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quinta-feira, fevereiro 22, 2018

ŽIŽEK, GIROUX, HALLDÓR LAXNESS, JOSEPH BENNET, JACOB DE HAAN, CRIS OLIVEIRA, JANINE JANSEN, YVONNE JEANETTE KARLSE, CORLISS LESSER, DAY WILLIAMS & JUSTINITA

A SINA DE JUSTINITA – Imagem: Lady Justice under fire, art by Day Williams. - Desde o dia em que fora atropelada pela cabrita, ocorrera uma drástica transformação no comportamento de Justinita. Ao pensar se ao invés do golpe caprino fosse ela recolhida pelo caminhão desgovernado, hoje estaria de pés juntos no reino dos esquecidos. O destino assim quisera, ela refeita do susto. Esse fato fizera repensar a vida e pode perceber ao seu redor a miséria dos famintos, o desamparo dos despejados, o sofrimento dos desvalidos, o desespero dos desabrigados. Aos seus olhos isso tudo era injusto, Deus não promoveria tanto sofrimento à toa, por certo haveria outra razão para tal desgraça. Homens, mulheres, crianças, idosos, tanta gente supliciada, tudo isso provocava nela um ar de soturnidade jamais visto na sua sempre sorridente forma de ser. Tinha de fazer alguma coisa, não sabia, logo descobriria. E assim passou dias imaginando como saber a verdade e ajudar os pobres coitados que sofriam em todos os lugares pela periferia da cidade. Voluntariamente passou a assistir os necessitados, visitando abrigos, hospitais, penitenciárias, manicômios, e a cada visita chorava com tanto meninos e meninas cancerosas, tantos macróbios abandonados, tantos pobres desassistidos, tantos presos amontoados, era sofrimento demais para sua sensibilidade. Nas suas visitas levava o que podia de alimentos, abraços, palavras amigas, lágrimas de solidariedade. Mas logo percebeu que caridade não resolveria, dia mais dia, nada mudaria se ficasse apenas na filantropia, precisava fazer algo mais e não sabia. E usou de sua jovialidade encantadora para promover campanhas em defesa dos desassistidos. Por ser uma jovem bela e sedutora, muitos simpatizantes logo acorreram em socorro e aumentaram o prestígio das suas manifestações. Cobiçada por todos os marmanjos da cidade, não demorou muito a ser disputada por advogados, promotores, juízes, desembargadores e até ministros que lhe prometiam fundos vultosos para seus pleitos, afora o apoio irrestrito no que ela pretendesse realizar para alcançar seus intentos. A sua causa logo alcançou a marca de milhões de participantes, chegando mesmo a ter ações como a construção de casas populares, assistência médico-hospitalar gratuita para os enfermos, assistência social para os desamparados, enfim, tornou-se o símbolo da defensora dos pobres e oprimidos. Logo cogitaram filiações partidárias para pleito eleitoral, ao que ela imediatamente rechaçou alegando completa descrença nas coisas de política e nas promessas eleitoreiras, deixando claro que se os políticos e autoridades até então nada fizeram por tais problemas, não seria agora que partidos e gestores tomariam a iniciativa de fazê-lo. Não, mil vezes disse não, alegando a partir de agora ser a responsabilidade de cada ser humano a preservação da sua espécie, promovendo a existência do outro na verdadeira iniciativa pela proteção e promoção do exercício da cidadania e dignidade da pessoa humana entre todos e isso começava por ela, era o seu exemplo, quem quisesse que seguisse. Contudo, não contava ela com as astúcias ardilosas dos cortejadores, entendia que era presenteada não por algo em troca, mas pela sensibilização das pessoas por sua causa. Jamais previra a incestuosa intenção de um seu irmão de criação agora representante do Ministério Público, nem a investida estupradora de um primo em terceiro grau, muito menos que seria vendada pelo juridiquês de advogados, a ponto de não ver mais nada e enredada numa teia de tenebroso coral barítono, Eu não vejo nada, e mãos tateavam suas carnes por baixo de suas vestes, pegavam-lhe dos pés à cabeça a puxar-lhe a calcinha pernas abaixo, a soltarem o sutiã, remover-lhe as vestes e deixa-la nua desamparada, pegada, puxada, levada, agarrada, beliscada, apertada, e uma grave voz: Cumpra-se! E mais era tomada por muitas mãos na sua cegueira, e riam cochichando que ia dormir com o juiz no primeiro sono, muitos juízes, e com desembargadores o segundo o sono, e com os ministros o terceiro sono, e ouvia e tentava se soltar e acorrentada por mãos e riam, murros em mesas, gritos exigindo silêncio, muitas vozes no seu juízo e sentiu a vagina invadida por um pênis enlouquecido, muitos outros e tantos pênis se enfiavam nela, no seu ânus, sua boca, ouvido, muitos e mais pênis esfregando-se em suas faces, ao pescoço, aos ombros, seios, mãos, entre as pernas e coxas, costas e ventre, gargalhadas insolentes explodiram enquanto sentia a urina deles sobre seu rosto e corpo, chamavam-na de puta, gritavam safada, quenga, puta, puta, e quanto mais relutava mais era fodida, cuspida, mijada, seviciada, nada podia fazer senão desmaiar e morrer, nunca mais acordar. Ao recobrar os sentidos, nua algemada, vendada e amordaçada, o frio e vozes como solenidade do Tribunal do Juri, muitas vozes de ambiente repleto de gente e ela ali desamparada entre sentenças e penas. Não sabia nada, não via nada, nada podia fazer ali, nada mais a fazer por nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: Bound Justice, art by Corliss Lesser.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor holandês Jacob de Haan: Concerto d’ Amore, Ross Roy, Utopia & Pacific Dream; a interpretação da virtuosa e belíssima violinista e violista holandesa Janine Jansen: Concert Tchaikovisky Live, Four Seasons Vivaldi e Concert Violin Dvorak; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Ensinar, nos termos de Paulo Freire, nãoé simplesmente estar na sala de aula, mas estar na hostória, na esfera mais ampla de um imaginário político que oferece aos educadores a oportunidade de uma enorme coleção de campos para mobilizar conhecimentos e desejos que podem levar a mudanças significativas na minimalização do grau de opressão na vida das pessoas. [...]. Extraido da obra Um livro para os que cruzam fronteiras (Cortez 1996), do pedagogo e crítico cultural estadunidense Henry Giroux.

DESERTO DO REAL - [...] Sempre que cencontramos um mal tão puro no exterior, devemos reunir a coragem para apoiar a lição hegeliana: nesse exterior puro, nós devemos reconhecer a versão destilada de nossa propria essência. Pois nos últimos cinco séculos a prosperidade e paz (relativas) do Ocidente “civilizado” foram compradas pela exportação de impiedosa violência e destruição ao Exterior “bárbaro”: a longa história desde a conquista da América ao massacre no Congo. Por mais que soe cruel e indiferente, nós também deveríamos, agora mais do que nunca, ter em mente que o efeito desses ataques é de fato muito mais simbólico do que real. [...] Os EUA apenas experimentaram o que acontece no resto do mundo diariamente, de Sarajevo a Grozni, de Ruanda e do Congo a Serra Leoa. Se forem adicionados à situação em New York atiradores de elite e estupros em massa, é possível ter uma ideia do que era Sarajevo uma década atrás. Foi quando assistirmos na tela de TV ao colapso das duas torres do World Trade Center que se tornou possível experimentar a falsidade de “reality shows” da TV: mesmo se esses shows forem “de verdade”, as pessoas ainda atuam neles – elas simplesmente atuam como elas mesmas. [...]. Trechos extraídos da obra Bem-vindo ao deserto do real: cinco ensaios sobre o 11 de setembro e datas relacionadas – Estado de Sítio (Boitempo, 2003), do filósofo, teórico crítico e cientista social esloveno Slavoj Žižek. Veja mais aqui e aqui.

A ESTAÇÃO ATÔMICA – [...] E como essas palavras de uma saga soavam falso, em sua boca, tentou dar=-lhe peso, atirando-se em cima de mim. Bateu-me, várias vezes, com seus punhos serrados. Depois tentou morder-me, mas não o permiti. Acabou perdendo a vontade de lutar comigo e quando viu que não conseguia desembaraçar-se voltou ao vestíbulo e lá, bem no meio do aposento, após a luta, deixou escorregar, de seus ombros magros, até o chão o casado de pele, como se o estivesse perdendo. E lá o deixou, como se abandonasse uma pele de animal dos encantamentos. Voltara a ser uma menina, com seus gestos desajeitados e desarticulados. Encolheu-se a um canto do sofá, o queixo nos joelhos, os pinhos fechados sobre os olhos e pos-se a chorar: a princípio, com grandes soluços e grandes suspiros, depois, lamuriante como uma criança que se lamenta. Então vi que não se tarataba apenas de comédia. Ou seria uma comedia bem representada? Tentei aproximar-me dela, com o máximo de precaição possível [...] O resultado dessa discussão foi que a senhorita Sangue de Maçã nada fez do que ameaçou. Por sua vez, não iria suicidar-se, nem mataria seu amante. Mas pediu-me licença para dormir comigo o resto da noite, porque era pequena e tinha os nervos fracos, enquanto eu era robusta e vinha do campo. [...]. Procurei com o olhar o caminho mais curto para sair dessa praça, apertei meu buquê de flores contra o peito e pus-me a caminhar. Que preço teria tido a vida, a meus olhos, se essas flores não tivessem existido? Trechos da obra A estação atômica (Delta, 1966), do escritor islandês Halldór Laxness (1902-1998), Prêmio Nobel de 1955.

OUTONAL – Andas sobre o outonal assoalho, onde o seu corpo, / dela, sob três pés de folhas decompõe-se / imensos membros seus trazidos pelo vento. / E nos montes de terra o cavalo furioso / mergulha, vira e corre através de tal carne. / Ela, a flama outonal, a carne em taça molda, / onde sólida e espessa a carne impede o vento. / A fumaça a fluir do arruinado cadáver / oculto à palidez no intimo da pele / e a urina as folhas suja embaixo do cavalo. / O sentido da massa envolve estes cavalos / ao tempo emque um a um mergulha sobre a carne. / A sempre devagar liquescência da pele / é o espesso queimar do cadáver corrupto. / Esra plimagem trela ao vento solta livre! / Nesse vento a fluir os gases que se evolam / as memórias arrancam do afogado cavalo. / As árvores, largando a carne, cegas vão. / A folha a se erodir na fusão do cadáver. / As fissuras se abrindo em chamas pela pel. / Suporta a forte vinha o impulso sob a pele. / Combustivel suporta o óleo espesso da carne, / o gás a vista ensopa ao cavalo enforacado / as chamas a jorrar pelos poros do vento / pegam o focal estilo achado no cadáver. / Cadáver em chama nu exposto a todo vento / o cavalo a arder se difundindo em pele / a folha a extinta folha a correr sobre a carne. Poema do poeta estadunidense Joseph Bennet.

O LEITO POR DETRÁS DO RIO, DESTILAR A PELE
O leito por detrás do rio, destilar a pele é um solo concebido e interpretado pela atriz Cris Oliveira, resultado da pesquisa interdisciplinar sobre a percepção e os cinco sentidos, em especial o tato. A experiência partiu da interação da pele com os elementos: leite, mel, água, óleo e sangue. A temática trata dos limites do corpo e a re-materialização da própria identidade, enquanto substância. O trabalho apropria-se do sentido filosófico e alquímico dos elementos na busca por transformação.

Veja mais:
Justinita & a cabrita braba, o pensamento de Amartya Sen & Zilda Arns, a crônica de Kledir Ramil, o cinema de Penny Marshall & Elizabeth Perkins, a arte de Dorina Costras, a música de Arnaldo Antunes & Roberta Sá aqui.
Rascunho solitário, a literatura de Arturo Ambrogi, a música de Edino Krieger, a pintura de Camille Corot & a arte de Jim Thompson aqui.
Gato escaldado pra se enturmar é um pé na frente e outro atrás, a música de Sonia Bach, a fotografia de Mariana Beltrame & a pintura de Umberto Boccioni aqui.
Quando te vi na Crônica de amor por ela, Marques Rebelo, Eduardo Giannetti, Luzilá Gonçalves, Francis Poulenc, William Shakespeare, Patrícia Petibon, Anatol Rosenfeld, Anésia Pinheiro Machado, Marcela Rafea, Franz von Bayros, Asztalos Gyula & Magda Zallio aqui.
Marguerite Duras & Todo dia é dia da mulher aqui.
Pagu – Patrícia Galvão & Todo dia é dia da mulher aqui.
Serenar na Crônica de amor por ela, Dinah Silveira de Queiroz, Jacques Prévert, Validivar, Paulo Santoro, Arieta Corrêa, Wong Kar-Wai, Manuel Puig, Peter Greenaway, Elisete Retter, Shirley Kwan, Agi Strauss, A educação e seus problemas & Lilian Pimentel aqui.
A árvore de Humberto Maturana & Francisco Varela, Darel Valença Lins, Luiz Melodia, Terra Oca & Lady Francisco aqui.
Debussy, Pierre Bonnard, Laurindo Almeida, Carl Rogers, Emily Greene Balch & Pós-Modernidade aqui.
Projeto Tataritaritatá aqui.
Educação, Sexualidade & Orientação Sexual aqui.
Big Shit Bôbras: Ói nois aqui traveiz aqui.
Big Shit Bôbras: o despranaviado geral aqui.
A campanha do Doro Presidente aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha enfiou-se na bronca da vida e num teve quem desse jeito aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro aqui.
Canção de quem ama além da conta aqui.
Inutescência & Maria Luísa Persson aqui.
Ulysses Gaze, Eleni Karaindrou & Kim Kashkashian, Tunga & Giuseppe Gioachino Belli aqui.
Steven Pinker & Lou Vilela aqui.
Psicanálise & Roger Cruz aqui.
Nélida Piñon, Oduvaldo Vianna Filho & Júlio Pomar aqui.
O pensamento de Arthur Schopenhauer aqui e aqui.
O cinema de Luis Buñuel aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte de Andy Warhol aqui e aqui.
Dia Branco, Ítalo Calvino, Isaac Newton, Henrich Heine, Mark Twain, Moisés, John Watson, Meio Ambiente & Programa Tataritaritatá aqui.
As muitas e tantas do Rei Salomão aqui.
Cantiga de amor pra ela & Programa Tataritaritatá aqui.
Haroldo de Campos & Jacques Lacan aqui.
Tempo & Expressão Literária de Raúl Castagnino & Totem e Tabu de Freud aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Yvonne Jeanette Karlse.
Veja mais aqui.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

AMARTYA SEN, ZILDA ARNS, ARNALDO ANTUNES, DORINA COSTRAS, KLEDIR RAMIL, ROBERTA SÁ, ELIZABETH PERKINS & JUSTINITA

JUSTINITA & A CABRITA BRABA – Imagem da artista plástica romena Dorina Costras - Justinita amanheceu toda empiriquitada, cabelo alisado pela chapinha, maquiagem de sombra nos olhos e bochechas róseas, beiços de batom encarnado vivo, blusa acochada com decote realçando o rego dos peitos salientes, calça justa pronunciando o ventre acuscuzado e os glúteos reboladores e sorridentes, as toras das coxas volumosas, panturrilhas roliças, salto altíssimo de quase um palmo, pressa andadeira para não perder a hora e, atrás dela, só fiu-fiu e hum ah u-ru eita! – Vais pra onde, mulher, assim toda reboculosa? Vou pruma entrevista de trabalho. Só acredito por que tais dizendo, pra mim tu vai mesmo é pra sem-vergonheza, mulher! A-há! Danada de jeitosa como tu tá, só pode, né? Tomara, mulher, tomara. Mas não, vou atrás de emprego mesmo que a vida está difícil. E fiu-fiu, olhares marmanjos acompanhando a sua passada altaneira. Quando dobrou a esquina, ouviu-se um estrondo! Que é que houve? Danou-se! Um caminhão desgovernado subiu pela calçada e invadiu uma casa porta adentro. Teibei! O maior rebuliço. Alguém gritou: - Lascaram a Justinita! Valha-me Deus! Deu-se a maior correria. Foi-se ver, por pouco, ela não fora realmente recolhida pelo desenfreado veículo. Antes disso, parece que mandado dos céus ou ação do anjo da guarda dela, uma cabrita braba e odienta que abusava dumas chifradas pra cima e pra baixo nos transeuntes desavisados, sapecou-lhe uma cornada dela cair estendida numa poça de lama, emputecida! Isso é uma cabra chata da porra! Que foi que houve, mulher? Essa desgraçada dessa amolestada que me deu uma cabeçada de me deixar estendida aqui, desarrumando meu penteado e me melando toda! Vixe! E agora? Como vou arranjar trabalho lascada desse jeito, hem? Calma, mulher, deixe de aperreio. Isso é coisa que se faça? Ninguém mata essa cabrita intrometida não, é? Como é que pode? Juntou gente, ninguém sabia se olhava pro estrupício do autocarga com o povo gritando por socorro dentro de casa ou pra Justinita toda sensualmente enlameada e desajeitada aos berros. Os afoitos socorriam-na com aquela gentileza de aproveitadores que só queriam mesmo era ganhar a simpatia dela. Isso é uma ingresia dos diabos, ainda mais essa amaldiaçoada cabra me derrubou e me deixou nesse estado! Pode? Cala boca, mulher, tu findasse salva pela malvada, não fosse ela, tu tinha sido rebocada pelo caminhão e se espragatado toda no meio do maior salseiro naquela casa, espia, veja só o desmantelo! Valha-me meu Jesuisinho, que eu não tinha reparado nisso, que coisa! Pois foi, a cabra branca salvou sua vida! Não fosse ela, tu tinha morrido, reclamona. É mesmo. Que será que houve, hem? Está lá, caminhão e o povo gritando dentro da casa, não tais ouvindo, mulher? E ninguém vai socorrer não? Arreda cabrueira, vão salvar o povo e deixem ela que está recuperada, arreda! Ah, mulher, vou voltar pra casa pra me arrumar de novo, acho que hoje não é o meu dia de arrumar emprego mesmo. Tanto trabalho pra espichar o cabelo, tanto capricho na maquiagem, na escolha da roupa, tudo, veja só o que restou de mim: toda fedendo a lama e imprestável, ixce, maior catinga. Olha não, mulher, bota as mãos pro céu que a tua salvação veio antes do dia. Foi a santa Cabra Branca que todo mundo odeia, Taís vendo só? Tô. Amém. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do poeta, músico e compositor Arnaldo Antunes: Saiba & ao vivo em estúdio; a cantora Roberta Sá: Que belo estranho dia pra se ter alegria & Segunda pele & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Estou convencida de que a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, a promoção da justiça social, o acesso à saúde e à educação de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica entre as nações para a preservação e restauração do meio ambiente. [...] Ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres. A sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. [...]. Extraído de O último discurso (Folha de São Paulo, 2010), da médica pediatra e sanitarista brasileira Zilda Arns (1934-2010).

A RIQUEZA & O QUE FAZER COM ELA - [...] Se temos razões para querer mais riqueza, precisamos indagar: quais são extamente essas razões, como elas funcionam ou de que elas dependem, e que coisas podemos “fazer” com mais riqueza? Geralmente temos excelentes razões para desejar mais renda ou riqueza. Isso não acontece porque elas sejam desejáveis por si mesmas, mas porque são meios admiráveis para termos mais liberdade para levar o tipo de vida que temos razão para valorizar. [...] Os indivíduos vivem e atuam em um mundo de instituições. Nossas oportunidades e perspectivas dependem crucialmente de que instituições exitem e do modo como elas funcionam. [...]. Trecho da obra Desenvolvimento como liberdade (Companhia das Letras, 2000), do filósofo, escritor e economista indiano, Prêmio Nobel de Economia de 1998, Amartya Sen. Veja mais aqui e aqui.

REGRESSÃO A VIDAS PASSADAS – Tenho várias amigas que fizeram um trabalho de regressão a vidas passadas e coincidentemente todas foram Cleópatra em alguma de suas encarnações anteriores. O que mais me intriga nessa história de gente que começa a remexer no passado metafísico é que ninguém quer ser o Zé-povinho. Todo mundo foi um grande rei, uma diquesa, um artista genial.e se atualmente está levando uma vida de dificuldades e sofrimentos, é apenas a lei do karma, está pagando pelas maldades que cometeu quando respondia pela identidade Napoleão Bonaparte. Liam Gallager, o encrenqueiro cantor do Oasis, declarou que é a nova encarnação de John Lennon. Só que o imitador do ex-beatle esqueceu de fazer as contas, pois nasceu em 1972 e John morreu em 1980. A contabilidade não fecha. A não ser que ele tenha nascido sem alma e tenha ficado esperando na fila, enquanto o ídolo terminava de usar a sua. Corroído por dúvidas e curiosidades, resolvi conjugar meu pretérito para ver se também era mais que perfeito. Descobri que fui Noel Rosa uns anos atrás, ao mesmo tempo em que acumulava as funções de Charles Chaplin e Greta Garbo. O fato de eu ter tido três encarnações simultâneas é explicável, pois certas almas são tão grandes que às vezes precisam de mais de uma embalagem. Conforme se viu no filme sobre a vida, ou melhor, uma das vidas do Dalai Lama. Não fui Cleópatra, como vocês poderiam imaginar, fui Júlio Cesar e comi todas elas. E eram várias. Lá pelos idos do sec. XV voltei Leonardo Da Vinci, mas só fiz consciência disso durante uma recente visita ao Museu do Louvre. Fou um insight, uma revelação. No momento em que exerguei o quadro da Mona Lisa, me lembrei exatamente por que ela estava sorrindo enquanto posava. Coisa que não revelo nem morto. Tive minha fase de navegador na pele de Cristóvão Colombo, mas depois pedi para não me darem mais essa atividade de homem do mar. Peguei um tal enjôo de navio que hoje em dia só viajo de avião, aliás, veiculo que inventei quando encarnei Santos Dumont. Houve uma época em que estive faraó e reinei sobre o Egito com o nome de Queops. Durante esse período acumulei uma fortuna considerável e, respeitando a sabedoria popular, segundo a qual “da vida nada se leva”, arquitetei um plano para burlar a alfândega celeste e poder usufruir desse patrimônio nas encarnações seguintes. Mandei construir a enorme pirâmide de Gizé (modéstia à parte, a maior obra de engenharia da história da humanidade) e ordenei que, junto com meu corpo mumificado, fosse enterrada boa parte de meu tesouro. A ideia era voltar na próxima etapa, tomar posse dos bens a que tinha direito e gozar de uma aposentadoria digna. Até hoje não consegui convencer ninguém de que tudo aquilo me pertence. Ocupei a presidência dos Estados Unidos em mais de uma oportunidade e, apesar de haver sido assassinado duas vezes, não desisto, eu sempre volto. Inclusive existe um grupo de médios norte-americanos insistindo para que eu programe minha próxima vinda como filho de uma família texana. Não sei, ando cansado de política, tô pensando em viver novas emoções. Talvez um cantore de rap ou um piloto de F´romula-1. Tenho provas consistentes dessa minha trajetória existencial aqui na Terra, mas não quero me estender em mais detalhes para não lhe aborrecer. Só gostaria de encerrar dizendo que viajar pelo meu passado foi uma experiência fascinante. Voltar no tempo, através de uma regressão, é muito bom porque a gente vai revendo os velhos amigos, despertando antigas paixões, mas infelizmente chega uma hora em que bate um cansaço e a memória começa a ficar embaçada. A última coisa que consegui enxergar foi o momento de uma das minhas mortes, há mais ou menos uns 2 mil anos, quando eu estava de braços abertos numa cruz gritando por meu pau. E não vou nem dizer o nome do velho pra vocês não pensarem que eu tô querendo me exibir. Extraído da obra Tipo assim: Crônicas (RBS. 2003), do escritor, compositor e cantor Kledir Ramil.

QUERO SER GRANDE
O file Quero ser grande (Big, 1988), dirigido por Penny Marshall, trata da história de uma criança que, para conseguir ter todos os prazeres da vida de adulto, pede a uma máquina mágina que o faça ficar grande. Ele consegue dinheiro, carros, mulheres, mas, como criança em um corpo de adulto, passando por diversos conflitos. Isso acontece depois de ter sido humilhado por ter altura suficiente para entrar em uma montanha-russa de um parque de diversões, tornando-se em um adulto de trinta anos, e ao tentar contar a verdade pra sua mãe, ela o expulsa de casa achando se tratar de um invasor. Ao iniciar um relacionamento com uma colega de trabalho, teve de escolher entre viver como adulto com ela ou retornar à sua família como uma criança. O destaque do filme fica por conta da lindíssima atriz estadunidense Elizabeth Perkins.

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Pagu – Patrícia Galvão & Todo dia é dia da mulher aqui.
Serenar na Crônica de amor por ela, Dinah Silveira de Queiroz, Jacques Prévert, Validivar, Paulo Santoro, Arieta Corrêa, Wong Kar-Wai, Manuel Puig, Peter Greenaway, Elisete Retter, Shirley Kwan, Agi Strauss, A educação e seus problemas & Lilian Pimentel aqui.
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Debussy, Pierre Bonnard, Laurindo Almeida, Carl Rogers, Emily Greene Balch & Pós-Modernidade aqui.
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Big Shit Bôbras: o despranaviado geral aqui.
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Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha enfiou-se na bronca da vida e num teve quem desse jeito aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro aqui.
Canção de quem ama além da conta aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica romena Dorina Costras.
Veja mais aqui.

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...