quarta-feira, fevereiro 27, 2008

BACHELARD, DAREL, CAMILO CASTELO BRANCO, ROSÂNGELA RENNÓ, CLEVANE LOPES, NEUROCIÊNCIA COGNITIVA, SEXUALIDADE, TOLINHO & BESTINHA




A arte da artista plástica, fotógrafa e performer Rosângela Rennó.


TOLINHO & BESTINHA - V - Quando Bestinha se vê enrolado num namorico de virar idílio estopolongado - Bote fé: lavou, tá novo! Bestinha num se continha na folgança da nova residência, crescendo e livrando-se do disse-me-disse - coisa mais chata essa de ficarem associando o presepeiro a uma mancebia sodomita, nossa, agora, ufa! cada vez mais distante da memória, mas que, vez por outra, acende sua cólera só a cada lembrada do bicho bufar por horas com o quengo zonzo. Agora mais não, já se sentia incólume, ali ninguém, com certeza, conhecia suas maloqueragens. Ôxe, estava solto, pisando no ar. Novas amizades, novas estripulias formando futuras mangações, novas proezas, novo universo por explorar. Delito ficara como a casa antiga: nem recordações. Passara esponja no passado e ofegava com a vida nova. Não demorou muito. A mangação, ao que parece, fazia parte de sua sina. Como crescera e já se espigava adolescente, chegou a hora de arrumar a primeira namorada. Ih! Lá vem de volta os aperreios. Pois bem, Lindalina era a fofurinha mais fascinante dali e todo macambúzio deitava olhadela aguda pras bandas dela. Num havia quem não quisesse agraciá-la com os galanteios mais sentimentais, granjeando-lhe a simpatia. Era um batalhão enorme flertando com a debutante. Não sei porque cargas d´água achou Bestinha de logo se embeiçar pela beldade, a ponto de se entregar enfermo na mais crônica paixonite aguda do cabra zoar tonto por vários dias, semanas e meses. Lindalina nem aí. E o cabra fazia de tudo para chamar-lhe atenção: piruetas, bangueladas, amostramentos e trupicadas. Quando teve a oportunidade de se aproximar e trocar um dedinho de prosa com a vítima, vendeu-lhe a imagem mais altissonante, de tratar-se por um fazendeiro dono da maior extensão de terra que se imaginasse e que possuía aviões graúdos, fortunas invejáveis, posses exorbitantes, meio mundo de abestalhado para servir-lhe o mando e que era o cão chupando manga no que fosse inimaginável. Eita! Foi mesmo: arrotou grandeza, bafejou onipresença, até que se engasgou com uma chacota da moça: - Cuma é qui tu é tão rico, fica perdendo tempo numa maloqueragem mais chué como essa? Parece mai um santo de pau-ôco! O mundo arrebentou-se todo, despencou todo na testa do rapaz, destronando o melepeiro em dois segundos: o cabra não tinha onde se socar com a descompostura. Foi aí que lhe deu aquela aguda necessidade de tornar-se acometido do complexo de ema, de caçar canto para esconder a cara lisa e corada, morto de vergonha. Tentou sair da saia justa, balbuciou, enrolou a língua, esgasgou-se, tossiu, e não viu saída na sua sandice. E a retrucante só se rindo do vexame dele. Não teve jeito, só enfiar o rabinho entre as pernas e sair na pontinha dos pés pela lateral. Distante dela, abufelou-se, meteu o quengo umas trezentas vezes na parede, flagelou-se, maldisse a si próprio, imolou-se até não suportar mais nada e cair, arrebentado de desgosto, na cama. - Toma, Zé-buceta! -, ingrisiou um amigo -, tu vais logo querendo sê o rola-grossa, cheio-das-pregas, porra! Tome! Isso é pra aprendê, viu? Arreie o badalo, fulustreco, assim tu se estrepa! Quanto mais se lembrava do inoportuno acontecimento, mais seu coração caía no chão, sua barriga gelava, o espinhaço arrepiava-se dum jeito do cabra num querer nem botar a cara na porta para não morrer de vergonha. Fechou pra balanço. Tome! Um dia, dois, três, uma semana, encruado dentro de casa, trancado. Lamuriava-se sozinho, escondido, a dor da sua desventura sentimental, consolado ao som das maiores roedeiras da dor de cotovelo. Ficava horas uivando como um cão-sem-dono, tadinho. Mais de mês depois, estufou o peito e criou coragem. Pisava forte, marchando soberba, era outra pessoa agora, confiante de si. Ôxe, a risadagem comia no centro. - Vem cá, Boca-quente! -, gracejavam. - Esse aí é o embucetado-do-sétimo-livro! - O quêêêêê? Nãooooo. É o Pica-grossa? Héhéhé! - É o dito Satanás-de-rabo, meu! O Roliúde! Héhéhé! - O faroso! Héhéhé. Mal dera conta da fuleragem, arrependeu-se desde o dia em que nasceu de ter saído de casa. Cada escárnio cabeludo era uma fundura que se pronunciava no seu desgosto. Verdade, meninas, cá pra nós, o cabra enlutara-se dentro de si. Foi quando percebeu então que Lindalina era linda e era o sestro da sua mofinice. Deus meu, como esse apaideguado sofreu! - Isso é uma bexiga-lixa! Desgraça é feito catinga de cu: num se acaba nunca! Será o Benedito? Essa é a boba limoeiro: é a pior que tem! Deu na casa-grande comeu até a mão de pilão! Será a tibuvana da tribufu? Era ele se remoendo até quando Lindalina achegou-se perto dele e sapecou surpresa: - Quéis namorá cum eu? Vote, o cabra nem acreditou. - Quéis ou num quéis? -, insistiu ela enquanto ele atarantado. Bestinha engoliu seco, apertou-se por dentro, fez um esforço da gota, até que, num aguentando mais, deixou escapulir um peido fedorento. - Vote, vai cuidá da alma que o corpo tá podre! -, reclamou Lindalina. - Num é isso não, pelamordedeus, quero namorá com ôce, sim, por favor! -, suplicou-lhe genuflexo. - Deus qui me livre namorá com um peidão desse? - Pelamordedeus!!! - Nem morta! - Eu juro qui serei o home mais feliz da terra e farei vosmicê a mulé ais feliz do praneta!!! - Nem que a vaca tussa! - Vosmicê verá qui sou o home mais apaixonado do mundo! - Lálálálálálálá... - Qui inté hoji cê nunca viu home mais dedicado ao seu amô qui eu... - Peidando desse jeito?? - Foi a emoção! - Vôte! - Eu juro: meu coração deu uma tremedeira de mexer cum tudo dentro deu! - Ôxe? - Juro, pelas alma consagradas qui foi isso que remexeu pru dento deu!- Tá bem, tá bem, basta! Mindinho no mindinho, assim, para selar nosso namoro. Agora, cuide das tripas que eu num vô tá aguentando podridão perto de mim, não, viu? O cabra ficou nas nuvens, encantado, nem triscando no chão de tão ancho. - Vai que é chimbra, Taffarel! -, caçoavam os desafetos. Ele nem ai, só amostramentos. Flutuava sozinho no seu idílio nem se dando conta do que ocorria ao seu redor. Tomou-se de uma afeição pela namorada, de não enxergar outra coisa senão ela. Uma verdadeira veneração que lhe causou arranhões e cicatrizes várias, vez que ele se esquecia que estava numa bicicleta, causando os maiores transtornos. Já tava todo cheio de samboques que viraram perebas proeminentes por todo corpo. O cabra estava tão ouriçado de chega ter uma ejaculação precoce a cada pedalada que dava. Isso causando um sem número de encontrões os mais cabeludos. - Gozou com o relado do cu no celim? É viadagem -, definiam. - Não meu, só no esforço, em pé -, justificava-se desnecessariamente. Quem acreditaria nisso? Eu, hem! Pois bem, quando deu fé, ao cabo de uns seis ou oito meses, sei lá, depois, estava mais corneado de se enganchar nos fios de eletricidade. Quase morre tostado pelas gaias. Baixou hospital num sei quantas vezes com queimaduras de quarto a quinto graus. Em carne viva. Deu-se de expectorar suas lamentações em tons os mais desafinados impossíveis, tentando espantar seus males. Foi daí que nasceu o tresloucado sonho de tornar-se croner-de-pensão-do-baixo-meretrício, cantor das putas que sonham com um príncipe encantado de pau duro e enorme que salvassee sua desgraça. - Vai gostar de lubrificar gaia assim na casa da puta-que-lhe-pariu, corno! Nossa, o cabra amocegava o destoamento da cornice naqueles plangorosos hits da cornagem alheia, chega deixava ensopado o salão de lágrimas abundantes. O sujeito se infincava intoleravelmente na sua lamúria de parecer mais disco arranhado de tanto se repetir na dose. Isso, claro, para recheio das mais arrepiadas das zorras. E quando Lindalina aparecia, o mondrongo se engasgava de baixar enfermaria. Maior problema de então. O seo Bimbo-João, tomando pé da situação sob aconselhamento gasguito de sua madame, dona Bebé, foi instado para dar umas lamboradas boas no toitiço do abestalhado a fim dele tomar jeito na vida. Menos trepidante, o pai resolveu, depois de muita lengalenga, mudar-se de moradia, novamente. Juntou a catrevagem toda e foi se arranchar noutro arruado distante. Pronto, Bestinha escapou novamente de tornar-se o astro das gaitadas mais insolentes. Pode? Ora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. 


PENSAMENTO DO DIAA ignorancia é sempre tolerante com a ignorância, ou um asno esfrega o outro. Provérbio latino.

ALGUÉM FALOU DE SOLIDÃO - Nunca rompi uma relação para ficar sozinho. Geralmente para fugir de uma, já estava ancorado em outra. Eu acho muito difícil “dar a volta por cima”, estando sozinho. Sozinho? Nem depois de morto! Porque até no cemitério fica todo mundo enfileirado. Apesar disso, sempre vivi uma grande solidão. Talvez por nunca ter dado amor e não ter recebido, de fato. A solidão é uma experiência muito difícil em qualquer idade. Pensamento do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017). Veja mais aqui.

A POÉTICA DO ESPAÇO – [...] E para um sonhador de palavras, que calma na palavra redondo! Como ela arredonda calmamente a boca, os lábios, o ser do folego! O mesmo deve ser dito por um filósofo que crê na substancia poética da palavra [...]. Trecho extraído da obra A poética do espaço (Abril, 1978), do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962) aborda temas como a casa do porão ao sótão, o sentido de cabana, a casa e o universo, a gaveta, os cofres, armários, o ninho, a concha, os cantos, a miniatura, a imensidão intima, a dialética do exterior e do interior, a fenomenologia do redondo, trazendo a discussão filosófica do fenômeno imagético da poesia e sua pluralidade de imagens e temas, distante do racionalismo filosófico tradicional, voltada para a questão relacionada à psíquica do poema e à explosão de uma imagem. É um ensaio sobre a fenomenologia questionando a razão de uma imagem singular revelar-se como uma concentração que envolve o psiquismo e de que forma um acontecimento efêmero e singular como a imagem poética reage em outras almas, mesmo sob as condições inerentes aos pensamentos sensatos e senso comum. REFERÊNCIA: BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Abril Cultural, 1978. Veja mais aqui.

NEUROCIÊNCIA COGNITIVA - A partir de uma revisão da literatura realizada com base nas referências bibliográficas expressas abaixo, encontrou-se em Moreira e Medeiros (2007) que os psicólogos cognitivos estão preocupados com a forma como a anatomia (as estruturas físicas do corpo) e a fisiologia (as funções e processos do corpo) do sistema nervoso afetam e são afetados pela cognição humana. A neurociência cognitiva é o campo de estudo que vincula o cérebro e outros aspectos do sistema nervoso ao processamento cognitivo e ao comportamento. O cérebro controla pensamento, emoções e motivações, é o órgão supremo da cognição. A localização da função diz respeito a áreas específicas do cérebro que controlam determinadas habilidades e comportamento. O sistema nervoso é a base da capacidade de percepção, adaptação e interação com o mundo. É onde recebe, processa e responde às informações que vem do ambiente. Post-morten é a prática de dissecação após a morte para estudo da relação do cérebro e o comportamento, em busca de lesões, inferem que os locais lesionados estão relacionados a comportamento afetado, fazendo vinculo entre o tipo observado de comportamento e as anomalias. Paul Broca realizou estudo com Tan que possuía problemas de fala no lobo frontal. A área de Broca envolvida com funções da fala. Estudos com animais in vivo por meio da instalação de microeletrodos para identificação da atividade um neurônio e para medir os efeitos de tipos de estímulos sobre a atividade de neurônios. A produção seletiva de lesões compreende a remoção ou dano cirúrgicos de parte do cérebro, para observar déficits funcionais. Os registros elétricos aparecem na forma de ondas de vários comprimentos (frequências) e alturas (intensidades. Eletroencefalograma (EEGs) são registros de intensidades e frequências elétricas do cérebro vivo gravados por períodos longos. Objetiva estudar as atividades das ondas cerebrais e estudos mentais que se alteram, registrando a atividade elétrica do cérebro com informações sobre o transcurso de tempo da atividade cerebral. ERP é usado em estudos de inteligência e tomografia por emissão de pósitrons (PET). EEG e ERP oferecem apenas visão geral do cérebro. As técnicas de imagem estrutural para obter imagens estáticas: angiogramas, tomografia axial computadorizada (CAT) e ressonância magnética (MRI). Angiogramas (Raios X e CAT) para observação de grandes anormalidades, como resultantes de AVC e tumores. A ressonância magnética (MRI), a mais importante, serve para revelar as imagens de alta resolução da estrutura cerebral, computando e analisando mudanças na energia das orbitas das partículas nucleares nas moléculas do corpo. Facilita a detecção de lesões por meio de escaner rotativo, detecta vários padrões de alterações eletromagnéticas nas moléculas do cérebro. A imagem metabólica baseada em mudanças no cérebro resultante do aumento de glicose e oxigênio. As PET medem aumentos em consumo de glicose em áreas ativas durante tipos específicos de processamento de informação. MRI é uma técnica de neuroimagem que usa campos magnéticos para construir representações detalhadas em 3D. fMRI é a técnica usada para identificar regiões ativas como visão, atenção e memória. COGNIÇÃO NO CÉREBRO – As regiões do cérebro são prosencéfalo, mesencéfalo e robencefalo. O presencéfalo está acima e na frente do cérebro. Inclui o córtex, os gânglios basais, o sistema límbico, o tálamo e o hipotálamo. O córtex cerebral é a camada exterior dos hemisférios e desempenha papel vital no pensamento e outros processos mentais. Os gânglios basais são conjuntos de neurônios cruciais à função motora. Problemas nessa causam déficits com sintomas de tremores, movimentos involuntários, alterações na postura e no tônus muscular, lentidão de movimentos, a exemplo da Doença de Parkinson e de Huntington. O sistema límbico é responsável pelas emoções, motivação, memória e aprendizagem; transformar o comportamento mais flexível em resposta a mudanças no ambiente e é composto da amígdala, septo e hipocampo. A amígdala possui função na emoção (raiva e agressividade); o septo envolvido na raiva e no medo; o hipocampo na formação da memória e monitora onde tudo está. A Síndrome de Korsakoff compreende perda da função da memória. O tálamo transmite informação sensorial do córtex, está localizado próximo ao centro do cérebro, é dividido por grupos de neurônios com funções semelhantes, ajuda no controle do sono e do despertar. Problemas no tálamo provoca dor, tremores, amnésia, afasia e insônia. O hipotálamo regula o comportamento de sobrevivência: lutar, alimentar, fugir, acasalar. Ativo na regulação das emoções e das reações ao estresse. Interage com o sistema límbico e está localizado na base do prosencéfalo. O mesencéfalo controla o movimento e a coordenação dos olhos. O sistema de avaliação reticular (RAS) é a formação reticular composta por uma rede de neurônios para regulação da consciência e controle sobre a experiência. O tronco cerebral liga o prosencéfalo à medula espinal e é composto pelo hipotálamo, tálamo, mesencéfalo e prosencêfalo. A substância cinzenta periaquedutal 9PAG) está localizada no tronco. A morte cerebral é definida pelo tronco. O prosencéfalo é formado pelo bulbo, ponte e cerebelo. O bulbo (medula oblongata) controla o coração e parte da respiração, ajudante a manter vivo. A ponte é a estação de retransmissão composta de fibras neurais. O cerebelo controla a coordenação corporal, o equilíbrio e o tônus muscular e tem papel importante na memória. O robencéfalo é a mais antiga e mais primitiva do primeiro desenvolvimento pré-natal. O córtex cerebral é formado pelos sulcos, fissuras e giros. Possibilita pensar,planejar, coordenar pensamento e ações e a linguagem. Possui uma substância cinzenta forma de corpos neurais que processam informações. Possui também uma substância branca formada por axônios mielinizados brancos. Entre os hemisférios cerebrais ocorrem as transmissões contralaterais (de um lado a outro) e ipsilaterais (no mesmo lado). O corpo caloso é o agregado denso de fibras neurais que conecta os hemisférios para transmissões de informações em ambos os sentidos. A área de Wernicke está ligada à compreensão da linguagem. A especialização hemisférica foi tratada por Marc Dax, Paul Broca e Carl Wernicke. Karl Lashley, o pai da neuropsicologia, também fez estudos a respeito. O principal foi Roger Sperry que afirmou que cada hemisfério funcionava como um cérebro separado. Jerry Levi estudou o vínculo entre os hemisférios e as tarefas visuais e espaciais da linguagem. O hemisfério esquerdo tem ligação com a linguagem e movimento. Processa informações de forma analítica (uma por uma, sequência). Lesões nessa área provocam apraxias (transtornos do movimento coordenado). O hemisfério direito (mudo)  processa informações de modo holístico (como um todo) e tem ligação com conhecimento semântico, controla o processamento visual, linguagem pragmática. Lesões nessa área causam dificuldades de acompanhar inferências e entender discurso com metáforas e humor. Gazzaniga tratou que os hemisférios cumprem função complementar. O cérebro está organizado em unidades de funcionamento independentes que trabalham em paralelo. Lobos cerebrais: frontal, parietal, temporal e occipital. O lobo frontal está ligado ao processamento motor e pensamento superior (raciocínio abstrato). O córtex pré-frontal atua no controle motor complexo e tarefas que requeiram integração da informação no decorrer do tempo. É responsável pelo julgamento, solução de problemas, personalidade e o movimento intencional. O córtex motor primário especializado no planejamento, controle e execução dos movmentos. O lobo parietal atua no processamento somatossensorial (recebe dados dos neurônios com relação ao pensamento, dor, sensação de temperatura e posição dos membros. Aloja o córtex somatossensorial primário que recebe informações dos sentidos sobre pressão, textura, temperatura e dor.  O lobo temporal está associado à área auditiva. O lobo occipital está associado à visão. Áreas de projeção são aquelas em que ocorre processamento sensorial nos lobos. A área de associação dos lobos são regiões que não fazem parte dos córtices somatossensorial, motor, auditivo ou visual. Sua função é conectar ou associar a atividade dos córtices sensorial e motor. Dão inicio ao comportamento intencional e à expressão de pensamento lógico refletido. A área de associação frontal nos lobos frontais parece ser crucial à solução de problemas, ao planejamento e à capacidade de julgamento. TRANSTORNOS CEREBRAIS: o acidente vascular cerebral (AVC) é causado por uma alteração na circulação cerebral. O AVC isquêmico ocorre com o aumento de lipídeos nos vasos sanguíneos durante alguns anos e um pedaço desse tecido se desprende e aloja-se nas artérias do cérebro. O AVC hemorrágico ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe repentinamente no cérebro e o sangue derrama no tecido ao seu redor. Os tumores cerebrais ou neoplasias afetam o funcionamento cognitivo. O TC primário começa no cérebro e na infância. O TC secundário começa em algum outro lugar do corpo. Podem ser benignos ou malignos. Os benignos não possuem células cancerosas e podem ser removidos e não voltarão a ocorrer. Os malignos contem células cancerosas, são mais graves e põem em risco a vida da vítima. Os traumatismos cranianos-encefálicos (TCE) são de dois tipos: lesões de cabeças fechadas, quando o crânio permanece intacto, mas há lesão cérebro decorrente de força mecânica de um golpe contra a cabeça; já as lesões de cabeças abertas o crânio foi penetrado e podem resultar de muitas causas. COMO A MENTE FUNCIONA –  O livro Como a mente funciona, do psicólogo e linguista canadense da Universidade Harvard e escritor de livros de divulgação científica, Steven Pinker, aborda temas como equipamento padrão, máquinas pensantes, a vingança dos nerds, o olho da mente, as ideias boas, os desvairados, os valores familiares e o sentido da vida, entre outras importantes abordagens.  E O CÉREBRO CRIOU O HOMEM – O livro E o cérebro criou o homem, do neurocientista português António R. Damasio, lançado em 2011 pela Companhia das Letras com tradução de Laura Teixeira Motta, contempla duas questões de estudo do autor, a primeira como o cérebro constrói a mente? A segunda: como o cérebro torna essa mente consciente? Na primeira parte dos estudos, denominada Começar de novo: despertar, o autor apresenta os objetivos, razões e a abordagem do problema em questão, tratando do self como testemunha, a superação de uma intuição enganosa sob uma perspectiva integrada, a estrutura, uma prévia das ideias principais, a vida e a mente consciente. Em seguida ele trata acerca da regulação da vida ao valor biológico, a realidade implausível, a vontade natural, a manutenção da vida, as origens da homeostase, células, organismos multicelulares e máquinas, o êxito dos nossos primeiros precursores, o desenvolvimento de incentivos, a ligação entre homeostase, valor e consciência. Na segunda parte que recebeu o título de O que há no cérebro capaz de criar a mente?, trata da geração de mapas e imagens, cortes abaixo da superfície, mapas e mentes, a neurologia da mente, o princípio da mente, o corpo na mente, o mapeamento do corpo: do corpo ao cérebro, a representação de quantidades e a construção de qualidades, os sentimentos primordiais, mapeamento e simulação de estados do corpo, a origem de uma ideia, emoções e sentimentos, desencadeamento e execução das emoções, o estranho caso de William James, sentimentos emocionais, as variedades da emoção e os degraus da escala emocional, admiração e compaixão, arquitetura para a memória, a natureza dos registros da memória, zonas de convergência-divergência, o como e o onde da percepção e evocação. Na terceira, denominada Estar consciente: a consciência observada, trata da consciência em partes, sem self mas com mente, tipos de consciência, a consciência humana e não humana, o inconsciente freudiano, a construção da mente consciente, o cérebro consciente, o protosself, a construção e o estado do self central, o self autobiográfico, o problema da coordenação, um possível papel para os córtices posteromediais, os CPMs em ação, as patologias da consciência, a neurologia da consciência, o gargalo anatômico por trás da mente consciente, do trabalho conjunto de grandes divisões anatômicas ao funcionamento dos neurônios, percepções, viver com consciência, o self e o problema do controle, o inconsciente genômico, o sentimento da vontade consciente, a educação do inconsciente cognitivo, o cérebro e justiça, a natureza e cultura e as consequências do self capaz de reflexão. Leitura indispensável. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
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MORALES, Eosilene. Educação e neurociências: uma via de mão dupla. ANPED, 2014.
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YUDOFSKY, Stuart; HALES, Robert. Neuropsiquiatria e neurociências na prática clínica. Porto Alegre: Artmed, 2006.

O APRENDIZADO DA SEXUALIDADE – O livro Aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiros, organizado por Maria Luiza Heilborn, Estela M. L. Aquino, Michel Bozon e Daniela Riva Knauth, aborda sobre os temas que envolvem a experiências da sexualidade, reprodução, aprendizado da sexualidade e do gênero, a gravidez na adolescência, cor e filiação religiosa, meio social, escolaridade, renda, família, iniciação à sexualidade e os modos de socialização, interações de gênero e trajetórias individuais, vida reprodutiva e relações amorosas, espaços de socialização, mobilidade social, menarca e o social no biológico, namorar e ficar, relação sexual, contracepção e proteção, valores sobre sexualidade e elenco de práticas, tensões entre modernização diferencial e lógicas tradicionais, valores relativos à sexualidade, sexualidade e relações afetivas, a valorização da fidelidade, a prova de amor e o prazer individual, espontaneismo e o controle na sexualidade, homossexualidade, tolerância e persistência do repúdio, masturbação, normas sexuais e gênero, raça e pertencimento social, práticas sexuais e versões discordantes, mensuração da interação sexual, a banalização do sexo oral, a prática anal e a especificidade do imaginário masculino brasileiro, masturbação entre parceiros e volúpia solitária, repertório sexual, gênero e dissimilaridades nos atos sexuais, a supremacia do coito vaginal, condições materiais e simbólicas do exercício da sexualidade, as trajetórias afetivo-sexuais, encontros, uniões e separação, maternidade e paternidade juvenis, aborto, reprodução juvenil, as trajetórias homo-bissexuais, relações sexuais coercitivas, gênero e gestão da bissexualidade, sexualidade juvenil, iniciação sexual e relacionamentos afetivos, controle da sexualidade adolescente versus autonomização através da sexualidade, determinantes de gênero e classe social, o papel da escola e dos serviços de saúde no aprendizado da sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos, cidadania e autonomia, entre outros importantes temas. REFERÊNCIA: HEILBORN, M.; AQUINO, E.; BOZON, M.; KNAUTH, D. Aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Garamont/Fiocruz, 2006. Veja mais aqui.

AMOR DE PERDIÇÃO – [...] Deu as cartas a Constança, e encarregou-a de uma ordem, a respeito delas, que logo veremos cumprida. Depois foi orar, e esteve ajoelhada meia hora, com meio corpo reclinado sobre uma cadeira. Erguendo-se, quase tirada pela violência, aceitou uma xícara de caldo, e murmurou com um sorriso: — "Para a viagem..." - As nove horas da manhã pediu a Constança que a acompanhasse ao mirante, e, sentando-se em ânsias mortais, nunca mais desfitou os olhos da nau, que já estava verga alta, esperando a leva dos degredados. Quando viu, a dois a dois, entrarem, amarrados, no tombadilho, os condenados, Teresa teve um breve acidente, em que a já frouxa claridade dos olhos se lhe apagou, e as mãos conclusas pareciam querer aferrar a luz fugitiva. Foi então que Simão Botelho a viu. E ao mesmo tempo atracou à nau um bote em que vinha a pobre de Viseu, chamando Simão. Foi ele ao portaló, e, estendendo o braço à mendiga, recebeu o pacotinho das suas cartas. Reconheceu ele que a primeira não era sua, pela lisura do papel, mas não a abriu. Ouviu-se a voz de levar âncora e largar amarras. Simão encostou-se à amurada da nau, com os olhos fitos no mirante. Viu agitar-se um lenço, e ele respondeu com o seu àquele aceno. Desceu a nau ao mar, e passou fronteira ao convento. Distintamente Simão viu um rosto e uns braços suspensos das reixas de ferro; mas não era de Teresa aquele rosto: seria antes um cadáver que subiu da claustra ao mirante, com os ossos da cara inçados ainda das herpes da sepultura. — É Teresa? — perguntou Simão a Mariana. — É, senhor, é ela — disse num afogado gemido a generosa criatura, ouvindo o seu coração dizer-lhe que a alma do condenado iria breve no seguimento daquela por quem se perdera. De repente aquietou o lenço que se agitava no mirante, e entreviu Simão um movimento impetuoso de alguns braços e o desaparecimento de Teresa e do vulto de Constança, que ele divisara mais tarde. A nau parou defronte de Sobreiras. Uma nuvem no horizonte da barra, e o súbito encapelamento das ondas causara a suspensão da viagem anunciada pelo comandante. Em seguida, velejou da Foz uma catraia com o piloto-mor, que mandava lançar ferro até novas ordens. Mais tarde adiou-se a saída para o dia seguinte. E, no entanto, 5imáo Botelho, como o cadáver embalsamado, cujos olhos artificiais rebrilham cravados e imotos num ponto, lá tinha os seus imersos na interior escuridade do miradouro. Nenhum sinal de vida. E as horas passaram até que o derradeiro raio de Sol se apagou nas grades do mosteiro. Ao escurecer, voltou de terra o comandante, e contemplou, com os olhos embaciados de lágrimas. o desterrado, que contemplava as primeiras estrelas, iminentes ao mirante, — Procura-a no céu? — disse o nauta. — Se a procuro no céu... — repetiu maquinalmente Simão. — Sim!... No céu deve ela estar. — Quem, senhor? — Teresa. — Teresa...! Morreu?! — Morreu, além, no mirante, donde ela estava acenando. Simão curvou-se sobre a amurada, e fitou os olhos na torrente. [...]. Trecho extraído da obra Amor de Perdição (Lello Irmão, 1983), do escritor português, dramaturho, historiador e tradutor Camilo Castelo Branco (1825-1890).

POEMAS SENSUAISTHEORGASMIA: / Desnuda parte do corpo, parte a alma/ e oferece a Marte,o espelho de Vênus,/ onde observa a arte dos seios plenos/ bela,curiosa, intimorata e calma.../ Em breve, dois deuses nus,/ deu-se o fato, o olfato se aprofunda,/ a vulva, a pélvis, a bunda./o falo, o talo,a flor profunda./ Deus goza ,enquanto , voyeur/ de tempos imemoriais,/ interpreta todos os sinais./ E o esperma divino banha o casal,/ agora incapaz de distinguiir o Bem do Mal... SUADA: A crochetar uma renda,/ oferecer-me de prenda,/ seda barroca bem trabalhada: /vestida de pêlo, de pele,nua,/ acordo sozinha a uivar/ no silêncio,o que insinua/ esse olhar voraz de desejo/ insistente que em mim sua,/ - enquanto o espírito estua,/ ao vento levanta o pó,/ ardente, ardendo e só. HOJE: E pela manhã,/ o apelo da maçã,suas formas, bochechas/ ancas e nágegas.../ O jasmim- de- poeta´/ que atrai, botão fechado,/ pelo aroma imprevisto./ Depois,se abre estrelado, / para se desafazer no ciclo vital,/ aos teus dedos,/ o cheiro já mofificado:/ pêssego, sândalo, patichuli,/ o gosto já misturado:/ cravo, rosa,almíscar e ambrosia./ Nem mais importa,/ depois de aberta a porta,/ se é gosto ou odor,/ rubrica de um vinho precioso;/ é apenas o resultado da mistura, /da amorosidade que se fez embate/ com as armas da paixão e da ternura... ENCOSTA-TE A MIM: Venho de tempos idos e viajo para tempos novos./ Desço a encosta do desejo,/ baqueada de sol quente, mas/ inebriada pela luz de mel./ Suada,/ exalo o cheiro aéreo das borboletas/ que visitaram cravos./ Ah, voejei até mesmo em densas florestas/ além do nosso jardim/ -enquanto, guerreiro do cetro mágico,/ guerreavas numa peleja/ inútil e convencional, sem mim./ Eu,que agora vou ao teu encontro, para amparar-te,/ sarar tuas feridas com minha seiva mágica./ Feiticeira, banhei-me/ em pétalas de lírios, cravos e rosas/ e minha pele inteira / tornou-se a tua cura./ Encosta-te a mim, / serei o totem onde os signais e os signos/ revelarão as fórmulas da doce embriaguez amo. ROSA: Mulher, ofereço-te meu graal./ Dentro de mim, alastra-se um fogo eternal,/ no alabastro do corpo,mas a pele é morna./ Se tens fome,oferço-te a Poesia/ de minha alma em pomar,/ que alimenta/ com maná e ambrosia./ Se tens sede,dar-te-ei meu leite./ minha saliva,meus humores./ Degusta-me./ Se queres dormir, transformarei/ meus braços em rede./ Cantarei uma berceuse/ inventada na hora da neblina./ Encosto-me a ti, quando te encostas a mim./ e juntos, seremos uma estela pela PAZ, uma estrela a mais, / um círio na janela, / chama votiva a tentar iluminar a harmonia/ e simbolizar a quase impossível, mas real / perenidade dessa paixão/ que não se acaba, que não desaba,/ porque estamos um ao outro encostados/ na encosta do desejo, apoiados/ pelas costas um do outro./ Degusta-me e te ensinarei / a eternidade dos deuses... ENCONTRO: A vinha, a vindima,o vinho/ a gavinha/ a garra.../ Você vinha/ com beijos de vinho,/ boca de tinta/ de vinho tinto./ Levinho, vinha,/ conforme convinha/ -dentro de meu coração cansado,/azinhavre./ Acre ácido/ a corroer a emoção, o desejo guardado./ O colo fremente, mas não de paixão./ A camisola, levinha,/ a uva,o vinho, a vinha,/ o sonho, a sanha./ A gavinha partida./ A ida./ Des/encontros de verão. UM DIA A MONTANHA FOI MAR: Os dedos do poeta que escreveram versos/ em corpos marcados de poeira e amoras,/ compensados pelo cheiro impossível dos impedimentos./ Molharam-se na maresia das praias desertas e jamais dantes/ percorridas pelos os róseos pés aquecidos ao sol intenso.../ Criaram ,com as suaves unhas, hieróglofos em forma de cunhas/ para que quando as asas do tempo trouxessem viajantes do futuro,/ e então aquele amor estranho e intenso de amantes/ fornecesse matéria abstrata para o código abstrato,/ os estudiosos se perguntassem se era plausível, possível,concebível,/ que se amasse tanto assim, através dos dedos da alma,dos dedos das mãos/ já antigas quando tudo começou e deixou signos e signais.../ Mar, não existe nehum mar agora,e apenas atrevidas, erguem-se as montanhas,/ as montanhas fartas ,verdes e sensuais das Minas Gerais,/ que escondem nos seios e nas ancas , nos ventres misteriosos e grávidos,/ tais segredos ancestrais.../ E eu, que ao ler os versos do poeta, passo os lábios e encomprido os olhos sensuais, / quero ouvir sua voz, e pensar que foram escritos para mim, esses poemas embalsamados:/ juro que têm gosto de sal e de algas, de sol e de estrelas -do -mar,/ gostos de praias e peixes , os mesmos cheiros e sabores que ,por atavismo ,teimosos,/ guardam-se na concha resguardada entre minhas pernas bambas,/ a aguardar, séculos após, que desenhes novas letras e rimas no meu corpo / e que com tua língua antiga e sábia, o sal e o calor lambas, / em busca da pérola nacarada que resgatarás da leve espuma / para o prazer sutil e absoluto,para a riqueza acumulada em tempo de espera... / Na montanha , houve mar,em priscas eras, onde amaste outras mulheres/ mas quem se guardou inteira para o equinócio da primavera/ e preservou rosas esverdeadas e cheias de ondas, salgadas e perfumadas / fui eu, para teu gozo, musa de teu sonho, de tua luxúria, de tua im/paciência... / Por isso, leio tua Poesia magistral e catártica,plena de códigos / para mulheres de outrora/ e acredito, entre ingênua e buliçosa,/ que escreveste ,mesmo sem saber, todos os códigos da rosa,/ para que eu a lesse e entendesse, decodificasse e repondesse, um dia... EROTIQUINHA: Quando gozogozo, / bêbada do uso-ozo/ com gosto de anis,/ rito,arfo,fremente./ De mim mesma,corro./ Por um triz,não morro./ Eu,pequena bacia d'água./ Você,chafariz. MOMENTO (De Erotikinha,X): No estômago, mil asas frementes / de beija-flores antecipam o néctar./ No útero, o lento que-fazer do pólen,/ celera-se./ Ascendem ao coração as salamandras,/ elementais do fogo. / Tudo teve início / com um olhar,que sinalizou um beijo./ E quando se acendeu a fogueira,na aquiescência, / os tecidos túmidos, os poros úmidos,/ invadiu-nos a luminescência/ que fez qualquer escuridão/ se dissolver na luz./ E os murmúrios soprados ao pé da orelha rosada/ ah, a sedução pelos ouvidos,/ que escorrega qual líquido inflamável/ e cai diretamente no coração,/ a provocar um fogaréu.../ E os gemidos, / o som contínuo e natural/ que brota da garganta aberta em flor madura... / Movimentos contínuos,coleantes: / os corpos serpenteiam e se enroscam, / num milenar ritual. / Os suores, os aromas, a suculência... / A obnubilação para tudo mais que em torno exista: / somente o que é percepptível,é o tálamo / o sim,a entrega,a troca, a soma no soma, / invadir/ser invadido / com permissão. / A premissa / é o desejo,unicamente. / Pudores se esgarçam quais musselinas inúteis. / Todos os panos são barreiras que é preciso afastar. / E as mãos atrevidas,e os olhares,ora cerrados, / ora bem abertos, ora entrefechados. / O que quer, o que toma, o que cede./ Moto continuum, / as sucedências escorregam nas dobras do tempo./ O orgasmo.A petit-mort. / Enlanguescer,relaxar,suspirar,descansar. / Sob a Terra molhada / por chuva milagrosa, / as sementes crescem,incham, / forçam e brotarão em breve... / No silêncio agora absoluto, enquanto as pessoas dormitam, / os anjos meneiam suavemente as asas, / para que descansem... ACTO: Olhar desfocado /Lábio intercalado / (boca em completude / suores em açude, / saliva em fio/riacho escorre) / Peito infla / Coração rufla/ Mamilo cresce / Adaga intumesce/ Você, garfo, eu colher. / Gemo/arfo / Homem /mulher / Fusão / Con/fusão / Fuso horário / Da petit- mort: / Orgasmo / O gamo / A gazela / O hierogamus... / Os órgãos, / os grãos ocultos,/ A produção/ Dos micro organismos/ Potencializados/ Dizem Amém... APAIXONADA/MENTE: Abraso-me,ardo e afogo-me em fogo liquefeito... / Onde andará o incendiário?/ Será que usou a chama do meu ou do seu imaginário?/ Arfo,sou-me fora de mim, fora de ti,/ tição inutil sem lenha.../ Chamo-te, / para que teu coração venha, / archote / acho-te, / a acender-me a pira
dedilhar-me a lira,/ a buscar a agulha de pinheiro / que proteja / e não o espinho de roseira, / que fira.../ Apaga-me! / Somente para depois reacender-me, / tornar-me luminária,/ estacionária / essa paixão / perene... NÚPCIAS CIGANAS: Um punhal ardente,argênteo pela claridade dos castiçais de latão,/ ergue-se e agita-se, sonâmbulo, talvez, mas em busca/ de caminho certo...Freme, pássaro, algo de beija flor e de cisne,/ cegamente lança-se à umidade morna que o atrai,sem medo... / Num casamento cigano, consumado após as danças, o vinho, / as palmas, a espera dos demais,para que a mostra de sangue/ seja a prova de uma virgindade exigida pelos costumes ancestrais.../ Mas ...não sangra a noiva, ainda assim , até então,virgo inviolata, desiderata,/ -ardendo de desejo, mas pura e ele o sabe... .../ O punhal de carne recolhe-se, grato pelos ricos sumos/ e pela oferenda da estreita senda...descansa.../ então, o homem,jovem apaixonado/ e convicto da castidade de sua mulher/ que o olha assustada com a falta do carmim/ no branco lençol de linho ,levanta-se,corajoso, trêmulo ainda,/ após o gozo,e toma de seu punhal de prata, finamente lavrado.../ A jovem se assusta, mas não grita, deixa que caiam as lágrimas:/ aceita o seu destino, o coração se confrange, depois galopa/ no peito de pomba...fecha os olhos e espera...a morte,/ pela falta de sorte.../ Ontem, sua avó jogara cartas, a Buena Dicha:vida longa,vida feliz,/ mas por certo se enganara, pensa desesperada.../ O marido então,dá um corte no dedo anular, onde/ a aliança brilha à luz das velas...e mancha os níveos panos:/ a camisola, o lençol, a fralda de sua camisa...segura/ o queixo da esposa-menina, e quando ela abre os olhos,/ mostra-lhe o sangue a pingar, e deitado sobre os linhos, e lhe sorri.../ Ela devolve, encantada ,o sorriso, sem falar nada/ e ele murmura roucamente:"Confio em ti".../ Então beijam-se ardentemente e ele vai à porta da tenda,/ a mostrar, belo, viril, mas secretamnte generoso./ a prova da "primeira vez"...Nunca mais falaram nisso,/ mas também, jamais um marido teve uma esposa/ tão amorosa e dedicada.... CALCINHAS: Depois de passar um bom tempo / escolhendo , com apaixonado olhar/ a prever delírios, calcinhas rendadas,/vermelhas cavadas, sensuais e sedosas,/ depois perfumadas/ com água de rosas,/ percebo que parecem/ uma bela borboleta/ para cobrir a rosa/ da espécie/ "Príncipe Negro"/ onde o vermelho/ é muito escuro/ e seu botão bem rosado.../ Essa cobertura leve e ousada/ vestida apenas para ser tirada/ é uma estratégia feminina/ para a guerra de "uns" e de " ais"/ que acontece entre lençóis,/ no tálamo... PRIMEIRA VEZ: Na colheita de primícias,/ a amora esmagada tinge/ o níveo lençol de linho.../ Um mundo, então de delícias,/ todos sentidos atinge/ através de um forte espinho.../ Um aroma preenche o ar em torno/ Os beijos, ora em pianíssimo/ ora vendavais a ser,/ gosto de pêssego morno,/ sumarento, gostosíssimo.../ Então a dor vira prazer...
CLEVANE PESSOA DE ARAUJO LOPES é poeta, escritora, psicóloga, ilustradora, conferencista e consultora nordestina radicada em Minas Gerais, premiada em concursos nacionais e do do exterior. Trabalhou ativamente na imprensa de Juiz de Fora-MG, foi editora de Literatura e Arte do tablóide de vanguarda Urgente, dentre outros. Atualmente, é psicóloga, ilustradora e oficineira de Poesia e Conto. Tem quatro livros de poesias publicados, é consultora de teatro, revisora de textos e roteirista de peças teatrais. É Cônsul Zona Central de Belo Horizonte, da entidade Internacional “Poetas del Mundo”, integrante a REBRA - Rede Brasileira de Escritoras, é patrono da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, pertence à Academia Virtual Brasileira de Letras. Ela reúne seus trabalhos no sitio Clevane Pessoa e no blog Erotíssima. Veja mais aqui.




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terça-feira, fevereiro 26, 2008

JORGE AMADO, CASSIANO RICARDO, DUFRENNE, HERBERT MARCUSE, AFONSO ARINOS, MÔNICA NADOR, SIMON BISLEY ROUSSEAU & DESEJOS DE ÍSIS


A arte da pintora, desenhista e gravadora Mônica Nador.

JEAN-JACQUES ROUSSEAU – As idéias políticas do filósofo e escritor francês Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), voltadas contra as injustiças da época, repercutiram nos destinos da revolução francesa de 1789. Ele negava o racionalismo progressista, no entanto, somada ao intimismo confessional e à apologia dos instintos e da integração com a natureza, abriu caminho para a estética do romantismo, o que o situa como pré-romântico na evolução literária. Em seu “Do contrato social” apresenta a sua utopia política, propondo um estado ideal, resultante de consenso e que garanta os direitos de todos os cidadãos. A teoria política de Rosseau aproxima-se bastante das idéias dos filósofos racionalistas, quando ele pesquisa as condições de um Estado social que fosse legítimo, que não mais corrompesse o homem. O pacto social proposto por ele não tem por fim conciliar todos os interesses egoístas, mas antes depreender uma vontade geral. Na vontade geral é que se descobre o desejo de felicidade, dentre outras coisas. Neste sentido ele se recusou de tratar separadamente a política e a moral, visando investigar os fatores que se interpõem entre o indivíduo e a sua felicidade, a partir do postulado de que o homem, degradado em sua natureza pelo processo histórico de socialização, pode, em princípio, recuperar sua integridade essencial. Rousseau, mais do que desenvolver pensamentos sobre educação, desenvolve uma teoria normativa do homem e da sociedade, coroada, na seu inspiração, por um autêntico projeto de cidadania. Neste sentido, diante do jusnaturalismo e das idéias liberais, Rousseau entende que o estado de natureza é a garantia de dois princípios inalienáveis: a liberdade e a igualdade; princípios esses violados com a formação da sociedade civil e a instituição da propriedade. E para restabelecer a ordem seria preciso um Contrato Social, pelo qual fossem asseguradas a liberdade e a igualdade. Tal ordem é explicitada por Rousseau em seu Do Contrato Social, de 1762. Para ele, entender a origem da desigualdade pressupõe entender a origem do homem. Nesse aspecto, Rousseau concebe dois tipos de desigualdade na humanidade: uma natural ou física, fruto da natureza, “que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito e da alma”, e a outra, que é chamada de desigualdade moral ou política “porque depende de uma espécie de convenção e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens”. Em Rousseau a natureza é anterior à sociedade; logo, só há originariamente um homem, o homem natural, o qual pode degenerar para tornar-se o homem civil, sem deixar de ser homem. A desigualdade, não. Para Rousseau, a essência do homem está em seu estado primitivo, tal como o moldou a natureza. Para ele, no estado de natureza, o homem vivia de forma simples, solitária, inocente e feliz. Preocupava-se apenas com a sua conservação. E, se tudo era de todos, o egoísmo, a vaidade e a ambição eram sentimentos inexistentes. A terra nesse estado estava virgem, abandonada à fertilidade natural e coberta por florestas imensas que o machado jamais mutilou. A idéia de propriedade vai aparecer como pressuposto fundamental da idéia do “isto é meu”, a instituição da propriedade representa efetivamente a passagem da ordem natural para a formação da sociedade civil. A propriedade, uma vez estabelecida, é origem de inúmeros conflitos diante da ganância e da ambição dos homens. É impossível, para Rousseau, conceber a idéia de propriedade sem conceber também esses conflitos entre o primeiro ocupante e o mais forte. Em Rousseau, o direito de propriedade é fruto da convenção humana, portanto não encontra sua legitimidade no estado de natureza. Na questão da propriedade, tanto o direito do primeiro ocupante (muito mais legítimo) quanto o pretenso direito do mais forte devem se submeter ao julgamento do direito de propriedade advindo da associação civil que forma a vontade geral. E, para ele, a liberdade e a igualdade civil estão asseguradas devido às leis advindas da vontade geral que soberanamente garante à propriedade um caráter de inviolabilidade na nova associação civil. Desse modo, Rousseau parece garantir a liberdade e a igualdade na nova ordem civil preservando a propriedade mediante um novo direito de propriedade. DO CONTRATO SOCIAL - Um dos maiores pensadores europeus do séc. XVIII, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), nasceu na Suíça oriundo de família francesa, um dos filósofos da doutrina materialista dos sensatos, também conhecida como Teísmo ou Religião Civil, influenciou sua obra reformas educacionais e políticas, tornando-se a base do movimento Romantismo.Foi um estudioso das teorias políticas vigentes, como as de Montesquieu, Hobbes, Locke, Grotius, Pufendorf e Althusius, insistia nos valores históricos e, por isso, se interessou pelo estudo de teorias políticas, sociais e civis do século XVIII. Entre as suas obras está “Do contrato social”, livro que pretende mostrar qual é o fundamento da ordem social, defendendo que: "O homem nasceu livre e, em toda parte está preso". É nesta obra que ele formula uma teoria do Estado, baseado na convenção entre os homens em que defende o princípio de soberania popular. Suas idéias políticas demonstram que ele desejava reformas, tendo por isso, sido considerado como um dos homens que mais contribuíram para preparar a revolução. Este livro representou uma extraordinária contribuição ao desenvolvimento da ciência política, uma vez que seus princípios influenciaram vários pensadores e filósofos ocidentais e ainda hoje continuam a motivar debates acalorados. O Contrato Social de Rousseau é dividido em quatro livros, no primeiro considera sem preliminares qual é o fundamento legítimo da sociedade política; no segundo estabelece as condições e os limites do poder soberano; no terceiro traz considerações sobre a forma e o aparato governamental; e no quarto livro estuda o histórico de vários sufrágios, assembléias e outros órgãos governamentais. No livro primeiro ele apresenta diversos capítulos onde aborda a questão objeto da obra, as primeiras sociedades, o direito do mais forte, a escravidão, remontando uma convenção anterior, o pacto social, o soberano, o estado civil e o domínio real. Nesta parte da obra Rousseau aborda a questão das primeiras sociedades, observando que a família é a mais antiga das sociedades e ela se mantém por conveniência, uma vez que os homens não são naturalmente iguais, uns nascem para escravidão e outros para dominar. Também trata acerca do direito do mais forte, quando traz a tese de que jamais será senhor aquele que não transforma a força em direito: a força faz o direito o efeito muda com a causa, abordando a questão da escravidão, defendendo que nenhum homem possui autoridade sobre seu semelhante e como a força não produz nenhum efeito restam as convenções como base de toda autoridade legítima entre os homens. Tratando acerca do pacto social, salienta o autor que este é a forma de encontrar um meio de associação capaz de defender e proteger de toda a força comum a pessoa e os bens de cada associado e pela qual cada um, se unindo a todos obedeça apenas a si mesmo e permaneça tão livre quanto antes. No que concerne aos associados, ele entende que estes adquirem coletivamente o nome de povo, e se chamam particularmente cidadãos, na qualidade de participantes na autoridade soberana, e vassalos, quando sujeitos às leis do Estado. Sobre o estado civil, aborda que a passagem do estado de natureza ao estado civil produz no homem uma mudança notável, substituindo em sua conduta o instinto pela justiça e dando a suas ações a moral de que não se tinha antes, perdendo a sua liberdade natural e um direito limitado a tudo o que tenta e pode alcançar ,o que vem a ganhar a liberdade civil e a propriedade de tudo que possui. No que concerne ao domínio real, Rousseau observa que as leis sempre são úteis àqueles que a possuem e prejudiciais àqueles que nada tem. Em suma, nesta parte do livro Rousseau considera que a liberdade é necessária ao homem e que a ordem social é um meio de organizar as comunidades, citando que a estrutura da instituição familiar, o poder do mais forte e a falta deste para os fracassados, tipo os escravos e a passagem do estado natural para o civil. No livro segundo, ele traz a diversidade capitular abordando sobre a inalienabilidade e indivisibilidade da soberania, o poder de errar pela vontade geral, dos limites do poder soberano, dos direitos de vida e morte, a lei, o legislador, o povo, os vários sistemas de legislação, divisão das leis. Entre as abordagens desta parte, Rousseau defende que a soberania é inalienável, intransferível e indivisível. Neste sentido explica que o poder soberano por mais absoluto, mais sagrado e mais inviolável que seja, não ultrapassa nem pode ultrapassar os limites das convenções gerais. Isto porque, segundo ele, são os homens que fazem o Estado, e é o terreno que alimenta os homens; consistindo essa relação em que a terra baste para a manutenção de seus habitantes e haja tantos habitantes quantos a terra possa nutrir. Assim, as leis que regulamentam essas relações são denominadas leis políticas; chamam-se também leis fundamentais. Em suma, ao abordar tais temas o autor defende que a lei é necessária, desde que a sociedade não obtenha capacidade o suficiente para ouvir a Deus, o maior ditador de leis. Estas são criadas por legisladores, pessoas capacitadas e superdotados, homens raros nas sociedades. No livro terceiro, ele traz o governo em geral, o principio que constitui as várias formas de governo, a sua divisão, a questão da democracia, da aristocracia, da monarquia, dos governos mistos, de qualquer forma de governo, os indícios de um bom governo, dos abusos do governo e de sua tendência a degenerar, da morte do corpo político, de como se mantém a autoridade soberana, dos deputados ou representantes, de como a instituição do governo não é de modo algum um contrato, da instituição do governo e do meio de prevenir as usurpações do governo. Aborda, portanto, Rousseau que toda ação livre tem duas causas, que concorrem para produzi-la: uma, moral, a saber, a vontade que determina o ato; outra, física, isto é, o poder que a executa. Com isso, distingue ele soberano, Estado e governo. Para ele, o governo é encarregado com a implementação da vontade geral e é composto de um pequeno grupo de cidadãos, conhecidos como magistrados. Este, portanto, é o agente executivo do Estado que deve realizar  a vontade geral e submetido às leis. Consigna, portanto ele, que o governo é um corpo intermediário entre o súdito e o soberano, quanto mais simples melhor. Já o soberano, constituído pelo contrato social, é o povo unido ditando a vontade geral, cuja expressão é a lei. O povo e o soberano se obrigam ao contrato e ambos têm vantagens nesta relação. Por outro lado, o Estado é a comunidade politicamente organizada. Este não deve estabelecer uma religião, porém deve usar a lei para banir qualquer religião que seja socialmente prejudicial. Enfatiza ele que o Estado só pode existir quando o produto dos trabalhos do homem for maior que suas necessidades e quando não é usurpado o poder do soberano, a ponto de mencionar que: “(...) no Estado, o júbilo de governar supre o amor que a seus povos se dedica o maioral político".Isto quer dizer, portanto, que quanto melhor estiver o Estado constituído, tanto mais os negócios públicos prevalecerão sobre os particulares no espírito dos cidadãos. Em suma, nesta parte o autor traz a demonstração exata de sua sistemática estudando o governo, sendo favorável na busca além das fórmulas exatas de demonstração sob a alegação de que o governo nada mais é que um intermediário entre o soberano e os súditos, mesmo que, ainda assim, admita a existência do despotismo, uma vez que sempre o governo tenta tomar, por força, o lugar do soberano, quando este é a pessoa pública e que só as assembléias periódicas podem garantir que não se usurpe o poder. No livro quarto, Rousseuau aborda a questão de como a vontade geral é indestrutível, os sufrágios, das eleições, dos comícios romanos, do tribunato, da ditadura, da censura e da religião civil. É nesta parte que o autor abordando acerca da vontade geral a trata por indestrutível, quando analisa as questões do sufrágio, além de buscar os remédios excepcionais que solucionem o problema quando o Estado estiver em crise. Desta forma, pelo apanhado ora realizado observa-se que Rousseau faz a tentativa em provar que não existe uma forma natural de organização, existindo, segundo seu entendimento, apenas convenções que voluntariamente são acatadas. Para ele o único núcleo natural é a família, porém quando os filhos não necessitam mais dos pais para se manterem, escolhem sair da casa paterna ou não. Com isso, vislumbra-se que o objetivo primordial do Contrato Social, que está em assentar bases para que se possa efetivar a passagem da liberdade natural à liberdade convencional. Daí entender que na sua concepção, a sociedade nasce na família, onde o chefe é o pai e o povo, os filhos. Para ele, a diferença está em que na família o pai tem amor pelos filhos, enquanto no Estado não há este amor de chefe para com o povo. No que concerne à soberania, para Rousseau a única que é legitima é a soberania legitimada pela presença do povo, uma soberania popular, sendo, pois, o soberano constituído pela própria coletividade. E apesar de discutir sobre a democracia, aristocracia ou monarquia, Rousseau entende que o que caracteriza um bom governo é a conservação e a prosperidade de seus membros, o número e sua povoação. Quanto à democracia, Rousseau defende que esta só poderá existir quando todos estiverem em condições de igualdade, uma vez que nenhum ser humano poderá ser autoridade diante dos demais e as convenções, criadas por todos, são bases de toda autoridade legítima. Seu pensamento advoga que a verdadeira democracia é impraticável e que a aristocracia não é favorável à igualdade. Tal pensamento tem por base o fato de que a participação popular e a cidadania dependem muito da forma como está constituído o Estado, se sua estrutura possui mecanismos que oportunizem a manifestação da vontade geral e que prezem pelo cumprimento daquilo que o povo delibera. Por isso, a preferência de Rousseau por um Estado pequeno, onde haja maior homogeneidade entre os indivíduos. E, ainda sobre a democracia, ele afirma que o que torna este governo inviável em certos pontos é o fato de que o príncipe e o soberano, sendo representado pela mesma pessoa, formam um governo sem governo. Para o autor, nos negócios públicos não pode haver interesses privados. Um governo que fosse mantido pelo povo necessariamente não precisará ser governado. Em sua teoria jamais houve ou haverá democracia sendo que para a ordem natural é contraditório que uma maioria governe sobre uma minoria. Afirma também, que este tipo de governo gera guerras civis e agitações, pois, muda constantemente de forma e é difícil manter sua forma original. Além disso, Rousseau ainda entende que a verdadeira democracia é impraticável, mesmo que saiba que o interesse privado jamais deve se sobrepor ao interesse geral. Jean-Jacques considera, por exemplo, a liberdade, ao mesmo tempo, como um direito e um dever. Para ele a liberdade é um direito inalienável e exigência essencial da natureza humana, pertencente ao ser humano e só ele pode renunciá-la significando, pois, renunciar à sua própria qualidade como tal. Já no que concerne à propriedade privada, Rousseau entende que foi o marco que estabeleceu a mudança do estado de natureza para o estado civilizado, quando ocorreu a apropriação e esta passou a gerir a sociedade civil, quando o homem civilizado apareceria com o progresso, aperfeiçoando-se e qualificando-se como ser humano. O pacto social formulado por Rousseau é entendido como uma das características primordiais do seu contrato social ao se compreender que a vontade geral dirige as forças do Estado de acordo com a finalidade de sua instituição, uma vez que se trata do bem comum. Esta é a razão pela qual Rosseau considera a vontade geral como o que há de comum em todas as vontades individuais, ou seja, o substrato coletivo das consciências, a estrutura. E nesse contexto, a noção de soberania implica a noção de poder sem contraste. A obra é ao mesmo tempo apaixonante e apaixonada a ponto de se encontrar a máxima que para quem violar o contrato, Rousseau defende a pena de morte. Mediante o exposto, observa-se que no pensamento rousseauneano toda lei precisa ser ratificada pelo povo para não correr o risco de ser nula, uma vez que a soberania deve estar nas mãos deste povo. Fica, portanto, entendido que o contrato social rousseauneano implica numa associação livre de seres humanos inteligentes, que deliberadamente resolvem formar um certo tipo de sociedade à qual passam a prestar obediência mediante o respeito à vontade geral. Conclui-se, com isso, que a obra em estudo é considerada como uma utopia política de um Estado ideal, perfeito, assegurando a liberdade do povo soberano, delineando as bases de um Estado político legítimo, tratando sobre o fundamento da sociedade política, das condições e limites do poder soberano, estudando o governo, comentando sobre a indestrutibilidade da vontade geral, entre outros fundamentos que fizeram com que a obra se tornasse uma das mais influentes do pensamento político da tradição ocidental. Vê-se, por fim, a importância da obra de Rousseau na fixação das bases para a formação do Estado moderno, com os bens e pessoas protegidos e todos unidos uns aos outros conservando a liberdade. REFERÊNCIA: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Abril Cultural, 1978. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA - As memórias são a reelaboração de um mundo extinto, mas nem por isso menos real. Pensamento do advogado e escritor Afonso Arinos (1868-1916). Veja mais aqui.

ESTÉTICA & FILOSOFIA – [...] Mas o que é, então, o Belo? Nãoé uma ideia ou um modelo. É uma quantidade presente em certos objetos – sempre singulares – que nos são dados à percepção [...]. Pensamento extraído da obra Estética e filosofia (Perspectiva, 1998), do filósofo e esteticista francês Mikel Dufrenne. Veja mais aqui.

O TRAPICHE – [...] Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem. Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosoas, ora vinha se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas. Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar-oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite. [...]. Trecho extraído da obra Capitães de areia (Record, 1996), do escritor e dramaturgo Jorge Amado (1912-2001). Veja mais aqui.

LADAINHA - Por que o raciocínio, / os músculos, os ossos? / A automação, ócio dourado. / O cérebro eletrônico, o músculo / mecânico / mais fáceis que um sorriso. / Por que o coração?/ O de metal não tornará o homem / mais cordial, / dando-lhe um ritmo extra- / corporal? / Por que levantar o braço / para colher o fruto? / A máquina o fará por nós. / Por que labutar no campo, na cidade? / A máquina o fará por nós. / Por que pensar, imaginar?/ A máquina o fará por nós. / Por que fazer um poema? / A máquina o fará por nós. / Por que subir a escada de Jacó? / A máquina o fará por nós. / Ó máquina, orai por nós. Poema do poeta e jornalista, representante do grupo Verde-Amarelo do Modernismo, Cassiano Ricardo (1895-1974). Veja mais aqui.

EROS E CIVILIZAÇÃO – A obra Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud, do sociólogo e filosofo alemão pertencente à Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse (1898-1979), na primeira parte aborda sobre o domínio do princípio de realidade, a tendência oculta na psicanálise, o princípio do prazer e da realidade, repressão genética e individual, retorno d reprimido na civilização, racionalização da renúncia, civilização e carência, recordação de coisas passadas como veiculo de libertação, a ontogênese e origem do individuo reprimido, o aparelho mental como união dinâmica de opostos, estágios na teoria dos instintos de Freud, a natureza conservadora comum dos instintos primários, a possível supremacia do principio do Nirvana, Id, ego e supergo, a corporalização da psique, caráter reacionário do superego, avaliação da concepção básica de Freud, análise da interpretação da história na psicologia de Freud, distinção entre repressão e mais-repressão, trabalho alienado e o princípio de desempenho, organização da sexualidade, tabus sobre o prazer, organização dos instintos de destruição, dialética fatal da civilização, a filogênese e a origem da civilização repressiva, heramnça arcaica do ego individual, psicologia individual e grupal, a horda primordial, rebelião e restauração do domínio, conteúdo dual do sentimento de culpa, retorno do reprimido na religião, o malogro da revolução, mudanças nas imagens do pai e da mãe, a dialética da civilização, necessidade de defesa contra a destrução, a existência de sublimação, dessexualização, enfraquecimento de Eros e os instintos de vida, livberação da destrutividade, progresso em produtividade e dominação, controles intensificados na civilização industrial, declínio da luta com o pai, despersonalização do superego, contração do ego, alienação, desintegração do princípio de realidade estabelecido, interlúdio filosófico, a teoria da civilização de Freud na tradição da filosofia oriental, o ego como sujeito agressivo e transcendente, logos como lógica de dominação, o protesto filosófico contra a lógica de dominação, ser e devir, pernamencia versus transcendência, o erteno retorno em Aristótles, Hegel, Nietzsche e Eros como essência de ser. Na segunda parte, o autor trata além do princípio de realidade, os limites históriscos desse princípio, obsoletismos da carência de dominação, hipótese de um Novo Princípio de Realidade, a dinâmica instintiva do sentido da civilização não-repressiva, o problema de verificação da hipótese, fantasia e utopia, a fantasia versus razão, preservação do pasado arcaico, o valor de verdade da fantasia, a imagem da vida sem repressão nem ansiedade, possibilidade de liberdade autêntica em uma civilização madura, necessidade de uma redefinição de progresso, as imagens de Orfeu e Narciso, arquétipos de existência humana na civilização não-repressiva, Oferu e Narciso contra Prometeu, luta mitológica de Eros contra a tirania da razão, contra a morte, reconciliação do homem  e da natureza na cultura sensual, dimensão estética, a estética como ciência da sensualidade, reconciliação entre prazer e liberdade, instinto e moralidade, as teorias estéticas de Baumgarten, Kant e Schiller, elementos de uma cultura não-repressiva, transformação do trabalho em atividade lúdica, a transformação da sexualidade em Eros, a abolição da dominação, efeito sobre os instintos sexuais, auto-sublimação da sexualidade de Eros, sublimação repressiva versus livre sublimação, aproveitamento das relações sociais não repressivas, o trabalho como ação livre das faculdades humandas, a possibilidade relações libidinais de trabalho, Eros e Thanatos, a nova ideia de razão, racionalidade da gratificação, moralidade libidinal, a luta contra o fluxo de tempo, mudança na relação entre Eros e o instinto de morte e critica ao revisionismo neofreudiano. REFERÊNCIAS: MARCUSE, Herbert. Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. Veja mais aqui.

OS DESEJOS DE ISIS – Bom dia, meu amor... Perdoa essa mulher que ama você, vai,, por favor... mas não imagina o quanto sofri ultimamente... eu, eu sei, eu sei que acabo fazendo e falando besteira e reconheço, falei muitas. Perdoa e vamos fazer um novo recomeço pra gente, me perdoa... eu não sei viver sem você... deixa eu ficar com você, me ama, me queira, vem pra mim... meu amor, é a saudade imensa... Sim, sim,, saudade eu sinto demais, posso e quero escrever tudo o que eu conseguir na vida de saudade, de amor, de desejo por você... posso tudo isso, ontem quase enlouqueci de vez, tesão demais, amor da minha vida, você entrou de vez na minha vida, você é meu dono, dono de todas de mim, seja dono, faça de mim o que quiser, se me ama de verdade, vem e toma conta definitivamente do que é seu... vai, me perdôa... eu sou sua, jamais se esqueça disso, amor, paixão, tesão, por você, jamais faltarão em mim. Pode ter certeza disso,eu só preciso saber de você do seu amor, estou carente demais de você, a ponto de adoecer... preciso do seu carinho e desse seu caralho lindo, não imagina o quanto sua presença, seu amor, me faz falta... ah, seu caralho lindo, saudade de acaricia-lo, beijar, chupar, me foder, me lascar, você me montar, enfiá-lo na minha vagina toda arreganhada pra você enquanto eu grito que me fode todinha, depois me pegar de quatro e enfiá-lo duro delicioso no meu cu que é seu, vai fode meu rabo, sou sua rabuda, vai, fode tudo, tudo seu e quando não quiser mais, me pega como quiser, puxa meus cabelos e enfia esse pau gostoso na minha boca preu chupá-lo até você gozar na minha garganta e eu enlouqueceu que sua porra dentro de mim que eu quero, eu quero, eu queroooooooo, eu quero, vem fazer tudo o que nunca fiz na vida, fazer com você tudo... de tanto desespero, paixão e amor... vem pra mim, vem meu amor, depois de me foder todinha e do jeito que quiser, me fode de novo, vai, quero ser sacrificada, desmoralizada, sacaneada e tudo com esse seu pau duro em mim, me dando uma pisa, me fazendo doida por foda e pra ser fodida por você, vem meu amor, me dá tudo que tem por mim, se tem amor, me dê... eu preciso disso pra me renovar... é só o seu amor que me fará ficar bem, eu preciso é de você, sou sua puta, sou sua toda sua... te amo, te amo, como jamais amei na vida, eu te amo... te amo, te amo...te amooooooooooooooooo! Veja mais aqui.


Art by Simon Bisley.





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