domingo, novembro 08, 2015

MARIA CLARA, STOCKER, COPPOLA, ANDUJAR, PALMARES, BRINCARTE DO NITOLINO & MUITO MAIS!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? SE O MUNDO DEU O CRÉU, SORRIA! - Tem dia que dá o créu do sujeito não querer mais nem saber se é do cordão azul ou encarnado, quem pintou a zebra, qual bola da caçapa ou qual rumo da venta na bifurcação. Segura o trupé! Tem dia que o caldo entorna e bote ingresia pra maior desaprumo. Segura as tripas e o espinhaço que o catombo é na vera. Isso é quando a bronca convoluta aperta e o cara sai de braguilha virada enchendo o mundo de perna e chutando o pau da barraca e o despacho na encruzilhada, levando tudo no muque e tome na base da mucheca, empurrando quem quer que seja pro buruçu da Romênia. Maior desatino. Não tem cipoada que valha quando não se tem nem onde cair morto. Pra você vê, já vi o Doro pegar no bico da chaleira fervendo de virá-la pelo avesso só pra mostrar destrambelhado quem é que manda nele mesmo, depois, depois, ficar assoprando os dedos numa careta arretada. O Zé Corninho mesmo, num dia de pisar nas próprias pegadas de rastro de corno, mordeu-se possesso de dar um nó nas gaias e ficar birutando de brincar com os beiços e lambendo os dedos, bilu-teteia. Robimagaivi que sempre sonhou vida de Lopes, um dia lá, furioso de invocado, enfiava o dedão no fiofó dele mesmo de ficar dando pinotada a dizer: - Toma safado, toma! Virou vício nas horas de penúria. Tolinho também outro dia pulava num pé só armado de uma faca cega para decepar o próprio pingulin na marra: - Hoje eu corto essa desgraceira! Até hoje o que conseguiu foi embuchar um bocado de mancebas perdidas. Bestinha em atitude funesta saiu cortando os seus retratos com a tesoura fazendo roleta russa nos seus dedos em cada talho dele chiar de dor. Quase fica maneta. Até Vera indignada, em dias de TPM agudíssima, virou-se desgrenhada de bruxa da tanga voar toda quase nua a mandar tudo se catar no raio que o parta: - Eu sou eu e o resto que se dane! Nossa, deu a louca no mundo! No trânsito mesmo, não é difícil ouvir uma buzinada insistente acompanhada de um insulto; na rua é comum vê-se barruadas de egos com piores humores se estranhando com impropérios cabeludos; já é habitual haver sinal de arranca-rabo na esquina, na travessa, até nos templos de religião. Ô povim ofendido e mal-humorado esse, hem? Olha o coice! Parece mais que todo mundo ou tá mal acomodado quando dorme de findar rancoroso dia a dia, ou tá com a raivosidade remoendo no tutano dos ossos. Nossa, a passada de recibo na lata da desavença, dá baixa em qualquer sinal de avença amistosa. Xá pra lá! Todo mundo cagando raio! A-há! Chega dá saudade de ver Dominguinhos riso no canto dedilhando melodias fascinantes embalando corações, como se o dia amanhecesse para todos sermos felizes. E a vida é pra sermos felizes mesmo, mas como dizia Freud: quando o princípio do prazer dá de cara com o princípio da realidade, vôte, sai de baixo que a felicidade é coisa de antanho ou do reino da carochinha. Administrar umbigo entre querer e ter, é brabo. Segura a oniomania! Ao invés disso, é melhor sair por cima da buraqueira só no xaxado e sorrindo de tudo, até da légua tirana, porque se a alpercata é boa com pé na estrada, é só ter cuidado pra não levar topada nem perder o caminho de casa. E vamos aprumar a conversa aqui!

 Imagem: Marinha com Sol e Palmeiras, do artista plástico, ilustrador, pintor e escultor autodidata Aldemir Martins (1922-2006).


Curtindo o álbum Witt: Orchestral Works (MD&G Records, 2005), do compositor e violoncelista alemão Fridrich Witt (1770-1836), Hamberger Symphoniker, conductor Johannes Moesus, performer solista Susanne Barner, flauta.

BRINCARTE DO NITOLINO– Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, a partir das 10hs (no horário de verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação sempre especial também tem atrações especiais chamando a meninada com Olavo Bilac, Turma da Mônica, Turminha do Tio Marcelo, Bananas de Pijamas, A turma do Seu Lobato, Paulo Zola & Francis Monteiro, Bob Zoom, Angelina Ballerina, Galinha Pintadinha, The Smurfs, Patati & Patatá, Moranguinho & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

ENCONTRO, TRANSCEDÊNCIA & ESPIRITUALIDADE – No livro Holismo, ecologia e espiritualidade: caminhos de uma gestalt plena (Summus, 2009), do psicólogo e professor Jorge Ponciano Ribeiro, destaco o trecho Contato, transcendência e espiritualidade: Somos essencialmente seres de relação e isso é uma propriedade construtiva da pessoa humana. estamos no mundo, somos do mundo e, entretanto, nos relacionamos com ele como se fossemos duas realidades distintas, embora, por natureza, intradinamicamente interligadas. Mundo e pessoa não podem ser pensados isoladamente. Um é função do outro. Mundo/pessoa se constituem em um imenso campo unificado de forças. Assim como as árvores são filhas da terra, o homem é filho da terra e é por ela constituído no universo. Não se trata de uma opção, é assim. E o que o diferencia de uma árvore é o modo como ele se encontra com uma realidade cósmica mais ampla do que ele e o que o constitui. Somos do mundo, pertencemos a ele, assim como os mares e as estrelas. [...] O encontro é uma conditio sine qua non para que o contato aconteça. Assim, todo contato supõe encontro, cuidado e presença, embora nem todo encontro se transforme, necessariamente, num verdadeiro contato. O contato é o instrumento pelo qual duas realidades diferentes mergulham uma na outra à procura do que de igual elas possuem, e por meio do qual elas podem se encontrar. [...] Somos feitos para essa caminhada, esse é o nosso destino, caminhar por mil partes, por mil detalhes, até constituirmos a totalidade que nos é possível, restando-nos um infinito caminho a ser percorrido à busca de um significado total. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DRÁCULA - O romance Drácula (Zahar, 2010), do escritor irlandês Bram Stocker (1847-1912), é uma das mais famosas e horripilantes histórias de terror de todos os tempos, baseado no folclore da Transilvania, do personagem real Vlad, que vive num castelo desolado nas sombrias florestas do lugar, no qual um jovem inglês é mantido em cativeiro, à espera de um destino terrível. Longe dele, sua noiva bela e jovem é atacada por uma doença misteriosa que parece extrair o sangue de suas veias. Por trás de tudo, a força sinistra que ameaça suas vidas: Conde Drácula, o vampiro vindo do fundo dos séculos. Da obra destaco o trecho inicial O diário de Jonathan Harker: 3 de maio, Bistritz. Parti de Munique às 20h35 da noite, chegando a Viena na manhã seguinte. A chegada estava prevista para as 6h45 da manhã. O nosso trem, porém, se atrasara em uma hora. Pelo que pude apreciar ainda do trem, através do clarão de suas luzes, e de uma breve caminhada pelas ruas, Budapeste pareceu-me uma cidade realmente maravilhosa. Não obstante, limitei-me a uma rápida excursão em torno da estação ferroviária, pois, em virtude do atraso, devíamos partir o mais cedo possível. Tive então a impressão de que o Ocidente ficara para trás e que agora entrávamos no Oriente. A mais ocidental das portentosas pontes que cruzam o Danúbio, cujo leito aqui nos impressiona por sua amplitude e profundidade, põe-nos inopinadamente em contato com as tradições do mundo turco. Deixamos Budapeste com a desejada pontualidade e, já ao anoitecer, atingimos Klausenburgo. Aqui fiz uma pausa e pernoitei no hotel Royale. À guisa de jantar ou, antes, de uma ceia, serviram-me um frango condimentado com uma espécie de pimenta vermelha, prato bastante saboroso, o qual, entretanto, me deixou com muita sede. (Lembrete: obter uma receita para Mina.) Indaguei do garçom e ele me disse que se tratava de paprika hendl, preciosidade da culinária nacional que poderia ser saboreada ao longo de toda a rota dos Cárpatos. Começava eu então a avaliar a verdadeira utilidade local dos arremedos de alemão que, às vezes, conseguia articular. E, efetivamente, não saberei jamais como teria prosseguido se não fosse capaz de apelar para semelhante ginástica linguística. Dispondo de algum tempo livre durante minha permanência em Londres ali frequentei o Museu Britânico, consultando livros e mapas geográficos na biblioteca, a fim de recolher dados sobre a Transilvânia. Eu estava convencido de que um certo conhecimento prévio a respeito daquela região dificilmente deixaria de ser válido para estabelecer mais sólidas relações com um nobre do mesmo país. Verifiquei então que o distrito por ele citado se achava localizado no extremo oriental do território, precisamente na faixa limítrofe de três Estados: Transilvânia, Moldávia e Bukovina, no centro da cadeia dos Cárpatos, um dos mais selvagens e desconhecidos sítios da Europa. Em nenhuma das muitas obras e mapas consultados me foi possível estabelecer a exata localização do Castelo de Drácula, porquanto ainda não existem cartas geográficas da área em causa, comparáveis às que são editadas pelo nosso Serviço Geodésico oficial. Descobri, porém, que Bistritz, a vila postal indicada pelo Conde Drácula, corresponde a uma localidade razoavelmente bem conhecida. Incluirei aqui algumas de minhas anotações, pois as mesmas servirão para ativar minha memória quando relatar esta viagem ao voltar para junto de Mina. [...]. A obra foi adaptada para o cinema com o título Dracula ou Bram Stoker's Dracula (Drácula de Bram Stoker – o amor que nunca morre, 1992), dirigido pelo renomado diretor Francis Ford Coppola, num dos mais belíssimos filmes de terror já visto. Veja mais aqui.

SOMOS ASSIM & OUTROS POEMAS – O poeta, contista, cronista, dicionarista e jornalista, Artur Griz era conhecido como uma das maiores expressões da vida cultural palmarense, autor da Enciclopédia Griz e vários livros, entre eles, Vultos de Palmares desaparecidos, Pelejas e desafios, e O livro de Zulmira. Dele, postumamente, foi publicado o livro Cantos, contos, crônicas (Fundação de Hermilo Borba Filho/Bagaço, 1988), do qual destaco inicialmente o soneto Somos assim: Como somos pequenos e rasteiros, à semelhança dos batráquios! Não / mais, apenas, pobres verdadeiros / anuros, em coleios pelo chão. / Vemos, até no espaço, em altaneiros / remígios, voos, pairando em ascensão, / os urubus altivos, zombeteiros, / as águias, os condores, o faisão. / Almas inferiores, humilhadas, / somos lesmas humanas, limitadas / à condição de míseros viventes... / Nesse eterno arrastão de vis criaturas / vegetando, à distância das alturas, / como vivem os sapos repelentes... Também o soneto Miragem: Pensava em ti, lembrando esse passado / quando, feliz, dono de teu amor, / eu vivia num mundo alcandorado, / sob um divino céu encantador... / E nos meus devaneios de acordado / (Para mim quanto foi consolador!) / apareceste, súbito, a meu lado / com teu amigo e mágico esplendor... Sim, eras tu, que eu tanto quis outrora, / tu mesma, sim, perto de mim agora. / De volta, linda, cheia de bondade / tudo logo, porém, tornou-se em bruma, / - Sonho, miragem, névoa, nada, em suma, / para só acordar minha saudade. Por fim, o soneto Último acorde: Vê o que resta, enfim, agora, desse amor / que outrora decante em líricas baladas: / as cartes que escrevestes... um retrato... uma flor, / uma rosa infeliz, de pétala mirradas. / Agora paira em tudo um lívido palor... / esperança talvez para sempre acabadas. / Cinzas... e um coração cheio de pranto e dor / relembrando, a chorar, promessas apagadas. / Eis aí, doce ausente, em que tudo se encerra...  desse amor só ficou um tédio que me mata, / um desengano atroz, um desgosto profundo. /...e outra não há de haver que ame, sobre a terra, / hei de morrer pensando em ti, porque, ingrata, / só tive coração para te amar, no mundo. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A AVENTURA DO TEATRO – No livro Aventura do teatro (José Olympio, 1988), da escritora e dramaturga Maria Clara Machado (1921-2001), fundadora da escola de teatro O Tablado, encontro textos da autora que dialogam com a arte e com seus leitores: Outro dia me perguntaram: - De onde é que você tira estas histórias que escreve? Respondi: - Tiro da minha cabeça. – Então é só tirar a ideia da cabeça e pronto? – Pronto, nada, disse eu, aí é que a coisa começa a ficar difícil. Primeiro, a gente tem que aprender a escrever bem o português. Depois, temos que botar a ideia nas frases. Estas têm que ser entendidas por todo mundo. – Então, todo mundo que tem ideias pode escrever histórias? – Bem, disse, poder pode, mas é preciso que tenha outras coisas, além disso. Por exemplo, é preciso saber botar a história no estilo ou jeito (cada escritor tem o seu) que os outros gostem e compreendam. Em seguida, é preciso transformar a ideia em história, escrita ou representada. – E isto é difícil? – É trabalhoso. A gente tem que suar um pouco. Um escritor famoso americano disse uma vez que para se escrever era preciso 100 por cento de talento e 100 por cento de suor. Ele quis dizer com isso que não era só talento, isto é, a ideia na cabeça, que fazia um bom escritor, mas que também era preciso uma dose muito grande de esforço. Como vocês veem, tudo o que é bom para se realizar exige muito trabalho e dedicação, até mesmo botar no papel uma boa ideia. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REQUIEM FOR A DREAM – O drama Requiem for a dream (Réquiem para um sonho, 2000), dirigido por Darren Aronofsky, é adaptado do livro homônimo do escritor Hubert Selby Jr (1928-2004), descrevendo diversas formas de vícios e conduzindo os personagens ao aprisionamento em um mundo ideal, que é então tomado e devastado pela realidade. O filme se desenvolve por três estações do ano das vidas de mãe e filho, em que cada um dos personagens terminará destruído pelo vício e pelo delírio. O diretor utiliza montagens de cenas extremamente curtas durante o filme, bem como de recursos usados na divisão da tela e anáfora cinematográfica, que consiste na repetição de cenas, para dar ênfase. As cenas intensas do filme são alternadas rapidamente, e acompanhadas por uma trilha sonora que cresce em intensidade. Após o clímax, há uma breve serenidade até o final retratando quatro vidas devastadas. O destaque é para a premiadíssima atriz estadunidense Ellen Burstyn. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da fotógrafa e repórter suíça radicada no Brasil, Claudia Andujar.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, a partir do meio dia (horário de verão), com a reprise de toda programação da semana e apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

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