Terça-feira, Dezembro 22, 2009

O PARTORIL DE PONTA DE RUA DO DORO




Luiz Alberto Machado


Ah! Vocês nem queiram saber! Arreparem só, que despropósito!
Depois de muito cavucar o ano todo e pelejar demais na vida, Doro, que não se emenda, teve uma idéia, pode?
Ih, isso para mim é bronca certa! E das grandes! Pode esperar o bafafá que o negócio é fogo na roupa!
Verdade. Nunca vi sujeito de neurônios tão tresloucados: quando pensa, peida; quando fala, caga. Um meladeiro sem fim. Mas vamos nessa.
Aproveitando da visita que a Marcialita fizera à sua casa materna, deixando o sujeitinho sujo mais solto que cabrito no roçado, só refinando as habilidades para aprontar mais uma das suas, ele deu asas à imaginação.
E foi mesmo: o negócio se agigantou no tino dele. E como! Só faltou se estuporar de tão grandiosa. Mas vamos lá.
Como se aproximava dos festejos natalinos, a coisa maquinada tomou corpo no seu intento. Já via tudo pronto: tablado colorido, pastorinhas boazudas, Diana gostosa, muita dança, movimento e munganga das boas.
Quando o espetáculo tomou forma dentro do seu gosto troncho e duvidoso, ele saiu boatando que se prestava a fazer um presépio em homenagem ao nascimento do nosso senhor Jesusisinho, só faltando as pastorinhas para engalanar seu projeto.
Só faltava isso? Ôxe, num faltou pai de família decente que não encaminhasse até o recinto da seleção todas as suas filhas para compartilhar de evento tão sagrado.
Verdade, repito, o negócio tomou vulto mesmo.
Foi gente de fugir pelo ladrão. E ele só se deleitando da coisa boa: nunca vira tanta mulher na vida de uma vez só. E ali, bem pertinho dele, só pro seu reinado.
De chapa ele dispensava todas as barangas, trubufus e mocréias. Nem catraias queria. Só beldades reboculosas mesmo. E saiu escolhendo a dedo a mestra do cordão encarnado, a contramestra do cordão azul, a Estrela D´Alva, a Estrela de Belém, as pastorinhas, nada de anjos ou borboletas que isso, segundo ele, é coisa de baitola.
No meio delas apareceu uma mais espalhafatosa. Doro esbugalhou-se porque a dita cuja, realmente, chamava atenção: bunduda, jeitosona, pernuda, espaçosa e com uma língua, nossa, que ela estirava tremulando entre os lábios, nem camaleão! Animou-se todo Doro e já deu por certo como a Diana.
A empolgação foi tão grande que ele prometeu mundos e fundos e, até, uma apresentação pro bispo defronte da matriz.
Ôxe, aí é que foi a maior das satisfações para toda banda. E tome ensaio pra cima e pra baixo, ele organizando tudo, adaptando sutilmente do sagrado para o profano mais cabeludo da paróquia.
A cada ensaio, quanto maior a intimidade se estreitava dele no meio de meio mundo de mulher, mas ele tornava a coisa mais sem-vergonha, a ponto de conseguir convencê-las a usarem fio dental, sutiãs menores que o número do busto, saínhas curtíssimas de deixar tudo de fora, meio mundo de presepada para causar a maior sedução.
E contava com irrestrito apoio: tudo isso capitaneado pela mais corajosa de todas, que era a Diana, que além de aprovar tudo e aceitar no ato todas as invencionices dele, já sugeria até, no final, um streep-tease geral fuderoso de deixar os neguinhos cristãos de queixo caído. E Doro solto na buraqueira e todo ancho, parecia mais que havia sido eleito presidente da república. Tudo bão demaiiiiis!!!
Às vésperas, tudo nos conformes, estava marcado o ensaio geral, ao que as participantes convidaram os pais para ver.
Doro não sabia e ensaiava as piadas pornográficas, as caçonetas picantes, o andamento da coisa com leilão de beijos, abraços, sarros, pegadas, trepadas até, isso no final, sortear mediante pagamento vultoso, a xoxota de uma, a chupada de outra, o cu da maior, a trepada na menor e assim por diante.
O negócio ia bem, até que quando chegou a hora do leilão, os pais, até então escondidos atrás do muro do quintal, partiram pra cima querendo uns participar daquela putaria, enquanto outros fulos da vida queriam acabar embaixo do maior quebra-pau.
Resultado: não houve entendimento e não sobrou nada em pé ao redor.
Não deu outra: era uma vez.
Ao término do buruçu só sobrou de mesmo, a Diana e o Doro.
Como para ele fudido por um, fudido por mil, Doro sapecou converseira macha prá cima da ditosa.
Ôxe, ela se salientando, se ajeitando, se dismilinguindo e ele tome a sapecar beijos, abraços e apalpadelas. O xambrego pegou fogo.
Agarrados na maior sem-cerimônia. E tome esfregamentos, impados, reboculejos e sassaricados.
Na hora do vamos ver, ih, a coisa empenou. Ela se dizendo virgem, não queria deixar o Doro se enfiar na sua donzelice.
Ih, entornou o caldo!
Ele foi pra lá, foi pra cá, enervou-se e, depois de horas confabulando, entraram num acordo: a moça deixou que ele esfolasse o pingulim no catimbofá dela. Menos mal, quem não tem cheba azeitada, faz feira geral no caneco da pinica.
Foi aí que ele cuspiu no pau e reparou o alvo da vítima em decúbito ventral, com a popa da bunda empinada para cima. Um colosso.
Quando se apronta para tascar a pontaria na caçapa dela, Doro sente que algo estranho está ocorrendo.
Ele não acredita.
Espreme os olhos e se certifica.
Nossa! Aquilo não era um pinguelo, era um pitocão maior que o dele mesmo.
Aí berrou: viado!!! Isso é sacanagem, viado!
Nessa hora Marcialita adentra com a bruguelada e flagra aquela cena indecorosa: Doro furioso com o seboso na mão se apontando para enfiar-se no pirôbo jeitoso de quatro.
Aí é que ao invés de natal, deu-se, foi no fim de tudo, um verdadeiro carnaval. Nem queiram saber do frevo.


Confira mais:
Os clipes I e II com A ARTE DE LUIZ ALBERTO MACHADO, O Natal de Popó, CRÔNICAS NATALINAS e As previsões do Doro para 2010

E mais:
NITOLINO NO REINO ENCANTADO DE TODAS AS COISAS
EVENTOS COM PARTICIPAÇÕES DE LUIZ ALBERTO MACHADO
BRINCARTE KIT LIVROS-CDS e BRINCARTE KIT FESTA
FREVO PELA CIDADANIA NA ESCOLA
PALESTRA: CIDADANIA & MEIO AMBIENTE
CURSO: FAÇA SEU TCC SEM TRAUMAS
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Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

CRIMINALIDADE NO CONGRESSO NACIONAL




A AMARRIBO se junta a Transparência Brasil em seu manifesto solicitando que o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União tomem as providências necessárias para coibir, investigar e punir os crimes que vem sendo praticados nas Casas do Congresso Nacional, pois a permanência da atual situação é uma grave ameaça à nossa democracia.
O cidadão brasileiro vê na inércia dos poderes constituídos, que têm a função de investigar e punir os culpados, uma comprometedora conivência com aqueles que querem fazer do Congresso uma casa de irresponsáveis pelos desmandos que tem sido cometidos.
Ante esses fatos, até entendemos porque o Congresso não quer adotar a Lei da ficha limpa, pois se adotada, como divulgado pela imprensa, mais de 90% dos seus membros atuais não poderia se candidatar. E também entendemos porque alguns parlamentares vem fazendo diversas tentativas de afrouxar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei das Licitações e a de Improbidade Administrativa, que constituem os poucos avanços que a sociedade organizada conseguiu e, aqueles que buscam a impunidade querem mudar.
Nunca se viu nesse país a defesa tão aberta e escancarada do peculato, do favorecimento, do nepotismo, e da utilização das instituições do Estado em benefício próprio. Infelizmente uma minoria dos brasileiros enxerga a trilha estreita que estamos seguindo, que pode levar democracias aparentemente consolidadas da América Latina, desfiguradas pela corrupção, caminharem para um retrocesso secular.
É estarrecedor que a censura prévia à imprensa retorne ao país não pelas mãos de um ditador solitário, mas sim de forma localizada e dirigida, pela instituição que deveria proteger a Constituição e zelar pela liberdade de imprensa. É mais estarrecedor ainda que a censura prévia tenha sido utilizada para proteger pessoas que feriram a lei.
Conclamamos portanto, as instituições que tem o poder constitucional de zelar pela coisa pública no ambito federal, que é o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União para que exerçam com coragem o seu dever institucional de investigar e propor ações para que eventuais criminosos, mesmo que travestidos de representantes do povo, sejam punidos.
O exemplo vem de cima, portanto o que acontece nas Casas do Congresso serve de exemplo para as Assembléias Legislativas, e para as Câmaras dos Vereadores. Os padrões de desmandos praticados no Congresso se repetem em todas essas entidades. Conclamamos os Ministérios Públicos Estaduais e os Tribunais de Contas Estaduais a tomarem a mesma atitude corajosa de investigar e propor ações contra os dilapidadores do patrimônio público e da democracia. Traidores da pátria que se utilizam dos recursos públicos para se locupletarem, não se importando com o futuro do país.
A AMARRIBO conclama ainda todas as entidades de defesa da cidadania e de promoção da probidade que se manifestem aos órgãos acima mencionados, e que utilizem todos os meios democráticos para demonstrarem a sua indignação com o estado de coisas que estamos vivenciando. O Brasil está doente, e precisa de remédio adequado para se curar.
Ribeirão Bonito, 7 de novembro de 2009. A rede AMARRIBO é composta por 186 organizações.

Criminalidade no Congresso Nacional configura crise das instituições
A Transparência Brasil vem a público para exigir do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União providências em relação aos escândalos que se sucedem nas duas Casas do Congresso Nacional sem que essas instituições respondam à altura.
Observa-se a inércia dessas Casas legislativas no que tange a tomada de medidas convincentes para investigar os suspeitos, punir os culpados e, mais importante, tomar as medidas preventivas destinadas a evitar a reprodução da criminalidade documentada.
Tal inércia, aliada ao cinismo das explicações e subterfúgios empregados não só pelos principais suspeitos, mas pelas próprias Mesas Diretoras das Casas, precipitou o Parlamento num abismo de desprestígio junto à população.
Ainda que de modo difuso e de difícil mensuração, é evidente que o eleitor brasileiro está perdendo a confiança no Legislativo, nos partidos políticos e no próprio princípio de representação eleitoral.
A legitimidade dos organismos do Estado passa a ser duvidada e mesmo contestada pela população.
Os exemplos de malfeitorias cometidas por deputados, senadores e funcionários, bem como por deputados estaduais e vereadores de todo o país, desgastam a confiança do público em relação às instituições parlamentares. É crescente a quantidade de pessoas que se perguntam para quê elas existem e para quê votar.
Tal erosão de confiança não se limita ao Parlamento. Na medida em que os organismos de controle se comportam timidamente em relação ao verdadeiro gangsterismo que se tem espraiado pelo Legislativo brasileiro, o descrédito da população se estende também a tais organismos.
O que isso configura é a materialização de uma crise institucional.
Só existe uma saída institucional para isso, e ela é de responsabilidade do Judiciário e seus órgãos auxiliares, em primeiro lugar o Ministério Público.
Seria ocioso listar todos os atos ilícitos praticados por parlamentares que têm vindo a público e que têm sido escamoteados pelas instituições legislativas.
Para mencionar apenas dois dos escândalos que foram noticiados nos últimos meses, deputados e senadores usaram dinheiro público para adquirir passagens aéreas para parentes e apaniguados; ao longo de anos, o Senado conviveu com mecanismos ilegais de contratação, promoção e atribuição de benefícios a funcionários, senadores, ex-senadores e pessoas indicadas por estes.
É a seguinte a lista dos crimes previstos no Código Penal de que parlamentares e funcionários dessas Casas são suspeitos, em alguns casos in totum: Peculato (Art. 312); Peculato mediante erro de outrem (Art. 313); Inserção de dados falsos em sistema de informação (Art. 313-A); Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações (Art. 313-B); Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento (Art. 314); Emprego irregular de verbas ou rendas públicas (Art. 315); Corrupção passiva (Art. 317); Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado (Art. 324).
Ou seja, suspeita-se de que os atos de grandes quantidades de parlamentares e de funcionários do Senado e da Câmara sejam capituláveis na virtual totalidade dos artigos do Título XI, Capítulo I do Código Penal, que trata dos crimes contra a administração pública praticados por agentes públicos.
Frente a isso, tanto no caso da Câmara quanto no do Senado, em vez de buscar o ressarcimento dos montantes desviados e a abertura de processos contra os parlamentares envolvidos, as respectivas Mesas Diretoras apressaram-se a inocentar em bloco os envolvidos.
Nos dois casos, fizeram-no com base em argumentos pseudo-jurídicos que não resistem à primeira análise. A saber, na Câmara dos Deputados alegou-se que seriam lícitos comportamentos praticados porque não havia proibição específica – quando, para agentes públicos (como é o caso de deputados federais e senadores), o que vale é a regra oposta, de que só se podem praticar atos explicitamente admitidos. Usar dinheiro público para pagar passagens de terceiros nunca foi admitido e, portanto, os parlamentares que fizeram isso cometeram ilegalidades pelas quais precisam ser punidos.
No segundo caso, do Senado, argumentou-se que atos secretas não poderiam ter sido secretos porque as pessoas beneficiadas trabalharam no Senado apesar de sua contratação, promoção etc. não terem sido publicadas.
Ou seja, tenta-se legalizar o ilegal usando-se como pretexto a materialização da consequência do ato ilegal. É como legalizar o assassinato porque, embora proibido por lei, pessoas cometem assassinatos.
Ao acobertarem ilicitudes cometidas por parlamentares e funcionários, os integrantes das Mesas Diretoras das duas Casas, bem como os membros de suas respectivas Corregedorias e Comissões de Ética, tornaram-se suspeitos de cumplicidade, ou no mínimo daquilo que é definido no Código Penal como Condescendência criminosa (art. 320) ou mesmo Prevaricação (Art. 319).
Cabe aos órgãos de controle o papel de restaurar a confiança bas instituições abalada pela complacência com que o Legislativo tem tratado essas e outras questões. Podem fazê-lo pelo simples cumprimento de suas funções constitucionais.
Assim, a Transparência Brasil dirige ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União, conforme suas competências, intervenções no sentido de:
Ao Ministério Público Federal, que tome providências para a abertura de inquérito contra todos os deputados e senadores que se beneficiaram direta ou indiretamente dos atos em questão, contra os integrantes atuais e passados das Mesas Diretoras de ambas as Casas, contra os integrantes das respectivas Corregedorias e Comissões de Ética e contra todos os funcionários suspeitos de irregularidades.
Ao Tribunal de Contas da União, que abra Tomadas de Contas Especiais tendo por objeto os organismos da Câmara dos Deputados e do Senado no âmbito dos quais as ilicitudes suspeitas foram cometidas bem como os gabinetes de todos os deputados e senadores beneficiados direta ou indiretamente.
São Paulo, 6 de julho de 2009
Fonte: Site Transparência Brasil

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Veja como é que é a corrupção no Brasil e uma perguntinha que não quer calar: você ainda vai pra Caixa Economica Federal, vai?

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