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quarta-feira, janeiro 31, 2018

CLARICE, ROSEMONDE, THOMAS KUHN, BASIL BERNSTEIN, ANTONIO MADUREIRA, MIRIAM LEMLE, ROSANA PAULINO, YARA, JULES FEIFFER & THATHI

XEMENEXEM ENCARNA QUIXOTE! -  Imagem: As filhas de Eva (2014), da artista visual Rosana Paulino. - Xemenxem despertou atordoado com a abertura das cortinas para entrada do dia e a faxina que a funcionária realizava no seu quarto. Olhos aboticados de zarolho, ele deu de cara logo com o bundão da serviçal quase na sua venta, remexendo o corpo com a varrição e nas coisas para arrumação. Boquiaberto pensava consigo: Isso é que é um desmantelo de mulher. Espichou o pescoço e conferiu dos pés à cabeça: Essa camareira é de endoidar um, vai ser gostosa assim aqui na minha cama. Como se seu pensamento falasse em voz alta, logo ela se virou: Ah, acordou, bonitão? Seu quarto já está pronto, roupa limpa e lavada na gaveta e, quando quiser, pode descer pro café da manhã. Mais arregalado ficou quando viu os seios fartos no decote, de ficar imóvel de boca aberta por um bocado de tempo. Ela então balançou as mãos às vistas dele para ver se olhos piscavam e ele lá, imobilizado pelo impacto daquele corpanzil sedutor. Ei, quer se levantar para eu arrumar a cama? Posso não, enfermeira. Como não pode? Estou em estado interessante. Como assim? Ele se encolheu abraçado nos joelhos ao peito, insistindo: Posso não! Vamos, homem, é hora do café da manhã. A tesão do mijo não deixa. Ah, safadinho, você é bonitão, vou buscar lençol e fronha enquanto você se recupera. E saiu. Ele apressou-se pro sanitário, deu uma mijada demorada, aliviando-se. De repente ela entra, invade o banheiro para pendurar a toalha, ao vê-lo indefeso protegendo os seus guardados, havia sustado a micção e estava segurando com tudo de fora. Ela passou um rabo de olho e saiu. Ufa! Foi por pouco, hem? Acalmou-se e urinou por uns dez minutos ininterruptos. Eita! A bexiga estava cheia, hem? Agora, sim, posso ir pro café da manhã. Cheirou as axilas, os braços, as mãos, os pés, a cueca, nada fedia, então foi. Desceu a escadaria e ao chegar à praça da alimentação, deparou-se com uma multidão: Isso é gente como a praga! O hotel deve ser dos bons mesmo. E desceu, entrou na fila olhando os demais hóspedes, todos de pijama como ele, escolhiam sua comida. Depois de um bom tempo, chegou sua vez: Hummmm, cuscuz, salsichas, queijo, pão, café com leite, ah, posso vir depois buscar mais? Pode. Então tá. Pegou a bandeja e dirigiu-se para a primeira mesa vazia, bateu palma, psiu e gritou: Atenção, todos! Senhoras e senhores, ladys e gentlemans! Fez-se silêncio. Ham, ham. Pra quem não me conhece - pigarreia, imposta a voz: Sou Jerry Xemenexem! Aplausos. Uma jovem levantou-se aplaudindo: Nome de artista, hem? Mais aplausos. Sim, sim, obrigado. Mais aplausos. Obrigado. Sou cantor, compositor, ator e cineasta, por enquanto, para não abusar dos meus dotes artísticos. Aplausos. Obrigado, obrigado. Estou nesse hotel para selecionar elenco pro meu próximo filme. Os interessados, comparecerem ao apartamento 37, para os testes. Obrigado, bom apetite e um bom dia para todos. Obrigado. Foi uma gritaria: Eu! Eu! Eu! Eu! Eu! Eu! Calma, minha gente, tem espaço para todos no elenco. Só a partir das 11 horas que começo os testes, daqui pra lá, comam bem e estejam prontos. Saravá! E encarou a comilança, repetindo o prato umas três vezes e só não mais pela quarta, porque um dos cozinheiros fez uma cara feia e ele resolveu recolher-se ao seu quarto. Mal se deitou, entrou uma senhora já de idade, muito simpática, risonha e acompanhada duns 15 gatos. Bom dia. Bom dia. O senhor é? Sou Jerry Xemenexem, seu criado ao dispor. Ah, nome de artista. E sou mesmo. Muito bem. O que o senhor mais gosta? Na verdade, o que mais gosto é de cantar, mas componho, filmo, atuo, faço de tudo um pouco, sou multiuso. Muito bem. E pra comer? Adoro galinha guisada, meu prato preferido. De si para si, pensou: Ah, deve ser a nutricionista, hotel dos bons mesmos. Enquanto pensava, ela falou abrindo um caderno de anotações tirado do bolso: Conte-me sua vida... aí ele debulhou que era um entre 29 irmãos, 9 da mãe dele – santa dona Zefinha, veneração genuflexa com todas as orações dos céus e da terra  -, 13 da Lurdinha e 7 da Valdinete, todos irmãos por parte de pai. Isso não é um pai, é um garanhão fodedor! Gostei do nome, quando eu comprar minha Ferrary, vou apelidá-la de garanhão fodedor. Ah, mas continuando: que dessa tuia de irmãos, 16 são fêmeas de honrar as saias – tem uma que é bem doidinha, sei não, e 4 são meninas ainda - e os demais, uns machos e outros nem tanto assim, porque 5 são franguinhos ainda, afora dois que dão sinais de desmunhecar mesmo. Como é o nome do seu pai? Zé Xemenexem, mas só o chamam de Zé Flor, não sei por que, pois ele catinga que só, não sei como elas aguentam a fedentina, mas deve ser por ser aquele que tem três maridas, coisas de apelido mesmo. Você não gosta dele? Bem, gostar de mesmo, muito não, ele é rude, trata a gente na base do tapa-olho, bofete no maluvido e dedada no furico. As meninas, também? Oxe, não escapa umazinha sequer! O prazer dele é enfiar o dedão no cu de levantar a gente pra balançar as pernas soltas no ar e depois ficar cheirando o dedo, amolegando a peia. E olhe que o dedão dele é daqueles bem engrossado, viu? É quando ele dá risadas de gargalhar. Afora isso, é todo bruto a dar lapadas, cascudos, beliscões e corretivos em quem passar por perto. E a sua mãe? Ah, a minha mãe é uma santa. E as outras duas? Ah, são de lua! Um dia de careta, dois de xingamentos e, uma vez na vida, os dentes abrem, mas não muito, logo piram e viram o diabo. Sei. O senhor tem algum problema? Tenho. Qual é? Queria ter um dinheirinho pra comprar cigarro, a senhora empresta? Ela meteu a mão no bolso do jaleco, puxou duas cédulas e entregou pra ele. Obrigado, minha senhora, sou-lhe devedor pro resto da vida. De nada. Agora descanse pro almoço, amanhã a gente se vê nessa mesma hora. Bom dia. Mal ela saiu, apareceram dois olhos na beira da porta, que se escondiam e reapareciam. Entre. Pareciam brincar. Ele levantou-se e pegou o brincalhão pelas orelhas: Diga. Eu vim pro teste do cinema. Ótimo, como é seu nome? Napoleão. Muito bem, Napoleão, o que você faz da vida? Nada. Como nada? Sou o imperador, Napoleão Bonaparte. Ah, tá. Só isso? Posso ser Dom Pedro I, quer? Não, basta ser Napoleão mesmo. Já fez cinema? Bem, fazer de mesmo, não, mas eu corria na rua e meu primo batia umas fotos pruns monóculos, quer ver? Não. Já está quase na hora do almoço, enquanto isso me conte sua vida de artista. E saíram confabulando quando uma bela jovem esbarrou nele, ao se virar ele imaginou estar diante de uma dessas atrizes excêntricas com vestes estranhas – na verdade, ela estava descalça, descabelada e enrolada nos lençóis -, tudo fazendo crer uma grande atriz. Ela esticou o pé e levantou a perna, e ele: Pés de atriz, pernas de atriz, joelhos de atriz – aí ela soltou o vestido impedindo de que ele continuasse a examinar, esticando o braço e expondo a mão, e ele: dedos de atriz, mãos de atriz, pulso de atriz, braço de atriz, até muque de atriz ela tem, está vendo Napoleão? Ela fechou os braços e ele: Cabelo de atriz, testa de atriz, bochechas de atriz, olhos de atriz, nariz de atriz, lábios de atriz e... Ela fazia biquinho pra ele e, não teve dúvidas, foi lá e deu uma bitoca nela, dele tomar um susto na hora! O que é que é isso, meu Deus? Não é uma atriz, é uma deusa, é a Dulcineia del Toboso, a dona do meu coração. Fez uma mesura cavalheiresca e, qual Dom Quixote, convidou-a pra jantar! Ela aceitou. Então vamos, deram-se os braços e Napoleão acompanhou-os como se fora Sancho Pança. Sentaram-se elegantemente e ficaram aguardando o atendimento, ninguém apareceu. Sancho, meu fiel escudeiro, procure um garçon para nos servir e diga que não atrasem com a ceia. Mas, meu mestre, ainda não é nem meio-dia? Não discuta, Sancho. Com a saída de Sancho, ela se levanta com um olhar tentador, abre o vestido e mostra-se completamente nua. Ele não resistiu e voou em cima dela, vuque-vuque ali mesmo, impado, chamego, ali deitados no chão, dela estremecer toda, gritar enloquecida até desmaiar. E ele resfolegante, inquieto no maior ajeitado, estertorando numa tremedeira braba, sentiu gozar depois de semanas e meses na secura das mãos, saçaricando em cima dela, empurrando-se, espremendo-a, cavoucar, pelejar, e no maior estupor, quedou vertiginosamente até cair duro espalhado sobre ela e ali, sobre o macio dela, rendeu-se em sono profundo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o violonista, maestro e compositor Antonio José Madureira: Violão, Instrumentos populares do Nordeste & Rosa Armorial; a cantora, compositora, guitarrista e multi-instrumentista Thathi: Recomece, Um dia a mais & Jardim japonês; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA –[...] Tal como os artistas, os cientistas criadores precisam, em determinadas ocasiões, ser capazes de viver um mundo desordenado [...] essa necessidade [...] é a “tensão essencial” implícita na pesquisa científica. [...]. as mudanças de paradigma realmente lebam os cientistas a ver o mundo definido por seus compromissos de pesquisa de uma maneira diferente. Na medida em que seu único acesso a esse mundo dá-se através do que vêem e fazem, poderemos ser tentados a dizer que, após uma revolução, os cientistas reagem a um mundo diferente. [...]. Trechos extraídos da obra A estrutura das revoluções científicas (Perspectiva, 1998), do físico e filósofo da ciência estadunidense Thomas Kuhn (1922-1996). Veja mais aqui.

USO DA LÍNGUA NA ESCOLA – [...] A sua missão não é a de fazwer com que os educandos abandonem o uso de sua gramática “errrada” para a substituírem pela gramática “certa”, e sim a de auxili´-alos a adquirirem, como se fora uma segunda língua, competência no uso das formas lingüísticas da norma socialmente prestigiada, à guisa de um acrescimento aos usos lingüísticos regionais e coloquiais que já domunam. A noção essencial aí é a de adequação: existem usos adequados a um dado ato de comunicação verbal, e usos que são socialmente estighmatizados quando usados fora do contexto apropriado. A comparação com as regras de uso de vestimenta é esclarecedora: assim como difere o tipo de roupa a ser usada segundo o tpo de ocasião social, também diferem segundo a ocasião social as características da linguagem apropriada. Ficam socialmente estigmatizados os falantes inadimplentes às regras tácitas do jogo, tal como as pessoas que não cumprem as convenções sociais. Trecho de Heterogeneidade dialetal: um apelo à pesquisa (Tempo Brasileiro, abr/sey, 1978), da linguista e professora Miriam Lemle. Veja mais aqui.

MONÓLOGO DE POPULAREu pensava que era pobre. Aí, disseram que eu não era pobre, eu era necessitado. Aí, disseram que era autodfesa eu me considerar necessidade, eu era deficiente. Aí, disseram que deficiente era uma péssima imagem, eu era carenta. Aí, disseram que carente era um termo inadequado. Eu era desprivilegiado. Até hoje eu não tenho um tostão, mas tenho já um grande vocabulário. Extraído de cartum do humorista, escritor, cenógrafo e cartunista estadunidense Jules Feiffer. Veja mais aqui.

MÃE & FILHO NO ÔNIBUSPrimeiro diálogo - Mãe: Segure firme, querido. Criança: Por quê? Se você não segurar, vai ser jogado para a frente e vai cair. Por quê? Porque se o ônibus parar de repente, você vai ser jogado no banco da frente. Por quê? Agora, querido, segure firme e não crie caso. Segundo diálogo - Mãe: Segure firme. Criança: Por quê? Segure firme. Por quê? Segure firme. Por quê. Você vai cair. Por quê? Eu mande você segurar firme, não mandei? Trecho da obra Estrutura social, linguagem e aprendizagem (Queiroz, 1982), do sociólogo britânico Basil Bernstein (1924-2000).

O PRIMEIRO BEIJO –[...] De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro hole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos. Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estatua fitando-o e viu que era a estatua de uma mulher e que era a boca da mulher que saia a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água. E soube então que havia colado sua boca na boca da estatua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra. Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia-se intrigado: mas não é de uma mulher que sai o liquido vivificador, o liquido germinador da vida... olhou a estátua nua. Ele a havia beijado. [...] Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido. Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil. Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele... Ele se tornara homem. Trechos extraídos da obra O primeiro beijo & outros contos: antologia (Ática, 1995), da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Veja mais aqui e aqui.

VERSOS AO BEM AMADOSe me disseres que se pressente / o hálito sutil da borboleta / ao adejar sobre as flores; / que foi achada a sandália de cristal / que, em sua fuga, Cendrillon perdeu... / se me disseres que a poesia é prosa; / que à mulher se pode confiar segredos; / que os lírios falam; / que o azul é róseo... / se me disseres que o astro luminoso / ao vagalume rouba o seu lugar; / que o Sol não passa de uma joia rara / que a Noite usa presa em seus véus;/ se me disseres que não existe mais / uma só amora à bera das estrdas; / que as penas d’um beija-flor são mais pesadas / que as penas dum coração... / quando me falas foge a tristeza, vencida, escravizada. / Se me disseres que a Ventura existe, e que me adoras... - / Vê que absurdo, amor! / eu te crerei. Poema da poeta e atriz francêsa Rosemonde Gérard (1866-1953).

YARA: O FASCINIO IRRESTIVEL DA MULHER
Yara, linda mulher cor de jambo, de traços finos e de figura soberba, vivia passeando pelas praias do Amazonas. Gostava de banhar-se em igarapés tranqüilos e de águas claras. Os jovens seguiam para conquistar-lhe a atenção e, com a atenção, o coração. Os velhos a olhavam com olhares languidos, sabendo de antemão da impossibilidade de qualquer favor. Yara via e sentia tudo. mas se dava demasiada importância, negando-se a todos. Passva, altaneira, como se desfilasse, solitária, diante de uma multidão de admiradores.  Fazia ouvidos moucos tanto aos elogios educados de alguns quanto aos assobios atrevidos de outros. Certo dia, o sol já posto, estava a linda Yara divertindo-se inatenta nas águas corredias do igarapé que mais apreciava. O tempo corria e ela se entregava ao prazer do corpo que emergia, ainda mais fascinante, do borbulhar das águas. Eis que escutou vozes barulhentas se aproximando. Não eram de seus irmãos e irmãs da tribo. Voltando-se, viu que eram homens brancos. Falavam uma língua estranha, com sons de agressividade. Traziam botas pesadas e roupas rudes. Seus olhares eram de cobiça e não de enternecimento. Pareciam animais famintos. As vozes em sua direção se faziam ameaçadorass. Yara, feminina, tudo pressentiu. Tentou fugir. Seu corpo era escorregadio e ela ágil. Mas mãos fortes a agarraram. Eram muitas. Todas a tocavam em todas as partes. A intimidade foi ameaçada. Com violência foi jogada ao chão. as areaias, antes macias, agora pareciam espinhos. Yara foi amordaçada e imobilizada. Por fim, violada por todos, um após o outro, em fila. Yara desmaiou. Parecendo morta, foi jogada ao rio. Os homens animalizados se afastaram no escuro da mata. Fez-se noite. O Espírito das águas teve imensa pena de Yara. Acolheu seu corpo machucado. Inspirou-lhe vida e devolveu-lhe todo o esplendor de sua beleza. Mas, para que não pudesse nunca mais ser violada, transformou-a em sereia. Metade do seu corpo, a parte de cima, de mulher, fascinante, de olhos de mel e de cabelos longos luzidios. Os homens sentir-se-ão atraídos por eçla. Jogar-se-ão atrevidos e loucos às águas para agarrá-la, abraçá-la e beijá-la. Mas a outra metade do corpo, a de baixo, escondida nas águas, tem a forma de peixe. Com isso pode viver sempre nas águas como em sua casa. Conversa com os peixes grandes e pequenos, que brincam ao seu redor, beliscando-lhe inocentemente a pele cor de jambo. Mas ai daqueles que lhe quiserem fazer mal, agarrá-la com violência e arrancar-lhe o afeto. Yara os tome, firme, pelas mãos e os leva, como se estivessem enfeitiçados para as águas profundas. E nunca se ouviu dizer que alguém voltou de lá vivo.
Entraído da obra O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil (Salamandra, 2001), do escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff. Imagem: Art by Yara Damian. Veja mais aqui e aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Rosana Paulino.
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quinta-feira, junho 11, 2015

SCHOPENHAUER, EURÍPEDES, KAWABATA, BRENNAND, STRAUSS, GERALDO CARNEIRO, MAE WEST, FORTUNA, CONSTABLE & ARTETERAPIA!!!


O MUNDO COMO VONTADE DE REPRESENTAÇÃO – A obra O mundo como vontade de representação (Die Welt als Wille und Vorstellung, 1919 - Unesp, 2005), do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), é dividida em quatro livros e um apêndice da crítica da filosofia kantiana. O primeiro livro aborda sobre a teoria do conhecimento – O mundo como representação, primeiro ponto de vista: o objeto da experiência e da ciência. Nessa parte o autor considera que "O mundo é a minha representação", tendo por ideia básica a concepção filosófica de que o mundo só é dado à percepção como representação, definindo que o mundo é representação e vontade. O segundo livro trata sobre a filosofia da natureza – O mundo como vontade, primeiro ponto de vista: a objetivação da vontade. Nessa parte, o autor entende que a totalidade do mundo como representação é o espelho da vontade, só existindo na manifestação concomitante e recíproca das diferentes ideias. O terceiro livro aborda sobre a metafísica do belo - O mundo como representação, segundo ponto de vista: a representação independente do princípio de razão & a ideia platônica, objeto da arte. Para o autor, é na arte que se adquire o conhecimento da representação independentemente do princípio de razão, uma vez que ele estuda as mais diversas formas de arte procurando a demonstração de que todas elas buscam permitir o conhecimento das objetividades adequadas da vontade, das mais simples às mais complexas. O quarto livro trata sobre a ética – O mundo como vontade, segundo ponto de vista: atingindo o conhecimento de si, afirmação ou negação da vontade, no qual revela a fonte para o existencialismo e niilismo, a partir do questionamento de Hamlet: ser ou não ser? Com essa condução investiga a vida e a morte, a liberdade, conhecimento e sofrimento, a afirmação e negação da vontade, trazendo a demonstração de que a dor não se interrompe porque toda vida é sofrimento. Por conclusão, a sua filosofia entende que na vida humana as dores superam os prazeres e a felicidade é inalcançável, vez que a vida humana é má e que o mundo, em sua totalidade, é uma manifestação de força irracional como vontade de vida: “Todo querer se origina da necessidade, portanto, da carência, do sofrimento. A satisfação lhe põe um termo; mas para cada desejo satisfeito, dez permanecem irrealizados [...] a vida não admite nenhuma felicidade verdadeira”. Veja mais aqui.

Imagem: Study of a female nude, seen from behind, do pintor inglês John Constable (1776-1837).

Curtindo o álbum Also Sprach Zarathustra – Tone Poem For Large Orchestra Op. 30 (Deutsche Grammophon, 1974), do compositor alemão Richard Strauss (1864-1949), com regência de Herbert von Karajan na Berliner Philharmoniker, inspirado na obra homônima do filósofo e poeta alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aquiaquiaqui e aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? (Imagem: Fortuna – 1637, do pintor do Barroco flamengo Peter Paul Rubens – 1599-1640) Ou vamos agarrar a ocasião pelos cabelos? É o que diz o provérbio, porque oportunidade aparecida, se não for aproveitada, será bem desaparecida. Ou como diz o Corvo de Poe: Nunca mais. Ou se agarra por onde e como se possa, ou ficará: não deu, só na outra. Isso se houver outra sorte. A propósito, os gregos e os romanos, em suas fábulas, descreviam a deusa Fortuna ou Ocasião, como uma mulher nua, cega e calva, com asas nos pés, um deles sobre uma roda, ou seja a roda da Fortuna, e outro no ar. É, portanto, dificílima de agarrar. O fabulista Fedro diz que a Fortuna é calva, mas tem um tope de cabelos na testa, por onde convém segurá-la, e se uma vez escapa, Non ipse possit Jupiter reprehendere. O poeta grego Posídipo escreveu um epigrama, em que há um diálogo com a Fortuna: - Por que tua cabeleira está na testa? - Para que me agarrem quando me encontrarem. – E por trás por que Zeus te fez calva? – Para aqueles que me deixaram passar com meus pés alados não possam mais me agarrar. Também o poeta francês Tristan L ´Hermite rimou: A ocasião é calva e pronta a fugir; / assim que se oferece, deve-se agarrá-la. Já Shakespeare diz na II cena do primeiro ato da comédia As you Like It (Como quiserdes): Sentemo-nos e zombemos da fortuna com a sua roda, que seus dons serão daí em diante partilhados igualmente. Na mitologia grega Tique ou Tiquê era a divindade da prosperidade e da fortuna, destino e sorte, cuja deusa era envolvida de repleta violência arbitrária e de reveses desprovidos significados para o mundo helenístico. Entendia-se que Tique, amante cega da Fortuna, governava a humanidade com inconstância, razão pela qual se explicava as vicissitudes da época. Até o historiador grego Políbio creditou a ocorrência de secas, geadas ou enchentes à justiça de Tique. Já Sófocles, na sua peça Édipo Rei, menciona a sua crença nela como sendo sinônimo do acaso divino. O seu caprichoso poder alcançou respeitabilidade entre os filósofos, enquanto que os poetas a insultavam como uma meretriz inconstante. Na mitologia romana adotou o nome de Fortuna, identificada como a deusa da sorte, seja ela boa ou má, e da esperança. Era representada portando uma cornucópia e um timão, simbolizando a distribuição de bens e a coordenação da vida dos homens, distribuindo os desígnios aleatoriamente. Tanto é que na arte medieval ela passou a ser representada portando uma cornucópia, um timão emblemático e a roda da fortuna, presidindo sobre o circulo do destino. Entre os romanos, o dia 11 de junho era consagrado à sua veneração. E até hoje ela é almejada por muitos. E vamos aprumar a conversa aqui.

PERCURSOS EM ARTETERAPIA – A coleção Percursos em arteterapia (Summus, 2004), organizada pela Gestalt-terapeuta Selma Ciornai, traz no primeiro volume temas como arteterapia gestaltica, a arte em psicoterapia e sua supervisão, abordando as vertentes pioneiras, os fundamentos epistemológicos e filosóficos correlatos, o pensamento terapêutico, a prática e os novos paradigmas da terapia social, grupos e artepsicoterapia com crianças e adolescentes, os recursos artísticos, fotografia, entre outros. No segundo volume trata do ateliê terapêutico, da arteterapia no trabalho comunitário, integrando trabalhos plásticos e linguagens expressivas, arteterapia e história da arte, abordando temas como o resgate do universo feminino, a preparação psicológica de atletas, oficina educacional e terapêutica integrando musicoterapia, psicodrama, corpo e literatura, a criação literária, contar história como possibilidade de tecer o invisível, as emoções, o olhar poético para a história pessoal. O terceiro volume envolve a arteterapia no contexto educacional, psicopedagógico e saúde, abordando sobre a relação dialógica entre o terapeuta e o cliente, educador e aprendiz, processo terapêutico de crianças com dificuldades de aprendizagem, arte, filosofia e antropologia, arte e corpo como cura, fonoaudiologia, a cor e a emoção da linguagem, trabalho com dependentes químicos em instituição de saúde pública, profilaxia para o estresse do profissional de saúde, hemodialisart: arteterapia para pacientes em programa crônico de diálise, arte no cuidado com pacientes com HIV e câncer, arte-reabilitação em enfermaria infantil e com portadores de paralisia cerebral e vítimas de dano cerebral. Veja mais aqui e aqui.

A CASA DAS BELAS ADORMECIDAS – O livro A casa das belas adormecidas (1961 – Estação Liberdade, 2004), do escritor japonês ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Yasunari Kawabata (1899-1972), demonstra a virtuosa descritiva imbuída de um erotismo inusitado contando a história de um senhor idoso frequentador de bordel de mulheres adormecidas por narcóticos e jovens virgens, na busca dos prazeres perdidos, recheada de fantasia e rememorações. Da obra destaco o trecho: [...] Na sala de visitas, um banquete havia sido preparado para recepcionar os recém-casados. Depois de receber os cumprimentos da jovem esposa, a mãe foi à cozinha para esquentar a sopa. De lá vinha um cheiro de pargos assados. Eguchi foi ao corredor olhar as flores. A jovem esposa seguiu-o. Que lindas flores! — exclamou ela. Sim. — Eguchi, para não assustá-la, omitiu o fato de que elas não estavam ali antes. No momento em que ele olhava fixamente uma das mais graúdas, uma gota de sangue pingou de uma das pétalas. Ah! — gemeu ele. O velho Eguchi abriu os olhos. Balançou a cabeça, mas estava tonto devido ao sonífero. Tinha- se virado para o lado da garota escura. O corpo dela estava frio. Ele sentiu um arrepio. A garota não respirava. Colocou a mão no coração dela, mas não sentiu suas batidas. Eguchi pulou do leito. Cambaleou e caiu. Com o corpo todo tremendo, saiu para o quarto contíguo. Olhou à sua volta e viu a campainha ao lado do tokonoma. Apertou o botão com força durante muito tempo. Ouviu os passos na escada. “Teria eu apertado o pescoço da garota sem saber enquanto dormia?” Voltou quase engatinhando e olhou o pescoço dela. Aconteceu alguma coisa? — perguntou a mulher da casa. Esta menina está morta — os dentes de Eguchi batiam. A mulher permaneceu calma e, esfregando os olhos, disse: Morta? Não pode ser. Morta, sim. Ela não está respirando. E o pulso está parado. Enfim, a mulher empalideceu. E ajoelhou-se na cabeceira da garota escura. Não vê que está morta? A mulher levantou a coberta e examinou a garota. Senhor, fez alguma coisa a ela? Não fiz nada. Ela não está morta. O senhor não precisa se alarmar com nada... — a mulher se esforçava para se manter fria e impassível. Ela está morta. Chame logo o médico! O que a senhora deu a ela? Pode ser que ela seja alérgica. Por favor, senhor, não faça alarde! Prometo que não vamos lhe causar nenhum incômodo... seu nome nem aparecerá... Estou dizendo que ela está morta! Estou certa de que ela não morreu. Que horas são agora? Já passa das quatro. A mulher levantou a garota escura totalmente nua e cambaleou. Deixe que eu lhe ajude. Não é necessário. Há um homem lá embaixo... Mas a menina é pesada. Não se preocupe com os assuntos da casa. Volte a descansar, por favor. Ainda há uma garota. “Ainda há uma garota.” Não havia nada que ferisse mais a fundo o velho Eguchi do que aquelas palavras. De fato, no leito do quarto ao lado ainda restava a garota clara. Mas como? Não vou conseguir dormir! — na voz furiosa do velho Eguchi misturavam-se covardia e medo. — Também vou-me embora. Não faça isso, por favor. Se o senhor sair a esta hora poderá levantar suspeitas... Não vou conseguir dormir. Vou lhe trazer mais comprimidos. Ouviu-se o barulho da mulher arrastando o corpo da garota escura escadaria abaixo. O velho, que vestia apenas o yukata, só agora sentira o frio penetrar seu corpo. A mulher retornou com os comprimidos brancos. Por favor, tome isto e amanhã de manhã fique descansando à vontade. Está bem. — O velho abriu a porta do quarto contíguo, onde as cobertas estavam jogadas como tinham sido deixadas havia pouco. A nudez da garota clara continuava estendida em sua beleza deslumbrante. Ah! — contemplou-a Eguchi. Ouviu distanciar-se o carro que levava o corpo da garota escura. Seria levado para aquela suspeita hospedaria de águas termais, para onde fora carregado o cadáver do velho Fukura? Esta obra inspirou duas outras: Memória das minhas putas tristes (2004), do escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) e da peça teatral The House of Sleeping Beauties (1983), do dramaturgo, libretista e roteirista estadunidense David Henry Hwang. Veja mais aqui.

JARDIM DAS DELÍCIAS: BELLADONA & OLHOS DE RESSACA – Como já dissera, conheci a obra do escritor, compositor e roteirista Geraldo Carneiro por intermédio da arte de Egberto Gismonti, quando mantive os primeiros contatos com o compositor lá pelos idos dos anos 1970. Depois encontrei Geraldinho no grupo Cardiem, hoje Arremesso, do poetamigo e compositor Felipe Cerquize. Foi daí que pude ter contato com sua obra admirável, desde o seu Verão Vagabundo (1980), Piquenique em Xanadu (1988), Pandemônio (1993), Bandeira cinco mil reais, folias metafísicas (1995) e Leblon: crônica dos anos loucos (1996). Da sua poesia destaco Jardim das Delícias: nesta madrugada de 7 de outubro / não farei previsões de estranhos / no Parque / enquanto caminho nas mesmas aléyas / que guardam traços do seu gesto claro / e a alameda das acácias exala / odores de memória e medo / “I sit and watch the children playing” / você descobre o alarido das crianças / e parece se assustar a cada grito / reverberado nas paredes de granito das / estátuas e você se encanta quando recai / o silêncio sobre as paredes ainda marcadas / de luz e estrelas. Também Belladona, lady of the rocks: você pode mexer com as quatro cabeças / sem que elas tragam algum malefício / sem que elas exalem o cheiro terroso / das raízes / você pode mexer com as quatro cabeças / e ocultá-las sob o lençol / debaixo das telhas / você pode espremer as quatro cabeças / e fazer com que escorra seu caldo grosso / para dar de beber aos estranhos / para dar de beber à família / você pode dançar sobre as quatro cabeças / sem que sintam sua falta no Jantar de Bodas / sem que sintam sua falta / depois você se tranca no quarto / e põe um disco na vitrola. Por fim, Olhos de ressaca: minha deusa negra quando anoitece / desce as escadas do apartamento / e procura a estátua no centro da praça / onde faz o ponto provisoriamente / eu fico na cama pensando na vida / e quando me canso abro a janela / enxergando o porto e suas luzes foscas / o meu coração se queixa amargamente / penso na morena do andar de baixo / e no meu destino cego, sufocado / nesse edifício sórdido & sombrio / sempre mal e mal vivendo de favores / e a minha deusa corre os esgotos / essa rede obscura sob as cidades / desde que a noite é noite e o mundo é mundo / senhora das águas dos encanamentos / eu escuto o samba mais dolente & negro / e a luz difusa que vem do inferninho / no primeiro andar do prédio condenado / brilha nos meus tristes olhos de ressaca / e a minha deusa, a pantera do catre / consagrada à fome e à fertilidade / bebe o suor de um marinheiro turco / e às vezes os olhos onde a lua / eu recordo os laços na beira da cama / percorrendo o álbum de fotografias / e não me contendo enquanto me visto / chego à janela e grito pra estátua / se não fosse o espelho que me denuncia / e a obrigação de guerras e batalhas / eu me arvoraria a herói como você, meu caro / pra fazer barulho e preservar os cabarés. Tive oportunidade, inclusive, de entrevistá-lo no meu Guia de Poesia. Confira aqui, aqui e aqui.

IFIGÊNIA ENTRE OS TAUROS – A tragédia grega Ifigênia entre os tauros (Annablume/Universidade de Lisboa, 2014), faz parte da trilogia troiana do poeta trágico grego Eurípedes (480aV-406aC), contando a história das relações familiares e o exílio de Ifigência – que na mitologia grega simboliza o autosacrificio feminino, significando seu nome forte desde o nascimento -, em terras bárbaras para desempenhar a função de sacerdotisa de Ártemis. Conta, portanto, que se pai Agamêmnon, rei de Micenas, terá de sacrificar sua filha Ifigênia para que ganhe o apoio e a calmaria da deusa Ártemis, para o ataque de Troia. Com a chegada inesperada de Clitemnestra e Aquiles, a trama se complica. Destaco o trecho na tradução de Nuno Simões Rodrigues: [...] (Ifigénia entra no templo e Orestes e Pílades aparecem.) Orestes Fica atento! Mantém-te vigilante, não vá aparecer alguém no caminho! Pílades Estou atento! Mantenho-me alerta. Vou olhando em todas as direcções. Orestes Achas que é este o templo da deusa, Pílades, para onde navegaram as nossas naus desde que saíram de Argos? Pílades Sim, acho que sim, Orestes! E não há razão para não concordares comigo. Orestes É então este o altar, de onde corre sangue helénico? Pílades Sim, e olha como está vermelho, por efeito do sangue... Orestes Estás a ver os troféus, pendurados nas cornijas? Pílades Vejo! Juntamente com as cabeças de estrangeiros mortos. Mas temos de estar atentos a tudo o que nos cerca. (Pílades olha à sua volta.) Orestes Ó Febo! Que armadilha é esta a que me conduziste, através do teu oráculo? Expulsos da nossa terra, temos vindo a fugir das Erínias, que se revezam para me perseguir, desde que honrei o sangue do meu pai, matando a minha mãe. Já percorri muitos caminhos sinuosos, depois de ter ido perguntar-te como podia terminar com esta loucura que me traz desvairado e com as penas [por que passei, às voltas pela Hélade]. Disseste-me que viesse aos confins da terra táurica, onde Ártemis, tua irmã, tem altares, e que me apoderasse da estátua da deusa, a mesma que dizem que caiu do céu neste templo. Que a tomasse ou pela argúcia ou pela sorte e que, depois de ter corrido esse perigo, a levasse para o território dos Atenienses. (Além disso, nada mais me revelaste). Apenas que, assim que cumprisse as tuas ordens, aliviaria as minhas penas. Obedecendo às tuas palavras, cheguei a esta terra desconhecida, inóspita. Pergunto-te, ó Pílades, (pois tens-me ajudado nestes trabalhos), o que fazemos agora? Vês como é alta a parede que muralha o recinto? Devemos subir até ao templo? E como fazer para não sermos vistos? Partimos as barras de bronze com um bastão? Mas não sabemos quais delas partir! E se nos apanharem a abrir a porta e a prepararmo-nos para entrar, morremos. Portanto, antes que tal aconteça, fujamos para a nau que aqui nos trouxe. [...] Veja mais aqui e aqui.

I´M NO ANGEL – A comédia I’m no Angel (1933), dirigido pelo cineasta estadunidense Wesley Ruggles (1889-1972), é considerada pela crítica especializada como o melhor filme realizado pela atriz estadunidense Mae West (1893-1980), vivendo a personagem de uma estrela de circo e que é assediada por muitos homens admiradores que lhe presenteiam joias, colares e pulseiras, que se transforma em domadora de leões para garantir renda extra, até alcançar a simpatia de milionários que a cumulam de presentes, até se tornar noiva de um ricaço, envolvendo-se numa trama com maquinações do dono do circo que não quer perder a sua principal atração. O filme no seu lançamento teve problemas com a censura por causa das frases engraçadas e de duplo sentido, causando polêmicas e fama para a atriz. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 Arte do escultor, ceramista e artista plástico Francisco Brennand.

TODO DIA É DIA DOS NAMORADOS!!!!!
Confira aqui. (Imagem Jules Feiffer).

Veja mais sobre:
Domingo do que fui e não sou, O erotismo de Georges Bataille, a poesia de Federico Garcia Lorca, Os segredos da ficção de Raimundo Carrero, a música de Laurie Anderson, a pintura de Marta Nael & Cecily Brown, a xilogravura de MS, a arte de Benedict Olorunnisomo & Paula Valéria de Andrade aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa: a questão ambiental, O retorno da deusa de Edward C. Whitmont, Baú de ossos de Pedro Nava, Pequeno poema infinito de l Federico García Lorca, Zuzu Angel & Sérgio Rezende, a pintura de Tereza Costa Rego, a música de Martha Argerich & Kenny G aqui.
Dia Branco, A jaca na cabeça de Isaac Newton, a literatura de Ítalo Calvino & Mark Twain, Meio Ambiente, a música de Geraldo Azevedo, A promessa do behaviorismo de John B. Watson & Programa Tataritaritatá aqui.
Todo dia é dia do meio ambiente aqui.
LAM no Bom Dia, Alagoas da TV Gazeta de Alagoas, Conteúdo, didática & educação aqui.
Por você, a fotografia de Kate Winslet & a gravura de Franz von Bayros aqui.
Inclusão social pelo trabalho & Washignton Novaes, o pensamento de Pitágoras, A imprensa de Ralph M. Lewis, O romance reportagem de José Louzeiro, Doces palavras de Ednalva Tavares, A entrevista de Samir Yazbek, o cinema de Jacques Rivette, a pintura de Xue Yanqun, a arte de Lisa Lyon, Conselho do Doro, Cantadores populares & Responde a roda outra vez aqui.
Miolo de pote na volta da teibei aqui.
O que tiver de ser, será, A sociedade dos indivíduos de Norbert Elias, A morte como efeito colateral de Ana Maria Shua, a coreografia de Nadja Sadakova, a escultura de Zhang Yaxi, o teatro do grupo Tá na Rua, o cinema de Cristoph Stark & Cristoph Stark, a pintura de Mino Lo Savio & Pavlos Samios, a arte de Gustav Klimt & Lola Astanova, Brincar para aprender, a entrevista de Clara Redig & A sedução da serpente aqui.
Literatura & pós-modernidade, Só desamparo no descompromisso social, Cidadania de Evelina Dagnino, Quadrinho de história de Gláucia Vieira Machado, a música de Viviane Hagner, a coreografia de Yi-chun Wu, a escultura de Michael Talbot, Outro cântico de Micheliny Verunschk, o teatro de Buraco d’Oráculo, o cinema de Niki Caro & Keisha Castle-Hughes, a pintura de Oresteia Papachristou & Hajime Sorayama, A menina do sorriso ensolarado, a arte de Márcio Baraldi & Luciah Lopez aqui.
Escapando & vingando sonhos, A imprensa & O colapso do neoliberalismo de Nilson Araújo de Souza, a música de Bob Dylan, Fenomenologia do olhar de Alfredo Bosi, A memória coletiva de Maurice Halbwachs, Dinheiro roubado de Ricardo Piglia, a coreografia de Sandro Borelli, Lume Teatro, o cinema de Álex de La Iglesia & Rosie Perez, a escultura de Johann Heinrich von Dannecker, a pintura de Pablo Picasso & Roberto Chichorro, a fotografia de Roberta Dabdab, a arte de Marcos Carrasquer & Eugene Reunier, a entrevista de Leila Miccolis, Cidadania na escola & O poeta chora aqui.
Só a poesia torna a vida suportável, Adeus ao trabalho de Ricardo Antunes, Trabalho & capital monopolista de Harry Braverman, a música de Nadja Salerno-Sonnenberg, a fotografia de Dane Shitagi, Escambo de Teatro Livre de Rua, Cinema de Rua, a escultura de Kvitka Anatoly, a entrevista de Cláudia Telles, a pintura de Eugene Huc, a arte do Eduardo Paolozzi & Coletivo Transverso, Quando Tomé mostrou ao que veio & Arte na rua dos municípios aqui.
Poema em voz alta, Cidadania & Meio Ambiente, Ciranda dos libertinos de Marquês de Sade, O corpo obsceno de Maryam Namazie, A mulher suméria, O erotismo de Georges Bataille, a pintura de Paul Cézanne & Olivia de Berardinis, a escultura de Leroy Transfield, Decameron de Pier Paolo Pasolini, a coreografia de Ângelo Madureira & Ana Catarina Vieira, a música de Karina Buhr, Núpcias do NUA, a entrevista de Frederico Barbosa & a arte de Mozart Fernandes aqui.
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JAMAICA KINCAID, LULJETA LLESHANAKU, PHILIPPE VAN PARIJS & SURUBIM FELICIANO DA PAIXÃO

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