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sexta-feira, novembro 23, 2007

GURDJIEFF, ROSSINI, PESSOTTI, MIRICIOUU, REENGENHARIA, VERDÚ, MANARA, EDNA FIALHO & MUITO MAIS!



REENGENHARIA: QUE DROGA É NOVE? - A reengenharia significa uma reação ao colossal abismo existente entre as mudanças ambientais velozes e intensas e a total inabilidade das organizações em ajustar-se a essas mudanças. Significa fazer uma nova engenharia da estrutura organizacional. Representa uma reconstrução e não simplesmente um forma total ou parcial da empresa. Baseia-se nos processos empresariais e considera que eles é que deve fundamentar o formato organizacional. Para alguns autores, a reengenharia é um reprojeto dos processos de trabalho e a implementação de novos projetos, enquanto para outros, é o repensar fundamental e a reestruturarão radical dos processos empresariais visando alcançar drásticas melhorias no desempenho de custos, qualidade, atendimento e velocidade. Assim, ela se fundamenta em quatro palavras-chave: 1. Fundamental, que busca reduzir a organização ao essencial e fundamental; 2. Radical, que impõe uma renovação radical, desconsiderando as estruturas e procedimentos atuais para inventar novas maneiras de fazer o trabalho; 3. Drástica, a reengenharia joga fora tudo o que existe atualmente na empresa; 4. Processos, reorienta o foco para os processos e não mais para as tarefas ou serviços, nem para pessoas ou para a estrutura organizacional. Está preocupada em fazer cada vez mais com menos possível. Seus três componentes são: pessoas, tecnologia da informação e processos, direcionando as características organizacionais para os processos. Suas conseqüências são: os departamentos tendem a desaparecer e ceder lugar a equipes orientadas para os processos e para os clientes; a estrutura organizacional hierarquizada, alta e alongada passar a ser nivelada, achatada e horizontalizada. É o enxugamento ("downsizing") da organização para transforma-la em centralizadora e rígida em flexível, maleável e descentralizadora; a atividade também muda: as tarefas simples, repetitivas, rotineiras, fragmentadas e especializadas, com ênfase no isolamento individual passam a basear-se em equipes com trabalhos multidimensionais e com ênfase na responsabilidade grupal, solidária e coletiva. Os papeis das pessoas deixam de ser moldados por regras e regulamentos internos para a plena autonomia, liberdade e responsabilidade. A preparação e desenvolvimento das pessoas deixam de ser feita por meio do treinamento específico, com ênfase na posição e no cargo ocupado, para se constituir em uma educação integral e com ênfase na formação da pessoas e nas suas habilidades pessoais. As medidas de avaliação do desempenho humano deixam de se concentrar na atividade passada e passam a avaliar os resultados alcançados, a contribuição efetiva e o valor criado à organização e ao cliente. Os valores sociais, antes protetores e visando à subordinação das pessoas às suas chefias, agora passam a ser produtivos e visando à orientação das pessoas pra o cliente, seja ele internou ou externo. Os gerentes, controladores de resultados e distantes da operações cotidianas, agora tornam-se líderes e impulsionadores, ficando mais próximos das operações e das pessoas; os gerentes gerentes deixam de ser supervisores da ação dotados de habilidades técnicas para orientadores e educadores dotados de habilidade interpessoais. (Chiavenato, 2000:668-71) DESENVOLVIMENTO: A reengenharia empresarial significa começar de novo, começar do zero. Significa pôr de lado grande parte da sabedoria legada por dois séculos de gestão industrial. Significa esquecer como o trabalho era realizado na era do mercado de massa e decidir como melhor realizá-lo agora. Os cargos e estruturas organizacionais perdem importância. O que importa é como queremos organizar o trabalho agora, frente à demanda dos mercados atuais e ao potencial das atuais tecnologias. A reengenharia capitaliza: o individualismo, a autoconfiança, a propensão para aceitar o risco e a inclinação para a mudança. No seu âmago está a noção do pensamento descontínuo - identificar e abandonar as regras ultrapassadas e as suposições fundamentais subjacentes às atuais operações empresariais. A reengenharia é o repensar fundamental e a reestruturação radical dos processos empresariais que visam alcançar drásticas melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempenho, tais como custos, qualidade, atendimento e velocidade. A reengenharia primeiro determina o que uma empresa precisa fazer, depois como fazê-lo. Ela ignora no que existe e se concentra no que deveria existir, examinando as regras e suposições tácitas subjacentes à forma como conduzem as suas atividades. Amiúde essas regras se revelam obsoletas, errôneas ou inadequadas. Isto é tido por fundamental. A redefinição radical significa ir à raiz das coisas: não introduzir mudanças superficiais ou conviver com o que já existe, mas jogar fora o antigo. Na reengenharia, a redefinição radical significa desconsiderar todas as estruturas e os procedimentos existentes e inventar formas completamente novas de realizar o trabalho. A reengenharia trata da reinvenção das empresas - não de sua melhoria, de seu aperfeiçoamento, ou de sua modificação. (Hammer & Champy, 1994: 22) A reengenharia não diz respeito a melhorias marginais ou de pequenas quantidades, mas a saltos quânticos de desempenho. Isto é o que se diz por drástico. Existem 3 tipos de empresas que empreendem reengenharia: 1. Empresas em grandes apuros; 2. Empresas que ainda não estão em dificuldades, mas cuja gerência prevê problemas à frente; 3. Empresa que empreende reegenharia é aquela em seu pico de desempenho. Ela não possui qualquer dificuldade discernível, agora ou no futuro, mas a sua gerência é ambiciosa e agressiva. (Hammer & Champy, 1994:23) Define-se um processo empresarial como um conjunto de atividades com uma ou mais espécies de entrada e que cria uma saúde de valor para o cliente.  Corresponde então a quarta palavra-chave: Processos. A característica mais básica e comum dos processos renovados pela reengenharia é a ausência de uma linha de montagem, ou seja, muitos serviços ou tarefas anteriormente distintos são integrados e resumidos em um. (Hammer & Champy, 1994:38). Os benefícios dos processos integrados, dos trabalhadores de caso e das equipes de caso podem ser enormes. Eliminar as passagem de tarefas significa acabar com os erros, atrasos e reparos por elas gerados. Além do mais, como o novo processo gera menos erros e mal-entendidos, a empresa não precisa de pessoas adicionais para diagnosticá-los e repará-los. (Hammer & Champy, 1994:39). A integração dos processos também reduz as despesas gerais de administração dos processos. Dado que os empregados envolvidos no processo se responsabilizam por garantir que as solicitações dos clientes sejam atendidas pontualmente e sem defeitos, eles necessitam de menor supervisão. Pelo contrário, a empresa encoraja esses empregados com poderes delegados a encontrar formas inovadoras e criativas de reduzir continuamente os tempos de execução e os custos, ao mesmo tempo produzindo um produto ou serviço livre de defeitos. O controle melhorado é outro benefício dos processos integrados: por envolverem, menos pessoas a delegação de responsabilidade e monitoramento de seu desempenho são facilitadas. As empresas que empreendem a reengenharia comprimem os processos não apenas horizontalmente, ao fazer os trabalhadores de caso ou as equipes de caso realizarem múltiplas tarefas seqüenciais, como também verticalmente. Os próprios trabalhadores realizam, agora, a parte do serviço antes realizada pelos gerentes (Hammer & Champy, 1994:39). Os processos resultantes da reengenharia estão livre da tirania da seqüência linear; o trabalho pode explorar a precedência natural, em vez da artificial introduzida pela linearidade. Nos processos renovados pela reengenharia, o trabalho é seqüenciado em termos do que precisa vir em seguida. A deslinearização dos processos acelera-os de duas maneiras: 1. Vários serviços passam a ser simultaneamente realizados; 2. Com a redução do intervalo de tempo entre as etapas iniciais e finais de um processo, diminui a margem para grandes mudanças que poderiam invalidar o trabalho inicial ou tornar o trabalho final discrepante em relação ao inicial. Outra característica é o fim da padronização. A fim de atender às demandas do ambiente atual, precisamos de múltiplas versões do mesmo processo, ajustadas às exigências de diferentes mercados, situações ou insumos. Esses mesmos processos precisam das mesmas economias de escala que resultam da produção em massa (Hammer & Champy, 1994:41). A característica seguinte é a transposição das fronteira organizacionais pelo trabalho. O trabalho transpõe as fronteiras organizacionais para melhorar o desempenho do processo global.  (Hammer & Champy, 1994:43). As verificações e os controles são outra espécie de trabalho não-adicionador de valor minimizada pela reengenharia, valendo-se de controles apenas enquanto economicamente justificáveis, exigindo uma abordagem mais equilibrada. Entretanto, os sistemas de controle renovados mais do que compensam eventuais abusos excessivos, ao reduzirem drasticamente os custos e outros ônus associados ao próprio controle. Minimizar a reconciliação, para isso, o número de pontos de contato externo de um processo é reduzido, o que diminui a possibilidade de recebimento de dados exigindo a reconciliação. Isto é eliminar um departamento de compras, uma recepção dessas mesmas compras com conhecimento, e o contas a pagar com a fatura dessas compras. Substituição do gerente de caso para atendente do cliente com poderes delegados. Combinar, no mesmo processo, as vantagens da centralização e da descentralização, via tecnologia da informação. Nem todo processo empresarial objeto de reengenharia exibirá todas as características ou as mesmas. Aliás, nem deveria, pois algumas são conflitantes. Na verdade, um novo projeto requer visão, criatividade e discernimento. Esses ingredientes também são necessários quando se redefinem os serviços e órgãos que respaldam os processos objeto da reengenharia. As unidades de trabalho mudam - de departamentos funcionais para equipes de processos. As empresas, ao aplicarem a reengenharia, na verdade, estão reagrupando o trabalho decomposto por Adam Smith e Henry Ford tantos anos atrás. As equipes de processo são grupos de pessoas trabalhando conjuntamente para executar um processo inteiro. As equipes de processo não contem representantes de todos os departamentos funcionais envolvidos. Pelo contrário, essas equipes substituem a antiga estrutura funcional. Os serviços mudam - de tarefas simples para trabalhos multidimensionais: os trabalhadores de uma equipe de processo, que são coletivamente responsáveis pelos resultados do processo, e não individualmente responsáveis por tarefas, executam um tipo diferente de serviços. Eles compartilham com os colegas de suas equipes a responsabilidade conjunto pela realização do processo inteiro, e não apenas de uma sua parcela. Além de empregarem um conjunto de habilidades mais vasto dia após dia, também têm de pensar de forma bem mais ampla. Cada membro da equipe terá ao menos uma familiaridade básica com todas as etapas do processo e deverá realizar várias delas (Hammer & Champy, 1994:54). Os papéis das pessoas mudam - de controlados para autorizados. As empresas que praticaram a reengenharia, em vez de empregados obedientes às regras, preferem aqueles aqueles capazes de dominar as suas próprias regras. À medida que a gerência delega às equipes a responsabilidade pelo processo inteiro, também precisa lhes conceder a autoridade para tomarem as decisões necessárias. A preparação para os serviços muda - do treinamento para a educação. Os empregados necessitam ser suficientemente educados para tomarem por sí sóis essa decisão. A ênfase se desloca do treinamento para a educação, ou a contratação de pessoal especializado. O treinamento aumenta as habilidades e a competência e se ensina aos empregados o como de um serviço. Já a educação aumenta a sua visão e compreensão e ensina o "por que" (Hammer & Champy,1994:57). O enfoque das medidas de desempenho e da remuneração se altera - da atividade para os resultados. A contribuição e o desempenho são as principais bases da remuneração. O desempenho é medido pelo valor criado e a remuneração deve ser fixada pelo mesmo critério. Os critérios das promoções mudam - do desempenho para a habilidade. A distinção entre promoção e desempenho é claramente traçada. A promoção para um novo cargo na organização é uma função de habilidade e não do desempenho. Trata-se de uma mudança e não de um prêmio. Os valores mudam - de protetores para produtivos. A reengenharia implica uma grande mudança na cultura de uma organização assim como em sua configuração estrutural. Ela exige que os empregados acreditem profundamente que trabalham para os seus clientes, e não para os seus chefes. Isso só acontecerá na proporção em que as práticas da empresa reforçarem essa crença. Os gerentes mudam - de supervisores para instrutores. Equipes orientadas para o processo, consistindo em uma ou mais pessoas, não necessitam de chefes, mas de instrutores.  Equipes pedem conselhos aos instrutores. Os instrutores as ajudam a solucionar os problemas. Os instrutores não participam da ação, mas estão suficientemente próximos para ajudar a equipe em seu trabalho. As estruturas organizacionais mudam - de hierárquicas para niveladas. Quando um processo inteiro se torna o trabalho de uma equipe, a gestão do processo passa a fazer parte desse trabalho. O trabalho está organizado em torno dos processos e das equipes que os executam. As pessoas se comunicam com quem precisam. O controle é assumido pela pessoa que executa o processo. Os executivos mudam - de controladores do resultado para líderes. Outra importante conseqüência da reengenharia é a oportunidade e necessidade de mudança do papel dos altos executivos de uma empresa. Portanto, os executivos precisam ser líderes capazes de influenciar e reforçar os valores e as crenças dos empregados através de suas palavras e ações.  Os executivos têm responsabilidade global pelo desempenho dos processos reformulados sem terem contacto direto com os seus executantes. Estes trabalham mais ou menos autonomamente sob a orientação de seus instrutores. Os executivos cumprem com as suas responsabilidades ao assegurarem que os processos sejam, projetados de modo que os trabalhadores possam executar os serviços necessários e sejam motivados a isso pelos sistemas gerenciais da empresa: a medição do desempenho e o sistema de remuneração (Hammer & Champy, 1994:63). CONCLUSÃO: As pessoas é quem aplica a reengenharia, e não a empresa. A reengenharia é um jogo de xadrez: ou ganha, ou perde. É só esperar para ver. A forma mais notória de se fracassar na reengenhar é não praticá-la, ou sejam, apenas conduzir mudanças nos processos e chamar a isso de reengenharia. Um esforço de reengenharia provoca mudanças de várias espécies. As atribuições dos cargos, as estruturas organizacionais, os sistemas gerenciais, em suma, tudo associado com o processo precisa ser reformulado de modo a se manter a coerência do sistema empresarial (Hammer & Champy, 1994:170). Alguns dados: ignorar os outros aspectos além da redefinição dos processos; não enfocar os processos empresariais; tentar consertar um processo em vez de mudá-lo; negligenciar os valores e as crenças das pessoas; contentar-se com resultado de pequena monta; parar cedo demais; colocar restrições prévias à definição do problema e ao alcance do esforço de reengenharia; permitir que a atual cultura empresarial e atitudes gerenciais impeçam o início da reengenharia; tentar empreender a reengenharia de baixo para cima; designar alguém que não entende de reengenharia para liderá-la; limitar os recursos dedicados à reengenharia; negar à reengenharia posição de destaque na agenda da empresa; dissipar a energia entre muitos projetos de reengenharia; tentar aplicar a reengenharia faltando dois anos para a aposentadoria do presidente; não distinguir a reengenharia de outros programas de melhoria empresarial; concentra-se exclusivamente no projeto; tentar aplicar a reengenharia sem descontentar ninguém; retroceder ante a resistência das pessoas às mudanças da reengenharia; estender excessivamente o esforço. A reengenharia não promete cura milagrosa. Ela não oferece uma solução rápida, simples e indolor. Pelo contrário, ela implica um trabalho difícil e árduo. Requer que os gerentes das empresas e os seus trabalhadores substituam as antigas práticas por outras completamente novas. Uma metodologia para conduzir os esforços de reengenharia, a orquestração da campanha de mudanças, o projeto e cronograma da implementação dos processos redefinidos e as táticas para se enfrentarem os problemas mais comuns surgidos na implementação são questões que transcendem nossos estudos. As incertezas da reengenharia, porém, não podem servir de desculpa para se esquivar do que precisa ser feito. É um fato ainda novo, um novo empreendimento; todos aqueles nela engajados são pioneiros. O mundo da revolução industrial está dando lugar a uma era de economia global, de poderosas tecnologias da informação e de mudança incessante. Tudo que se precisa é a vontade de sucesso e a coragem de começar. (Hammer & Champy, 1994:180). REFERÊNCIAS: ANSOFF, H. Igor & McDONNEL, Edward J. Implantando a administração estratégica. São Paulo: Atlas, 1993. CHAMPY, James & HAMMER, Michael. Reengenharia. Rio de Janeiro: Campus, 1994. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2000. Veja mais aqui , aqui e aqui.


Imagem: Madame Souty Reclining on a Sofa (1921), do pintor espanhol Ignacio Zuloaga y Zabaleta (1870-1945). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum da ópera Gala (2000), de Gioacchino Rossini, com a soprano romena Nelly Miricioiu & Academy of St Martins in the Fields & Geoffrey Mitchell Choir. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE: A CLASSIFICAÇÃO DA HUMANIDADE – Podemos representar a humanidade como sendo formada por vários círculos concêntricos: o círculo interior, esóterico, compreende as pessoas que atingiram o mais alto desenvolvimento possível. O círculo seguinte, o chamado mesotérico, caracteriza os segundo nível de pessoas, cujo saber tem um caráter teórico. O terceiro nível, o exotérico, caracteriza a humanidade mecânica, na qual está a maioria dos homens. Extraído do pensamento do filósofo místico e mestre espiritual armênio, Georgiǐ Ivanovič Gǐurdžiev (1866-1949), mais conhecido como Gurdjieff. Veja mais aqui.

AQUELES CÃES MALDITOS DE ARQUELAU – O livro Aqueles cães malditos de Arquelau (Ed. 34, 1993 Prêmio Jabutti - 1994), do escritor, psicólogo e professor universitário Isaias Pessotti, conta a história passada na Itália da década de 1960, quando um grupo de estudantes que têm suas vidas alteradas pela paixão despertada pela descoberta de um manuscrito medieval em que o autor, um misterioso bispo, analisa a obra de Eurípedes. Da obra destaco o trecho: [...] Além disso, havia Anna. Dependendo do meu latim, torcendo por meu sucesso, obrigado a reconhecer alguma qualidade em mim. O Comenmentarium criava uma gostosa intimidade que me ligava a Eurípedes e a ela. Trabalhar na tradução era como contemplar os vitrais de alabastro da biblioteca ao lado dela. o conhecimento deve ter alguma dimensão erótica. [...]. Veja mais aqui.

DESPERTA-ME – Entre os poemas da poeta Edna Fialho, editora dos blogs Laços do Pensamento e Momentos, Delírios e Arrepios do Coração, reunindo seu trabalho literário no Recanto das Letras, destaco o poema Desperta-me: Desperta-me o corpo esquecido pelo teu silêncio. / Desperta-me em sussurros o gozo clamante / Dos teus afagos, das tuas palavras ousadas... / Desperta-me! / O esboço da lua entre nuvens fugazes / Espairando a angústia de não te pertencer / ... Ainda, / Tinge o crepúsculo de ócio, de intranquilidade, / Me invade a alma em tremor, se faz em alquimia. / Num espiral de afagos, sorvo teus beijos / E entorpecida versejo em êxtase / Tua escultura surgindo em fascínio / Delineada por adornos gritantes. / São cordas, são fábulas sonorizadas / De um amor milenar... É magia! Veja mais aqui.

BABILÔNIA – Em 2002, tive a oportunidade de assistir no Galpão do Folias, em São Paulo, à montagem da fábula grotesca Babilônia, de Reinaldo Maia, com direção de Marco Antonio Rodrigues, contando a história de uma caravana de mendigos que segue em peregrinação à Babilônia, onde será eleito o novo chefe. A viagem é interrompida com a chegada de um novo integrante que desperta a discórdia. Entre eles surgem os mecanismos de cobiça e as ilusões de fraternidade. O destaque do espetáculo é para todo elenco, especialmente para as atrizes Bete Dorgan e Juliana Balsalobre. Veja mais aqui.

Y TU MAMÁ TAMBIÉN – O drama Y tu mamá también (E sua mãe também, 2001), dirigido por Alfonso Cuarón, conta ua história contínua em que um narrador comenta sobre os personagens, os eventos ou os locais mostrados. Esses comentários às vezes chamam a atenção para questões político-econômicas do México, especialmente sobre os pobres que vivem nas zonas rurais do país. O enredo foca em dois jovens amigos de classe média que tentam impressionar uma bela mulher sobre uma praia paradisíaca, para a qual eles viajarão e querem que ela os acompanhe. Ela inicialmente recusa o convite, mas muda de ideia quando seu marido a liga e confessa tê-la traído. É a partir daí que a história toma um rumo que envolve muitas paisagens, bebidas e sexo. O destaque do filme para a atuação da belíssima atriz espanhola Maribel Verdú. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da belíssima atriz espanhola Maribel Verdú.

VEJA MAIS:
Lilith, As trelas do Doro, A alienação social do trabalho, François Truffaut, Anna Netrebko, Erasmo de Roterdã, Honoré de Balzac, Catarina Ribeiro, Vladislav Nagornov, Camila Diehel, Fanny Ardant, Otto Lingner & Sandra Lustosa aqui.

Psicologia Infantil, Leila Diniz, Béla Bartók, Gerd Bornheim, David Lean, Gutzon Borglum, Clotilde Tavares, Sarah Miles & Nilto Maciel aqui.   

Por um novo dia, Daniel Goleman, Max Ehrmann, Truman Capote, Eugène Delacroix, Yes, A filha do rei do céu, Patrícia França, Audrey Hepburn & Annie Leibovitz aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara.
Veja aqui e aqui.
  

quarta-feira, novembro 21, 2007

HUSSERL, SANDBURG, DALTON, CAIO ABREU, ZÉ BARBEIRO, PADRE BIDIÃO, OBVIEDADES CÍNICAS, ÍSIS NEFELIBATA & MUITO MAIS!!



A VIDA É UMA FODA EM CADEIA! - Foi o padre Bidião quem, ao hibernar tresloucadamente na elaboração do seu impublicável “Evangelho segundo padre Bidião”, primeiro trouxe à baila os questionamentos de onde a gente veio, o que estamos fazendo aqui e, afinal, para que droga de lugar que a gente vai. Então, primeiro ele disse que tudo começou com um peido cósmico. Ploft. Mas, segundo ele, o peido não deu em nada. Foi preciso o Todo-Poderoso dar uma cagada mesmo. Moral da história: seríamos, então, os tolotinhos ambulantes. Mas como esse padre encapetado é carne-e-unha com o Homi-de-lá, ficou por dentro do negócio depois que ele soltou uma gargalhada no meio da metáfora: foi uma gozada. Eita, porra! Faz sentido: se você olhar direitinho, tudo é foda a fole. Pra onde você se vira existe uma fodida se realizando. Arrepare bem e se certifique se não é. Tudo que tem o artigo definido feminino é bom: excetuando a morte, o resto é bão demais: a vida, a mulher. A buceta, por exemplo, existe drupa melhor? A natureza, a fruta, a chupada, a beiçada, a peiada. Agora tudo que se define pelo gênero masculino, não presta. Tirante o Sol, avalie: o rio só corre pro mar, o mar só serve para pescar e morrer afogado, o firmamento só serve pra gente admirar e sacar nossa inútil finitude ínfima. Quer mais? O caralho. Quando a cabeça não pensa e o que vale é a lei do bregueço, tudo padece. Foder é bom demais. Mas, e as conseqüências? Ih, minchou. Só de pensar mulher mandona e bicuda, bué de menino solto comendo o juízo feito cantiga de grilo, a feira, pagamentos do mês, compras de natal, escola, um brebote aqui, um pinto na carteira ali, nossa! É de arrancar os pentelhos do cu. Apois é, por isso que o padre Bidião abre o seu “Evangelho” com a Gênesis que é o outro nome pra foda: fodeu, lascou. Gozou, meu filho, então, se prepare: todo calango fodedor tem a rodela do cu vermelho. Então vamos pelos catabís da vida que é o melhor que a gente faz. E veja mais aqui e aqui.


Imagem: La Oterito, do pintor espanhol Ignacio Zuloaga Zabaleta (1870-1945).


Curtindo o álbum ao vivo No salão do barbeiro (Projeto Rumos), do instrumentista, compositor e violonista Zé Barbeiro. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE – Uma das grandes falhas dos homens de nossa época é sua incapacidade de descobrir a solidão criadora, frase atribuída ao poeta, historiador, novelista e folclorista estadunidense Carl Sandburg (1878-1967). Veja mais aqui.

FENOMENOLOGIA – No texto Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica (Ideias & Letras, 2006), do filósofo e matemático alemão Edmund Husserl (1859-1838), destaco o trecho: O conhecimento natural começa pela experiência e permanece na experiência. Na orientação teórica que chamamos "natural", o horizonte total de investigações possíveis é, pois, designado com uma só palavra: o mundo. As ciências dessa orientação originária. Aqui não se narram histórias. Ao falar de caráter originário, não é preciso nem se deve pensar numa gênese psicológico-causal ou histórico-evolutiva. Que outro sentido é visado aqui, isso só mais tarde será trazido à clareza reflexiva e científica. Qualquer um, no entanto, pode desde já sentir que a antecedência do conhecimento empírico-concreto dos fatos em relação a todo outro conhecimento, por exemplo, em relação ao conhecimento matemático-ideal, não precisa ter nenhum sentido temporal objetivo. São, portanto, em sua totalidade, ciências do mundo, e enquanto elas predominam com exclusividade, há coincidência dos conceitos "ser verdadeiro", "ser efetivo", isto é, ser real e - como todo real se congrega na unidade do mundo - "ser no mundo". A toda ciência corresponde um domínio de objetos como domínio de suas investigações, e a todos os seus conhecimentos, isto é, aqui a todos os seus enunciados corretos correspondem, como fontes originárias da fundação que atesta a legitimidade deles, certas intuições nas quais há doação dos próprios objetos desse domínio ou, ao menos parcialmente, doação originária deles. A intuição doadora na primeira esfera "natural" de conhecimento e de todas as suas ciências é a experiência natural, e a experiência originariamente doadora e a percepção, a palavra entendida em seu sentido habitual. Ter um real originariamente dado, "adverti-lo" ou "percebê-lo" em intuição pura e simples é a mesma coisa. Temos experiência originária das coisas físicasna "percepção externa", não mais, porém, na recordação ou na expectativa antecipatória; temos experiência originária de nós mesmos e de nossos estados de consciência na chamada percepção interna ou de si, mas não dos outros e de seus vividos na "empatia". "Observamos o que é vivido pelos outros" fundados na percepção de suas exteriorizações corporais. Essa observação por empatia é, por certo, um ato intuinte, doador, porém não mais originariamente doador. O outro e Sua vida anímica são trazidos à consciência como estando "eles mesmos ali", e junto com o corpo, mas, diferentemente deste, não como originariamente dados. O mundo é o conjunto completo dos objetos da experiência possível e do conhecimento possível da experiência, dos objetos passíveis de ser conhecidos com base em experiências atuais do pensamento teórico correto. Aqui não é lugar de discutir mais pormenorizadamente questões relativas ao método científico-experimental, como ele funda seu direito de ir além do estreito âmbito do dado empírico direto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O VAMPIRO DE CURITIBA – No livro Vampiro de Curitiba (Record, 2003), do escritor Dalton Trevisan, destaco o trecho do conto homônimo: Ai, me dá vontade até de morrer. Veja, a boquinha dela está pedindo beijo – beijo de virgem é mordida de bicho-cabeludo. Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz. É uma que molha o lábio com a ponta da língua para ficar mais excitante. Por que Deus fez da mulher o suspiro do moço e o sumidouro do velho? Não é justo para um pecador como eu. Ai, eu morro só de olhar para ela, imagine então se. Não imagine, arara bêbada. São onze da manhã, não sobrevivo até a noite. Se fosse me chegando, quem não quer nada – ai, querida, é uma folha seca ao vento – e encostasse bem devagar na safadinha. Acho que morria: fecho os olhos e me derreto de gozo. Não quero do mundo mais do que duas ou três só para mim. Aqui diante dela, pode que se encante com o meu bigodinho. Desgraçada! Fez que não enxergou: eis uma borboleta acima de minha cabecinha doida. Olha através de mim e lê o cartaz de cinema no muro. Sou eu nuvem ou folha seca ao vento? Maldita feiticeira, queimá-la viva, em fogo lento. Piedade não tem no coração negro de ameixa. Não sabe o que é gemer de amor. Bom seria pendurá-la de cabeça para baixo, esvaída em sangue. Se não quer, por que exibe as graças em vez de esconder? Hei de chupar a carótida de uma por uma. Até lá enxugo os meus conhaques. Por causa de uma cadelinha como essa que aí vai rebolando-se inteira. Quieto no meu canto, ela que começou. Ninguém diga sou taradinho. No fundo de cada filho de família dorme um vampiro – não sinta gosto de sangue. Eunuco, ai quem me dera. Castrado aos cinco anos. Morda a língua, desgraçado. Um anjo pode dizer amém! Muito sofredor ver moça bonita – e são tantas. Perdoe a indiscrição, querida, deixa o recheio do sonho para as formigas? Ó, você permite, minha flor? Só um pouquinho, um beijinho só. Mais um, só mais um. Outro mais. Não vai doer, se doer eu caia duro aos seus pés. Por Deus do céu não lhe faço mal – o nome de guerra é Nelsinho, o Delicado. Olhos velados que suplicam e fogem ao surpreender no óculo o lampejo do crime? Com elas usar de agradinho e doçura. Ser gentilíssimo. A impaciência é que me perdoe, a quantas afugentei com gesto precipitado? Culpa minha não é. Elas fizeram o que sou – oco de pau podre, onde floresce aranha, cobra, escorpião. Sempre se enfeitando, se pintando, se adorando no espelhinho da bolsa. Se não é para deixar assanhado um pobre cristão por que é então? Olha as filhas da cidade, como elas crescem: não trabalham nem fiam, bem que estão gordinhas. Essa é uma das lascivas que gostam de se coçar. Ouça o risco da unha na meia de seda. Que me arranhasse o corpo inteiro, vertendo sangue do peito. Aqui jaz Nelsinho, o que se finou de ataque. Gênio do espelho, existe em Curitiba alguém mais aflito do que eu? Não olhe, infeliz! Não olhe que você está perdido. É das tais que se divertem a seduzir o adolescente. Toda de preto, meia preta, upa lá lá. Órfã ou viúva? Marido enterrado, o véu esconde as espinhas que, noite para o dia, irrompem no rosto – o sarampo da viuvez em flor. Furiosa, recolhe o leiteiro e o padeiro. Muita noite revolve-se na casa de casal, abana-se com leque recendendo a valeriana. Outra, com a roupa da cozinheira, à caça de soldado pela rua. Ela está de preto, a quarentena do nojo. Repare na saia curta, distrai-se a repuxá-la no joelho. Ah, o joelho... Redondinho de curva mais doce que o pêssego maduro. Ai, ser a liga roxa que aperta a coxa fosforescente de brancura. Ai, o sapato que machuca o pé. E, sapato, ser esmagado pela dona do pezinho e morrer gemendo. Como um gato! Veja, parou um carro. Ela vai descer. Colocar-me em posição. Ai, querida, não faça isso: eu vi tudo. Disfarce, vem o marido, raça de cornudo. Atrai o pobre rapaz que se deite com a mulher. Contenta-se em espiar ao lado da cama – acho que ficaria inibido. No fundo, herói de bons sentimentos. Aquele tipo do bar, aconteceu com ele. Esse aí um dos tais? Puxa, que olhar feroz. Alguns preferem é o rapaz, seria capaz de? Deus me livre, beijar outro homem, ainda mais de bigode e catinga de cigarro? Na pontinha da língua a mulher filtra o mel que embebeda o colibri e enraivece o vampiro. Cedo, a casadinha vai às compras. Ah, pintada de ouro, vestida de pluma, pena e arminho – rasgando com os dentes, deixá-la com os cabelos do corpo. Ó bracinho nu e rechonchudo – se não quer por que mostra em vez de esconder? –, com uma agulha desenho tatuagem obscena. Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho. Ali vai uma normalista. Uma das tais disfarçada? Se eu desse com o famoso bordel. Todas de azul e branco – ó mãe do céu! – desfilando com meia preta e liga roxa no salão de espelhos. Não faça isso, querida, entro em levitação: a força dos vinte anos. Olhe, suspenso nove centímetros do chão, desferia voo não fora do lastro da pombinha do amor. Meu Deus, fique velho depressa. Feche o olho, conte um, dois, três e, ao abri-lo, ancião de barba branca. Não se iluda, arara bêbada. Nem o patriarca merece confiança, logo mais com a ducha fria, a cantárida, o anel mágico – conheci cada pai de família! Atropelado por um carro, se a polícia achasse no bolso esta coleção de retratos? Linchado como tarado, a vergonha da cidade. Meu padrinho nunca perdoaria: o menino que marcava com miolo de pão a trilha da floresta. Ora uma foto na revista do dentista. Ora na carta a uma viuvinha do sétimo dia. Imagine o susto, a vergonha fingida, as horas de delírio na alcova – à palavra alcova um nó na garganta. Toda família tem uma virgem abrasada no quarto. Não me engana, a safadinha: banho de assento, três ladainhas e vai para a janela, olho arregalado no primeiro varão. Lá envelhece, cotovelo na almofada, a solteirona na sua tina de formol. Por que a mão no bolso, querida? Mão cabeluda do lobisomem. Não olhe agora. Cara feia, está perdido. Tarde demais, já vi a loira: milharal ondulante ao peso das espigas maduras. Oxigenada, a sobrancelha preta – como não roer unha? Por ti serei maior que o motociclista do Globo da Morte. Deixa estar, quer bonitão de bigodinho. Ora, bigodinho eu tenho. Não sou bonito, mas sou simpático, isso não vale nada? Uma vergonha na minha idade. Lá vou atrás dela, quando menino era a bandinha do Tiro Rio Branco. Desdenhosa, o passo resoluto espirra faísca das pedras. A própria égua de Átila – onde pisa, a grama já não cresce. No braço não sente a baba do meu olho? Se existe força do pensamento, na nuca os sete beijos da paixão. Vai longe. Não cheirou na rosa a cinza do coração de andorinha. A loira, tonta, abandona-se na mesma hora. Ó morcego, ó andorinha, ó mosca! Mãe do céu, até as moscas instrumento do prazer – de quantas arranquei as asas? Brado aos céus: como não ter espinha na cara? Eu vos desprezo, virgens cruéis. A todas poderia desfrutar – nem uma baixou sobre mim o olho estrábico de luxúria. Ah, eu bode imundo e chifrudo, rastejariam e beijavam a cola peluda. Tão bom, só posso morrer. Calma rapaz: admirando as pirâmides marchadoras de Quéops, Quéfren e Miquerinos, quem se importa com o sangue dos escravos? Me acuda, ó Deus. Não a vergonha, Senhor, chorar no meio da rua. Pobre rapaz na danação dos vinte anos. Carregar vidro de sanguessugas e, na hora do perigo, pregá-las na nuca? Se o cego não vê a fumaça e não fuma, ó Deus, enterra-me no olho a tua agulha de fogo. Não mais cão sarnento atormentado pelas pulgas, que dá voltas para morder o rabo. Em despedida – ó curvas, ó delícias – concede-me a mulherinha que aí vai. Em troca da última fêmea pulo no braseiro – os pés em carne viva. Ai, vontade de morrer até. A boquinha dela pedindo beijo – beijo de virgem é mordida de bicho-cabeludo. Você grita vinte e quatro horas e desmaia feliz. Veja mais aqui e aqui.

É ASSIM QUE EU QUERO – Entre os poemas de Ísis Nefelibata, destaco o seu poema É assim que eu quero: De mini saia ou blusão, sem nada por baixo / Chego indecente e provocadora / Eu venho do nada, venho do tudo / Eu venho do Caos, sou sua Gaia, eu o pego tesudo / E em minhas cavernas, o faço Tártaro / Criando dos prazeres mais bárbaros / As bestas oníricas dos nossos pecados / E eu quero pecar, pecar e pecar / E me ajoelhar diante do seu altar / Pra receber os castigos e remissões / Dos meus pensamentos e gestos / Incrivelmente tarados por você / Invertemos posições em todos os sentidos / Você me saboreia por baixo do meu vestido / E quero mais é me esfregar na sua cara / Eu trago Eros comigo / Transformo-o de Érebo em Éter / E de Nix passo a Hemera / Sou romântica por seu amor / Mas por seu prazer eu sou fera / Eu quero mais que loucuras você cometa / Dentro do meu cu, boca e buceta / E não me poupe de suas taras e loucuras / Eu quero, eu quero, é assim que eu quero / Tudo e muito mais / Você sempre enfiado em mim / E eu cavalgando em você até o fim / De todos os recomeços. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A MALDIÇÃO DO VALE NEGRO - Em 2002, tive oportunidade de assistir no Teatro Galpão do Folias, em São Paulo, à montagem do premiado melodrama A Maldição do Vale Negro, do escritor Caio Fernando Abreu (1948-1996) e o diretor teatral Luiz Arthur Nunes, com direção de Dagoberto Feliz e elenco do Grupo Folias d’Arte, contando a histório que ocorre na primavera de 1834, na província de Castelfranc, França, no castelo dos Belmont, que se ergue imponente no alto do Vale Negro, quando uma velha e corcunda governanta, prepara a beberragem medicinal do último descendente de nobre linhagem que, doente e envergado pelos anos, cochila em seu recamier. Aí, uma pobre órfã acolhida na tenra infância pela generosidade do velho fidalgo, contando então com 19 anos, volta de seu habitual passeio pelo bosque trazendo flores e frutos silvestres. Subitamente a cascata que corre no Vale interrompe seu fluxo de paz e ouvem-se ao longe, brados tétricos e inumanos, pressagiando que algo terrível está por acontecer. É a maldição do Vale Negro. E, como nem tudo e nem todos são o que parecem ser, até que a paz volte a reinar na mansão dos Belmont, muitas reviravoltas estão a caminho. Veja mais aqui.

HISTORIA DE O – O filme A história de O (Histoire d'O, 1975), é oriundo do romance homônimo de Anne Desclos, sob pseudônimo de Pauline Réage, lançado em 1954, contando a história de uma mulher livre e independente, fotógrafa de moda e bem sucedida, que é levada por seu amante a um castelo na França, no qual ela se torna escrava dele e de outros homens. Ela é depois transferida ao pode de um outro dono, sendo marcada a ferro quente com as iniciais de seu novo mestre, e submetida, por sua própria vontade e consentimento, a uma variedade de práticas sexuais sadomasoquistas. A obra foi transformada em filme com direção de Just Jaeckin e a destacada atuação da belíssima atriz francesa Corinne Cléry. Veja mais aqui.

OBVIEDADES CÍNICAS
Se deu o créu, não se esconda!
Quando se abrem as comportas, o que vem de absurdo não está no gibi!
Quando as vacas estão magras, acabou-se o que era doce!
Quando o enterro voltar, era uma vez pra nunca mais!
Quando a precisão der na cara, não vá bancar o Acácio!
Se o negócio empenar, dê a volta por cima!
Se o pencó pegou no trupé, fique atento onde é que arrebenta!
Não vacile que a bronca sempre vem a dar com pau!
Não leve desaforo na cara, nem tudo ao pé da letra!
Na competição de hoje, ou se pega no chifre ou se é chifrado!
Se o negócio ferveu, não pegue no bico até esfriar!
Se a situação está movediça, saia da fundura enquanto pode!
Quando levar porta na cara, saiba que outras se escancaram!
Quando a bronca der em cima, vá dormir!
Bom de bola deve saber que a vida não se chuta!
Quando a fogueira queima, algo está assando!
Hoje quem tem topete tem que ter seguro!
Quem tem a caixa dos peitos invulnerável é Superman, viu?
No Brasil a adversidade só faz covardes!

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da belíssima atriz francesa Corinne Cléry.
 

VEJA MAIS:
As trelas do Doro, Doris Lessing, Maria Martins, Jean-Claude Brisseau, Virginie Legeay, Octave Tassaert & Jade da Rocha aqui. 

As águas de Alvoradinha, Rajneesh, Milan Kundera, Endimião & Selene, Jorge Ben-Jor, Anatol Rosenfeld, Anthony van Dyck, Lena Olin, Teco Seade, Socorro Cunha & João Lins aqui.  

Aristóteles, Erich Fromm, Georges Bataille, Rufino, Eliete Negreiros, Teatro Vivo, Walter Hugo Khouri, Arthur Braginsky, El Tomi Müller, Fernando Fiorese & Helena Ramos aqui.  

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: ilustração da obra Caperucita se Come al Lobo – versão de “Chapeuzinho Vermelho”, da escritora colombiana Pilar Quintana.
Veja aqui e aqui.
 

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...