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sexta-feira, setembro 02, 2016

NERUDA, ARTAUD, GRINGORE, ANA RUCNER, ILINCA, MARIZA LOURENÇO & LUCIAH



MAIS QUE TUDO O AMOR (Imagem: foto da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.) – Mais que o céu ela me deu o abrigo infinito de sua alma materna, maior que a imensidão de todos os tesouros da Terra no ventre e a me cercar com toda a grandeza de sua terna altivez emoldurada na assimetria de seu corpo de deusa a esbanjar altaneira sua benignidade mais natural a cada entrega, a me premiar como a um mortal predileto escolhido entre os seres humanos. Mais que o dia ela me deu seu sorriso refulgente, a me dá a alegria de toda espécie vivente em festa de cascatas de rios com todos os riachos, lagos e lagoas em confluência, para florescer todos os pomares na fartura dos dotes e em revoada de tudo que leve voa e levita por todos os campos, ares e vales, como se de súdito me fizesse depositário de todo seu reinado. Mais que a noite ela me deu duas luas no plenilúnio luzidio de todas as estrelas brilhando no olhar, para que eu pudesse me fartar com todos os sabores da natureza íntima do seu ser e mais nada escurecesse o espetáculo e maravilha de cada recanto do mundo encarnado em cada detalhe de sua compleição corporal. Mais que a vida ela me deu o amor mais que imenso brotando de todas as brisas com todos os aromas e pétalas de rosas que emanam do seu coração amante para que eu fosse envolvido no mais profundo e eterno sentimento de paz e felicidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Curtindo o álbum Expression (Croatia Records, 2012), da violoncelista croata Ana Rucner.

PESQUISA: 
Todas as nossas idéias sobre a vida devem ser retomadas numa época em que nada adere mais à vida. E esta penosa cisão é a causa de as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nas coisas reaparece de repente, pelo lado mau das coisas; nunca se viram tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência para possuir a vida. Se o teatro é feito para permitir que nossos recalques adquiram vida, uma espécie de poesia atroz expressa-se através dos atos estranhos em que as alterações do fato de viver demonstram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor.
Trecho extraído da obra O teatro e seu duplo (Martins Fontes, 1993), do poeta, ator, dramaturgo e diretor de teatro francês Antonin Artaud (1896-1948). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Não se pode viver toda uma vida com uma língua, puxá-la da esquerda para a direita, explorá-la e procurar em seus cabelos e em seu ventre. [...] O uso da língua, assim como o da pele e da roupa sobre o corpo, com suas mangas, seus remendos, suas transpirações e suas manchas de sangue ou suor, revela o escrito. Isto tem um nome: é o estilo.
Trecho extraído da obra Confesso que vivi (Difel, 1978), do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura de 1971, Pablo Neruda (1904-1973). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA: LE LABOURER DE VIN BOIT SOUVENT EAU
Quem faz o vinho, muita vez bebe água.
Expressão extraída da obra Notables enseignements, adages et proverbes, do poeta e dramaturgo francês Pierre Gringore (1475-1538), rifão que adverte que quem faz uma coisa para comercio ou para uso de terceiros, muitas vezes dele se priva. Corresponde ao dito popular casa de ferreiro, espeto de pau ou ao provérbio francês os sapateiros são sempre os mais mal calçados.

IMAGEM DO DIA; 
A arte do fotógrafo Daniel Ilinca.

Veja mais sobre Nascente & Beto Guedes, Théophile Gautier, Werner Herzog, Séraphine Louis, Pequeno Cidadão, Educação Ambiental, A mulher que veio do ovo, Psicodrama nas instituições & Egid Quirin Asam aqui.

E mais: Walter Benjamim, Sandie Shaw, Luís da Câmara Cascudo, Têmis, Marie Dorval, José Roberto Torero, Patrícia Melo, Iracema Macedo, Julia Bond & Ísis Nefelibata aqui.

DESTAQUE
de fora pra dentro: na pracinha duas menininhas de mãos dadas namoravam as passarinhas arrulhavam os passarinhos lamentavam a má sorte. inveja mata. gatos cachorros vagabundos proliferam nas ruas dormem sob as marquises tomam banho de sol no centro do coreto e trepam entre as rodas dos carros estacionados. eles são felizes. eu queria ser. o ciclista mandou o motorista à merda o motorista fechou o ciclista no cruzamento entre a rua tal e a avenida principal o ciclista caiu o motorista descarregou seu 'tresoitão' a esmo...
Considerações de uma passante ao acaso, da poeta, advogada e blogueira Mariza Lourenço. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
___nem mesmo as águas de um lago refrescam da minha carne o desejo___olho de fogo a me queimar noite e dia santificando o amor que te reconhece amante nos vales situados por entre as minhas coxas. Eis-me aqui, vestal desnuda a querer-te, das mãos_____as carícias obscenas a contornar os meus seios, e a repartir o meu corpo em fogo e brasa no plenilúnio da lua nua. Eis-me aqui, cativa sua a espojar-te as carnes e banhar-me em tuas águas a bendizer-te o falo, cintilante de todos os matizes guardando em si, a nobreza do teu prazer ah, essa tortura de mais querer-te por dentro de mim açoitando-me com sua língua até que ao gozo meu corpo seja rendido e submissa ao teu desejo____eis- me aqui, sou sua e mesmo presa nessa dor de amor ainda assim, minh'alma beija a sua alma no estertor de mais um gozo___enfim.
Dor de amor, poema/imagens: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

terça-feira, dezembro 01, 2015

HÄNDEL, OURÁNIS, TWAIN, MARY DEL PRIORE, MELANIE, MIKA, CARRINGTON & MUITO MAIS!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NADA COMO O SOL RAIANDO PARA UM NOVO DIA – Salve, salve! Novo dia, vida nova. Chegou dezembro, ufa! Mais de ano na maior barra, só cantando a toada: o ano passado eu morri, mas este ano eu não morro! Novembro se foi e com ele o fundo do poço: a luz pontou no fim do túnel e agora o Sol reina mostrando o horizonte! Inda bem. Para quem andava na escuridão, saí da caverna. Se foi bom? Apesar de tudo era ótimo, mas se um dia foi presente, agora deixou um gosto amargo de passado. Já foi. Entre mortos e feridos, escaparam todos. As avarias, um bocado; prejuízos, ih, pelo muito que fosse, fica no lucro. Aprendi a perder, são ganhos para experiência, aprendizagens. Será preciso dar uma revisada no casco pra poder singrar de volta ao mar. Se valeu a pena, tomara. Só o tempo dirá. Soubesse, não me sujeitava mais ao amor, principalmente quando a gente dá fé que só restam incompreensões, equívocos, desapontamentos. Quando se está morrendo é melhor fingir que está sorrindo. Ah, tem que chutar o pau da barraca, seguir adiante, mesmo que claudicante. As feridas supuram, um dia saram. Fazer o que? A gente pega o beco, a fila anda. E é hora de repaginar, recomeçar, refazer a vida, juntando o monturo dos escombros, resiliência em dia. Tem hora que precisa dar baixa mesmo, passar recibo. O que não pode é servir de barata para solado de sapato, né não? Então, o que era modismo, um dia vai pro lixo. Nada como a liberdade de bicho solto, dono do nariz, sem satisfações, choramingos, restrições. Hora de seguir em frente, mesmo que sozinho: pau da venta empinado, peito estufado e pé na taboa. O que foi, foi; na frente, só o para-choque. Sai da frente! Quem não aprendeu, que vá apanhando. Eu vou na minha. Aprendi a lição. E aviso aos navegantes: antes tarde do que nunca! Fica valendo: o que é do homem o bicho não come. E vem aí a Musa Tataritaritatá, aguarde. Enquanto isso aprume a conversa aqui, aqui e aqui.


Imagem: The Wave (1896), do pintor francês William-Adolphe Bouguereau (1825-1905). Veja mais aqui e aqui.


Curtindo o álbum Duets (2009), de George Frideric Handel (1685-1759), com a soprano Rosemary Joshua e a mezzo-soprano Sarah Connolly, The English Concert Orchestra.

SEXUALIDADE E EROTISMO – No livro Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil (Planeta, 2011), da historiadora Mary Del Priore, trata sobre a sexualidade, erotismo e pudor por cenários culturais, econômicos e políticos, conceitos e padrões de comportamento, privacidade e coletividade, indumentária e decoro, o Manual do confessor, o sagrado e profano, o pecado e os tocamentos desonestos, o coito interrompido, casamento, interdições, a cópula e os ósculos, o controle das práticas sexuais, a hipocrisia, beataria e libertinagem, a homossexualidade, o histerismo, sugerindo pela capa do livro – uma fechadura – que se fala de um tema tabu que é a porta do inferno e entrada do Diabo no "ninho de pecados", como diz a própria autora. A abordagem do livro traz "a noção de intimidade no mundo dos homens entre os séculos XVI e XVIII se diferencia profundamente daquela que é a nossa no início do século XXI", Numa das partes do livro ela menciona que "os médicos, sobretudo os do século XIX, eram fascinados por sexo" e “O que era o corpo dessas pessoas nesses primeiros anos de colonização? Certamente nada a ver com nossa sociedade tão higienizada hoje, tão florida e que ninguém consegue entrar no elevador sem usar desodorante. A sensibilidade olfativa de nossos antepassados difere totalmente da nossa hoje. […] Os relacionamentos sexuais […] se limitavam a um erguer de saias e um abaixar de calções. Veja mais aqui e aqui.

AVENTURAS DE UM JOVEM – O livro As aventuras de Huckleberry Finn (Adventures of Huckleberry Finn, 1884 – L&PM, 2011), do escritor estadunidense Mark Twain (1835-1910), conta a história de um jovem que, através da amizade, conseguiu se libertar da cultura americana do século XIX que tolerava a escravidão. No começo da história, percebe-se como Huck se sentia “fora de lugar”, não se sentia pertencente à sociedade. Ele não se sentia bem nem quando vivia na casa das senhoras, que o adotaram e tentaram “civilizá-lo”, nem na companhia do pai, um alcoólatra que o maltratava. Certo dia, seu instinto de sobrevivência fala mais alto, e Huck foge, forjando sua própria morte. Em sua jornada, encontra Jim, o escravo de Miss Watson, que estava fugindo em busca de liberdade. Huck e Jim, de diferentes formas, compartilhavam a necessidade de se libertarem. Ao longo da história, constroem uma relação de amizade muito forte. Embora Huck soubesse que Jim era um homem bom, em diversos momentos vive um profundo conflito entre a sua consciência – isto é, o que sentia e acreditava que era o certo - e a cultura escravagista da época, que o condenaria por estar ajudando um negro a fugir. Da obra destaco os trechos: [...] A princípio eu odiava a escola, mas pouco a pouco fui-me acostumando, até que já podia suportá-la. [...] E assim, quanto mais eu ia à escola, mas fácil parecia continuar. Estava também começando a me acostumar, de certa maneira, com os costumes da viúva, e já não me pareciam tão insuportáveis. [...] Ora posso garantir-lhes que me senti também trêmulo e febril, só de ouvi-lo, porque começa a entrar-me na cabeça que ele já estava quase livre, e quem podia ser responsabilizado por isso? Eu! Não podia tirar aquilo da consciência fosse como fosse. Nunca me ocorrera antes o que era que eu estava fazendo. Mas agora ocorria; e parecia que me queimava, cada vez mais [...] Comecei a sentir-me tão vil e tão miserável que seria preferível estar morto. [...] Fui avançando, sem nenhum plano preconcebido, confiando apenas na Providência para pôr as palavras convenientes na minha boca quando chegasse o momento; porque eu notara que a Providência sempre punha as palavras necessárias na minha boca, quando eu me entregava a ela [...] Disse comigo mesmo que uma pessoa que diz a verdade quando está em uma situação apertada, corre riscos consideráveis, embora eu não tivesse experiência disso e não pudesse ter a certeza; mas parece pelo menos que assim seja; e no entanto, ali estava um caso no qual me parecia que a verdade seria melhor e sem dúvida, mais “prudente” do que qualquer mentira. Hei de guardar isso na minha memória, e relembrá-lo vez por outra, tão estranho e irregular me parece. Nunca vi coisa semelhante. Rezar por mim! Pensei comigo que se ela me conhecesse escolheria uma tarefa mais dentro dos limites das suas forças. Mas aposto que ela o fez, assim mesmo – era o seu feitio. [...] Nunca mais tornei a vê-la desde aquele momento em que ela transpôs a porta do quarto; não, nunca mais a vi desde então, mas acho que me lembrei dela pelo menos um milhão de vezes, e de ela ter-me dito que rezaria por mim; e se algum dia chegar a pensar que seria de alguma utilidade eu rezar por ela , diabos me levem se não o faria. [...]. Veja mais aqui e aqui.

MULHERES DE PASSAGEM & OUTROS POEMAS – O poeta grego Kóstas Ouránis (1890-1953), possui umas das poesias mais representativas, as quais destaco na tradução de José Paulo Paes, inicialmente, o poema Mulheres de passagem: Mulheres a quem vi por um instante / dentro de trem à hora em que partiam / para outro lugar, mulheres que riam / nos braços de um outro homem, exultantes, / mulheres em balcões, a olhar diante / de si, tão distraídas, o vazio, / ou a agitar do convés de um navio / que zarpava seus lenços vacilantes: / se soubésseis com quanta nostalgia / eu vos trago de novo ao pensamento / pelas tardes de chuva, tardes frias, / mulheres que passastes um momento / em minha vida – e agora conduzis / minha alma a um exótico país. Também o poema De profundis clamavi: Quisera, ah como eu quisera – e este anseio permanece / qual flor selada na noite dos meus pensamentos - / quando, por sob o meu, sentisse um corpo de mulher, / fruir no intenso orgasmo de minha juventude / a dupla vida e movimento cuja ebriez lhe cerra / os olhos, os seios opulentos; e igual tormenta / beber a largos haustos pelas praças agitadas, / pôr-lhes as minhas mãos de caricias à volta da garganta, / lentas, doces serpentes que a seduzem e estrangulam... / ah! O derradeiro espasmo do seu corpo magnifico / no instante em que a vida se lhe esvai como um suspiro; / antes, porém, de que o prazer ceda o seu posto à dor... / ah! O derradeiro rolar, selvagem, impetuoso, / de nossos braços e pernas desnudos, confundidos, / eu lhe sentido o langor do prazer na carne tépida... / e se mais tarde a morte vier buscar-me também, / comparsa de orgias, fantasmal, da estrangulada, / no frio que então se espalhará por sobre o nosso leito... / não terei vivido o sonho que há tanto me atormenta? Por fim, o poema A minha vida: A minha vida toda, nostalgia só e anseios! / Ora eu palácios de quimera edificar queria, / ora então, como rosas, desfolhar meus pensamentos / sobre a tumba do que passa – e de viver me esquecia. / Os anos me correram como areia pelas mãos, / pelos meus dedos sonhadores, e a alma dolorida, / na hora de outono em que os sinos puseram-se a tocar, / viu cair inexorável a noite em minha vida. / Sou como uma casa de marujos à beira-mar, / cujos homens sumiram juntamente com os barcos; / quando sopram os ventos durante as noites de medo, / suas mães e irmãs, todas elas vestidas de negro, / inclinam as cabeças silentes, apavoradas, / como se ouvissem bater na porta já tanto fechada. Veja mais aqui.

DE BERNARDA ALBA À FESTA NO COVIL – A atriz, diretora e produtora Mika Lins estreou nos palcos em 1984, com a peça A casa de Bernarda Alba, na qual foi de cara premiada. Em 1988, Sampa. Em 1989, entrou pro cinema no filme estadunidense O quinto macaco. Também O cometa. Em 1996 ela dirigiu a peça Seria cômico se não fosse trágico, além da peça Frida Kahlo, na qual foi protagonista e produtora. 1998, Cacilda. Na TV ela atuou em produções como Chapadão do Bugre, O canto das sereias, Os ossos do barão, entre outras. Em 2000, a peça Fedra. Em 2002, Franskensteins. Em 2005, o filme Os ricos também choram. Em 2007, o filme Amigas e rivais. Em 2009, apresentou um monólogo de Doistoiévsky, O homem do subsolo. Em 2010, ela dirigiu Dueto para um. Em 2012, foi a vez do filme Ritmo Brasil. Em 2013, dirigiu o monólogo Festa no covil. Veja mais aqui.

CARRINGTON – O drama biográfico Carrington (Carrington, Dias de Paixão, 1995), escrito e dirigido por Christopher Hampton, conta a história de vida da pintora inglesa Dora Carrington (1893–1932), conhecida simplesmente como "Carrington", baseado na biografia do escritor e crítico Lytton Strachey (1880–1932), escrita por Michel Holroyd. O filme mostra a relação de Dora com o homossexual Strachey e outros membros do Grupo Bloomsbury, desde eventos na I Guerra Mundial, o envolvimento que ela recusa com Gertler, o casamento com o ex-soldado, o adultério, outros amantes e a tentativa de suicídio. No filme destaque para a premiadíssima atriz e roteirista britânica Emma Thompson. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 A arte da belíssima atriz neozelandesa Melanie Lynskey.
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à poetamiga, advogada & blogueira Mariza Lourenço. Veja aqui, aqui, aqui e aqui.


quarta-feira, maio 28, 2008

KAWABATA, BAUDELAIRE, SEMYONOVA, FRANK THORNE, MARIZA LOURENÇO, NECESSIDADES HUMANAS & LITERÓTICA


 
A arte da bailarina russa Marina Semyonova (1908-2010)

LITERÓTICA: A NATA DO PRAZER – Quando enfim flagrei sua presença, jamais poderia imaginar que perderia por completo a noção de tudo. Estava completamente extasiado com a grandiosa beleza que emanava da fogueira ardente de seu corpo, de seus olhos de mar revolto, de sua boca sedutora, do seu jeito mais que divino e maravilhoso, ali, à mão-tenente. Nossa, como irradiava onímoda, pojante, escorreita, máxima potranca ao meu dispor de ginete bem-aventurado. Graças à vida, eis que ela, édule de antemão, sorria a mais linda feição fagueira. E tudo isso me levava por um redemoinho agitado que eu abdicava de qualquer salvação. Tomei pé ao possuí-la abrasada e colada ao meu corpo para que eu pudesse exalar a odora maravilha de sua manifestação, enquanto beijava seus olhos de céu, suas faces de maçã, sua boca de sedução. Nessa hora, o mundo e o tempo se perderam de mim e de nós. Eu só sentia a saudade morrer de velha e o desejo emergir indomavelmente. De tão extasiado, não pude conter a exagerada ereção que se insinuava no meu membro dilatado e saliente ao contato de suas coxas. Eu ardia de prazer e seu corpo me eletrocutava na mais das fantásticas sensações ruidosas. Beijos estalavam incólumes. E de tão alvoroçado sequer percebi que encurralado pelo seu domínio, era conduzido por um percurso jamais saboreado. Eu só sabia de estar ao seu lado. Nem de longe percebi que transcorríamos longo trajeto até chegarmos onde definitivamente nos fazíamos só para o amor. Eu estava febril, juro, loucamente febril e só ansiava amar com todo afinco de minha loucura apaixonada. Estávamos, finalmente, a sós num quarto de hotel. Ali, a penumbra permitia que pudéssemos nos fitar efígie dada, nos vasculhar, nos acercar de nós, tomar de nós a ciência de tudo que somos e que podíamos nos fartar na mais libertina das vontades. O escuro não escondia de todo a sua beleza. E eu devaneava agarrado como quem se entrega definitivamente a tudo aquilo que mais e sempre desejava. Senti o seu domínio ao arrancar-me a camisa, a demover as vestes, a me jogar com brusquidão na cama e a se deitar por cima de mim como quem está disposta a me sufocar com a maior avalanche de prazer. Tudo muito desordenado, muito intuitivo. Queríamos e queríamos tudo. Até que aos poucos desnudados com displicência, é que pude deparar sua nudez santa e cristalina. Jamais poderia prever o tamanho cósmico de sua entrega. Eu verdadeiramente estava entregue, me batizando com o seu suor delicioso, me crismando com o seu desejo demoníaco e incontrolável, me salvando com a sua sacralização pecaminosa. Não havia como nem desejaria jamais me desvencilhar de tal circunstância. Eu caía de cabeça no seu feitiço solaçoso. Daí o ritual. Senti-lhe os mamilos duros dos seios roçarem meu tronco numa dança sensual de arrepiar-me a alma. Depois seus ductos expressivos saíram passeando pelo meu ventre, onde tomei uma dose generosa de vida. Seguiu alada pelas minhas coxas de pêlos eriçados, pelas minhas pernas trêmulas e pelos meus pés esquentados pela louca roçada. Senti o toque de sua mão exímia no meu calcanhar, meus dedos, solado, tornozelo. Foi fundo na magia quando pude perceber seus lábios tocarem minhas pernas, sua língua viajando pelo meu joelho, contornando minhas coxas, alisando-me o ventre num ziguezague pra lá de extasiante. Cheguei ao zênite quando sua mão tocou leve o meu macho cajado iluminado e o fez mais voraz e rijo com a carícia táctil de sua condução, enlevando-me iniciado na sua maestria. Atravessei sua mística cerimônia, quando fez esfregar minha dura turturina mais que tomada de tesão, pelo seu rosto, por seus lábios, por sua pele sedosa. Embeveci quando fez uns carinhos cervicais, espremendo majestosamente meu louco membro desajuizado no pescoço, lado a lado, até deixá-lo em riste ao queixo e beijá-lo com um beijo terno e mágico. Como sucumbi a esses beijos. Fui ao Nirvana e pude contemplar a maior beleza da vida quando chegou a lamber meu dardo túmido com o veludo de sua língua abissal. Agitei-me com sua libação como se chupasse bíbula o real manjar dos deuses. Ah! E como a vida me pareceu ringente e eu mergulhando na catarse oriforme do gozo pleno. Aí, soltei as amarras, capitoso, deixei-me levar pela sua abalizada sucção e ejaculei o meu elixir para cajila de nossa esfomeada carência. Ah, quanta maravilha sedenta onde sou sua caça em particular temporada. Levou-me aos extremos até a última gota da minha satisfação plena. Não satisfeita, ainda, saiu-me lambendo como cadela no cio, até alcançar-me os lábios e nos beijarmos até a ressurreição dos nossos mais infinitos prazeres. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA - A irregularidade é a parte principal da beleza. O belo estético é o inesperado, e a espera do ritmo é algo vago. Pensamento do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui e aqui.

NECESSIDADES HUMANAS – [...] As necessidades de existência incluem todas as necessidades psicológicas e materiais, por exemplo, fome e sede assim como outras necessidades materiais como pagamento de salário relacionado ao trabalho e a segurança física. As necessidades de relacionamento dizem respeito ao desejo que as pessoas têm de ter relacionamentos com outras pessoas e que estes relacionamentos se caracterizem por um compartilhamento mútuo de ideias e sentimentos. As necessidades de crescimento incluem o desejo de ter uma influência criativa e produtiva sobre si mesmo e sobre o ambiente em que vive. A satisfação da necessidade de crescimento ocorre quando uma pessoa engaja em problemas para os quais necessita utilizar plenamente suas capacidades e desenvolver novas capacidades. [...] Trecho extraído da obra Three studies of measures of need satisfaction in organizations (Administrative Science Quarterly, 1973), de C. P. Alderfer & B, Schneider, sobre as ideias de do médico e psicólogo estadunidense Abraham Maslow (1908-1970). Veja mais aqui.

A DANÇARINA DE IZU – [...] Em meio à escuridão, enquanto me aquecia com o calor do corpo do estudante a meu lado, meus olhos converteram-se em dois pequenos oceanos cercados por todos os lados pela minha face. Minha mente parecia estar se transformando em fonte de água pura que, como a vida, se derramava gota a gota. Por fim, sobrou o doce sentimento de nada mais restar. [...]. Trecho extraído da obra A dançarina de Izu (Cultrix, 1962), do escritor japonês prêmio Nobel de Literatura de 1968, Yasunari Kawabata (1899-1972). Veja mais aqui e aqui.


A arte de escritor e quadrinista estadunidense Frank Thorne.


MUSA DA SEMANA: Mariza Lourenço é uma linda escritora, advogada criminalista e consultora conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher da cidade de Valinhos-SP, onde vive. É feminista e mãe. E acredita que, um dia, ainda escreverá um poema decente. Integra a Antologia Saciedade dos poetas vivos, vol. VI, organizada por Leila Míccolis e Urhacy Faustino. É uma das editoras da Germina - Revista de Literatura e Arte e das Escritoras Suicidas. Ela hoje é a musa da semana do Tataritaritatá!! Veja abaixo a arte literária de Mariza Lourenço.



LÁ VEM A NOIVA
(porque a gente pensa que sabe tudo)

— Menina! Não seja teimosa. Pare de comer em panela, senão chove no dia do casamento.
Tia Firmina era mesmo assim, planejadora de casamentos e fazedora de enxovais. Quando comecei a namorar Roberto, mocinha ainda, a primeira providência de minha tia foi comprar tecido para o vestido de noiva. Ri muito. Lamentei tanto depois.
Meu grande dia havia chegado regado à tempestade, raios e trovões. Do lado de fora da Capela as crianças gritavam pra fazer pirraça:
— Sol e chuva casamento de viúva. Chuva e Sol casamento de espanhol.
Na porta, após estapear um dos moleques, tia Firmina olhou-me zangada, como se aquele fosse um mau presságio e eu, a responsável. Mas como? Eu havia feito tudo direitinho. Deixara de comer em panela. Virara a imagem de Santo Antônio de cabeça pra baixo e, por Deus! Ainda era virgem!
Não fiz caso e comecei a percorrer a Nave — toda orgulhosa — procurando meu noivo no altar. E foi aí que me deparei com os olhos mais negros de que já havia tido notícia. Eram olhos de lobo arrancando-me toda a roupa, intumescendo meus seios de menina, deixando meus pêlos à deriva dos maus pensamentos.
— Lá vem a noiva, toda de branco e debaixo da saia um tesão...
Não conseguia. Não me lembrava mais da brincadeira das primas.
Que vontade de correr daqueles olhos, daquela boca.
Que vontade de dar-me inteira, de desmaiar dentro daqueles braços e nunca mais ser eu mesma. Aqueles não eram os olhos azuis de Roberto, sempre tão bondosos e previsíveis. Eram negros, de fome declarada, passado nebuloso, futuro incerto, viagem sem volta. Olhos de aventura, de mar aberto, onde eu poderia navegar sem meus recatos de moça séria, onde a minha nudez seria selvagemente comemorada como o mais febril dos presentes.
Qual o quê! Outros olhos aguardavam-me ansiosos. Pra toda vida. Eram azuis.
Esqueci-me das brincadeiras, dos sonhos recém-adquiridos e tão cedo abortados. Escolhi o caminho sem riscos, o porto seguro que me aguardava sorridente ao lado do Padre.
Os olhos, aqueles negros, continuaram seu louco e despudorado passeio através do meu corpo virgem, enquanto eu, pobre de mim, uivava, sem saber que aquela queimação entre as pernas seria, para o resto da vida, a mais fiel das companhias.

NOITE VADIA

Me leve para dançar esta noite,
em uma dessas casas noturnas,
e lá, ao me agarrar, indecente,
sorria atrevido a quem me cobice com fome.
Pague-me então uma bebida gelada,
finja calor, desabotoe a camisa
e peça ao garçom que coloque outra música.
Depois, afague-me as coxas, paquere com todas.
Trate-me assim, como se não se importasse;
confunda meu nome, me chame de Lúcia.
Deixe que eu ensaie um começo de briga,
gargalhe - insolente - e me sirva outra cuba.
E quando não mais agüentar de vontade,
peça a conta e, ao ouvido, me fale bobagens.
Sorrateiro, arraste-me para um canto escuro,
e sem aviso ou cuidados me erga o vestido.
E nessa hora perca de vez a cabeça,
me prometa o céu, diga que sou sua fêmea,
que no mundo não existe mulher mais gostosa.
Me lamba, brinque com meu delta, me beije,
e ao sentir que de mim nada restou,
a não ser um grito saciado de gozo,
diga que é tarde, que precisa ir embora.
E não ligue para a minha cara de espanto,
deixe de lembrança seu lenço, um nome,
e a jura de que um dia qualquer você volta.

DIÁRIO DAS HORAS
I
bateram duas vezes à porta e minha disposição em abri-la é tão miúda quanto a certeza de que sobreviverei a mais um processo de desconstrução. não quero coadjuvantes. minha dor é egoísta. solitária. aguda.
e de dor eu entendo como ninguém.
II
sou mulher de prantos.
choro por tudo e nada. e o nada tem sido bem mais que tudo. choro manso pra despistar os demônios. choro baixo pra enganar meus fantasmas. ninguém desconfia de nada. e o mundo segue - presumivelmente - feliz.
sem mim.
III
sinto faltas essenciais: de algum amor, de alguma paixão, de algum sexo. e de tempestades. o que antes era profuso agora é reto. e esta linearidade me apavora. não estou preparada para viver em calma perpétua. quase morta.
ainda não.
IV
passei metade da vida levantando bandeiras e tentando compreender meus abismos. passei a vida inteira carpindo a dor alheia e perdendo meus sonhos em qualquer lugar.
logo eu, que nunca soube advogar em causa própria, apostei todas as fichas no mesmo jogo.
e perdi.
V
confesso que fui muitas sem ser nenhuma. confesso que me apaixonei demais e amei de menos. confesso que não me lembro de alguns cheiros. de algumas carícias. e do meu primeiro beijo.
se, hoje, vomito lembranças é pra justificar esta minha condição de puta.
de um homem só.
VI
entre meus dedos, o terço - presença física de minhas crenças - queima. ando esquecida dos mandamentos. e já não sei onde foi parar meu último pecado. aquele do qual nunca me arrependi.
a imagem da Virgem me enxerga, entende e consola.
ah!, Senhora, estou nua. tem piedade de mim.
VII
foi por minha conta e calculado risco que me meti em claustro (mais uma vez) e calei a boca (mais uma vez).
batem novamente à porta. (estou assustada). do lado de lá esperam pela mulher de sempre. pelo riso fácil. pela boca pródiga em contar histórias.
do lado de lá esperam por respostas que não tenho.
nem pra mim.



POEMA ORDINÁRIO

Os dias são suportáveis,
mas as noites, meu senhor,
é que são elas:
sozinha nesta cama,
coração se faz de morto,
o corpo gela.
E qualquer coisa
além desta infeliz constatação,
se não dá letra de samba,
meu senhor,
que dirá um poema.


APELO

Faça em mim um carinho
que me acorrente à vida
sem me prender, em demasia,
a alma:
quero-a livre
para pousar em qualquer canto
desde que seja
en'canto e calma.



EXAUSTA

Calem
Calem o tempo
Despenquem do céu
Todas as estrelas
Encharquem-me a pele
Todas as línguas
Engolidos sejam
Meus espantos
Violados
Meus sonhos mais insanos
Abracem-me todas as ondas
Cavalguem-me, sem dor, as marés
E que, sob a minha vulva,
Mostre-me o mar
Toda a sua fúria.
Silenciem
Silenciem as horas
Deixem que desabe
Em qualquer colo
O despudor vermelho
Do meu corpo
Deixem
Que eu verta todo o sangue
Chore todas as lágrimas
Ria, trema e goze
Deixem-me
Porque hoje estou faminta
e
Exausta



VOCÊ VINHA

Você vinha e toda vez era a mesma coisa eu tremia feito vara verde daquelas de marmelo que mãe costumava pelar pra dar castigo na perna da gente e você vinha sempre assim com um jeito enrabichado de olhar me deixando com vontade de andar de roda-gigante só pra sentir gastura de tanto olhar as estrelas e assim você vinha cheio de música decorada da rádio só pra impressionar meu ouvido de moça acostumada com canto de igreja e era assim que sempre sempre você vinha trazendo sonho da padaria da esquina só pra me ver lamber os dedos e o creme que deixava escorrer de propósito pelo queixo e você vinha e vinha sempre fazendo barulho no portão só pra me ver abrir a porta e pulando no seu colo feito cabrita lhe dar beijo macio com gosto de doce de cidra e quando era noite de chuva então daquelas de trovoada você vinha e me arrastava para um canto escuro da varanda e sem pedir licença se enfiava entre as dobras da minha saia e era assim que você vinha e veio tantas e tantas vezes que já nem sei das contas de quantas luas me perdi nesse seu jeito de vir.



L´AMOUR

Começou a acordar com dores no peito — um certo desejo de morte — e antes que morresse de vez, sentiu ânsia de escutar canto de pássaro, de riacho desembocando no rio. Rumou para longe e foi morar numa casinha de roça. Comprou muda de flor e deixou aberta a janela para passarinho pousar.
Mas a dor retornou — sempre ela, a maldita — e nada dava cabo de tanta tristeza, nem riacho, passarinho ou flor.
— Isso é falta de amor, seu doutor. Isso é falta de amor!
Virou trapo de gente. Começou a ver anjo tirando leite das cabras. Era anjo mirrado, seis, sete anos, não mais.
Apaixonou-se e de paixão já não fazia mais nada.
Louco de dor, tomou decisão: colheu flor para coroar a cabeça do anjo.
O anjo assustado, seis, sete anos, não mais:
— Tio, assim me machuca.
Dos braços adultos não havia maneira de escapar. E com aquele delírio, só mesmo um, dois, mais de dez tiros puderam acabar.
E o amor terminou assim: sangrando no chão, sem dores no peito, sem visagens de anjos.
Como uma flor encarnada e aberta no ventre.



ESCRAVA

Teu poema, inclemente, me encarcera,
umedecendo, de gozo, os meus versos.
Espancando, com a pena, as minhas rimas,
se assanha, feito bicho, entre meus seios.
Teus dedos em tuas mãos; ágeis tentáculos,
aprisionam de vez minhas vontades,
deixando-me à mercê dos teus domínios,
amarrando-me os pulsos, como escrava.
O ar que me vem é da tua boca.
Meus gemidos quem sufoca é tua língua.
Teu verbo, desconexo aos meus ouvidos,
me faz louvar - indecente - o teu nome.
Em minha barriga, passeia impune o teu falo.
Sob teu corpo, o meu, é prazer e desgoverno.
Entre minhas coxas tu desenhas tua fúria,
em teu pescoço cravo dentes de poesia



ESCLAVE

Jurei nunca mais procurá-lo. Não, enquanto vivesse. Mas tenho vivido o suficiente para desistir de minhas juras.
de promessas e bons propósitos meu inferno está cheio.
Encontrei-o dormindo. Meu escravo. E, por Deus, não havia notado aquele jeito bonito de se espalhar pela cama. Tão vulnerável e à mercê de meu corpo posseiro.
como desejei ser apenas esquecimento. Esquecimento e perdão.
Despi-me de toda a roupa e em seu corpo rocei minha mágoa. E ele nem precisou abrir os olhos para reconhecer a saudade úmida que o tocava.
como ansiei ser somente boca. Boca e língua.
Vali-me de seu sono, admito, para cavalgar sua eterna disposição de macho. Ele sorriu. Ele gemeu. E eu o flagelei com os dentes, com a vulva. Com o verbo. Meu homem-objeto.
Sobre a pequena mesa deixei o envelope pardo. Sem nome. Lacrado. Em seu interior a quantia de sempre.
para o inferno com todas as juras. Ele me dá tudo o que quero...
O meu amado.



FIM
(pra nunca mais falar disso)

No começo era doce, feito delicada sobremesa que se saboreia com gosto e desliza garganta abaixo, aveludada e macia.
Mas a receita desandou sob as mãos pesadas de tanto mexer panelas. E os ouvidos, como os de um mercador, acostumaram-se à cantilena irritante de vincos tortos e colarinhos amassados.
Os olhos ficaram baços e os lábios perderam o brilho, esquecendo-se do primeiro beijo e dos agarramentos ao pé da escada.
E o que era doce acabou-se em travo, de fruto verde e amargo.
A casa, outrora alegre, abria-se agora aos conselhos de tia Dita, que, a pretexto de visita, só sabia contar do casamento desfeito de uma prima. E de como, na família, mulher largada tornava-se propriedade coletiva.
E o que era doce acabou-se em medo.
Todas as vontades de recomeços se perderam nos vãos ordinários das madrugadas e o que restou, foi lembrança pequena e morta, sepultada de qualquer jeito sob a lápide, muda, de um colchão de molas.
E o que era doce... acabou-se em nada...


O trabalho dela pode ser visto no seu blog Proseando com Mariza.




Ou na revista Germina Literatura.


Ou, ainda, no sítio Escritoras Suicidas.
Mas hoje é o aniversário dela. Daqui o nosso efusivo PARABENS, MARIZOCA!!!!


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