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terça-feira, abril 24, 2018

MAUPASSANT, DOLTO, BELLONE, DORA MAAR, MATTHEW ARNOLD, ARTHUR NESTROVSKI & CAMILLE O’SULLIVAN

ELE & ELA: ROTEIROS SENTIMENTAIS - Ele sonha em vencer na vida, ser o tampa engravatado, bigodudo, topetudo, ter um carro zero importado, um palacete, muita grana e uma Amélia sex symbol fatal pra casar, senão todas. Ela sonha com o amor da vida dela, um salvador príncipe encantado ator de televisão ou capa de revista que seja compreensivo e másculo, ter tudo em cima com chapinha e brincos, batom, cílios postiços, salto alto, pernuda sem TPM e menstruação, sexto sentido e o inacreditável dentro da bolsa. Ele se embeca metrossexual pra caça, se ajeita perfumado desleixando a freada na cueca e, depois de muito pelejar na indumentária, vai de qualquer jeito, ô bicho besta danado. Ela vive de espelhos, maquiagens, depilações, e confere o tamanho dos seios e da bunda, demora no banho, escolhe essa ou aquela roupa, qual não sabe, resolve depois de tantas e sai lindamente trajada. Ele quer fazer amor, vasculha as intimidades dela e quer tudo na hora: agora ou nunca! Só faz merda e acerta na cagada, arrisca tudo: fudido por um, fudido por mil, o último a saber. Ela quer fazer amor e sonha ter filhos e uma família saudável, sozinha na siririca, se entrega por inteiro e bota tudo a perder, ainda há esperança: quem aqui faz, aqui paga. Ele sai pra trabalhar rangendo os dentes, pé na goela, sai da frente, em cima da hora, quem quiser que se lasque, fim do expediente: agora pro bar! Aí coça o saco e a pentelheira com futebol, porrinha e outros blefes, se embeiçando com a primeira reboladora que passar. Ela sai pra trabalhar toda jeitosa, suspira por ele, quer ser mãe exemplar no terceiro expediente, quando borra a maquiagem ao saber que foi trocada por uma mocreia mais jovem. Ah, o amor, o amor é lindo e nunca morre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o compositor, violonista, escritor, editor e crítico literário e musical, Arthur Nestrovski: Jobim Violão, Por causa de você & The man I love, com Lívia Netrovski; da cantora, musicista e atriz irlandesa Camille O’Sullivan: Live at jazz open Stuttgart, Oh lord & Five years/Eclipse; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um processo de matematização não é nem uma tradução, fiel ou infiel, nem uma substituição puramente formal da pré-lógica que existe nas leis empíricas [...] a estrutura lógica estabelecida entre afirmações descritivas a respeito de fatos [...] está sujeita a modificações por vezes radicais que não só mudam a forma da teoria, mas afetam as próprias evidencias empíricas, forçando-nos assim a dar uma interpretação diferente às observações e às relações entre as medidas. [...] Pensamento extraído da obra A world on paper: studies on yhe second scientific revolution (MIT Press, 1980), do físico e historiador italiano Enrico Bellone (1938-2011).

ENCONTROS EMOCIONAIS & O CASAMENTO - [...] Quantas neuroses familiares e degenerescências libidinais seriam evitadas através de uma educação sexual para a procriação em comum acordo, sem nada arriscar antes do processo à autonomia cívica pecuniária dos dois elementos do casal, vale dizer, ao estado adulto dos seus egos, e nunca antes do acesso a uma volúpia satisfatória comum, ou seja, a uma troca libidinal, genital e geneticamente sensata! [...] Um homem e uma mulher nem sempre se enganam em sua primeira atração sexual, mas muitas vezes comprometem depressa demais a sua existência, antes mesmo de terem atingido a idade do desejo de dar nascimento a um terceiro termo, o filho, antes de estarem maduros para deslocar o eixo do seu narcisismo para o fruto vivo do seu amor. [...] Trecho extraído da obra Sexualidade feminina: libido, erotismo, frigidez (Martins Fontes, 1983), da médica e pediatra francesa Françoise Dolto (1908-1988). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A MULHER & O PRAZER - [...] A Sra. Carré-Lamadon, que conhecera muitos oficiais e que os julgava entendida, não achava aquele absolutamente mai; lamentava mesmo que não fosse francês, porque daria um hussardo muito onito, pelo qual todas as mulheres certamente se apaixonariam. [...] Os olhos da linda Sra. Carré-Lamadon cintilavam, e ela estava um pouco pálida, como se já se sentisse violentada pelo oficial. [...]. A mimosa Sra. Carré-Lamadon parecia mesmo pensar que em seu lugar recusaria aquele menos que qualquer outro. O assedio foi longamente preparado, como se se tratasse de uma fortaleza a atacar. [...] Exemplos antigos foram citados: Judite e Olofernes, depois, sem a menor razão, Lucrecia e Sexto, Cleopatra fazendo passar por seu leito todos os generais inimigos e reduzindo-os ao servilismos de escravos. Relataram então uma história fantástica, surgida na imaginação daqueles milionários ignorantes, na qual as cidadãs de Roma iam adormecer em Cápua tendo Anibal entre seus braços, e, com ele, seus oficiais e as falanges de mercenários. Citaram-se todas as mulheres que detiveram, os conquistadores, fizeram de seu corpo um campo de batalha, um meio de dominar, uma arma, que venceram com suas carícias heróicas criaturas medonhas ou odiadas, e sacrificaram sua castidade à vingança e à dedicação. Falou-se mesmo em termos velados naquela inglesa de ilustre família que se deixara inocular uma horrível e contagiosa moléstia para transmiti-la a Bonaparte, a quem uma súbita debilidade salvara miraculosamente, na hora do encontro fatal. E tudo isso era contado de maneira correta e moderada, na qual às vezes explodia um entusiasmo intencional, próprio para provocar a emulação. No fim poder-se-ia acreditar que o único papel da mulher, sobre a terra, era um perpetuo sacrifício de sua pessoa, um abandono contínuo aos caprichos da soldadesca. [...]. Trecho extraído da obra O prazer (Vecchi, 1954), do escritor francês Guy de Maupassant (1950-1893). Veja mais aqui.

A PRAIA DE DOVEREsta noite o mar se mostra calmo. / A maré está cheia, a lua clara / sobre o estreito; na costa francesa, a luz / brilha e se apaga; os penhascos da Inglaterra, / cintilantes e vastos, na baía tranqüila. / Vem à janela, que delícia o ar da noite! / Solitário, na longa linha de espuma, / onde o mar encontra a terra empalidecida pelo luar, / ouve o rugir rouquenho / dos seixos que as ondas levam e atiram / de volta a praia extensa. / Começam, param, recomeçam / numa cadência trêmula e vagarosa, / transmitindo o seu eterno tom tristonho. / Sófocles, há tanto tempo, / ouviu aquele tom, no Egeu. / E isso trouxe à sua mente / o turbilhão do fluxo e o refluxo / da miséria humana. / Encontramos também, no som, um pensamento, / ouvindo-o, no distante mar do norte. / O mar da Fé também surgiu / na maré cheia, em volta das praias, / como as dobras de uma faixa amarfanhada. / Mas agora, eu só ouço / a sua melancolia, como um ronco longo e arrastado / conduzido pelo sopro do vento da noite, / nas vastas praias tristonhas / e os rochedos nus do mundo. / Ah, amor, sejamos sinceros / um com o outro! Porque o mundo que parece / estar deitado diante de nós, como uma terra de sonh, / tão vário, tão belo, tão novo, / não tem na realidade, nem alegria, nem amor, nem luz / não tem certeza, nem paz, nem consolo para a dor. / E aqui nos encontramos como numa planície encoberta, / varrida por alarmas confusos de luta e fuga, / onde exércitos desconhecidos se batem à noite. Poema do poeta e crítico britânico Matthew Arnold (1822-1888).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa, poeta e pintora francesa Dora Maar (1907-1997).
Veja mais aqui.


Circuito Palmarense de Xadrez na Biblioteca & muito mais na Agenda aqui.
&
De homens, bichos & feras, o pensamento de Gaston Bachelard, a literatura de Rogel Samuel, a pintura de Jean-Léon Gérôme & a arte de Wendy Arnold aqui.
 

segunda-feira, dezembro 18, 2017

BARTHES, GEORGE SAND, KUROSAWA, KITARO, ECOSOFIA, SAINKHO, SONIA COUTINHO, DORA MAAR, PAUL KLEE & MEIO AMBIENTE

CIDADANIA & MEIO AMBIENTE: A TERRA SOMOS NÓS – Imagem: Highways and Byways (1929), do pintor e poeta suíço naturalizado alemão Paul Klee (1879 - 1940). - Ao assumir a Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, na gestão do poeta Juareiz Correya, no início dos anos oitenta, realizei a palestra A atividade artística como função alternativa para o progresso do município, no Teatro Cinema Apolo, em Palmares. Entre outras propostas, defendia a arborização, humanização e instalação de equipamentos que possibilitassem a revitalização e valorização do Rio Una, como também ações idênticas no Rio Pirangi. Evidente que à época não encontrei eco no seio da sociedade, afinal Ecologia & Meio Ambiente ainda era um tema incipiente, coisa de doido e abestalhado metido a cheio das pregas. Anos depois assumi a presidência do Conselho da FCCHBF, quando pude formalizar a criação, em parceria com o Professor João da Silva, da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Mata Sul, desenvolvendo uma série de projetos por meio de articulações com organizações públicas e privadas, oportunizando a nossa participação na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), preparatória para a ECO-RIO/1992 & Cúpula da Terra. A partir de então escrevi poema, canções e peças teatrais que abordassem a temática, engajando-me nessa bandeira. Com a minha transferência para Maceió, pude escrever livros infantis e realizar recreações e palestras sobre a temática da Cidadania & Meio Ambiente, apresentando-me em escolas e outras instituições pública, culminando com o convite recebido do Projeto Protejo, promovido pelo Ministério da Justiça & Fundação Darcy Ribeiro, no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), pelo qual pude realizar inúmeras palestras a respeito. Já no curso de Psicologia, foi a Professora Drª Daniela Botti, na disciplina de Estágio Básico, que acatou a realização do Projeto PsicoAmbiental na Comunidade do Riacho Salgadinho, em Maceió, articulando intervenção nas áreas de Educação Ambiental, Direito Ambiental e Psicologia Ambiental, nas comunidades limítrofes da nascente à foz do citado recurso hpidrico. Durante a realização dessas atividades, tive a honra de receber apoio de graduandos das mais diversas áreas do conhecimento, que assinalaram a temática na realização dos seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), fato que possibilitou um maior incentivo e amplitude nos trabalhos, bem como na intervenção de autoridades das três esferas governamentais, quanto a essa questão. Nessa mesma leva, ao participar das edições da Festa Literária de Marechal Deodoro (FLIMAR) e da campanha Folia Caeté, promovida pelo então empresário Marcos Alexandre Martins Palmeira, inseri a Lagoa Manguaba no campo de atuação, compondo frevo e atividades artísticas para realização de apresentações perante as comunidades de Pilar e Marechal Deodoro, inclusive, escrevendo o livro infantil As águas do Alvoradinha, ainda hoje inédito. Ao longo desses anos todos tenho insistido sobre a temática, agora voltada também para o Vale do Rio Una, que envolve comunidades de cerca de mais de cinquenta municípios que são vítimas da poluição de suas águas e das suas enchentes periódicas. Pensar no ambiente com cidadania requer iniciativas preventivas e de conscientização, tendo em vista que há um marco legal específico para tal, todo um aparato de ações educativas e necessidade da adoção de comportamentos que se insiram sob a perspectiva da sustentabilidade e da qualidade de vida e do meio ambiente equilibrado e sadio para todos. Eu acredito nisso, a Terra é nossa casa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o músico, compsoitor e multi-instrumentista japonês Kitaro: Heaven & Earth Ost; a cantora russa Sainkho Namtchylak & Ethno Orchestra: Alpha Co; a Música Ambiental Instrumental de Kevin MacLeod & Deep Sleep da Tibetan Meditation Music. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – O ser humano surgiu há 2 milhões de anos na Terra [...]. em cerca de apenas 200 anos, a sociedade – especialmente a ocidental -, com seu estilo de vida, conseguiu criar uma crise ambiental de proporções planetárias. O consumo exacerbado de energia e água, as devastações florestais, o lixo excessivo, a explosão demográfica, entre outras questões, são resultado da relação desigual desenvolvida com a natureza depois da Revolução industrial e ao longo do século XX. [...] Pobreza crescente e consumo desenfreado: estas na verdade seriam as maiores causas da degradação ambiental da atualidade. [...]. A sustentabilidade dos recursos está intimimamente ligada aos cuidados com o meio ambiente e à erradicação da pobreza. A qualidade de vida deve fazer parte do desenvolvimento econômico, e este casamento passa pelo uso sustentável dos recursos naturais. Todos os povos devem ter acesso a esses recursos, e usá-los de forma sustentada. [...]. Trechos extraídos da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 1009), de Rosane Carneiro, Nely Wyse Abaurre, Mônica Armon Serrão et al. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

ECOSOFIA, ECOFILOSOFIA & ECOLOGIA PROFUNDA – [...] Nosso mundo está com problemas por causa do comportamento humano fundamentado em mitos e costumes que estão causando a destruição da natureza e provocando as mudanças climáticas. Podemos agora deduzir a mais simples teoria cientifica da realidade: a estrutura ondulada da matéria no Espaço. Ao compreendermos como nós e tudo o que nos cerca está interconectado com o Espaço, podemos deduzir soluções para os problemas fundamentais do conhecimento humano em Física, Filosofia, Metafísica, Teologia, Educação, Saúde, Evolução e Ecologia, Política e Sociedade. Esta é a profunda nova maneira de pensar que Albert Einstein descreveu, que existimos como estruturas espaciais estendidas do universo. Uma mera ilusão de sermos corpos separados. Isto apenas confirma as intuições de antigos filósofos e místicos. [...]. Trecho extraído da obra Ecology, Community and Lifestyle: Outline of an Ecosophy (David Rothenberg, 1989), do filósofo e ecologista norueguês Arne Naess (1912-2009), que criou a Ecologia Profunda, também conhecida como Ecosofia ou Ecofilosofia, estabelecendo oito princípios de plataforma: O bem-estar e o florescimento da vida humana e da não-humana sobre a terra têm valor em si próprios (sinônimos: valor intrínseco, valor inerente). Esses valores são independentes da utilidade do mundo não-humano para propósitos humanos; a riqueza e a diversidade das formas de vida contribuem para a realização desses valores e são valores em si mesmas; os humanos não têm nenhum direito de reduzir essa riqueza e diversidade exceto para satisfazer necessidades humanas vitais; o florescimento da vida humana e das culturas é compatível com uma substancial dimimuição na população humana. O florescimento da vida não-humana exige essa diminuição; a interferência humana atual no mundo não-humano é excessiva, e a situação está piorando rapidamente; as políticas precisam ser mudadas. Essas políticas afetam estruturas econômicas, tecnológicas e ideológicas básicas. O estado de coisas resultante será profundamente diferente do atual; a mudança ideológica é basicamente a de apreciar a qualidade de vida (manter-se em situações de valor intrínseco), não a de adesão a um sempre crescente padrão de vida. Haverá uma profunda consciência da diferença entre grande e importante; aqueles que subscrevem os pontos precedentes têm a obrigação de tentar implementar, direta ou indiretamente, as mudanças necessárias. Esses princípios embasam q filosofia de harmonia ou equilíbrio ecológico, defendendo que todos os seres vivos têm direito a ser respeitados como tais, eles têm valor em si mesmo quer os humanos pensem assim quer não. Por conta disso, a ecofosofia representa uma nova maneira de ver o mundo e de se relacionar com ele, respeitando a diferença, agindo de modo benevolente, evitando suntuosidade, procurando aproximar-se da natureza exterior aos nossos corpos físicos, na medida do possível.

A LÍNGUA, O DIZER E A ALIENAÇÃO – [...] a língua implica uma relação fatal de alienação. Falar, e com maior razão discorrer, não é comunicar, como se repete com demasiada frequência, é sujeitar [...] Mas a língua, como desempenho de toda a linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer. [...] a língua, portanto, servidão e poder se confundem inelutavelmente [...] A semiologia seria, desde então, aquele trabalho que recolhe o impuro da língua, o refugo da lingüística, a corrupção imediata da mensagem: nada menos do que os desejos, os temores, as caras, as intimidações, as aproximações, as ternuras, os protestos, as desculpas, as agressões, as músicas de que é feita a língua ativa [...] . Trechos extraídos da obra Aula (Cultrix, 1980), do escritor, sociólogo, filósofo, semiólogo e crítico literário francês, Roland Barthes (1915-1980), discutindo as relações de poder dentro da sociedade, entendendo que o poder está impregnado em todas as relações sociais, por mais ínfimas que sejam, sendo a sua manifestação suprema e inescapável seria a linguagem, ou seja, a própria estrutura da língua refletiria imposições sociais e relações de poder estabelecidas, moldando as mensagens formuladas nela. Veja mais aqui.

O PALHAÇO DAS PERDIDAS ILUSÕES - [...] Eu, o escritor, acho que foi exatamente aí. Sim, foi aí que Caio tomou a decisão. Ou o Outro, que o habitava, tomou-a por ele. Estava espantado, perplexo, jamais imaginara que faria isso. Mas, com um quase riso nos lábios, por causa da amúsica que acabara de cantar, viu a si mesmo – que o Outro conduzia – pisar numa cadeira e passar as pernas por cima do corrimão da varanda. O que se seguiu foi um corpo em voo improvável, que se estatelou no cimento do playground do prédio, 12 andares abaixo. Trecho da ficção da escritora, jornalista e tradutora Sonia Coutinho (1939-2013).

CARTA DE AMOREstou muito animada para dizer-lhe que tenho / Eu entendi muito bem a outra noite que você teve / sempre um desejo louco de fazer um pouco / de dança. Eu mantenho a memória / de amor e eu gostaria que fosse / Esta é uma prova de que eu posso ser amada por você / com toda a força. Estou pronta para mostrar-lhe o meu / carinho desinteressado, sem cálculo / burro e se você quiser me ver também / desvendar minha alma sem qualquer artificialidade / completamente nua, venha me visitar. / Vamos conversar com franqueza, como bons amigos. / Eu vou provar para você que eu sou a mulher /sincera capaz de oferecer-lhe o carinho / mais profundo do que a mais estreita / amizade, em suma, a melhor prova / que você possa sonhar porque a sua / alma é gratuita. Você acha que a solidão que / o morcego é longo, duro e grosso / difícil. Então, refletindo sobre isso, eu tenho a alma / inchada. Volte logo e venha até mim / esquecer com esse amor em que eu quero / coloque tudo em mim. Poema da escritora e memorialista George Sand (Amandine Aurore Lucile Dupin – 1804-1876).

DERSU USALA
O filme Dersu Uzala (1975), do cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998), é baseado na obra de Vladimir Arsenyev, contando a história de um explorador (líder de uma expedição de levantamento topográfico na Sibéria) do exército russo, que é resgatado na Sibéria por um caçador nanai (Dersu Uzala) que passa a servir-lhe de guia, dando início a uma forte amizade. Quando o explorador decide levar o caçador para a cidade, seus costumes se confrontam de forma esmagadora com o modo de vida burocrático na cidade, fazendo-o questionar diversos padrões da sociedade. Dersu é um exemplo de humildade e sabedoria, e o filme mostra de maneira poética e sensível as diferenças culturais entre ele e o pesquisador russo. O diretor de fotografia aproveitou ao máximo as imponentes paisagens naturais da Sibéria e as registrou em belas imagens. Numa das cenas inesquecíveis do filme, Dersu e o explorador russo se encontram em local aberto, uma estepe, quando uma nevasca os atinge. No frio siberiano (que pode atingir até 60º negativos), o russo se abate, quase que como entregue à morte certa. Dersu o convence a recolher os arbustos da estepe. Mesmo sem entender direito o significado do ato, este, cambaleante, faz o que Dersu lhe pede, até o esgotamento. Dersu então, continua recolhendo a vegetação rala, que mais tarde se transformará numa pequena cabana, cavada na terra. Uma cena digna das melhores do cinema com relação ao embate entre natureza e sobrevivência. A história aborda, na verdade, a majestade da vida natural, em detrimento do ritmo frenético do progresso. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Palestra: Cidadania & Meio Ambiente aqui.
Apresentação de LAM & Nitolino em Agrestina aqui & aqui.
A literatura de Jane Austen aqui.
A poesia de Olavo Bilac aqui.
O pensamento de Paracelso aqui e aqui.
A literatura de Érico Veríssimo aqui, aqui e aqui.
A literatura de Marguerite Yourcenar aqui e aqui.
Livros do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa, poesia e pintora francesa Dora Maar (1907-1997).
Veja mais aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...