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terça-feira, janeiro 09, 2018

JOAN BAEZ, FAUSTO WOLFF, DOWBOR, JEANINE BAUDE, ANNA RAZUMOVSKAYA, LED ZEPPELIN, POCHMANN, MICHELLE L’AMOUR & SAPO ADERBAL.

SAPO ADERBAL - O sapo Aderbal é um acinte, ele se acha: falante, embecado, a soberba chegou ali e ficou. Pavoneado, muito esperto a jogar chistes: sapo de fora não chia. E arremata: quem vai na garupa, não mexe na rédea. Todo cheio de modas e modos, larga pilhéria: sapo não pula por gosto, mas por precisão. Quando não, fica recitando o poema de Bandeira: foi! Não foi! Foi! Ou ditando receitas culinárias, conselhos conjugais, advinhando cartas, prevendo o futuro, afora aulas de dança, canto e de fantasias sexuais. Isso mesmo, metido a namorador, o que passou de jias, rãs e pererecas não está no gibi, afora sodomizar sapos indecisos. Meteu-se em política, pintou o sete, maior fanfarrão de chegar a ser gerente do purgatório. Ah, não! Na hora do aperto era só solfejar: Sapientis mutare concilium! Pois é, escapuliu de lá pulando no meio da várzea pra virar o rei dos patins e patinetes, caçoando de todos e, vez em quando, aparecer amostrado cantor lírico. Ah, tudo tem limite, né? Os meninos, por vingança, queriam pegá-lo pra jogar aos espinhos e ele na maior: isso não me causa o menor dano. Queriam queimá-lo vivo: no fogo eu me sinto em casa. Iam sacudi-lo nas pedras, e ele: eu acho bom demais; furá-lo de faca, ah não me atravessa; resolveram, então, jogá-lo na lagoa, ah, não, ele pediu pelo amor de Deus, ajoelhou-se, lamúria das grandes: que me bote no fogo, furasse com espinho, cortasse com faca, qualquer coisa, menos na água que morria afogado. Oxente! Ah, assim fizeram. Ele de lá saiu aos pulos gritando: Eu sou bicho d’água! A-há, sabia lá de sapo com medo d’água, hem? Sabido. Doutra feita aparecia saudoso contando do seu primeiro casamento com a Princesa Jia. Foi uma vez ele andou muito pelo mundo afora, andou demais, cansado e faminto, deu de cara com um palácio esquisito e deteriorado. Bateu na porta e uma voz estranha lá de dentro mandou entrar. Entrou, descansou, jantou e foi surpreendido por uma Jia que não tinha mais fim, grandona, gorda, repelente. Aí ela lhe deu um saquinho muito sujo, encardido, amarrado por um cordão imundo: Tome, vá e leve como lembrança para sua mãe. Ele foi e em casa, a mãe enojada jogou o saquinho no chão: muitas moedas de ouro, brilhantes, pedras preciosas e tudo de muito. Todos admirados, maior festa, e logo arribou sem se demorar, pé na estrada. Retornando ao castelo, a Jia depois de servir almoço, janta e café da manhã, deu a ele um vidrinho com a boca quebrada, cheio de uma água que parecia lodo: Tome, vá e leve de presente pra sua mãe. Ele foi e lá, a mãe ao destampar e sacudir o vidrinho, qual não foi a surpresa: surgiram as maiores belezas do mundo, camisas, toalhas, lençóis, fronhas, todos os arranjos de casa, bordados delicados e de cores tão feiticeiras que mão de gente não podia ter feito. Todos felicitaram e ele, ancho de pabo, partiu feliz de volta pro seu aconchego. Um ano depois, a Jia falou pra ele apresentar sua noiva. Ah, mas eu não tenho noiva! Tem sim, sou eu. Vixe que ele quase teve um troço: essa coisa! Mas foi, no caminho a Jia cai mas num cai, aquela mangação toda, ele ajeitando ela pra não cair do cavalo, até que ouviu-se um estrondo e passou um clarão azul, tão forte, que cegava. Ele fechou os olhos e quando os abriu, estava diante da mais bonita princesa que reluzia como uma estrela, vestida de seda bordada de ouro e com muitos brilhantes. Ela então disse: Eu fui a Jia que não recusaste para noiva e nunca fizeste pouco dos presentes e da minha feiúra. Estou desencantada e serei sua esposa fiel e amante. Foram os dias mais felizes da vida, relembrava de quase virar os olhos. O que é bom dura pouco e findou sozinho, ninguém sabe como. Quem acreditava numa lorota dessa? Ninguém. Mas ele não se dava por vencido. Contou que foi pra Festa no Céu! Como? Todo mundo convidado, menos ele, sabiam todos. Não passou batido, disse pra todo mundo que fora convidadíssimo e lá estaria todo nos trinques. Todos morreram de rir com sua jactância: Você vai mesmo? Ah, se vou, e até lá, sem falta! Sem que percebessem, ele saiu, deu uma volta e ao se deparar com a viola do urubu, meteu-se dentro e encolheu-se todo. O urubu agarrou-la e pôs a tiracolo, batendo asas pro céu. Lá chegando, arriou a viola num canto e foi procurar o povo da festa. Logo apareceu Aderbal todo janota, participou de tudo e lá pras tantas já de madrugada, ele saiu de fininho e se escondeu de novo dentro da viola. No voo de volta, o urubu sentiu um mexido dentro do instumento, foi ver, lá estava Aderbal encolhido que só uma bola. Ah, tais aí, né bichinho! E daquela lonjura, emborcou a viola e ele caiu: Béu-béu! Se eu desta escapar nunca mais bodas no céu! Em queda livre gritou pras pedras da serra: Arreda pedras, senão te arrebento! E aí? Lascou-se, teibei. Caiu que nem um jenipapo, só os pedaços. Aí Nossa Senhora com pena dele, juntou tudo e enviveceu o enrolador que agora tem o couro todo cheio de remend0s. Tais vendo, tu? Aprendeste a lição Aderbal? Qual nada. Nem mesmo quando todo mundo morria de medo da Lagoa do Bicho, lugar asombrado, adusto, inclemente, diziam temerosas bocas aos ouvidos muitos, lugar onde reina um bicho misterioso, fantástico e aterrador. Quiseram tirar o terror a limpo e foram pra mais de mil, armados até os dentes, levando tudo nos peitos. Depois de noites e dias, quando venceram todos os temores e alcançaram toda dimensão do lugar, só encontraram Aderbal todo empalitozado entoando solfejos e lalarilarás de banca e gracejo. Ah, tá, isso é que é marmota, não é não? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música da cantora e compositora estadunidense Joan Baez live in New York & Al Star 75th Birthay Celebration, a banda brtânica Led Zeppelin live no aniversário do guitarrista Jimmy Page & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Precisamos assegurar que a sociedade tenha mais possibilidade de cobrar resultados. Uma população informada pode se tornar cidadã. A população desinformada ou mal informada, como a que hoje temos, tende a ficar apenas angustiadas [...]. Pensamento do economista e professor Ladislau Dowbor. Veja mais aqui.

DESENVOLVIMENTO SOCIAL INCLUSIVO - [...] As possibilidades técnicas e humanas contemporâneas sinalizam a necessidade de compreensão da realidade como uma totalidade em frequente transformação [...] Precisamos dar um verdadeiro salto à frente dos limites e condicionalidades do atraso, para ocorrer a reconexão entre o que realmente somos e o que verdadeiramente podemos ser. Trecho extraído de Por um projeto de desenvolvimento socialmente inclusivo (José Olympio, 2008), do economista Márcio Pochmann.

O JARDINEIRO - [...] Desde garotinho já dava mostras do mau caráter que seria. Todo bairro tem, ou pelo menos tinha, aquele garoto que, ou por ser efeminado, ou por ser mais fraco, acaba sendo sodomizado pelos outros. Na nossa rua não existia um menino assim, mas existia o Arrabão que, embora não tivesse qualquer remota tendência homossexual, se deixava usar por dinheiro. Gordinho, dentulo, quatro olhos, sempre teve pelo dinheiro um amor profundo e sincero. Adorava o dinheiro e se deixava... sem trauma, remorso ou culpa, pelos garotos. Seus pais, embora pobres como os pais dos outros moleques, eram os mais ricos da rua. Como Arrabão era o único a possuir uma bola de futebol, ele a alugava. Na escola, denunciava aos professores qualquer traquinagem que houvéssemos feito e, por alguns selos, estampas do sabonete Eucalol, bolinhas de gude ou um dinheiro extra, deixava que espiássemos a sua mãe tomar banho nua. [...] Desde menino, demonstrava possuir todas as qualidades necessárias ao grande político, homem de negócios, banqueiro, industrial, latifundiário, ladrão, enfim. Um vencedor que certamente iria longe. Depois de falsificar um cheque e retirar do banco todas as economias do velho pai, mudou-se para São Paulo onde, em pouco tempo, já era dono de um prostíbulo que oferecia menores para pedófilos. Ganhou muito dinheiro. De volta ao Rio, com o capital do lenocínio, inaugurou uma cadeia de supermercados, comprou um banco, investiniu numa rede de televisão da qual acabou por se apropriar através de métodos que seriam considerados escusos antes do Brasil transformar-se numa democracia neoliberal. Dizem que, além disso, hoje em dia, tem terra no Pará onde se poderia instalar umas três Bélgicas, e é testa-de-ferro de inúmeras multinacionais tão necessárias para a modernidade de um país como o nosso. Finalmente, para não ter mais que apelar para o poder, transformou-se no próprio poder ao comprar os votos necessários para se eleger senador. [...]. Num país onde não existem mais crotos, apenas ex-crotos, num país onde se noticia o futuro, num país onde se plantam doenças em vez de flores, tudo pode acontecer. “Como foi que deixamos a coisa chegar a esse ponto?”, me perguntei enquanto era preparado pelo barbeiro, manicure, alfaiate e tres seguranças, para o meu próprio enterro. Extraído de Melhores contos (Global, 2007), do jornalista e escritor Fausto Wolff (1940-2008). Veja mais aqui.

UM DILÚVIO EM SUSPENSO – I – O apagar de si mesmo, de uma parte de si, a mais profunda. A medida do ser. O combate sem armas. A luta corpo a corpo. A neblina que enregela por antecipação. Somente a neve pode nutrir o olhar. Apaziguar o futuro. Ela ilumina os cabelos. II – Membro pro membro, desmembrar-se sobre uma linha invisível do horizonte. Se cantar Manhatan vai despedaçar os gatos, as pessoas, op mínimo passante, o vagabundo, a rua, o céu. O ocoeano se descama na medida em que as vagas roçam os buildings de aço, os tanques, os vigamentos, a fumaça negra dos pássaros, lá em cima. III – Não há saída. Acomodar-se no céu. Restringir-se a sua parte corpórea. O menor grão de areia revoluteia difuso. IV – A nece continuamente, todos os dias, sobre as caçadas, o asfalto, o alcatrão, os bueiros do esgoto. A neve aos montes, no canto das ruas. Ninguém retira. Ela se enrijece, gelada. Agarra-se aos passantos que estremece. Para a história. V – A mudança de estação, inoportuna, esfrangalha. Reter-se do lado de cá. Acreditar-se protegido. Entre o mar e nós, a mesa sobre seus quatro pés. Um naco de pão, as palavras. VI – As vadas se desdobram sobre os degraus, afrontam o barulho, se desmesuram. A confrontação com elas ignora o tempo, explora o espaço. Todos os imigrantes assinam com seu sangue essa passagem, esse afluxo. Se os sonhos se corroem como os ferros se enferrujam, o cordame dos navios apodrece lentamente. Os corpos defecam longe de casa. VII – No ocoeano, o reflexo das janelas. As vidraças quebradas escrevem a epopéia em negro sobre o verde. O canto se mede por algumas notas fortes. Da múisca trecho que sai da cervejaria em frente ao mar. Lá, as crianças, pés nus em suas sandálias luminosas: elas gritam como latem os cães, erguem seus peitos jovens, chegam às pernas de seus pais. Noras suspensas e lavdas em lágrimas. VIII – A melopéia, a ferida profunda crava-se na espuma, as migaljas de pão jogadas aos pássaros. Na água, adivinham-se vestígios de passos. Entre o fluxo e o refluxo, um cheiro fétido de fritura, a fumaça de um churrasco. Eles escreveram “Battery Historic Park” sobre os toldos azuis das carrocinhas. Os carrinhos de mão sobrem à noite para Broadway. Eles fecham a loha. 1626: Peter Minuit, escuto Duke, Ella, Billie. Na janela que não se abre a chuva, décimo andar. IX – Essa espécie de entorpecimento que retem você. Esse assobio lento nas orelhas. Calçar meias-luvas para permitir que as unhas se arroxeiem. X – Dirigir-se para o norte. Preferir negar o oceano, seus rumores. Ainda pencas de pessoas que se espantam de estarem vivas, empurram-se, cospem no vento que vem do mar. XI – A dor não é apenas uma palavra, mas a cor das pedras. Embrigadas pelo suor dos homens, as pernas esguias das meninas púberes não podem correr. Lenox Avenue, mataram Malcom X na Audubon Ballroom. Numa praça de Brooklyn os balanços rangem sobre os girassóis, as orquedeas, as mãos, a solidão. XII – Um dilúvio em suspenso. Uma esquadrilha. As portas revolveres. Entra-se e sai-se. Sentar-se à noite, em um gigantesco vestíbulo. De novo as cores para matar o tempo. Há mesmo uma margem. De cada lado, um rio. Seria como aprender a morrer. O movimento da água, essa canção de ninar. Poema da escritora e crítica literária francesa Jeanine Baude.

ARTE DE MICHELLE L’AMOUR
A arte da artista neo-burlesca estadunidense Michelle L’amour.

Veja mais:
Dos temores da infância aos arroubos juvenis, o pensamento de Estrella Bohadana, a arte de Nuno Ramos, a música de Mariana Aydar & a pintura de Leonid Afremov aqui.
Fonte na Crônica de amor por ela, Gabriel García Márquez, Paul Éluard, José Paulo Paes, Alan Watts, Carmina Burana de Carl Orff, Michel de Montaigne, Fernando Bonassi, Ingmar Bergman, Birgitta Valberg, Maurice Béjart, Birgitta Pettersson & Rachel Lucena aqui.
Ana Lins, a Revolução Pernambucana de 1817 & Todo dia é dia da mulher aqui.
João Cabral de Melo Neto, Joan Baez, Rigoberta Menchú, Simone de Beauvoir & Eduardo Viana aqui.
A paranoia da paixão por ela aqui.
Manoel Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Parafilias, Ópera Maldita, Giulia Gam & Anna Bonaiuto aqui,
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
O evangelho segundo padre Bidião & Jesus voltou aqui.
Pra tudo tem jeito, menos pro que não pode ou não quer aqui.
Tantas fazem & a gente é quem paga o pato aqui.
Globalização, Educação & Formação Pedagógica, Direito Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
A poética teatral de Federico Garcia Lorca aqui.
DST/AIDS, Educação & John Dewey aqui.
Sincretismo religioso aqui.
Racismo aqui.
O trabalho da mulher aqui.
Levando os direitos a sério, de Ronald Dworkin aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora russa Anna Razumovskaya.
Veja mais aqui.
 

segunda-feira, novembro 20, 2017

HERMILO, MARCEL PROUST, FRANÇOIS CHESNAIS, GIORGIO DE CHIRICO, DOWBOR, MAWU, LUCIAH LOPEZ & XEXÉU

CONVERSA DE SINAL – Imagem: La barca dei bagni misteriosi, do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978) - Lá vou eu entre avistados e conversa de sinal, e aí, tudo bem? Beleza, vamos se vê, legal, é isso aí, e quantas e tantas vezes fui abatido pelos revezes das ocasiões de não saber sequer pronde uma saída, enquanto despencavam pétalas de rosas azuis com a chuva torrencial e eu não vi, o Sol espetacular no meio dia no ouro da vida e eu não vi, a correnteza do rio na queda d’água linda demais e eu não vi o tempo passar, e eu onde estava, sereno e impávido sem pedir licença, inverno afora, todo serelepe com salamaleques embaixo do maior toró de adversidades, ouvindo de outras bocas gasguitas de que assim não pode ficar, reclamos e xingamentos, que vida é essa, hem? Sei lá, chatices, coisas de cortar o coração, vixe! Até já, vamos protestar contra tudo isso, vamos tomar uma, todas, isso é lá coisa que se faça, ora! E lá se vão aparições, envultamentos, o insólito ali na esquina, o paradoxal no noticiário da tevê. E ali, no taco a taco, tudo é como um filme reprisado nas sessões intermináveis, trapos de gente tacanha de cabeça baixa com sua cantoria lúgubre a pedir pelo amor de Deus à bondade alheia das esmolas para salvar suas desgraças, quantos desgostos, choram de fazer dó e me dê isso, e me dê aquilo, a cantilena repetida, pisada e repisada, na ladainha da mendicância de quem se diz que não tem nada e passa fome por uma gororoba que os políticos bancam na hora da festa dos votos, e os novos-ricos jogam moedas depois da missa na manhã dominical, e os agiotas passam com seus carros fechados carregados de grana pro prefeito distribuir 20 reais para quem reelegê-lo, atrás dos vereadores que distribuem cargos e simpatias para encherem o serviço público de gente desqualificada pros laços do compadrio, e os insistentes pedidos diante das promessas e do dia pra noite nada se realiza apenas a barriga cheia com a comida ocasional sob o empenho de que um dia tudo será resolvido depois da eleição e depois dela a cara de pau, nada acontece, e todos choram, choram de fazer dó, um simples carpir de uma gente viciada em pedir o favor alheio, choro de mentirinha, fingidos, curtindo aos motejos o conseguido Às cambalhotas e a ternura humana foi pro beleléu, eu não sei de mais nada, sofro com o meu povo que não sabe o que diz nem sabe o que faz, condoído com os infortúnios intermitentes e assaz dificílimos de golpes e falcatruas e sacanagens. Larguei tudo de mão, paciência é uma virtude imorredoura: amo ao meu povo e ao meu país. Saber se aprendi, não sei, apenas prossigo entre avistados e conversa de sinal. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Gal Costa, Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, Lenine, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Alceu Valença, Ivan Lins, Adriana Calcanhoto, Elza Soares & Maria Bethania. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] A verdadeira viagem de descoberta não consiste em buscar novas terras, mas em vê-las com novos olhos. Pensamento do escritor francês Marcel Proust (1871 - 1922). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A VIDA & A MUNDIALIZAÇÃO ECONÔMICA - [...] Atrás da expressão neutra da “mundialização da economia” e seu corolário já mais explícito da “vitória do mercado”, esconde-se um modo específico de funcionamento e de dominação política e social do capitalismo. O termo “mercado” é a palavra que serve hoje para designar pudicamente a propriedade privada dos meios de produção; a posse de ativos patrimoniais que comandam a apropriação sobre uma grande escala de riquezas criadas por outrem; uma economia explicitamente orientada para os objetivos únicos de rentabilidade e de competitividade e nas quais somente as demandas monetárias solventes são reconhecidas. As fusões-aquisições dos últimos anos empurraram o processo de concentração a níveis que pareciam impossíveis até vinte anos atrás. Atrás do eufemismo do “mercado”, encontram-se formas cada vez mais concentradas de capital industrial e financeiro que detêm um poder econômico sempre maior, que inclui uma capacidade muito forte de “colocar em xeque o mercado”, “curto-circuitar” e cercar os mecanismos da troca “normal” [...] Dominada pela procura do lucro, reduzido ele próprio ao “valor para o acionista”, “a economia” apregoa sua pretensão de representar a atividade mais importante da sociedade contemporânea, aquela cuja legitimidade particular lhe permitiria impor sua lei a todas as outras. Esta arrogância decorre, certamente, da importância tomada pelos mercados financeiros, outubro - Mundialização: o capital financeiro no comando artefatos sociais de um tipo particular, que ajudam em muito as finanças a se colocar como uma potência “autônoma” frente à sociedade. Em um mundo dominado pelas finanças, a vida social em quase todas as suas determinações tende a sofrer as influências daquilo que Marx designa como a forma mais impetuosa de fetichismo. Com as finanças, tem-se “dinheiro produzindo dinheiro, um valor valorizando-se por si mesmo, sem que nenhum processo (de produção) sirva de mediação aos dois extremos”. Uma vez que “o capital parece ser a fonte misteriosa [...] de seu próprio crescimento”, os proprietários de títulos financeiros, beneficiários de juros e de dividendos, consideram que o “capital” deles vai fornecer-lhes uma receita “com a mesma regularidade que a pereira dá pêras” [...] O triunfo do fetichismo financeiro provocou um salto do fetichismo inerente à mercadoria. A extensão e a liberdade quase completa adquirida pelo capital dentro do quadro da globalização também contribuíram muito para isso. Somando o espaço sobre o qual o capital pode evoluir livremente para se abastecer, produzir e vender com lucro, mais empresas de forças desiguais e seus assalariados que podem ser colocados em dúvida a longa distância e agora em sites virtuais, e mais, “a relação social determinada dos homens entre eles reveste a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas”. [...] Durante alguns decênios após a Segunda Guerra Mundial, quando o capitalismo parecia ter sido domesticado, esta caracterização foi colocada de lado, perdida de vista. A mundialização do capital encarregou-se de nos relembrar. Transformou em responsabilidade de todos nós, estender e ampliar o debate sobre o modo de responder ao desafio que ela coloca. Trechos extraídos de Mundialização: o capital financeiro no comando (Les Temps Modernes, 2000), do professor de economia internacional François Chesnais, autor da obra Mundialização do capital (Xama, 1996), na qual analisa a ascensão do capital monetário e as consequências da mundialização na esfera financeira, focalizando o investimento externo direto feito pelos grandes grupos capitalistas, desvendando a estratégia e o funcionamento das empresas multinacionais e mostrando como sua ação, no ambiente atual de inovação tecnológica e desregulamentação da economia, modela cada vez mais a produção e o consumo em escala mundial. Veja mais aqui e aqui.

EDUCAÇÃO & CAPITALISMO - [...] no quadro de uma sociedade de conhecimento que trabalha com subsistemas muito diferenciados que evoluem de forma dinâmica e articulada, necessitamos de formas diferenciadas e flexíveis de gestão, o que só pode ser conseguido com ampla participação dos interessados. Uma tradicional hierarquia vertical e autoritária, movida por mecanismos burocráticos do Estado, ou centrada no lucro e no curto prazo da empresa privada, simplesmente não resolve. [...] é nossa visão de que o mundo educacional está adormecido ao lado de um gigantesco manancial de possibilidades sub-utilizadas, e que tem de começar a batalhar por espaços mais amplos e renovados, com tecnologias e soluções institucionais novas. Trechos extraídos de Educação, tecnologia e desenvolvimento (Atlas, 1996), do economista e professor Ladislau Dowbor. Veja mais aqui.

XEXÉU – O município de Xexéu era rota de escravos que seguiam em direção ao Quilombo dos Palmares. Como era caminho obrigatório dos negros, ali foi criado, em 1675, um lugar de resistência dos negros, denominado Engenho Macaco. Este povoado chegou a ter mais de 15 mil habitantes. No fim do século XIX, a povoação ganhou o nome de Aurora, por conta, segundo historiadores, da passagem das tropas de um marechal que ficou admirado com o amanhecer do lugar e conseguir convencer os habitantes pela mudança do nome. Enquanto distrito pertencia ao município de Água Preta, criado pela Lei municipal nº 53, de 24 de abril de 1930. Tornou-se um município em 1 de outubro de 1991, através da Lei estadual nº 10.621. O nome é uma homenagem ao pássaro conhecido por xexéu, de canto harmonioso, comum no lugar em tempos passados. Além do distrito sede, Xexéu possui o distrito de Vila de Campos Frios. Veja mais aqui.

CULTO À MAWU – Na mitologia africana, Mawu é a desa deusa suprema criadora de todas as coisas. Para os povos Ewe-Fom, Mawu é o ser supremo dos povos, criadora da terra e dos seres vivs, engendrando voduns e divindades. Ela é associada a Lissá, entidade masculina, e também co-responsável pela criação. A divindade dupla Mawu-Lissá é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital), Sé-medô (Princípio da Existência) e Gbé-dotó (Criador da Vida). Mawu representa o leste, a noite, a lua, a terra e o subterâneo, além de ser o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão. Fonte: Caminhos de um bruxo: a bíblia é o livro da deusa das traduções aos originais mesossemíticos eis a história do seminarista protestante que se tornou bruxo (DOG, 2013), de Daniel Jimenez, revelando a jornada existencial por um caminho repleto de magia, questionamentos e provocações, identificando por meio da literatura judaico-cristã, em especial a Bíblia, e em meio às mediações hermenêuticas dos elementos que fundamentam as raízes e os seios maternos da Deusa em toda da Criação, inicialmente chamada de Elohims (plural de Eloah: deusa), também conhecida como El Shadai (a Mãe que amamenta com seus seios), e mais recentemente chamada de Espírito Santo, uma pomba, uma Deusa-Mãe na trindade que se constitui de um Pai e um Filho, tornando-se a revelação de uma trajetória ainda em construção.

ATO DE NATAL – Quando a trupe chegou o tomara-que-não-chova ainda não estava armado, mas foi obra dum instante e o cirquinho logo rodeado de tudo quanto era menino da zona se viu, anuciando a Pantomina do Nascimento, que já se estava no dia 24. Véspera do 25, para a noite a pantomina para o dia a Nova-Maior, tomem cantos e danças e passas e doces até na casa dos pobres, perus de papos recheados em casa dos magníficos; e no cirquinho, às seis, Bitom o Palhaço, na casa do 60, chegfou, pastou-se diante do espelho quadrado, começou a pintar a cara, às sete terminou com 50, às oito, tomando uma cachaça, estava com 40 – era aquilo todos os anos, na noite do 24 para a autora do 25 – entrou no picadeiro, às nove, com 30; às onze, de novo diante do espelho, era Bitom o Palhacinho, com 0; tirou a tinta, foi caminhando para a infância, os artistas abriram alas, ele foi andando e ficando mais menino, atravessou o picadeiro e desapareceu atrás das cortinas, a Trapezista nova perguntando ao Mestre de Cerimônias: Para onde ele vai? Ao que o Mestre de Cerimônias, fazendo uma cara de espanto, respondeu-lhe meio áspero, meio gozador: Oi, não sabe? Ele vai nascer. Conto extraído de 10 histórias naturais (CEPE, 2017), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais  aqui, aqui e aqui.

METADE DE MIM, LUCIAH LOPEZ
Metade de mim
caminha silenciosa ...
Metade de mim
observa o passado na roupagem do casario...
Metade de mim adentra o passado em busca do futuro.
Poena da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

Veja mais:
Dia da Consciência Negra aqui, aqui & aqui.
Quebra de Xangô aqui & aqui.
Todo dia é Dia da Criança aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978).
Veja mais aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...