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quinta-feira, agosto 13, 2020

CARLOS EDUARDO NOVAES, DELACROIX, LUCIA SANTAELLA, BIRGIT JÜRGENSSEN & CAROL DE ANDRADE


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... IDADE, O TRÂMITE DA VIDA - Da infância, os dias fagueiros na companhia de avós, pais, tias e parentes até de um olho só. Todo dia descobria um primo distante, da gente chapinhar no brejo, invadir quintais, inventar presepadas. Todos estavam vivos e a mesa era farta. Da adolescência, as cabuladas de aula, a ojeriza pela marcha ginasial, a indiferença das moçoilas namoradeiras, os bregues constantes pelas escapulidas. Nem me dei conta do amadurecimento, nem aos trinta nem aos quarenta, novinho em folha, com tudo em cima e em dia. Só quando envelheci e a maturidade falou mais alto. Tinha que viver para ver cada coisa de retrocesso nesse Brasilzão e o mundo arrepiado parou de vez. Hoje, entre a quarentena e o genocídio, tal qual o deus Jano, miro o passado e o futuro. Ao me posicionar com esta atitude reflexiva, Delacroix explicita: Esta vida humana, tão breve para as mais frívolas experiências, é para as amizades uma prova difícil e demorada. Para não sofrer, trabalhe. Ouvi-lo e não olvidei: da labuta desde os dez anos de idade, ainda hoje um workaholic e resiliente, sem que tenha amealhado qualquer centavo, aposentadoria tão distante quanto inalcançável, perspectivas de muita mão-de-obra ainda pela frente. Lucia Santaella anima de lá: Agir, reagir, interagir e fazer são modos marcantes, concretos e materiais de dizer o mundo, interação dialógica, ao nível da ação, do homem com sua historicidade. Não sei mais, fecho os olhos e vivo agora, é o que me resta. Vou.

DUAS DE OUTRAS TANTAS DOS DITOS & DESDITOS - Ao fechar os olhos pude refletir melhor entre o apoteótico avanço tecnológico e a desigualdade social, a explosão produtiva e a desertificação de áreas continentais, o estratosférico conhecimento e a indigência intelectual, a riqueza paradisíaca de poucos e a pobreza grassando nas periferias das cidades e para muitos, demais. Contradições tantas quantas ideologias, até o capitalismo emperrar e se engasgar com a pandemia, enquanto direitos são usurpados como se mandonismo fosse um disfarce do que é democrático. Indagar sobre a vida, imediatamente na cara aquela: tudo tem um preço. Hem? Como sempre fui desindinheirado, tudo que tenho é a força do meu braço, é dele que me valho. Foi aí que me vi naquela do Carlos Eduardo Novaes, na sua As Confidências de um espermatozoide careca (Nórdica, 1986): Na verdade há um mundo de sensações a serem exploradas no corpo humano. Para excitar um parceiro você pode trabalhar com as mãos, os pés, os lábios e a língua. Melhor sorrir, como a piada de outro: A história de Cândido Urbano Urubu (Nórdica, (1975). Das companheiras, dei de pronto com Alice naquele A mulher integral (1975): Mas nós não vamos lutar pela igualdade de oportunidades, igualdade de salários, igualdade de direitos, enfim. E essa luta tem que começar aqui. Sim, sim, aquiesci. Aqui e agora, mesmo. Por isso mesmo, ao meditar, só tenho o presente, nada mais.

TRÊS PERSPECTIVAS SÓ COM A DA VEZ – Sim, apenas o presente, mesmo que reduzam a ganhar ou perder, ou empatar, das três, nenhuma: a vida intensa, plena, na condição de que possa ser o último dia. E fazer o melhor porque, na prova dos noves, somando experiências, dividindo emoções, subtraindo o desagradável e multiplicando as esperanças, ninguém amanhã, já que os mais próximos já pinotaram pra outra, os conhecidos estão longe e ao redor só expectativas. Afinal, amanhã nem existe de mesmo, só quando agora, ao flagrar o exato momento em que a fotógrafa e artista visual austríaca Birgit Jürgenssen (1949-2003) me diz: É como estar a par dos segredos do laboratório de um alquimista, animado por suas franquezas e fraquezas humanas. No horizonte quantas direções e lá vou eu. Até mais ver.

A ARTE DE CAROL DE ANDRADE
Em tudo que eu fotografo, eu procuro poesia. Procuro uma forma de passar aquele quadro que eu estou imaginando, aquele recorte lúdico do que é, na verdade, uma cidade caótica. O Recife-sonho seria um lugar com mais gente sentada na calçada, na cadeira de balanço vendo criança brincar na rua. E não o trânsito, barulho e sujeira.
A arte da fotógrafa Carol de Andrade, que é formada em Fotografia pelas Faculdades Integradas Barros Melo (AESO). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, janeiro 02, 2018

AGAMBEN, TOM WAITS, CARLOS EDUARDO NOVAES, DAISAKU IKEDA, ROERICH, LISA YUSKAVAGE & BÁRBARA EUGENIA

OUTRO AMANHÃ – Imagem: Monhegan. Maine, do pintor, escritor, arqueologo e teosofista russo Nicholas Roerich (1874— 1947) – Dez horas no tempo do dia e a vida é uma aventura no reino do Sol. Nada será como antes, nada será outra vez. O que foi do domingo só na semana que vem do que se perdeu, nunca mais. desde tenra idade cata a liberdade perdida pro trabalho, pras paixões, pros prazeres, doces ilusões pra quem esqueceu de tudo e não sabe mais nada. Reina a tarde no tempo da Terra, outros reinos transitam na cabeça dos que se apressam pras suas conquistas ao domínio da mão, parindo sonhos aos trancos e barrancos, pés sobre cabeças, degraus infindáveis como areias falsas e pisam em falso nas posses do mundo, acumulando riquezas desfeitas ao vento da brisa noturna, embaixo da chuva de outras quinzenas, outros meses, outros anos passados e futuros de agora. Quem foi ou não foi, nunca é tarde demais. Por qualquer coisa, ou vai ou racha, troca de marcha e tudo não se encaixa por dentro ou por fora, tudo se esvai pela hora em que a morte se precipita, semente brota, o fruto perdido. Dez horas no tempo da noite, estrelas cadentes no sono pesado, cansaço da carne, a alma ao voo dos esquecidos e perde a segunda na terça que se foi, sem saber da quarta tragada na quinta, pra sexta fazer o sábado outra semana de esperas, janelas abertas se fecharam nos olhos e todo real escondido é quase nunca mais. E a estrada mesma parece outra com novo dia de Sol. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o músico, instrumentista, compositor, ator e cantor estadunidense Tom Waits: Greatst Hits; e a cantora e compositora Bárbara Eugenia: Vida aventureira, Frou frou & Jornal Bad & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O homo sacer não goza de existência política nem da igualdade natural, eis a miséria absoluta da vida [...] O estado de exceção é um estado anômico, no qual a vida é reduzida à dimensão meramente biológica, apolítica e, portanto, destituída de direitos (sequer aos procedimentos judiciais, formalmente assegurados universalmente [...]. Trechos extraídos de Estado de exceção (Espaço Acadêmico, 2010), da socióloga e professora Angelita Matos Souza.

ESTADO DE EXCEÇÃO – [...] A exceção é uma espécie de exclusão. [...] Aquele que foi banido não é, na verdade, simplesmente posto fora da lei e indiferente a esta, mas é abandonado por ela, ou seja, exposto e colocado em risco no limiar em que a vida e direito, externo e interno, se confundem [...]. Trechos extraídos da obra Homo sacer: o poder soberano e a vida nua (UFMG, 2002), do filósofo italiano Giorgio Agamben. Veja mais aqui.

A OITAVA, EM 88Agora você não precisa mais perder tempo na fila dos consulados pensando em deixar o Brasil. Chegou a nova coleção primavera-verão de textos constitucionais! Se ao acordar hoje, olhou à volta e experimentou a sensação de estar em outro país, você está mesmo. Continuamos falando português, cantando o mesmo hino, oteenizando nossas dívidas mas quem observar direitinho vai verificar que desde ontem o Brasil já não é mais aquele. Agora você tem ao dispor a oitava versão da Carta Magna, que lhe oferece mais economia, mais conforto, mais democracia e melhores serviços na área de segurança e direitos humanos. Constituição 88, uma nova maneira de viver! A Carta 88 (agora com habeas-data!) obedece às mais arrojadas técnicas constitucionais. De linhas sóbrias e tradicionais, num estilo pós-moderno, possui um texto superreforçado (o mais avançado em uso na América Latina), que substitui a estrutura monobloco do Executivo por um sistema intercambiante com perfeita harmonia entre os três poderes. Um texto feito para vencer os mais duros desafios das crises institucionais e resistir a fortes pressões de golpes e quarteladas. Verifique você mesmo. Passe no seu revendedor constitucional e troque a velha Carta de 67 – cheia de emendas e remendos – pela novíssima modelo 88, com cinco anos de garantia (primeira revisão só em 1993). Para ter sucesso na vida, o cidadão precisa de uma ideia na cabeça e uma Carta 88 nas mãos. Não saia de casa sem ela! Ou, se preferir, deixei-a sobre sua mesa de trabalho. Feita em três modelos diferentes, ela é útil e decorativa. Uma Constituição que vai bem em qualquer ambiente. Na fábrica, nos campos, nas praias, na cozinha. Sinta a suavidade dos seus capítulos, a maciez dos artigos, a doçura dos parágrafos, a fofura das alíneas. Os capítulos extra-suaves penetram no tecido social retirando toda a sujeira e permitindo a você e sua família uma existência mais digna e confortável. Não é sorteio nem loteria! Basta ser brasileiro para ter direito a utilizar todos os serviços constitucionais. Sem formulários, sem burocracia, sem entrada e sem mais nada! Você anda cansado, sem ânimo, dormindo nas festas e condições porque trabalha 62 horas por semana? Pois agora sua vida vai mudar: trabalhe até 80 horas semanais que a Carta estará zelando, minuto a minuto, por sua hora extra. Uma hora extra 50% superior à normal! Não é formidável? Somente a Carta 88 oferece mais proteção e melhor rendimento ao trabalhador. Carta 88, mais um servço de utilidade pública do seu Poder Legislativo. Você está trista, aborrecido porque não tem dinheiro para viajar nas férias? Pois deixe a tristeza de lado! Agora você poderá sair pelo mundo com o adicional de um terço do seu salário. Carta 88, um texto novo e diferente de tudo o que existe por aí. A ultima palavra em constituições com a garantia de qualidade Nova República. Verifica a marca na aureola. Se você é um cidadão exigente, eis a Carta dos seus sonhos. Uma Constituição simples, de fácil manejo, e um sistema exclusivo de interpretação. Texto de categoria interncioal com todos os artigos testados pelo Controle de Qualiade Constitucional em Brasília. A primeira Constituição brasileira que preserva a beleza e toma cuidados especiais com sua cútis: ninguém mais será submetido à tortura. Você, detento, que foi preso ilegalmente, pode agora começar a gritar: “Tirem-me daqui”. Você presidiária que amamenta, agora não precisará mais fazê-lo através das grandes. Você, mulher, que acabou de parir, agora terá 120 dias – repito: 120 dias – para permanecer em casa ouvindo o maravilhoso chorinho do seu revento. Não é formidável? E tem mais: o papai orgulhoso que às vezes só via o filho quando ele completava 18 anos, agora terá 5 dias de licença para limpar o cocozinho verde do seu bebê. Quem? – eu pergunto. Quem mais, além da Carta 88, poderia oferecer tantas vantagens? Carta 88. A Constituição que está ao seu lado! Você, querida cozinheira, que tem deixado queimar a comida do patrão, preocupada com férias, licença, aviso prévio, aposentadoria, agora poderá preparar saborosos quitutes: a Carta 88 aboliu a escravidão. E quanto a você, caro pobre, em crise existencial por não poder pagar para obter registro civil, certidão de óbito e outros documentos, agora poderá dormir tranqüilo debaixo da ponte. A Carta 88 vai lhe permitir exercer seu direito de cidadania sem desenbolsar um tostão. Não é formidável? É por isso que nós dizemos: fora da Carta 88 não há salvação! Só ela oferece mais pelo seu dinheiro. Vem pra Carta você também, vem! Extraído da obra O país dos imexíveis (Nórdica, 1990), do advogado, cronista, romancista e dramaturgo Carlos Eduardo Novaes. Veja mais aqui.

UMA VIDA PELA PAZDesnecessário é dizer,eu não sou um poeta. Mas,de tempos em tempos,numa tentativa de expressar minhas emoções pessoais ou idéias,produzi meu próprio estigma poético,dando-lhes uma expressão tão livre quanto possível. Uma vez Goethe disse: 'Todos os meus poemas,são poemas ocasionais,sugeridos pela realidade cotidiana e, estão contendo um firme alicerce.' Posso dizer também,que os meus poemas emergem da realidade cotidiana ou mais especificamente,do redemoinho de atividades diárias que eu, como qualquer pessoa comum,com ele encontra-se comprometido. Incorporando os sentimentos que me vem à tona no contato com amigos ou meus diálogos com jovens, estes poemas têm sido anotados há anos em meu diário ou nos diversos cantos de minhas anotações. Muitos deles foram compostos enquanto eu viajava pela Causa da Paz ou, em momentos de repouso,antes de retirar-me à noite. Do poeta, filósofo, fotógrafo e líder budista japonês Daisaku Ikeda.

A ARTE DE LISA YUSKAVAGE
A arte da pintora estadunidense Lisa Yuskavage.

Veja mais:
Endecha: carpe diem, mutatis mutandis, o pensamento de Nikolai Roerich, a fotografia de Antonella Fabiani & a arte de Leon Zernitsky aqui.
Do que foi pro que é quase nada, Friedrich Nietzsche, Vaughan Williams, Suzzane Valadon aqui.
Coisas do sentir que não são pra entender, Marco Túlio Cícero, Emil Nolde & Nivian Veloso aqui.
O Sol nasce para todos aqui.
Samira, a ruivinha sardenta, Yann Martel, Philippe Blasband, Cristina Braga, Tom Tykwer, Franka Potente, He Jiaying, August Macke, Hernani Donato, Interatividade na Ciberarte, Ana Bailune & Susie Cysneiros aqui.
Chiquinha Gonzaga & Todo dia é dia da mulher aqui.
Nélida Piñon & Todo dia é dia da mulher aqui.
Parábola Budista, Darcy Ribeiro, Yes & August Macke aqui.
O recomeço a cada dia aqui.
Dignidade humana aqui, aqui e aqui.
Educação aqui, aqui e aqui.
Meio Ambiente aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Pra saber viver não basta morrer, Leonardo Boff, Luchino Visconti, Emerson & Lake & Palmer, Núbia Marques, Felicitas, Pedro Cabral, Psicodrama & Teatro Espontâneo aqui.
Literatura de Cordel: História da princesa da Pedra Fina, de João Martins de Athayde aqui.
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Dhammapada, Maslow, Educação & Responsabilidade civil da propriedade aqui.
O romance e o Romantismo aqui.
Literatura de Cordel: Brasi caboco, de Zé da Luz aqui.
Dos dias, a mulher, Albert Einstein, Viktor Frankl, Henri Matisse, Gilberto Gil, Mark Twain, Milos Forman, Rita Guedes, Natalie Portman, Naoki Urasawa, Kátia Velo & Alfredo Rossetti aqui.
Cleópatra & Todo dia é dia da mulher aqui.
Gaia – Mãe Terra, Isaak Azimov, Caetano Veloso & Teresa Filósofa aqui.
Michel Foucault, A poesia dos deuses, Antropologia Jurídica, Educação Ambiental, Fecamepa & Psicologia Social aqui.
Os seios da mulher amada aqui.
Junichiro Tanizaki, Sandra Werneck, Louis Jean Baptiste Igout, Asha Bhosle, Heloisa Maria, Márcio Baraldi, Lucy Lee, Vilmar Lopes, Raimundo Fontenele, Internet & Inclusão, A mundialização da cultura & a Gestão do Capital Humano aqui.
A deusa Inanna & a mulher suméria, Poema em voz alta, Mallarmé, Paul Cézanne, Marquês de Sade, Pasolini, Karina Buhr, Maryam Namazie, Leroy Transfield, Frederico Barbosa, Olivia de Berardinis & Mozart Fernandes aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
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PERFORMANCE DE AMOR: PELA NATURALIZAÇÃO DA NUDEZ
A cantora Bárbara Eugenia durante a turnê do show Frou frou, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, em 2015, realizando a Performance de Amor pela Naturalização da Nudez. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, outubro 04, 2017

CARLOS EDUARDO NOVAES, DAVID HARVEY, NICANDRO NUNES DA COSTA, DAVID SALLE, TRABALHO, CIDADANIA & DESIGUALDADE SOCIAL

DE REPENTE A CRISE - Imagem: arte do pintor, gravador e estilista estadunidense David Salle.- Uma pedra caiu na água, danou-se! Deu-se a crise: não era nem um pedregulho para tanto transtorno alardeado, era só um cascalho, coisinha miúda de provocar pequenas ondas, nadica de nada. Já viu: se é pra manter temores, é só boato de coisa ruim pra enganar tantos bestas que nem eu. Sei não. Já soube? Um touro fugiu do cercado – assim feito um leão furioso que escapuliu da jaula -, crise: não era nem um daqueles que bufam brabeza de se correr pé na bunda levantando poeira, nada, foi só pra testar a carreira, era um garrotinho crescido que vendiam por tragédia anunciada das lendas do arco da velha. Que coisa! Ah, tem mais! Mesmo? Foi. Fulano peidou na esquina, vixe! Pronto, já davam por terremoto ineivado, coisa de matar todo mundo com a fedentina, de se esperar explosões de armagedom. Dizem até que o provocante findou reduzido às cinzas pela combustão humana. Vai-te! Pois é, pras expectativas escatológicas um dia o mundo acaba ou de fogo, ou de água, ou do sei lá o quê, sabem apenas que acaba e fim de papo. Pois é, de nada, manobras e outras escusas práticas engalobadoras dão conta de cabelinho de sapo como se fosse o fim do mundo do estardalhaço. Assim é a crise que tanto falam: basta reduzirem um tiquinho de nada os lucros ou escassearem por instantinho de nada as entradas ou captações dos que querem tudo o tempo todo, logo se instala uma crise de plantão que já dura, pelo menos pra mim, mais de sessenta anos – eu nem era nascido quando falavam de tantas crises disso e daquilo. Qual a da vez? É só passar, entra ano e sai ano, crises e crises, uma atrás da outras, encangadas, quando não enroladas, inventadas, ou fabricadas na puxada do tapete geral, sempre para amarelar o riso da maioria que sonha ter um pouco de estabilidade. Quem mandou? A crise só se justifica para não haver um mínimo de dignidade, só para educação ínfima, saúde precária, segurança pro beleléu, prestação parcas ou nenhuma dos serviços públicos que já faltam, ineficiência, incompetência, enrolação e trambicagem. Vai se vê no apurado, crise mesmo é conversa pra boi dormir – e deixar a população insone. Porque basta um maioral anunciar a dita cuja, o efeito em cadeia nacional é avassalador. Só resta segurar o tombo, envergar de quase torar – segura a onda! -, equilibrista na corda bamba que é feita de areia movediça e ventania de temporal, essa é só a primeira, vem mais, pode esperar, afinal, de golpe em golpe a gente vai aprendendo – peraí, aprender mesmo o quê? -, vai apurando, na marra, às topadas, aos empurrões. Conto outra? Ah, destá. Um dia lá, não sei quando, a gente sai dessa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do artista e músico Antonio Carlos Nóbrega: Pernambuco falando para o mundo, Lunário perpétuo, Carrossel do destino, O romance de Riobaldo e Diadorim & Meu foguete brasileiro; da violoncelista britânica Caroline Dale interpretando Merlis Hate & Such Sweet Thunder; o músico e compositor estadunidense Lee Ritenour: World of Brazil, West Bound & Night Rythms; e a cantora, compositora, produtora musical e publicitária Rosana Simpson: Cigano, Só, Tela de Cinema & Tanta Agonia. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A CONDIÇÃO PÓS-MODERNA - [...] O retrato do pós-modernismo que esbocei até agora parece depender, para ter validade, de um modo particular de experimentar, interpretar e ser no mundo - o que nos leva ao que é, talvez, a mais problemática faceta do pós-modernismo: seus pressupostos psicológicos quanto à personalidade, à motivação e ao comportamento. A preocupação com a fragmentação e instabilidade da linguagem e dos discursos leva diretamente, por exemplo, a certa concepção da personalidade. Encapsulada, essa concepção se concentra na esquizofrenia (não, deve-se enfatizar, em seu sentido clínico estrito), em vez da na alienação e na paranóia (ver o esquema de Hassan). Jameson (1984b) explora esse tema com um efeito bem revelador. Ele usa a descrição de Lacan da esquizofrenia como desordem lingüística, como uma ruptura na cadeia significativa de sentido que cria uma frase simples. Quando essa cadeia se rompe, "temos esquizofrenia na forma de um agregado de significantes distintos e não  relacionados entre si". Se a identidade pessoal é forjada por meio de "certa unificação temporal do passado e do futuro com o presente que tenho diante de mim", e se as frases seguem a mesma trajetória, a incapacidade de unificar passado, presente e futuro na frase assinala uma incapacidade semelhante de "unificar o passado, o presente e o futuro da nossa própria experiência biográfica ou vida psíquica". Isso de fato se enquadra na preocupação pós-moderna com o significante, e não com o significado, com a participação, a performance e o happening, em vez de com um objeto de arte acabado e autoritário, antes com as aparências superficiais do que com as raízes (mais uma vez, ver o esquema de Hassan). [...] pós-modernismo tipicamente descarta essa possibilidade ao concentrar-se nas circunstâncias esquizofrênicas induzidas pela fragmentação e por todas as instabilidades (inclusive as lingüísticas) que nos impedem até mesmo de representar coerentemente, para não falar de conceber estratégias para produzir, algum futuro radicalmente diferente. O modernismo, com efeito, não deixava de ter seus momentos esquizóides - em particular ao tentar combinar o mito com a modernidade heróica -, havendo uma significativa história de "deformação da razão" e de "modernismos reacionários" para sugerir que a circunstância esquizofrênica, embora dominada na maioria das vezes, sempre estava latente no movimento modernista. Não obstante, há boas razões para acreditar que a "alienação do sujeito é deslocada pela fragmentação do sujeito" na estética pós-moderna (Jameson, 1984a, 63). Se, como insistia Marx, o indivíduo alienado é necessário para se buscar o projeto iluminista com uma tenacidade e coerência suficientes para nos trazer algum futuro melhor, a perda do sujeito alienado pareceria impedir a construção consciente de futuros sociais alternativos. [...]. Trechos extraídos da obra A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural (Loyola, 2001), do professor e geógrafo britânico marxista David Harvey, definindo os contornos culturais da 'condição' pós-moderna em seus aspectos estéticos, sociais, literários e filosóficos, observando as mudanças que ocorreram na experiência do espaço e do tempo, como uma conseqüência da atual crise do capitalismo, e não como um sintoma do surgimento de uma sociedade pós-capitalista ou pós-industrial. Veja mais aqui.

FIM DO TRABALHO – [...] A imprescindível eliminação do trabalho assalariado, do trabalho fetichizado e estranhado (alienado) e a criação dos indivíduos livremente associados está indissoluvelmente vinculada à necessidade de eliminar integralmente o capital e o seu sistema de metabolismo social em todas as suas formas. O que, entretanto, não deve impedir um estudo cuidadoso da classe trabalhadora hoje, suas principais metamorfoses. [...] Claro que esta crise é particularizada e singularizada pela forma pela qual essas mudanças econômicas, sociais, políticas e ideológicas afetaram mais ou menos direta e intensamente os diversos países que fazem parte dessa mundialização do capital que é, como se sabe, desigualmente combinada. Para uma análise detalhada do que se passa no movimento operário inglês, italiano, brasileiro ou coreano, o desafio é buscar essa totalização analítica que articulará elementos mais gerais desse quadro, com aspectos da singularidade de cada um desses países. Mas é decisivo perceber-se que há um conjunto abrangente de metamorfoses e mutações que tem afetado a classe trabalhadora, e para a qual é absolutamente prioritário o seu entendimento e desvendamento, para resgatar um projeto de classe capaz de enfrentar esses monumentais desafios presentes no final deste século. [...]. Trechos extraídos da obra Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a Centralidade do Mundo do Trabalho (Cortez, 2000), do sociólogo, filósofo e professor Ricardo Antunes. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DESIGUALDADE E DIREITOS - [...] O grande desafio àqueles cuja matéria é, cotidianamente, lidar com as seqüelas decorrentes do processo de constituição da questão social a partir da lei geral da acumulação: conhecer as muitas faces da questão social no Brasil, das quais a mais perversa é a desigualdade econômica, política, social e cultural a que estão submetidas milhões de pessoas, o que requisita um grande esforço de pesquisa sobre o Brasil. É necessário e imprescindível conhecer profundamente nossa matéria: a questão social brasileira. [...] Falar sobre direitos e sua relação com a totalidade da vida social pressupõe considerar os indivíduos em sua vida cotidiana, espaço-tempo em que as expressões da questão social se efetivam, sobretudo, como violação dos direitos. A vida humana não é a mera reposição aleatória dos indivíduos ou explicitação de uma essência natural, mas expressa, além das respostas às demandas imediatas, vínculos com a produção da vida genérica, vida essa que se caracteriza pelo fato de os indivíduos serem relacionais, diversos e interdependentes. [...] Sabemos que, no desenvolvimento da sociabilidade, um conjunto de contradições e o antagonismo entre as necessidades do capital e as do trabalho frustraram amplamente as promessas de liberdade e de igualdade, bem como a efetivação de uma vida social sem dominação, exploração e opressão. Podemos, assim, afirmar que, no tempo presente, os segmentos do trabalho, ao invés de sujeitos de direitos, são sujeitos da desigualdade, que convivem nos cenários de violência endêmica e de barbárie a que fizemos referência anteriormente. Trechos do artigo Questão social e direitos (ABEPSS, 2006), das professoras Elaine Rossetti Behring e Silvana Mara de Morais dos Santos. Veja mais aqui e aqui.


CAPITALISMO PARA PRINCIPIANTES -  [...] A ideologia domina a sociedade, que por sua vez é difundida pela ideologia burguesa. Diante disso tudo, o mundo torna-se individualista. O que é passado pela ideologia dominante só fica na teoria. As camadas inferiores são consideradas mais solidárias. Portanto, percebe-se que o Capitalismo apesar de todas as crises e reformulações sofridas ainda assim é inviável. Torna os direitos humanos em negócios para garantirem lucros. [...]. Trecho da obra Capitalismo para principiantes (Ática, 1994), do advogado, cronista, romancista e dramaturgo Carlos Eduardo Novaes, com ilustrações do cartunista Vilmar Rodrigues.

QUEM É CATIVO NÃO AMA
Patrão não repara a sina
De quem vive escravizado,
Só lhe interessa o cuidado
De não cair na ruína
Convive com gente fina
Que tem talento e tem fama
Se o empregado reclama
Por viver do amor ausente
Ele responde imprudente
Quem é cativo não ama.
Mote de um pé, criação do grande cantador Nicandro Nunes da Costa (1829-1918).

Veja mais:
Dia Mundial da Natureza aqui, aqui & aqui.
A arte de Antonio Nóbrega aqui e aqui.
A arte musical de Caroline Dale aqui.
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O talento musical de Rosana Simpsom aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do pintor, gravador e estilista estadunidense David Salle.
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quinta-feira, agosto 12, 2010

ERNST JANDL, PALÍNDROMOS DE FILLOY, BARRY LONG, CEES NOOTEBOOM, CARLOS EDUARDO NOVAES & SAÚDE NA BUNDA



SAÚDE NA BUNDA (Ou se aprende a lição direito, ou cabra só dá conta na marra!!!) - O nariz incomodava. Uma agonia medonha. Tudo que fosse de inesperado atingia-lhe as ventas: era quina, poste, qualquer virada um esbarrão. Qualquer espirro e lá vem os bofes querendo sair pelas fossas nasais. Um desconforto brabo. Meses assim, resolveu ter atendimento médico. No primeiro que encontrou, recebeu a informação que procurasse especialista. Qual? Um otorrinolaringologista. Vasculhou no plano de saúde, não havia. Procurou no plantão médico, só daqui a tantos meses. Chegou à seção médica da empresa, estava de férias. Aí partiu para uma clínica particular. Pagou 100 reais pela consulta e 1 hora depois o tal, aboletado no seu consultório, observou de longe, franziu o cenho e tascou na lata: - Não é comigo, procure de um alergologista. - Hum?!?! - Isso mesmo. Saiu dali à cata do tal mencionado, soletrando as letras para não esquecer. Alergo... eita, porra! Esqueceu. E agora? Outra rodada boa gastando o solado do sapato e da paciência, nada. Só para atinar na especialidade em tormento. Quando lembrava, tudo com dia de atendimento a perder de vista. Até que uma amiga achegada indicou uma tal médica batata. Nem pestanejou, estava na certeza de que esta daria jeito. Ah, de férias. Será o Benedito? Não desanimou e a primeira vaga para outro profissional, estava lá. Uma correria. O tal médico receitou umas coisas garranchadas numa papeleta e mandou tomar 3 vezes ao dia. Tichausis. Quando chegou à farmácia o atendente indagou se estava acometido de sarna. Não, não estava. Eita! - Está com alguma DST? - Não. - Está com algum problema no cérebro? - Não. Recebeu de chapa a informação: - Estes medicamentos são para sarna braba, claustrofobia e doido pirado! - Danou-se. Foi aí que inventou de parar de rodar e seguir o conselho da amiga. Passaram-se 30 dias e quando menos esperava deu de cara com a tal médica batata. Depois de um chá de cadeira de umas 2 horas, a médica examinou as faces do paciente, olhou, se intrigou, futucou, deu uma balançada no quengo para ver se caía alguma coisa e, como nada aconteceu, ela sentenciou: - Não sei como você ainda está vivo, meu filho! Seu caso é sério. O coração ficou às quedas. - Vou prescrever esse medicamento, mas quando tomar corra para um hospital prevenindo qualquer piora. Viu? Não deu nem tempo de falar. - Agora vá. E foi. Nada mais disse nem lhe foi perguntado. O paciente saiu esperançoso com um misto entre alarmado e decidido. Que droga de nove que eu tenho, hem? Mas é só o nariz entupido, peso na testa, dores de ouvido e faces inchadas. Mais nada. Será grave? Será que vou morrer disso? Foi pensando assim que quase teve uma pilôra. Correu para a drogaria logo, oxente. Na farmácia comprou o previsto, perguntando qual a propriedade de cada medicamento. Ficou satisfeito e quase pedia para aplicarem a injeção ali mesmo. Mas não, se a doutora falou pra ir para uma emergência, melhor ir pra lá. E logo. Na fila do SUS teve um arrependimento: vai lá que só daqui 1 mês, a coisa empiora. Além do mais, poderia ser esquecido num local qualquer ou mesmo trocassem os remédios, que seria dele? Melhor não confiar nessas coisas públicas, pela desatenção podia até morrer do remédio. Cavoucou as idéias meio que perdido e deu de cara com a emergência do plano de saúde. Agora vai. Lá as atendentes estavam debatendo uma cena da novela das 8 e pelo calor do assunto ele ficou corando uns 40 minutos mais ou menos de espera. Para quem esperou até agora, nada demais, né? Contudo, foi atendido depois do debate acalorado e mandado que ficasse na sala de entrada que o médico logo atenderia rapidinho. Vá confiar. Bem mais de 1 hora depois, veio uma enfermeira e tirou-lhe a pressão. Estava 15 por 9. Eita! Meia hora depois outra enfermeira trouxe um comprimido obrigando-lhe a tomar. Ingeriu obediente, recostou-se e ficou naquela de repassar a vida enquanto aguardava o verdadeiro atendimento, pelo menos estava medicado. Foi nessa maçada que lembrou da infância, dos pais, dos tios, da primeira namorada, das dívidas, quando teve um baque no coração. Foi que se lembrou de que não havia quitado a conta da luz. Com certeza iria ser cortada. Que coisa?! Teve um desespero momentâneo que logo tratou de conter. Não adiantava nada, ou se tratava agora, ou nunca mais ia parar de espirrar de forma tão dolorosa. Tinha que se curar, não agüentava mais o peso de 1 tonelada sobre os olhos, de deixar-lhe as bochechas inchadas como quem queria estourar, de ficar com os antros nasais vulneráveis a insetos e catingas. Nada. Resolveu mesmo esperar e esperar e esperar... Lá pras tantas chamaram para o consultório do clinico geral. Animou-se. Quando chegou lá, o médico olhou o prontuário, fitou, conferiu, recontou, batucou na mesa e disse: - Agora estou com problemas sérios de outros pacientes. O seu caso pode esperar. Volte para a sala de espera e aguarde. E saiu o médico. Ele ficou imobilizado com a informação. Não teve outra, voltou-se para a cadeira desconfortável e ficou procurando na idéia algo para se entreter. Pensou em tudo. Se tivesse acertado na loteria, não estava nessa. Se tivesse acertado na vida, ao invés de paciente, seria médico. Se não fosse tão burro, sua vida poderia ser outra. Que coisa?! Deprimiu-se. Gostou de constatar que a vida estava maltratando sua existência. Por um instante se viu masoquista: bem empregado. Quem mandou errar tanto na vida? Por que não atinara para as coisas certas? Tudo na vida deu errado. Não desanimou e começar a viajar pelos pensamentos quando deu que o seu casamento estava numa peínha de nada, um desastre. Os filhos, tudo maluvidos do queixo empinado. O mundo não entendia nada do que ele queria, desejava ou agia. Tudo errado, ora bolas. Pra que servia mesmo a sua passagem na terra? Pra pagar todos os patos, disse consigo. Acordou dessa viagem, sacudiu a cabeça para espantar os maus pensamentos e olhou de lado: uma idosa chorava com dor no peito, uma criança se esgoelava com a canela torada no meio, um cidadão com as mãos aos olhos gemendo, uma grávida choramingando que o menino ia nascer ali mesmo, um vendedor persuadindo um outro que reclamava de dor de dentes, uma fila interminável de gente acometido por um infinito universo de enfermidades. Gente muito doente essa, pensou. E disse pra si: - Eu que sou são, ora bolas. Parece que todos os doentes estavam ali atrapalhando o seu atendimento. Nada. Era uma peça que o destino lhe pregava, reconheceu. Só podia ser. Tinha que aguardar tudo com resignação. Não podia fazer nada, a menos que se matasse e acabasse com a dor de sua vida de uma só vez. Aí estaria livre para tudo. Uma enfermeira aparece do nada e verifica sua pressão. Está 12 por 8. Ótimo. Ela saiu e em seguida o médico bate no seu ombro e o encaminha para uma enfermaria dali onde outras 3 enfermas estavam à beira da morte. Pensou consigo: - Cheguei no inferno! Deitou-se na maca e ouviu do médico: - Olhe, vamos aplicar a injeção prescrita por seu médico. Você vai ficar mais ou menos 1 hora em observação para ver as reações. Como ela é muito forte, pode causar alguns sintomas indesejáveis. Você não pode fazer nada, só torcer para ficar bom, certo? - Certo. O médico saiu e 1 hora depois a enfermeira veio aplicar a injeção. - No músculo? - Não, na bunda. - Hum?!?! Não teve dúvidas: arreou as calças e expôs o glúteo para todo mundo ver. Ali humilhado esperou a espetada. Tome! A agulha foi até suas anteriores encarnações. Bateu tão forte de urrar de dor. Ih, errou! Lascou-me o furico! Foi aí que deu uma ventania nas idéias, tonteou e caiu inconsciente. Quando acordou: - Onde estou? Quem é você? - Pronto, acordou, já pode ir pra casa. Animou-se e quando se sentou sentiu que algo estava destrambelhado. Botou a mão e percebeu que o quiba estava aos frangalhos. Pensou consigo mesmo: - Vixe, arrebentaram as pregas do meu cu. Pior: uma banda da bunda estava maior que a outra. Desproporcional e pior que a Mulher Melancia. - Agora que tô lascado mesmo! -, reclamou sozinho. Desceu com caretas da maca e caminhou com dificuldade. Andar passou a ficar difícil. Nem se tocou que estava curado das ventas, mas foi difícil entender que ficou internado por 8 dias esquecido de tudo e fora de si. Afinal, a vida era outra. Respirava normal. Ficou ancho e também meio chateado porque sua saúde agora estava na bunda. Foi salvo, finalmente. Avalie. Com isso seguiu em frente e esperou novo revés da vida. Moral da história: quando o cara toma no frosquete, logo aprende ou desaprende: acendendo a florescente logo se sabe que o caminho que vai não volta; o que volta é o fim do mundo. Danou-se!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.





DITOS & DESDITOSOs sentimentos, mesmo os melhores, se voltam para a negatividade - decepção, raiva, descontentamento, ressentimento, ciúme, culpa, etc. Um bom sentimento começa a ser elevado, emocionante, como tomar uma droga, álcool ou fazer sexo. Mas o que sobe deve diminuir e os sentimentos não são exceção. Assim, em algumas horas ou dias o lado negativo começa e você talvez se pergunte por que se sente mal-humorado, deprimido, suicida ou simplesmente infeliz. Pensamento do escritor australiano Barry Long (1926-2003).

ALGUÉM FALOU: Eu tinha voltado para casa nas asas de cinco gins. As conversas consistem na maior parte das coisas que não se diz.  Minhas lágrimas são provocadas apenas por kitsch. Sentiremos o rascunho soprando através das fendas na estrutura da causalidade. Pensamento do escritor e tradutor neerlandês Cees Nooteboom (pseudônimo de Cornelis Johannes Jacobus Maria).

PALÍNDROMOSA mamá Roma le aviva el amor a papá y a papá Roma le aviva el amor a mamá. Abajo me mojaba. Abusón, acá no suba. ¿Acaso hubo búhos acá? Palíndromos do escritor, advogado, jornalista e desenhista argentino Juan Filloy (1894-1894).

CÂNDIDO URBANO URUBU - [...] A partir desse dia, Cândido deu início ao seu projeto. Todas as noites, depois que a família se recolhia, Cândido pulava a janela e saía para um terreno baldio, junto ao cais, onde desenvolvia o seu trabalho até o dia clarear, ou ficar menos escuro, porque, com o excesso da poluição, o dia nunca clareara. Trabalhou durante muitos dias. E trabalhou correndo contra o tempo. Sua maior preocupação era terminar o seu projeto antes da cidade terminar. Até que, na noite da véspera do Natal, Cândido libertou-se da correntinha de ouro, dos óculos escuros, da peruca, passou na antena onde seus pais viviam, aconselhou-os a sair da cidade, correu ao Jardim Zoológico, soltou todos os animais, e, juntos, foram para o terreno baldio. Cândido reuniu-os em torno do seu projeto, tirou a lona que o cobria, e apareceu uma arca. Os bichos entraram. Cândido suspendeu a âncora e zarpou rapidamente. [...]. Trecho extraído da obra A história de Cândido Urbano Urubu (Nordica, 1975), do advogado, cronista, romancista e dramaturgo Carlos Eduardo Novaes. Veja mais aqui & aqui.

DOIS POEMAS - A SATISFAÇÃO EM MIM: satisfação em mim / se esvai. em quem? / aqueles cuja mão não beijo? / aqueles por cujo cu não subo? / aquelas cuja xota não chupo? / que não fodo? / a cujo cumprimento não respondo? / a cujas cartas não respondo? / cujo convite recuso? / a quem não sirvo de poeta cômico? / com quem não vou a manifestações? / com quem não faço oposição? / a quem não dou nenhum texto? / a quem não dou o meu nome? / que não ergo ao corcel dos poetas? / a quem não sirvo de protagonista? / a quem digo: seus textos são uma merda? / a quem digo: tirem as mãos da literatura? / a quem digo: vocês me enojam? / a quem digo: vão cagar? / a satisfação em mim / pode desaparecer em todos / em mim tem de permanecer O HOMEM CHORA: menino não chora! / só depois de homem / quando olha em volta / e a companheira que ainda / o ama, para encorajá-lo / diz: isto é tua obra! / o homem chora. Poemas do escritor e tradutor austríaco Ernst Jandl (1925-2000).



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