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sexta-feira, agosto 19, 2016

BEAUMARCHAIS, ANA VIERA PEREIRA, AFONSO FONSECA, ANA CASCARDO, ANA MAIA NOBRE, HIROMOTO & LUCIAH

O SONHO DO AMOR - (Imagem, arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez). Oito horas da manhã e o sonho anunciava o amor: um golpe certeiro no deleite da paixão. Era cedo do dia, tarde na vida – não antes o flerte fugaz a se corporificar na efígie certificada. Bastaram oito segundos e um plenilúnio: quimeras, esperas, o remoto que explode rasgando trajeto. Era o amor de verdade: olhos candentes, fervores da carne – alvoradas na pele, desejos crepusculares. Oito minutos se passaram e singravam correntes, devaneios de nuvens, errâncias estelares. Oito horas e era Iaravi, seios de rosas, ventres de flores: o encontro dos ventos, caingang, caeté. Oito dias e era Freya com todos os meneios evanescentes da noite na escuridão desvelando a magia ubíqua do seu ser: era mais que a fumaça do mistério a se dissipar na revelação imanente. Oito semanas e fundia Freyaravi nas diuturnas fragrâncias de todos os quereres: perfumes de mar, incensos da alma. Oito meses e o mesmo frescor do primeiro instante a envolver desgarrados siameses mútuos que se eternizam no sonho do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Curtindo as músicas na interpretação da cantora, compositora, produtora e professora de canto Ana Cascardo.

PESQUISA
[...] Cumpre compreender a crítica fundamental ao idealismo, como pressuposto do privilégio da afirmação da vida, em sua espontaneidade original. Privilégio de sua vívida e intensa vivência, e de sua potência criativa. Da potência criativa do espírito de uma vida que experimenta, que tenta o inédito, e cria. Da potência do homem no sentido da auto-superação, e de criação do mundo e de si próprio. De sua capacidade de transformação, com galhardia, da fatalidade de uma simples condição de vítima do dado, e do pressuposto, à revelia do poder cri/ativo de seu ser-no-mundo. [...].
Trecho extraído da obra Para uma história da psicologia e da psicoterapia fenomenológico existencial – dita humanista, Gestalt – Abordagem rogeriana (Apontamentos/Pedang, 2006), do psicólogo, psicoterapeuta e facilitador de grupos Afonso Lisboa da Fonseca. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
Atrás dos óculos, via a vitrine vazia. Um ponto, o caos, a vista embaçada. Atrás dos óculos, via as lágrimas como pérolas escuras. Escorrem-lhe pelo rosto vincado e laceram-lhe a pele, numa abertura lenta de ruínas incandescentes por onde se esgueira a memória. Atrás dos óculos, via a fuga, com os olhos fechados até às comissuras dos lábios. Uma sentinela apagada no cimo do farol, a plena escuridão, o frio, o afogamento solitário. Atrás dos óculos, via a vergonha de não ver o óbvio, de perder as lentes e não entender, de procurar e não ver o sorriso de hiena no lábio fino, a alma esgarçada sem conseguir se ver inteira por dentro. Tudo aos pedaços, aos bocados. Atrás dos óculos, via um fio feito rio avolumado, as margens muitas que contêm nadas. Via o abismo de um si mesmo despreparado. Via as garras, o vento, a imundície da neve derretida à noite na calçada da cidade grande. Ao sair, muniu-se de ouro. Jurou a si mesma, diante do espelho que lhe cortava as ruas, preencher-se com o mais puro e valioso ouro, juntando os buracos até se fazerem tela. Nem o que lhe roubaram faria falta. Muito melhor ser inteira pela segunda vez do que nunca ter se sabido pedaços.
Atrás dos óculos, extraído do blog Das Ventanias, editado pela escritora, professora doutora em Literatura Comparada pela USP e coordenadora da QuintAventura, Ana Viera Pereira.

PENSAMENTO DO DIA: TOUT FINIT PAR DES CHANSONS

Qu’on l’opprime, Il peste, Il crie, / Il s’ agite em cent falons, / Tout finit dês chansons.
(Quando o oprimem, zanga-se, grita, / agita-se de mil maneiras, / mas tudo acaba em canções).
Trecho extraído da obra Le nozze di Figaro (As bodas de Fígaro - Zahar, 1991), do autor teatral francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732-1799), satirizando os costumes da época e a expressão foi dada pelo comediógrafo quando fez o personagem Briod’oison cantar, na cega-rega final da peça, a propósito do povo. Veja mais aqui, aqui & aqui.

IMAGEM DO DIA

A arte da premiada arquiteta, designer e artista visual Ana Maia Nobre.

Veja mais sobre Primeira Reunião: Amuleto, Haroldo de Campos, Sivuca, Émile Durkheim, Gustave Flaubert, Alda Garrido, Isabel Coixet, Gustave Caillebotte, Maria de Medeiros & J. Borges aqui.

DESTAQUE
A arte da pintora, designer, poeta visual, editora de Artes Visuais do Jornal Memai e especialista em Marketing e poéticas da arte contemporânea, Sandra Hiromoto. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 ao me despir do dia a minha pele de noite - reverbera e delira ao seu toque e a sua boca de brisa morna embriaga e me faz eterna e me transpira aromas e rimas indizíveis e desconexas e me recria em cada beijo e nos tornamos criaturas nuas cruas de pudores até nos perdermos em mais um gozo para sempre assim Freya e Odur
Nua, poema/imagem, arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



domingo, setembro 20, 2015

UPANIXADES, RÉGIO, AFONSO FONSECA, PEDRO ONOFRE, ZOLAN, TOQUINHO, PANORAMA & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PROGRAMA PANORAMA – Depois de haver apresentado o programa e zine Horagá, em parceria com Gilberto Melo, na Rádio Cultura dos Palmares, assumi o Departamento de Jornalismo da Rádio Quilombo dos Palmares FM, na qual realizava o noticiário de meia em meia hora em toda programação; apresentava, de segunda a sábado, o Grande Jornal Quilombo com a Crônica do Dia, às 7hs; a Tribuna do Povo ao meio dia e, aos domingos, das 14 às 17hs, o programa Panorama – o inventário da música universal. Nesse programa eu veiculava desde erudito, free jazz, rock progressivo e MPB, como também novos e novíssimos da música brasileira. Na sessão Destaque, sempre às 15hs, apresentava especiais com entrevistas, a exemplo de Milton Nascimento, Geraldo Azevedo, Ivan Lins, Alceu Valença, Djavan, Belchior, Marina, Nando Cordel, Beto Guedes, Rita Lee, entre outros, bem como especiais de música instrumental, como os de Heitor Villa-Lobos, Stravisnki, John Cage, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, John McLauglin, Yes, Elomar, Hélio Delmiro, além de shows como os de Félix Porfírio, Santanna O Cantador, Zé Ripe, Eliane Araújo, Marcos Catende e muitos tantos. Além de música, o programa também abria espaço para notícias e entrevistas das mais diversas vertentes artísticas, como a entrevista com o ator Francisco Milani e o escritor e advogado Paulo Cavalcanti, informando a respeito dos eventos culturais e artísticos da Região Mata Sul de Pernambuco e as atividades do Sindicato dos Radialistas de Pernambuco, onde eu desenvolvia as atividades de Diretor Regional, englobando emissoras locais, de Barreiros e Garanhuns. Na emissora pude reestruturar a programação para 24 horas no ar, na condição de Produtor Executivo, formatando toda a grade de programas e anúncios, permanecendo nessas atividades até 1991, quando publiquei o meu livro Paixão Legendária (Bagaço, 1991) e, posteriormente, a antologia Primeira Reunião (Bagaço, 1992). E veja mais aqui. 

 Imagem: Early Childhood, do pintor estadunidense Donald Zolan (1937-2009).


Curtindo o álbum Canção de todas as crianças (Polygram, 1987), do cantor e compositor Toquinho. Veja mais aqui e aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação da simpaticíssima Isis Corrêa Naves. Na programação: Olavo Bilac, Turma da Mônica, Turminha do Tio Marcelo, Tia Conça, Bananas de Pijamas, A turma do Seu Lobato, Paulo Zola & Francis Monteiro, Bob Zoom, Angelina Ballerina, Galinha Pintadinha, The Smurfs, Patati & Patatá, Moranguinho & muito mais pra garotada. No blog, Paulo Freire, Ludoterapia, as crianças e a mídia eletrônica e a função da família em Gestalt-terapia para crianças, entre outras dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e dos Adolescentes, Música, Teatro e Literatura. Para conferir o programa online e ao vivo clique aqui ou aqui.

GRUPO, SOCIEDADE DE CONSUMO E NECESSIDADES HUMANAS – O livro Grupo: fugacidade, ritmo e forma – processo de grupo e facilitação na psicologia humanista (Ágora, 1988) do psicólogo, psicoterapeita, professor e supervisor em programas de treinamento em psicoterapia, Afonso H. Lisboa da Fonseca, trata sobre a proposta do Grupo Vivencial, fugacidade, ritmo, forma, o trágico e o plástico na vivência grupal, toques sobre o processo de facilitação, a configuração de fragmentos, empatia, visibilidade e disciplina, controle da diferença ou pregnância da outridade, multiplificade, experienciação, intensidade e retorno, dimensões terapêuticas, grupo e pessoa, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Grupo, sociedade de consumo e necessidades humanas: [...] A sociedade de consumo, como toda formação social humana, possui características próprias que determinam uma estrutura peculiar de necessidades, tanto no que diz respeito a seus indivíduos quanto no que se refere à estruturação de seus segmentos e de sua cultural. O ponto-chave da determinação destas características peculiares da sociedade de consumo, da estrutura de necessidades de seus membros e de seus sistemas sociais é a esfera de produção: o que se produz, como e para quê. Sabemos todos – ou quase – que vivemos numa sociedade profundamente desumana. A normalidade em que vivemos é uma normalidade de desumanização, desumana e desumanizante. No extremo do espectro relativo aos economicamente pobres, a aniquilação do humano é naturalmente evidente. É aniquilação literal, fundada basicamente na aniquilação física do corpo – em última, mas não única instancia -, através da fome sistemática, ou seja, da insatisfação do limite biológico das necessidades, limites além do qual a vida humana é impossível. Mais afortunados, os consumidores podem vender no mercado a sua força de trabalho, a força do seu corpo. Vale dizer, num pacto, frequentemente de morte, com a produção alienada. Pacto necessário, que não lhes trata o crescimento humano, que lhes embotará a multiplicidade de suas capacidades e poderes de ação, mas que lhes assegurará, nos períodos de normalidade e enquanto tiver forças, o precioso salário para a manutenção de si e dos que são a reprodução de si e condição dela. [...] A necessidade humana realiza-se no processo de objetificação. Os objetos da necessidade guiam e dirigem o homem que nasce numa sociedade humana na formação de suas necessidades. Num sentido geral, as necessidades são abandonadas no mundo objetificado no curso de suas objetificações e as atividades objetificadoras produzem novas necessidades. [...]. Veja mais aqui e aqui.

A ESSÊNCIA SUTIL – O livro Upanixades (Cultrix, 1962), faz parte das escrituras Shruti hindus, que discutem principalmente meditação e filosofia, e que são consideradas pela maioria das escolas do hinduísmo como instruções religiosas. Datam de uma época antes a Buda e que poderiam ser traduzidos por Aproximações Especulativas, compreendendo comentários, também sagrados, e tomando por base os textos védicos, que procuram dar uma fórmula suscetível de abranger a multiplicidade de fenômenos e relações entre o homem e o cósmico. Da obra destaco o trecho A essência sutil, traduzido por Fernando Correia da Silva: Meu filho, assim como as abelhas fazem o mel recolhendo as seivas de árvores distantes e reduzindo-as a uma só forma; e assim como essas seivas não se diferenciam, nem poderiam dizer eu sou a seiva desta ou daquela arvore, assim também, meu filho, todas estas criaturas, uma vez submegidas no Verdadeiro, (quer na morte, quer no sono), não sabem que estão submersas no Verdadeiro. Sejam o que forem estas criaturas, quando neste mundo, sejam leões ou lobos, javalis ou vermes, insetos, moscas, ou mosquitos, isso mesmo voltarão a ser outras e outras vezes. E aquilo que constitui a essência sutil, aquilo que em tudo o que existe tem a sua própria essência é o Verdadeiro, é o Ser. E tuo, ó Esvetaketu, és esse ser. E o filho disse: - Eu vos rogo, Senhor, dizei ainda. – Que assim seja -, respondeu o pai. Vê os rios, meu filho, alguns, como o Ganges, correm para leste, outros, como o Indo, correm pro oeste. Vão de mar a mar. E em verdade tornam-se o mar. E assim como esses rios, quando já no mar, não podem saber se são este ou aquele rio. Assim também todas as crituras, quando voltam ao Verdadeiro, ignoram que dele vieram. Sejam o que forem essas criaturas, quando neste mundo, sejam leões ou lobos, javalis ou vermes, insetos, moscas ou mosquitos, isso mesmo voltarão a ser outras e outras vezes. E aquilo que constitui a essência sutil, aquilo em que tudo existe tem a sua própria essência, é o Verdadeiro, é o Ser. E tu, ó Esvetaketu, és esse Ser. E o filho disse: - Eu vos rogo, Senhor, dizei ainda. – Que assim seja -, respondeu o pai. Se alguém fendesse a raz desta velha árvore, a raiz sangraria, mas não deixaria de viver. Se fendesse o seu tronco, sangraria também, mas continuaria a viver. Se rachasse sua fronde, sangraria e viveria ainda. Inteiramente penetrada pelo Ser vital, esta árvore se mantem firme e nele bebe o seu alimento e o seu regozijo. Nas se o Ser vital abandonar um de seus galhos, o galho murchará; se abandonar um segundo galho, fenecerá também; se abandonar um terceiro, fenecerá ainda. E se abandona toda a arvore, toda a árvore perecerá. Do mesmo modo, meu filho é preciso que saibas que assim ele falou: Em verdade este corpo perece quando abandonada pelo Ser vital; mas este ser vital não morre. E aquilo que constitui a essência sutil, aquilo que em tudo o que existe tem a sua própria essência é o Verdadeiro, é o Ser. E tu, ó Esvetaketu, és esse ser. E o filho disse: - Eu vos rogo, Senhor, dizei ainda. – Que assim seja -, respondeu o pai. Vá buscar-me um fruto da árvore de niagroga. Aqui está um, Senhor. Quebra-o. Está quebrado, Senhor. O que vês nele? Vejo as sementes, quase infinitesimais. Quebra uma delas. Está quebrada, Senhor. Que vês nela? Nada, Senhor. E o pai disse: - É dessa essência sutil que não podes vez, é dessa essência, em verdade, que é feita a existência desta grande árvore de niagroda. Acredita, meu filho. E aquilo que constitui a essência sutil, aquilo que em tudo o que existe tem a sua própria essência é o Verdadeiro, é o Ser. E tu, ó Esvetaketu, és esse ser. E o filho disse: - Eu vos rogo, Senhor, dizei ainda. – Que assim seja -, respondeu o pai. Põe este sal na água e vem a mim pela manhã. O filho obedeceu. E o pai ordenou: - Traze-me o sal que puseste na água a noite passada. Mas o filho, tendo procurado o sal, não o encontra porque se dissolvera. E o pai disse: - Prova a superfície da água. Que gosto tem? É salgada, respondeu o filho. Mais uma vez, o pai ordenou: - Prova a água do fundo, que gosto tem? É salgada, respondeu o filho. E disse o pai: Joga-a fora e volta a mim. O filho assim fez; mas o sal existirá para sempre. Então o pai lhe disse: - Neste corpo também, em verdade, não podes perceber o Verdadeiro. Mas eu te digo, aqui está. E aquilo que constitui a essência sutil, aquilo que em tudo o que existe tem a sua própria essência é o Verdadeiro, é o Ser. E tudo, ó Esvetaketu, és esse ser. E o filho disse: - Eu vos rogo, Senhor, dizei ainda. – Que assim seja -, respondeu o pai. Veja mais aqui e aqui.

O DIÁRIO & NARCISO - No livro Antologia de José Régio (Nova Fronteira, 1985), reúne a poesia do escritor, dramaturgo, ensaísta e critico português José Régio (1901-1969), do qual destaco dois poemas do seu Poema de Deus e do Diabo, o primeiro deles O diário: Tinha um diário aonde ia escrevendo, Dia a dia, a agonia dos meus dias:/ Era um romance tremendo, / Dilacerado de piedade e de ironias./ Todas as noites escrevia nele / Quando voltava lá de baixo, lá do mundo, / Enquanto, na parede, um Cristo imbele / Caía moribundo. / Um brandão quase verde dava luz... / Parecia que alguém ia morrer. / E eu, realmente, em frente da agonia de Jesus, / Agonizava horas e horas, a escrever. / Tudo que a gente sente, ou pensa, e não confessa, / Tudo que só na escuridão a gente sonha, / O escrevia, com suor frio na cabeça, / E lágrimas no rosto incendiado de vergonha! / Assim eu descobrira o meio de exercer, / Continuando entre vós, sem me desmascarar, / Todas as faculdades do meu ser: / Infâmias e virtudes que não ouso revelar... / E, quando, enfim, me abandonava, exangue, / Sobre o meu leito, a olhar o Cristo moribundo, / Gozava sonhos de oiro com relâmpagos de sangue / E em que descia em mim até ao fundo. / Era assim que sabia possuir / Toda a minha Grandeza e toda a minha Corrupção. / Mentia-vos depois? Ah! o gosto de mentir / Com a verdade na mão! / Ora um dia (era um dia extraordinário), / Procurando escrever como nos outros dias, / Nada pude escrever, e pus-me a ler o meu diário: / Cheguei ao fim, tinha as mãos lívidas e frias! / Que o meu olhar, agora cristalino, / Vira que, nessas páginas, tudo era mentiroso: / Porque tudo o que em mim é só abjecto ou pequenino, / Lá surgia dramático, e, por isso, grandioso. / Sim, todos esses crimes e heroísmos só sonhados, / Todo esse mundo íntimo − era meu! / Mas o vulto que unia esses bocados, / Esse, ó poder do Artista! era maior do que eu. / E eu vi como não era a posse da Verdade, / Nem a libertação de quem se expande, / O que pedia ao meu diário... mas vaidade / De até no aviltamento me ver grande! / Ergui, então, o meu diário à luz verde-amarela... / Por um momento só, no quarto houve mais luz... / E todo o resto dessa noite horrenda e bela / Chorei, torcendo as mãos em frente de Jesus. Também o seu belíssimo poema Narciso: Dentro de mim me quis eu ver. Tremia, / Dobrado em dois sobre o meu próprio poço... / Ah, que terrível face e que arcabouço / Este meu corpo lânguido escondia! / Ó boca tumular, cerrada e fria, / Cujo silêncio esfíngico bem ouço! / Ó lindos olhos sôfregos, de moço, / Numa fronte a suar melancolia! / Assim me desejei nestas imagens. / Meus poemas requintados e selvagens, / O meu Desejo os sulca de vermelho: / Que eu vivo à espera dessa noite estranha, / Noite de amor em que me goze e tenha, / ...Lá no fundo do poço em que me espelho! E veja mais aqui.

COMPLEXOS – Na peça premiada teatral de três atos Complexos (IECPS, 1997), do advogado, escritor, jornalista, cineasta e administrador cultural alagoano, Pedro Onofre, escrita em 1956 e encenada no mesmo com a participação da inovidavel atriz e diretora de teatro Linda Mascarenhas, destaco o trecho inicial do Primeiro Ato: A cena representa a sala de estar de belo palacete, que se estende por todo o primeiro plano. No segundo plano está siatuado o atelier de pintura, dependência da mesma residência. À esquerda, amplo janelão de vidro mostra o jardim, com suas flores e plantas ornamentais. As paredes, pintadas de clássicos desenhos, emprestam ao ambiente, um toque de austeridade. Compõe o centro da sala, um jogo de cadeiras de alto espaldar. Estante cheia de livros eleva-se ao lado do janelão. O piso sobre em novo patamar, no meio do qual imponente escadaria conduz aos compartimentos privativos. À direita baixa, localiza-se a entrada principal. Na parede de fundo, próximo à escadaria, belo quadro a óleo se ressalta em luxuosa moldura dourada. Rico lustre pende do teto. Pelo janelão de vidro, a luz do dia se projeta sobre confortável poltrona onde Helena está sentada, lendo um livro. Vez por outra, fecha-a para consultar o grande relógio da parede, ao lado da porta principal. Em dado momento, a mulher joga o livro sobre a mesinha, próxima dela, e exclama num desabafo: HELENA (38 anos, elegante e muito bonita. Está tensa, revelando sinais de profundo nervosismo) Quando terei paz, meu Deus! Quando! (A porta principal abre-se e, por ela, entra Paulo Henrique. Ao vê-lo, Helena corre ao encontro dele. Ajuda-o a retirar o sobretudo). PAULO: (alto, elegante, doze anos mais jovem que Helena. Beija-a) Você está bem? HELENA: (quase num sussurro). Por que não veio para o almoço? PAULO (dirigindo-se ao bar) Compromissos! Simplesmente não pude. HELENA (insistindo) Que compromissos? Paulo (servindo-se de um drinque) Encontrei-me com amigos... HELENA (com desdém). Amigo! (Pausa) Podia ter telefonado! Sabia que eu o esperava! PAULO (senta-se. Sorve descontraidamente a bebida). Não é a primeira vez que almoço fora de casa! HELENA: Por isso mesmo! PAULO: Não somos siameses, Helena! Precisamos, às vezes, ficar sozinhos! Ver o mundo fora do restrito universo que nos sufoca! HELENA: Está cansado de mim! PAULO: Não é isso. HELENA: No começo fazia questão da minha companhia em todos os momentos! Eu preenchia a sua vida (Transição). Era o que você me dizia! PAULO: Nada mudou! Só que você não era tão possessiva! Trata-me como se eu fosse uma criança! Não sou seu filho, Helena! Sou seu marido! [...] Veja mais aqui e aqui.

NANNY MCPHEE – O filme Nanny McPhee (A babá encantada, 2005), dirigido pelo cineasta britânico Kirk Jones, é uma adaptação do livro Nurse Matilda, da escritora britânica Christianna Brand (1907-1988), contando a história de um viúvo que trabalha numa funerária e possui sete filhos que são pra lá de malcriadas e o pai já contratara inúmeras babás que abandonam o posto, recusando-se a tratar de crianças peraltas. Eis que um dia a tia de sua falecida esposa ameaça cortar sua mesada caso ele não se case em um mês e resolva os problemas dos filhos, ao que os filhos descobrem que terão uma madrasta e tudo começa a ficar insustentável, até que depois da demissão da 17ª babá, aparece a babá McPhee que vai botar jeito na turminha. O filme é encantador e o destaque fica por conta da premiada atriz e roteirista Emma Thompson. O filme é encantador e, ao mesmo tempo, muito engraçado, dando conta do domínio mágico de uma babá que coloca uns tantos pestinhas na linha, afora as trapalhadas da trama que envolve o pai viúvo e a necessidade de contrair novas núpcias para cuidar dos filhos. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da eterna Miss Brasil (1954) e rainha da beleza brasileira Martha Rocha.

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, com a reprise de toda programação da semana, a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...