terça-feira, outubro 09, 2007

PROEZAS DO BIRITOALDO




I

Quando os Anjos Pagam o Pato Pela Bagunça no Céu!

Aqui começa uma história. E com ela, nasce um personagem. Tudo ocorreu quando Biritoaldo excedendo nos copos da aguardente, invadiu a residência do vizinho, no maior dos efeitos mais audazes da carraspana.
O pinguço dançou com a mulher do coitado, mijou nas panelas, cagou na porta do banheiro, flertou a empregada, deu ordem para todo mundo ficar nu, fez arruaça em cima dos móveis e, ainda, depois de tudo, amarrou o maior bode e caiu, por fim, pesado no divã. O vexame foi tão grande que abriu até o olho de defunto timorato. Curiosos de todas as paragens testemunharam, in loco, todo ocorrido, passando de boca em ouvido, até ganhar o exagero dos comentários noutros rincões.
Como já se sabe, nas principais províncias desta terra de meu deus, o pipoco é maior que a espoleta, dado o poder ilibado de aumentar as coisas que os comentaristas populares habilmente informam aos alheios. Se o negócio é do tamanho dum zigue-zigue toma logo proporções de um boeing para zepelin, tal a criatividade inventiva dos boateiros em arrolar detalhadamente as minudências escandalosas duma minúscula e insignificante leseira. Tá aí o retrato fiel da pabulagem no trato de petas e boatarias.
O sucedido virou noticiário de uma semana pra outra no repertório de fofocas dos mais despudorados encontros de mesa de bar, assento de barbeiro, serviços de manicura e pedicura, roda de pescadores, reunião de caçadores e motoristas e vigias noturno, tudo alinhavado em minudências com as devidas e respectivas pitadas bem condimentadas nos anais invencionice. Olhe só o besouro tomando corpo e ficando abundante.
Já de manhã, o bebão despertando com um gosto de chapéu velho na boca e vitimado de uma puta ressaca daquelas de nem querer abrir o olho por causa do peso da cabeça, foi tomando, aos poucos, ciência do bafafá. Estava tão atordoado devido a distinta embriagues não haver dispensado seu forte efeito ainda. Lentamente fez menção de se levantar, que combalido. Teve certeza da impossibilidade de ficar de pé, optando, então, sentadinho, em só admirar o ambiente. Havia algo de diferente na sala, feliz por constatar móveis novos, bem arrumados e melhor distribuídos. Que coisa? Tava cheio de empáfia, ancho, pabo, mordaz, elogiando o bom gosto da esposa. Impressionou-se mesmo com a criatividade decorativa dela, concluindo ter sido realizado ali uma verdadeira faxina para suntuosidade. Onde aprendera a fazer aquilo? Mulher tem cada pantim!
Numa investigação mais acurada, ficou surpreso com a reforma feita de um dia para o outro, sem sua anuência, sem seu pitaco, sem sua participação, naquela dependência da casa.
- Ou essa mulher tá de beiço virado ou arrumou macho para me desbancar! Deve de ter sido bem cara para ficar nesse luxo todo -, indagando solitariamente.
Notou que ali não havia um televisor colorido dos grandões, de num sei quantas polegadas, sem botão algum, acompanhado de um... vídeo-cassete! E um vídeo-game! Todos depositados num rack elegante.
Ora, também não possuía aquele telefone cheio dos trinques num criado mudo. Não lembrava mesmo de ter comprado tais objetos. Ou seria fruto de pintos na sua carteira?
Espantou-se com a empregada ajeitada toda, alisando um aparelhagem de som de última geração. Hum...
- Empregada nova, hem? Essa minha mulher é cheia das munganga...
Tomou a direção do quarto no afã de maiores explicações e qual não foi o jeito dele ficar estupefato de quase cometer um delito à queima roupa, vez que não era ele aquele que se encontrava na sua cama. Eita! O sangue ferveu. Emputeceu-se prevendo a gaia. E foi tomar satisfação: a mulher não era dele, tampouco. Que alívio!
- Danado um negócio desse! Empresta minha cama para a safadeza dos outros, hem? -, reclamou partindo para cozinha.
Enquanto caminhava enraivecido foi notando que ali agora possuía um corredor, uma mobília nova e até um quintal que antes não estavam ali.
- Ainda é pouco! - exaltou-se, abufelado com a certidão do fato: - muda de casa e não me avisa nada!
Os dois intrusos que antes estavam na sua cama já lhe exigiam silêncio por causa da zoada que ele violentamente fazia.
- Quem manda nesta porra ainda sou eu! Fora daqui todos os dois! -, gritou, esganando-se, quando eles exigiram que falasse mais baixo para não acordar a criança no berço.
- Agora sim!
Verdadeiro cu de boi na área do Central, não fosse a intervenção salvadora de Munga, sua esposa, esclarecendo a situação.
Quer saber? Se tiver paciência, só no próximo capítulo. Héhéhéhéhéhé!

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

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