quinta-feira, outubro 29, 2015

JOSEFINA, ADALGISA, CARDINALE, LILIANA, MARINA, MONIQUE, NIKI, PATRIZIA, MARIA & HOLÍSTICA!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? RENOVAÇÃO - Aos vinte e nove dias do mês de outubro do ano de dois mil e quinze, hoje mais que nunca reitero o que dissera desde março de sempre na infância de todos os amanheceres, no adolescer adulto e na noite de novos alvoreceres da criança aos seios da mãe crepuscular por todas as matas do engenho de açúcar, arrodeando o Una que me batizou para que eu fosse mais que um rio a singrar a vida. Reitero mais que a crônica do coração materno que é dela e que reconhece todos os nomes e até as inomináveis que varam agrestes, sertões e litorais e que vão além do planalto central para fincarem a sua alma atlântica no mais ignoto território do Pacífico. Reitero mais que a festa de todas as deusas de todos os panteons do universo pra todas as musas nuas e ciborgs que vigiam o futuro porque não têm nada mais que o agora. Reitero mais que a realeza de todas as rainhas sobre todas as abelhas que lhe são súditas no reinado de todos os voos que levam além de mim para o que sou de mais eterno. Reitero mais que os poemas que viraram canções e dos cantaraus que são não mais que gratidão no dia quente e na tarde de sol e que são mais que apologias de sangue e sentimento das mãos à alma e que eternizam no vento o que dela emana pra ser mais real. E assino embaixo com meu sangue como se fosse a seiva da flor mais que desabrochada. E veja mais aqui e aqui

 Imagens a multiarte da pintora, escultura e cineasta francesa Niki de Saint Phalle (1930-2002).


Curtindo o álbum Funambola (Ponderosa Music&Art, 2007), da cantora e compositora italizana Patrizia Laquidara.

UMA NOVA CONSCIÊNCIA PARA A HUMANIDADE – No livro Visão holística em psicologia e educação (Summus,1991), organizado por Dênis M. S. Brandão e Roberto Crema, destaco o texto A visão holística: uma nova consciência para a humanidade, da doutora em Psicologia, com formação em Gestalt-Terapia e Transpessoal, autora do método A mutação Holística, Monique Thoenig: [...] Vivemos em um mundo atomizado em todos os níveis. Constata-se uma atomização do individuo, uma atomização da humanidade e do mundo. Beiramos o ponto de não retorno. No entanto, em meio a isto, espíritos se levantam em todo o mundo, a boa vontade entra em ação. Corações se surpreendem. Este novo olhar está no centro de nós mesmos e aí podemos encontra-lo. É do coração que ele irradia. A Paz começa em cada um de nós. E é ai que se deve fazê-la germinar. O amor é a necessidade fundamental de todo ser. Nosso planeta, a Terra, é um ser vivo; é como um coração que bate no universo – o drama fundamental da humanidade é que nem todos os corações batem em uníssono. [...] A experiência última permanece com o Vazio misterioso e primordial, que contém toda a existência em germe e potencialidade. Aí já não encontramos a dualidade entre a fonte e o rio, entre o raio e o sol.  No abandono a uma força onipresente, o sim inclui o não, já não mais opostos. O Ser renasce no espelho da morte. E eu finalizaria com esta frase de Krishnamurti: “Então, só ao que se pode chamar de Deus é possível existir”.  Veja mais aqui aqui e aqui.

A MOÇA TECELÃ – No livro Doze reis e a moça no labirinto do vento (Nórdica, 1985), da escritora e jornalista ítalo-brasileira Marina Colasanti, destaco o conto A Moça Tecelã: Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor de luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava. Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos de algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela. Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias. Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao seu lado. Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta. Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando na sua vida. Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade. E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar. - Uma casa melhor é necessária, - disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer. Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. – Para que ter casa, se podemos ter palácio? – perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata. Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira. Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre. - É para que ninguém saiba do tapete, - disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: -Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos! Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo. Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear. Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela. A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte. Veja mais aqui.

A UM HOMEM & OUTROS POEMAS – No livro Mundos Oscilantes: Poesias Completas (José Olympio, 1962), da poeta e jornalista Adalgisa Nery (1905-1980), destaco inicialmente o poema A um homem: Quando numa rocha porosa / Cansado te encostares / E dela vires surgir a umidade e depois a gota, / Pensa, amado meu, com carinho, / Que aí esta a minha boca. / Se teus olhos ficarem nas praias / E vires o mar ensalivando a areia / Com alegria pensa amado meu / Num corpo feliz / Porque é só teu. / Se descansares sob uma arvore frondosa / E além da sombra ela te envolver de ar resinoso / Lembra-te com entorpecência amado meu, / Da delicia do meu ventre amoroso. / Quando olhares o céu / E vires a andorinha tonta na amplidão / Pensa amado meu que assim sou eu / Perdida na infindável solidão. / A noite quando as trevas chegarem / E vires do firmamento. Também, Poema da amante: Eu te amo / Antes e depois de todos os acontecimentos / Na profunda imensidade do vazio / E a cada lágrima dos meus pensamentos. / Eu te amo / Em todos os ventos que cantam, / Em todas as sombras que choram, / Na extensão infinita do tempo / Até a região onde os silêncios moram. / Eu te amo / Em todas as transformações da vida, / Em todos os caminhos do medo, / Na angústia da vontade perdida / E na dor que se veste em segredo. / Eu te amo / Em tudo que estás presente, / No olhar dos astros que te alcançam / Em tudo que ainda estás ausente. / Eu te amo / Desde a criação das águas, / desde a idéia do fogo / E antes do primeiro riso e da primeira mágoa. / Eu te amo perdidamente / Desde a grande nebulosa / Até depois que o universo cair sobre mim / Suavemente.  E por fim, o poema Repouso: Dá-me tua mão / E eu te levarei aos campos musicados pela / canção das colheitas / Cheguemos antes que os pássaros nos disputem / os frutos, / Antes que os insetos se alimentem das folhas / entreabertas. / Dá-me tua mão / E eu te levarei a gozar a alegria do solo / agradecido, / Te darei por leito a terra amiga / E repousarei tua cabeça envelhecida / Na relva silenciosa dos campos. Nada te perguntarei, / Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes / E as palavras do meu olhar sobre tua face muito / amada. Veja mais aqui.

O VOTO FEMININO – A comédia em um ato O voto feminino (1878), da jornalista e feminista Josefina Álvares de Azevedo (1851-?), oriunda do trabalho desenvolvino no jornal A Família que se tornou um veículo de propaganda do direito ao voto feminino e ela publicou uma série de artigos, nos quais afirmava que, sem o exercício desse direito pelas mulheres, a igualdade prometida pelo novo regime não passaria de uma utopia. Inspirada no parecer do ministro do interior, Césario Alvim, em abril de 1890, negando o alistamento eleitoral de Isabel Matos, ela escreveu a peça teatral que foi encenada durante os trabalhos constituintes de 1890-91, no Recreio Dramático, um dos teatros mais populares no Rio de Janeiro daquela época. A peça apropriou-se, numa linguagem cênica, do parecer negativo do ministro e também do artigo de um congressista favorável ao voto feminino para criticar duramente o ridículo da resistência masculina em aceitar a participação das mulheres na vida política. A obra foi publicada em livro e também como folhetim nas páginas do jornal de Josefina, de agosto a novembro de 1890. Voltou a ser reeditada na sua coletânea A mulher moderna: trabalhos de propaganda (1891). Da peça destaco as cenas 4 e 5 recolhidas do estudo Josefina Alvares de Azevedo: teatro e propaganda sufragista no Brasil do século XIX, da pesquisadora e doutora em Letras, Valeria Andrade Souto Maior: [...] CEnA 4a. Inês e Esmeralda ESMERALDA (entra lendo um jornal) – Que quereis fazer de uma mulher como vós inteligente, como vós ativa, como vós ilustrada, como vós amante da pátria, e que lhe quer, pode e deve prestar todos os serviços?! INÊS (que tem estado a prestar muita atenção) – Sim, sim, o que querem os homens fazer de uma mulher assim? ESMERALDA – Oh! Minha mãe, que belo artigo o do Dr. Florêncio, publicado no Correio do Povo de ontem. INÊS – É um grande talento!ESMERALDA – Tem feito do voto feminino uma campanha célebre. INÊS – E há de vencer. ESMERALDA – Se vencerá! INÊS – Em passando a lei, já se sabe, hás de te apresentar para deputada. ESMERALDA – Eu, minha mãe? INÊS – Sem dúvida. Pois não estás habilitada para isso? ESMERALDA – Sim, estou habilitada. Mas meu marido? INÊS – Ora, o teu marido! Que se empregue em outra coisa. ESMERALDA – É bom de dizer, a senhora sabe, que ele tem sido sempre deputado... E não há melhor emprego do que esse. INÊS – De ora em diante serás tu. Se lhe hás de estar todas as noites a ensinar o que ele há de dizer, vai tu mesma dizer o que sabes. ESMERALDA – Pobre Rafael! Ele que deseja tanto subir!... INÊS – Sobe tu. Faz-te deputada, (aparece ao fundo a criada) depois senadora, depois ministra, e talvez que ainda possas chegar a ser presidente da república...CEnA 5a. Inês, Esmeralda e Joaquina JOAQUINA (entrando) – Quem? O senhor Rafael? INÊS – Não tola; a Esmeralda. JOAQUINA (admirada) – Uê! ESMERALDA – Ora, mamãe, isso não se faz assim. INÊS – Como não; faz-se sim, senhora. E eu hei de ser tua secretária. JOAQUINA (contente) – Que belo! Nesse tempo eu ficarei sendo sua criada grave. INÊS – É verdade, poderás proteger essa rapariga arranjando-lhe algum emprego razoável. JOAQUINA – Olhe, minha ama, sabe o que eu queria ser? ESMERALDA – Diz lá. JOAQUINA – Aquele homem que anda num carro fechado e com dois soldados a cavalo... ESMERALDA – Oh! Mulher! Querias logo ser ministra? INÊS – Isso é impossível, Joaquina. JOAQUINA – Eu sei lá! Queria ser uma coisa que pudesse mandar os soldados. ESMERALDA – Mandar soldados, para quê? JOAQUINA – Para nada, não senhora. (aparte) Para mandar prender aquele ingrato do seu Antonico que não se quer casar comigo. (sai) INÊS (que tem estado a conversar com Esmeralda, durante o aparte de Joaquina) – No dia em que for decretado o nosso direito de voto... [...] Veja mais aqui.


LA PELLE – O filme La pelle (1981), dirigido pela cineasta e roteirista italiana Liliana Cavani – que ficou reconhecida por seu filme Il portiere di notte (O porteiro da noite, 1974), tem seu roteiro baseado no romance homônimo do escritor, jornalista, dramaturgo e cineasta italiano Curzio Malaparte (1898-1957), com musica de Lalo Schifrin. Este belíssimo filme tem por destaque a sempre aplaudidíssima e cultuada, bela e encantadora atriz italiana nascida na Tunísica, Claudia Cardinale, estrela dos filmes de Luchino Visconti, Federico Fellini e Sergio Leone, atuando nas últimas décadas como uma libertária de esquerda na defesa das mulheres e dos homossexuais, bem como em causas humanitárias na valorização de sua herança árabe. Ela escreveu sua autobiografia intitulada Moi Claudia, Toi Claudia. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de homenagear a escultora, desenhista, gravurista, pintora, escritora e musicista Maria Martins (1894-1973).


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs (horário de verão), com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, outubro 28, 2015

ERASMO, ORTIGÃO, ZÉLIA DUNCAN, MILITÃO, MYRIAM MUNIZ, CARPINEJAR, TURMA DA MÔNICA, PECHISBEQUE & BRICARTE DO NITOLINO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PECHISBEQUE - Eita, que o negócio está enfeiando demais. E se o negócio tá brabo, como diz Alceu Valença: vai pior e tende mais a piorar! Fé na perua! E o povo está comendo vidro! É, nem muxiba no moquém mesmo. E não adianta nem rezar nem recorrer a coisas insólitas, embrabeceu mesmo dum jeito de não ser nem possível ver qualquer insinuação de luzinha besta na fundura, muito menos dá para mensurar o tamanho do buraco. Só dá para entender que não bastando fazer o joguete das elites nacionais e internacionais e entregando até a cama de dormir para eles, ao invés de investir na educação, querem erradicar na marra e sob promessas eleitoreiras, as mais insignificantes epidemias, que de tão conhecidas, qualquer sujeito mediano sabe dar a solução. Mas, como aqui tudo é só jeitinho, mais nada, fica sempre a enrolação pura para promover alguém em cima da desgraça geral. O pior é quando a gente quer se desligar um pouquinho no final de semana, ah, que a bizarra realidade assombra. Tudo se confronta mesmo na insana política do venha-nós e vosso-reino-nada. E todo dia uma novidade da mesquinharia na manchete do jornal. Tanto a gente acredita que finda desacreditando de tudo. Incredulidade geral: será que o Brasil tem jeito? Sei não. Com tudo se disfarçando só no compadrio estreito que se empanzina com as benesses rebatinhas, descartando agora só o que sobrou das esculhambações de governos ao longo desses quinhentos e cinco anos de vício, ossadas e destroços, avalie. Não dá outra, são horrores que mais recheiam as escatológicas perspectivas inscritas nas teratologias inventariadas. Ah, são disparates demais que exalam o joio das flatulências mais fedorentas da cloaca nacional! São os borgorígmos das falcatruas, das negociatas, das trambicagens. Assim, a gente sabe onde vai dar: quando não é a estupidez do radicalismo canhestra, são sequestros, violência, flagelos, e o voyerismo rabacué da tv de ficar brechando a intimidade alheia, mexinflórios do maior registro da punheta coletiva. E isso é o cúmulo da curiosidade. Parece mais a vera-efígie verossímil e bastarda de que essa mesmice se enfia endovenosa, intoxica um e contagia todos com a extrusão da homogeneidade nivelada por baixo e confirmando os falsos padrões de avaliação civilizatória na ambição de poder, sucesso e riqueza, com todos os propósitos maqueados para o engodo, para o embuste, como se fôssemos o esgoto do consumo se alimentando só do lixo internacional. Gente, e aquela de sacanear, aprontando e pregando a maior peça, só para ver o idiota chutar o pau da barraca? Quanta falta de imaginação, só para constatar os entulhos da originária atitude simiesca, parecendo mais que o estúpido manguço é o principal atributo de nossa referência. Desapontado, eu, a esta altura do campeonato, sou undívago dos modismos, fedífrago eventual rascunhando minhas trapizongas literárias e mesmo que meus solecismos sejam escandalosos, aqui não tem recaall e nem porra de brother ou casa duca... E como este país não é só litoral, nem só São Paulo, nem só festança corrupta, nem só delinqüência e aproveitamentos, dará outra coisa? Só fabos – fabricantes de bosta, mesmo. Não vou ter um treco, tô só esperando o dia em que todos os políticos vão tomar vergonha da cara. Os caras nem mais se tocam com vaias ou tortada na cara. A gente devia fazer feito os argentinos, partir pro radical: um merdazo. Tolotes do muito nas fuças desses caras. Ah! mas se a moda pega no Brasil, a maior fábrica de excrementos do mundo, não haveria reserva merdológica que desse vencimento pra gente jogar nos mais ilustres casacudos oficiais. Era mesmo, se ao invés dessa acúlea salmodia catingosa de esperar milagres e salvadores nas eleições, a gente assumisse a retórica da contestação mais aguda e sapecasse uns tolotinhos raçudos nas fuças dos vendidos, haveria de aparecer um jeito menos doloroso para impor nossa cidadania. Ôxe, ovo podre, lama e lixo dá maior meladeiro e tem em qualquer lugar. É só pegar, empunhar e vute! Queria ver só a cara deles lambuzada com nosso protesto. Como tô cheio das caraminholas e com a indignação pelo gogó, vou recolher essa mal traçada pechisbeque e arrumar uma lavagem de roupa para amealhar sustento porque a coisa tá feia para cachorro-do-rabo-fino. E vamos aprumar a conversa aqui!


Imagem: Rio São Francisco, do artista plástico, artesão e poeta Militão dos Santos.


Curtindo o dvd Sortimento Vivo (Universal Music, 2002), da cantora e compositora Zélia Duncan.


BRINCARTE DO NITOLINO– Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs (no horário de verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação sempre especial também tem atrações especiais chamando a meninada com Toquinho, Lygia Fagundes Telles, Guilherme Arantes, Palavra Cantada, Carequinha, O papel das histórias, Cristina Mel, Turma do Jambu, Meimei Corrêa, Grandes Pequeninos & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

ELOGIO DA LOUCURA – O ensaio Elogio da loucura (1509 – LP&M, 2003), do teólogo e filósofo holandês Erasmo de Roterdã (1466-1536), inicia em tom satírico para chegar a um tom mais sombrio ao considerar que a loucura aprecia a autodepreciação, terminando com um testamento claro dos ideais cristãos. É repleto de alusões clássicas, escritas no estilo típico dos humanista do Renascimento, no qual a Loucura se compara a um dos deuses, filha de Plutão e Frescura, educada pela Inebriação e Ignorância, cujos companheiros fiéis incluem Philautia (amor-próprio), Kolakia (elogios), Lethe (esquecimento), Misoponia (preguiça), Hedone (prazer), Anoia (Loucura), Tryphe (falta de vontade), Komos (destempero) e Eegretos Hypnos (sono morto). Da obra destaco o trecho [...] Primeiro, vós bem vedes com que providência a natureza, esta mãe produtora do gênero humano, dispôs que em coisa alguma faltasse o condimento da loucura. Segundo a definição dos estóicos o sábio é aquele que vive de acordo com as regras da razão prescrita, e o louco, ao contrário, é o que se deixa arrastar ao sabor de suas paixões. Eis porque Júpiter, com receio de que a vida do homem se tornasse triste e infeliz, achou conveniente aumentar muito mais a dose das paixões que a da razão, de forma que a diferença entre ambas é pelo menos de um para vinte e quatro. Além disso, relegou a razão para um estreito cantinho da cabeça, deixando todo o resto do corpo presa das desordens e da confusão. Depois, ainda não satisfeito com isso, uniu Júpiter à razão, que está sozinha, duas fortíssimas paixões, que são como dois impetuosíssimos tiranos: uma é a Cólera, que domina o coração, centro das vísceras e fonte da vida; a outra é a Concupiscência, que estende o seu império desde a mais tenra juventude até à idade mais madura. Quanto ao que pode a razão contra esses dois tiranos, demonstra-o bem a conduta normal dos homens. Prescreve os deveres da honestidade, grita contra os vícios a ponto de ficar rouca, e é tudo o que pode fazer; mas os vícios riem-se de sua rainha, gritam ainda mais forte e mais imperiosamente do que ela, até que a pobre soberana, não tendo mais fôlego, é constrangida a ceder e a concordar com os seus rivais. De resto, tendo o homem nascido para o manejo e a administração dos negócios, era justo aumentar um pouco, para esse fim, a sua pequeníssima dose de razão, mas, querendo Júpiter prevenir melhor esse inconveniente, achou de me consultar a respeito, como, aliás, costuma fazer quanto ao resto. Dei-lhe uma opinião verdadeiramente digna de mim: — Senhor, — disse-lhe eu — dê uma mulher ao homem, porque, embora seja a mulher um animal inepto e estúpido, não deixa, contudo, de ser mais alegre e suave, e, vivendo familiarmente com o homem, saberá temperar com sua loucura o humor áspero e triste do mesmo. Quando Plutão pareceu hesitar se devia incluir a mulher no gênero dos animais racionais ou no dos brutos, não quis com isso significar que a mulher fosse um verdadeiro bicho, mas pretendeu, ao contrário, exprimir com essa dúvida a imensa dose de loucura do querido animal. Se, porventura, alguma mulher meter na cabeça a idéia de passar por sábia, só fará mostrar-se duplamente louca, procedendo mais ou menos como quem tentasse untar um boi, malgrado seu, com o mesmo óleo com que costumam ungir-se os atletas. Acreditai-me, pois, que todo aquele que, agindo contra a natureza, se cobre com o manto da virtude, ou afeta uma falsa inclinação, ou não faz senão multiplicar os próprios defeitos. E isso porque, segundo o provérbio dos gregos, o macaco é sempre macaco, mesmo vestido de púrpura. Assim também, a mulher é sempre mulher, isto é, é sempre louca, seja qual for a máscara sob a qual se apresente. Não quero, todavia, acreditar jamais que o belo sexo seja tolo ao ponto de se aborrecer comigo pelo que eu lhe disse, pois também sou mulher, e sou a Loucura. Ao contrário, tenho a impressão de que nada pode honrar tanto as mulheres como o associá-las à minha glória, de forma que, se julgarem direito as coisas, espero que saibam agradecer-me o fato de eu as ter tornado mais felizes do que os homens. Antes de tudo, têm elas o atrativo da beleza, que com razão preferem a todas as outras coisas, pois é graças a esta que exercem uma absoluta tirania mesmo sobre os mais bárbaros tiranos. Sabereis de que provém aquele feio aspecto, aquela pele híspida, aquela barba cerrada, que muitas vezes fazem parecer velho um homem que se ache ainda na flor dos anos? Eu vo-lo direi: provém do maldito vício da prudência, do qual são privadas as mulheres, que por isso conservam sempre a frescura da face, a sutileza da voz, a maciez da carne, parecendo não acabar nunca, para elas, a flor da juventude. Além disso, que outra preocupação têm as mulheres, a não ser a de proporcionar aos homens o maior prazer possível? Não será essa a única razão dos enfeites, do carmim, dos banhos, dos penteados, dos perfumes, das essências aromáticas, e tantos outros artifícios e modas sempre diferentes de vestir-se e disfarçar os defeitos, realçando a graça do rosto, dos olhos, da cor? Quereis prova mais evidente de que só a loucura constitui o ascendente das mulheres sobre os homens? Os homens tudo concedem às mulheres por causa da volúpia, e, por conseguinte, é só com a loucura que as mulheres agradam aos homens. Para confirmar ainda mais essa conclusão, basta refletir nas tolices que se dizem, nas loucuras que se fazem com as mulheres, quando se anseia por extinguir o fogo do amor. [...]. Veja mais aqui e aqui.

AS FARPAS – O livro As farpas chronica mensal da política das letras e dos costumes (Typographia Universal, 1871), do escritor e polemista português Ramalho Ortigão (1836-1915), inicialmente em parceria com o escritor Eça de Queiroz até 1872 e, posteriormente, até 1882 pelo primeiro. Subintitulando-se "O País e a Sociedade Portuguesa", os folhetins mensais d'As Farpas constituem um painel jornalístico da sociedade portuguesa nos anos posteriores a 1870, erguido com bonomia, sentido agudo das mazelas sociais, um alto propósito consciencializador, e uma linguagem límpida e variada, formando uma admirável caricatura da sociedade da época. O estilo deu inicio a um novo e inovador conceito de jornalismo - o jornalismo de ideias, de crítica social e cultural. Da obra destaco o trecho inicial: Leitor de bom senso –que abres curiosamente a primeira pagina d'este livrinho, sabe, leitor - celibatário ou casado, proprietário ou produetor, conservador ou revolucionario, velho patuleia ou legitimista hostil- que foi para ti, que ele foi escripto – se tens bom senso! E a idéa de tc dar assim todos os mezes, emqnanto quizeres, cem paginas ironicas, alegres, mor. dentes, justas, nasceu no dia em que podemos descobrir através da penumbra confusa dos factos, alguns contornos do perfil do nosso tempo. Aproxima-te um pouco de nós, e vé. O paiz perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as conciências em debandada, os caracteres corrompidos. A pratica da vida tem por única direção a conveniencia. Não há principio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguem se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguem crê na honestidade dos homens publicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inercia. O povo está na miseria. Os serviços publicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéas aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta in diffferença de cima a baixo! Toda a vida espiritual, intellectual, parada. O tedio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruina econômica cresce, cresce, cresce. As quebras succedem-se. O pequeno commercio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentavel. O salario diminue. A renda também diminue. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. N'este salve-se quem poder a burguesia proprietária de casas explora o aluguel. A agiota gem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O numero das escolas só por si é dramatico. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignobeis, sustentando-se de sardinha e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miseravel, sacudida pela penhora; ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automatica. No entanto a intriga politica alastra-se. O paiz vive n'uma somnolencia enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba, o silencio da opinião com padre-nossos maquinaes. Não é uma existencia, é uma expiação [...] Veja mais aqui.

SALMOS DO FOGO, ADEGA DO SONO & OUTROS POEMAS – No livro As solas do sol (Bertrand Brasil, 1998), do poeta, professor e jornalista Fabrício Carpinejar, destaco Salmos do Fogo: O céu esférico, / cinzento. / Aves copiando o traçado / da migração, / o caule da borrasca. Também a solidão a duas vozes: Obedecia a rapidez do sangue. / Antes de apodrecer a luz, / engolia a altura da árvore. Mais o Neve da chama: Enraizado no canto, / o cortejo de galos / separava a safra de corais. / Das quilhas coradas / das canoas. O adega do sono: Dividias os gomos da fruta / em aposentos da casa. / A cortina do sumo / leveda o sol levantado. / O zodíaco do molde / supre o gérmen do quarto. / E o bafio estala / a lareira das esferas / na sala de estar / da semente. O poema Domingo: As garças capinavam / as águas.  / A saliva das aves / movia o motor /do riacho. Por fim Suicídio: A vida amou a morte / mais do que havia / para morrer. / Apaguei os pensamentos / na espuma da pele. / Abandonar o paraíso, / a única forma / de não esquecê-lo. E veja mais aqui e aqui.

DA BRUXINHA ATÉ NINA - A premiadíssima e saudosa atriz e diretora de teatro, cinema e televisão, Myriam Muniz (1931-2004), construiu uma trajetória que foi iniciada na Escola de Arte Dramática, no final dos anos 50, estreando no teatro profissional em 1961, no espetáculo José, do parto à sepultura, seguindo-se A bruxinha que era boa (1962), Tia Mame (1962), Chuva (1962), A revolução dos beatos (1962), A mandrágora (1963), O noviço (1963), Tartufo (1964), O inspetor geral (1966), O círculo de Giz (1967), La Moschetta (1967), Os carecentes (1967), Marta Saré (1969), Tom Paine (1970), Tudo de Novo (1970), Assim é, se lhe parece – só porque você quer (1971), Fala baixo, senão eu grito (1973), Eva Perón (1979), Às próprias custas (1983), Pegando fogo, lá fora (1988), A história acabou (1991), Porca Miséria (1993). Além de dirigir e atuar no teatro, também incursionou pelo cinema em filmes como Macunaíma (1969), Cleo e Daniel (1970), Pequena ilha da Sicilia (1971), Mar de Rosas (1977), O jogo da vida (1977), O homem do pau Brasil (1982), Das tripas coração (1982), Alô? (1997), Amélia (2000) e Nina (2004), além de ter parcipado em novelas e series na televisão. Veja mais aqui.

 
 SCUM – O drama Scum (1979), dirigido pelo cineasta Alan Clarke (1935-1990), retrata a brutalidade da vida dentro do sistema borstal britânico. O filme foi feito para a BBC, mas devido a violência, foi retirado do ar, o que fez seu diretor retomar e lança-lo dois anos depois. O filme conta a história de um jovem delinquente, como ele chega à instituição e sua ascensão através da violência e auto-proteção para o topo da hierarquia dos internos, puramente como uma ferramenta para sobreviver. A controvérsia do filme foi derivado de sua representação gráfica do racismo, violência extrema, estupro, suicídio, muitas lutas e linguagem muito forte. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de Mauricio de Souza & Turma da Mônica


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs (horário de verão), com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...