quarta-feira, junho 04, 2008

JAMES JOYCE, MÉSZARÓS, ATTILA JÓZSEF, MENDELSSOHN, BARBARA JENSEN, CATARINA MAUL & LITERÓTICA


 
Art by Barbara Jensen

LITERÓTICA: O PÁSSARO VERMELHO NA PORTA DO CINÁBRIO – Na rosa do teu corpo o meu pássaro vermelho rouba os aromas essenciais da vida e toma o fogo do teu coração inquieto e ofegante não ignorando o aliciamento enredado em teus ardis mais obscenos. Na tua fenda dourada eu vou voluntário enfrentando todos os relâmpagos e tempestades de tuas acrobacias mais perversas e vou potente no enleio de te contrair para que eu possa ter a maior expansão de domínio sobre a entrega dos teus tesouros mais submersos. No terraço da tua jóia eu empino a sanha e me enfio autônomo cravando dentes, empunhando o sexo e incendiando a alma pela tua assimetria de doce naufrágio assaz vigoroso. No teu lótus dourado eu vou avançando com minhas arremetidas diligentes pelas ondulações dos mil encantos de sua alquimia sem reservas e despudorada. No teu vaso receptáculo eu vou surtindo efeito para que sejas o meu carrinho-de-mão de Aretino, malhando na tua maneirice dissoluta, fundindo na tua meiguice depravada e fodendo as tuas inquietações demasiadas de vida. Nessa avalanche de prazer nossas guelras ficarão expostas à nossa própria lama para que minha serpente possa hibernar tranquila no esconderijo da íntima união que vem dos segredos da câmara de Jade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Art by Barbara Jensen

PENSAMENTO DO DIAOs pensamentos que para mim estão expressos numa música que eu aprecio não são indefinidos, mas, pelo contrário, definidos demais. Pensamento do compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847). Veja mais aqui e aqui.

RECIPROCIDADE & CAPITALISMO - […] A grande mistificação ideológica consiste na distorção da compulsão como o necessário “dá e toma” de indivíduos envolvidos na “produção, ganho e gozo” mutuamente benéfica eo ipso com base na plena reciprocidade. No entanto, numa inspeção mais apurada, encontramos a ausência total de reciprocidade. [...] Deste modo, em vez de reciprocidade ou simetria, na realidade encontramos uma hierarquia de exploração estruturalmente protegida. Sob o sistema do capital estruturado de maneira antagonista, a verdadeira questão é a seguinte: qual é a classe dos indivíduos que realmente produzem a “riqueza da nação” e qual a que se apropria dos benefícios dessa produção; ou, em termos mais precisos, que classe de indivíduos deve ser confinada à função subordinada da execução e que indivíduos particulares exercem a função do controle– como “personificações do capital”, na expressão de Marx. [...]. Trechos extraídos da obra Para além do capital: rumo a uma teoria da transição (Boitempo, 2011), do filósofo húngaro e um dos mais importantes intelectuais marxistas da atualidade István Mészarós. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CASA DE HÓSPEDES – [...] Polly Mooney, filha de Madame, cantava: Sou uma travessa mocinha / não é preciso envergonharem-se / pois bem sabem quem sou. Polly era uma moça esbelta de dezenove anos, de cabelo claro e macio, e de olhos cinzento-esverdeados. A sua boca era pequena mas carnuda e tinha o hábito de olhar por cima enquanto falava com alguém. [...] era muito alegre e tornava-se um chamariz para os rapazes; certamente flertava os hospedes, sob a severa vigilância da mãe, que sabia perfeitamente que eles só faziam para passar o tempo. [...] Polly sabia-se vigiada, mas o persistente silêncio da mãe não podia ser mal interpretado. Não tinha havido nenhum entendimento, nem tampouco cumplicidade entre mãe e filha; apesar das pessoas da casa começarem a fala, Mrs. Mooney não intervinha; Polly começou a tornar-se um pouco estranha e o rapaz andava evidentemente perturbado. [...]. Trechos extraídos do conto Casa de hóspedes, do escritor irlandês expatriado James Joyce (1882-1941). Veja mais aqui.

A SOMBRA DA INCONTROLABILIDADE - Rato primitivo espalha praga entre nós: / pensamento impensado. / Rói adentro todo o nosso alimento / e corre de um homem ao outro. / Por isso o beberrão ignora / que ao afogar as mágoas em champanhe / engole em seco o insípido caldo / do pobre apavorado. / E já que a razão falha em exigir / direitos fecundos das nações / nova infâmia se levanta a incitar / as raças umas contra as outras. / A opressão grasna em esquadrões, / aterra no coração vivo, como em carniça – / e a miséria escorre pelo mundo todo, / tal qual a baba no rosto de idiotas. Poema do escritor húngaro Attila József (1905-1937).

Art by Barbara Jensen


MUSA DA SEMANA: CATARINA MAUL é poeta, pedagoga e produtora cultural petropolitana.


Ela é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Petrópolis – UCP. Professora funcionária do serviço publico municipal de Petrópolis, idealizadora e coordenadora de uma série de projetos, dentre eles o Semeando Poesia nos Jardins da Educação, de festivais de poesia, faz parte da APPERJ, Relações Pública da UBT, dentre outras inúmeras atividades.


Ela é produtora do show mensal jovem.som.br no Petropolitano F.C. É coordenadora e produtora do sarau Poesia Impera, um encontro mensal no Palácio de Cristal. Escritora dos textos e produtora do grupo Menestréis da Alegria, entre outras atividades culturais e artísticas.



CHAPEUZINHO VERMELHO

A Chapeuzinho Vermelho
Menininha espevitada
Foi dar papo para estranhos
Acabou numa roubada.
Aquele moço educado
Não era muito legal.
Boa aparência, simpático...
Mas ele era um Lobo Mau.
Chapeuzinho só queria
Levar doces pra vovó.
Se meteu numa enrascada
Acabou foi na pior.
O Lobo, maldade danada,
Deu cabo da vovozinha.
Somente numa bocada
Devorou a velha inteirinha.
O Lobo era bem esperto,
Mentia como ninguém.
E vestiu de vovozinha
Para poder se dar bem.
E ao chegar Chapeuzinho
Na cada da vó querida
Duvidou da tal figura
Muita ela indagaria:
- Para que olhos tão grandes?
Perguntou pra tal vovó.
- É para enxergar, querida,
Para vê-la melhor.
E assim outras perguntas
Ainda fez Chapeuzinho.
Mas o Lobo respondia,
E mentia o danadinho.
Até que, num certo momento,
Ele próprio confessou:
Queira papar Chapeuzinho
Que vermelha até ficou.
A sorte é que ainda há no mundo
Gente de bom coração,
Pois surgiu o caçador,
Para acabar com o vilão.
Resgatou a vovozinha,
Inspirou final feliz,
Mas daí vem a historia
Que todo mundo diz:
Não devemos jamais
Dar assunto para estranho
Por trás de um singelo cordeiro
Pode estar um lobo tamanho.


REDESCOBRINDO ORIGENS

Recolonizo minha alma a cada Bauernfest,
resgato no meu corpo o sangue alemão,
revivo do passado o valor inconteste,
versos brotam, emotivos, de antemão.
Repenso o passado, os antepassados,
sobrenome que herdei junto a valores.
Nome nato de heróis, homens tão preparados
que tornaram-se poetas, músicos, escritores.
Recolonizo as lembranças que não tive
de uma época de muito tempo atrás.
Na minha imaginação, baila e revive
o que nem vivi... Mas que diferença faz?
A cada Bauernfest lembro minha origem,
orgulhosa fico deste povo descender.
Os petropolitanos, juntos, te exigem
a Germânia em nosso peito reacender.
E assim recolonizo minha vida
e este sangue em minha prole, hei de semear.
Minha emoção jamais se sente dividida,
esta cultura e tradição, para sempre irei amar!



VEJA MAIS:
MUSA DA SEMANA


Veja mais sobre:
Da História do Brasil pro Fecapema, William Shakespeare, Timotthy Leary, Franz Liszt, Leconte de Lisle, Nelson Pereira dos Santos, Leila Diniz, Robert Capa, Vincent Stiepevich, Coronelismo e cangaço aqui.

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A música de Dhara – Maria Alzira Barros aqui.
Sobre o Suicídio, Padre Bidião, A primavera de Ginsberg & muito mais aqui.
A educação no pensamento Marxista aqui.
As trelas do Doro: olha a cheufra! Aqui.
Fecamepa: quando embola bosta, o empenado não tem como ter jeito!!!! Aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
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terça-feira, junho 03, 2008

BAKHTIN, VIRGINIA WOOLF, THOMAS PARKER, MICHELLE GREGOR, RICARDO ALEIXO & FECAMEPA

 
A arte de escultora estadunidense Michelle Gregor


FECAMEPA NO ALUADO MUNDO MÁGICO! - Gente se é de aluamento, entendo do riscado. Claro, sempre fui achegado aos doidos-de-pedra! Pois é, remédio de um doido é outro na porta, né? Parece mais que sempre fui imantado aos amalucamentos dos piores desvarios humanos. Com um detalhe: da ruma de zorós mais desmiolados que alugavam minha paciência, aprendi lições de valia socrática/confunciana tão solidária quanto sensível, jamais vista na pose petulante dos cheio-das-pregas dos racionais (a grande maioria uns metidos que são, na verdade, uns Fabos deslavados e solipsistas que num valem um peido sequer) que arrodearam a minha vida toda. Já de magia, não. Nunca aprendi nem fui lá muito simpático às coisas de manipulação, truques, ilusionismo, feitiçaria, bruxaria, vudu e muvucas afins, mesmo que me tenha por selenito nas hostes de mercúrio e seduzido pelo insólito. De magia o que entendo mesmo é o que aprendi das petas descaradas de Tó Zeca na infância, alem dos pescadores, dos caçadores, dos barbeiros, dos fídapeste dos fuleiros enrolões, dos maloqueiros cara-lisa e gozadores de plantão das patranhas, das fantásticas narrativas de Hermilo Borba Filho, Murilo Rubião, Manuel Scorza, Jorge Luiz Borges, Gabriel García Márquez e todo realismo fantástico que, inclusive, muito me apraz. Afora isso, necas de pitibiriba. Mas como no FECAMEPA tudo que for da esfera do inexplicável, sórdido, escabroso, bizarro, escandaloso, paradoxal, extravagante ou inenarrável entra na casa do possível sem precisar de vaselina. No Brasil tudo é factível, meu. Tudo acerta no oiti-goroba da bronca. Basta, de sopetão, os caras do planalto se acoloiarem mais estreitamente com os mandões graudões de fato, que a coisa para a gente só sobra para o cano ou bueiras ou esgotos, quando não cova rasa mesmo. Valha-me que sujeito vacinado como meu com o desconfiômetro aguçadíssimo encara o presidente Lulinácio da Silva falar que o Brasil está vivendo um momento mágico, eu, cá pra nós, apertei as pregas do procto (que não sou besta de deixar afolosar a homência, meu!), empinei as orelhas, cerrei as pestanas, funguei, pigarreei, aprumei o pau da venta, fiz muxoxo, assuntei na idéia todas as interrogações transcendentes e estuporadas, de quase chegar a dar um nó no meu juízo. Peraí, fala sério. Momento mágico? Hum... está com cara de pinóia no meio. Soa como o embuste daquele milagre brasileiro, lembra? Ou será que ele quis dizer que a magia representa a metáfora óbvia da forma como os pintudos privilegiados enrabam, todos ao mesmo tempo e duma vez só, o furico de cada um dos brasileiros, hem? Se for, ah, isso sim, foder o caneco dos outros por telepatia (nesse caso, pela economia oficial). Também ele pode está querendo dizer das mágicas que a gente engaloba para pinotar escapando dos aumentos, dos credores, da inadimplência, da insolvência e de todas as urucubacas que insistem em fazer aquela nuvenzinha negra no nosso cocuruto, quando o Estado - e todas as suas esferas embananadas pela politicagem e incompetência -, continua deitado eternamente em berço esplêndido nas mordomias, enquanto tudo dele derrete ineficiência abaixo. Ainda pode, assim, estar se referindo ao estardalhaço dos recordes das balanças exportadoras do suntuoso agro-negócio e doutras proeminentes iniciativas econômicas que agigantam o fosso entre a miudeza da trupezinha dos ricaços e os monturos alastradores da miserabilidade abissal de todo restante de nós brasileiros. Bem, duvido até mesmo quem tenha comido bosta-de-cigano para desalinhavar nas minudências e adivinhar essa esfíngica afirmação do nosso presidente. A menos que nem ele mesmo por um congestionamento das idéias saiba o que realmente queria dizer. Ou estava levado pelo pandemônio dos neurônios ao fazer tal referência, quando queria arrotar outra coisa que ruminava na sua cachola. Eita, boba-torreiro! Sei não, falar que o Brasil vive um momento mágico num momento de insegurança geral onde até a polícia está pedindo penico, sei não. E se a gente insinuar que a população enferma se depara com um sistema de saúde que está na U.T.I? Se o que se fala de educação é visto como discurso vigoroso e demagógico numa escola falida senão analfabetizada? Hem? Enfim, se é aqui onde tudo pretende ser o que já não é e, em querendo, nem pode ser porque a esculhambação é geral – e se for, já era. Tudo que é para amanhã chega hoje com gostinho de anteontem. Seria cômico se não fosse trágico. E vice-e-versa. Seria patético não fosse tudo bastante apatetado. Êta mundo veio, arrevirado e de porteira escancarada, hem? Resta aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui


PENSAMENTO DO DIA- [...] O prazer não é duradouro e cede lugar ao desprazer. [...] Aquilo que é agradável é sempre seguido daquilo que é desagradável. [...] Para escapar à dor da fome, devemos também superar o prazer de comer. [...] Quando um indivíduo está livre do prazer e da dor do mundo, então, pela primeira vez pode ele ser motivado por sabedoria superior. [...]. Pensamento extraído de O dilema da vida (O Rosacruz, outubro, 1981), do psicólogo Ph.D estadunidense, Thomas Parker (1843-1915).

CRIAÇAO VERBAL - [...] na maior parte dos casos, é preciso supor, além disso, um certo horizonte social definido e estabelecido que determina a criação ideológica do grupo social e da época a que pertencemos, um horizonte contemporâneo da nossa literatura, da nossa ciência, da nossa moral, do nosso direito. [...] Trecho extraído da obra Estética da criação verbal (Martins Fontes, 1997.), do filósofo e pensador russo teórico da cultura e das artes Mikhail Bakhtin (1895-1975). Veja mais aqui e aqui.

LAPINE-LAPINOVA – [...] E, nessa mesma noite, antes de irem para a cama, ficou combinado. Ele era o rei Lapine; ela, a rainha Lapinova. Eram o oposto um do outro; ele era corajoso e decidido; ela prudente e tímida. Ele governava o mundo movimentadíssimo dos coelhos; quanto ao mundo onde ela se movia era um local misterioso e desolado por onde vagueava principalmente em noites de luar. [...] Trecho conto Lapine-Lapinova, da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Veja mais aqui.

AS METADES DO CORPOMarianne / Moore / apreciava animais / e atletas / em igual / escala. Motivo: o / "estilo" / das duas / espécies citadas / "é, prova / -velmente, / desleixado"; uns e / outros, dis / -se Miss / Moore numa entre / -vista, / alcançam a / "exatidão" devido / à prática / que "as / metades do corpo", / neles (nos / animais / e nos atletas que / possuem / um estilo), / adquiriram / "para se / contra / -balançarem". Poema do poeta, músico, produtor cultural, artista visual e editor Ricardo Aleixo.


A arte de escultora estadunidense Michelle Gregor




Veja mais sobre:
Voar é preciso, viver não é preciso!, Doris Lessing, Luis Buñuel, Leonardo Boff, Hans Magnus Enzensberger, Guilherme Faria, Joseph Kosma, Sérgio Telles, Alfredo Martirena, O riso doído, Psicanálise & Sociedade dos poetas mortos aqui.

E mais:
Vivendo e aprendendo a jogar, Lygia Fagundes Telles, Ziraldo, Luciano Berio, Christine Lau, Nilza Menezes, Antonio Januzelli – Janô, Todd Solondz & O Retorno da deusa aqui.
A arte de Tammy Luciano aqui.
A educação na Sociologia de Max Weber aqui.
A educação nos anos 70 e as desigualdades sociais aqui.
As trelas do Doro: a capotada do guarda aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o muxôxo dá num engasgo, o peso enverga o espinhaço de chega ficar de venta esfolando no chão aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, junho 02, 2008

THOMAS MANN, RANCIÈRE, PEDRO OSMAR, ORIANA DUARTE, EDUCAÇÃO & LITERÓTICA

A arte da designer e artista visual Oriana Duarte

LITERÓTICA: O TALO CORAL NA FENDA DOURADA (ou viajando ao centro do teu corpo) – Em nós fez-se ontem para o que haverá e eu guardei o meu sorriso no teu corpo e nele renasço em sol no mormaço das cores de tua nudez maior que a manhã. Porque eu viciei todos os rios que vão dar no Sneffels do teu cio estonteante, porque eu mergulhei nos quatro mil e quinhentos graus centígrados de tua compleição sedutora, demolindo tuas fronteiras, deliciando o teu magma, saciando tua fenda dourada onde a minha língua faz festa com o fascínio que te ilumina a carne, ouro da minha cobiça, mel no meu paladar, alvo da minha flecha certeira. E mesmo que tudo se faça na perda, o desfeito em ti se refaz porque já vai longe o beijo roubado embaixo dos desejos quando moqueada pela minha gula insaciável. E mesmo que ainda amanheça, permanecerei insone porque buscarei teus olhos em todas as esquinas do tempo, porque buscarei tuas mãos nos confins dos espaços, porque buscarei tua exuberância desabotoada no manto acolhedor da pele descoberta, até que te sinta presa extravasada pelo embarque do meu relho deslizante no assoalho íntimo de tuas inquietudes abrasadas. E quando te acercares da minha possessão medonha, eu sugarei teu veneno de serva Afrodite, me fartarei de todos teus humores e abocanharei tua reclusa para fruir incessantemente toda satisfação universal. E quando tudo explodir de nossa completude, eu te serei arrimo a juntar os cacos do que sobrar reanimando a vida. E ainda que eu possa apenas me valer do dia e da noite, reinventarei tudo em ti para que seja acesso do meu próprio ser. E ainda que não nos baste esta vida e tantos desvarios outros, reencarnarei tantas e quantas vezes em tua pose escancarada e nua para que se possa renascer todas as entregas atemporais e mútuas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.




PENSAMENTO DO DIA: EDUCANDO ASSIM, O MENINO VAI VIRAR UM BICHO RUIM!!! - Verdade!!! Os alunos aprendem na escola e desaprendem em casa. E vice-e-versa. Aprendem na rua e desaprendem na TV. E vice-e-versa-e-vive-e-versa. Na escola pública é só: não tem vaga no prédio caindo aos pedaços, revolta, mungangas, insegurança, incompetência, tapio que ganho muito e é tapiando que se ensina, mãos na cabeça, zoadeiro brabo, cada um por si e todos por ninguém com todas as incertezas. U-huuuu! Nas secretarias de educação (dos Estados ou municípios, onde der é o mesmo, viu?): muitas bordadeiras, fuxico, chatices, capítulos de novelas amiudados, desinteresse, vadiagem e mal-educação. Eita, praga! Perguntam: - O que você sabe fazer? Responde a doida por um emprego: Nada. Resultado, mandam logo pro Diário Oficial: - Então vá pra Secretaria de Educação. É assim. Tei bei. No Ministério da Educação: ar-condicionado, suntuosidade, má-vontade e muito neguinho da bunda quadrada querendo solucionar o problema do Brasil num gabinete. Pergunto: é assim a educação brasileira, é? É. Mesmo tendo no art. 205 da Constituição Federal que: “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Bonito, né? Mas onde é que é isso mesmo, hem? Que país é esse?

PARTILHA DO SENSÍVEL – [...] Denomino partilha do sensível o sistema de evidências sensíveis que revela, ao mesmo tempo, a existência de um comum e dos recortes que nele definem lugares e partes respectivas. Uma partilha do sensível fixa portanto, ao mesmo tempo, um comum partilhado e partes exclusivas. Essa repartição das partes e dos lugares se funda numa partilha de espaços, tempos e tipos de atividade que determina propriamente a maneira como um comum se presta à participação e como uns e outras tomam parte nessa partilha. [...]. Trecho extraído da obra A partilha do sensível: estética e política (34, 2005), do filósofo e professor francês Jacques Rancière. Veja mais aqui.

O ARMÁRIO – [...] Ela se sentara no armário e com os braços delicados cingia um joelho, que conservava soerguido, ao passo que a outra perna pendia para fora. Os pequenos seios estavam comprimidos pela parte superior do braço, e a pele esticada do joelho rebrilhava. Ela contou... contou em voz baixa, enquanto a chama da vela executava danças mudas... [...]. Daí por diante todas ele a encontrou dentro do armário e ouviu contar. Quantas noites? Quantos dias, semanas ou meses terá permanecendo naquela casa, naquela cidade? Seria inútil dizer quantas. A quem importaria um miserável número? [...]. Trecho extraído do conto O armário, do escritor alemão e Prêmio Nobel de Literatura de 1929, Thomas Mann (1875-1955). Veja mais aqui e aqui.

DOIS POEMASALGUÉM - É um boi que passa/ clínico/ metafísico /           por dentro do ônibus / Pasta uma baba lepra / lambe um silêncio triste / e um chuncho / e um baque / Quantos quilos? / Rabo ou pata? / Tratar com Biu de Malaquias / preço a combinar. CONHEÇA AS VANTAGENS - Um bom disfarce para o medo / é a gula / é a dura trajetória / do espírito carne adentro / é a camada de ozônio / se rompendo em raios / nuvem de chumbo sobre frutas. Poemas do cantor, compositor, poeta e artista plástico Pedro Osmar.


A arte da designer e artista visual Oriana Duarte




A CANTIGA DO MAMOEIRO
(Baseada em Mateus, 13:12Ao que tem, mais se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tomado”).
Quem tem, tem. E sempre tem.
Quem não tem, somente sonha.
Quem não tem só bate bronha!
Pois quem tem mais é que vem.
Repito o que na Bíblia tem.
Pois, quem não tem só se ajeita,
Sem ter com quem, bate punheta!
E assim sonha sem vergonha.



CURIOSIDADE POPULAR: PRA QUE TANTA GENTE NO CONGRESSO NACIONAL, HEM?
Zé-corninho acordou injuriado e procurou o Doro.
- Doro, pruquê tem tanto senador?
- Hum.... por que? -, tartamudeou Doro intrigado com a indagação do apaideguado.
- Pruquê tem tanto deputado?
- Hum....
- Pruquê tem tanto vereador?
- Hum... prurisso mermo eu digo e apalavro – estufou todo tonitruante Doro -, que quano eu mim inleger prisidente, todos os caigos, eu disse “T-O-D-O-S” os caigos, de prisidente, senadô, deputado, vereadô, prefeitis, ministru, secretáro de governo e caigos de confiança serão só na base do voluntariado. Sacumé? De grátis, na força do querê. E só. Vai ser meu premero decreto dispois di inleito. Quero ver a gente num endireitá o país dele num ficá rico dessa veizi.

AFREDO NO MATO SEM CACHORRO
Afredo estava num mato sem cachorro. Ajeitou o anzol, sacudiu a vara e tome pescaria. Num é que caiu do céu a jumentuda capricorniana doida-de-pedra Zefa, um pirãozão da porra no seu prato raso? Vixe! O homem agoniou-se e deu de buscar auxilio nos mais experientes. Adivinhem quem? O Doro, lógico. Na maior mangação ele aconselhou na lata:
- Vosmicê, meu fio, tá embroncado mermo. Aquela mulé é um desacerto na vida de quaiqué cristão. E agora ocê ou vai se fudê de vez na lascadura da vida ou vai se acertá na casa de caixa-pregos-gaia-adentro. Dependi doce, somenti. Intonse aconsêio logo vancê a tumar chá de graviola pra peidá cheiroso. Isso pode amansá-la. Ou tome banho de endro para cheirá a malte de uísque, assim ela fica bicada com os óios-trocando e dando circuito nos tico-e-teco do quengo. Aí vancê pode botá ela pra ficá brincando de Micon na frente do espelho até percebê qui ocê é um esquisitão dum Thom Yorke e dê de empirulitar e se escafedê di veizi da sua vida, né? Aí, tome no cu pra ser feliz e boa noite.


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Guiando pelos catombos, Elias Canetti, Adélia Prado, Pablo Picasso, Georges Bizet, Maria João Ganga, Lygia Clark, O princípio da Totalidade, Téspis & o nascimento do Teatro aqui.

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Proezas do Biritoaldo: Quando o cara num rega direito, o amanhã parece mais o aperto do dia de ontem aqui.

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ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...