terça-feira, outubro 04, 2016

PRA VIDA OFEREÇO A OUTRA FACE


INEDITORIAL: DEPOIS DA TEMPESTADE NEM SEMPRE UMA BONANÇA - Salve, salve, gentamiga! A vida prossegue depois de todos os momentos que sejam de sucesso ou de penúria, de surpresa ou de desgraça! Zé Bilola que o diga: hoje num semáforo, sem saber o que fazer da vida depois de conhecer o céu e o inferno de um dia pro outro. Maior vexame. Tomara que tenha aprendido. O que não aconteceu com Zé Peiúdo que meteu o pé na bunda antes da horagá: escapuliu num pinote sem paradeiros pra se livrar das garras da polícia. Já o Doro, esse não. Esse está com a campanha de vento em popa, mesmo errando o alvo e o pleito eleitoral, vai esperar mais uns anos para conseguir registrar sua candidatura a presidente do não sei o quê. Sei que vai, não se sabe pra onde. Vamos, então, pras novidades: na edição a ciência pós-moderna de Boaventura de Sousa Santos, os objetos técnicos de Gilbert Simondon, a totalidade de Leandro Konder, a poética do romance de Autran Dourado, a dança inovadora de Hisako Horikawa, a música de Patti Smith, a arte de Mônica Nador, os grafites de Alex Vallauri, a fotografia de Alfred Noyer, o teatro de rua dos Pombas Urbanas, a Gaia Ciência de Nietzsche, o cinema de Julio Bressane, a arte multimídia de Hudinilson, a pintura de Nancy Bossert & a croniqueta Pra vida ofereço a outra face. No mais, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.

Veja mais sobre
Lição pra ser feliz, Fernando Pessoa, Rajneesh, Graciliano Ramos, Aristófanes. Adriana Calcanhoto, Buster Keaton, Mikalojus Konstantinas, Victor Gabriel Gilbert & Literatura Infantil aqui.

E mais:
O sonho de Desidério & Emmy Rossum aqui.
Literatura de Cordel, A mulher escandinava, Ettore Scola, Francisco Julião, Jarbas Capusso Filho, Sophia Loren, Linguística, Shaktisangama-Tantra, Fetichismo & Abacaxi aqui.
Albert Camus, Robert Musil, Maceió, Jools Holland, Denys Arcand, Pál Fried, Sandu Liberman, Eugene Kennedy, Anna Luisa Traiano, Lady Gaga, Gestão do conhecimento & Capital humano aqui.
Durkheim, Rodolfo Ledel, Claudio Baltar, Micahel Haneke, Samburá, Juliette Binoche, Ernesto Bertani, O artista e a fera, Janaína Amado, Intrépida Trupe, Direito & Mauro Cappelletti aqui.
Big Shit Bôbras aqui.

DESTAQUE: CIÊNCIA PÓS-MODERNA
 
[...] A ciência pós-moderna, ao sensocomunizar-se, não despreza o conhecimento que produz tecnologia, mas entende que, tal como o conhecimento se deve traduzir em autoconhecimento, o desenvolvimento tecnológico deve traduzir-se em sabedoria de vida. Esta  que assinala os marcos da prudência à nossa aventura científica. A prudência é a insegurança assumida e controlada. [...] Na fase de transição e de revolução científica, esta insegurança resulta ainda do fato de a nossa reflexão epistemológica ser muito mais avançada e sofisticada que a nossa prática científica. Nenhum de nós  pode neste momento visualizar projetos concretos  de investigação que correspondam inteiramente ao paradigma emergente que aqui delineei. E isso é  assim precisamente por estarmos numa fase de transição. Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro. Estamos divididos, fragmentados. Sabemo-nos a caminho mas não exatamente onde estamos na jornada. A condição epistemológica da ciência repercute-se na condição existencial dos cientistas. Afinal, se todo o conhecimento é autoconhecimento, também todo o desconhecimento é autodesconhecimento.
Trechos extraídos de Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pós-moderna, do jurista e professor Boaventura de Sousa Santos, autor da obra Introdução a uma Ciência Pós-Moderna (Graal, 2000), na qual ele faz uma crítica e reflexões com propostas que visam compreender a prática científica para além da consciência ingênua, ou oficial, dos cientistas e das instituições da ciência, e aprofunda o diálogo dessa prática com as demais práticas de conhecimento de que se tecem a sociedade e o mundo, submetendo as correntes dominantes da reflexão epistemológica sobre a ciência moderna a uma crítica sistemática, recorrendo à dupla abordagem - suspeição e recuperação. Veja mais aqui e aqui.

PRA VIDA OFEREÇO A OUTRA FACE - Pra quem colheu na rua as topadas da encruzilhada e foi embalado por trocentos desejos adiados prestes a cruzar a próxima esquina, todo paradeiro é distante pelas léguas do sem fim. Valho-me da coragem e resiliência. Aí entôo Nunca chore por mim. Andejo eu voo entre entusiasmos e decepções – é seguir cada qual a sina de agora, desatino da ilusão lutando contra as tentações do desespero diante da injustiça que inflige o sangue nas veias, para atravessar astuto os suplícios na sanção dos desígnios. Pelas ruas ganhei a pose e o disfarce, o abraço e o perigo da delação. Caminheiro eu vou, catando medicante afeto de mão amiga de bom ou mau grado, quem sabe, pouco importa, sei que vou como se definhasse no sonho de alcançar o melhor dos mundos – quanto mais sinto que dele me aproximo, mais longe o trajeto na estrada afora. Solitário eu prossigo com a acuidade do triz contando entre as vítimas sobreviventes do abandono às injúrias, difamações, insultos, mesquinharias, pretextos, avarezas, remorsos, estupidez, repugnância, frustrações, tormentos e menosprezo por todas as suposições e lamúrias que abundam sobre o meu cadáver, pouco importa se vivo ou se sou destroço jogado fora do lance, sobra o amor-próprio se é que ainda resta quase à míngua na redoma da solidão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

UMA MÚSICA: 
Curtindo o álbum Baga (Columbia, 2012), da cantora, compositora, poeta e artista visual estadunidense Patti Smith.


Imagem1: a arte da pintora, desenhista e gravadora Mônica Nador.

O MODO DE EXISTÊNCIA DOS OBJETOS TÉCNICOS - Este estudo é animado pela intenção de suscitar uma tomada de consciência do sentido dos objetos técnicos. A cultura se constitui em sistema de defesa contra as técnicas [...] A agressividade orientada contra as máquinas não é tanto a raiva do novo quanto a recusa da realidade estrangeira [...] a mais forte causa de alienação no mundo contemporâneo reside nesse desconhecimento da máquina, que não é uma alienação causada pela máquina, mais pelo não conhecimento de sua natureza e de sua essência, pela sua essência do mundo das significações, e pela sua omissão na tabela de valores e dos conceitos que fazem parte da cultura. [...]. Trecho extraído da obra EI modo de existencia de los objetos técnicos (Prometeo, 2007), do filosofo e tecnologo francês Gilbert Simondon (1924-1989), tratando sobre a gênese e evolução dos objetos técnicos, as condições da evolução técnica, o ritmo progressivo técnico, o aperfeiçoamento contínuo e descontínuo, as origens absolutas de uma linguagem técnica, a hipertelia e autocondicionamento, a individuação técnica, encadeamentos evolutivos e conservação da tecnicidade, a lei do relaxamento, o homem e o objeto técnico, os modos fundamentais da relação do homem com o dado técnico, maioridade e minoridade social das técnicas, significação do enciclopedismo, função reguladora na cultura na relação entre o homem e o mundo dos objetos técnicos, a essência da tecnicidade, o pensamento técnico e o pensamento filosófico, entre outros assuntos. Veja mais aqui.


Imagem: os grafites do artista italiano radicado no Brasil Alex Vallauri (1949-1987).

PERNSAMENTO DO DIA: A TOTALIDADE - [...] A síntese da visão de conjunto que permite ao homem descobrir a estrutura significativa da realidade com que se defronta em uma situação dada. E é a estrutura significativa – que a visão de conjunto proporciona – que é chamada de totalidade. Trecho extraído da obra O que é dialética (Brasiliense, 1983), do filósofo Leandro Konder (1936-2014).

Imagem: Sleeping woman on a divan (1910), do fotógrafo Alfred Noyer.

UMA POÉTICA DO ROMANCE - [...] Tudo isso tem a sua razão de ser, chego mesmo a reconhecer que venha a ter importância para a sociologia – certas horas também duvido – e mesmo o socialismo (mesmo para a revolução proletária), para a psicologia e psicanálise (mesmo para a cura dos doentes... É altamente nobre, meritório e, como antigamente se dizia, cristão, mas pouca coisa tem a ver com o romance, com a narrativa e as suas estruturas, com o personagem e a vida do romance [...] Às vezes o leitor, quando o sinal é bastante caracteristico e forte, é capaz de “ver” perfeitamente o personagem, saber até como é o seu rosto, coisa que não acontece com o romancista, que quase sempre não sabe como é a cara da sua criatura. Repito: não se deve confundir essa “inocência” e pessoalidade com inconsciência, confusão, descontrole do material, despreparo artesanal, artesanato por natureza lúcido. Já casos em que não é nem um sinal físico do personagem, mas um jogo verbal do escritor [...]. Trechos extraídos da obra Uma poética do romance (Perspectiva, 1973), do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado (1926-2012). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: a arte inovadora da coreografa japonesa Hisako Horikawa, explorando o potencial da voz e do corpo.


 
POMBRAS URBANAS - O grupo Pombas Urbanas teve início em 1989, no projeto Semear Asas, concebido pelo artista, dramaturgo, ator e diretor peruano Lino Rojas (1942-2005), com o objetivo era de formar jovens de São Miguel Paulista, enquanto atores-orgânicos; aquele que não dissocia a arte da vida: produz, administra e alimenta sua própria arte. Com a sua orientação o grupo desenvolveu pesquisa sobre a formação do ator, linguagem e dramaturgia. E, em 20 anos de grupo, criou e montou um repertório de 12 espetáculos com diferentes linguagens: teatro de rua, palco italiano, público infantil, jovem e adulto. Entre os espetáculo que tive oportunidade de prestigiar, foi o Largo da Matriz (2004), texto e direção de Lino Rojas, que é um cortejo de Folia do Divino, tendo á frente um índio que carrega a imagem de um preto velho e um Jesus crucificado, com uma ação que se passa numa cidade imaginaria que será disputada pelo anjo e pelo diabo. Os integrantes do grupo são Adriano Mauriz, Juliana Flory Motta, Marcelo Palmares, Marcos Kaju, Natali Santos, Paulo Carvalho & Ricardo Big. Veja mais aqui.


DIAS DE NIETZSCHE EM TURIM – O drama biográfico Dias de Nietzsche em Turim (2001), dirigido por Júlio Bressane, é uma recriação do período entre abril de 1888 e janeiro de 1889, em que o filósofo viveu na cidade italiana, na qual escreveu alguns de seus textos mais conhecidos Ecce Homo, Crepúsculo dos Ídolos e Ditirambos de Dionisos, entregando-se totalmente às suas próprias idéias, envolvendo-se com a arte, ciência e sua própria vida. Destaque para as Leandra Leal & Mariana Ximenes, como também pro ator Fernando Eiras. Veja mais aqui.

 
Imagem: a arte do artista multimídia Hudinilson Urbano Junior (1957-2013).

AGENDA: III COLOQUIO SOBRE INCLUSÃO – Acontecerá entre os dias 13 e 14 de outubro, na cidade de Feira de Santa – BA, o III Colóquio sobre inclusão: desafios para superação de barreira de acessibilidade, propondo aprofundar discussões sobre inclusão social da pessoa com deficiência, envolvendo a comunidade da UFRB e a sociedade em geral. A atividade está sendo desenvolvida por docentes, discentes e técnicos do Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - CETENS/UFRB que compõem o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade – NETAA. Para uma inclusão social eficaz, considera-se crucial que as barreiras de acessibilidade existentes no ambiente sejam atenuadas ou eliminadas, sejam elas urbanísticas e arquitetônicas, no transporte, na comunicação e na informação, metodológicas ou programáticas, tecnológicas ou atitudinais. Assim, o III Colóquio sobre Inclusão está organizado a partir de mesas dialógicas, agregando-se à programação atividades culturais e apresentação de trabalhos acadêmicos no formato de pôster, esperando-se como resultado estimular estudos e práticas assertivas sobre inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Veja mais aqui e aqui.

A GAIA CIÊNCIA
E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequencia – e do mesmo modo esta aranha e este lugar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” – Não te lçançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demonio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?
O mais pesado dos pesos, trecho extraído do Livro IV, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude, de Nancy Bossert.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


A MULHER & BOM PASTOR, JEAN DE LÉRY, BARDAWIL, GALBRAITH, DESIGUALDADE, PICA-PAU & ARRELIQUE DE OZI

Livro, curso & consultas aqui . ARRELIQUE - Arrelique é coisa de menino, dona Judith, de menino levado da breca que sai bandolei...