Ao som de As emboladas do norte (1929) e Graúna
(1923), do compositor, violonista e violeiro João Pernambuco (João
Teixeira Guimarães – 1883-1947), na performance da premiada violonista clássica
australiana Stephanie Jones. Veja mais aqui.
A cizânia amolestada de Siberiano &
Afesireia... - O destemido conquistador Siberiano seguia majestoso
pelas tundras e densas florestas: era solstício de inverno e as suas pisadas
cruéis e céleres firmavam a demolição de quaisquer obstáculos que se impusessem
ou impedissem a direção das ventas. Nascido dos olhos abissais de Marduk, jamais
conhecera o gosto do malogro. Invicto, de casta guerreira e longevidade, se
alimentava da escuridão e, sobretudo, da Lua Nova. Mais que astuto despedaçava
suas vítimas como um Smilodon, mantendo o mesmo ar do seu primo de Bengala.
Agressivo shijin Byakko, impôs sua força bruta de Mohan diante do invencível dragão,
aniquilando-o por nocaute. Por conta disso foi condecorado pelo espírito dos 5
Tigres do Oráculo da Terra, tornando-se Baihu, o principal guardião dos pontos
cardeais e do centro, um geomante no uso das 16 figuras simbólicas para obter
respostas a todas as perguntas que o inquietasse, soberano por vencer todas as
batalhas. Assim encorajou-se à empreitada de enfrentar a tigresa de Champawat,
depois dela ter causado terror na região de Kumaon e na fronteira do Nepal. Vitorioso
conduziu a neófita pelos bambus da selva dos pecados, para matá-la e
ressuscitá-la numa noite sem Lua. Ao vencê-la desdenhou e seguiu por fechadas
brenhas, árvores entre outras, céu de brigadeiro da Lapônia, a ponto de se
deparar na sua caminhada com um vulto insolente que batia a cauda na água para
fisgar os peixes com suas afiadas garras. Quem era? Ora, triunfante ele olvidou
do ditado: quem com ela se depara não corre, nem dá as costas, nenhum movimento
brusco: usa da espingarda; se o tiro falhar, recorra ao revólver; escapuliu da
mão, ataque de faca; se quebrar, aí fuja; se for perseguido, se atrepe numa
árvore; se ela subir, reze: todo mundo é amigo-da-onça. Num átimo ela virou-se
e fitou firme, quieta, soberana. Seus olhos revelaram: era a crepuscular
caguaçuarana, a solitária Afesireia, filha da Borges, sobrinha da Cabocla, neta
da Mão-Torta e prima da Maneta e da Pé de Boi. Era afilhada da Iaiá Cabocla de Xakriabá – investida deusa Kianumaka Manã, quem concedeu pra ela a dádiva do poder ressurreto de Arakuni: a mutação. Ela nadava,
rastejava e escalava alturas, transformava-se agigantada e devorando um jacaré inteiro, hirto, hipnotizado; e diante do eclipse, estraçalhava a Jaci
e Guaraci ao mesmo tempo, festejando com seus parentes jaguar, pantera, puma,
acanguçu, jaguaripina, leopardo, yguaretê, suçuarana, jaguará e jaguaretê. Num relance
ela fixou o olhar nele e ele o evitou ciente do sortilégio. Um raio rasgou o
céu ameaçador: hora de vida ou morte, sabiam: um deles não sairia vivo do
confronto. Não havia como desertar, nem espaço para sedição. Seus olhos
faiscaram mútuos relâmpagos letais, outros estrondos açoitavam. Ele trovejou astucioso
com estridente assombro, seus sinistros rugidos e o bafejo dava prazo sem aviso.
Ambidestro se insinuava, cada movimento milimetricamente calculado, um passo em
frente e recuava estratégico, o ronco praguejava, o bafo às ventas dela.
Moviam-se táticos, encaravam-se e circulavam, ameaçavam insinuantes, blefavam, cada
qual expunha o arsenal de truques em cada jogada. Ele flanqueava, apertava o
cerco com todos os recursos disponíveis, a finta dela, bastava ali um salto e
pronto, a urgência da hora e qualquer vacilo, o golpe fatal da maldição furiosa,
o bote teria de ser certeiro. A vigilância de ambos e a sorte estava lançada. O
ousado dissimulava e tanto fascinava pavoroso, o inevitável perigo não a
intimidara. Ele evitava cada vez mais os olhos dela, de esguelha, sabia da armadilha
e acuava diante do sedento ataque dela. Preparava as emboscadas escondendo sua
pelagem de manchas e rosetas pela boca do matagal espesso. Tentou acossá-la e,
ao desaforo dele, ela respondeu invocando Charría e um olho dela estrelou
vermelha de Antares; o outro refulgiu de Aldebaran, transformou-se na eclipsada
Caetana e partiu pro confronto direto. Cravou o olhar e ele foi surpreendido
com o avanço decisivo dela, a ofensiva indefensável e travaram luta. Uma revoada
de pássaros, a poeira subiu, o chão revolvido pelo botes aos nhaques, as
patadas revirando o atrito estremecedor no ambiente e se prepararam para as
investidas abrindo as portas dos 9 círculos do inferno dantesco, atravessando o
limbo, percorrendo a luxúria, cortando a gula, correndo a ganância, cruzando a
ira, rasgando a heresia, singrando a violência, perpassando a fraude e passando
a traição no gelo do lago Cócito, para sobrepujarem Aqueronte, Eridano,
Flegetonte e o Lete. Venciam Naraka e ela então cravou suas garras e o levou
malbaratado pelas trevas de Vilon, percorrendo o abismo de Raki’a, ascendendo
às altas nuvens de Shehagim e o fogo do éter empíreo, romperam o umbral de
Zebul, a transição de Ma’on, as esferas de Machon e foram celebrados por ofanins
e serafins no penhasco da cachoeira do Sertão Zen, no Alto Paraíso da Chapada
dos Veadeiros. Depois desse momento episódico se defrontaram diante do Mirante
da Janela. O déspota pérfido ousou rondar obliquamente matreiro: era ele
Dioniso quase vencido e apaixonado pela ninfa asiática. Ela fascinante o
hipnotizou, arrebatada o encurralou numa furna, ele cautelosamente escondeu-se
esfregando seu dorso num tronco robusto, rolou no chão e pronto para mordê-la,
ali hesitou e foi tomado pela fúria amorosa dela. Ela era agora Nice, o epônimo
da vitória e logo fez-se manhã vistosa nos saltos do Rio Preto: a Lua renasceu
e a luz retornou. O Sol aqueceu a toada na dança às margens do Opará, ao som
duma moda de viola. Ali, naquele ato, não só havia um tigre, nem apenas uma
onça, mas muitos deles que se encontravam intermitentemente por milênios sucessivos
na eternidade. Até mais ver.
Alice Walker: Observe atentamente o presente que você está construindo: ele deve se parecer com o futuro que você está sonhando... Sempre que você cria beleza ao seu redor, você está restaurando a sua própria alma... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Naomi
Grossman:
Eu estou
constantemente destaco os benefícios da yoga (obrigado por me entregar a isso
mais cedo) – que se eu pudesse começar um movimento apresentando as pessoas a
isso, acho que eliminaríamos a maior parte do conflito do mundo! Se apenas as
pessoas passassem mais tempo desafiando seu equilíbrio, força e flexibilidade,
e menos tempo desafiando umas às outras, que mundo melhor seria!... Veja mais aqui.
Tawakel
Karman:
Você precisa ser
forte; precisa confiar em si mesmo para derrubar o regime ditatorial que houver
e construir um novo país. Você precisa participar da construção do seu país.
Sabemos que tudo o que você sonha pode se tornar realidade. Você precisa saber
que tem a capacidade de realizar seu sonho. Veja mais aqui, aqui
& aqui.
POR AMOR À VIDA
Sei que muita
gente sofre \ És uma realidade \ Um sintoma perigoso \ Desde a tal ansiedade \ Causando
em si uma dor \ A vida perde o valor \ Dentro da sociedade \ Vivemos tempos
difíceis \ Mas não podemos falhar \ Quem é mãe de adolescente \ Sabe o que eu
quero falar \ Pois o nosso coração \ Se desdobra em aflição \ Ao no seu filho
pensar \ Nós que somos mães e pais \ E também sociedade \ Vamos dar mais
atenção \ Nossos filhos prioridade \ Sofrer sem deixar de amar \ Só o amor pode
evitar \ O fim da humanidade \ Dialogar com paciência \ Humildade, admiração \ Estimula
e valoriza \ Exercício de inspiração \ Por favor abra seu olho \ Seu filho és um
tesouro \ Não deixe em outras mãos.
Poema da
escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, autora da obra Magistério
Indígena em Verso e Poesia (2004), cantando seus versos: Sou mulher que
ainda chora \ Por tão grande escuridão \ Minha essência está aqui \ Dentro do
meu coração \ De um Brasil ensanguentado \ Onde ninguém é culpado \ Mulher da
mesma nação! Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
JOGO
DA VELHA - [...]
Só lembre-se, Callum, quando estiver flutuando cada vez
mais alto na sua bolha, que bolhas têm o hábito de estourar. Quanto mais alto
você sobe, maior é a queda. [...] É assim
mesmo. Algumas coisas nunca mudam. Simplesmente é assim. Mas não acredite neles.
[...] Eu
costumava me consolar com a crença de que eram apenas certos indivíduos e suas
ideias peculiares que estragavam as coisas para o resto de nós. Mas quantos
indivíduos são necessários para que não sejam os indivíduos que sejam
preconceituosos, mas a sociedade inteira? [...]
As notícias mentem o tempo todo. Elas nos dizem o que acham que queremos
ouvir. [...].
Trechos extraídos da obra Noughts & Crosses (Minotauro, 2020), da
escritora britânica Malorie Blackman, autora de obras como Boys Don't
Cry (2010), Checkmate (2005) e Knife Edge (2003). Para ela: Ler
é um exercício de empatia, um exercício de se colocar no lugar do outro por um
tempo...
DOU
MINHA PALAVRA - [...]
Vida é gasto e estou gasta, o espelho que magnifica mostra a verdade e a
verdade é a velhice. [...] O corpo vai pendendo para baixo, e lá embaixo
encontro uma menina. Desde que ela descobriu, com quatro ou cinco anos, que
seus pais eram sobreviventes de uma guerra contra os judeus e que sua mãe
guardava numa caixa dentro do armário um diário escrito na Suécia — um
diário que ela só podia olhar mas não ler, já que nem ler ela sabia, e o diário
estava escrito em i-u-g-o-s-l-a-v-o —, essas vidas viraram histórias e as
pessoas, personagens. A menina vivia nessas histórias e não prestava para a realidade.
Sem amigos, perseguida, invejava a prima magra e boa aluna, tinha os pés chatos
e se desequilibrava (as irmãs mais velhas não deixaram a mãe colocar botas
ortopédicas nela; hoje as irmãs têm pés altos e finos e ela, pés largos e
chatos), se isolava nas festas e prometia se suicidar. Assim que aprendeu a
ler, seu tio Arthur a presenteava com livros estrangeiros e seu pai lhe deu a Barsa
de aniversário e comprava enciclopédias de um vendedor ambulante. A coleção do
Monteiro Lobato, Meu pé de laranja lima, Poesia brasileira para a infância, Demian,
a Torá (todos os dias, no Renascença), letras do Chico Buarque, O Pequeno
Príncipe, gibis da Mônica e os livros de adultos das irmãs dela. Na casa de
sobreviventes de guerra, frequentada por refugiados da Rússia, da Polônia, da
Romênia, da Iugoslávia e de outros países de nomes estranhos, ela escutava
muitas línguas: português, ídiche, alemão, hebraico, húngaro e iugoslavo. A
menina não entendia as línguas, mas escutava as palavras [...]. Trechos
extraídos da obra Te dou minha palavra (Companhia das Letras, 2025), da
escritora, professora e crítica literária, Noemi Jaffe, que noutra de
sua obra, Lili- Novela de um luto (Companhia das Letras, 2021), ela traz
o seguinte trecho: [...] Quando ela estava morta, eu beijei seu rosto, suas
mãos, seu colo. Apertava o pulso, abraçava o corpo, chamava: mãe, mãe.
Levantava a mão e a deixava cair. No dia anterior, quando ela ainda não estava
morta, mas quase, eu aproximava meu ouvido do seu peito e ouvia a respiração.
Era diferente. É diferente estar quase morta de estar morta mesmo. É diferente
e só sei disso agora que ela morreu. Se quando ela estava quase morta eu
esperava que ela morresse, agora é como se eu a quisesse, se pudesse, quase
morta para sempre, só para ouvir sua respiração, a bochecha quente, os dedos da
mão se mexendo mesmo que por reflexo, um ronco baixo no peito, o tremor nas
pálpebras. Nunca tinha ficado perto de uma pessoa morta e descoberta. Fiquei
perto do meu pai, mas ele estava coberto por um lençol e eu tracei com o dedo o
contorno do seu nariz, o que repeti com a minha mãe depois que a cobriram. [...].
Já na sua obra O que ela sussurra (Companhia das Letras, 2020), ela
expressa: [...] Gosto do som das conversas e gosto de música, mas prefiro
sempre o silêncio, agora ainda mais que antes: esse som suro e verdadeiro em
toda a sua extensão, mais geográfica do que temporal e que ocupa a paisagem que
vejo pela janela e a alma que não vejo mas que fica inteiramente ocupada por
ele. [...].
A
ARTE DE DELANO
Eu sou um
observador das pessoas, sempre as observo quando saio... Eu não trabalho
pensando em exposição. Não gosto de me expor, mal saio de casa. Às vezes, passo
meses sem descer do meu ateliê, botar o pé na calçada. Preciso até que as pessoas
levem comida para mim...
Pensamento e arte
do pintor, desenhista e gravador, Delano – (Flanklin Delano de França e
Silva - 1945-2010), foi ilustrador do Jornal da Tarde, participou de diversas
mostras coletivas pelo Brasil afora, integrou o Ateliê + 10, em Olinda, e
participou da criação da Oficina Guaianases de Gravura. Veja mais aqui, aqui
& aqui.
&
A
ARTE DE RUBENS MATTOS CUNHA LIMA, 60 ANOS DE
TRAJETÓRIA
Desenvolvi projetos de residências e obras.
Em 60 anos de carreira fiz mais obras que projetos... Gosto muito da
arquitetura... Conheci o Darel. Era uma pessoa muito intensa. Fiz várias
gravuras dele...
A arte de arquiteto e artista plástico de São
Paulo, Rubens José Mattos Cunha Lima, que fundou a Editora Clube da
Gravura, editou a revista Gravura & Gravadores (1980), participou com suas
obras da publicação Dareladas (CriaArt, 2024), integra o Gentamiga Atelier e
participa da plataforma Ubqub (SP). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
João Cabral de Mélo Neto aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Antônio Meneses aqui,
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Barbosa Lima
Sobrinho aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Wellington
Virgulino aqui & aqui.
Lucinha Guerra aqui,
aqui & aqui.
Mário Souto Maior
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Roberta Cirne aqui.





