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sábado, janeiro 06, 2018

RUBEM BRAGA, HARVEY, ERIK SATIE, JESSIER, PENÉLOPE WHITE, CHOUINARD, BOSCH, PEDRO ILDO & JEITINHO BRASILEIRO

QUEBRAR A CASCA & VIVER - Imagem: O ovo, do artista plástico português Pedro Ildo. - Assim sou como aquele ou aquela que passa rua acima, estrada abaixo, sem nome nem endereço sabidos, sem rótulos nem tarjas, apesar das diferentes íris e digitais, semelhantes na essência, como posso querer ser melhor ou ter o privilégio da distinção se sou tal qualquer um, da mesma natureza, passível das mesmas emoções e anseios, indo e vindo, cada qual, razções e motivos. Quando vou ou venho, muros separam vizinhança nas ruas e o confinamento das grades de ferro, segurança neurótica, a ameaça dos incômodos causados pelo preço imposto da violência. Nas ruas uma paz armada até os dentes pelas fronteiras, esquinas, cada qual cuide de si, a polícia e a multidão, uma repressão invisível em nome da ordem estabelecida – uma ordem suicida, diga-se de passagem, que incentiva a desobediência civil desconhecida por todos e até justa, e a desordem pelo caos da disfunção das leis entre horrores de perdas e vinganças sanguinárias. Uma paz forjada no acinte da arma escondida disposta ao disparo, enquanto o Estado não cumpre a sua parte – nunca cumpriu, pelo contrário, promove em todo momento a violência institucional por seus suntuosos gabinetes nos crime de todas as esferas governamentais, enquanto gestores e autoridades desfrutam do banquete a tripudiar sobre a humilhação de um povo que não sabe de si nem de ninguém, apenas a coação da carteirada no monopólio dos interesses de uns sobre os outros, fatiando a bel prazer as provisões entre os seus e sabidos, em detrimento da miséria de todos. Ah, os governantes não sabem, nunca souberam, hipnotizados pelo poder, cegos pela ambição. As autoridades nunca souberam o preço do abuso do poder. E se espalham – e como! - prepotentes, indestrutíveis, agora e sempre – um sempre de décadas, até, nunca perene. Nunca será tarde, pode ser até amanhã de manhã, ou depois de amanhã, ano que vem, quem sabe, a qualquer momento. Assim sou como os que estão sob o mando, preteridos, esperançados, mesmo que inconsciente mutuamente esperançosos, pois sei que sou como todos, pela mesma essência divina que permeia as águas, os minerais, os vegetais, o magnetismo da Terra, a refulgente emanação solar, o movimento do universo e o trabalho maravilhoso da Natureza. De minha parte para todos, a autopercepção no espectro interpessoal, seja azul natural de um ajudante zeloso, ou vermelho intenso de um realizador decisivo, ou verde claro do pensador lógico, ou o que seja nos matizes comportamentais humanos, em consonância com o plano original das coisas: do Sopro de Vida, a força misteriosa da semente enterrada no chão, que quebra a casca e brota feito o ovo que deu vida para passar da lagarta pra crisálida, até a borboleta pro pó da Terra. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor francês Erik Satie (1866-1925): The Essencial Colection e Gymnopédies & Gnossiennes; a cantora lírica inglesa Penélope White: Ária –Bachianinha nº 5 Villa-Lobos, Composição de Diego Carneiro de Oliveira & com Ivan Pires, Concertos particulares & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que há de notável nas entidades vivas é a maneira como captam fluxos difusos de energia ou de informação e os moldam em formas complexas mas bem organizadas [...]. Trecho extraído da obra Espaços de esperança (Loyola, 2009), do professor e geógrafo britânico marxista David Harvey. Veja mais aqui.

JEITINHO BRASILEIRO - [...] Ser esperto e gostar de “dar um jeitinho” tornou-se, sem dúvida, um traço do caráter do brasileiro. Porém, em tempos passados. Era um comportamento menos freqüente e abrangente, e com menor grau de agressividade e perifulosidade. Às vezes costumava até revestir-se de certa ingeniodade ou pureza de propósito. Além do que constitui manifestação de duas habilidades também próprias do nosso povo: inteligência e criatividade. Estas duas aptidões são voltdas para resolver problemas. E, muitas vezes, resolver pequenos problemas pessoais foi chamado de “dar um jeitinho”. [...] Poderimos mesmo comparar a evolução negatiza da esperteza com a evolução do furto comum, de pequenas conseqüências, para o assalto agressivo, violento e que resulta em grandes perdas materiais e traumas psicológicos. [...] As atitudes da esperteza foram propagando-se e agravando-se na medida da progressividade da crise moral, da deterioração dos costumes, da permanência da inflação alta que favorece espertezas de diversas formas, da proliferação da corrupção nos órgãos públicos. Na medida em que os membros do poder executivo passaram a não ter mais escrúpulos em dar maus exemplos para a sociedade; os políticos e os poderes legislativos também cometem seus atos de espertezas. Enfim, na medida em que o poder judiciário se mostra lento e ineficiente, colaborando com a impunidade. Sem contar o fato de que nossas lenais penais são brandas. Com tal degradação do ambiente, significativa parcela da população e das organizações passaram a adotar a filosofia do “já que é assim, deixa eu defender o meu”, recorrendo à esperteza para alcançar seus objetivos particulares, sem levar em conta o prejuízo de terceiros, a moral pública social, o bem comum, a situação do país. [...]. Trecho extraído da obra Cidadania: o remédio para as doenças culturais brasileiras (Summus,  1992), do executivo, conferencista e consultor Ênio Resende. Veja mais aqui.

GERAÇÃO DO AI-5 – [...] Quando fracassou o crime do Riocentro ela estava com pouco menos de 13 anos; poderia muito bem ter ido lá, naquela arapuca sinistra, destinada a sacrificar sobretudo jovens e artistas. Amigos seus foram. Mas a geração do AI-5 parece ter uma secreta força. É certo que esses jovens começaram a amar quando já havia a pílula, e a gravidez deixou de ser uma doença venérea quase inevitável, e os antibióticos já afastavam os fantasmas antigos da tuberculose, que matava os poetas, e da sífilis, que os enlouquecia. Esses jovens falam dos esportes do céu, da terra e do mar. Mergulham, voam, esquiam, amam a floresta e as praias desertas. É certo que se aventuram um pouco pelas tentações e modas do mundo: inclusive drogas, é de jovens fazer tolices. Mas reagem. Surge-lhes de súbito pela frente o fantasma da Aids. Eles o superam, porque não vivem ao léu. Sinto nessa menina que vem me entrevistar e em alguns companheiros seus um fundo sadio de amor ao trabalho, ao estudo e à justiça social; querem saber como este mundo foi e por que é assim, por que há tanta gente rica e tantos miseráveis, tanta roubalheira e tantos fingimentos. Do fundo da minha descrença eu encontro uma secreta, desesperada esperança: gente assim e só gente assim pode criar dias mais limpos e racionais para o Brasil. Que Deus proteja essa geração do maldito AI-5. Extraído da obra As boas coisas da vida (Record, 2010), do escritor Rubem Braga (1913-1990). Veja mais aqui.

A DIZ PUTA ELEITORALQuando o coronel Eurico Rosado da Rocha Lisboa chamou o seu protegido para um conversatório particuloso, já estava de festa em dança no juízo, e se rindo de contente. Aquele era o vivente mais ajuramentado em débito de favor, desbocado e caceteiro e foi realmente o escolhido. No vagão central do alpendre, fez uma recepção sem hem-hem-hem e sem noves-fora e foi logo dizendo: - Nego Foda, o senhor vai ser candidato nesta eleição. Tá me entendendo? Ao ser chamado de Nego Foda – apelido que detestava – Biu das Quenga ficou roxo, deu-lhe uma engrossadura de língua, um intestinamento de barriga e só não mandou o coronel tomar no centroma, por se tratar de um Rosado Lisboa, que não era pouca merda naquelas pastagens. Sem entender direito e engolindo uma carrada de desaforo, indagou: - Eu, coroné Rosado? – Sim, senhor, é o senhor mesmo. Não esqueça que me deve uma soltura de cadeia, de onde nunca sairia! Agora chegou a hora do pagamento. – Mas coroné! Eu não sou letrado de ensino, tenho andado mais duro que santo em procissão e não tenho um pingo, um pinguinho sequer de sintoma prefeituroso! [...] Com sua oratória matuto-político-camumbembal, Biu das Qunga foi conseguindo atrair até criacinha de oposição, e aos poucos foi avessando a casaca de eleitor acabestrado não só com Mané Jipinho, mas tambpem com o do coronel e demais políticos de Brasilzim de Dentro e Vila Teimosa. Mas foi o tiro de misericórdia aplicado em Mané Jipinho que disparou sua campanha. Com poesias feitas de próprio punho, meteu o sarrafo, caluniou o concorrente, além de divertir e atrair a atenção do povo para seu palanque. Com a ajuda de Luzia Manca, que tirou as digitais matutas para melhor expressar a suposta fala do prefeito, soltou o falso Pensamento de Mané Jipinho, como sendo o proibido discurso de posse do concorrente quando eleito prefeito de Brasilzim de Dentro, onde sai lia o poema com o mote de um poeta Potiguar, Sempre foi meu desejo comer o cu desse povo: Assim que saio eleito / no fim duma apuração / me dá muito mais resão / por o povo ter-me aceito / se fui eleito prefeito / com o voto deles de novo / eu pago com um par de ovo / um taco duro e um gracejo: / que sempre foi meu desejo / comer o cu desse povo / ... Vou me mantendo fiel / a este povo bundeiro / sou político verdadeiro / neste país de bordel / e desta lua-de-mel / sei que jamais me demovo / e sendo eleito de novo / como em grosso e varejo / pois sempre foi meu desejo / comer o cu desse povo. [...] Para demonstrar que não existia conchavo político com os demais partidos e total transparência nas decisões da FUDENE, a cúpula do partido distribuiu um folheto intitulado Conversa de Bastidor, que dizia: Pra mandar tudim pra PQP / não pudemo se quer, se PDT / que é mode o PSB / amuntado no PV / não vir se aliançar. / PC-dê-B a hipótis / dum PT, sem muito T / nem que a legenda se mele / ou de PF ou de L / feito PMDB. / Antes que o pau recomece / vai assim assuceder: / PMN não manda / já desanda o PTB / PSDB tira o S / logo depois tira o B / no mei desse sururu / nós pega o F e U / e acunha tudo no D. [...] Num discurso puxado com sustança, e como disse Biu das Quenga: mais bonito do que pé de macaíba na safra, Luzia Manca fez o seguinte pronunciamento em versos, apresentando sua equipe de trabalho e denunciando as mazelas da cidade: - Meus amigos fudedores / gigolôs e cachaceiros / ilustres raparigueiros / e todos da região! / Se a FUDENE não fudesse / não fosse mulher bolida / se não quengasse na vida / não tava na eleição. / Disputou com puta a puta / mas trouxe no fim da briga / um coral de rapariga / pra cima do caminhão. / Trouxe Zzefa Pragatão / trouxe Priquito de Frande / Teinha do Obreiro Baixo / e com licença da palavra / trouxe Roquete Cuzão. / Roquete é feito feijão / quando esquenta dá o bicho / mas andará no capricho / no rumo da eleição. / Reparem bem o estado / dessa nossa região / do Estreto da Galheira / do beco do Pinguelão / lá do Buraco da Velha / do Pai Torto e Suvacão. / Da rua do Arrombado / lá da Taiada da Jega / esquina do Lasca e Trinca / Suvaco de cururu / atolado da Frieira / da Rua da Beira Seca / e do Beco do Teju / Não queira ver o estado / do apertado da hora / da Pinguela do Tauá / do beco do Quebra-Pote / da Rua do Quixelau / Rua do Grude e da Merda / escorrega lá vai um / e beiço do Eita Pau / Estão levando na zona / a nossa zona sofrida / zonaram da nossa zona / nunca nos deram carona / no trem que sobre na vida. / Mas esta bacafuzada / ta com seus dias contados / quem ganha a vida fudendo / levando e sendo enganado / de tanto saber gemer / quer “tanto assim” pra fuder / prefeitos e deputados. / Vote em nossa bandeira / de norte-sul-leste-oeste / vamos votar na FUDENE / a redenção verdadeira / que são essas fudedeiras / desenvolvendo o Nordeste. / Finalizo estas palavras / clamando de braço aberto / aos companheiros de luta / que vamos votas nas puta / pois nos filhos não deu certo. [...]. Extraído da obra Agrutas da lata d’água (Bagaço, 1998), do poeta, compositor e intérprete Jessier Quirino. Veja mais aqui.

ILHA DAS FLORES
O premiadíssimo curta-metragem Ilha das Flores (1989), escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado, narra através da trajetória de um tomate, da plantação ao lixo, as desigualdades sociais e o destno dos homens em um planeta massacrado pelo desconhecimento, mostrando como a economia gera relações desiguais entre os seres humanos.

Veja mais:
O beijo dela de sol na minha vida de lua, a poesia de José Regio, a música de Ceumar & a arte de Luciah Lopez aqui.
Ardência na Crônica de amor por ela, Pitágoras, Jacques Lacan, Max Bruch, Mariano Latorre, Jules Laforgue, Philip Kaufman, Chloe Hanslip, Ashley Judd, Nina Kozoriz, Gustave Doré, Teatro Elisabetano & Rachel Levkovits aqui.
Nise da Silveira & Todo dia é dia da mulher aqui.
Alexander Scriabin, Cássia Kiss, Gustave Doré, Denise Georg, Mr. Bean, Márcia Poesia de Sá, Gabi Alves & Zé Edu Camargo aqui.
Primeiro encontro: o voo da língua no universo do gozo aqui.
A poesia de Bráulio Tavares aqui.
Jung & a alma, Educação, Psicologia & Sociologia, Crimes Ambientais, Oração do Justo Juiz, Serpente de Asas & Literatura Pernambucana aqui.
O pensamento de Antonio Gramsci aqui.
Fecamepa, Psicologia Escolar, Sonhoterapia, Direito & Família Mutante aqui.
O monge e o executivo de James C. Hunter, Neuropsicologia, Ressocialização Penal & Educação aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade & Educação Sexual aqui.
O beijo que se faz poema aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

A DANÇA DE BOSH: GARDEN OF EARTHLY DELIGHTS
O espetáculo Hieronymus Bosch: O Jardim das Delícias Terresas, da coreógrafa canadense Marie Chouinard, baseada na obra O Garden of Earthly Delights, do pintor e gravador holandês Hieronymus Bosch (1450-1516), traz uma exuberante dança altamente teatral, evocando em movimento as emoções humanas contrastantes, os desejos profundos e os medos existenciais que capturou na pintura. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

domingo, agosto 19, 2007

BALZAC, ANTONIO MACHADO, DESEJOS DE ÍSIS, CIDADANIA, ESPORTE & ESPÓRTULA


QUE ESPORTE QUE NADA, É ESPÓRTULA MESMO!!! - Gente, aprumando a conversa: esporte coisa nenhuma, que a gente foi o maior fiasco na última copa; nós somos mesmo é campeão na espórtula. Pode ver: papo vai, papo vem, e tudo só resulta na velha prática da trambicagem. Pode apertar o gogó da situação que só dá remoeta braba por debaixo dos panos. E, com os de lá de cima do planalto central do país, eu mesmo duvido que escapula unzinho só, um nem que seja para remédio, com ficha limpa disso aí. Pois é, o mensalão, sanguessugas, gabirus e diluvistas (essa é nova, hem?), só comprovam, certificam e atestam a minha teoria, quer mais? Ora,ora, quando a gente diz que por trás de toda riqueza existe um crime, olhaí a certidão! É só carro importado, chatice de caga-raio e muita granfinagem com o dinheiro público. Inclusive, algum tempo atrás as pessoas se intrigaram com um texto que eu escrevi sobre o tema “O toco do barnabé”. Estranharam, mas no frigir entenderam se tratar de um textinho simples sobre um ocorrido num desses órgãos públicos que aboletam os profissionais mais roda-presa que se possa ter para atendimento público, confirmando que o reino da incompetência é generalizado e faz festa na burocracia das organizações públicas brasileiras. E não só. Usando do exercício da cidadania, eu apenas fazia registro da prática institucionalizada no cotidiano do mais simples brasileiro, que é mais conhecida como ôia, sempre apurada como manjuba calada no pé-do-cipa dos estróinas que são verdadeiros funâmbulos argirocratas e que, não obstante, povoam os mais amplos gabinetes e birôs dos serviços públicos municipais, estaduais e federais desse Brasilzim veio, aberto e sem porteira de Lalaus, bilaus, Banestados, propinodutos, mensalões, o diabo a quatro e agigantando o nosso ninho de trambicagens, trapaças a fole, bigshits brothers, baús e enrolanças, tudo feito no maior esparro e tapiação pra cima e pra baixo. Os meandros da nossa historiazinha oficial, brôca e rôta sempre esconderam o ninho de enfermidades e maracutaias de nossa exuberância tupiniquim. Mas é flagrante pelo rombo e por nossa dívida astronômica que sempre o poder do dinheiro desviou o Brasil para abismos seculares. Ninguém resiste a um bom calhamaço de cédulas, se peidando todo na hora. Isso, claro, no esconderijo das instituições e com a anuência de todo tipo de poder, evidentemente. Enquanto tremem na base diante das vultosas propinas, muito sujeito chulo posa de prôbo confrontando a nossa completa falta de indignação a ponto de, para desgraça nossa, topar que tem muito sujeitinho enrolão metido a sério por aí. E o pior: disfarçam tão bem como se o óleo de peroba resolvesse o polimento na cara-de-pau escondendo a peneira dos panos sol a pino, chegando a crer que, para eles, é necessário delinqüir para se alcançar alguma coisa de posse no Brasil. A velha coisa do levar vantagem em tudo e de fazer o chapéu do otário virar marreta mesmo. Resultado, esses carinhas estão nas Câmaras de Vereadores, nas Assembléias Legislativas, no Congresso Nacional, no Executivo, no Judiciário, na polícia, na escola, no posto médico, no escambau e, não duvide, até na vizinhança mais próxima que se possa imaginar. Temo até que já tenham virado oniscientes, onipresentes e onipotentes! Vixe! Como a bronca é mais séria do que a gente imagina, pois que vem desde 500 anos atrás quando a patriamada foi invadida, preada, tomada, roubada, colonizada e sacaneada, perseguindo essa sina que macula nosso destino e nação, será sempre impossível desde lá até nesta hora adivinhar quantas jogatinas estão sendo entabuladas neste exato momento em todo país. Imagine só: quantas enroladas estão sendo cometidas neste exato momento, hem? E mesmo que se invente um detector com capacidade de sismógrafo ou um Sivan poderosíssimo, jamais dará vencimento, porque a cada instante um sujeito molha a mão de um servidor ou agente público onde quer que ele esteja. Pois é, são estes servidores e agentes que vão impunemente engrossando a legião de picaretas, fabricando todo tipo de afanações e se fazendo mostrar cumpridores do seu papel tão garbosamente, porque para eles é indeferente mesmo que chova canivetes ou que dê a zebra ou mesmo um créu da gota, que não estão nem aí para quem pintou a zebra ou quem seja a bosta do cavalo do bandido – sem esquecer que estes desgracentos são o maior atraso de vida que se possa imaginar, pois estão aboletados gerenciando todos os recursos e soluções para a nossa vida e para a nossa morte. Destá! No final de tudo, eles no bem-bom com a conivência de tantos outros e só a gente que fica com uma mão na frente e outra atrás, insinuando, abestalhado: por acaso, alguém anotou a placa do trem? É nem mesmo a Constituição nos salva. Se assunte, meu, a vergonha é nacional. Por esta razão e invocado que só, hoje usurpo minhas asneiras e levanto uma tese para colocar lenha na fogueira. É o seguinte: dizem, unânime e veementemente, que o Brasil é o país do futebol. Mentira! Admito que seja só pentacampeão mundial. E isso já é muita coisa, só isso. E que também a mídia mostra o trabalho de sérios e obstinados desportistas voltados para o social merecendo toda nossa reverência, claro. Agora, dizer que é só o país do futebol, reitero: mentira deslavada. Em primeiro lugar porque a prática esportiva mais difundida aqui é a espórtula, depois é que vem o resto, como afanações, jogo do bicho, porrinha, e aquela do um pra eu, um pra tu, um pra eu... Por esta razão, não será jamais exagero algum dizer: o Brasil é o país da espórtula. Depois é que é o país do futebol, do carnaval, da mulata frochosa, do alteroscopismo, da molecagem, da sacanagem, etc etc etc etc. É ou não é? Tenho dito. Será que isso mexe com os brios de alguém? Com essa patologia delinquencial toda vale a pena clamar veementemente pela moralização dos serviços públicos, pela eficiência investigativa policial e pela celeridade da Justiça brasileira? Será que a gente pode, ainda, sonhar com um país melhor. Ih! Acorda, meu! Enquanto isso, cá prá nós: qual será mesmo o Valério, ou o Benedito, ou o Severino ou o Zé da vez, hem? Escapa quem? Ôxe, vou me arribar senão sobra é pra eu! Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Bié, bié, glup, glup. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA - O vazio entre a sociedade e o setor político decorre do longo processo de corrosão institucional, caracterizado por uma histórica tradição de favorecimentos, promessas não cumpridas, prevalência de valores individualistas sobre ideais de justiça social e desleixo dos agentes políticos em torno de sua missão [...] A visão do político brasileiro é capenga e é acentuada pelos descompromissos das entidades a que estão ligados. Os partidos políticos nacionais não passam de aglomerados e frentes de interesses difusos [...] Neste cenário de incultura, vicejam a corrupção e o familismo amoral, que se apóiam na institucionalização do clanismo e do grupismo. [...] A maior crise brasileira é, portanto, de natureza cultura. Não temos políticos honestos, instituições sadias, estruturas sólidas, governantes inspirados nos ideais mais puros do bem comum, enquanto não ocorrer uma revolução cultural. Pensamento do jornalista e professor Gaudêncio Torquato.

ALGUÉM FALOU – [...] A melhor maneira de tornar as coisas piores do que estão é ficar repetindo que elas são piores do que são. [...] É preciso atentar para o fato de que nosso riso anda demasiado triste, um tanto amarelo e envergonhado. Extraída da obra Cidadania: o remédio para as doenças culturais brasileiras (Summus,  1992), de Ênio Resende.


ESPLENDORES E MISÉRIAS DAS CORTESÃS – [...] Daí a ociosidade que devora os dias, porque os excessos do amor exigem repouso e refeições reparadoras. Daí esse ódio a todo trabalho que força essas pessoas a expredientes rápidos para arranjar dinheiro. [...] Ainda que eu tenha que morrer longe de meu bem amado, morrerei purificada como a Madalena e a minha alma será para ele a rival do seu anjo da guarda. [...] Nunca senti tanto a vileza da minha condição como no dia em que lhe fui entregue. O senhor pagou, eu pertenço-lhe. Não há nada tão sagrado como as dívidas de desonra. Não tenho o direito de liquidar atirando-me ao Sena. [...] Uma mulher honesta tem probabilidades de se levantar de uma queda; mas, quanto a nós, a nossa queda é desastrosa demais. [...] Sua serva, Esther. [...]. Trechos da obra Esplendores e misérias das cortesãs: A Comédia humana (Globo, 1990), do escritor do Realismo francês Honoré de Balzac (1799-1850). Veja mais aqui.

SONHOLá do umbral de um sonho me chamaram… / Era a suave voz, a voz querida. / — Diz-me: virás comigo a ver a alma?… / Veio a meu coração uma carícia. / — Contigo sempre… E segui em meu sonho / por uma larga, precisa galeria, / sentindo o roçar da veste pura / e o palpitar suave da mão amiga. Poema do poeta e dramaturgo espanhol Antonio Machado.

A CIVIL ACTION – O drama A civil action (A qualquer preço, 1998), do cineasta estadunidense Steven Zaillian, conta a história de um advogado tenaz determinado com o acidente com águas contaminadas por solventes industrais numa pequena cidade estadunidense, com as suspeitas recaindo sobre fábricas da região, notadamente pela alta taxa de mortes por leucemia entre as crianças. As empresas poderosas oprimem silenciando os reclamos da população.

OS DESEJOS DE ÍSIS NA MADRUGADANa madrugada, um desejo louco de você tomou conta de mim. Vim procurar algo pra lhe enviar, sentindo uma vontade danada de estar sentada no seu pau e rebolando nele como louca, ouvir seus sussurros, sentir suas mãos e seus dedos perscrutando todas as minhas intimidades. O desejo bateu tão forte e logo de cara imaginei a gente numa foda frenética, do jeito que quero com você. E imaginado não pude me conter, mesmo nesses momentos em que a natureza nos coloca um tanto impossibilitadas de certas coisas, menstruada, o sangue me subiu à cabeça, ferveu por todos os lados e não pude me conter. Fiquei rebolando na cama, no mesmo ritmo da foda e sonhando que você estava aqui me fodendo, socando do seu jeitinho de me foder todinha... Não hesitei mais, abri as pernas e por cima da cinta com absorvente, meti a mão e me apertei... rebolei, remexi, como uma louca chamei seu nome várias vezes e disse bobagens, essas bobagens libidinosas, tão gostosas, chamando-lhe pra me meter, mais e mais e muito mais, eu sussurrando no meio da noite palavras obscenas e me apertando... Puta, tão sua puta, como adoro ser a sua puta... isso é no que você me transforma em quatro paredes, seja lá onde estiver você, eu, nossos desejos, sou sua puta... e adoro me sentir assim, adoro dizer que sou, adoro viver a puta que é sua... puta, ahhhh, puta, a sua puta que você come, bebe, fode deliciosamente... E em movimentos loucos, eu me soltei despudoramente diante da noite silenciosa e a natureza de repente, parecia ter entrado em sintonia com o momento e ouvi os latidos de um cão comendo uma cadela bem em frente ao meu portão e ela gritava, enquanto eu metia a mão por dentro da cinta e metia o dedo no cu, continuando a me apertar e esfregar por cima do absorvente. Meu macho, meu safado, meu príapo canibal atrevido e faminto, dono da tora mais forte, mais encantadora, mais fodedora de mim... assim eu o chamei em plena madrugada. Respiração ofegante, coração acelerado, fogo subindo e me deixando em chamas, rebolando, rebolando, rebolando, ahhh... rebolando ali na minha mão e o dedo no cu, seu nome na boca, sua imagem na idéia, seu cheiro impregnado na minha alma, ahhhh, comecei a gozar, gozar e gozarrrrr, me remexendo toda, tirando e enfiando o dedo na fenda anal, os seios doloridos e inchados, mamilos duros de tesão, o útero se revirando e eu rebolando para mim mesma, ali no meu recanto de segredos nossos, gozei, gozei tudo o que sentia vontade de gozar, me apertei mais por cima do absorvente que já me fazia arder a pele de tanto esfregar e o cu em brasa, prendendo o meu dedo dentro dele – gozeiiiii... Adormeci... A manhã chegou e a falta de você me consome a todo instante... Mas a esperança renasce quando você aparece para me iluminar o dia. Pena você estar tão distante nesse momento. E me acendo toda quando você surge, mesmo entre nossos desentendimentos insistentes, não tem jeito, tudo entre nós é mais forte e que bom que o que nos prende supera tudo. Abro uma foto do seu pênis a me apontar, abro outra do seu falo a gozar pra mim... Enquanto conversamos, aquelas imagens me colocam em estado vulcânico, não me contenho e lhe falo bobagens, me entrego totalmente, provoco sua libido, mas estou menstruada e não é o momento de eu lhe mostrar o que é seu por decreto desse amor insano. Você endoidece, eu perco o juízo; você se sustenta diante da minha provocação e me faz rainha pro mundo, enquanto você me escraviza na sua peia e eu vou toda submissa, inteira ao seu dispor. Você manda, desmanda e é meu dono. Eu me permito tudo quando é para você, por você e a vontade toma conta novamente. Você me deixa insaciável ao mesmo que tempo que me satisfaz com sua forma de ser e me pegar... Você me estraçalha e eu sempre quero mais. Nós nos incitamos, desafiando todas as condições, possibilidades, formas e jeitos de dar e sentir prazer. Como sua puta novamente em cena, eu me remexo na cadeira enquanto admiro seu cacete, quero você mas ainda estou impossibilitada e percebendo novamente o volume do absorvente entre as pernas, eu me forço contra a cadeira, enquanto eu lhe conto o que estou fazendo. Você delira, alimenta a minha atitude, o meu desejo que já não se controla e me contorço e retorço, rebolo e remexo como um ser anelídeo oligoqueta em movimentos para cavar galerias na terra, gestos desvairados, palavras que não quero conter e você a me chamar de sua, a me fazer mais puta ainda pra você, sua toda sua, dona do seu reino, quero de novo gozar. Aliso os seios que aprecio quando ficam assim, inchados, mais sensuais ainda pra você, mamilos durinhos e desço a mão por entre as pernas, me aperto com os dedos por cima da roupa, você me provoca, me pede coisas que com certeza serão atendidas, seu mastro e o seu gozo, sua porra cheirosa, morna, saindo em profusão (tudo em você é diferente e me encanta), eu bamboleio na cadeira diante do seu pau gostoso e chamo o meu lobo, em estado febril eu fecho os olhos enquanto ouço os seus gemidos e eu imploro em voz alta pra você me foder, me socar, me chegar com carinhos e depois me foder o cu com jeito selvagem, me rasgar inteirinha... Minha língua encena lamber sua glande, meus lábios ensaiam beijos e lambidas na sua pica, minha boca enche d’água e a movimento como que chupando você desesperadamente... Na minha boca seu pau vai e vem, você geme, eu o aperto entre os lábios babentos e a punheta que me leva ao espaço... A cadeira é minha vítima, as mãos, minha salvação é o seu pau entre minhas mãos, lambuzando meus lábios, seu gosto na minha língua...  Eu danço, que dança é eu nem sei, mas sei que danço bem aqui, na frente do seu pau duro e lindo se intromete pelas minhas entranhas anais, a cadeira que range, nas minhas mãos que lhe puxam e provarão todas as transgressões cometidas e ainda lhe farão outras tantas em carne viva, me fode, vai, me fode, me fode todinha, fode este cu que é teu, eu quero, fode, fode. Gozo, gozo demais, gozo com seu pau no meu cu apertado e em delírios penso que vou desfalecer de tão intenso... Toma... é pra você... Texto pornoerótico de Ísis Nefelibata. Veja mais aqui.



Veja mais O Natal de Popó, Joseph Conrad, Maria Clara Machado, Lars von Trier, Viviane Mosé, William Etty, Nino Rota, Maud Mannoni & Étienne-Maurice Falconet aqui.

E mais também Djavan, Friedrich Schelling, Lewis Carroll, Rosa Parks, Paula Rego, Carrie-Anne Moss & Fernando Fábio Fiorese Furtado aqui.

PS: Gentamiga, esse negócio da CPMF é um troço indigesto medonho. No país da espórtula essa é mais uma das tantas aberrações que venho reclamando desde que publiquei um artigo opinativo na "Opinião" da Gazeta de Alagoas em 1996 e venho remoendo até hoje! Eu mesmo cansei, gente! Cansei de ser enrolado, sacaneado, estuporado e sarrabuiado por uma política nojenta que sustenta autoridades e salafrários que determinam nosso destino por quererem apenas o poder pelo poder. Cansei! vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...