Ao
som dos álbuns Echolocation (1987), A Delay is Better (2004), A
Secret Code (2021), Echolocation - Freedom to Spend (2021) e Simultaneous
(2025), da compositora, performer e artista multimedia estadunidense Pamela
Z.
Cômpito das emoções, desvelo da
consanguinidade... - Depois de haver realizado os 12 trabalhos de Hércules e a jornada do herói de Campbell, o andejo Uiruuetê
viu-se escolhido sem nem mesmo saber pra quê, errante por um sentido pra sua
existência. Afinal, a seu ver, ninguém valia mais que a sua própria morte. E já
que era filho da poderosa Uiraçu – a que desde os tempos em que o céu quase
esmagou a terra dos Ikolen, salvando-os do desastre e totemizada em símbolo da
conexão entre o céu e a terra -, vinha ele de lá degustando paisagens do Paraná,
diuturnidades pelo Mato Grosso, alumbramentos pelo Rio de Janeiro, pouso emergencial
em Campo Grande, já que repentinamente estava sob escolta e acontecências
inexplicáveis. Matutava a querela de ter sido confundido com acauã – ah, por
conta do agouro de morte e chamado sinistro da seca, lobrigou -, sendo por isso
jogado num ninho de gaviões hostis. Pelava-se de medo, havia no ar a ameaça de
ser devorado. Para quem fora abandonado pelo irmão e familiares, era mais uma
provação. Uma velha tartaruga veio não se sabe de onde, só cuspir-lhe às faces,
punindo-lhe o passado. Insultado ao limite, atacou com vingança até apropriar-se
de todas as cores da quelônia. E sua revolta o fez inchar-se peremptório, a
ponto de grasnar trovejante e, com toda ferocidade, agitou o brasão do Panamá e
nasceu-lhe um penacho na cabeça, a coroa da sua monarquia; seu corpo encheu-se
de penas, seus braços eram agora asas possantes e viu-se bípede nas patas com
unhas aduncas. Desfez-se o mal entendido e logo foi incorporado à dança dos
gaviões do povo Awá-Guajá e, rodopiando entre os Karawara, os espíritos da
floresta, tornou-se imediatamente parente dos urubus-buzzards, milhafres-milhanos-queimados,
harriers-tartaranhão, buteos e águias. Já estreitado, ele soube da inundação que emergiria dos confins do mundo e teria de partir visando
salvar a parentela que deixara longe dali. Chegando lá, a surpresa: foi tratado
como a vergonha da família, um pervertido demônio e enxotado aos apupos dos insensatos
desafetos. Lamentou-se exilado no meio da tempestade que despencara pro dilúvio
dos Tocantins. Sem razão pra viver deu o mergulho fatal e se deixou levar pela
correnteza. Sentiu-se envolvido por uma harpia com seus ventos tempestuosos,
resfolegou apavorado e, quase afogando-se, usou de sua rapidez, perspicácia e
instinto de caça, até desvencilhar-se da morte a cantarolar uma modinha: Voa,
voa, voa gavião \ Vai caçar noutro chão \ Vai se embora e volta não... Por
um instante respirava aliviado, quando viu lá longe, no topo da montanha, um
vulto de mulher. E pra lá se esgueirou apressado: Quem será? Aproximando-se
reconheceu Moema, aquela de cujo ventre nasceu o bastardo Brasil, de Adriana Varejão. A nativa Tupinambá havia ressuscitado depois de afogar-se de
paixão por seu amado Caramuru, que partiu sem dizer adeus. Tempos depois, um
jovem Sioux por ela enamorou-se e, pela segunda vez, desabou em prantos. Estava
ali provando da infelicidade: onde sua mãe virou águia para trazer a água e
acabar com a seca que assolava. Ledo engano. Por sua incansável faina
envelhecera e viera praqui depondo o seu próprio bico, penas e garras, para
morrer e ressuscitar. Ainda a viu bicando pedras, mas ela ao avistá-la, logo
voou senhora dos ares, rainha do céu, a mãe das aves, para nunca mais. O que
fazer então? Assim, noites e dias. Ele, um gavião errante; ela, uma águia
enlutada. E a lua era cúmplice das líricas confissões, o Sol esquentava nas
veias o teor de arrebatadora paixão. Ali, solidários, o movimento das águas, a
dança das estrelas, o mormaço dos corpos, a brisa da paixão. As águas baixavam
e o alarme ecoou do monstro Voçoroca, uma ameaça destrutiva e precisavam agir
sem demora. Antes, porém, completamente apaixonado, ele ousou indagar: Quem era
sua mãe? Uiraçu. Como? Já iminente hora e voaram para cumprir cada qual sua missão.
Até mais ver.
Wislawa Szymborska: Todo começo nada mais é do que uma sequência, e o livro dos acontecimentos está sempre aberto no meio... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Svetlana
Alexievich: Um tempo
cheio de esperança foi substituído por um tempo de medo. A era deu uma volta e
retrocedeu no tempo. O tempo em que vivemos agora é de segunda mão... Veja
mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Juliette Binoche: Vivo sempre o presente. Aceito esse
risco. Não nego o passado, mas é uma página que preciso virar... Veja mais
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
DOIS
POEMAS
I
- Você se senta
diante da morte. \ Está quente e nas alturas \ Você vai arrancar a sua própria
pele. \ para atender a uma marca.
II
- Tudo é
temporário. \ certamente até mesmo que você seja o denominador \ de todos os
meus pensamentos \ Em termos de sentimento, há algo \ infantil, e ainda \ É
melhor ser um herege do que um santo.
Poemas da poeta,
curadora e teórica de arte checa Jana Orlová, autora de obras como: Čichat
oheň (2012), Újedě (2017), Падло й інші вірші (2019), Mă
fuţi din milă (2019), Choice of Lipstick (2020), Nie uciekniesz
(2021), Neutečeš (2022) e Pus (2022).
TERRAS MARÉS – […] Ela havia encontrado,
incrustada em seu coração, como um poste de campo submerso em um barranco de
lama, uma grande determinação para viver. […] Ela permaneceu em silêncio em meio
aos sons tranquilos da noite, e a certeza a invadiu. [...] Eram pessoas
simples: quando alguém lhes dizia que não tinham nada a temer, sabiam que
estavam em apuros. [...]. Trechos extraídos da obra Tidelands (Thorndike Pr, 2019), da escritora e acadêmica anglo-queniana Philippa
Gregory, que também se expressa: Acredito em mim, na minha visão de
mundo. Acredito na minha responsabilidade pelo meu próprio destino, na culpa
pelos meus próprios pecados, no mérito pelas minhas próprias boas ações, na
determinação da minha própria vida. Não acredito em milagres, acredito no
trabalho árduo... Você precisa escolher o melhor, todos os dias, sem
concessões... guiado por sua própria virtude e mais elevada ambição... Veja mais
aqui & aqui.
NÓS
& A TERRA – Uma
poderosa sensação surge dentro de nós quando vemos nosso pequeno planeta azul
oceânico nos céus de outros mundos. Num instante, percebemos o quão pequenos,
frágeis e solitários realmente somos... Vamos ensinar aos nossos filhos, desde muito
pequenos, a história do universo e sua incrível riqueza e beleza. É algo muito
mais glorioso, impressionante e até reconfortante do que qualquer coisa que eu
conheça, seja encontrada nas escrituras ou em qualquer conceito de Deus... Nós, humanos, embora problemáticos e
belicosos, também somos os sonhos, os pensadores e os exploradores que habitam
um planeta de beleza comovente, ansiando pelo sublime e capazes do magnífico... Pensamento da
planetóloga, astrônoma e acadêmica estadunidense Carolyn C. Porco, que desenvolve o trabalho de exploração do sistema
solar, tendo começado no Programa Voyager, nas missões aos planetas Júpiter,
Saturno, Urano e Netuno, nos anos 1980, líder do programa de imageamento da
sonda Cassini-Huygens, em órbita de Saturno e atualmente atua na divisão de
imageamento da sonda New Horizons, lançada rumo a Plutão, em 2006, e atuando
como especialista em anéis planetários e no satélite natural de Saturno, Encélado.
Veja mais aqui.
LUIZ FELIPE PONDÉ
Sem hipocrisia não há civilização - e isso é
a prova de que somos desgraçados: precisamos da falta de caráter como cimento
da vida coletiva...
Pensamento do filósofo, escritor, ensaísta e
professor Luiz Felipe Pondé (Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé),
autor de obras como: O homem insuficiente: Comentários de Antropologia
Pascaliana (2001), Crítica e profecia: filosofia da religião em
Dostoiévski (2003), Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto (2010),
Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012), A filosofia da
adúltera - Ensaios Selvagens (2013), A era do ressentimento: uma agenda
para o contemporâneo (2014), Guia Politicamente Incorreto do Sexo
(2015), Filosofia para Corajosos (2016), entre outros. Veja mais aqui
& aqui.
&
VOU CONTAR ATÉ
100, JAQUE MONTEIRO
Acaba de ser lançado o livro Vou contar
até 100 (Uiclap, 2026), da escritora e arte-educadora Jaque Monteiro,
reunindo 100 microcontos e todos os microtextos com 100 caracteres. Ela é
autora dos livros Estações de humor, do I Oficina de Catadupas do
Brasil (2025) e As setigonistas ao quadrado (2026). Veja detalhes e
muito mais aqui, aqui & aqui.
Luiz Vieira aqui
Arlete Salles aqui, aqui & aqui.
Paulo Bruscky aqui, aqui, aqui & aqui.
Tâmara Dornelas
aqui.
Nhô Caboclo (Manuel Fontoura 1910–1976) aqui.
Janaína Esmeraldo
aqui.
Irandhir Santos
aqui.
Bruna Valença
aqui.
Reynaldo Fonseca
aqui.
Lourdes Nicácio
aqui.






