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terça-feira, outubro 20, 2015

RIMBAUD, NINA SIMONE, GIARDINI, SLOAN, YÉNISETT, PERNA DE PAU & PROGRAMA TATARITARITATÁ!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CONFISSÕES DE PERNA-DE-PAU (Imagem Blanco Desings) - Deixando a modéstia de lado, devo admitir em verdade que eu, esse toleima fulustreco aqui, quase fui um renomado jogador de futebol. Noutras palavras: um craque. De mesmo. Faltou pouco, menos que um cabelinho-de-sapo de nada para que virasse uma celebridade dessas laureadas nas mesas redondas de domingo, desfilando carro importado e cheio das Marias-chuteiras penduradas na algibeira. Devo, também, admitir que se não fossem os desestímulos de familiares, amigos e desafetos, seria mesmo um daqueles dos mais afamados ídolos da bola, capaz de estufar as redes adversárias com lances magníficos e de sair, depois do gol, pra galera torcedora com gestos obscenos no maior auê gritando: - Oi nóis na fita, mano! Também foi fator decisivo para o insucesso aquela minha instabilidade em definir qual vocação eu aprumaria os beiços. Primeiro, sonhava ser motorista de ônibus interestadual. Depois, não sabia se virava padre, pastor ou dono de uma mediunidade capaz de dialogar com almas de outro mundo, quando, na verdade, eu queria logo era ser um daqueles avatar de andar por cima das águas, atravessar parede e pintar invisível por aí curando tudo e todos. Bem, no meio dessa indecisão, apareceu a professora primária que, com seu jeito fascinante e encantador, saiu bulindo com meus sentimentos precoces até me levar por uma paixonite agudíssima, a ponto da petulância de escrever umas quadrinhas inocentes com a cor da calcinha dela. E o pior: com o flagra e o castigo na escola, vi, então, logo cedo, que poesia não poderia ser minha praia. Essa a primeira grande decepção da minha vida. Muitos contribuíram para que eu não fosse nada além de um badameco polichinelo, reduzido a uma irrisória existência entediada. Minha mãe mesmo, coitada, não arredava o pé de me ver um proeminente médico, mesmo cônscia da minha inapropriada mania de desmaiar toda vez que visse sangue escorrendo no que quer que fosse. Meu pai batia o pé para que eu seguisse a carreira jurídica, asseverando na tola esperança dele, que servisse para jurisconsulto brilhante e respeitado. Fui pra faculdade de Direito, isso depois de me enganchar com o Latim em Letras e piruar rabiscos nas cadeiras de Jornalismo, mas saí de lá mais torto do que quando entrei. Já meu avô sonhava em me ver um fazendeiro famigerado, aboiando gado do muito, mandando, desmandando e remontando tudo. Isso sem contar com outros sonhos por mim ainda ignorados, que me levavam aos extremos das profissões. Afinal, na ideia veio então aquela notória e peculiar indecisão de boiar na pasmaceira de qual que seria mesmo, no fim das contas, pro que eu devia servir de verdade. Só faltou quem me quisesse engenheiro, ainda bem, o que seria um desastre calamitoso. Felizmente o restante da parentalha se contentou, evidentemente mais desconfiada, que eu virasse mesmo serventia para nada, ficando de soslaio na expectativa no que eu pudesse chegar a ser. Claro, um sujeitinho que aprontava reinando célere, não é para menos. Assim, adivinhavam meu futuro. Com tudo isso, eu repito e mesmo assim ainda insisto que seria mesmo um craque da bola. Isso sim. Claro que eu não possuía aquela, digamos, perícia peculiar aos privilegiados de nascença no trato com a redondinha para dribles desconsertantes, toques mirabolantes, pontaria certeira, ginga cheia de cacoetes da malandragem, jeitão de só bordejar no balanço do navio ou coisas afins. Realmente eu não possuía nada disso, mas, com certeza, houvesse pelo menos mais incentivadores eu seria, talvez, o maior de todos os tempos. Ainda devo considerar que, em primeiro lugar, não fossem as moletas de um zagueiro coxo e os paralelepípedos que apareceram de repente na beira do campo, isso quando eu estava na maior carreira de doido driblando tudo, zás, lasquei-me! Não fosse isso, eu seria um avassalador de defesas. Claro, depois de abrir o maior samboque no joelho, estropiar a perna e dilacerar a coxa, além de levar uma pisa daquelas bem dada e ficar no estaleiro por meses a fio, queria mais o quê? Só concentração para rearrumar o esqueleto todo. Por causa disso chegaram a dizer que seria melhor eu me destinar a jogador de porrinha, baralho, dominó, peteca, evidentemente para evitar piores acidentes. Pois bem, mesmo sendo um desajeitado, considero na conta do atrapalho o olho-gordo dos invejosos como um dos óbices intransponíveis para decolar na minha carreira futebolística, porque só me deixavam, pelo menos, na regra-tres se eu tivesse uma bola e levasse pro campo. Ou então, só me deixavam entrar na linha depois de ficar uma eternidade quarando no banco de reservas à espera que alguém torasse a canela, quebrasse o pé, entronchasse o pescoço ou se estropiasse vítima da maior arreada de lenha. Aí, por ausência real de quem substituir a vítima, era que eu entrava, isso normalmente aos 45 minutos do segundo-tempo. Nem suava a camisa e o juiz, outro dos antipáticos do meu talento, já apitava encerrando a partida. Tudo uma verdadeira conspiração, né não? A inveja era tanta que dava até para notar certa satisfação nos meus pares de time pelo fato de eu não ter nem tocado na bola. Mas, persistente, fui mais além. Inventei de me especializar melhor embaixo das traves e fiz uma tentativa para o gol para ver se a sina mudava. Deu certo. Logo fui convocado a defender o time porque o titular levou uma tijolada no quengo de quebrar o pescoço, justo numa dessas horas bem apertadas de jogo. O pior de tudo, nem conto. Não fosse, por fim, a lapada raçuda dada por um atacante adversário, daqueles que vem feito um torpedo fodendo tudo, resultado: quase perco os dedos e as costelas, ficando com a caixa dos peitos empenada, findando num desmaio pela chapuletada de, até hoje, me deixar com uma tosse braba. Por causa disso, goleiro nunca mais. Quase desisto de tudo. Porém, como não sou de desistir fácil, ainda enfrentei mais: os aproveitadores. Alesado mais que bocó em meio de feira, eu fiquei feliz de entrar no time pela exigência de comprar o padrão: camisa, meia, calção e chuteiras para todos os jogadores. Pelo menos eu ficava ali no meio dos que estavam de fora, incentivando a turma do jogo pra ganhar a partida. Tirante tudo isso eu acho que seria um craque da hora. E, claro, seria bem provável que eu chegasse a ser até maior que Pelé, Maradona, Zico, ou. De uma coisa, enfim, eu sei: seria um craque célebre não fosse eu, a vida toda, um perna-de-pau. E vamos aprumar a conversa aqui.


Imagens: a arte do artista plástico estadunidense John French Sloan (1871-1951)


Curtindo o álbum A Single Woman (1993), da pianista, compositora, cantora e ativista pelos direitos civis estadunidenses Nina Simone (1933-2003).

NEURÔNIOS ESPELHO – No livro Psicologia e compromisso social: unidade na diversidade (Escuta, 2009), organizado por Mauricio Rodrigues de Souza e Flavia Cristina Silveira Lemos, trata de temas como o mundo das organizações e do trabalho, psicopatologia fundamental, a empatia na psicologia do desenvolvimento, a revolução da psicologia escolar, histórias de múltiplas identidades, compromisso social em psicologia, o impacto social das pesquisas em percepção visual e psicofísica, psicologia social, análise comportamental da cultura, psicanálise, cooperação e coalização em grupos humanos, enytre outros assuntos. Da obra destaco trechos do capítulo dedicado aos Neurônios espelho e seu impacto sobre a compreensão contemporânea dos fenômenos cognitivos, escrito por Antonio Roazzi e Alexsandro Medeiros do Nascimento: Os seres vivos de alguma forma estão todos unidos sob um mesmo céu. Uma afirmação como esta não é algo inusitado, de fato, pode-se afirmar que de certo modo todo mundo concordaria, não questionando uma afirmação deste tipo. Entretanto são necessárias confirmações e alertas neste sentido. Evidencias nesta direção surgem a partir de recentes descobertas na área da neurofisiologia: um grupo de neurônios (células nervosas) que tem se tornado conhecimento por Neurônios Espelho (mirror neurons). [...] Este grupo de células nervosas especializadas do córtex cerebral, capazes de correlacionar os movimentos observados como pegar um alimento e os movimentos do próprio observado0r e de ser capaz assim de reconhecer o seu significado, se localiza na área F5 do córtex ventral pré-motor dos macacos. Foi observado que estes neurônios se ativam não somente quando se executa uma ação finalizada com o uso das mãos, mas também quando se observam as mesmas ações executadas por outro sujeito. A presença de neurônios espelho na área F5 é muito importante visto que esta encontra-se localizada na parte final da área 6, e, além de estar conectada com o sulco arqueado, ela está também ligada ao córtex motor primário que diz respeito ao controle das mãos e da boca. Nesta parte do cérebro têm sido encontrados quatro tipos de neurônios que se ativam em diferentes momentos: neurônios de apreensão ou de agarrar (grasping); neurônios de segurar (holding), neurônios de rasgar (tearing) e neurônios de manipulação (manipulation). [...] os neurônios espelho que possibilitam, no ato de observação das ações dos outros, simular o que se observa e se colocar na posição do sujeito observado. [...] A descoberta dos neurônios espelho e seus desdobramentos na compreensão dos comportamentos humanos, sobretudo relacionados à aprendizagem social, tem reverberado para campos limítrofes e distanciados dos estudos do cérebro, permitindo a investigação com novo prisma teórico de diversos problemas de pesquisa, em campos tão distintos do conhecimento como a primatologia, psicologia, neurociência, linguística cognitiva, didática de ensino de línguas, arqueologia cognitiva, inteligência artificial e robótica, entre outros. [...] Vê-se como a descoberta desses neurônios especiais revelam uma profunda continuidade cortical entre as espécies superiores, em especial às que se originaram dos hominios primitivos, a saber, os macacos modernos e os seres humanos, o que fortalece a visão evolucionista de uma lenta complexificação das estruturas biológicas em níveis crescentes de especialização e diversificação a partir de um tronco ancestral comum, até as formas superiores de funcionamento neuronal que suportam atividades imitativas, comunicativas, comportamento empáticos e social, autoconsciência e agência cultural. [...] A presença de um sistema espelho revela uma espécie homana profundamente modelada pela evolução e adaptada para lidar com o mundo social com seus outros significativos, mas também com todo o lastro de formas vivas, e em especial, a das espécies superiores, de forma que o bebê humano já traz em si formas pré-simbólicas que o ajudam a instanciar uma rica gama de ajustes homem-animal, e compreensão de suas respostas motoras e viscerais. [...] A descoberta dos neurônios espelho humanos e do sistema espelho cerebral promete muito em termos de realizabilidade cientifica no processo de compreensão da natureza da base material de onde emergem as formas superiores de funcionamento racional e espiritual em que nos reconhecemos. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

AS DUAS IRMÃS – No livro Folktales from Germany (Dial, 1985), de James Riordan, encontro a história das duas irmãs: Duas irmãs, Omelumma e Omelukka, havia muito tempo, adoravam brincar ao ar livre, rir e correr para todo lado, como qualquer criança. Certo dia, seus pais saíram para a feira que era um pouco longe de casa, e recomendaram: - Cuidado com os animais da terra e do mar, porque muitas pessoas já foram levadas pelos monstros. Fiquem dentro de casa e não façam muito barulho. Quando fizerem comida, acendam um fogo pequeno, para que a fumaça não atraia os animais. E, quando secarem os grãos, façam em silêncio, para que os monstros não ouçam. Porém, disse o pai, o mais importante, é que não saiam para brincar com outras crianças. Fiquem dentro de casa. As duas concordaram com tudo. Acenaram em despedida quando os pais se afastaram. Ficaram dentro de casa a manhã inteira, mas conforme as horas iam passando, aumentava a sensação de fome. Então, começaram a socar os grãos para fazer uma papa, e aquilo virou logo uma brincadeira. Elas riam e faziam muito barulho. Aí acenderam um grande fogo para que a comida ficasse pronta mais depressa, esquecendo-se da advertência dos pais. Após comer até se fartar, as duas viram os amigos brincando no campo e foram correndo brincar com eles. Enquanto brincavam, um rugido imenso saiu de dentro da mata e outro veio do mar, aparecendo muitos monstros que cercaram as crianças. Aterrorizadas, as duas correram, mas foram separadas. Os monstros do mar carregaram Omelumma e os da terra Omeluka. As duas pensaram, - se tivéssemos ouvido nossos pais. Agora seremos devoradas pelos monstros. Porém, eles não as devoraram, mas as venderam como escravas em lugares muito distantes de sua terra. Omelumma foi escolhida por um homem, que comprou-a e casou-se com ela. Omeluka, mais jovem, não teve a mesma sorte. Foi escolhida por um homem cruel, que a comprou, mas a fez de escrava, dando-lhe muitas tarefas dia e noite. Passado um tempo ele vendeu-a para um outro homem ainda pior do que ele que a maltratava ainda mais. Assim, passaram-se muitos anos. Enquanto isso, Omelumma vivia confortavelmente com o marido e deu à luz seu primeiro filho, um menino. O marido foi ao mercado para encontrar uma escrava que pudesse ajudá-la nas tarefas com o bebê e a irmã, Omeluka, estava lá, para ser vendida.Assim, ele trouxe Omeluka para ser escrava da irmã, mas ela estava muito mudada, devido aos maus tratos que sofrera e Omelumma não reconheceu-a. Todas as manhãs, Omelumma ia para o mercado e entregava o bebé aos cuidados da irmã, deixando também, muitas tarefas para serem realizadas. Omeluka se desdobrava, mas era muito serviço. Quando ia buscar água ou lenha, o bebé ficava em casa, todavia seu choro a trazia rapidamente de volta, e assim não trazia a lenha suficiente. A irmã quando chegava a surrava por não ter cumprido suas ordens, mas se ela deixava o bebé chorando, os vizinhos contavam e ela apanhava do mesmo jeito. Ela tentou levar o bebé quando ia pegar lenha, mas não deu certo, porque não conseguia fazer o serviço com ele no colo. Certa tarde, o bebé só interrompeu o choro, quando ela o colocou no colo e o embalou suavemente. Uma vizinha aproximou-se perguntando por que ela não fazia suas tarefas. Ela ficou com medo de ser denunciada e voltou ao trabalho. Mas o bebé começou a chorar e ela não teve saída senão se sentar e começar a embalá-lo de novo. Não sabendo mais o que fazer, finalmente entoou uma canção: Shsh, shsh, bebezinho, não chore mais Nossa mãe nos disse para não fazer fogo grande, Mas nós fizemos Nossa mãe nos disse para não fazer barulho, Mas nós fizemos. Nosso pai nos disse para não brincar lá fora, Mas nós brincamos. Então os monstros do mato e do mar nos levaram embora, Para muito longe, muito longe! E onde pode a minha irmã estar? Muito longe, muito longe! Shsh, shsh, bebezinho não chore mais. Uma velha que ouviu aquela cantiga, lembrou-se da história que Omelumma lhe contara, há muito tempo, sobre terem sido levadas pelos monstros do mar e da terra. Ela percebeu que a escrava devia ser a irmã de Omelumma, há tanto tempo sumida. Correu até o mercado para contar a novidade à Omelumma. No dia seguinte, ela deu várias tarefas à irmã e em seguida saiu, para o mercado. Mas voltou em segredo e viu como a irmã corria de um lado para o outro tentando impedir o bebé de chorar enquanto fazia seu serviço. Finalmente a irmã sentou-se e começou a cantar a canção que a velha escutara. Assim que Omelumma ouviu a canção, reconheceu que era sua irmã e, chorando de dor e remorso, chegou perto dela para pedir perdão. As duas se abraçaram e choraram juntas. Em seguida Omelumma libertou a irmã, jurou nunca mais maltratar nenhum servo e quando o marido chegou também ficou muito feliz ao saber da novidade. Viveram depois disso, muito felizes. Veja mais aqui e aqui.

FOME - No livro Uma temporada no inferno (L&PM, 2002), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891), destaco poema Fome: Se tenho apetite, é só / De terra e pedras. / Diariamente almoço ar, / Rocha, carvões e ferro. / Minhas fomes, voltai. Pastai, fomes, / O prado das sêmeas. / Atrai o alegre veneno / Das papoulas. / Comei cascalho britado, / Pedras de velhas igrejas; / Blocos erráticos de antigos dilúvios, / Pães semeados nos vales cinzentos. / O lobo uivava sob a folhagem, / Cuspindo as belas penas / De seu almoço de pássaros: / Como ele, assim me consumo. / As hortaliças, os frutos / Aguardam só a colheita; / Mas a aranha do sótão, / Esta vive de violetas. / Que eu adormeça! que eu arda / Nas aras de Salomão. / A fervura escorre pela ferrugem / E se mistura ao Cedrão. / Enfim, ó felicidade, ó razão, eu separava do céu o azul, que é meio / negro, e vivi, centelha de ouro da luz natureza. De alegre, eu / adquiria a mais burlesca e alucinante aparência que imaginar se possa: / Ela foi achada! / Que? a eternidade. / É o sol desfeito / Nos longes do mar. / Minha alma eterna, / Cumpre a tua promessa / Apesar da noite solitária / E do dia em chamas. / Para isso desprende-te / Dos humanos laços / Dos vãos entusiasmos! / E voa ao acaso... / -- Nada de esperança, / Nem de orietur. / Ciência e paciência, / Certo é o suplício. / Lá se foi a manhã; / Brasas de cetim, / O vosso ardor / É a obrigação. / Ela foi achada! / - Que? - / A Eternidade. / É o sol desfeito / Nos longes do mar. / Tornei-me um ópera fabuloso: vi que todos os seres / têm a fatalidade / da felicidade: a ação não é a vida, mas uma maneira de consumir / forças, um enervamento. A moral é uma fraqueza do cérebro. / Afigurava-se-me que a cada ser outras vidas correspondiam. / Esse senhor aí não sabe o que faz: é um anjo. / Essa família é um ninho de cães. / Em presença de certos homens, falei em alta voz com um momento de uma de suas outras vidas. / - Assim, amei um porco. / Nenhum dos sofismas da loucura, / - a loucura que se encarcera, / - foi esquecido por mim: poderia repeti-los todos, possuo o sistema. / Minha saúde viu-se ameaçada. Sobrevinha o terror. Caía no sono durante dias seguidos e, uma vez desperto, continuava os sonhos ainda mais tristes e, por um caminho cheio de perigos, a minha fraqueza conduzia-me aos confins do mundo e da Ciméria, pátria das sombras e dos turbilhões.Tive que viajar, distrair os encantamentos concentrados em meu cérebro. Do mar, que eu amava como se ele me fosse lavar de uma mancha, via emergir a cruz consoladora. Eu havia sido condenado pelo arco-íris. A Felicidade era a minha fatalidade, o meu remorso, o meu verme: a minha vida sempre seria demasiado imensa para dedicá-la à força e à beleza. A Felicidade! Seus dentes, suaves à morte, advertiam-me ao cantar do galo,- ad matutinum, ao Christus venit, nas mais sombrias cidades: Ó estações, ó castelos! Que alma há sem defeitos? Fiz a mágica experiência / Da felicidade, da qual ninguém escapa. Saudemo-la a cada vez / Que canta o galo gaulês. / Ah! Já não terei mais desejos: / Pois ela velará por minha vida. / Este encanto criou corpo e alma / E dispersou os esforços. / Ó estações, ó castelos! A hora de sua fuga, ah! Será a hora da morte. Ó estações, ó castelos! Tudo isto passou. Hoje eu sei saudar a beleza. Veja mais aqui e aqui.

OS ILKES & OLGA - A trajetória da atriz de teatro, cinema e televisão, Eliane Giardini, teve inicio aos dezessete anos de idade, quando estudou na Escola de Teatro da Universidade de São Paulo. Foi no teatro que ela foi premiada como melhor atriz, na década de 1980, quando atuou em peças teatrais como Os Ilkes, O processo, Cerimonia por um negro assassinado, A vida é sonho, Na carreira do divino, O amigo da onça, A aurora da minha vida, Com a pulga atrás da orelha, A fera na Selva, Perversidade sexual em Chicago, Querida mamãe, A dama do cerrado, Memória da água, Tarsila e Mundo dos esquecidos. Também cultivou espaço no cinema, a exemplo dos filmes O salário da morte (1971), O amor está no ar (1997 – Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Gramado), Uma vida em segredo (2001), Histórias do olhar (2002), Chatô, o rei do Brasil (2003) e Olga (2004). Ela também fez história na televisão participando de novelas e séries. Veja mais aqui.

ONCE IS NOT ENOUGH – O drama Once Is Not Enough (Uma Vez Só Não Basta, 1975), dirigido por Guy Green, conta a história da luxuria entre milionários, com revelações chocantes do show business, farra entre socialites, promiscuidade explícita, fixação paterna, lesbianismo, um ambiente em que circula uma jovem inocente cercada pela corrupção. Ela adora o pai que é um produtor de Hollywood e vai se envolver com uma série de relacionamentos que beiram a perversões e traições. O destaque do filme, dessa vez, é expresso em dose dupla, muito embora haja muito o que se destacar nessa película. Entretanto, torna-se meritório, então, trazer de forma enfática o trabalho desempenhado primeiramente pela atriz canadense de teatro e cinema Alexis Smith (1921-1993) e, ao mesmo tempo tempo, a participação também destacável da atriz e escritora estadunidense Jacqueline Susann (1918-1974). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da escultora mexicana Yénisett Torres.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21 horas (horário de verão), com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Djavan, Selma Reis, Lera Auerbach, Chico Buarque & Ney Matogrosso, A Cor do Som, Boca Livre, Azimuth, Hildon, Cláudia Telles, Cassiano, Carlos Dafé, Sonia Mello, Mazinho, Ozi dos Palmares, Ricardo Machado, Elisete Retter, Jussanam Dejah & Latin Faculty, Mariza Sorriso, George Fenton, George McCrae, Loro Jones, Celia Cruz, Richard Butles, Tiago Abravanel, Skank, Malcom Arnold, Carlinho Motta/Duda Flores/Anice Maia, Márcio Celli & Roberto Haag, Zé Caradípia/ Rogério Nascente, Franco do Valle, Ararypê Silva/Beatriz Dutra, Waldemar Freire Lopes & muito mais! Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

 VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


domingo, agosto 16, 2015

TRISMEGISTUS, RIMBAUD, ROUBINE, ANNAUD, PATO FU, RIZZOTTI, UNTOMBINDE & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? ARTE PARA AS CRIANÇAS NAS TARDES DE SÁBADO (Imagem: matéria veiculada no caderno Tribuna 2, seção Roteiro, do jornal Tribuna de Alagoas, de 15 de outubro de 1998) – Como diz a matéria do jornal “O Jaraguá Art’Estudio continua com seu projeto de socialização através da arte e atividades de recreação, sempre aos sábados, das 14 às 18 horas. Por lá já passaram mais de 400 crianças desenvolvendo várias brincadeiras educativas, sempre orientadas por psicólogos, pedagogos e técnicos de recreação”. Assim, foi. Como eu havia publicados os livros O reino encantado de todas as coisas (Bagaço, 1992), Falange, falanginha, falangeta (Nascente, 1995), O lobisomem zonzo (Nascente, 1998) e a antologia Brincarte (Nascente, 1998), realizava recreações educativas por meio de contação e cantação de histórias, leitura dos meus livros com jogos, imitações, trava-línguas, adivinhações e brincadeiras mnemônicas, exercícios de califasia, califonia e calirritmia com jogos teatrais de pergunta e resposta, diálogos, charadas, brincadeiras de agilidade verbal e do espontâneo faz de conta, rimas, versificações, anáforas, leitura coral, jogo de palavras, jogral, onomatopeias, silabações, brincadeiras de boca de forno, exercício de blablação, frases feitas, entoações e cantorias, versificações, enunciações verbais, exteriorização de fantasias, pantomimas, esquetes, jograis, narrativas de viagens, de brincadeiras ou de experiências vividas, entre outros recursos orais de exercícios vocais e linguísticos, interagindo com a criançada comparecente. Era uma festa! E eu saía mais menino a cada incursão com a garotada, renascendo a cada sábado com o vigor, curiosidade e participação delas. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.


Imagem do pintor, desenhista e decorador Alfredo Rizzotti (1909-1972)

Curtindo Música de Brinquedo (Rotomusic, 2010), da banda Pato Fu.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, no blog MCLAM do programa Domingo Romântico. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: José Paulo Paes, Todo dia é dia de ser criança, Turminha Paraíso, O menino da beira do rio, Turma do Cristãozinho, A criação do mundo & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. E no blog, estudos e indicações de Psicologia, Educação, Teatro, Música, Literatura e Direito das Crianças e dos Adolescentes, além de dicas e informações para pais, crianças e familiares na relação com universo infantil. Para conferir online e ao vivo clique aqui ou aqui.

DOS ENTRAVES ACARRETADOS À ALMA PELO QUE SUCEDE AO CORPO – No livro Corpus Hermeticum: discurso de iniciação & A Tábua de Esmeralda (Hemus, 1978), de autoria atribuída pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth e identificado como o deus grego Hermes Trismegistus, formado por quarenta e dois livros subdivididos em seis conjuntos, tratando da educação dos sacerdotes, dos rituais do tempo e de geologia, geografia, botânica, agricultura, astronomia, astrologia, matemática, arquiteturas e de hinos em louvor aos deuses. Da obra destaco o trecho denominado Dos entraves acarretados à alma pelo que sucede ao corpo: Para os músicos que prometem harmonia de um canto que oferece todas as variedades de música, se, durante o concerto, o desacordo dos instrumentos entrava-lhes o ardor, eus sua empresa tornada ridícula. Pois assim que seus instrumentos mostram-se fracos para o que querem fazer, os músicos são necessariamente apupados pelos espectadores. Indubitavelmente produziram a sua obra com inquebrantável boa vontade, mas acusa-se a fraqueza dos instrumentos. Aquele que efetivamente é musico por natureza, e que não somente produz a harmonia dos cantos, mas ainda envia o ritmo da melodia apropriada até cada instrumento em particular, e é infatigável, é Deus, pois que não é de Deus fatigar-se. Se um artista deseja dar um grande concerto musical, quando os trombeteiros expressaram o seu talento, os flautistas exprimiram as finezas da melodia, a lira e os arcos acompanharam o canto, não se acusa a inspiração do músico, atribui-se-lhe a estima que merece a sua obra; mas lamenta-se o instrumento cujo desafinamento perturbou a melodia e impediu aos ouvintes o degustar de sua pureza. No que nos concerne é preciso que nenhum dos espectadores venha acusar de maneira ímpia, pela fraqueza de nosso corpo, nossa raça, mas deve saber que Deus é um Sopro infatigável, sempre nas mesmas relações relativamente à ciência que lhe é própria, saboreando felicidades continuas, sempre em condições de usar seus benefícios que permanecem os mesmos. [...] Veja mais aqui e aqui.

UNTOMBINDE, A MOÇA ALTA (Imagem: arte de Isabelle Vital) – Entre as lendas africanas do Reino do Homem (Cultrix, 1962), encontro a narrativa de Untombinde, a moça alta, da qual destaco o trecho: A filha do rei Usikulumi disse: - Pai, para o ano irei a Ilulange. O pai disse: - Quem lá vai não volta mais; fica lá para sempre. No outro ano ela tornou a dizer: - Pau, eu vou a Ilulange. Mãe, eu vou a Ilulange. Ele disse: - Quem lá vai não torna mais; fica lá embaixo para sempre. Passou mais um ano. Ela disse: - Pai, eu vou a Ilulange; mãe, eu vou a Ilulange. Eles disseram: - Quem for a Ilulange não volta mais: fica lá embaixo para sempre. Por fim o pai e a mãe consentiram em deixa ir Untombinde. Ela reuniu cem virgens de um lado da estrada e cem do outro lado. Assim se puseram a caminho. Encontram alguns mercadores. As moças pararam, formando duas filas, de um lado e outro da estrada. Disseram: - Mercadores, qual de nós é a mais bela; somos dois cortejos nupciais. Os mercadores disseram: - Tu és bela, Utinkabazana, mas não és tão bonita como Untombinde, a filha do rei, que é como um imenso prado de erva verde e boa; que é como a gordura para cozinhar, que é como a bexiga de uma cabra! As moças que formavam o cortejo nupcial de Utinkabazana mataram aqueles mercadores. Chegaram ao rio Ilulange. [...] Todas as moças que formavam o cortejo nupcial disseram: - Untombinde, suplica a Isikqukqumadevu. Ela recusou dizendo: - Nunca suplicarei a Isikqukqumadevu, porque eu sou a filha do rei. Isikqukqumadevu agarrou-a e lançou-a para dentro do charco. As outras moças choraram, choraram e depois foram para casa. Quando chegaram, disseram: - Untombinde foi arrebata por Isikqukqumadevu. O pai disse: - Há muito tempo eu falei a Untimbinde; recurasara-lhe dizendo: “Quem vai a Ilulange não volta mais; fica lá embaixo para sempre”. Vês agora ela fica lá em baixo para sempre. O rei mobilizou o exército dos jovens e disse: - Ide prender Isikqukqumadevu, pois ele matou Untombinde. [...] Então o homem aproximou-se e apunhalou aquela massa; e assim Isikqukqumadevu morreu. E então, de dentro dela saíram rebanhos, cachorros, um homem e todos os homens e depois saiu também Untombinde. E quando ela saiu, voltou para junto de seu paiu Usikulumi, o filho de Uthlokonthloko. Quando chegou, Unthlatu, filho de Usibilingwana, tomou-a para sua mulher. Untumbinde foi tomar o seu lugar no kraal de seu esposo. Assim que lá chegou, instalou-se na parte superior do kraal. Perguntaram-lhe: - Quem vieste esposar? Ela disse: - Unthlatu. Disseram-lhe: - Onde está? Ela disse: - Ouvi dizer que o rei Usibilingwana criou um rei. Responderam-lhe: - Não é verdade: ele não está. Ele criou um filho, mas perdeu-se quando era rapaz. [...] De manhã Untombinde destapou o leite azedo: notou que faltava um pouco. Destapou a carne: viu que tinha sido comida; destapou a cerveja, reparou que tinha sido bebida. Disse: - Oh! A mãe pôs aqui esta comida. Agora dirão que eu a roubei. A mãe entrou e, destapando a comida, disse: - Quem a comeu? Ela disse: - Não sei. Também vi que a tinham comido. Ela disse: - Não ouviste o homem? Ela disse: - Não. O sol desceu. Comeram aquelas três espécies de alimento. [...] Unthlatu saiu. Os olhos do povo ficaram deslumbrados com o brilho de seu corpo. Estavam estupefatos e disseram: - Nunca vimos um homem como este, que tem um corpo que não se parece com o corpo dos homens. Ele sentou-se. O pai não queria acreditar em seus olhos. Fizeram uma grande festa. Depois ressoaram os escudos de Unthlatu, que era grande como todos os reis. Deram a Untombinde uma cauda de leopardo; à mãe a cauda de um gato selvagem e fizeram festa porque Unthlatu fora reitegrado na sua posição de rei. E aqui acaba o conto. Veja mais aqui e aqui.

UMA TEMPORADA NO INFERNO & MANHÃ – No livro Uma temporada no inferno & iluminações (Francisco Alves, 1982), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891), com tradução, introdução e notas de Ledo Ivo, encontro o poema Uma temporada no inferno, do qual destaco o trecho inicial: Outrora, se bem me lembro, minha vida era um festim onde se abriam todos os corações, onde todos os vinhos corriam. Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. - E achei-a amarga. - E injuriei-a. Armei-me contra a justiça. Fugi. Ó feiticeiras, ó miséria, ó ódio, a vós é que meu tesouro foi confiado. Consegui fazer desvanecer-se em meu espírito toda a esperança humana. Sobre toda alegria, para estrangulá-la, dei o salto surdo da fera. Chamei os carrascos para, perecendo, morder a coronha de seus fuzis. Chamei as calamidades, para me sufocar com a areia, com o sangue. O infortúnio foi o meu deus. Estendi-me na lama. Sequei-me ao ar do crime. E preguei boas peças à loucura. E a primavera me trouxe o pavoroso riso do idiota. Ora, muito recentemente, quando eu estava quase nas últimas, pensei em procurar a chave do antigo festim, onde eu recobraria talvez o apetite. A caridade é essa chave. - Esta inspiração prova que sonhei. "Permanecerás hiena, etc..." exclamou o demônio que me coroou de tão gentis papoulas. "Ganha a morte com todos os teus apetites, e o teu egoísmo e todos os pecados capitais." Ah! foi o que fiz e por demais! - Todavia, caro Satã, por favor, tende para mim um olhar menos irritado! e enquanto ficais à espera de umas tantas covardiazinhas em atraso, e já que apreciais no escritor a ausência das faculdades descritivas ou instrutivas, destaco para vós estas poucas hediondas folhas de meu caderno de réprobo. Também o poema Manhã: Não tive eu uma vez uma juventude amável, heróica, fabulosa, para ser escrita em folhas de ouro, — sorte a valer! Por que crime, por que erros, mereci a fraqueza atual? Vós que achais que animais dão soluços de dor, que doentes desesperam, que mortos têm pesadelos, tratai de narrar minha queda e meu sono. Quanto a mim, posso explicar-me tanto quanto o mendigo com os seus contínuos Pater e Ave Maria. Não sei mais falar! .Contudo, creio ter terminado hoje a narração de minha temporada no inferno. Era realmente o inferno: o antigo, aquele cujas portas o filho do homem abriu. No mesmo deserto, à mesma noite, meus olhos cansados sempre despertam sob a estrela de prata, sempre, sem que se emocionem os Reis da vida, os três magos, o coração, a alma, o espírito. Quando iremos, além das praias e dos montes, saudar o nascimento do trabalho novo, a sabedoria nova, a fuga dos tiranos e dos demônios, o fim da superstição, adorar — os primeiros! — os primeiros! — os primeiros! — o Natal sobre a terra?  O canto dos céus, a marcha dos povos! Escravos, não amaldiçoemos a vida. Veja mais aqui.

A ARTE DO ATOR – O livro A arte do ator (Zahar, 1987), do professor e doutor em Letras francês Jean Jacques Roubine, trata da retrospectiva histórica, a vocalidade e a gestualidade contemporânea, o corpo, o rosto, o papel, a interpretação, o ator, o diretor, o espectador, entre outros assuntos da área teatral. Da obra destaco o trecho: Da arte do ator, sabe-se muito e pouco. Muito, na medida em que, por motivos de ordem psicológica e sociológica que fogem ao alcance deste estudo, o ator foi durante muito tempo objeto de fascinação e até mesmo de idolatria social. O ator parece pertencer a um universo mágico. O seu lugar é o "outro lado do espelho". No sonho coletivo, o monstro sagrado, a diva e depois astar vieram naturalmente substituir os deuses e as feiticeiras, as figuras e os mitos que não poderiam se adaptar aos tempos modernos. Falou-se muito, escreveu-se muito sobre os atores, mas raramente sobre a sua arte propriamente dita. O que se sabe a respeito é, portanto pouca coisa, considerando o caráter quase sempre anedótico ou hagiográfico da literatura que se ocupa do ator. Pouca coisa também porque, até recentemente, pelo menos, ele pouco escreveu sobre si mesmo. Falta de interesse ou de aptidão? Inibição? Afinal de contas, há pouco mais de trinta anos, Jouvet externava o mais negro pessimismo: "O que ele [o ator] diz então sobre a sua profissão, sobre os autores que ele interpreta, sobre os seus papéis, sobre ele mesmo, é marcado por uma espantosa estupidez, por uma espécie de baixeza ou de vulgaridade, ou pelo menos de ignorância. O que ele pode é contar a sua própria vida. É sórdido" {Témoignages sur le théâtre, pg.13). As coisas mudaram sensivelmente desde o fim do século passado. O diretor é muitas vezes um ator (e às vezes, que ator!). Ocupa, pois, um posto de observação privilegiado. Ao mesmo tempo teórico e prático. Daí o interesse dos seus escritos, sejam eles de polêmica ou de reflexão: definem a grandeza e os limites de uma arte, denunciam suas complacências e suas trucagens, traçam um ideal que as gerações seguintes se esforçarão por realizar. E, assim mesmo, sabe-se pouco sobre o ator. Pois, comparado aos outros artistas, ele sofre de uma desvantagem insuperável: a sua obra é efêmera. Posso ler, hoje, a Fedra que Racine escreveu em 1677, mas nunca poderei ver Rachel ou Sarah Bernhardt no papel-título. Um estudo da arte do ator é necessariamente de segunda mão. De Rachel, jamais saberei nada além daquilo que me contam Musset, Théophile Gautier, Juies Janin e alguns outros. Poderei contemplar suas fotos amareladas... Eis tudo! Mais tarde um pouco, disporei de documentos em discos ou filmes. Mas sabemos quão imperfeitamente eles nos dão conta da realidade do teatro. Veja, por exemplo, Maria Casarès interpretando Lady Macbeth, em frente à muralha de Avignon, e ouça depois a gravação, veja o documento filmado que foi realizado in loco: é a mesma voz, o mesmo rosto, o mesmo olhar. Mas é tudo completamente diferente... Se a evolução do gesto e das técnicas de interpretação ficar evidente, o mal-estar se transformará em estupor: como é possível compreender a admiração de Proust e dos seus contemporâneos por Sarah Bernhardt se levarmos em consideração os documentos sonoros ou filmados que dela ficaram? Estamos evidentemente mais bem aparelhados para o estudo do teatro recente, graças à multiplicação dos depoimentos de toda ordem e à crescente qualidade de tais documentos: de modo geral, a partir de 1880, aproximadamente, quando a problemática da direção começa a ser globalmente considerada, multiplicam-se reflexões teóricas, tratados relativos à técnica do ator e, um pouco mais tarde, teses acadêmicas que fundam um estudo diacrônico da prática do teatro... [...] Veja mais aqui.

GUERRA DO FOGO – O filme Guerra do fogo (La Guerre du Feu, 1981), dirigido pelo cineasta francês Jean-Jacques Annaud, com música de Philippe Sarde e roteiro de Gérard Brach, baseado no texto do escritor J. H. Rosny (1856-1940), conta a história da descoberta do fogo em uma tribo pré-histórica, retratndo dois grupos de hominídeos, o primeiro que quase não se diferência dos macacos por não ter fala e se comunicar através de gestos e grunhidos, pouco evoluído e acha que o fogo é algo sobrenatural por não dominarem ainda a técnica de produzi-lo; enquanto o outro grupo é mais evoluído e tem uma comunicação e hábitos mais complexos, como a habilidade de fazer o fogo. Esses dois grupos entram em contato quando o fogo da primeira tribo é apagado em uma guerra com uma tribo de hominídeos mais primitivos, que disputam pela posse do fogo e do território. Do contato com uma mulher do outro grupo, os três caçadores do fogo aprendem muitas coisas novas, já que ela domina um idioma muito mais elaborado que o deles, assim como domina também a técnica de produção do fogo. Levados por diversas circunstâncias a um encontro com a tribo de Ika, percebem que há uma maneira diferente de viver; observam as diferentes formas de linguagem, o sorriso, a construção de cabanas, pintura corporal, o uso de novas ferramentas, e até mesmo um modo diferente de reprodução. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da ilustração do desenhista e ilustrador canadense Hal Foster.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, com reprise da programação da semana, a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: Brincadeiras de Criança, do artista plástico Davi Rodrigues

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...