segunda-feira, março 05, 2018

RACHEL DE QUEIROZ, RIMBAUD, VILLA-LOBOS, IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO, FELICJA BLUMENTAL, CORNÉ AKKERS, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, LOUCAS DA MATA SUL & MEIO AMBIENTE

OS VENTOS & AS AMIZADES NEM SEMPRE SOPRAM A FAVOR – Imagens: arte do artista plástico e visual holandês Corné Akkers. - Um menino caçula se sentia sozinho e pedia por um irmãozinho. Como os pais haviam fechado a fatura da filharada, reduziram a família apenas ao casal de filhos. A menina era mais velha, não queria se misturar com o mindinho, por se achar já uma mocinha, embora tivesse não mais que seis anos. Destá. Depois de tanto pedir e nada dos pais atenderem, o infeliz solitário encontra, enfim, um amigo. Ah, que amizade! Fizeram pacto de sangue, brincaram de espada, fizeram de tudo, até cheirar os dedos indicadores com o odor da dedada no frosquete um do outro. Cheira aqui! Um acudia o outro, no bom sentido, é claro, viadagem de pirralhos. Ou então ao se estranharem, cara dum, cara doutro, murros, apertos, tapas e caneladas, até caírem bambos numa intriga da hora. Pois é. Dia menos dia lá estavam: um cheirando o cu do outro. Nisso, ia tudo bem, até o dia em que a irmã que nunca se interessara por nada pras bandas do irmão fedelho, achou de chamar o amigo para um particular. No outro dia, de novo; e no seguinte, mais uma vez. Que confidências são essas? O irmão de mutuca. Foi então que o solitário levantando as orelhas, achou de por bem deixar os pais a par das coisas: botaram o amigo pra fora! Como? Mexer com a irmãzinha do coração, tá doido, tá? Arriba! E ele ficou de novo solitário. A irmã, só lhe olhava de soslaio: Viu o que você fez, palerma? Você não tem com quem brincar, nem eu tenho em quem mandar! Mas ele estava se enxerindo pra você! Pra mim? Ah, bicho toleima és tu, bestão! Ele só estava fazendo o que eu mandava, mais nada. Eu estava com ciúme dele com você. Tu és um porqueira mesmo, hem? Ele estava fazendo os meus deveres da escola e o que mais eu quisesse, só isso. Ah, se é assim, vou pedir pro papai deixá-lo voltar. Já devia ter feito isso, seu molenga! E lá vai o menino desfazer o mal-entendido. Para isso teve que contar com o aval da irmã, o que foi um santo remédio pros pais, já que ela era do contra sempre, botando caroço no angu dele. Como se tratava de um bem que atendia aos dois, não havia razão pra impedir. E lá foi buscar do amigo que nem sabia mais por onde andaria, caçando pelos cantos, perguntando a um e a outro, quem viu-lo? Ninguém dava conta do paradeiro. Teve que esperar pela tarde para ver na escola. Foi justo lá que se encontraram, refizeram amizade e lá ia ele de novo reatando a amizade, dessa vez durando até a adolescência – eita, quase que num acaba mais de tão duradoura -, ao se desafiarem pelo amor de Genicilinda, a moça mais linda da época, ferro, sangue e ódio entre os amigos. E como ela tinha umas quedas pelo amigo, provocou ciúmes, por tabela, nos dois irmãos. A irmã agora estava privada de usar e abusar dele, enquanto o amigo entrava em conflito: era ela que ele queria, mas ele era seu amigo. Pra desatar esse nó que quase finda em morte matada, o amigo surpreendeu: apresentou a Genicilinda ao amigo para namorarem. Como? Surpresa dupla. Isso mesmo! Pronto, resolvido! Os irmãos voltavam às pazes, cada qual com sua paquera. Mas como nem tudo caminha sempre lá pelas rodas das mil maravilhas o tempo todo, ânimos e conflitos sempre enredam corações aos tédios e angústias, o amigo, de novo, se viu em palpos de aranha, por conta de ardis tramados pelas duas, sem que uma soubesse da armação da outra: a namorada queixou-se que ele estava dando em cima dela. Como? E a irmã delatou que ele andava forçando a barra com intimidades ameaçando estuprá-la, já quase em vias de fato de tanto abusá-la. Ele tá doido, é? O pai partiu com mais de mil e duas de quinhentos para agarrá-lo pelo cangote, não fosse a providente intervenção da filha em despachá-lo antes da fúria paterna. Quando o irmão soube das duas coisas: Como é que é? Que safado! Ah, vai me pagar! Não cumpriu a ameaça porque os pais providentes transferiram os filhos do colégio, o que acarretou que antes menino agora adolescente solitário ficasse sem amigo e sem namorada, por certo emendariam lá os dois os seus destinos pra azar dele. E a irmã, ah, a irmã, pra ela tanto faz como tanto fez, ela vivia trancada mesmo solitária com sua vidinha voltada só pro umbigo. E nunca mais eles se deram as caras, mudaram de cidade, de roupa, de jeito e pantins, foram cada qual pra faculdade – ele começou engenharia civil e terminou informática; ela foi fazer fisioterapia e findou secretária de um amigo besta que a queria por perto -, e cada um suas dores e vexames, umbigos pra que te quero. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959): Suite Popular Brasileira, Bachianinha nº 5 com a Filarmonica de Berlim & Prelúdios, estudos & Modinha; ; da pianista e compositora polonesa Felicja Blumental (1908-1991): Piano Português/Espanhol, Concerto nº 5 de Villa-Lobos & Valsas completas de Chopin; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A luta espiritual é tão brutal quanto a batalha dos homens; mas a justiça é prazer só de Deus. [...] eu vi o inferno das mulheres lá – e me será permitido possuir a verdade numa alma e num corpo. Trecho extrado da obra Uma temporada no inferno & iluminações (Francisco Alves, 1982), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMPLEXIDADE AMBIENTAL - [...] Aprender a complexidade ambiental é uma pedagogia política de aprendizagens dialógicas, multiculturais e significativas para a construçãoplural de sujeitos e atores sociais capazes de abrir as possibilidades para a criação de mundos alternatitivos, guiados pelos valores da democracia e os princípios da sustentabilidade. [...]. trecho extraído da obra A complexidade ambiental (Cortez, 2003), coordenado pelo sociólogo ambiental mexicano Enrique Leff. Veja mais aqui.

COMO SUPORTAR O OLHAR DE QUEM SERÁ MORTO? – [...] parei de ler o texto e fiquei embargado, estava dificil. É o momento em que o pelotão de fuzilamento ergue as armas para matá-la e Hannah Senesh, com apenas vinte e três anos, recusa venda, para olhar nos olhos daqueles que iam tirar sua vida. Que força a mantinha! A crebça em seus país, a resistência ao nazismo que estava dizimando seu povo... [...] Alguns deles, por segundos, tornou-se humano e desviou os olhos, depois levou para a casa e para a vida aquele brilho que Jannah manteve com coragem e dignidade? Algum sobreviveu e carregou essa lembrança para sempre ou eram apenas assassinos frios e profissionais, agindo em nome da ideologia mais perversa que já houve sobre a terra? Algum suportou aquele olhar ou desmoronou? Algum entendeu que aquela jovem estava dizendo que os judeus não eram acomodados, nem o elhas, mas dotados de imensa força interior? [...] Os verdadeiros heróis não possuem poderes extraordinários, nem são imortais, imbativeis, indestrutíveis. [...] Há na multidão de rostos comuns pessoas dispostas a se imolar por nós, sem misticismos fraudulentos, sem vozes interiores inexplicáveis e sobrenaturais. [...] Posfácio de Ignácio de Loyola Brandão para a obra Hannah Senesh: diários, poesias, cartas (Tordesilhas, 2011), organizado e traduzido por Frida Milgrom. Veja mais aqui.

NHEENGARÊÇAUA – Homem do Sul, você conhece a geada e o frio, / você que jpa viu primavera, / inverno, outono como na Europa, / você não sabe o que é o sol! / Você não imagina / o que é céu sem nuvens por meses seguidos; / o que é o sol bater de chapa na terra fulva / trezentos dias encarrilhados!... / Ao meio-dia / nos tempos de fogo em que o sol é rei, / o ar é tão fino e tão frágil, / que treme.... / o sol fura-o de luz, igualzinho á rendeira / pinicando de espinhos a trama dos bilros... / Você nunca veio até cá... / “-Ceará!... / Retirante, sol quente, miséria...” / O sol do Nordeste foi feito somente / pra os olhos com medo dos filhos da terra.... / o filho da terra, pequeno e feioso, / que é como o mandacaru: / quando a tragédia seca escorraça a vida e absorve as seivas, / só ele, isolado / no meio da caatinga que se apinha / e estende para o céu a lamúria em cinza dos galhos secos / luta, verdeja, encontra seiva e vive / macambúzio e eriçado... / E, entanto, essa gente que mora tão longe / é a mesma que mora nas terras do Norte... / Se o sangue do Sul caldeou-se com o branco imigrante / numa fecunda mistura, / ainda existe em suas veias mestiças / esta seiva que o Norte tem pura... / E, se somos irmãos, / por que um laço mais forte de amor não nos prende? / Irmão longínquo, senhor das fábricas, / dos cafeeiros, das minas, do ouro, / eu quero que o meu poema / faça as vezes de um vidro esfumado / através do qual seu olhar deslumbrado / possa ver esta terra candente do Norte... / Irmão longínquo, detentor da riqueza da Pátria, / que uero que as folhas abertas de meu poema / sejam mãos estendidas / para um abraço de fraternidade! Poema extraído da obra Mandacaru (Instituto Moreira Salles, 2010), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003). Veja mais aqui.

AS LOUCAS DA MATA SUL
[...] É muito gratificante pra mim, mostrar e ver no rosto das pessoas, que estávamos passando essas mensagens contra a violência, o racismo, etc., a elas que temos nossos direitos. Alguns se identificavam com alguma cena, porque já tinham passado por essa situação. E agora viu que tem as leis e seus direitos. As pessoas parabenizando todo o grupo, pelo trabalho feito. Eu me sinto muito feliz em lutar pelo fim da violência principalmente, de uma forma diferente: teatro! Kelly. [...]
Depoimento de Loucuras contra a violência na Mata Sul, de Janikelle Maria da Silva e Theóphila Lucena, extraído da obra Cirandas feministas na Zona da Mata: uma luta em movimento (SOS Corpo, 2018), tratando sobre o grupo teatral As Loucas da Mata Sul, antes Loucas de Pedra Lilás, formada pelas mulheres Janikelle, Érica, Ítala e Anarcélia de Joaquim Nabuco; de Palmares, Mauriceia e Cilene; de Água Preta, Nayara, Nikka, Vanessa, Theóphila e Alda. Veja mais aqui.

Veja mais:
História da Mulher, O amor no salto das sete quedas, a música de Taiguara & a arte de Luciah Lopez aqui.
O sonho do sequestro malogrado, a música de Juca Chaves, História do Cinema, História da Mulher, a fotografia de Étienne-Jules Marey & a arte de Leonid Afremov aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Do que foi pro que é quase nada, Friedrich Nietzsche, Vaughan Williams & Suzanne Valadon aqui.
Coisas do sentir que não pra entender, A República de Cícero, Emil Nolde & Nivian Veloso aqui.
A carta do barbeiro & Leda Catunda aqui.
Fandango do vai quase num torna & Cícero Dias aqui.
Piotr Ouspensky, Marcio Souza, Antonio Vivaldi, Ronald Searle, Adryan Lyne, Ademilde Fonseca & Inezita Barroso, Kim Basinger, A mulher que reina & O Lobisomem Zonzo aqui.
Patativa do Assaré, Heitor Villa-Lobos, Pier Paolo Pasolini, Turíbio Santos, Rosa Luxemburg, Cicero Dias, Rubem Braga & José Geraldo Batista, Bárbara Sukowa & Primeira Reunião aqui.
A cidade das torres & Antônio Cândido aqui.
Cordel na escola aqui.
Democracia aqui.
A cidade de Deus de Agostinho e a Psicologia do Turismo e Hotelaria aqui.
Incêndio das paixões & Programa Tataritaritatá aqui.
Thomas Kuhn, Alagoando, Sistema Nervoso & Neuroplasticidade aqui.
Jacinta Passos, Poeta Bárbara Inconfidente, Egornov, Ten & Programa Tataritaritatá aqui.
Quando a gente vai à luta não adianta trastejar: ou vai ou racha aqui.
Gregory Bateson, Leontiev, Pinel, Doro, Óleo de peroba & o horário puto eleitoral da silva aqui.
Eros & civilização de Herbet Marcuse & O condor voa de Cornejo Polar aqui.
Ela desprevenida & Programa Tataritaritatá aqui.
O lamentável expediente da guerra aqui.
Jorge Amado, Gonçalves Dias, Claudionor Germano, Al-Chaer, Dany Reis & Nina Kozoriz aqui.
Ismael Nery, Tomás Antônio Gonzaga, Juliana Impaléa & Keyler Simões aqui.
Miguel Torga, Alfred Gilbert, Pat Metheny, Luciene Lemos, Antonio Cabral Filho & Programa Tataritaritatá aqui.
Michel Foucault, John Coltrane, T. S. Eliot, Edina Sikora, Wender Nascimento & Programa Tataritaritatá aqui.
Nelson Rodrigues, Gauvreau, Antonio Menezes, Luiza Silva Oliveira, Luiz Fernando Prôa & Bárbara Lia aqui.
Jorge Luis Borges, Paulo Leminski, Jean-Michel Jarre, Jeanne Mas, Donizete Galvão, Fabio Weintraub & Regiane Litzkow aqui.
A refém do amor & Programa Tataritaritatá aqui.
Fritjof Capra, Instinto & Ismael Condição Humana aqui.
Loucura repulsiva aqui.
Jards Macalé, Renata Pallottini, Silvia Lane, Hanfstaengl, Louise Von Franz, Miranda Richardson & Programa Tataritaritatá aqui.
Marilena Chauí, Marilda Villela Imamoto, Nise da Silveira, Guimar Namo de Mello & Arriete Vilela aqui.
O presente na festa do amor aqui.
Tanatologia aqui.
Ricardo Alfaya, Direito de Família & Alimentos aqui.
A mulher na História aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

BANDO DE MÔNADAS, DE VITAL CORRÊA DE ARAÚJO
NÓMINA DESSAS NOTAS: Ao conjunto, nomino-as nuamente Inexplicação ao Leitor, e dedico à Hipócrita Leitora de minha parca ou pobre obra. Porque são notas inexplícitas de um fazedor de poemas, que visam atordoar, ou melhor, clarear a treva textual, abrir caminhos sem rumo à selva significante, em que possíveis (mas improváveis) leitores se arrisquem tentar imiscuir-se ou inutilmente explorar.
RAZÃO DO POEMA: Escrevi esses poemas extremos porque vi o extremo numa viagem a bordo do abismo para o confim de mim mesmo. Fui além da alma, depois do corpo, quando os comecei. Não evitei os tiques estilísticos próprios de minha lavra poética nem a mania de montar sintagmas oximóricos, insensatos (para os sentidos comuns), esdrúxulos, não recomendáveis, para quem escreve em beneficio do leitor, o que não é meu caso, absolutamente. Escrevo poema para total desconforto do leitor (que se dane se quiser entender). Se o poeta entrega de mão beijada, numa bandeja dourada, o tal sentido do poema (tão ou mais procurado do que um malfeitor do velho oeste ianque), tão esperado que desespera o leitor, quando este não lhe é dado, de imediato, na primeira linha ou golpe de leitura; caso seja assim, assado não é, e poesia não o é também. O poema não deve ser uma resposta, uma lição, mas um questionamento, uma interrogação. Nada de resultados prosaicos, mas investimento literário. Escrevo poemas, portanto, para o desconforto extremo de quem casualmente me leia. Se fosse uma reforma de um prédio, a placa séria seria: desculpe o transtorno da leitura, estamos trabalhando ara desconforto total do seu entendimento.
Poemas extraídos da obra Bando de mônadas (Bagaço, 2011), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico e visual holandês Corné Akkers.
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, março 02, 2018

BAUDELAIRE, CARSON, MAURIAC, STEPHEN CRANE, AMARAL VIEIRA, PLÍNIO MARCOS, ROSINHA DE VALENÇA,CIRANDA FEMININA NA MATA SUL & BIBLIOTECA FENELON BARRETO

CIRANDA FEMININA NA MATA SUL - Um grande evento aconteceu nesta quinta-feira, 1º de março, na Biblioteca Fenelon Barreto: o lançamento do livro Cirandas feministas na Mata Sul: uma luta em movimento, publicação da SOS Corpo, uma obra coletiva coordenada Analba Brazão e Simone Ferreira, trazendo trabalhos como Nós fizemos história pra ficar na memória e nos acompanhar, de Simone Ferreira; Articulando o enfretamento à violência, de Eliane Nascimento e Magal Silva; Mulheres de garra e coragem, de Alexasandra Maria Bezerra da Slva, Eliane Nascimento, Flavia Roberta e Zeza Bezerra; Lutas, desafios e conquistas, de Edilma Aquino, Edvânia de Paula e Vanessa Silva; Educando para transformar, de Alda Moura, Janeceli Maria da Silva, Marcela Cristiana Santos da Silva e Tattyanne Elly; Lutando pelo fim da violência, de Graça Queiroz e Wullima Gonçalves; Pelos direitros das mulheres no campo e na cidade, de Solange Rego, Cristiane Maciel, Benedita Ferreira e Edilene Maia (Rosa); Loucuras contra a violência na Mata Sul, de Janikelle Maria da Silva e Theóphila Lucena; e Tecendo redes pelo fim da violência, de Analba Brazão Teixeira. Trata-se da reunião de depoimentos e estudos, com o objetivo de tornar pública a realidade de luta das mulheres na Mata Sul pernambucana. O evento foi promovido pela Articulação de Mulheres da Mata Sul, sob a condução de Eliane Nascimento, Alexsandra Bezerra e Maria Solange do Rego, com apoio da Semed-Palmares e da Biblioteca Fenelon Barreto. Como aqui eu empunho o mote de que o melhor do Dia do Homem é saber que Todo Dia é Dia da Mulher, glosando uma campanha iniciada em 2004, pelas amigas Mirita Nandi, Ana Bia Luz e a saudosa Derinha Rocha, e que nos últimos tem sido não só bandeira deste espaço, como também manifestação de apoio às causas femininas, registro em foto tudo que aconteceu durante o lançamento na fanpage Todo Dia é Dia da Mulher. Tal iniciativa traz o resultado das lutas e conquistas das mulheres que, inclusive, tenho registrado na minha palestra realizada desde 2008, História da Mulher, em faculdades, escolas, instituições públicas e organizações em geral, abordando a trajetória da mulher desde os primórdios da humanidade até o momento atual, resultando de pesquisa realizada nos últimos trinta anos, culminando com as lições por elas expressadas na comunhão dos seus propósitos, nas quais, ao defenderem suas causas, levavam além das suas reivindicações, outras conduções difusas na defesa dos direitos de todos e todas, ou seja, das crianças, dos idosos, dos excluídos, dos discriminados, e, inclusive, dos próprios homens. Exemplos esses que além da delicadeza, da maternidade, da incansável batalha e da comunhão de interesses, trazem os ensinamentos de que a vida ideal, para quem quer que seja, todos e todas, é pela via da comunhão, parafraseando Paulo Freire: Ninguém se liberta sozinho; ninguém liberta ninguém; o ser humano se liberta em comunhão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, pianista, musicólogo e pedagogo Amaral Vieira: Recital Piano Tokyo Metropolitan Art Theatre, Songs fromm my heart & Song fo solidarity; da saudosa violonista, cantora e compositora Rosinha de Valença (1941-2004): Ipanema Beat, Um violão em primeiro plano & Ao vivo; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Todas as belezas contêm, assim como todos os fenômenos possíveis, algo de eterno e algo de transitório, de absoluto e de particular. A beleza absoluta e eterna inexiste, ou melhor, é apenas uma abstração empobrecida na superfície geral das diferentes belezas. O elemento particular de cada beleza vem das paixões, e como temos nossas paixões particulares, temos nossa beleza particular [...]. Pensamento do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867), extraído da biografia Baudelarie (LP&M, 2010), de Jean-Baptiste Baronian. Veja mais aqui.

A OBRIGAÇÃO DE SUPORTAR – [...] A rapidez da mudança e a velocidade com que novas situações se criam acompanham o ritmo impetuoso e insensato do Homem, ao invés de acompanhar o passo deliberado da Natureza. A radiação, agora, não é mais apenas a radiação, de plano secundário, das rochas; nem é mais o bombardeio dos raios cósmicos, e menos ainda os raios ultravioletas do Sol, que já existiam antes que houvesse qualquer forma de vida sobre a Terra. A radiação, agora, é criação não-natural (sic) dos malfazeres do Homem como o átomo. As substâncias químicas, em relação às quais a vida é solicitada a efetuar os seus ajustamentos, já não são mais meramente o cálcio, o silício e o cobre, juntamente com todo o resto dos minerais lavados pelas chuvas, e por elas levados para longe das rochas, a caminho dos rios e dos mares; tais substâncias são as criações sintéticas do espírito inventivo do Homem; são substâncias compostas nos laboratórios, e que não têm as contrapartes na Natureza. [...] Entre tais substâncias, figuram muitas que são utilizadas na guerra do Homem contra a Natureza. [...]. Trechos extrados da obra A primavera silenciosa (Melhoramentos, 1962), da bióloga marinha, escritora, cientista e ecologista estadunidense Rachel Carson (1907-1964), trazendo entre tantas subjetividades a reflexão sobre o peso que terá que carregar em torno das ações insustentáveis na transformação do mundo. Veja mais aqui.

O DESERTO DO AMOR - [...] Aquele corpo que estava ali, aquela fonte carnal dos seus sonhos, dos seus devaneios desolados, dos seus deleites, já não suscita nele senão uma curiosidade intensa, uma atenção decuplicada. A doente falava agora sem delirar, mas com abundancia: o doutor admirava-se ao ver que Maria, cuja locução era comumemnte tão sempre as encontrava, se tornasse de súbito quase eloqüente, atingisse sem esforço a expressão mais adequada, o termo erudito. Que mistério pensava ele, esse cérebro a que um choque decuplica o poder! [...]. Trecho extraído da obra O deserto do amor (Delta, 1966), do escritor francês & Prêmio Nobel de 1952, François Mauriac (1885-1970).

TRÊS POEMAS – O CAMINHANTE – O caminhante, / ao perceber a estrada da verdade, / foi assaltado de admiração. / Estava coberta de grama selvagem. / “Ah! Declarou: / “Vejo que por aqui ninguém passou ; há muito tempo”. / E viu mais tarde que era toda a grama / singular faca. / “Bem”, murmurou por fim consigo mesmo, / “Sem dívida haverá outras estradas”. UM SÁBIO – Veio um dia um sábio a mim/ e disse eu sei o rumo, venha! / Fiquei mais que alegre. / Juntos nos apressamos. / Credo, muito cedo, chegamos / onde os meus olhos eram inúteis. / Eu não sabia o caminho dos meus pés; / Agarrei-me à mão do amigo. / Por fim exclamou: / “Estou perdido”. VI UMHOMEM PERSEGUINDO O HORIZONTE: Vi um homem perseguindo o horizonte. / A toda velocidade rodava e rodava. / Perturbado com isso / aproximei-me do homem. / “É inútil, disse, / não conseguirá”. – “Você mente”, gritou, / e partiu novamente. Poemas do poeta e jornalista estadunidense Stephen Crane (1871-1900).

NAVALHA NA CARNE
(Os dois riem). Zé: Daí, no dia seguinte, fui trabalhar. Cheguei lá, recebi o bilhete azul. Puta sacanagem. Nina: A gente nunca podia imaginar. Zé: Claro que eu ouvia falar que ia ter corte. Mas, pombas! Nunca pensei que ia embarcar nessa canoa furada. Pensei que spo iam chutar os outros. Eu nunca perdia dia de serviço. Trabalha direito. O mestre estava contente comigo. E tinha uma porrada de mau elemento lá. Mas não quiseram nem saber. Mandaram todos pras picas. Nina: Paciência. Zé: O pior é que michou a televisão. Nina: Não vamos morrer por causa disso. Zé: Mas eu queria tanto te dar uma. Nina: Quando você puder, você dá. Zé: Amanhã vou me bater por ai. Tenho que dar uma sorte. Nina: Vai firme que Deus há de ajudar a gente. Zé: Eu só não me entrego porque você sempre acredita. Isso me joga para frente paca. Poxa, Nina, como você é positiva. Você bacana pra chuchu. Nina: Sou tua mulher, Zé. (Zé abraça Nina e luz apaga devagar).
Trecho extraído da peça teatral Navalha na carne (Circulo do Livro, 1978), do escritor, ator, jornalista e dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999). Foi transformada em filme em 1997, num drama escrito e dirigido Neville d’Almeida, com destaque para atuação de Vera Fischer. Veja mais aqui.

Veja mais:
O sonho de infância &os dissabores da vida, o teatro de Eurípedes, a música de Diná de Oliveira, a pintura de Mohammed Al-Amar, a arte de Ferenc Gaál, Crônica de Amor por Ela & Todo dia é dia da Mulher aqui.
As mulheres soltam o verbo, o verso & o sexo porque todo dia é dia delas aqui.
William Shakespeare, Émile Zola, Giovani Casanova, Federico Fellini, Emmylou Harris, Hans Christian Andersen, Harriet Hosmer, Max Ernst, Raínha Zenóbia & Os contos de Magreb aqui.
Literatura e História do Teatro aqui.
Pequena história da formação social brasileira, de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na Filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
Norberto Bobbio e a teoria da norma jurídica aqui.
Como se faz um processo, de Francesco Carnelutti aqui.
As misérias do processo penal, de Francesco Carnelutti aqui.
Boca no trombone aqui.
Todo homem que maltrata uma mulher não merece jamais qualquer perdão aqui.
Teóphile Gautier, Ricardo Machado, Neurodesenvolvimento & transdisciplinaridade aqui.
James Baldwin, Naná Vasconcelos, Raul Villalba, Wanderlúcia Welerson Sott Meyer, Ronald Augusto, Monique Barcello & Lia Rosatto aqui.
A literatura de Antonio Miranda aqui.
Biziga de amor & Programa Tataritaritatá aqui.
O Teatro da Espontaneidade & Psicodrama aqui.
Walt Withman, Mariza Sorriso, Holística, Psicologia Social & Direito Administrativo aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
O Trabalho da Mulher aqui.
Saúde da Mulher aqui.

II PRÊMIO LEITOR DESTAQUE FENELON BARRETO
Entrega da premiação à leitora Cíntia Mendes da Silva, contemplada com o Prêmio Leitor Destaque, da Biblioteca Fenelon Barreto.

DOAÇÃO DE LIVROS
Doação de livros do escritor e médico Arlindo Gomes Sá, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES), junto com sua esposa Tânia Griz Gomes de Sá, para a Biblioteca Fenelon Barreto, na pessoa do seu diretor João Paulo de Araujo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

quinta-feira, março 01, 2018

SIENKIEWICZ, BURFORD, CASTAÑEDA, MILLÔR, DELEUZE, BERGSON, TONINHO HORTA, RUTH KLIGMAN, HARBSMAIER, IKUKO KAWAI, MULHERES & INCLUSÃO

É DUM DIA PRO OUTRO QUE A GENTE VAI VIVENDO – Imagem: arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). - UMA: DO MUITO QUE APRENDI PRO NADA QUE SEI - Muito aprendi na vida! O resultado? Qual Sócrates, aprendi nada de nada, desaprendi para aprender. Sim, tive que desaprender de tudo, nada do que tinham garantido por líquido e certo, apenas parecia, jamais seria verdadeiro. O que me deram por definitivo, era só efêmero. O que me disseram por eterno, era para lá de falso ou, no máximo, instantâneo, triz, já era, areia ou nuvem levada ao vento. O que me ensinaram, quando fui ver, era o contrário, quando muito apenas o que queriam que eu soubesse do que sabiam. Ou pior: que acreditasse na mentira que inventaram. Tive por mim que brincar de certo e errado, até saber que cara ou coroa é só jogo. Daí, tive que aprender a conviver com o paradoxal e a contradição: o que é, não é; o que não é, é; ou não, talvez. Desdenhei do ortodoxo, fui até onde deu a heterodoxia e nada me satisfez porque o defendido era só ilusão ideológica, prisão do maniqueísmo na fúria sectária. Até então o que havia decorado e aprendido, na prova dos nove, valia nada, zero na estaca. Tive que me refazer dentro do desconforme, e me reinventar fora dos moldes, ousar e renascer fora do convencionado. Por consequência, o que eu tinha por direito, foi tomado; o que tinha por meu, não era, sabia que nem nada nem ninguém poderiam ser de quem quer que fosse. Aí duvidei de tudo, graças a Deus! E não queria apenas mais o que ouvia meus ouvidos, ou o que tocava às minhas mãos, ou saboreava minha boca, ou cheirava meu olfato, sabia já a lição que os olhos me negavam, pois para que eu veja não preciso de olhos abertos e para que eu ouça não preciso ouvir o que dizem e para que eu diga não preciso falar e para que eu saiba dos cheiros não preciso senti-lo pelo nariz, foi o que me ensinou William Blake: Ver um mundo em um grão de areia e um céu numa flor selvagem, é ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora. Não preciso de nada, nem preciso ser nada, nem saber nada, sou o que me basta e voo além. OUTRA: ZÉ-CORNINHO & A COMADRE MORTE – Zé-Corninho parece que não tinha mais um pingo de juízo pra remédio. Achando pouca a bruguelada, inventou de emprenhar a mulher e aumentar a filharada. O problema era arrumar padrinho, ninguém queria ser mais seu compadre. Os nascidos eram todos devidamente batizados e apadrinhados, uns trinta e três, acho, coisa que ele não acertava contar, depois dos quinze parecia que tinha mais e se perdia recontando. Danou-se! Era uma tuia de menino, dizem que nenhum dele de mesmo, tudo resultado da infedilidade das ditas esposas dele que fugiam no cangote de outros amantes. E como ele já tinha pra mais de dez casamentos, nem ele sabe, todas embuchavam e sacudiam os recém-nascidos nas costas dele pra criar. É tudo filho meu legítimo!, bate até hoje ele o pé, ninguém acredita e deixam pra lá. Acontece que o caçula estava para rebentar e sem padrinho arranjado pro batismo. Ele saiu angariando a um e a outro, todos se recusaram. Será possível? Ele não desistiu e saiu de porta em porta até estrada afora quando bateu de frente com a Morte. Olá, comadre, como é que vai? Vou bem, e você? A senhora, por um acaso, não aceitaria ser minha comadre batizando meu filhinho caçula? Claro que aceito, vamos fazer uma grande festa e garantir o melhor futuro pra ele! Oba! E assim foi, no dia certo, a parteira anunciou mais um pra coleção do Zé. A festa corria solta quando a Morte chamou o compadre do lado e cochichou: Agora vamos garantir o futuro da criança, você ficará rico, vai curar gente, só você me verá e, então, diante de um doente, se eu estiver na cabeceira é que vai ser curado; se eu estiver no pé da cama, é caso perdido. Certo e ajustado, lá foi Zé-Corninho curando o povo e ficando rico. Um dia lá um ricaço estava pagando uma fortuna para salvar o filhinho dele e quando Zé chegou lá, a comadre estava no pé da cama. Eita! Zé resolveu passar a perna na comadre, mandando virar a cama de ponta cabeça e a comadre ficou na cabeceira, obrigada a salvar. A Morte ficou possessa de raiva e jurou se vingar. Um dia lá a comadre resolveu pegá-lo na virada e foi convidá-lo para ir na casa dela: Eu vou, mas só se você garantir que eu volto. Garanto. E foram. Lá chegando Zé se deparou com um bocado de vela pelo chão, uma atrás da outra, encarreada. O que é isso, comadre? É a vida das pessoas na terra. Eita! Essa é do seu amigo fulano, aquela da sua amiga sicrana, essa outra do seu vizinho beltrano, e no meio da coisa Zé ficou curioso pra saber da sua: Qual? Aquela. Vixe! Um toquinho já se apagando. Ah, comadre, mas a senhora prometeu que eu voltaria. E vai voltar. Lá estava Zé em casa, morre mas num morre, até que fez um último pedido: Permita, comadre, que eu reze um Pai-nosso antes de morrer. Concedido. E ele começou a rezar e parou. Vamos, conclua a reza! Agora não, a senhora prometeu que eu só morreria quando terminasse a reza, só vou findar daqui uns cem anos. A Morte saiu injuriada, Zé estava sabido que só e passou-lhe a perna pela terceira vez. Aí um dia lá, anos e mais anos, Zé teve um desgosto danado e disse: Ah, só queria morrer agora pra não ver uma desgraça dessa! Mal terminou de dizer e a comadre já estava toda feliz do lado dele: Agora você me paga, compadre! Calma, comadre, eu não disse quando, só falei que queria e não quero, ora, ora. Rasgou a boca de novo. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta: Foot on the road, Durandi Kid 1 & 2; da violinista japonesa Ikuko Kawai: Jupiter form de Symphony The Planett, Exodus & Sun Flower; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Tu não podes ver o que não podes explicar. Trata de esquecer de tuas explicações e começarás a ver. [...]. Trecho extraído da obra A erva do diabo: as experiências indigenas com plantas alucinógenas reveladas por Dom Juan (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998). Veja mais aqui e aqui.

OUTRA PRO DIA – Devemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles, estaríamos hoje falando tupi-guarani, língua que não entendemos. Uma das muitas do escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui.

SACADA: O QUE NÃO DIZ NADA, DORME! - Um behuana (nativo da atual Botsuana, na África meridional) perguntou um dia que eram aqueles objetos sobre a mesa. Quando lhe foi dito que eram livros, e que esses livros contavam novidades, levou um deles ao ouvido e, como não ouviu nenhum som, disse: “Este livro não está me dizendo nada”. Pondo-o de novo sobre a mesa, comentou: “Será que está dormindo?”. Extraído da obra Invention of writing (Unwin Hyman, 1988), de Michael Harbsmaier.

COISAS DO SER HUMANO - [...] Nenhuma divindade, ninguem mesmo, a não ser um invejoso, se compraz com a minha impotência e com o meu desgosto, e toma por virtude as lágrimas, os soluços, o temor e outras coisas do mesmo gênero que são o sinal de uma alma impotente; mas, pelo contrário, quanto maior é a alegria que nos afeta, maior é a perfeição a que passamos, isto é, tanto mais participamos , necessariamente, da natureza divina. Por conseguinte, usar as coisas e delas extrair o maior prazer possível (não, é claro, até a saciedade, pois isso já não daria prazer) -, eis o que é próprio do homem sábio...Os supersticiosos, que gostam mais de censurar os vícios do que ensinar as virtudes, e que não se aplicam a conduzir os homens pela Razão mas a contê-los pelo temor, de tal modo que evitem mais o mal do que amem as virtudes, não pretendem outra coisa senão tornar os outros tão infelizes como eles próprios são; deste modo, não é de admirar que eles sejam, o mais das vezes, insuportáveis e odiosos aos outros homens. Trecho extraído da obra Espinoza e os signos (Rés, 1989) do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui.

DEPOIMENTO INCLUSÃO – A inclusão é possível, sim, mas desde que todos se adaptem, pessoas com deficiência e sem deficiência. Não há dicotomia: nem só a sociedade se adapta ou só os portadores de deficiência. [...] É, principalmente, uma questão de educação, de formação. [...] Porque é difícil: o ser gumano não sabe lidar e não sabe tratar com o que não conehce; sua tendência é agredir. É também necessário estar sempre trabalhando poara o preparo emocional de todos, pois há uma tendência ao boicote, da pessoa portadora consigo mesma e dos outros em relação a ela. [...] Porque é conversando, abordando, falando que essas questões serão desmistificadas, e a sociedade poderá se tornar inclusiva. Trecho de Um depoismento sobre Inclusão, de Gabriela de Chevalier, portadora de hemiparisia, formada em História e Design & Estilo, extraído da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 2009), organizado por Rosane Carneiro, Nely Wyse Abaurre, Monica Armon Serrão et al. Veja mais aqui e aqui.

A EVOLUÇÃO CRIADORA - [...] Todos os seres vivos estão ligados, e todos cedem ao mesmo formidável impulso. O animal tem a planta como ponto de apoio, o homem cavalga na animalidade, e a humanidade inteira, no espaço e no tempo, é um imenso exercito que galopa ao lado de cada um de nós, à frente e atrás de nós, numa arremetida capaz de vencer todas as resistências e de atravessar todos os obstáculos, talvez até a morte. [...]. Trecho extraído da obra A evolução criadora (Delta, 1964), do filosofo francês Henri Bergson (1859-1941), Prêmio Nobel de 1927. Veja mais aqui.

DEVEMOS SEGUI-LO - [...] Cina ainda era demasiado moço para que a vida para ele perdesse toda atração. E a filha de Timão, Antéia, acabou por deixá-lo totalmente escravizado. Anteia não era menos formosa que seu pai, em toda Alexandria. [...] Timão não permitia que ela vivesse encerrada em um gineceu, como as demais mulheres. Dera-lhe uma instrução tão alta quanto podia. [...] Era companheira de Timão em todas as elucubrações. [...] O velho sábio amava-a enternecidademente. [...] Quando Cina a viu, pela primeira vez, teve impetos de erigir para ela um altar no atrio de sua casa e sacrificar pombos em sua honra. Havia conhecido inúmeras mulheres em toda sua vida. Desde as jovens do norte, cujos cílios tinham a cor do trigo maduro, até as da Numídia, negras como as lavas. Mas, até ali, jamais havia encontrado tal beleza nem tão pura alma. Quanto mais a via, mais a admirava. Quanto mais a ouvia falar, mais supreendido ficava. De tal forma se sentia enfeitiçado pelo seu encanto que, às vezes, embora nãoa acreditasse em deuses, surpreendia-sae pensandop que talvez Anteia não fosse filha de Timão e sim de algum deus. [...] Anteia era diferente de outras mulheres. Desejou que fosse sua, para poder adorá-la. Para obter tal favor estava pronto a dar a própria vida. Para ele, valia mais ser pobre, junto dela, do que ser poderoso como César, sem ela. O amor apossou-se dele com a mesma força com que um remoinho se apoderava de quem se aproxima de seu circulo. De tal forma o dominava, que absorvera seus pensamentos, sua alma, seus dias e suas noites. Nada mais existia para Cina senão o amor por Anteia. Por fim, Anteia também se sentiu atingida pelo mesmo sentimento. [...]. Trecho do conto Devemos segui-lo, extraído da obra O faroleiro & outros contos (Delta, 1962), do escritor polaco & Prêmio Nobel de Literatura de 1905, Henryk Sienkiewicz (1846-1916).

DOIS POEMAS – ESTRELA: Estrela / companheira / se és compassiva / conosco irás junto / este ano e vamos vê-la / na glacial distância inteira / brilhante viva / a teus pés muitos. O FOGO: Nestes dias de inverno / a lareira acendemos: / sçao dois seres somente / a fazer sacrifício. / O nosso combustível: / os jornais deste dia ; frio devem servir / colaunas de palabras / e homens no local / escuro onde arde o fogo. / E colhemos então / e gentilmente pomos / as estilhas de pau / que nos restam, até / havermos erigido / uma espécie de pira / e tumba para a coisa / pesada a levantamos / nos braços, oferenda / ou criança, e a pomos / sobre as barras de ferro / junto agora acendemos ; e a besta salta viva / e ficamos de pé / sangrando com a luz. Poemas do poeta modernista estadunidense William Burford.

CIRANDA FEMININA NA MATA SUL
Acontecerá nesta quarta, às 10hs, na Biblioteca Fenelon Barreto, o lançamento do livro Ciranda feminista na Mata Sul: uma luta em movimento, publicação desenvolvida sob a coordenação do SOS Corpo e promovida pela Articulação de Mulheres da Mata Sul, sob a condução de Eliane Nascimento, Alexsandra Bezerra e Maria Solange do Rego. Veja mais aqui.

Veja mais:
Crônica de amor para ela, Senhora Magdala de José Condé, Magdalena de Pablo Milanés & Joaquín Sabina, Fonte, a arte de Ruth Kligman & Todo dia é dia da mulher aqui.
O Trabalho da Mulher aqui.
Saúde da Mulher aqui.
Kid Malvadeza aqui.
Tzvetan Todorov, Oduvaldo Vianna Filho, Os epigramas de Marcial, Jacques Rivette, Frédéric Chopin & Artur Moreira Lima, Sandro Botticelli, Carmen Silvia Presotto & Egumbigos no país dos invisíveis aqui.
Antonio Gramsci aqui.
Fecamepa, Psicologia Escolar, Sonhoterapia, Direito & Família Mutante aqui.
O Monge & o executivo, Neuropsicologia, Ressocialização Penal &Educação aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade e Educação Sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação, Direito Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Aids & Educação aqui.
Sincretismo Religioso aqui.
Racismo aqui.
Levando os direitos a sério de Ronald Dworkin aqui.
Ética & moral aqui.
A luta pelo direito de Rudolf Von Ihering aqui.
Abuso sexual, Sonhos lúcidos, Antropologia & Psicologia Escolar aqui.
Cândido ou o otimismo de Voltaire aqui.
A liberdade de Espinosa aqui.
Cantarau Tataritaritatá: vamos aprumar a conversa aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ARTE DE RUTH KLIGMAN
A arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...