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segunda-feira, outubro 12, 2015

DRUMMOND, LORCA, NÍSIA, LOBATO, NISE, JAKOBSON, ELIACHAR, TOZZI, MESQUITA & SEGUNDA PRA SEMANA!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DE SEGUNDA PRA SEMANA – Segunda-feira, dia internacional da ressaca. Eita! O dia amanhece devagar, tudo na meia embreagem, começando a gerar aos poucos. Liga o motor do corpo, deixa esquentar devagar pra poder cair no trampo, tudo no lentamente, quase letárgico. É que neguinho começa emborcar o copo na sexta quando larga do trabalho, emenda no sábado tomando todas e no domingo se entope de esborrar até a rendição estropiada de três dias encarreados liberando as neuras, desafogando as mágoas e todas as derrotas do cotidiano. Cabeça de férias, desligamento da labuta. Aí na segunda, depois de um esquento graduado, o Sol dá o tom do alvoroço e tudo volta a funcionar às mil maravilhas com a demonstração de que está novinho em folha, caindo no dia pra ver no que vai dar e no como é que fica. Como a vida é uma luta, muitos se valem do lamentável expediente da guerra. Arrocha! Cada qual que se cuide. É a hora de afiar a astúcia e mirar bem no alvo daquilo que traga recompensa. Todo mundo corre atrás dessas recompensas. Nem se dá conta de que, tal como Sísifo, é tudo de novo, empurrando pra cima e tornando a descer, pra novamente botar tudo em riba e embolar dia após dia, tudo de novo e bisado novamente: agenda, contatos, compromissos, reuniões, pagamentos, correria pro ganhapão, saques e coberturas, enrolações e soluções, broncas superadas ou adiadas, tem que ser sabido pra chegar na frente, e correr mais que os outros porque chapéu de otário é marreta e alguém tem que chorar pra alguém poder sorrir. É isso, ou mais ou menos isso. Por aí. Assim vai até quando passa o efeito anestésico e se constata que não há sinergia, nada dá liga nem sintonia, tá tudo revirado. Vai na raça! Torce o rabo da porca, tira leite de pedra. Dá pra perceber até que todos estão absortos com a morte da bezerra. Ora, ora. É pegar no desprevenido! É o mundo da contenda: abriu a guarda, é lona. Mesmo assim, nada dá certo, cada um por si e que apareça um doido dum heroico salvador que seja por todos nós. Vai daí a pergunta: o que há com o mundo, hem? Tá tudo de pernas pro ar. O que há com as pessoas? Alguma coisa está fora da ordem, como diz Caetano Veloso. Aí, ou se dana pro vai ou racha, ou começa a fraquejar. Acontece, porém, que cada pessoa pensa conforme seu umbigo, seus interesses e desejos. Há quem pense que todos deviam pensar de um jeito só, ou melhor, que todos pensassem e agissem conforme a razão de um que se acha dono da verdade e parte para mudar o mundo e as pessoas. Esses dessa banda insistem que estão certos e que os outros, tudinho, estão errados. Ô mundo destrambelhado! Ainda arvoram dizer que se o mundo todo pensasse como ele, seria outro: - Se houvesse dez iguais a mim o mundo seria uma maravilha! Será? Por isso dizem que quanto mais veem o ser o humano, mais adoram o cachorro. E é exatamente por isso que surge o fato de que cada cachorro se parece com seu dono - ou é o dono que se parece com o cachorro? E com isso a primeira conclusão: cada pessoa pensa diferente. E não podia ser diferente. Contudo, se cada cabeça é um mundo, por que todos não entendem que há um mundo só, esse em que todos nós vivemos, coexistimos? A Terra é uma só e cada cabeça é um mundo. Digo mais, como n’A Primavera de Ginsberg: a Terra é redonda e ainda cagam pelos quatro cantos do mundo. Ué? Pois é. Com isso, não seria mais adequado olhar pro umbigo, chamar na grande e dar uma conversada com ele a respeito de que não é o mundo nem as pessoas que deviam mudar, mas nós mesmos? A primeira guerra não está lá fora, está dentro de cada um. Quando primeiro houver paz nos conflitos interiores de cada um, quando cada um descobrir quem é e não do jeito como quer ser visto, e se conciliar consigo mesmo, aí sim, esse é o primeiro passo pra gente conseguir paz, concórdia, harmonia, sintonia e compreensão na Terra. Vamos aprumar a conversa? Então veja mais aqui

 Imagem: Veja o nu (1968 - Tinta alquídica sobre madeira, tecido e ferro), do pintor, desenhista e programador visual Cláudio Tozzi.


Curtindo o álbum que reúne a Missa a 4 Vozes para Quarta-Feira de Cinzas (1778), do compositor erudito brasileiro Lobo de Mesquita (1746-1805), Stabat Mater, do compositor do Barroco português João Rodrigues Esteves (1700-1751) e Moteto para a Semana Santa, do padre José Mauricio Nunes Garcia (1767-1830), com o conjunto Calíope (1998), direção  Júlio Moretzsohn.

O LUGAR DA LINGUÍSTICA NAS CIÊNCIAS DO HOMEM – O livro Relações entre a ciência da linguagem e as outras ciências (Bertrand/Martins Fontes, 1974), do pensador russo, linguista e pioneiro da analise estrutural da linguagem, Roman Jakobson (1896-1982), aborda sobre as perspectivas linguísticas, o lugar da linguística nas ciências do homem e a linguística e as ciências naturais, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] a linguagem é um elemento constitutivo da cultura, mas, em relação ao conjunto dos fenômenos culturais, o seu papel é o de uma infraestrutura, dum substrato e de um veiculo universal. [...] Certos traços próprios da linguagem estão ligados à situação particular que ela ocupa em relação à cultura, é o caso nomeadamente da aquisição da linguagem pelas crianças e do fato de que nem nas línguas antigas nem nas atuais conhecidas pelos linguistas existe qualquer diferença e estrutura fonológica e gramatical entre estádios relativamente primitivos e relativamente avançados. [...] Assim a comunicação de pares sexuais e de bens ou de serviços surge como sendo, num grau elevado, uma troca de mensagens auxiliares, e a ciência total da comunicação compreende não só a semiótica propriamente dita, ou seja, o estudo das verdadeiras mensagens e dos códigos sobre os quais assentam, mas também as disciplinas em que as mensagens desempenham um papel pertinente embora acessório. Em todo caso, a semiótica ocupa uma posição central geral da comunicação como suporte de todos os outros ramos, enquanto ela própria engloba a linguística e esta, por sua vez, no centro da semiótica, lhe sustenta todos os outros setores. Três ciências pertencentes a um conjunto englobam-se umas às outras e representam três graus de generalização crescente: 1 – o estudo da comunicação de mensagens verbais, ou linguística; 2 – o estudo da comunicação de qualquer espécie de mensagem, ou semiótica, incluindo a de mensagens verbais; 3 – o estudo da comunicação, ou antropologia social e econômica, incluindo mensagens. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

OS HOMENS FAZEM DAS MULHERES – No livro Direito das mulheres e injustiça dos homens (1832 – Cortez, 1989), da educadora e escritora Nísia Floresta (1810-1885), destaco o trecho do Capítulo I - Que caso os homens fazem das mulheres, e se é com justiça: Se cada homem, em particular, fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós nascemos para seu uso, que não somos próprias senão para procriar e nutrir nossos filhos na infância, reger uma casa, servir, obedecer, e aprazer a nossos amos, isto é, a eles homens. Tudo isso é admirável e mesmo um muçulmano não poderá avançar mais no meio de um serralho de escravas. Entretanto, eu não posso considerar esse raciocínio senão como grandes palavras, expressões ridículas e empoladas, que é mais fá- cil dizer do que provar. Os homens parecem concluir que todas as outras criaturas foram formadas para eles, ao mesmo tempo em que eles não foram criados senão quando tudo isso se achava disposto para seu uso. Eu não me proporia a fazer ver a futilidade deste raciocínio; mas concedendo que ele tenha alguma ponderação, estou certa que antes provará que os homens foram criados para o nosso uso, do que nós para o deles. É verdade que o emprego de nutrir as crianças nos pertence, assim como a eles unicamente pertence o de gerá-los; se este último lhes dá algum direito à estima e respeito públicos, o primeiro nos deve merecer uma porção igual, pois que o concurso imediato dos dois sexos é tão essencialmente necessário à propagação da espécie humana, que um será absolutamente inútil sem o outro. Que direito pois têm eles de nos desprezar, e pretender uma superioridade sobre nós, por um exercício que eles partilham igualmente conosco? Todos sabem, nem se pode negar, que os homens olham com desprezo para o emprego de criar filhos e que é isso, às suas vistas, uma função baixa e desprezível; mas se consultassem a natureza nesta parte, sentiriam sem que fosse preciso dizer-lhes, que não há no Estado Social um emprego que mereça mais honra, confiança e recompensa. Basta atender às vantagens que resultam ao gênero humano para convir-se nisto; eu não sei se até por essa razão unicamente, as mulheres não mereciam o primeiro lugar na sociedade civil. Qual foi o fim para que os homens se reuniram em sociedade, senão para terem suas vidas mais seguras e pacificamente gozarem tudo que lhes apraz? Todos aqueles, pois, que mais contribuem a essa vantagem pública devem por isso obter maior porção de stima pública. Ora, as mulheres, encarregando-se generosamente e sem interesse do cuidado de educar os homens na sua infância, são as que mais contribuem para essa vantagem, logo são elas que merecem um maior grau de estima e respeito públicos. Partindo desse princípio é que se olham os príncipes como as primeiras pessoas do Estado. Nessa qualidade, ou grau de elevação, se lhes conferem as principais honras; porque supõe-se ao menos que eles se sobrecarregam de grandes cuidados, vigílias e inquietações, que exige a prosperidade do bem público. Da mesma sorte tributamos mais ou menos respeito àquelas pessoas que estão abaixo deles e que mais se lhes aproximam, porque as olhamos como pessoas mais úteis à sociedade, segundo partilham mais ou menos as fadigas do serviço público. É pela mesma razão que preferimos os militares aos literatos; porque os olhamos como um baluarte entre nós e nossos inimigos. Todos concordam em respeitar as pessoas à proporção de sua utilidade; eis pois a medida de seu merecimento. Ora, sendo essa regra aplicável a todas as circunstâncias da vida, por que não devem ter as mulheres, mais que todos, direito à estima pública, contribuindo mais, sem comparação, a seu bem-estar? Os homens podem absolutamente passar sem príncipes, generais, soldados, jurisconsultos, como antigamente e ainda hoje passam os selvagens; mas podem passar sem amas na sua infância? E se por si são incapazes de exercer esse importante emprego, não precisam indispensavelmente das mulheres? Em um Estado tranquilo e bem regido, a maior parte dos homens são inúteis em seus ofícios e inútil toda sua autoridade, mas as mulheres não deixarão jamais de ser necessárias enquanto existirem homens e estes tiverem filhos. Para que servem os juízes, os magistrados e os oficiais, senão para garantir a segurança e propriedade dos bens daqueles que, se não fosse proibido, seriam capazes de fazer justiça a si mesmos mais exata e prontamente? Porém as mulheres, mais verdadeiramente úteis, se ocupam em lhes conservar a vida para gozarem dessa propriedade. Estimam-se e recompensam-se os soldados, porque combatem para defender os homens feitos, que são tão capazes, e mesmo mais que eles, de se defenderem. Com quanta maior razão não merece o nosso sexo essa estima e recompensa, trabalhando para defender os homens numa idade em que não sabem o que são, não podem distinguir os amigos dos inimigos, e nem têm outra defesa mais que suas lágrimas? Se os príncipes e os ministros se sacrificam algumas vezes pelo bem público, a ambição é o único móvel, é para adquirir poder, riquezas e esplendor que eles o fazem. Porém, nossas almas mais generosas não atendem senão ao bem das crianças, que nutrimos e educamos, pois que todos os dias experimentamos que a recompensa que temos a esperar dessas criaturas desnaturadas, pelos trabalhos, cuidados, inquietações e infinitos embaraços, que nos causam e de que não se acha exemplo em todos os outros estados da sociedade civil, se reduz a maus tratamentos e a um desprezo repreensível para com o nosso sexo em geral. Tais são os generosos ofícios que lhes prestamos; tal é a ingratidão com que nos recompensam. Sem dúvida é preciso que os homens tenham a imaginação bem corrompida para olharem um exercício tão importante como baixo e desprezível, e para lhe recusar toda estima que na realidade merece. Com que liberalidade não se recompensa aquele que consegue domesticar um tigre, um elefante e outros semelhantes animais? E as mulheres, que passam seus belos anos ocupadas em amansar o homem, este animal ainda feroz, não serão pagas senão com desprezo? Se nos remontarmos à origem dessa injusta parcialidade, encontraremos que a única e verdadeira causa do pouco reconhecimento, que se tem aos importantes serviços que as mulheres prestam aos homens, é que eles são comuns e ordinários. Entretanto, seja qual for a recompensa, o prazer que a generosidade de nosso sexo acha em preencher esse ofício basta para que nós o desempenhemos com toda ternura e sem vistas de interesse. Eu não pretendo queixar-me de não recebermos recompensa: seja-me somente permitido dizer, que por sermos mais capazes que os homens em desempenhar esse cargo, não se segue que não possamos também desempenhar outro qualquer. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

O ESPIÃO ALEMÃO – No livro Cidades Mortas (1919-Brasliense, 1995), do escritor, editor e tradutor Monteiro Lobato (1882-1948), encontro o conto O espião alemão, do qual destaco os trecos a seguir: Abre a história. Escuta, só ouvirás rumores de guerra. Aquele tropel desapoderado? É a avalhancha tártara. Tamerlão, o tigre coxo, derrama sobre a Pérsia legiões de feras – e leva a chacina a proporções inauditas. Seu capricho exige em Ispagan setenta mil cabeças humanas. Cada seção do exército lhe há de fornecer uma quota. Fartos, cansados de cortá-las, os soldados entram a adquiri-las, pagando a moeda de outro cada uma. Era bom negocio, a oferta cresceu e o preço baixou a meia moeda. Reunidas as setenta mil, Timur construiu torres de crânios em redor da cidade. Ruge a sangueira além. É em Delhi. Timur, tigre precavido, antes de bater-se com Maomé IV delibera aliviar o exercito de cem mil prisioneiros incômodos. Solução magistral: degola-os... a vaga prossegue, chega a Ancira, esmaga Bajaze, o grande sultão, e passa... e acolá? Assíria. De Nínive, antro de leões famintos, descem para a carniçaria os reis flecheiros. Assurbarnipal canta os próprios feitos em inscrições chegadas até nós: “Construí um muro diante das portas da cidade e forrei-o com a pele dos chefes. A outros emparedei vivos, a outros empalei ao longo das muralhas. Fiz arrancar o couro, em minha presença, a inúmeros, e revesti paredes com esse couro semivivo. Reuni cabeças em forma de coroas e os corpos entrelacei como guirlandas”. A vuda da Assiria é toda uma primorosa carnificina. Tujklatabazar, Assurbanipal, Nabuco, Sargão – todos os magarefes reais viram a sua pericia em arrancar o couro a criaturas humanas cantada pelo poetas, comemorada pela arquitetura, admirada pelos pósteros. Timur passou. Passou a Assiria. Homens e coisas passam, mas a guerra fica. É a guerra uma permanente. O homem tem a vocação do morticínio. A arte apoteosa a carniça. Os poetas só ascendem ao épico se o bafio de sangue lhes fumega a inspiração. A beleza suprema é Aquiles fendendo crânios do frontal à nuca, e a história da humanidade não passa dum sistema potamográfico de enxurros vermelhos, musicado pelos gemidos de dor dos vencidos. A guerra sempre! Sempre guerras! A guerra dos Sete Chefes, a Guerra de Troia, as guerras púnicas, as guerras de Roma – escravos, Numância, mercenários, Jugurta, Mitridates, civil... depois as guerras de invasão. As cruzadas depois. E as guerras de religião. E as guerras dinásticas. A dos Cem Anos, a dos Trinta Anos, a guerra das Duas Rosas, a da sucessão da Espanha. A guerra americana de secessão. As napoleônicas, a russo-turca, a hispano-americana, a sino-japonesa, a franco-prussiana, a anglo-boer... depois, depois a Guerra Geral, a guerra do mundo contra a Alemanha. O rosário para aqui. Mas como não para o Ódio e como a Estupidez Humana é irredutível, o futuro verá tantas guerras quantas viu o passado. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

APELO A MEUS DESSEMELHANTES EM FAVOR DA PAZ – Na Antologia poética (José Olympio, 1979), do escritor Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), destaco o poema Apelo a meus dessemelhantes em favor da paz: Ah, não me tragam originais / para ler, para corrigir, para louvar / sobretudo, para louvar. / Não sou leitor do mundo nem espelho / de figuras que amam refletir-se / no outro à falta de retrato interior. / Sou o Velho Cansado / que adora o seu cansaço e não o quer / submisso ao vão comércio da palavra. / Poupem-me, por favor ou por desprezo, / se não querem poupar-me por amor. / Não leio mais, não posso, que este tempo / a mim distribuído / cai do ramo e azuleja o chão varrido, / chão tão limpo de ambição / que minha só leitura é ler o chão. / Nem sequer li os textos das pirâmides / os textos dos sarcófagos, / estou atrasadíssimo nos gregos, / não conheço os Anais de Assurbanipal, / como é que vou - / mancebos, / senhoritas, / - chegar à poesia de vanguarda / e às glórias do 2.000, que telefonam? / Passam gênios talvez entre as acácias, / sinto estátuas futuras se moldando / sem precisão de mim / que quando jovem (fui-o a.C., believe or not) / nunca pulei muro de jardim / para exigir do morador tranquilo / a canonização do meu estilo. / Sirvam-se de exonerar este macróbio / do penoso exercício literário. / Não exijam prefácios e posfácios / ao ancião que mais fala quando cala. / Brotos de coxa flava e verso manco, / poetas de barba-colar e velutínea / calça puída, verde: tá! / Outoniços, crepusculinos, matronas, contumazes: / tá! / O senhor saiu. Hora que volta? Nunca. / Nunca de corvo, nunca de São-Nunca. / Saiu pra não voltar. / Tudo esqueceu: responder / cartas; sorrir / cumplicemente; agradecer / dedicatórias; retribuir / boas-festas; ir ao coquetel e à noite / de autógrafos-com-pastorinhas. / Ficou assim: o cacto de Manuel / é uma suavidade perto dele. / Respeitem a fera. Triste, sem presas, é fera. / Na jaula do mundo passeia a pata aplastante, / cuidado com ela! / Vocês, garotos de colégio, não perguntem ao poeta / quando ele nasceu. / Ele não nasceu. / Não vai nascer mais. / Desistiu de nascer quando viu que o esperavam garotos de colégio de lápis em punho / com professores na retaguarda comandando: Cacem o urso-polar, / tragam-no vivo para fazer uma conferência. / Repórteres de vespertinos, não tentem entrevistá-lo. / Não lhe, não me peçam opinião / que é impublicável qualquer que seja o fato do dia / e contraditória e louca antes de formulada. / Fotógrafos: não adianta / pedir pose junto ao oratório de Cocais / nem folheando o álbum de Portinari / nem tomando banho de chuveiro. / Sou contra Niepce, Daguerre, contra principalmente minha imagem. / Não quero oferecer minha cara como verônica nas revistas. / Quero a paz das estepes / a paz dos descampados / a paz do Pico de Itabira quando havia Pico de Itabira / a paz de cima das Agulhas Negras / a paz de muito abaixo da mina mais funda e esboroada / de Morro Velho / a paz / da / paz. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

YERMA – A peça teatral Yerma (1934), do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936), é uma obra popular de caráter trágico, ambientada na Andaluzia, no inicio do século XX, contando a história de uma mulher que vive o drama de não poder conceber um filho, buscando de todas as formas engravidar e enfrentando a indiferença do marido que não demonstra nenhum interesse em compartilhar da sua angustia. Da obra destaco o trecho inicial do Ato 1 -  PRIMEIRO ATO PRIMEIRO QUADRO (Ao levantar-se o pano, Yerma está adormecida, tendo aos pés uma cestinha de costura. A cena tem uma estranha luz de sonho. Entra um pastor nas pontas dos pés, fitando firmemente Yerma. Leva pela mão um menino vestido de branco. O relógio bate. Quando o pastor entra, a luz é substituída por uma alegre claridade matinal de primavera. Yerma desperta) CANTO - (Voz dentro) Nana, nana, nana, nana, nana, nana, que faremos uma palhoça no campo e nela nos meteremos. YERMA - João, não me ouves, João? JOÃO - Já vou. YERMA - Está na hora. JOÃO - Já passaram as juntas? YERMA - Passaram. JOÃO - Até logo. (Faz menção de sair) YERMA - Não tomas um copo de leite? JOÃO - Para quê? YERMA - Trabalhas muito e não tens corpo para tanto trabalho. JOÃO - O corpo enxuto de carne torna-se forte como o aço. YERMA - Mas o teu, não. Quando casamos, eras outro. Agora tens a cara branca como se o sol não te batesse nela. Gostaria que fosses ao rio e nadasses, e subisses ao telhado quando a chuva nos entra pela casa adentro. Já estamos casados há vinte e quatro meses e tu cada vez mais triste, mais seco, como se crescesses ao contrário. JOÃO – Acabaste? YERMA - (Levantando-se) – Não me leves a mal. Se eu estivesse doente, gostaria que me tratasses. “Minha mulher está doente – vou matar este cordeiro para fazer-lhe um bom ensopado.” “Minha mulher está doente – vou guardar esta enxúndia de galinha para aliviar-lhe o peito; vou levar-lhe esta pele de ovelha para resguardar-lhe os pés da neve.” Eu sou assim. Por isso trato de ti. JOÃO - E eu te agradeço. YERMA - Mas não te deixas tratar. JOÃO - É que não tenho nada. Todas essas coisas são suposições tuas. Trabalho muito. Todos os anos irei ficando mais velho. YERMA - Todos os anos... Tu e eu continuaremos aqui todos os anos... JOÃO - (Sorridente) – Naturalmente. E muito sossegados. Os negócios vão bem; não temos filhos que gastem. YERMA - Não temos filhos... João! JOÃO - Fala. YERMA - Eu não gosto de ti? JOÃO - Gostas. YERMA - Sei de raparigas que tremeram e choraram antes de se entregarem a seus maridos. E eu? Chorei? A primeira vez que dormi contigo? Não cantava ao levantar as barras dos lençóis de holanda? E não te disse: Como cheiram a maça estas roupas? JOÃO - Foi o que disseste! YERMA - Minha mãe chorou, porque não tive pena de separar-me dela. E era verdade! Ninguém se casou com mais alegria. E no entanto... JOÃO - Cala-te. Já estou cansado de ouvir a todo instante... YERMA - Não. Não me repitas o que dizem. Vejo com os meus olhos que isso não pode ser... De tanto cair a chuva nas pedras, elas amolecem e fazem nascer saramagos, que o povo diz que não servem para nada. “Os saramagos não prestam para nada”... Mas eu bem os vejo moverem pelo ar suas flores amarelas. JOÃO - É preciso esperar. YERMA - Sim; querendo (Yerma abraça e beija o marido, tomando ela a iniciativa) JOÃO - Se precisas de alguma coisa, dize-me que a trarei. Já sabes que não gosto que saias. YERMA - Nunca saio. JOÃO - Estás melhor aqui. YERMA - É. JOÃO - A rua é para os desocupados. YERMA - (Sombria) – Claro. (O marido sai e Yerma dirige-se para a costura. Passa a mão pelo ventre, levanta os braços num lindo bocejo e senta-se a coser) De onde é que vens, amor, meu filho? Da crista do duro frio. De que precisas, amor, meu filho? Do morno pano de teu vestido. (Enfia a agulha) Que se agitem as ramas ao sol e as fontes saltem todas, em redor! (Como se falasse com uma criança) Ladra o cão pelo terreiro, na folhagem canta o vento. Muge o boi ao boiadeiro e a lua me encrespa o cabelo. Que pedes, filho, de tão longe? (Pausa) Os brancos montes que há no teu peito. Que se agitem as ramas ao sol e as fontes saltem todas, em redor! (Cosendo) Filho meu, dir-te-ei que sim. Despedaçada me dou a ti. Sofre a cintura que te ofereço, e que será teu primeiro berço! Quando, meu filho, poderás vir? (Pausa) Quando teu corpo cheire a jasmim. que se agitem as ramas ao sol e as fontes saltem todas, em redor! (Yerma continua a cantar. Pela porta entra Maria, que vem com um embrulho de roupa) [...] Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


NISE, O CORAÇÃO DA LOUCURA – O filme Nise, o coração da loucura (2015), dirigido por Roberto Berliner, conta a história da saída da prisão da médica psiquiatra e psicoterapeuta alagoana, Nise da Silveira (1905-1999), retornando aos trabalhos num hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, quando se recusa a empregar o eletrochoque e a lobotomia no tratamento dos esquizofrênicos. Isolada pelos médicos, resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início à uma revolução regida por amor, arte e loucura. A protagonista é representada pela atriz Gloria Pires, com roteiro de roteiro Flávia Castro, Mauricio Lissovsky, Maria Camargo e Chris Alcazar, roteiro final de Patricia Andrade, Leonardo Rocha e Roberto Berliner, e trilha sonora original Jaques Morelenbaum. Este filme é mais que uma justíssima homenagem a esta grande mulher e profissional que foi, indubitavelmente, umas das maiores representantes da humanização no tratamento das doenças mentais. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
O livro A mulher em flagrante (Francisco Alves, 1970), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987), do qual destaco as pérolas: “O homem se casa para vencer a solidão, a mulher para ficar só; o homem se casa para ficar em casa, a mulher para saír; o homem se casa por descuido, a mulher por precaução. Biquini são dois pedaços de pano cercado de mulher por todos os lados”. Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Crônica de Amor, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá;
Veja mais aqui.,


domingo, junho 14, 2015

PORTINARI, DRUMMOND, GISMONTI, JIMÉNEZ, PELLEGRINI, JAMILTON & MARIA DE MEDEIROS.

Imagem: painéis Guerra e Paz (1952-56), do pintor brasileiro Cândido Portinari (1903-1962) Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Circense (EMI, 1979), do compositor, multinstrumentista e arranjador Egberto Gismonti.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO NOS FESTEJOS JUNINOS– Neste domingo, a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino, no blog MCLAM do programa Domingo Romântico. Na programação dos festejos juninos com muita canjica, pamonha, milho assado na fogueira, angu, rolete de cana, rastapé no anarriê, os homens cumprimentando as mulheres, passeio na roça, atravessando a ponte, dancê, olha a chuva! -, é festa junina comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Gilberto Gil, Inezita Barroso, Sônia Nogueira, Santo Antônio, Wilson Monteiro, Sandra Fayad, Turma da Mônica, Meimei Corrêa, Banda Nova Estação Recife, Festa Junina, Nita & Capelinha de melão & Cai cai balão & Chegou a hora da fogueira & muita música, muita poesia, histórias e brincadeiras pra garotada. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

PLATERO E EU – O livro Platero e eu (1917 – Martins Fontes, 2010), do poeta espanhol e Prêmio Nobel de Literatura de 1956, Juan Ramón Jiménez (1881-1958), conta a história da caminhada e as vivências poéticas do autor com o seu burrinho, Platera, na cidade de Moguer, Andaluzia, Espanha, narrando a vida de um adulto que não perdeu a infância, valorizando os valores humanos e exaltando a vida acima das misérias, sofrimento e ruínas. Da obra destaco o trecho: Platero é pequeno, peludo, suave, tão macio, que dir-se-ia todo de algodão, que não tem ossos. Só os seus olhos são duros como dois escaravelhos de cristal negro. Deixo-o solto, e vai para o prado, e acaricia levemente com o focinho, mal  roçando, as florinhas róseas, azuis - celestes e amarelas... Chamo-o docemente: “Platero”, e ele vem 5 até mim com um trote curto e alegre que parece rir . Come o que lhe dou. Gosta das tangerinas, das uvas moscatéis, dos figos roxos, com a sua cristalina gotita de mel... É terno e mimoso como um menino, como uma menina...; mas forte e seco como de pedra. Quando passo nele, aos domingos, pelas últimas ruelas da aldeia, os camponeses, vestidos de lavado e vagarosos, param a olhá-lo: - Tem aço... Tem aço. Aço e prata de luar, ao mesmo tempo. [...] Platero brinca com Diana, a linda cadela branca que parece o quarto crescente; com a velha cabra cinzenta, com as crianças... Diana salta, ágil e elegante, diante do burro, tocando ao de leve a campainha, e faz que lhe morde o focinho. E Platero, pondo as orelhas em ponta, como dois cornos, marra-lhe brandamente, e fá-la rolar na erva em flor. A cabra vai ao lado de Platero, roçando-se nas suas patas, puxando, com os dentes, a ponta das espadanas da carga. Com uma cravina ou uma margarida na boca, põe-se na frente dele, toca-lhe na testa, brinca, e bale alegremente [...] Entre crianças, Platero é um brinquedo! Com que paciência sofre as suas loucuras! Como caminha devagar, parando, fingindo-se pateta, para que elas não caiam! Como as assusta, iniciando, de súbito, um trote falso! Claras tardes do Outono [...] Quando o vento puro de Outubro afia os seus límpidos rumores, ouve-se do vale um alvoroço de balidos, de relinchos, de risos infantis, de batidos e de campainhas [...] Veja mais aqui.

IRMÃO, IRMÃOS – No livro Menino antigo (Sabiá/José Olympio, 1973), do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o autor mergulha no passado infantil e mesmo em época anterior ao seu nascimento, inscrito na memória atávica e no seu conflito com a vida, sem nostalgia nem complacência consigo mesmo e sem recorrer a arquivos: o passado presentifica-se, as coisas voltam a acontecer, pungentes ou cômicas. Da obra destaco o poema Irmão, irmãos: Cada irmão é diferente. / Sozinho acoplado a outros sozinhos. / A linguagem sobe escadas, do mais moço, / ao mais velho e seu castelo de importância. / A linguagem desce escadas, do mais velho / ao mísero caçula. / São seis ou são seiscentas / distâncias que se cruzam, se dilatam / no gesto, no calar, no pensamento? / Que léguas de um a outro irmão. / Entretanto, o campo aberto, / os mesmos copos, / o mesmo vinhático das camas iguais. / A casa é a mesma. Igual, / vista por olhos diferentes? / São estranhos próximos, atentos / à área de domínio, indevassáveis. / Guardar o seu segredo, sua alma, / seus objetos de toalete. Ninguém ouse / indevida cópia de outra vida. / Ser irmão é ser o quê? Uma presença / a decifrar mais tarde, com saudade? / Com saudade de quê? De uma pueril / vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre? Veja mais aqui e aqui.

FAMÍLIA COMPOSTA – A peça teatral Família composta (MEC, 2006), do escritor e jornalista Domingos Pellegrini, faz uma reflexão bem humorada sobre a importância da adaptação às rápidas e profundas mudanças da sociedade, prepando-se para a renovação sem preconceitos e resistência, no sentido de alcançar uma convivência melhor. Da obra destaco o trecho a seguir: HOMEM DA TEVÊ: Pesquisa da Unicef revela que, além da alimentação incorreta e do estresse, uma das principais causas de enfarte são as chamadas emoções reprimidas, como o remorso, o ódio, a inveja, a amargura ou rancor, que podem também levar à depressão! A pesquisa... PAI (DESLIGA A TEVÊ): Pois saiba que eu não tenho rancor nenhum, depressão muito menos, levo uma vida ótima e... Ai! (CURVASE COM A MÃO NO PEITO) Ai! MÃE: Que foi?! PAI: Nada, uma pontada, só uma pontada, ai! (DEITA NO SOFÁ) MÃE (GRITANDO): Dalvo, Dalvo! PAI: E, além de poeta, se chama Dalvo! Eu mereço, devo ter feito muito mal a algum poeta em alguma outra vida... Ai! MÃE: Fica quieto, não fale! Daaaalvooooo! PAI: Lembra quando a gente casou e fazia amor neste sofá, lembra? MÃE: Lembro, antes de você ficar vendo tevê e tomando cerveja até dormir aqui mesmo! PAI: Me perdoa! Ai, parece que estão me enfiando uma faca! MÃE: Faca vão te enfiar é na mesa de operação se for o que estou pensando. Fica quieto! [...] MÃE: Calma, meu bem, não se exalte, lembre que o seu coração... PAI: O que você disse? MÃE: Que o seu coração... PAI: Não, antes. Me chamou de meu bem? MÃE: É, afinal fomos casados quantos anos? PAI: Fomos não, somos! Eu não pedi divórcio, nem você! Talvez a gente já pressentisse que, com o tempo... (DÃO-SE AS MÃOS) MÃE: Pois é, o tempo... Será que ainda temos tempo? PAI: Meu bem, como dizem os Stones... MÃE: Quem? PAI: Os Rolling Stones, meu bem, dizem que o tempo está do nosso lado e é nosso amigo quando a gente sabe viver a vida! MÃE: Mas quem são esses Rolestones aí? PAI: Um conjunto de rock, querida, vou te mostrar. Eu não andei morto enquanto você Os Rolling Stones é um grupo de rock em atividade desde 1962. A música Time is on my side é uma das mais antigas gravações da banda. Esteve fora, ouvi coisas novas, li novas coisas, pensei em me renovar! Vamos namorar? MÃE: O que?! PAI: Namorar. Como outrora se namorava pra ver se você gosta de mim e eu também de você! Talvez começar agora uma nova vida enfim! MÃE: Eu... eu nem sei o que dizer! PAI: Querida, não diga nada é até melhor que assim seja porque a boca que beija já está demais ocupada... BEIJAM-SE ENQUANTO ESCURECE EM RESISTÊNCIA E OUVE-SE A VOZ DE RATINHO: RATINHO: Fala, Sombra! SOMBRA: Pois não, Ratinho! Sogro de poeta monta site na internet chamado Velho Namoro, pregando a volta ao velho costume de namorar firme, em vez de ficar fácil! E recomenda o namoro especialmente para as pessoas da terceira idade! E para os jovens recomenda namorar mais e ficar menos! RATINHO: E nós ficamos com nossos comerciais, Sombra! ACENDEM-SE AS LUZES E A TEVÊ. HOMEM DA TEVÊ: Isto foi uma peça de teatro. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é para nos fazer pensar que também podemos mudar a nossa vida. Tudo está em mudança rápida. Há apenas um século, mulheres não podiam votar. Meio século atrás, a maioria da população morava no campo, hoje 90% moram na cidade. Eram raras as mulheres que trabalhavam fora de casa, ao contrário de hoje. A educação superior era para poucos. Os serviços de saúde eram muito pouco usados, até porque existiam poucos serviços públicos de saúde. A população ainda não sabia que paga impostos embutidos no preço de tudo que compra. De lá para cá, tudo mudou muito, a família também. As famílias compostas hoje são maioria na população brasileira. Quem não muda, fica per dido. Eu mesmo não sei mais o que dizer diante disso. Podem se retirar, por favor. Isto foi uma peça de teatro. Não sei mais o que dizer. Vão viver. Podem se retirar, por favor. Isto foi uma peça de teatro e isto é uma gravação. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é apenas para nos fazer pensar que também podemos mudar a nossa vida. Tudo está em mudança rápida. Há apenas um século... (CONTINUA REPETINDO A MENSAGEM ATÉ O PÚBLICO SE RETIRAR). FIM. Veja mais aqui e aqui.

O CONTADOR DE HISTÓRIAS – O premiado drama biográfico O contador de histórias (2009), do diretor Luiz Villaça, conta história de um contador de histórias que quando criança favelada na década de 1970 é levada para a Febem pela própria mãe que acreditava nas promessas governamentais de dias melhores para ele. Na instituição o menino passa por situações constrangedoras e maus tratos, até ser tido na condição de irrecuperável, o que o faz fugir e, acidentalmente, encontrar a pedagoga francesa Margherit Duvas que o acolhe, alfabetiza e, tempos depois, o leva para a França, não antes passar por maus bocados na vida. Trata-se da história de Roberto Carlos Ramos, um menino favelado que passa por todas as deprimentes situações das instituições brasileiras e que hoje realiza o seu trabalho. Um filme comovente e digno de ser visto por todos. O destaque do filme fica por conta da lindíssima atriz e cineasta Maria de Medeiros. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 
A arte do artista gráfico e editor do A Notícia, Jamilton Barbosa Correia.


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