Takai, Ray Charles, Selma Reis, Nando Lauria, Cláudia Telles, Roupa Nova, Milton Nascimento, Djavan, Maria Bethania & Chico Buarque, Oswaldo Montenegro, Trio Hamilton de Holanda, Marcos Suzano & Marcos Morelenbaum, Daniel Pissetti Machado, Mazinho, Mônica Brandão, Elisete Retter, Lyara Velloso, Ibys Maceioh, Elvis Costello, Billy Ray Cyrus, Alexandra Burke, Etta James, Rita Porto, Marco Tognoli, Lilian Pimentel, Carlos Miúdo, Carlinho Motta, Nuno Baez, Tribalistas & muito mais. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Foto: Leitora de Fox Harvard
Veja mais aqui.



GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...