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quinta-feira, dezembro 07, 2017

LYOTARD, JULIANA MERÇON, JOÃO ANTONIO, ELIANE ELIAS, ELP, BERNINI, ÚRSULA GARCIA & JUCATI

A CAÇA & A FUGA DO CAÇADOR – Imagem: arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. - De noite todo gato é pardo e ele, temporada de caça, armado de unhas e dentes, flagrou os olhos perdidos dela de presa por ser abatida. Perseguiu com faro de bom caçador todos os passos dela, conferindo-lhe a realeza de extraordinária espécime pro rol da conquista: olhos vivos amendoados na face formosa de lábios rubros e carnudos próprios pros beijos e felação, o corpo esbelto de bom talhe pras investidas ao bel prazer, os seios protuberantes pras mãos em conchas e soltos por baixo da blusa negra colada na carne suculenta quais frutas maduras da drupa de bicos aduncos ao seu alcance, quadris desenhados com esmeros na saia justa a dar-lhe o molde da cintura ideal de toda assimetria desejada e a encaminhar todo desejo pro ventre abissal de todos os prazeres dispostos pra sua concupiscência se fartar entre coxas roliças de torres abraçáveis por pernas torneadas no realce do salto das maiores volúpias. Olhos nos olhos, libido à flor da pele, à espreita, o preparo do bote certeiro. No ataque tomou-lhe a mão, envouveu-lhe o corpo na dança do confronto: face a face, corpo a corpo, o confronto e o perfume dela inebriando nervos e gula com a respiração ofegante ao seu ombro na pegada de jeito, dois pra lá, dois pra cá, o molde perfeito do tope ao domínio completo, a cessão às tomadas de decisão, prali, por aqui, a domesticação, agora assim, assado, amansada completamente, aquiescente. Com tudo a favor, hora de iniciar o abate, perícia de domador no afago pelos contornos geográficos da escultura corporal com a sua sedosa pele, tudo propício para fincar bandeiras de posses, a servidão de súdita e benevolência de fiel aprisionada, pronta para todos os quereres. Hora de quebrar o gelo: o que você faz da vida? Ela sussuRra docemente: sou tanatoesteticista, especializada em taxidermia e tanatopraxia. Hem? Ele disfarça a ignorância ao pensamento compensador: pelo menos faz alguma coisa, menos mal. A vez dela: você não tem medo? De que? Sou necromaquiadora, lido só com gente morta. Hum? Valha-me! Pior que viúva-negra, pensou pra si. Cadê chão pra se socar. Coincidentemente a música parou e ele: vou ao banheiro, volto já. E nunca mais voltou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a banda de rock progressivo britânica Emerson, Lake & Palmer (ou ELP), formada por Keith Emerson (teclados), Greg Lake (guitarra, baixo e vocais) e Carl Palmer (bateria): From the beginning, C’est La vie & Pictures at na exhibition; e a premiada pianista e cantora Eliane Elias: Live in Jazz, Light my fire & Bye, bye blackbird. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a educação atua organizando encontros buscando promover concórdia e ajuda mutua entre seus membros, constituindo, com suas regras, um viver comum. A educação pode ser nesse sentido, considerada um auxilio formador, derivado da potência coletiva em seu esforço para preservar em sua existência. A eucação formal, como produtora de encontros que expandem as nossas potências de pensar e agir, soma-se, assim, ao aprendizado ético-afetivo individual, o qual se constitui como uma experiência longa, lenta e árdua, sempre atravessada pelos riscos postos por potências superiores e contrárias. [...] a educação busca oferecer caminhos práticos para a transição de nossa passividade e impotência à atividade que alcançamos pelo exercício do nosso pensar. Trecho extraído da obra Aprendizado ético-afetivo: uma leitura sponizana da educação (Alinea, 2009), da educadora, professora e filósofa Juliana Merçon. Veja mais aqui.

JUCATI – O município de Jucati é adinistrativamente formado apenas pelo distrito sede e pela Vila Neves. Grande parte do que hoje é o município, foi no final do século XIX, quatro fazendas de gado que pertenciam a imigrantes italianos, na antiga Pindorama. Estas fazendas tinham por denominação: Divisão, Raposa, Salgado e Malhada do Couro. O nome de Jucati foi alterado para Pindorama em 1938, quando o povoado foi elevado à categoria de vila. Em 1943 foi denominada Jucati. Sobre a origem do nome, atribuída a uma planta local pelos indígenas, possivelmente derivativo do pau-ferro jucá, com o significado de terreno pedregoso, argila forte. O município está localizado na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, nos domínios das Bacias Hidrográficas dos rios Mundaú e Una. Tem como principais tributários são os rios da Chata e Canhoto, além dos riachos da Pracinha e S. Pedro, todos de regime intermitente. A Vila Neves é um distrito pertencente ao município de Jucati, localizada entre Jupi e Garanhuns. Veja mais aqui.

ECONOMIA LIBIDINAL - A questão do valer-para, não nos pressionamos a colocá-la, ainda menos a resolvê-la. [...] O que nos ameaça, economistas libidinais, é fabricar uma nova moral com esta consolação, é proclamar e difundir que a faixa libidinal é boa, que a circulação dos afetos é alegre, que o anonimato e a incompossibilidade das &guras são impressionantes e livres, que toda dor é reacionária e contém o veneno de uma formação saída do grande Zero – o que eu acabei de dizer.  Ora, não se tem necessidade de uma ética, desta ou de outra. Talvez de uma ars vitae, jovem homem, mas da qual convém ser os artistas e não os propagadores, os aventureiros e não os teóricos, os fazedores de hipóteses e não os censores. [...] concebendo a dor como o motor da teatralidade, Freud dá a esta a consistência metafísica do negativo, ele é, assim, vítima dessa teatralidade, já que é somente na representação com vocação unitária que o corte e a ussura fazem mal, somente para o corpo já puro [...] quando é claro que não existe mais e nunca haverá mesmo uma tal dissolução pelo bom motivo de que nunca houve e nunca haverá um tal corpo reunido em si mesmo na sua unidade e identidade, que este corpo é uma fantasia, ela mesma notavelmente libidinal [...] e que é em relação a esta fantasia que toda alienação é pensada e sentida como reconhecimento que é o sentimento suscitado pelo grande Zero como desejo de retorno. Mas o corpo dos selvagens primitivos não é um corpo mais inteiro do que aquele dos mineiros escoceses de um século atrás, não existe corpo inteiro. [...]. Trechos extraídos da obra Economia libidinal (Fondo de Culttura, 1990), do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998). Veja mais aqui, aqui & aqui.

AFINAÇÃO DA ARTE DE CHUTAR TAMPINHAS - [...] Dia desses, no lotação. A tal estava a meu lado querendo prosa. Tentava, uma olhadela, nos cantos os olhos se mexendo. Um enorme anel de grau no dedo. Ostentação boba, é moça como qualquer outra. Igualzinha às outras, sem diferença., e eu me casar com um troço daquele?... Parece-me que procurava conversa, por causa do Huxley qye viu repousando nos meus joelhos. Eu, Huxley e tampinhas somos coincidências. Que se encontraram e que se dão bem, perguntou o que eu fazia da vida. A pergunta veio com jeito, boas palavras, delicada, talvez não querendo ofender o silencio em que eu me fechava. Quase respondi... [...] Mas não sei. A voz mulata no disco me fala de coisas sutis e corriqueiras. De vez em quando um amor que morre sem recado, sem bilhete. Ciúme, queixa. Sutis e corriqueiras. Ou a cadencia dos versos que exaltam um céu cinzento, uma luba, um carro de praça... Se ouço um samba de Noel... Muito difícil dizer, por exemplo, o que é mais bonito – o “Feitio de Oração” ou as minhas tampinhas. Trecho do conto Afinação da arte de chutar tampinhas, extraído da obra Malagueta, Perus e Bacanaço (Civilização Brasileira, 1963), do escritor e jornalista João Antonio (1937-1996). Veja mais aqui.

DOIS RISOS – Quando sorris, parece / que de minha alma o tenebroso véu, / que a dor teceu e não desfez a prece / se adelgaça e sutil desparece... / teu riso vem do céu! / Alheias alegrias / o teu sorriso amargo assim corroi / qual veneno cruel! Tais agonias / traduz. - Não choras? Pois também não rias! / Teu riso dói! Poema da poeta Úrsula Garcia (1865-1905), que em carta a Francisca Izidora escreveu: Hoje... para que renome? A mim que penso às vezes com uma espécie de nostalgia na paz do túmulo? Há 17 anos – vês – eu era noiva! Pequenina e gentil, como diziam, vaidosa mesmo, elegante e vivaz, era feliz. Inebriava-me de seu amor e de esperanças... Hoje sou pesada e feia, mesmo cheia de tédio e cansaço... E não tenho futuro. Ambos extraídos da antologia Em busca de Thargélia: poesia escrita por mulheres em Pernambuco no segundo Oitocentismo - 1870-1920 (Fundarpe, 1996), organizado por Luzilá Gonçalves Ferreira. Veja mais aqui.

ENCONTRO DOS PALMARENSES
 
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O pensamento de Noam Chomsky aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680).
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quarta-feira, dezembro 06, 2017

AGOSTINHO DA SILVA, MARCIA TIBURI, ALCÂNTARA MACHADO, ANTÔNIO MENESES, RICARDO CORONA, ALINA IBRAGIMOVA, LUCINDA LYONS, RESILIÊNCIA & PESQUEIRA

A VIDA É MUITO MAIS - Imagem: arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. - A vida é plena e o sonho é grande além dos sentidos. Para quem sabe a miudeza dos que se arvoram donos do saber e nada sentem nem vivem, valho-me do discernimento, vou entre Esfinges, Pinóquios e Franksteins com seus narizes fálicos assombrados com seus monstros e maravilhas traduzidas e explicadsa por seus próprios erros e julgamentos. Deles me chega algaravias dos vultos forjados na discórdia dos que mandam e saltam das páginas dos livretros para ganharem vidas prórpias e fazem de tudo para todos o que querem e em nome de seus interesses vendem ilusões e mentem, enganam, traem o propósito real e original que não sabem, para se sentarem ao lado dos que ignoram as máscaras do embuste da ignorância atávica, ocultando atrás das portas as intenções além das abstrações inalcançáveis. A mim chegam engalanados e mimosos, e os revelo da boca para o ouvido e logo se extinguem entre as muitas dimensões ao meu redor, porque sei do incompreensível e paradoxal, e cuido da minha vida e não interfiro no alheio. O Verbo sou galáxias inteiras e muitas pela espiral ascendente dos muitos níveis da evolução com o Fogo Purificador e a legislação moral do Livro da Revelação, e persigo pelos cento e vinte e cinco degraus que levam ao Criador, a me dar a capacidade infinita de ser outras tantas e muitas formas e os muitos níveis de compreensão, porque me mantenho entre os doze iniciados da Kabash, e o Zohar e a Hermética, os seiscentos e treze manifestos da Torá, as trinta e duas vias da sabedoria no Livro da Formação, os vinte e dois livros do Explendor para a Sabedoria da Verdade, o Livro da Iluminação, das Emanações, as dez propriedades divinas e suas vinte e duas letras, quando sou semente única em comunhão com todas as outras, a seguir a luz no alto a desfazer mistérios. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o violoncelista Antônio Meneses no Concert Chello Elga & a violinista russa Alina Ibragimova interpretando o Concert to the memorian on the Angel Berg & Violin Bach. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] No político distingo dois momentos, o do presente e do futuro. Principiando pelo segundo, desejo o desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafísica; quero que cada indivíduo se governe por si próprio, sendo sempre o melhor do que é, que tudo seja de todos, repousando toda a produção, por uma lado, no , por outro lado, na fábrica automática; que a criança cresça naturalmente segundo as suas apetências, sem as várias formas de cópia e do ditado que têm sido nas escolas, publicas e de casa; que o social com as suas regras, entraves e objectivos dê lugar ao grupo humano que tenha por meta fundamental viver na liberdade, e que todos em vez de terem metafísica, religiosa ou não, sejam metafísica. Tudo virá, porém, gradualmente, já que toda a revolução não é mais do que um precipitar de fases que não tiveram tempo de ser. Por agora, para o geral, democracia directa, economia comunitarista, educação pela experiência da liberdade criativa, sociedade de cooperação e respeito pelo diferente, metafísica que não discrimine quaisquer outras, mesmo as que pareçam antimetafísicas. Mas, fora do geral, para qualquer indivíduo, o viver, posto que no presente, já quanto possível no futuro; eliminando o supérfluo, cooperando, aceitando o que lhe não é idêntico – e muito crítico quanto a este -, não querendo educar, mas apenas proporcionando ambiente e estímulo, e procurando tão largo pensamento que todos os outros nele caibam. Se o futuro é a vida, vivamo-la já, que o tempo é pouco; que a Morte nos colha e não, como é hábito, já meio mortos, aliás, suicidados. [...]. Trecho da obra Textos e ensaios filosóficos (Âncora, 2000), do filósofo, poeta e ensaísta português Agostinho da Silva (1906-1994). Veja mais aqui.

PESQUEIRA – O município de Pesqueira compreende administrativamente os distritos sede, Cimbres, Mimoso, Mutuca, Papagaio e Salobro, e os povoados Ipanema, Cajueiro, Beira Mar, Capim de Planta, Papagaio de Cima, Marimbas, Pacheco e Cacimbão. Está inserido na unidade geoambiental das encostas ocidentais do Planalto da Borborema, destacando-se as serras do Mimoso e do Ororubá. Na Serra do Ororubá vivem os índios Xukuru, em 24 aldeias, consolidando o município como o maior reduto indígena do Nordeste. A terra indígena, homologada em 2001, ocupa uma área de 27,5 mil hectares, onde os índios desenvolvem atividades agrícolas e bordados tipo renascença. Além disto, no núcleo urbano habitam aproximadamente 200 famílias indígenas, sobretudo no bairro Xukurus. A tribo dos Paratiós foi extinta e dela quase não há registros. A sua história começa em fins dos anos 1659/1660 com a fundação de uma missão da Congregação do Oratório, fundada junto à tribo cariri de nome Xujuru, que habitava a serra. O local foi batizado de Monte Alegre, depois se tornou Cimbres e fora elevada à categoria de vila em 3 de abril de 1762. Antes disso, segundo carta de sesmaria datada de 24 de janeiro de 1691, o lugar já era sede da Capitania de Ararobá. Ao que parece, a dita capitania foi transferida para os Campos dos Garanhuns por volta de 1727. A capitania voltaria para Monte Alegre em 1762, com a elevação da povoação à categoria de vila e sede de município. A partir de 1800, uma fazenda começou a ser instalada, de nome de "Poço Pesqueiro" (ou "da Pesqueira", como também se encontra nos registros mais antigos) e começou a progredir com rapidez. Tanto que a 13 de maio de 1836, Poço Pesqueiro já era uma povoação vistosa e fora elevada a vila com o simplório nome de "Pesqueira". Junto com a elevação a vila, Pesqueira recebeu a sede do Município de Cimbres (que no alto da serra, já não era tão viável para assuntos políticos e o comércio). Em 1880 a vila foi elevada a cidade com o nome de "Santa Águeda de Pesqueira", que não vingou e recebeu o nome de "Pesqueira". A vila de Cimbres foi a ela anexada e, juntas, Cimbres e Pesqueira formaram o município de Cimbres até 1913, quando "Pesqueira" passou definitivamente a ser o nome do Município, passando a antiga sede a mero distrito. O município encontra-se inserido nos domínios das bacias hidrográficas dos rios Ipanema e Ipojuca, e seus principais tributários são: o Rio Ipojuca, além dos riachos: dos Pebas, Cana-Brava, do Boi, Santana, Gravatá, Ceguinha, da Atravessada, do Guerra, Quebra-Roça, do Bálsamo, Baraúnas, Liberal, Papagaio, do Belo e Salobro. Veja mais aqui.

NEOFUNDAMENTALISMO & CRENÇA ÚTIL– [...] o neofundamentalista cultua a mais bruta ignorância, a que despreza o conhecimento. Se lembrarmos de Walter Benjamin definindo o capitalismo como religião, o neofundamentalismo analogamente corresponderia à ignorância como religião. [...] A ignorância é, assim, o próprio fundamento [...] é sempre desonesta. Não importa se ele acredita ou não no que diz. Ele está em busca de efeitos e causando efeitos para ter resultados traduzíveis em lucros: dinheiro, audiência, votos. Em última instância: poder. Daí que seja fácil fundar igrejas ou shoppings em um mundo em que Deus – que ocuparia o lugar da verdade nas religiões – se confunde com mercadorias, em um mundo em que a Indústria Cultural da religião embota toda a relação com a transcendência. Diferente do simples crente para quem a verdade é o cerne de uma crença capaz de orientar pensamento e atos, o fundamentalista usa sua crença, na qual, a propósito, não pode ter certeza de que ele realmente creia. Ao usar a crença, o fundamentalista desrespeta não apenas a crença alheia, mas a própria crença em nome da qual age. [...] Ele odeia a verdade que finge amar, assim no campo religioso, odeia um deus que ele não possa explicar. [...] Como um desesperado, sem um Deus em quem possa confiar, ele se autodenuncia em sua descrença. O fundamentalista é a prova de que Deus, mesmo que possa existir, não existe. Trechos do artigo Neofundamentalismo: culto da ignorância e crença útil (Cult, outubro 2014), da filósofa, escritora, professora universitária e artista plástica gaúcha Marcia Tiburi. Veja mais aqui e aqui.

RESILIÊNCIA – [...] O grau de resiliência pode ser alterado pela educação e é assim possível injetar confiabilidade, segurança e esquemas de organização mesmo em pessoas ou comunidades aparentemente apáticas. A pessoa ou organização resiliente necessita ser ágil, apresentar facilidade em acolher a diversidade, contextualizar o conhecimento e sua cíclica transtormação, revelar poder sistêmico e criar solidariedade, sabendo dar a volta por cima, reajustar-se rapidamente após perturbações, choques ou frustrações e, sobretudo, achar saídas. Saber explicar-se, possuir autoconfiança, sentido da efemeridade e da importyancia da biodiversidade, e construindo-se permanentemente realizam julgamentos éticos. O grau de resiliência de uma pessoa pode até ilustrar seu potencial de inteligência, considerando que a inteleigencia é a capacidade de resolver problemas e criar produtos de valor social. [...]. Trecho extraído da obra A construção de uma nova pedagogia para uma escola pública de qualidade (Vozes, 2009), do educador Celso Antunes. Veja mais aqui.

APÓLOGO BRASILEIRO SEM VÉU DE ALEGORIA – [...] Belém vibrou com a história. Os jornais afixaram cartazes. Era assim o título de um: Os passageiros no trem de Maguari amotinaram-se jogando os assentos ao leito da estrada. Mas foi substituído porque se prestava a interpretações que feriam de frente o decoro das famílias. Diante do Teatro da Paz houve um conflito sangrento entre populares. Dada a queixa à polícia foi iniciado o inquérito par aapurar as responsabilidades. Perante grande número de advogados, representantes da imprensa, curiosos e pessoas gradas, o delehado ouviu vários passageiros. Todos se mantiveram na negativa, menos um que se declarou protestante e trazia um exemplar da Biblia no bolso. O delegado perguntou: - Qual da causa do motim? O homem respondeu: - A causa verdadeira do motim foi a falta de luz nos vagões. O delegado olhou firme nos olhos do passageiro e continuou: - Quem encabeçou o movimento. Em meio da ansiosa expectativa dos presentes, o homem revelou: - Quem encabeçou o movimento foi um cego! Quis jurar sobre a Bíblia mas foi imediatamente recolhido ao xadrez porque com autoridade não se brinca. Trecho do conto extraído da obra Novelas paulistanas (José Olympio, 1961), do escritor Alcântara Machado (1901-1937). Veja mais aqui & aqui.

ONDAS NA LUA CHEIA (POEMA SOB INFLUÊNCIA) – A lua que tudo assiste / agora incide / O mar / — sob efeito — / ergue-se / crispado de ondas espumantes / Sua língua de sal / lambe e provoca / as escrituras da areia firme / Ondas deslizantes / redesenham / onde outras ondas ainda / desredesenharão, / fluindo / no fluxo / da influência / Sob efeito lunar / o mar muda / e a lua, / antes toda, / agora, mínima / e quem com ela muda?). Poema extraído da obra Ladrão de fogo (Medusa, 1999), do poeta, tradutor, editor e performer Ricardo Corona.

ARTE & PERFORMANCE
Corpo Política – performance  Almoço sobre a relva, de Natasha de Albuquerque & Conceito contra conceito, de Maria Eugência Matricardi. .Fotos: Pamela Guimarães.

Veja mais:
O pensamento de Rose Marie Muraro aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora inglesa Lucinda Lyons.
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terça-feira, maio 20, 2008

WALTER BENJAMIN, PRIMO LEVI, EAGLETON, ARCHIBALD MACLEISH, LUCINDA LYONS & DORO.

 
A arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. Veja mais aqui e aqui.


DORO & A CAPOTADA DO GUARDA - Andei estranhando a ausência de Doro nos últimos dias. Onde andará aquela cabecinha tola? Sumir assim, hem? Carece de cuidados, senão, a coisa sobra pra minha banda e eu não estou a fim de encarar boca de caieira nem tão cedo. Mas que estranhei, estranhei. Logo ele que é achegado a carnaval dar uma desaparecida dessa, tem coisa, tenho certeza que tem coisa. E teve. Pois bem, passada a semana carnavalesca, foi quando vim tomar pé do que ocorrera com o inditoso. Acontece que, como sempre e isso sua alma sebosa jamais se livrará, numa penúria da gota, Doro andava batendo biela, apertando o juízo e procurando a luz no fim do túnel, para não perder, de jeito maneira, de participar do desfile do bloco d´A Onça Cagada, bloco tradicional das puladas e frevadas abundantes da região. Negócio pra cinema mesmo de tanta macacada. É preciso esclarecer, de antemão, que o bloco nasceu de uma lenda. Foi, dizem. Contam de uma senhora de estatura mediana que era casada com um político afamado nas locas e grotões nordestinos, daqueles de deixar um folclore enorme como herança, apenas. Insinuam ter sido ele lobisomem e que, vítima de um ataque de priaprisma, foi enterrado de pau duro nas terras do famigerado. Até hoje, na redondeza, dizem que corre bicho toda sexta-feira de lua cheia. E asseveram que é o coronel Cara de Onça que sai atacando as desavisadas e perdidas. Por causa disso, um mistério encobria a vida diurna e noturna de D. Onça que, segundo dizem, atormentada toda noite pelo defunto tarado do marido, andava a abusar da bebedeira, podendo vê-la quase sempre completamente embriagada. Certa feita, então, D. Onça assumiu cargo importante na administração municipal - um daqueles arrumadinhos de compadrio só para enfeitar o cabide de emprego público -, onde passou a ser requisitada pela sua irreprimível força de tomar providências as mais cabeludas. Se realmente tomava providências, não sei. Mas que a bruaca era virada na capota choca e braba, ah! isso era mesmo! Mulher-macha mesmo, como diziam todos. Num dia lá de confraternização, diz-se que depois das doze badaladas noturnas, a D. Onça fora surpreendida pelo defunto do marido que queria pegá-la a pulso ali mesmo. O que foi? Que rebuliço é esse, hem? Ninguém sabia, só se via a mulher endoidada. Foi um corre-corre, dela findar devidamente cagada na presença de todos. E o pior: ela na festa, nem aí. Desse incidente, poucos dias depois, a mulher morreu e, sabe-se que depois de sua morte, passou a atormentar a vida dos casados, solteiros, viúvos e abestalhados toda sexta-feira de lua cheia. Quem sentisse fedor de bosta na redondeza, tinha de correr porque a Onça Cagada arrastava o sujeito vivinho para uma cova no cemitério para nunca mais saber de notícias dele. Assim é, há anos. Até o dia que inventaram o bloco d´A Onça Cagada em homenagem a tão insólito acontecimento na redondeza. No bloco, como de costume, os homens saem vestidos de mulher; e a mulher, de homem. Tudo com cara de onça e melado de bosta. Aquela fedentina da peste no meio da rua em dia de desfile. Uma tradição de anos. E Doro, como de resto toda a população, todo doido para participar do desfile daquele ano. Mas, cadê saída para comprar a camiseta do bloco e garantir os passos no calçamento no sábado de Zé Pereira? O cabra estava aperreado, tudo na vida dele era um revertério, nada de dar certo nunca. Destá! Depois de cafungar no pescoço de todas as ocasiões, achou ele a saída. Havia um recrutamento sendo convocado pelo banco de sangue, onde o prêmio era um lanche e uma camisa do famigerado bloco, habilitando o apaideguado que fosse, a dar seus pinotes no frevo. Ôxe, ele nem pestanejou, saiu na carreira, sendo o primeiro a chegar no estabelecimento. Prontificado a fazer o que quisessem, aí ele se dispôs a enfrentar o inopinado. Lá chegando, tomou ciência que era um recrutamento para tomar posse na vigilância do citado banco, tendo em vista que da semana que precede o carnaval até a quarta-feira de cinzas, o negócio ali, é correria braba. Eita, pão no queijo. Porém, depois de se vestir a rigor, antes de assumir, ele tinha que fazer a doação de sangue. Fez. Só que, no meio desse ato de solidariedade, ele viu-se secando todo, vendo ir embora a última gota de sua vitalidade. - Ei, d. Maria, eu tô me secando todo, tô vendo as coisa rodando e pareci qui vou arriar mermo!! Ali em pé secando, as enfermeiras acorreram em seu socorro, deitaram-no mais para que se sentisse melhor. Pior, foi aí que ele começou a se agoniar. - Eu vô morrê, dona! Eu vô morrê!! Vôte, foi uma correria. O médico veio, examinou-lo, tirou pressão, fez eletrocardiograma, pintou o sete. O cara, segundo o entendimento do profissional, estava bonzinho da silva e não entendia aquela agonia toda. - Eu vô morrê, doutô! Eu vô morrê!! - O que você está sentido? - Tô sintindo uma gastura ôca aqui pru dento do estombo, uma coisa ruim remoendo pru dento d´eu todo, vô morrê dotô! Vô morrê doutô!!!! - Mas, segundo meus conhecimentos profissionais, você não tem nada, está tudo normal, pressão, batimentos cardíacos, tudo normal, ora. - Vô morrê dotô! Vô morrê, dotô! Daqui a pouco começou a sentir uma inhaca braba, uma daquelas de bosta fedorenta de não ter quem agüentasse. - Ôxe, e o bloco já saiu foi?! Nada, era o Doro todo cagado, lívido, delirando e caindo da maca. - Segura o homem que ele tá endoidando!!! Parou todo o movimento do hospital só para atendê-lo na sua agonia. Resultado: foi dispensado do emprego por completa inaptidão, mas ganhou a camiseta do bloco para satisfazer sua vontade de frevar. Contudo, por causa do injuriamento provocado pelo seu despropósito, num pôde nem botar a cara na porta, vez que uma cambada de enfermeiro fez plantão justo na sua porta, com o fito de angariar doadores para o banco durante todo carnaval. - Isso é uma porra, armei e me dei mal. Num posso nem pular a cerca que os cara tão de vigilança! Me ferrei! Tô freiado. Por causa disso, Doro passou toda semana pré até a quarta-feira trancado dentro de casa para num armar mais seboseira nenhuma pra cima de ninguém. Perdeu o carnaval e só agora deu as caras. Pode? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  


PENSAMENTO DO DIA – [...] qualquer expectativa de redenção secular, desmancha qualquer esperança teleológica, e, num lance dialético de extrema ousadia, localiza os sinais da salvação na própria impossibilidade de regeneração da vida histórica, ou no impossível esquecimento posterior do seu sofrimento e sordidez [...]. Trecho extraído da obra A ideologia da estética (Jorge Zahar, 1993), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui.

SUPERAÇÃO – [...] também o coletivo é corpóreo. E a physis, que para ele se organiza na técnica, só pode ser engendrada em toda a sua eficácia política e objetiva naquele espaço de imagens que a iluminação profana nos tornou familiar. Somente quando o corpo e o espaço de imagens se interpenetrarem, dentro dela tão profundamente que todas as tensões revolucionárias se transformem em inervações do corpo coletivo, e todas as inervações do corpo coletivo se transformem em tensões revolucionárias; somente então terá a realidade conseguido superar-se [...]. Trechos extraídos da obra Magia e técnica, arte e religião: ensaios sobre literatura e história da cultura (Obras escolhidas, Brasiliense, 1993), do filosofo alemão Walter Benjamin (1892-1940). Veja mais aqui.

SOBREVIVER - Não somos nós, os sobreviventes, as autênticas testemunhas. [...] Nós sobreviventes somos uma minoria anômala além de exígua: somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, não tocamos o fundo. Quem o fez, quem fitou a Górgona, não voltou para contar, ou voltou mudo; mas são eles, os “muçulmanos”, os que submergiram – são eles as testemunhas integrais, cujo depoimento teria um significado geral. [...]. Trechos extraídos da obra Os afogados e os sobreviventes (Paz e Terra, 1990), do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui.

ARS POETICA - Um poema deve ser palpável e mudo / Como redondo fruto, / Quieto / Como velhos vinténs no dedo, / Silencioso como a pedra desgastada / Do batente das janelas onde o musgo faz morada – / Um poema deve ser sem palavras / Como o voo da passarada. / Um poema deve ser imóvel no tempo / Como a lua ascende, / Deixando, conforme a lua liberta / Galho a galho árvores pela noite encobertas, / Deixando, como a lua as folhas de inverno ausenta, / Memória por memória a mente – / Um poema deve ser imóvel no tempo / Como a lua ascende. / Um poema deve ser igual a: / Não há. / Por toda a história da dor / Uma soleira vazia e uma folha de bordo. / Por amor / A relva leniente e duas luzes sobre o mar – / Um poema não deve significar / Mas ser. Poema do poeta, dramaturgo e ensaísta estadunidense Archibald MacLeish (1892–1982).


A arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. Veja mais aqui e aqui.




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As fases da persecução penal brasileira e o prazo razoável aqui.
Fecamepa: o descobrimento do Brasil aqui.
O direito penal do cidadão e direito penal do inimigo aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Leitora comemorando o Tataritaritatá!


Veja aqui e aqui.


CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

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