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sábado, setembro 03, 2016

BLAKE, MIGNONE, JOANA DE MENEZES, ASSIS BRASIL, THOMAS SALIOT, MANGUABA & GENESIO CAVALCANTI

BRINCANDO COM A GAROTADA – Era início dos anos 1980 quando a gente resolveu lançar a revista A Região que, mais tarde, culminaria com o nascimento do Movimento de Apoio Cultural Edições Bagaço, doravante denominada apenas de Edições Bagaço. O primeiro lançamento da editora foi o livro infantil Valente Galozé, da saudosa escritoramiga Elita Afonso Ferreira, quando recebi a incumbência de apresentar o projeto editorial. Feito isso, outro encargo: adaptar o texto da Elita para teatro infantil. Assim fiz, arregimentei um pessoal da área, preparei outros que levavam jeito e mandamos ver, até que em todos os futuros lançamentos infantis, tanto da autora como da editora, procedi com adaptações para o teatro infantil. Isso até eu lançar o meu primeiro infantil dez anos depois, o Reino encantado de todas as coisas (Bagaço, 1992). Depois disso, fui pra Maceió e lancei o meu segundo livro infantil Falange, falanginha, falangeta (Nascente, 1995) que foi adotado em diversas escolas proporcionando que eu começasse a fazer atividades de recreação com a garotada nos mais diversos educandários no estado alagoano e, depois, em outros do nordeste, embalados pela canção tema do livro Criança. Tal fato me levou a criar o Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil que, apesar de trabalhar maciçamente nas escolas de todo estado e contar com o apoio estupendo da imprensa escrita, falada e televisada na divulgação diária, essa primeira edição foi um fiasco. As escolas não manifestaram o menor interesse em participar da premiação, resultando na edição da antologia Brincarte num volume bem fininho. Para salvar o evento e dar uma retomada forte, lancei a antologia com o trabalho da garotada, juntamente com o meu terceiro livro infantil O lobisomem zonzo (Nascente, 1998) que foi um sucesso editorial, esgotando a edição de mil exemplares em menos de um mês, graças a capa página inteira do Caderno B da Gazeta de Alagoas e o destaque dado pela jornalista Gal Monteiro, no O Jornal, e Claudio Lins na Tribuna de Alagoas, bem como a edição especial que fiz do tabloide Nascente com o evento. Tal fato deu sustança para que eu retomasse tudo e peitasse o II Prêmio Nascente de Arte Infanto-Juvenil, lançando a segunda antologia Brincarte bem mais robusta, contando com apresentação de Mauricio de Souza & Turma da Mônica e, também, do saudoso escritor e jornalista Artur da Távola. O lançamento foi uma grandiosa festa, contando a edição com trabalhos de crianças de diversos estados brasileiros e, também, com o lançamento do meu quarto livro infantil, O cravo e a rosa (Nascente, 1999), que era uma brincadeira de literatura de cordel com a meninada, e, também, A Jangadinha Lenira, do poeta Ari Lins Pedrosa. Parti, então, para a terceira edição, contudo, dois fatos fadaram a empreitada ao insucesso. A primeira, os dobrados esforços para romper com a indiferença das escolas alagoanas, fato que foi atropelado exatamente pela segunda causa do fracasso: a maxidesvalorização do Real que elevou dramaticamente os custos, inviabilizando o projeto. Resultado, o meu selo Nascente desceu pelo ralo, me vi na mais completa bancarrota e sem horizonte algum para levar para frente um projeto editorial que já contava com a publicação de livros de escritores do quilate de Luiz Berto, Arriete Vilela, entre outros. Lição aprendida e espírito renovado, mantive a determinação de trabalhar artisticamente com as crianças – Brincar com Arte -, proporcionando, anos depois, o nascimento do meu personagem infantil, o Nitolino. Mas isso é outra história, depois conto. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui. 

Curtindo os álbuns – cd/dvd - da pianista Maria Josephina Mignone em duo com o pianista, regente e compositor erudito Francisco Mignone (1897-1986). Veja mais aqui.

PESQUISA: CAGALUME, VAGALUME & PIRILAMPO
Será possível, senhores, que em um tão gentil, tão belo, e tão nobre inseto, continue a injustiça de um nome, que com feridos acentos, inculca latrinas, e cloacas?
Ao inseto luminoso, ou pirilampo, trecho do soneto da poeta portuguesa Joana de Menezes, Condessa de Ericeira, extraído da obra Prosas acadêmicas – Prosas portuguesas (1728), do padre Rafael Bluteau, que inventou o nome pirilampo para o cagalume ou cagafogo. O padre se queixava de que esse inseto que era denominado de cincidela pelos latinos, lampyris pelos gregos, ver luisant pelos franceses e lucienega pelos espanhóis, somente entre os portugueses recebia nome tão imundo, propondo a substituição para a palavra anagramática pirilampo, com base no grego, à Academia Real, ou de vagolume ou fuzilete, não aceitos juntamente com noiteluz e bicho-luzente. Ocorre, porém, que popularmente ocorreu a alteração para vagalume.

LEITURA 
[...] Uma alegre prostituta de olhos transparentes de luz, envolta num pano à romana, alvo, com borlas e franjas. À mostra ficavam os ombros de uma carnação firme, curva e saudável. Os cabelos negros, separados ao meio, eram as asas esvoaçantes da Vitória de Samotrária. Ao pé do retrato, um cartão: L’Artrice Sarah Bernhardt. Proto de Nadar. [...].
Trecho extraído da obra O pintor de retratos (L&PM, 2001), do escritor e professor universitário Luiz Antonio de Assis Brasil.

PENSAMENTO DO DIA: A REAL IMAGEM DO HOMEM
Tem coração humano a maldade, / e o ciúme rouba-lhe a face. / O terror possui forma de gente, e a morte, trajes de homem. / As vestimentas humanas são de ferro, / e, em forja manufaturada sua forma. / A face humana, uma fornalha fechada, / e o coração, a sua garganta faminta.
A real imagem do homem, extraído da obra Canções da inocência e da experiência (Bagaço, 1987), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827), tradução e prefácio do poeta Antonio de Campos. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA; 
Lagoa Manguaba – Alagoas (Foto LAM, 2016). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre A poesia de Raízes & Frutos, Eduardo Galeano, Aldir Blanc, Gisele Fróes, Lina Wertmüller, Francisco Mignone, A fenomenologia do espírito de Hegel, Augustus Edwin John & Diana de Poitiers aqui.

E mais: Horácio, Christa Wolf, Cassandra Wilson, Woody Allen, Milena Moraes, Sophia Loren, Cassandra Peterson, Ísis Nefelibata, Fidelia Cassandra, Doro & Fecamepa aqui.

DESTAQUE - TEMPO DE AMAR: O POETA E A MUSA
Toda canção de amor é um convite para a realização do amar. Todo poema de amor é a expressão de quem é capaz de amar. Assim, todo poema e toda canção que se dedica a tratar de quem ama a pessoa amada, traduz a revelação de que o sentimento mais belo do ser humano é o amor. Logo, por conta dessa nobre legitimidade, trata-se de uma obra de arte para lá de válida e por duas razões simples: primeiro, pelo merecimento da pessoa amada; de outro, pelo desprendimento de quem ama. No caso deste livro, as razões se duplicam. E isso por uma outra simplíssima razão: conheço de perto ambas as partes: a musa amada, o poeta amante. Da pessoa amada guardo a estima e parentesco das melhores lembranças desde o convívio da infância, quando privei com minhas arteirices do aconchego de todos da casa de Carma e Pai Lula, pessoas do meu coração. Do poeta amante, menino de pais adoráveis que se dividia entre as horas de casa e as carreiras das ruas. Crescemos e convivemos juntos todas as festas do ano. E vi do namoro bobo de adolescente, até a firmeza de casal de então: filhos crescidos, vida em evolução. A partir disso – e não só -, este livro é uma canção de amor, um extenso poema de amor. É um livro que em suas duas partes, a primeira epigrafada com o poema singular de Drummond, um convite para brincar: o verdadeiro amor começa brincando. E ao brincar na vida – com a vida, da vida -, é que se passa a verdadeiramente saborear o amor. Disso, o poeta dedica à musa amada o seu fascínio, a sua introspecção que comunga o seu mais íntimo ser com o mar, a natureza, as lembranças, a saudade, aprendizagens, sonhos, cumplicidades, desejos, anseios e ideais. Esse o primeiro tempo de amar. Vem o segundo tempo e invocando Bandeira com seus cantares e perspectivas geminianas, o poeta oferece o outro tempo de amar, que é o mesmo do primeiro, só que no trâmite do amor. Esse é o tempo de amar do poeta que vem trilhando o seu caminho na efetividade de sua poesia. Uma poesia carregada de emoção e sentimento, de comunhão e arrebatamento, de poder dividir consigo mesmo e o mundo toda a verve de seu aprendizado enquanto ser humano que se expressa com formação de poeta cabal: a capacidade de perceber e exteriorizar aquilo que transita desde o mais mínimo gesto, ao mais grandioso ato de celebração. A ambos, poeta e musa, a minha mais efusiva saudação com todos os louvores dignos de parabenizá-los por parceria mais encantadora: um poeta apaixonado qual Dante até os confins do amor, e a amada tal Beatriz premiada pela grandeza da poesia. Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Walking nude, by Thomas Saliot.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA

Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sexta-feira, novembro 13, 2015

FLIMAR, MANGUABA, JORGE DE LIMA, NANDO CORDEL, NITOLINO & FLIMARZINHA.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? FLIMAR – A Lagoa Manguaba só me traz emoções inenarráveis. Desde 1994, quando tive o primeiro contato com a nascente lá em Pilar, ocasião em que minha alma comungou com as suas águas e nos fizemos um só, compus o frevo Manguaba, e, a partir daí, só estreitamos nossa unidade a cada ano que se passou por momentos inesquecíveis. Exemplo disso foi a minha participação na Festa Literária de Marechal Deodoro – Flimar I, por ocasião do convite do escritoramigo e Secretário de Cultura do Município, Carlito Lima, quando fui levado a me apresentar nas mais diversas escolas da cidade, dos bairros e da área rural, uma correria de dois dias para lá de emocionante. Na II Flimar, já na orla da lagoa, o meu segundo contato em uma festa maravilhosamente linda que foi realizada com a estudantada na minha tenda, brincando, contando história e pulando muito frevo. Na Flimar III, repetiu-se a dose, como da mesma forma ocorreu na Flimar IV, sempre participando da Flimarzinha e de outros eventos da Festa. Este ano, não foi diferente. Participando da VI Flimar, sinto-me envaidecido de participar mais uma vez dessa que é a festa que está entre os mais importantes eventos literários do país. Daqui minha eterna gratidão ao amigo Carlito, à Secretaria de Educação e ao povo deodorense pela oportunidade de ter registro tão importante na minha trajetória. Obrigado e vamos aprumar a conversa aqui e aqui.


NITOLINO NA FLIMAR – Nesta quinta estreei na VI Flimar, uma festa lindíssima com muitas atrações. A organização me deu a tenda de sempre, agora denominada de Mundo da Imaginação, na qual recebi a estudantada e professores das mais diversas escolas de Marechal Deodoro e de cidades circunvizinhas. Merece destaque a turma do Ensino Fundamental de uma escola de Atalaia, com a qual batemos um papo regado a muita cantoria, contação de história e brincadeiras que muito me emocionou. Veja detalhes aqui.

ACENDEDOR DE LAMPIÕES
Jorge de Lima

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
— Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!


JORGE DE LIMA – Foi num belo dia das minhas visitas à Biblioteca Pública Fenelon Barreto, que a memorável professora e bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira, me passou às mãos, um volume organizado por Afrânio Coutinho, reunindo a poesia de Jorge de Lima: Obra completa (Aguilar, 1958). Pronto, mesmo ainda adolescente, fui iniciado na obra densa desse grande poeta. Aliás, poeta que passou a fazer parte do panteão daqueles que eu sempre gostei de apreciar e que consegui, anos depois, reunir alguns volumes na minha modesta biblioteca particular, apreciando sua grandiosidade poética. Veja mais aqui.

VOCÊ ENDOIDECEU MEU CORAÇÃO
Nando Cordel

Você endoideceu meu coração
Endoideceu
Agora o que é que eu faço sem o teu amor
Agora o que é que eu faço sem um beijo teu

Eu nem pensei já estava te amando
Meu corpo derretia de paixão
Queria estar contigo todo instante
Te abraçando, te beijando
Te afogando de emoção
Ficar na tua vida eu quero muito
Grudar pra nunca mais eu te perder
Você é como água de cacimba
Limpa, doce, saborosa
Todo mundo quer beber

Você endoideceu ...


NANDO CORDEL – Conheci Nando Cordel pessoalmente no início dos anos 1980, pelas mãos da amiga Fatima Lins que à época namorava com ele. Papos e papos, Nando logo viajou para lançar seu primeiro álbum, emplacando, tempos depois, um sucesso nas paradas. Só em finais dos anos 1980 que reencontro Nando nos corredores da RCA Victor, em Recife, e logo entabulamos uma entrevista dele para o meu programa Panorama, que eu apresentava na emissora Quilombo dos Palmares FM, fazendo um destaque de uma hora e meia com os seus sucessos. Só bem depois, já em meados dos anos 1990, em Recife, é que ocorreu novo encontro com este consagrado nome da música brasileira. Nessa ocasião ele me concedeu uma entrevista que foi publicada no meu tabloide Nascente Publicação Lítero-Cultural. Daqui meu abração fraterno pro Nando e desejos de muitos sucessos. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui. 

terça-feira, julho 07, 2015

PICHON RIVIÈRE, MAHLER, LASAR SEGALL, ARTUR AZEVEDO, LAURENTINO, DE SICA, ALOISE, KIKI, EKATERINA & LAGOA MANGUABA!!!



VAMOS APRUMAR A CONVERSA - LAGOA MANGUABA – Quando aportei no estado alagoano em 1994, fui contemplado com uma calorosa recepção do amigo Marcos Alexandre Martins Palmeira que me apresentou, de primeira, a Lagoa Manguaba. Foi do alto do cruzeiro na Chã do Pilar que de lá fitei a maravilha do cenário: toda sua extensão até a foz no Oceano Atlântico. Fiquei, deveras, enfeitiçado com a cena a ponto de, ao chegar às margens daquela belíssima paragem, não me furtei de molhar os pés e senti-la corpalma. Ali mesmo fiquei por horas contemplando aquele encanto da natureza. E como forma de gratidão ali mesmo compus os primeiros acordes e versos do frevo, saboreando deliciosos pratos com bagres robustos, lavados a uma boa cervejada. Papos e causos da comunidade limítrofe foram debulhados e contados nos mínimos detalhes pelo anfitrião. De lá saí empanzinado, tanto pelas gostosuras, como pela ambiente que me lavou a alma. Dias depois concluí o frevo e gravamos para nos esbaldar sempre por ali. Outras canções nasceram, mas o frevo é a minha homenagem e meu gesto de gratidão: Manguaba lagoa, banhei-me lá / De cetro e coroa só pra reinar / No jugo momesco / Com meu parentesco / Das águas do mar / Manguaba nascente, vou navegar / Até o poente do carnaval / Com vinco, adereço / Sem ter endereço nem onde acabar / Vai ser o batismo / Do bagre decente / De são e doente / Sem cor ou rival / Manguaba da gente / Banha docemente o povo de cá / Manguaba que banha a terra, a semente / Que faz diferente outro dia igual / Manguaba é que sente as dores da gente / Da Chã e do Pilar. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Nu no sofá - aquarela e guache sobre papel (1945), do pintor do Modernismo brasileiro Lasar Segall (1890-1957).

Curtindo Das Lied von der Erde - Symphonies nº 1-10, (Denon/Nippon Columbia, 1994), do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), com o maestro israelita Eliahu Inbal à frente da Frankfurt Radio Symphony Orchestra.Veja mais aqui.
 
TEORIA DO VÍNCULO – O livro Teoria do Vínculo (Martins Fontes, 1998), do psiquiatra e psicanalista suíço naturalizado argentino Enrique Pichon Rivière (1907-1977), aborda a necessidade de complementação da investigação psicanalítica sob o enfoque social, com orientação voltada para tríplice direção, quais sejam a psicossocial, a sociodinâmica e a institucional, abordando o ser humano numa só dimensão e concebendo-o como uma totalidade integradas pelas dimensões da mente, do corpo e do mundo exterior. Essa teoria traz em consideração o homem como resultante do interjogo entre o sujeito e os objetos internos e externos, numa relação interativa dialética expressada pelas condutas. Sob este ponto de vista, o vinculo é concebido como sendo uma estrutura dinâmica em contínuo movimento, englobando o sujeito e o objeto. Da obra destaco os trechos: [...] Vínculo pode ser definido como uma estrutura complexa que inclui um sujeito, um objeto, e sua mútua interelação com processos de comunicação e aprendizagem [...] a maneira particular pela qual cada indivíduo se relaciona com outro ou outros, criando uma estrutura particular a cada caso e a cada momento, que chamamos de vínculo [...] Em nenhum paciente apresenta um tipo único de vínculo: todas as relações de objeto e todas as relações estabelecidas com o mundo são mistas. Existe uma divisão que é mais ou menos universal, no sentido de que por um lado se estabelecem relações deum tipo, e por outro, de um tipo diverso [...] Veja mais aqui.

HISTÓRIA DO BRASIL – Uma nova história começou a ser contada e escrita sobre a verdadeira História do Brasil. Tem-se realizado uma diversidade de estudos em que se verifica que a história contada nas escolas, não corresponde à verdade. Neste sentido, o premiado escritor e jornalista paranaense Laurentino Gomes tem contribuído com a publicação dos seus premiados livros 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, sobre a fuga da corte portuguesa de D. João VI para o Rio de Janeiro; 1822, sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a Proclamação da República – ou como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e instituição da República no Brasil, fechando a trilogia das obras. O autor é pós-graduado em Administração pela USP, membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Paranaense de Letras, sendo ganhador de quatro prêmios Jabuti. Veja mais aqui e aqui.

PAVIOS CURTOS – O livro Pavios Curtos (Anone, 2004), do poeta e jornalista mineiro José Aloise Bahia reúne poemas do autor que também escreve ensaios, críticas, artigos, crônicas e resenhas em diversos veículos de comunicação brasileiros, além de ser um pesquisador no campo da comunicação social e interfaces com a literatura, estética, política, imagem e cultura de massa, estudioso em História das Artes e colecionador de artes plásticas. Também é sócio fundador de jornalismo cultural da Associação Internacional de Literatura de Língua Portuguesa e Outras Linguagens (Alipol) e foi incluído na antologia poética O achamento de Portugal. Da obra destaco Nada é concreto: Na poesia, as palavras não são apenas lirismos. Às vezes observamos ou nunca queremos espreitar, nos desdobramentos, a melodia da investi da. O som da ousadia que tenta ligar coisas inimagináveis e impossíveis. Um enigma, que faz abrir a porta, pelo sopro do verbo, um imenso quarto escuro: o pomo de partida, nada. Também o Noturno azul e vermelho: Foi assim no vosso convívio / um hóspede passageiro, / obscuro como uma casa / sem portas e janelas, / escravo do passado / atados a nós amargos. / Tão longe, uma agonia / num adorno de aparências, / e no seu mundo invisível / asas pela metade em azul / cobalto, um medo / incompreendido. / Dividido e fugidio, / não morto, evasivo, / sem se deixar ser observado, / escondido nuns óculos escuros, / desertor de alguma guerra / ou de alguma luta. / Não se sabe o motivo / deste outro ser, / que suspira um ar, / que busca na superfície / onde permeia a latência, / um desejo vermelho sangue. / Que está convosco / numa vontade de viver / e sentir na realidade / este sonho inconsciente, / que procura sem cessar, / uma satisfação jamais vista. Por fim, o seu belíssimo Soneto: Eu, olho-me no espelho oval da parede, / Procuro detalhes desta minha presença. / Tento achar em minha verdadeira aparência / Ainda atraente, sentir algum contentamento / No limiar da idade estampada no rosto: / Sutilezas, algum sulco ao redor dos olhos, / Que faz·o corpo pedir azul kleiniano e branco, / Deixando-me satisfeito, na expectativa, entregue. / Mas não pensem que é uma mudança radical / O que se passa em minha proposta pessoal, / Esta tentativa de ficar mais jovem e refeito, / Bonito pra mim mesmo. Prestem bem atenção: / A razão suficiente da minha imagem refletida / Demonstra o prazer em vestir as cores do céu. Veja mais aqui e aqui.

AMOR POR ANEXINS – A comédia de costumes em um único ato Amor por anexins (1872), do dramaturgo, escritor e jornalista Artur Azevedo (1855-1908), conta a história de conquistas e interesses a partir do desejo de um senhor em se casar com uma jovem e bela viúva, envolvendo três personagens: um carteiro, um solteirão e uma viúva, tratando com humor as questões do amor e trazendo um inusitado jogo de linguagem e saberes coletivos dos anexins que são evocados na construção da história e expondo catástrofes e desenlace na maior sensibilidade e divertimento. Da obra destaco o trecho inicial: ATO ÚNICO (Sala simples, janela à esquerda, portas ao fundo e à direita. Mesa à esquerda com preparos de costura. Num dos cantos da sala uma talha d’água. Cadeiras.) CENA I INÊS (Cose sentada à mesa, e olha para a rua, pela janela.) — Lá está parado à esquina o homem dos anexins! Não há meio de ver-me livre de semelhante cáustico! Ora, eu, uma viúva, e, de mais a mais com promessa de casamento, havia de aceitar para marido aquele velho! Não vê! E ninguém o tira dali! Isto até dá que falar à vizinhança... (Desce à boca de cena). Eu que, por gosto, perdido tenho casamentos mil, com mais de um belo marido, garboso, rico e gentil, de um velho agora a proposta, Meu Deus! Devia aceitar? Demais um velho que gosta de assim tão jarreta andar! Nada! Nada! Não me agrada! Quero um marido melhor! É bem mau não ser casada, mas mal casada é pior. Ainda hoje escreveu-me uma cartinha, a terceira em que me fala de amor, e a segunda em que me pede em casamento. (Tira uma carta da algibeira) Ela aqui está. (Lê) “Minha bela senhora. Estimo que estas duas regras vão encontrá-la no gozo da mais perfeita saúde. Eu vou indo como Deus é servido. Antes assim que amortalhado. Venho pedi-la em casamento pela segunda vez. Ruim é quem em ruim conta se tem, e eu não me tenho nessa conta. Jamais senti por outra o que sinto pela senhora; mas uma vez é a primeira.” (Declamando) Que enfiada de anexins! Pois é o mesmo homem a falar! (Continua a ler) “Tenho uns cobres a render; são poucos, é verdade, mas de hora em hora Deus melhora, e mais tem Deus para dar do que o diabo para levar. Não devo nada a ninguém, e quem não deve não teme. Tenho boa casa e boa mesa, e onde come um comem dois. Irei saber da resposta hoje mesmo. Todo seu, Isaías.” (Guardando a carta) Está bem aviado, senhor Isaías! Vou às cinco compras; é um excelente meio de me ver livre de vossamecê e de seus anexins. Vou preparar-me. (Sai pela porta da direita. Pausa). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

LA CIOCIARA – O drama La ciociara (Duas mulheres, 1960), do cineasta italiano Vittorio De Sica (1901-1974), é uma adaptação do romance homônimo do escritor e jornalista italiano Alberto Moravia (1907-1990), contando a história ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, quando a capital italiana foi intensamente bombardeada pelos aliados, destacando a vida de uma viúva dona de uma loja em Roma e sua filha adolescente muito devota do catolicismo, que resolve abandonar a cidade para uma montanhosa região do país. Lá elas conhecem um jovem intelectual com ideais comunistas que se torna prisioneiro e depois assassinado pelos soldados alemães, enquanto elas ficam esperando a chegada das tropas aliadas e, quando ocorre, a libertação traz uma tragédia inesperada: ambas são estupradas pelos soldados aliados, o que acarretou o sofrimento de um colapso mental pela filha. O destaque do filme vai para a premiadíssima e cultuada atriz Sophia Loren. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 Imagem: fotos da cantora, atriz, memorialista, pintora e modelo francesa Kiki, Rainha de Montparnasse (Alice Ernestine Prin – 1901-1953), que revolucionou Paris na década de 1920.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira mais aqui.


Veja mais sobre:
A lenda do açúcar e do álcool, Educação não é privilégio de Anísio Teixeira, História da Filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, Não há estrelas no céu de João Clímaco Bezerra, Cumade Fulosinha & Menelau Júnior, a pintura de Madison Moore, João Pirahy & Pulsarte aqui.

E mais:
Sorria, Canto geral de Pablo Neruda, A desobediência civil de Henry David Thoreau, O feijão e o sonho de Orígenes Lessa, Revolução na América do Sul de Monteiro Lobato & Brincarte do Nitolino, a pintura de Amedeo Modigliani, a música de Sebastião Tapajós, Marcelo Soares aqui.
Psicologia social e educação, a poesia de Pablo Neruda, a pintura de Amedeo Modigliani, a música de Yasushi Akutagawa, a arte de Regina Espósito & Ju Mota aqui.
Recitando Castro Alves: Navio Negreiro aqui.
Devagar e sempre, A monadologia de Leibniz, Estudo do poema de Antônio Cândido, Meu país de Dorothea Mackellar, A arte da comédia de Lope de Vega, o ativismo de Emma Goldman, a arte de Gilvan Samico, a música de Alceu Valença, a xilogravura de Amaro Francisco Borges, Brincarte do Nitolino & a pintura de Nina Kozoriz aqui.
A vida dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev Vygotsky, a poesia de William Butler Yeats, A República de Platão, a pintura de Raphael Sanzio & Boleslaw von Szankowski, a música de Leonard Cohen, o cinema de Paolo Sorrentino & World Erotic Art Museum - WEAM aqui.
Divagando na bicicleta, Onde andará Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu duplo de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A conversa das plantas, Memória da guerra de Duarte Coelho, a poesia de Cruz e Sousa, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, a arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras de James leituras de Joyce, a fotografia de Humberto Finatti, a arte de Henri Matisse & Wayne Thiebaud aqui.
Incipit vita nuova, As raízes árabes da arte nordestina de Luís Soler, A divina comédia de Dante Alighieri, a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Jack Vetriano & Paul Sieffert, as gravuras de Gustave Doré & a arte de Luciah Lopez aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude Reading (2005), da artista plástica russa Ekaterina Mortensen.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...