quinta-feira, abril 03, 2008

CAMUS, BEATRIZ SARLO, CAMÕES,GNERRE, ARISTIDE MAILLOL, PSICOLOGIA, SEXUALIDADE & BIRITOALDO

 
A arte do escultor e pintor francês Aristide Maillol (1861-1944). Veja mais aqui.


XV - Quando a língua dá no dente do alcagüete, sai de riba que lá vem o enterro voltando - Depois do incidente, estavam os dois mais remendados que molambo de retalhos alinhavados numa enfermaria local, vítimas da ardilosa feitura de um catabí vaticinado pelo anticristo. Verdade, gente! Olhe, quem visse o estado dos futuros nubentes, diria que aquilo tudo devia de ser atribuído a uma barroada estrondosa de dois foguetes raçudos e revoltados no espaço sideral com os destroços todos se despencando pra cima deles, devido deplorável expressão encontrada dos enfermos. Birito deitado de bruços, num podia nem se virar, só até, no máximo, ficar de bandinha não sem gemer por dores infames: era o furico costurado até a goela. E o pior: torando um aço da pêga por causa do bafafá truculento que os familiares dela armavam pro seu lado. O cabra sofria do corpo e de medo da sua sina que, por certo, não seria nada agradável para qualquer cristão. Sabia já que seria esfolado até a última lona de num valer mais nenhum tostão furado que fosse! Isso porque os caboetas abomináveis que acolitavam a rede de prosélitos no cós do Ernestinildo, na maior adulação e hostilidades, pintavam piormente sua caveira para a mais fuderosa das vinditas. Previa mais: o negócio ia feder até onde se desse enredo e, com certeza, pro resto de sua vida. Munga foi pior: ainda se ressentindo das dores nas canelas por ter feito as doze rodas da dança de São Gonçalo pra conseguir marido e não morrer vitalina, foi costurada dos pés à cabeça: um buraco só entre a vagina e o ânus, o osso do mucumbu fraturado de ser os cacos removidos para introdução de uma prótese ali; o estômago dilacerado em bordas; as tripas gaiteiras estouradas; esôfago, laringe, traquéia, garganta, boca, tudo remendado nos mínimos detalhes para recompor as bandas que ficaram da coitada. Será que virara a Emilia do Lobato? Já não era lá duma boniteza interessante, imaginem depois de uma extrovengada dessa? O escarcéu fora grande e claro que iria sepultar os projetos do Birito, agora mais perto de ser enterrado vivo, dando adeus à sua vida ainda na flor da idade. O Ernestinildo não se controlava de tão indignado, convocando uma penca de trogloditas para dar cabo na audácia do indigitado. A polícia, ao seu controle, investigando até as pregas dele para saber o que foi que sucedeu. O negócio de fétido e nauseabundo se posicionava para missa de sétimo dia com hora marcada e tiro até no certificado de conclusão do ensino primário. Quase que matam Birito ali, na hora, não fosse o remexido relutante da Munga para que não se metessem a besta de acabar com seu sonho. Ela não falava, não podia, ronronava balançando a cabeça em sinal de negação, num mexido agoniado e incompreendido por todos os que se encontravam ali presentes. O pai, assim, confuso com a atitude da filha, mandou retirar a maca do indesejado para outro cafundó de Judas. Ôxe, arrastaram o cabra como quem esmaga uma caixa de papelão imprestável. E se Birito já estava ruim, desconjuntou-se de vez. Tinha um nego que prendia o nariz dele pra matá-lo asfixiado logo. E um outro apertando o gogó, mais um afinando a cintura na marra, dobrando o espinhaço, dando nó nos dedo da mão, torcendo os braços, enozando as pernas, vôte! Ficou mais parecendo um boneco de pano de tão desmilinguido. Ela, não, relutava com a violência que imprimiam nele. - O qu-qui-que fo-foi, fi-filhinha, ra-ra-i-inha-nha da-da mi-mi-minha vi-vida? Ela só se debatia balançando a cabeça dando a entender que não fizessem aquilo. - Eu ma-ma-mato, e-se-se ca-ca-cabra sa-sa-fafafa-fa-fa-do! E ela mais se contorcendo para que o pai não fizesse aquilo. Seu Manuel Bertulino e dona Táquia foram barrados de ver o filho que se encontrava incomunicável numa saleta ignorada sob a vigilância de uns quinhentos capangas ameaçadores que lhe torturavam o restinho da pelanca para extrair confissões que por certo dariam no seu patíbulo com verdugo e tudo que fosse de ruim para sua morte matada no terreiro mais agreste que se tivesse notícia. Munga agitadíssima repetia sinais incompreensíveis para a galera presente, quando um dos médicos notou que seu aceno era para que desse para ela uma caneta e um papel. Assim fizeram. Mais trêmula que se possa imaginar devido os ferimentos e cirurgias, ela rabiscou um garrancho que foi interpretado pelo tabelião de notas, Juracildo Mendes, perito em decifrar as mais doidas caligrafias, traduzindo depois de meia hora de acomodações, arrumações de letras, de cabeça-pra-baixo, de trás-pra-frente, plantado bananeira, desvendando o quebra-cabeça de que ali constava o seguinte: foi um acidente. Quero casar com ele. Não maltratem meu amor. Ôxe, marcaram o casório na hora. Saíssem dali direto para a igreja com juiz, padre, delegado, comandante de polícia militar e uma penca de cangaceiro para garantir o enlace matrimonial. O negócio mudou de figura. Os inexoráveis marretadores passavam agora a alisar a peínha de gente que Birito havia se reduzido, não conseguindo, sequer, se manter de pé, ou deitado, ou que jeito fosse, porque a vida já se esvaia dali. Desfalecido, pintaram a gota, trouxeram médico, padre mestre-de-cerimônia, catimboseiro afamado, exorcista, pai-d'égua, virgem de vestal nuínha em pêlo, cabôco-anjo-de-pai-Tomás, pastor berrante da igreja-de-todos-os-dias-amém, anacoreta-do-fim-do-mundo, asceta-do-zênite-não-enluarado, diáconos-dos-mosteiros-escatológicos, mensageiros-da-trombeta-divina-do-céu-do-oitavo-dia, portadores-do-archote-da-verdade-imanente, crismados-da-verdade-de-Shangri-lá, batizados-dos-mistérios-de-além, encapuzados-do-senhor-santo-maior, companheiros-da-Klu-klux-klan, devotos-de-Osama-Ben-Laden, herdeiros-de-Hitler, hardcores-do-uní-vos, grunges-da-vida-estraçalhada, trashs-da-morte-superior, lipstik-lesbian-da-Nossa-Senhora-Maria-de-Jesuisis, darlings-dos-comensais-celestes, fashions-das-noites-advenas, glamourosas-dos-santos-do-pau-ôco, amigos-da-onça, drags-da-fantasia-do-céu, undergrounds-dos-souvenirs-do-diabo, descolados-das-missas-diabólicas, hards-do-demônio, sandwich-mans-da-divina-comédia-humana, proxenetas-do-capeta, sophisticated-ladyes-das-madames-caridosas-da-sociedade-cristã, o escambau de fanático que eu mesmo nunca tinha sequer ouvido falar. Só Mãe Nega que conseguiu que suspirasse o seu faniquito, desmaiando de novo umas dez vezes ao mesmo tempo. Era sinal de um taco de vida ainda possível de ser recuperada. O cara agora não valia mais um só cocô de louro, num tinha um osso sequer inteiro, tudo aos fragmentos na carne esticada. Na engenharia feita, o cara sobrou com jeito de Frankstein de tão mexido e acoplado que ficou sendo, com próteses as mais diversas arrumadas do crânio ao dedo mindinho dos pés, do sangue misturado de gente e animal que aparecesse que não dava vencimento, o cara seco, esvaziado, tinha que levar umas bombadas de oxigênio e do gás que tivesse à disposição dos lutadores em retrazer sua vida da morte lascada para as núpcias desejadas pelo dono-de-todas-as-posses do local. Era a vontade dele e havia de ser cumprida, nem que o cara virasse um andróide busuntão que se assemelhasse com um Et ou Freddie Krueger ou Jason Ford ou ogro qualquer que resultasse dos recursos mais extraordinários disponíveis pelos fazedores de milagres, promissores dos acontecimentos esdrúxulos e fabricadores das carrancas medicinais. Depois de tudo embrulhado dentro do corpo do rapaz, iniciaram uma cirurgia plástica para salvar a feiúra ocrídia que já era de nascença, para dar-lhe um ar de Don Juan apolíneo de presente para a filha do grande senhor Ernestinildo. Tudo pronto quase trinta horas depois, estava o cara sonado em pé, teso, mais parecendo um robô de tão automatizado que ficara. O cabra tinha mais tipo de droga no organismo que toda reserva da Colômbia. Deixaram-no de quarentena sob a vigilância de uns dois mil capazes, até que Munga se restabelecesse completamente para o evento esponsal. Enquanto isso, as línguas andavam soltas a dar vazão na invencionice de que aquilo havia sido obra de um capeta intergaláctico que penalizara os dois pombinhos, ou que fora obra do castigo de Deus, ou uma explosão de algum gêiser desconhecido, ou praga de mãe, ou sei lá que porra mais que o povo inventa que a gente nem imagina que possa existir de tão absurdo que se conta. Encurtando o despropósito, deu-se no dia do casório. Birito ainda nem sequer piscava o olho todo remendado e só repetindo que "o senhor é meus pastor, nada me faltará". Mais nada. Repetia hipnotizado e cheio dos braquearos. Segurado pelo braço por dois carrancudos seguranças, estava lá, em frente do altar, embecado num palitó arroxeado arrumado às pressas pelo sogro, dando a entender que estava todo nos trinques, quando a noiva entrava ao som de Mendhelsson, trupicando até chegar ao lado dele. As mães das filhas casadouras do local choramingavam nos lencinhos enquanto os pais morriam de inveja daquela efeméride tão ruidosa. O pai avexado mandou logo a padre abreviar a coisa porque o povo todo do lugar e da redondeza se espremia doida para o comes e bebes que o anfitrião iria proporcionar aos comparecentes. O vigário foi logo direto e declarou casados em nome do Senhor, pt saudações, sem ao menos pronunciar as usuais expressões de que Munga Xantipa esposa pela anuência de Deus de Biritoaldo Bertulino até que a morte os separe. Foi um fuguetório da porra do lado de fora, uma girândola de mais de cinqüenta milhões de fogos de artifícios, doze horas e meia como a praga a espoucar nos céus da província. Até o poderio armamentista dos norte-americanos mandaram dez bombas atômicas e uns cinqüenta misseizinhos fuderosos para animar ainda mais o fuzuê. O fumaceiro atrapalhou uns cinco meses as atividades regulares da cidade e favorecendo as atividades escusas do poderoso, enquanto o povo bebia e comia do estandarte de coisas oferecidas em glória do casamento da filha do maioral. Dessa festa toda eu sei que morreram uns vinte mil de intoxicação, três mil de caganeira braba, sete mil de cirrose crônica, uns quatrocentos e cinquenta de porre etílico, e outros tantos de enfermidades várias. De Birito se sabe que depois da cerimônia sacudiram-no na cama do quarto da mansão que o pai construíra para a filha em tempo recorde, deixando-lo lá estirado, enquanto Munga mandou que todos se retirassem, trancando a porta para ficarem sozinhos. Isso era meio dia em ponto de uma sexta-feira qualquer. Munga saiu do quarto quinze dias depois deixando o Birito mais morto do que vivo. Foi mesmo! Ela ao se trancar, começou a fazer um streep-tease pra ele, dele começar a desmaiar antes da hora, o maior puxa-e-encolhe, a mulher doida, subindo pelas paredes, agarrando-se no caralho do rapaz e pulando sua cheba em cima dele pelo prazo decorrido. Ela estava realizada, toda ancha, satisfeitíssima. A olheira dele se estendia por todo corpo, parecendo mais hematomas do primeiro fio de cabelo da cabeça ao último centímetro das pontas dos pés. Foi aí que começaram a boatar que tinha virado preto de tanta roncha que o cara exibia. Se já estava disforme, imagine todo com a cor de sangue pisado. Hum! Quatro anos depois Birito deu conta da sua vida: herdeiro de uma das maiores fortunas que se tenha notícia, dominado até a alma e levando gaia de parecer um gnu rejeitado por todos. Munga Xantipa agora era o diabo pintado em carne e osso, braba como a porra, chata que nem pinicada no colhão, mais desumana que a madrasta que enterra enteadas vivas, mais teimosa que a mulher do piolho ou um jumento empacado quando cisma num mata-burro, uma verdadeira mãe de São-Pedro de tão avarenta. Quando ele se achegava todo cheio de mimo, ela largava logo uns bregues de rejeição. E outra: num podia tomar qualquer decisão porque nada valia que partisse dele, ilaqueado que estava no seu estúrdio. Enganou-se ele, mais uma vez, ao pensar que estava no aquário do sogro, hum, um zé-ninguém na estima de todos e isso para quem não podia nem com uma gata pelo rabo, era o cúmulo, estava rico mas não podia desfrutar de nada. O casório já prenunciava que passavam de esponsais para litigantes. - Tome jeito, cabra! -, era a ameaça que recebia quando botava gosto ruim em algo. A mulher pintava e bordava e ele de olho aboticado e gaia lubrificada com as extravagâncias dela. Como não podia reclamar de nada, enfrentava o espelho de ficar batendo chifre três horas encarreadas. - Eita, rapariguinha-de-Zé-Pedo! -, reclamava sozinho ele com o comportamento da Munga. O negócio amainou um pouco quando ela engravidou. Ele todo feliz por ser pai pela primeira vez, estava esquecendo tudo que ela cometera para ferir-lhe o brio, reafirmando sua situação conjugal. Ôxe, aí é que tudo emborcou. Ela começou a ter enjôos os mais espetaculares, como a de querer que o marido comesse bosta mole para saber se o gosto estava bom, ele na maior careta, danava a garfada justo na parte da merda que ela escolhera, tendo que arrumar cocô fresco às três horas da manhã, esperando que algum ser vivente viesse com caganeira salvar-lhe a bronca. Ou quando queria que um mondrongo peiudo visse enrabá-lo para ela comer gala com fezes. Ou quando tendo de arrancar uma tufa de pentelho para que ela ficasse enrolando as aranhas de seu criatório na charanha dela. Tem mais: ir buscar entrecasco de caju com dois fiapos de cabelo da venta de uma onça jaguaretê viva para que ela pudesse comer misturado com todo tipo de asneira feito tijolo pisado, castanha de caju ralada, excremento de bode fedorento, cabilouro de girafa, bimba de boi assada com arroz ao molho de querosene, farelo de unha de macaco capado com calda de óleo diesel e sorvete de fruta-pão. Eita! Era cada cardápio inominável tudo com o fito do filho nascer com sustância de menino sadio. Isso, chegando esbaforido, todo arranhado das garras dos bichos mais ferozes que ela escolhia numa enciclopédia do mundo animal, com o pedido atendido justo na medida, todo sacrifício feito em nome do primogênito que honraria o seu nome, o Biritoaldo Bertulino Júnior, um Júnior para afagar o seu ego. E bote desejos esdruxúlos nisso, do cara ficar mais endoidado que anteriormente. Pior não é nada, quando o sogro soube que ia ser avô, fez uma outra festa de arromba de quase matar o resto da população empanzinada. Seu Manoel Bertulino sonhava com um Manoelzinho Neto; o Ernestinildo sonha com um Ernestinildo Neto; e ele, um júnior. Hum, o maior paparicado virou pesadelo de sexta-feira treze quando o posudo anunciou o nome do bruguelo. Foi puxavanque até umasoras. Tanto que o rebento foi registrado seis meses antes de nascer: Ernestinildo Neto. Foi muxôxo, careta, contrariedade pra tudo quanto foi lado. Assim estava, assim ficou assinado em papel fidedigno do formulário de certidão sob n.º 5.209 e com o dou fé do serventuário oficial do registro civil em virtude da lei, etc e tal, às fls. 569 do tombo A-130 de assentos mediante declarante e testemunhas arroladas, como sendo o referido verdade e dou fé, assinatura reconhecida na firma do Tabelionato de Notas da Comarca, com testemunho de verdade em data de num sei quanto de tanto de mil novecentos e cipopau primeiro. No documento estava o nome completo do assentado, com previsão de nascimento dali a alguns meses, em hora e local já determinado, do sexo masculino, filho de Munga Xantipa e pai ignorado, avós paternos desconhecidos, avós maternos na pessoa do ilustre senhor Ernestinildo Bibiano Feitosa Joaquim dos Santos Pereira Marques Silvério Martins Peixoto Alves Ferreira Andrade Soares de Alcobaça e Bragança e Lisboa e Londres e Paris e América da Silva I, Barão do Trubufú & Senhorém e mais ninguém. Pronto e acabou-se. Bá. Birito não enguliu aquilo com facilidade, fez que aceitava mas tramando uma para cima de todos. E se dizia que deixasse o filho nascer que eles iam ver a sua vingança, deixassem. Ele armando das suas. Espia só. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui


PENSAMENTO DO DIAJulgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. Pensamento do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960). Veja mais aqui e aqui.

LINGUAGEM & COMUNICAÇÃO - [...] A linguagem não é usada somente para veicular informações, isto é, a função referencial denotativa da linguagem não é senão uma entre outras; entre estas ocupa uma posição central a função de comunicar ao ouvinte a posição que o falante ocupa de fato ou acha que ocupa na sociedade em que vive. [...]. Trecho extraído do livro Linguagem, escrita e poder (Martins Fontes, 1987), do antropólogo e linguísta Maurizio Gnerre. Veja mais aqui.

PLANETA TERRA - [...] O planeta é um mundo imaginário inventado por uma seita secreta que age como um escritor coletivo. [...]. Trecho extraído de Borges, un escritor en lãs orillas (Ariel, 1995), da escritora e crítica literária argentina Beatriz Sarlo.

POESIA - [...] Transforma-se o amador na coisa amada. Por virtude de muito imaginar, não tenho logo mais que desejar, pois em mim tenho a parte desejada [...] Trecho extraído de Os melhores poemas, de Luis Vaz de Camões. Veja mais aqui e aqui.

DESCOBRINDO O PRAZER – O livro Descobrindo o prazer: uma proposta de crescimento sexual para a mulher, de Julia R. Heiman e Joseph Lopiccolo, trata de temas como envolvimento, medos e esperanças, solidão, parceiro, programa de crescimento, conhecimento próprio, atitude sexual, história sexual pessoal, abuso, o corpo, órgãos genitais, sentimentos negativos e positivos, mitos e equívocos sobre sexualidade feminina, o toque, exercícios de relaxamento, ponto G, masturbação, técnicas de terapia cognitiva, resposta sexual, contracepção, medo e orgasmo, excitação, vibrador, ciclo menstrual, gravidez, ginecologia, exames de seio, apetite sexual, relação sexual, prazer mútuo, posições, fantasias, afeto sexual, orgasmo e penetração, estupro, incesto, AIDS, religião, valores pessoais, sexo anal e oro-genital, afrodisíacos, terapias, entre outros importantes temas. REFERÊNCIA: HEIMAN, Julia; LOPICCOLO, Jospeh; Descobrindo o prazer: uma proposta de crescimento sexual para a mulher. Summus, 1992.

PSICOLOGIA – O livro Psicologia: abordagens atuais, de William E. Glassman e Marilyn Hadad, trata de assuntos como comportamento, abordagens diferentes, origens, métodos para estudo do comportamento, abordagens biológicas, a natureza do sistema fisiológico, interações mente e corpo, base hereditária, behaviorismo, condicionamento clássico e operante, abordagem cognitiva, pensamento e ação, percepção e cognição, aprendizagem e memória, resolução de problemas, linguagem, abordagem psicodinâmica, psicanálise, motivação e mente, neofreudianos e não-freudianos, abordagem humanista, personalidade e pessoa, desenvolvimento, jornada de vida, gênero, comportamento social, pesquisa e estatística, entre outros temas. REFERÊNCIA: GLASSMAN, William. HADAD, Marylin. Psicologia: abordagens atuais. Porto Alegre: Artmed, 2008.

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA – O livro História da Psicologia: rumos e percursos, organizada por Ana Maria Jacó-Vilela, Arthur Arruda Leal Ferreira e Francisco Teixeira Portugal, aborda questões como o múltiplo surgimento da psicologia, cultura luso-brasileira, novos critérios de cientificidade no século XIX, dispersão de saberes e práticas no séc. XX, diálogo com o social, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: JACÓ-VILELA, Ana; FERREIRA, Arthur; PORTUGAL, Francisco. História da Psicologia: rumos e percursos. Rio de Janeiro, Nau, 2007.

PSICOLOGIA E TRABALHO NA HISTÓRIA – O livro Psicologia e trabalho na história: da apropriação do tempo à busca da felicidade, de Aline Santos Laner, trata da organização social e tempo na Idade Média, concepção mediável do trabalho, civilização medieval cristã e a clássica muçulmana, o comercio e o tempo do mercador, concepções religiosas sobre o trabalho, humanismo e secularização do trabalho, felicidade e cidadania organizacional, trabalho, brasilidade e latinidade, entre outros temas. REFERÊNCIA: LANER, Aline. Psicologia e trabalho na história: da apropriação do tempo à busca da felicidade. Ijuí: UniJuí, 2005.

PSICOLOGIA AMBIENTAL – O livro Psicologia Ambiental, de Norman W. Heimstra e Leslie H. Motarling, trata do ambiente construído, salas e moradias, edifícios e instituições, cidades, o ambiente natural e comportamento, fontes de ameaça, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: HEIMSTRA, Norman; MOTARLING, Leslie. Psicologia Ambiental. São Paulo: EPU/EdUsp, 1978.

PSICOLOGIA NO SÉCULO XX – O livro Psicologia do século XX, de Edna Heidbreder, aborda assuntos como sistemas de psicologia, função e significado, o funcionalismo, estruturalismo e Titchener, a psicologia de William James, o behaviorismo, psicologia dinâmica, gestalt, psicanálise e psicologias do século XX. REFERÊNCIA: HEIDEBREDER, Edna. Psicologia do século XX. São Paulo: Mestre Jou, 1981.

MANUAL DE PSICOLOGIA COGNITIVA – O livro Manual de Psicologia Cognitiva, de Michael W. Eysenck e Mark T. Keane, trata da psicologia cognitiva experimental, percepção visual e atenção, reconhecimento de objetos, movimento e ação, limitações da atenção e do desempenho, memória e aprendizagem, sistemas de memória de longo prazo, memória cotidiana, aprendizagem, linguagem, percepção da leitura e da fala, concepção da linguagem, produção da linguagem, pensamento e raciocínio, resolução de problemas e perícia, criatividade e descoberta, julgamento e tomada de decisão, raciocínio e dedução, presente e futuro, entre outros assuntos. REFERÊNCIA; EYSENCK, Michael; KEANE, Mark. Manual de Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2007.

PSICOLOGIA COGNITIVA – A obra Psicologia Cognitiva, de Margaret W. Matlin, aborda temas como origem da psicologia cognitiva, neurociência cognitiva, abordagem do processamento de distribuição paralela, processos perceptivos, reconhecimento do objeto, atenção, memória de trabalho, a abordagem de Baddeley, memória de longo prazo, memória autobiográfica, estratégia de memória e metacognição, características das imagens mentais, mapas cognitivos, memória semântica, esquemas e scripts, a natureza da linguagem, percepção da fala, processos básicos de leitura, compreensão do discurso, a fala, escrita, bilinguismo, resolução de problemas, criatividade, raciocínio dedutivo, tomada de decisão, desenvolvimento cognitivo, entre outros temas. REFERÊNCIA: MATLIN, Margaret. Psicologia Cognitiva. Rio de Janeiro: LTC, 2004.


A arte do escultor e pintor francês Aristide Maillol (1861-1944). Veja mais aqui.




Veja mais sobre:

Quando os anjos pagam o pato pela bagunça no céu!, Karlheinz Stockhausen, Rubem Braga, Catulo da Paixão Cearense, Dominique Regnier, Herbert James Draper, Julio Conte, Bob Swaim, Sigourney Weaver & Psicologia da aprendizagem aqui.

E mais:
Aristóteles, Rachel de Queiroz, Ariano de Suassuna, Chick Corea, Costa-Gavras, Aldemir Martins, José Terra Correia, Teresa Ann Savoy, Combate à corrupção, Garantismo penal & provas ilícitas aqui.
As trelas do doro: o bacharel das chapuletadas aqui.
Yoram Kaniuk, Sarah Kane, Robert E. Daniels, Meir Zarchi, Thelonious Monk, Eugene de Blaas, Tono Stano, Eliane Auer, Prefeituras do Brasil, Juizados Especiais & A responsabilidade civil bancária aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a corda arrebenta, a covardia fica de plantão aqui.
A Mulher Assíria-Babilônia, João Guimarães Rosa, Mário Quintana, Pedro Nonato da Cunha & outras tiradas aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá (Arte Ísis Nefelibata).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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quarta-feira, abril 02, 2008

ALCÂNTARA MACHADO, DIANE ACKERMAN, MICHEL RIBON, SHERE HITE, MARIA ESTHER MACIEL, HÉLÈNE GRIMAUD, TERAPIAS FAMILIARES & PSICOLOGIA SOCIAL


 
Curtindo a arte da pianista francesa Hélène Grimaud. Veja mais aqui e aqui.

MEIA NOVE – Ela achega-se requerente e dissoluta, palpitante e seminua. O seu perfume me inebria e flagro o seu olhar manhoso a denunciar o cio. Encosta os seus lábios aos meus, um beijo e todo afago, arrepiando-se ofegante com as minhas mãos a deslizarem seu dorso, alcançar-lhe as ancas voluptuosas prontas pro prazer. As suas mãos acariciam-me a face enquanto move seu ventre esfregando-se ao meu sexo protuberante. Levanto a sua saia e o seu sexo quente bafeja faminto encostado ao meu. Movo-lhe até o sofá, sentamos quase desnudos e corro os dedos por baixo da blusa até os seus seios nus e hirtos a encher-me a palma espalmada carinhosamente. Roço-lhe a pele eriçada e arranco a blusa para, em seguida, alisar suas coxas embaixo da saia e tocar-lhe o sexo úmido embaixo da calcinha. Faço-a deitar-se a beijar-lhe as faces, mordo seus ombros, lambidas nos seus seios, beijos no seu umbigo, a demover a saia e a calcinha para deixá-la completamente nua, entregue às minhas investidas. Enquanto isso, ela quase desfalecida toca meu pênis por cima da calça, desatacando-a e descendo o zíper para apertá-lo por cima da cueca e cravar suas unhas para arrancá-lo duro a puxá-lo até os lábios para beijinhos contidos e arrepiantes. Sobre as suas coxas lambo-as até o clitóris e meus dedos se insinuam a acariciar sua vagina e ânus. A sua língua contorna a glande e ensaia com os lábios abocanhá-lo lenta e calmamente. Um dos meus dedos se atreve a mergulhar no poço ensopado de seu prazer, para um outro enfiar-se delicadamente medonho no cu. Ela suspira deliciosamente e agita o quadril para que eu enfie mais nos seus orifícios, fazendo com que minhas lambidas sejam mais intensas e profundas na sua vulva. Sinto meu membro inteiro na sua boca, engolido até a garganta em sua fome ofegante de felatriz, eu mais firme na cunilingua passeio com a chupada e o toque a tatear tímida e consequentemente em ritmos de tira e bota, entra e sai, vai e volta na sua intimidade enlouquecida. Ela transpira inquieta e eu mais ousado a chupá-la de forma a exaltá-la em abocanhar insana e selvagemente até à garganta, agarrada ao meu tronco na chupada de babar me aprontando pro gozo aos seus zis orgasmos. Vamos até as últimas instâncias e no ápice de nossa libidinosa chupação, derramo na sua abóbada palatina a seiva inteira jorrada das profundezas do desejo explodido, enquanto ela eletrizada descarrega seus estertores de múltiplos e extremos prazeres. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIAA poesia é função da alma e não de atributos das paisagens. Pensamento do escritor Alcântara Machado (1901-1937). Veja mais aqui.

AS MULHERES - [...] Bela é a visão de uma mulher, contagiante ao toque e mortífera a sua posse... um mal necessário, uma tentação natural... um mal da natureza, retratado em cores enganosas... mentirosa por natureza... como [as mulheres] são mais frágeis tanto mental como facialmente, não admira sejam enfeitiçadas pela bruxaria [mais do que os homens]... uma mulher é mais carnal do que um homem... toda bruxaria provém da luxúria carnal, que nas mulheres é insaciável. [...]. Conclusões de conversa entre dois teólogos dominicanos, com sua grande experiência de inquisidores do papa, extraído da obra Uma história natural do amor (Bertrand Brasil, 1997), da escritora e naturalista estadunidense Diane Ackerman. Veja mais aqui.

NUDEZ - [...] Se a nudez é uma experiência naturalista, o nu é um conceito de arte. O rosto de um corpo despido deixa de ser o polo de atração da vida expressiva, ele já não exprime tudo: perplexo, nosso olhar não sabe onde olhar. Além disso, ameaçada por suas próprias desordens e profundamente perturbadora, pois anuncia a embriaguez ou a violência dos prazeres possíveis que o cerimonial da roupa e dos adornos já não atenua, a nudez é reformulada pelo olhar da arte para se tornar o Nu. Adorno que aderiria à totalidade um corpo, apresentação melódica da nudez remodelada, o nu artístico é enfim o corpo seguro de si mesmo e por isso oferecido sem reservas ao divino prazer da contemplação. [...] O nu suscita uma emoção específica; é como se o nosso próprio corpo de carne que o percebemos, e as sensações que agitam nosso ser multiplicam, sublimando-a, a emoção erótica que o nu nos proporciona. [...]. Trecho extraído da obra A arte da natureza (Papirus, 1991), do filósofo e crítico de arte francês Michel Ribon. Veja mais aqui.

RELATÓRIO HITE – O livro Relatório Hite sobre sexualidade masculina, de Shere Hite, aborda assuntos como ser homem, relacionamento com mulher, intercurso e a definição de sexo, como os homens veem as mulheres e o sexo, outras formas de sexualidade masculina, violação, sexo pago a mulher e pornografia, amor e sexo entre homens, a sexualidade dos homens mais velhos, homens que falam de suas vidas, frustrações e queixas, felação, cunilíngua, masturbação, prazer físico, ejaculação precoce, entre outros temas. REFERÊNCIA: HITE, Shere. Relatório Hite sobre sexualidade masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991.

PANORAMA DAS TERAPIAS FAMILIARES – Os dois volumes do Panorama das terapias familiares, organizados por Mony Elkaim, abordam temas como o inicio da terapia familiar, as terapias integracionais, psicanalítica, abordagens sistêmicas, estrutural, estratégia de terapia familiar, abordagem trigeracional, coalisões integracionais, conselho conjugal, psicodrama, psicopedagogia, psicoterapia familiar, abordagem comportamental, experiencial, discussões, construtivismo, construcionismo social, técnicas narrativas, entre outros assuntos. Fonte: ELKAIM, Mony (Org.). Panorama das terapias familiares. São Paulo: Summus, 1998.

PSICOLOGIA SOCIAL – O livro Psicologia social: desdobramento e aplicações, de Maria de Fatima de Sena Silva e Cassio Adriano Braz de Aquino, traz questionamentos sobre o ser social, alteridade, trajetória acadêmico-política, psicologia do trabalho, saúde, psicologia comunitária, responsabilidade social e ambiental nas empresas, perspectivas psicossocial do tempo livre, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: SILVA, Maria de Fátima; AQUINO, Cassio. Psicologia social: desdobramento e aplicações. São Paulo: Escrituras, 2004.

PSICOLOGIA SOCIAL PARA AMÉRICA LATINA – O livro Psicologia social para America Latina: o resgate da psicologia da libertação, organizado por Raquel S. L. Guzzo e Fernando Lacerda Junior, aborda a realidade interpelante e o projeto de uma psicologia da libertação, sentido e necessidade, a teologia da libertação, ética e constituição social, a psicologia de Martin-Baró ou o imperativo da crítica, psicologia ambiental, política e comunidade, globalização, pobreza e justiça social, processos de liberação social, violência política e o conflito armado, psicologia cultural, entre outros temas. REFERÊNCIA: GUZZO, Raquel; LACERDA JUNIOR, Fernando. Psicologia social para America Latina: o resgate da psicologia da libertação. Campinas: Alinea, 2009.

DIÁLOGOS COM A PSICOLOGIA SOCIAL – O livro Diálogos em Psicologia Social, organizado por Ana Maria Jacó-Vilela e Leny Sato, aborda temas como ciência, saber e legitimação social, lugar de critica, memória e afetividade, memória histórica e geracionais, armadilhas e alternativas nos processos educacionais e na formação de professores, educação não-formal e juventude, transcendência e violência, direitos humanos, gênero e sexualidade, historia da formação do psicólogo, infância, adolescência, família, mídia, poder, violência e política, processos organizativos, comunidade e políticas sociais, democracia, promoção da saúde, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: JACÓ-VILELA, Ana Maria; SATO, Leny (Orgs). Diálogos em Psicologia Social. Porto Alegre: Abrapso/Evangraf, 2007.

PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA – O livro Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia, organizado por Regina Helena de Freitas Campos, trata de temas como psicologia social comunitária, histórico e fundamento da psicologia comunitária, comunidade e a desapropriação cientifica de um conceito antigo quanto a humanidade, relações comunitárias e dominação, a instituição como via de acesso à comunidade, qualidade de vida e habitação, cultura e consciência, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: CAMPOS, Regina (Org.). Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia. Petropolis: Vozes, 2005.

METODO HISTÓRICO-SOCIAL NA PSICOLOGIA SOCIAL – O livro Método histórico-social na psicologia social, organizado por Angelo Antonio Abrantes, Nilma Renildes da Silva e Sueli Terezinha Ferreira Martins, aborda de questões como a dialética conttra a cilada negadora da práxis psicossocial, os efeitos encatatorios da forma-mercadoria, dialética do singular-particular-universal, marxismo contemporâneo, capitalismo, o método da pesquisa materialista histórico e dialético, psicologia socio-histórica e o fazer científico, pesquisa-ação em psicologia social e saúde, entre outras abordagens. REFERÊNCIA: ABRANTES, Angelo; SILVA, Nilma; MARTINS, Terezinha (Orgs). Método histórico-social na psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2005.


MUSA DA SEMANA: MARIA ESTHER MACIEL

DESTERRO

Desabitado o corpo
resta a sombra
do anjo sem nome

O reino do longe
é aqui: na terra
insone, onde a pedra
consome a falsa raiz.

ONDE O POEMA

Entre o nervo e o osso
Entre o eco e o oco
Entre o mais e o pouco
Entre a sombra e o corpo
Entre a voz e o sopro
Entre o mesmo e o outro

CONCEITO

Teu corpo:
um porto
que eterniza
meus navios

um parto
que traduz
o meu avesso

a parte
que arremata
meu desejo

AMOR

Na véspera de ti
eu era pouca
e sem
sintaxe
eu era um quase
uma parte
sem outra
um hiato
de mim.

No agora de ti
aconteço
tecida em ponto
cheio
um texto
com entrelinhas
e recheio:

um preciso corpo
um bastante sim

MANUSEIO

Tépidas
essas mãos
que divagam
devagar
por meus relevos
óbvios
e demoram
fundo
no obscuro
ponto
onde o corpo
se abisma
e silencia,
absurdo.

MARIA ESTHER MACIEL - A poeta, ensaísta e professora de Literatura da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Maria Esther Maciel, é mestre em Literatura e doutora em Literatura Comparada pela UFMG, com pós-doutorado em Literatura Comparada pela University of London. Ela publicou os livros “Dos haveres do corpo” (poesia), “As vertigens da lucidez: poesia e crítica em Octavio Paz” (estudo crítico), “Triz” (poesia), “Vôo Transverso: poesia, modernidade e fim do século XX” (ensaios), “A memória das coisas – ensaios de literatura, cinema e artes plásticas” (ensaios) e “O livro de Zenóbia” (ficção), dentre outros. Tem vários artigos, poemas e contos publicados em revistas nacionais e estrangeiras. É pesquisadora do CNPq e desenvolve, atualmente, o projeto de pesquisa “Bestiários Contemporâneos – animais na literatura”. Integra também o projeto internacional "Problematizing Global Knowledge - The New Encyclopaedia Project", do Theory, Culture & Society Centre, da Nottingham Trent University (Inglaterra). Ela também concedeu uma entrevista exclusiva para o Guia de Poesia. E, por fim, é a escolhida para ser a MUSA DA SEMANA. Confira mais aqui e a Entrevista no Guia de Poesia.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, abril 01, 2008

CIORAN, CARL ROGERS, PAUL PEARSALL, ARCHIBALD MACLEISH, MOSCOVICI, AYAN GHOSHAL & DORO



O DESMANTELO DA PAIXONITE ARREBENTADORA - Doro, meus amigos e minhas amigas, mesmo com as suas estripulias, vivacidades e seboseiras, mesmo sendo o cara taxado de roliúde e sortudo que se safou de todas, também - e dessa ninguém escapa! -, já quase morre estrupiado de paixão braba. Verdade e foi daquelas desconsoladoras, do cara roer de deixar as gaias tudo lubrificadinhas contando somente o alento daquelas breguices da dor de corno exacerbada. Quem visse o homem nunca que acreditaria no que estava se sucedendo com ele. Maior desconsolo. E bote tirineta nisso. O cabra de tão arreado de vida que se parecia, morgava direto feito mandú queimando óleo 90, tuchelando com gemido baixo feito cantiga de grilo, de não ter pé-de-cabra que abrisse o riso dessa vasilha ruim. Destá. Ora, sujeito acostumado a armar e se dar bem, de fazer papel safado e sair incólume com a cara mais lisa do mundo, desconhecia por completo aquele trecho do testamento do Toquinho & Vinícuis que dizia: "Você que só quer usufruir que tem mulher para usar e prá exibir, você vai ver o dia em que toca você foi bulir....". Pois é, o amor tem dessas coisas também. Pois bem, antes do enlace matrimonial com a Marcialita, Doro embicou-se para a banda de uma tetéia frochosa, daquelas tesudas reboculosas de mais parecer capa de revista. Era, era tão bem-feita a danada, coisa de endoidar mesmo. Nossa! Parecia mais desenhada nos mínimos detalhes pelas mãos de Deus. A moça era manhosa de falar gemendo e arrastado, dengosa de se travar com o distinto num sarro pesado de voar caçola, fogosa de uivar com a cheba molhadinha chega parecer fonte minando a dar num rio de prazer. Era um desmantelo de mulher mesmo, de quase o Doro perder o juízo de paixonite aguda. Quer dizer, juízo ele nunca teve, mas ia perder mesmo o restinho de senso que ainda possuía para distinguir as coisas. Foi e danou-se a fazer confusão com tudo, deu. Para se achegar na distinta, o cabra usou de artimanha de todo tipo, inclusive a intervenção dos amigos maloqueiros Seu Merda, Zé Peiudo e Nego Catenga, que fizeram a maior sala de alcoviteiros para assossegar o rapaz. O trio armou tudo e deu mira para a maior petecada da história desse mulambudo que nunca se vira arrodeando mulher bonita. Era. E já se mostrava com a empáfia de ser o comilão da fêmea mais gostosa do pedaço. Estava certo e dizia para si: - Esse é o cara: eu! Pois bem, namorico aprumado, o abilolado enganchou-se na paixonite agudíssima de queimar-se todo numa ciumada prá lá de ineivada. Ôxe, ele removia batom, esfregava maquiagem, costurava decote, encompridava saias, fechava a porteira e não permitia que a mulher desse o mínimo suspiro da porta prá fora de casa. Ficou na maior marcação cerrada. Qualquer espirro dela, ele de mutuca, tocaia braba para num deixar gabiru invadir o seu futuro repasto. Se a tesuda desse uma olhadela de lado, nossa, o cara já perguntava: - qué qui tá oiando, hem? -, só faltava botar aqueles tapa-olhos para que ela não visse ninguém, maior cabresto curto. Isso no de menos, até os sonhos da moça ele queria saber prá ver se não havia invasor do seu terreno. - Cada quá qui cuide do seu dicomer, senão a cheufra comi no centro! -, dizia ele estufando o peito. O negócio foi se agigantando dele não se conter mais e endoidecer de vez. E ela, coitada, fiel, na dela, doidinha por ele, mesmo assim era tratada como uma mulher daquelas de cada porto. Isso porque Doro guardava uma ansiedade de... bem, deixa eu explicar. Era que Doro estava doido para molhar o biscoito e ela nem aí de abrir brecha nenhuma entre as pernas. Sabida. - Greve de boceta é a pió qui tem! -, dizia ele que já estava a ponto de subir pelas paredes, de riscar fogo esfregando o pingulim na parede e ela amarrando o bode. O cabra não aliviava e prometeu mundos, fundos, o que tinha e o que não tinha, mas nada dela cair na converseira dele. Mulher de fibra. - Sô mulé qui nem São Tomé: cresça e apareça, só depoi do casóro, besta! -, borrifava ela. Ôxe, o meliante definhava. Dessa, com certeza ele armou e ficou só na mão, se espremendo todo na maior desejada. Coitado. Quando as coronárias ameaçaram explodir, vote! Ele abriu do pau e saiu solfejando o "Samba do grande amor", do Chico Buarque. - Que houve, Doro? - Meu sinhô, eu tava virano peixe carregado, só chêrando a difunto i dano cum as prega na barreira. Tô lá broco, meu? - Mas Doro, o amor é lindo!!!! - É, s´apaixoni di verdade e me diga si num sai rachado im bandas, cum o juízo saindo do lugá. Inda hoij tô cum a tripa gaiteira toda enrolada pariceno mai que o cu tá saino do lugá. Tô fora. - Segura o tombo, Doro. - Tô istraçaiado, tô fudido e mal pago... aquela disgracera de mulé mi fudeu a cachola... tô lascado mermo... maisi... maisi.... um homi é um homi e um prato de papa é um prato de papa. Vô mi aprumá, cê vai vê. Ah! si vou, destá!!!!! Bem, eu só sei que o Doro ajeitou-se com doidice de urgência num matrimônio às pressas com Marcialita e, tenho certeza, o bicho ainda rói todo se desmanchando ainda de achegamentos para a banda da ditosa paixão dele. É, o coração tem dessas coisas, né? Só quem passou por isso é que sabe. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui


PENSAMENTO DO DIAQuase todas as obras literárias são feitas com clarões de imitação, estremecimentos fingidos e êxtases roubados. Pensamento do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995). Veja mais aqui e aqui.

MEMÓRIA DAS CÉCULAS – [...] o coração é mais do que apenas uma bomba; ele rege a sinfonia celular que é a própria essência do nosso ser [...]. Extraído da obra Memória das células: a sabedoria e o poder da energia do coração (Mercuryo, 1999), do neuroimunologista Ph.D estadunidense, Paul Pearsall (1942-2007).

A POESIA – [...] Um poema deve ser palpável , silencioso, como um fruto redondo. Mudo como os velhos medalhões ao toque dos dedos. Como a lua que sobe, um poema deve ser imóvel no tempo, deixando, memória por memória, o pensamento, como a lua detrás das folhas de inverno; deixando-o como, ramo a ramo, a lua solta as árvores emaranhadas na noite. [...]. Trecho de Ars Poetica, do poeta estadunidense Archibald MacLeish (1892-1982), extraído de Poesia dos Estados Unidos: antologia (EdiOuro, 1985).

PSICOTERAPIA E CONSULTA PSICOLÓGICA – O livro Psicoterapia e consulta psicológica, de Carl Rogers, trata de consulta psicológica, psicoterapia, técnicas de consulta, serviço de higiene mental, tendências atuais em terapia, entrevistas, formação do psicólogo, caso Herbet Bryan, questões práticas, amplitude da reeducação, entrevistas terapêuticas, insight, riscos no processo, liberdade de expressão, estimular a liberdade, paralelo com a ludoterapia, catarse, método dedutivo e não-diretivo, relação de consulta psicologia, fases características no processo terapêutico, entre outros assuntos. FONTE: ROGERS, Carl. Psicoterapia e consulta psicológica. São Paulo: Martins Fontes, 2005. Veja mais aqui e aqui.

EM BUSCA DA VIDA – O livro Em busca da vida: da terapia centrada no cliente à abordagem centrada na pessoa, de Carl Rogers, John K. Wood, Maurren Miller O´Hara e Afonso Henrique L. da Fonseca, aborda temas como psicoterapia, entrega, consciência do terapeuta, workshop centrado na pessoa, transição fascinada com a vida, resgate da incerteza, recriação da competência, entre outros assuntos. FONTE: ROGERS, Carl; WOOD, John; O´HARA, Maurren; FONSECA, Afonso. Em busca da vida: da terapia centrada no cliente à abordagem centrada na pessoa. São Paulo: Summus, 1983.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS – O livro Representações sociais: investigação em psicologia social, de Serge Moscovici, trata de temas como o fenômeno das representações sociais, sociedade e teoria em psicologia social, a historia e a atualidade das representações sociais, Themata, caso Dreyfus, Proust e a psicologia social, consciência social e sua história, ideais e seu desenvolvimento, entre outras abordagens. FONTE: MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigação em psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2007.

PSICOLOGIA COMUNITÁRIA – O livro Psicologia comunitária: estudos atuais, coordenado por Jorge Castella Sarriera, aborda questões como a intervenção psicossocial e questões éticas e técnicas, da escola ao trabalho, trabalho e sofrimento/violência, esgotamento profissional ou sofrimento psíquico no trabalho, professores e Burnout, aconselhamento e testagem em HIV como estratetiva preventiva, sentido da vida e realização pessoal em pessoas da terceira idade, educação para integração entre culturas e povos, da aculturação ao multiculturalismo, entre outros temas. FONTE: SARRIERA, Jorge. Psicologia comunitária: estudos atuais. Porto Alegre: Sulina, 2004.


A ARTE DE AYAN GHOSHAL
Art by Ayan Ghoshal





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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá (Arte Ísis Nefelibata).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

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