sábado, julho 18, 2026

CECÍLIA MEIRELES, BERNARDO ATXAGA, SUZANA HERCULANO-HOUZEL & SANTANNA O CANTADOR

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.


 

As guinadas de chué ao nababo de findar amundiçado pastafari... - Desde nascença Jeremulino apostava tudo pra dar certo. Fazia força, fincava pé e quanto mais pelejava, menos saía do lugar. Era voluntarioso, mas pé-frio, coitado. Décadas de miséria nos costados. Tudo isso durou até o dia em que conheceu Mary, que se dizia Butterworth e tratada por Mãe do Ouro: Ih, estrangeira, é? Sei lá. Tá lavando a jega, hem? E tanto afeiçoou-se, de segurar no cós da saia dela de não mais largar, pegado. Tão atarantado, enrolou-se de paixão. Estava um tanto deslumbrado: bem vestido, altas rodas, lugares granfinos, gente nos trinques - ela tinha muita grana e amigos, parecia -, a partir de agora, também eram seus nas portas escancaradas, recepções acaloradas, abraços efusivos, nunca tinha visto nada daquilo na vida: Ora, tô enturmado, meu! Agora vai! Logo no primeiro jantar associaram-se a uma dupla de magnatas, tratados por Charles e Bernie - pelo jeito estrangeiros e inseparáveis: agora era internacional, visse! E não muito tempo depois, o casal foi acompanhado por Frank, um fino médico que também era piloto de aviação. Que chique! Compadre, meu! E almoçavam num requintado restaurante com os achegados do dia, ou jantares, chás, encontros. Doutra vez era Alfred, um que descobriu um medicamento que era uma verdadeira panaceia pra cura da AIDS, câncer, lúpus e qualquer tipo de doença. Brindaram o futuro Prêmio Nobel de Química dele. Oh! Tamos juntos! E recepcionaram um ricaço hindu, o Mithilesh, recém-chegado duma negociação no Taj Mahal. Olha o requinte! Sua vida dera um giro estratosférico de 360 graus, desde que ela apareceu, pra ele se empanzinar no sofisticado, a se empolgar com os drinques, da cabeça nas nuvens e a vida no mundo da Lua, todo apurado. Foi. Apegou-se à tal largadona, os modos enxutos dela, toda recente e esvoaçante, inaugurava felicidade jamais vista: ela fascinante nos seus olhos, cativante no coração dele. Ao lado dela se sentia maior do que nunca foi. Autoconfiança ganha, dedicando a ela mais do que nem tinha. E assim foram dias movimentados, semanas agitadas, efemérides por meses ininterruptos, quase dois anos inesquecíveis, quando, de supetão e sem causa aparente, viu-se na clausura da solidão: liso, fodido e mal pago. Que foi que houve? Perdeu a boquinha: foi despejado do paraíso. Não tinha mais guarda-roupa para as ocasiões, nem comes e bebes, ninguém mais pra chamá-lo de doutor – que nem era, mal conseguira findar o ginasial, a pulso, avalie. Estava empalado pela escassez: Vida madrasta, essa, se eu fosse de passar a perna, ainda ia, embrulhava; mas perdi o crédito, soltaram os demônios pra festa do inferno. E com uma mão na frente e outra atrás, desvalido. Reparou melhor: Por que foi mesmo? Assuntou, a extravagância da punição bissexual. Como pode? Fosse gente ou bicho, assim era. Mas isso nem ligava, duas de quinhentos que fosse, nem aí; ser corno era pouco, vá lá; o pior mesmo era sentir-se rejeitado: a tragédia foi ter nascido -, só agora se dava conta disso. Passava mal, zonzo, claudicante, à beira da loucura, roendo unha de ressentimento pela dor de cotovelo: As gaias pesam fodendo tudo na cachola! Insistia em reatar a relação com ela, mas cadê-la, pronde foi, perdeu o contato. Foi-se. Bateu de porta em portão, todas sisudamente fechadas, havia ninguém pra recebê-lo: Destá, todos se passavam por amigos e agora? Quebrou a cara, lascou; alisou, fim de tudo e, sem ela, era ninguém, invisível desconhecido. Dobrava capenga a esquina da amargura e, inadvertidamente, trombou com um estranho, desculpou-se. Já seguia se escorando na parede, quando ouviu em alto e bom som: Rapaz, é você mesmo? Levantou a vista e era Marcelo, um amigo de infância que o reconhecera na hora. Como vai? Escapando. Que é que falta? Tudo. Vambora colocar o papo em dia, diga lá o que aflige! Jeremulino acompanhou o amigo, agora já bem de vida, elegante, nem parecia o maloqueiro com quem convivera na miséria décadas atrás. Agora não, arrotava contando que a mãe enviuvou e casou-se com um ricaço que o tratava por filho, herdeiro de uma companhia aérea e outros tantos bens e posses. Está precisando do quê? Rapaz. Diga! Tô f-o-fo-d-i-di-d-o-do! Ah, reencontrar e reatar com a namorada? Piongo. Como é o nome dela? Mary Butterworth! Ela? Sim. E você numa pindaíba dessa? Ela foi pior que a Rita: levou tudo, até a minha vida. Ora, tenho um amigo detetive aí que localizará ela na hora. Mesmo? Você está hospedado aonde? Na rua. Vamos pro meu hotel, vou ligar agorinha pro nosso investigador. E seguiram, atravessaram o saguão, entraram no elevador, subiram e foram bater numa suíte real, com múltiplos quartos, sala de jantar, cozinha compacta, segurança redobrada e serviços altamente personalizados. Este aqui é o meu quarto, escolha o seu, vá! Eita, agora sim, voltava a ventar favorável, sabia: a vida não ia deixá-lo na mão. Chega regozijou-se folgado, renovava as esperanças. Lá estava de novo revivendo nas alturas as coisas recém passadas. Foi se banhar e ouviu: O agente está chegando, vou ter que ir a uma reunião, fique à vontade, viu? Tá. Poucos minutos depois bateram insistente à porta. Já vai! Enrolou-se na toalha e abriu: Polícia! Ôpa! Você está preso! Eu? Algemaram-no do jeito que estava e arrastaram-no porta afora. Deram numa delegacia e, de lá, vamos por parte: chegou e foi logo empurrado pra uma sala com várias pessoas, sentaram-no à cadeira e um bafo na moleira: Vá, abra o bico? Sobre o quê? Fala! O quê? Foto! Quem é essa? Mary, minha ex-namorada. Quem? Mary Butterworth, não sei pronunciar direito! Desembucha! E contou que ela deu as costas pra ele, hoje de madrugada, num bar e sumiu. Fui na casa dela, bati, ninguém atendeu. Onde ela mora? No Sítio Groenlândia, Switzland. Hum, ricaça! Vão lá. E esses? Charles e Bernie, são estrangeiros. De quê? Não sei, são amigos dela, conheci o ano passado, só sei dos nomes. E esse? Frank. De quê? Também não sei, é amigo dela, disse ser médico e piloto, conheci pelos outros dois. E esse? Alfred. De quê? Não sei, ele está pra ganhar a qualquer momento o Prêmio Nobel pela descoberta de um medicamento aí. E esse? Ah, esse é Mithilesh, um bilionário hindu. De quê? Também não sei e é amigo dela. Todos são amigos e você no meio sem saber de nada? Sim. Fazia o que entre eles? Festas, passeios, viagens. Leve ele pra cela! Estava nu. Os outros presidiários comiseraram e já arrumaram umas vestes que foram entregues pelo carcereiro: Tomaí, porra! Era uma camisa já um tanto esfarrapada, um resto de bermuda e um par de meias furadas. Pronto, vestiu-se e quase sentiu um fiapinho de dignidade. No primeiro cochilo foi picado por uma aranha-armadeira, acometido por priapismo doloroso: Vou morrer! E ficou aos gritos. Que é que tá acontecendo? Foi levado às pressas pra enfermaria, logo levando fisgada de injeção por todo lado. Vou morrer que nem tábua de pirulito! Ê, furado! Lá pras tantas, ao sentir-se melhor, logo foi assolado por uma diarreia braba: Oxe, ele tá se acabando pelo fundo feito panela! Eita, caganeira macha! E fedorenta, meu! Catinga da peste! E tornou-se a diversão: o Zé Cagão. Nos dias seguintes foi levado pro delegado e um brabo agente mostrou uma foto e disse: Essa é sua ex-namorada? Sim, a Mary. Sabe quem é ela? Não, senhor. Passou a saber na hora: uma foragida balzaquiana, falsificadora de libra esterlina, que lavava o dinheiro num suposto bufê supostamente de sua propriedade. Esses são amigos dela? Sim. Eram Charles Ponzi e Bernie Madoff que criaram um sistema golpista, que ludibriaram muitos investidores com promessas de lucros astronômicos. Esse também amigo dela, né? É Frank. Era o mestre dos disfarces, Frank Abagnale, trambiqueiro que se passava por médico, piloto e até advogado. Esse? O Alfred. Era o curandeiro herbalista, Alfredo Bowman, picareta mais conhecido como Dr. Sebi, criador do O Cell Food e cultor de uma filosofia extravagante de vida. Esse? Mithilesh. Era o lendário caloteiro indiano, Mithilesh Kumar Srivastava, famoso por vender marcos históricos com documentos falsificados, inclusive o Taj Mahal. Minha nossa! E você não tem a ver com isso? Nem sabia quem eram! E esse? Ah, um amigo de infância. É? Sabe quem ele é? Não o via desde uns 15 ou 20 anos atrás. Era o trapaceiro Marcelo Nascimento da Rocha, piloto do crime, se passou pelo filho do dono da Gol, por VJ da MTV, por guitarrista do Engenheiros do Havaí, dono de edifícios e propriedades, está preso agora em Avaré, cumprindo pena de 16 anos. Minha nossa! E agora? Deus tenha pena de mim. O sonho de caça ao tesouro, era uma vez. Tudo vigarista e eu alesado, no meio da enrolação. Se liga no caô aí, véi! Tô frito! Anos se passaram e cumpriu pena. Ao sair da prisão não tinha pra onde ir, só tinha a roupa do couro e o terreno baldio por guarida. Fazer o quê? Juntar as bandas da bunda e sair uma rebatendo na outra. E calar a boca: quando penso, peido; quando falo, cago. E aos reclamos: Porra, fedeu, hem! Bagunçava a porratoda! Lá ia se arrastando. As horas demoravam, comovida mudez: Por onde recomeçar, não sabia. Solidão: Sou entre os que foram abandonados por Deus! Cuspiu sua palavra, seu dialeto próprio, sabia: sua hora ainda vai chegar, ah, se vai. Sua pele coriácia encorajava-o: Não foi a primeira vez, nem a última. E nem morri! Essa sua terrível sorte. A tristeza cansava no durado de semanas, sabia: a alegria tem seus perigos de vigia, convinha precaver. Amanhã ninguém sabe, tanto faz cair pra qualquer lado, a queda é uma só, até o dia em que o diabo levanta os braços, aí, já era, babau. Tá bom. É com o escorregão alheio que o povo se diverte. No mais, tudo era sempre depois de amanhã. Nas contas do dia, um perito em identificar pontos de fuga. Qual indulto naquela hora? Deu-se em estado de bicho, néscio instintivo, intensas sensações, a cólica dos intestinos, entortou-se às cuspidas, acossado por todas as culpas, pensou alto: precisava se perder para chegar aos lugares que não se acham! Ah, não há de ser nada, disse-lhe alguém. Hem? Perdido ou escorraçado? Uma e outra. Ah, tenho um santo remédio, venha! E foram até um recinto ali perto, deram-lhe banho, vestimentas e apreço. Ao redor, todos os presentes com uma caneca à mão, ofereciam: Cerveja? Já sai a comida sagrada pro nosso ritual. Animou-se com a travessa farta de espaguete. Uma ovação: Viva! Ramém! Encheu a pança e, depois das comemorações, deitaram-no numa espreguiçadeira num quarto do quintal, nem notando a presença de outros arranchados por ali. Ao amanhecer ouviu os 8 mandamentos do Evangelho do Monstro do Espaguete Voador. Meteu-se na risadagem, era sua redenção. Um escorredor de macarrão na cabeça e vestimenta de pirata: Ramén! Goles na rodada de cerveja. Ramém! Toda sexta é dia santo e feriado! Ramém! E assim simpatizou-se com os pastafari, mais um neófito, entre eles, na senda, sobrevivendo de bicos, cama e comida garantida. E toda sexta pirateando: Viva Ching Shih! Ramém! Viva o Barba Negra! Ramém! Viva Anne Bonny! Ramém! Viva Black Bart! Ramém! Viva Mary Read! Ramém! Viva o capitão bucaneiro Morgan! Ramém! E tome virada de copos, empanzinamentos com as massas e lambuzado pelos molhos e espumas. Foi assim que aprendeu o riscado, assoletrando: quem na vida muito quer, finda no baú de Davy Jones. Cuidado: se salve de andar na prancha. Aprenda: pegue o que puder, não devolva nada - os mortos não contam histórias. Até mais ver.

 

Elias Canetti: Todas as coisas que se esqueceram clamam por socorro nos sonhos... Não consigo ser modesto; muitas coisas ardem em mim; as velhas soluções estão ruindo; nada foi feito ainda com as novas. Por isso começo, em toda parte ao mesmo tempo, como se tivesse um século pela frente... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Joacine Katar Moreira: Andei sempre contra a maré que nos indicava quais as nossas hipóteses, até onde é que podia ir. E eu olhava para isso não como uma limitação mas como algo que eu iria provar que não era bem assim... Veja mais aqui.

Cassandra Clare: Leia tudo! Não basta ler coisas que estão em sua zona de conforto ou coisas que você acha que já vai gostar. Experimente; experimente coisas novas e experimente novos gêneros. Se você ler muito romance, então comece a ler mistério. Se você ler muito mistério, comece a ler fantasia... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ROMANCE X OU DA DONZELA POBRE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Donzelinha, donzelinha \ dos grandes olhos sombrios, \ teus parentes andam Longe, \ pelas serras, pelos rios, \ tentando a sorte nas catas, \ em barrancos já vazios! \ Donzelinha, donzelinha, \ mira os santos nos altares, \ que apontam, compadecidos, \ para celestes lugares, \ onde são de ouro e diamante \ quantas lágrimas chorares! \ Donzelinha, donzelinha, \ fecha esses olhos sombrios. \ As montanhas são tão altas! \ Os ribeiros são tão frios! \ O reino de Deus, tão Longe \ dos humanos desvarios!

Poema extraído do Romanceiro da inconfidência (Nova Aguilar, 1997), da poeta, jornalista, pintora, escritora e professora Cecília Meireles (Cecília Benevides de Carvalho Meireles – 1901-1964). Dela o verso: Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda... que inspirou curta-metragem dirigido por Jorge Furtado em 1989. O documentário utiliza esse trecho do poema épico Romanceiro da Inconfidência para encerrar sua crítica ao sistema capitalista e à desigualdade. O curta-metragem acompanha o ciclo de vida de um tomate, desde a colheita até ser descartado em um lixão na Ilha das Flores (1989), dirigido por Jorge Furtado, em Porto Alegre. O objetivo da obra é escancarar a desumanidade social ao mostrar que, no local, porcos têm preferência de consumo sobre os restos de lixo antes que estes sejam destinados aos seres humanos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CASAS & TÚMULOS - [...] Feliz é aquele que, como Ulisses, viu cem paisagens. [...] Não existem palavras que sejam como água destilada, insubstanciais, alheias à vida e ao mundo. [...] Existem dois tipos de literatura: uma que propõe uma jornada para fora (crimes em Norlândia, paixões na corte chinesa do século XII, traições mortais em um campus americano…) e outra que inclui uma jornada adicional, aquela que o leitor deve fazer dentro de si. [...] Sei que os laços do amor não são iguais, e que um deles, o que vai de mãe para filha, deve ser mais forte do que o que vai de filha para mãe. [...], Trechos extraídos da obra Casas y tumbas (Alfaguara, 2019), do escritor espanhol, Bernardo Atxaga (Joseba Irazu Garmendia), autor de obras como The Accordionist's Son (2003), Memorias de una vaca (1991) e Obabakoak (1988), entre outros.

 

ALGUNS SÃO IDIOTAS MESMO!... - [...] Algumas pessoas SÃO idiotas e continuarão sendo, não importa o que você faça. Isso inclui os Mansplainers; pessoas de todos os gêneros que são tão convencidas de si mesmas que não ouvem (portanto, não é possível ter uma conversa); supremacistas de todos os tipos. Meu conselho? Se eles forem reincidentes, exponha-os, chame-os a atenção - mas com o idiota desconhecido ocasional que VAI incomodá-lo sempre que você começar a brilhar, não perca seu tempo tentando educá-los. Aprenda o que puder com eles: seus "argumentos" favoritos, sua "lógica", seus padrões de retórica - depois acene com a cabeça "obrigado" educadamente enquanto eles ainda estão bajulando sua superioridade intelectual sobre você e, em seguida, livre-se deles. Aprenda com a experiência, assim como você pode aprender ao assistir a uma palestra ruim. Algumas pessoas, entretanto, NÃO são idiotas (ainda), mas podem, ocasionalmente, agir como tal. Essas são salváveis e merecem seus esforços, SE você estiver disposto a isso. Você pode tentar perguntar educadamente: "Você percebe que está parecendo que está dizendo Y em vez de X e me insultando? Você realmente quis dizer isso? Porque você está parecendo um idiota, e eu não acho que você seja um" - ou algo nesse sentido. A parte importante é enfatizar como a pessoa está agindo como um idiota, quando você não acredita que ela seja um. As pessoas não esperam a franqueza, portanto, se não forem idiotas, a franqueza educada, não agressiva, não defensiva e puramente informativa as desarmará. E se, no fim das contas, elas forem idiotas... melhor que fiquem longe, não é mesmo? [...]. Trecho do artigo Algumas pessoas SÃO idiotas, e isso não vai mudar (Escritos em Neurociências,), da neurocientista e professora Suzana Herculano-Houzel, que noutro artigo, Todo mundo precisa ter problemas (Neurociências da vida comum), ela expressa: [...] Só com sensação de controle sobre a própria vida se deixam os outros em paz. [...] Eu hoje, neurocientista, entendo perfeitamente. Aprendi que a chave para o bem-estar está na sensação de controle sobre a própria vida, e que, por definição, só há “controle” onde existe algo a ser controlado: um problema ao alcance da nossa competência. Por isso os tempos de calmaria, teoricamente ideais, nem duram, nem são ideais de fato. Se não há problemas para resolver, criamos um, e ainda chamamos de “propósito”. Pode ser chamado de hobby, projeto de aposentadoria, mas também neto, nora, vizinho – ou imigrantes e outras pessoas estranhas em aparência, ideias ou religião. Acho que agora entendo a obsessão de cada vez mais gente mundo afora em controlar a vida dos outros, num flerte global com o autoritarismo que já descamba para a execução. Quem vive cronicamente estressado com subemprego e exploração socioeconômica, apanhando da vida, precisa da sensação de controle de poder baixar o cacete em alguma outra coisa ou alguém ainda mais na miséria. Para quem vive cheio de problemas, ir às redes sociais se meter nos direitos alheios oferece o alívio temporário tão necessário à sensação de impotência. E quem vive no estado oposto de afluência descansada precisa igualmente de um novo problema para resolver. Com a vantagem de gozar de tempo e dinheiro, parte dessas pessoas vão se meter a controlar os outros que vivem situações de merda tão profunda que requerem aborto, emigração ou novas chances, negando-lhes tudo apenas porque elas podem. Como fazer com que as pessoas parem de se meter na vida alheia? [...] Alguns problemas são insuperáveis, mas a vida é feita de todos os outros. [...]. Ela é autora da obra The Human Advantage: A New Understanding of How Our Brain Became Remarkable (The MIT Press, 2016). Veja mais aqui.

 

SANTANNA O CANTADOR

Eu acho que devemos ser eternos aprendizes, para podermos evoluir com mais consciência do que somos e do que queremos... Você tem que acreditar no seu jeito de fazer as propostas. Quando a coisa é verdadeira as pessoas notam e sentem. A verdade será sempre moderna e bem aceita, mesmo que doa...

Pensamento do parceiramigo, cantor e compositor Santanna, O Cantador. Veja a entrevista que ele concedeu pra mim e outras coisas a respeito do seu talento e carisma aqui.

 

LER BEM – O concurso Ler Bem 2026, iniciativa da Associação Pernambucana de Atacadistas e Distribuidores (ASPA) objetiva incentivar a leitura entre estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental de escolas municipais. Este ano o Observatório de Leituras da Semed-Palmares, acompanhou o estudante Zeus Vinícius Barbosa Holanda, da Escola Municipal Professora Maria Elizabete de Oliveira Calado, em Palmares, Pernambuco, em 3 encontros, contando com o apoio do professor Emerson José Oliveira da Silva e dos técnicos da Semed, comandados pelo professor Valmir Melo. A obra estudada foi A volta ao mundo em 80 dias (Le tour du monde en quatre-vingts jours - FTD, 2013), do escritor francês como Júlio Verne (Jules Gabriel Verne – 1828-1906), considerado o inventor do gênero de ficção científica. Veja o ocorreu durante os encontros e treinamentos aqui.

 


ARTE NA ESCOLA – O professor Emerson José Oliveira da Silva apresentou o artigo científico sob a temática A arte na educação infantil e desenvolvimento da criança na pré-escola, no Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, da Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul/PE (Famasul), de Palmares (PE), orientado pela professora Vanessa Ferreira dos Santos. Veja na íntegra aqui.


 

CENTENÁRIO DE DAREL VALENÇA LINS – Em 2024 comemorei o centenário do gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor, Darel Valença Lins (1924-2017), com a publicação do livro Dareladas, lançado tanto em Palmares, sua terra natal, como também no Rio de Janeiro. Confira como ocorreu aqui.

 


SEMANA HERMILO BORBA FILHO - Em homenagem ao advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017), acontecerá a Semana Hermilo, entre os dias 28 e 31 de julho, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto, em Palmares (PE). Confira detalhes & muito mais aqui.

 

E veja mais Pernambuco aqui.