quinta-feira, fevereiro 18, 2016

TONI MORRISON, SCHELLING, DIDION, MICHELET, SARDUY, TED CHIANG, MONTELLIER & ZÉ BILOLA

 


UMAS DAS MAIORES DE ZÉ BILOLA – Estava ele aperreado com o andar da carruagem eleitoral e aos apupos: Pronde tu vais, Bilola-doida-da-peste!?! Ah, vão se lascar, comboio de fresco! Ele havia planejado um método de prospecção de eleitores e contabilizava diariamente o quanto de abraços, os bons dias, as boas tardes, boas noites, apertos de mãos, isso sem pregar o sono madrugada adentro, totalizando as contas, umas e outras, sem piscar o olho: Pelo jeito, tô ganho! Aí Ximênia, a patroa dele peiticou pela zoada: Vai dormir não, ô amolestado, ou vai virar tetéu? Eita! Já tá quase amanhecendo, seu canto gelado e como é? Quantas vezes eu já disse hoje que te amo? Nenhuma! Então vou dizer zilhões de vezes repetidamente e encarreado! Pare lá, se tais pensando que vai amolecer a decente aqui procê ganhar meu voto pra vereança, nem se ajeite e tire o pangaré da chuva: nunquinha! Engoliu seco o insulto, destá. Ô mulher braba da gota! E saiu chutando tudo afora, desencantado com sua performance na candidatura. O que é que eu faço? Como não decolava nem com pé-de-cabra na alavancagem, o negócio enfeiava pra banda do bocó. Tô endoidando! Ué, onde a manipulação? Era o seu desespero à flor da pele. Só havia uma saída: ou engrenava de vez ou largava tudo e se matava! Pronto. Cascavilhou e iluminou-se todo: Ou eu parto pra vender o voto, aí! Oxe, vendia o dele e o dos outros: da mãe, pai, irmãos perdidos, primos dos descampados, parentes distantes, achegados. E tapiava, se fazendo que mantinha a candidatura que já foi prele mesmo pro espaço: Todo castigo pra corno é pouco! Como ele nunca deu certo em nada, um ninguém esmolambado que só tinha de seu o esculhambado corpo e ideias, seguiu firme: Sou o imperador de Alagoinhanduba! Oxe, o Barão quando soube mandou logo os capangas dar um peteleco nele: Cara, você é um bosta, pura doidice, vou perder meu tempo com você não, foda-se! Mas, mas... E fugiu da bronca, andou que só a má notícia, até bater no cansaço de cair sem saber nem onde estava. Anoitecia lua cheia, as altas marés, a agitação insone, o lobisomem rondando e a bala de prata perdida, o urutau enxugando as lágrimas prateadas de Mama Quilla e ele se remoendo: mais fracassou na carreira fugindo duma capivara, de se ver desolado aos pensamentos tomados no meio duma violência de trapaceiros e mercenários das gangs de rua, a precariedade e os estropiados esmoleres, gente de duas caras, as bruscas mudanças climáticas e as drogas pros fungados, a sordidez das guerras e o sexo jejuado, o efeito Mandela e a pirataria de tudo, o ódio na gritaria dos crentes, paranoias de assombrados, tudo aquilo era um zoo de coisas estranhas e aterradoras, monstruosidades inomináveis, que o tolhiam no seu abandono. Desprevenido foi agarrado e injetaram na sua veia coisa de malignidade irônica: De novo? Ah, não. Fui enrabado! E teve alucinações, ouvia vozes e sentia coisas do outro mundo, demônios persecutórios bafejavam na sua cachola e uma voz buzinava ao ouvido: Vou te pegar! Saía escapando das táticas do perseguidor, desembestado que só. Foi tangido por uma multidão de zombeteiros, entrou na briga e defenestrou seu anfitrião que presenciava ali ao cisma da confusão. O que é isso? Parou confuso e cismava: estava diante da múmia Itsaria de Nazca, impressionado com os seus 3 dedos levantados e cabeça alongada, dizendo: Deus o quer mulher. Oxe! Lascou! E é o Schreber? Tô mole. Espie direito, alesado! Um recado cifrado? O seu juízo tosco só entendia que forças intergalácticas, reptilianos ou sabe-se lá, estavam prontas pro ataque. Vixe! Enrolou-se com os teoremas da imersão de Nash, teorias conspiratórias, coisas do outro mundo e pernas no mundo. Esse cara ou é um idiota ou um mitômano muito doido! Ih! O apocalipse? Vou alertar todo mundo! Danou a língua nos dentes e aos gritos, só parou porque o deus calango Lango Tango queria ser jacaré! Agora, deu! A deusa guardiã de Opará, Piratininga, apareceu-lhe e ofereceu o copo com o doçor das águas da inundação catastrófica e uma rapadura mágica: Coma, pra se salvar! Tomou e, com a primeira dentada. passou a adivinhar as coisas: previu a queda do ovo da pata do colo de Ilmatar. Eita, é mesmo! E as coisas endoidaram todas: coaxavam muitos sapos e rãs ao seu redor, uivos de tantos lobos por todos os lados, traquinagens de coelhos e lebres aos montes pra lá dá cá e além de acolá, por onde vinha Lara Croft nuazinha de braços abertos. Corre, fidapeste! Ouviu e se amedrontou: Que foi? Ela vem te matar, desgraçado! Na correria, quase coração saindo pela boca, língua de fora estirada: pra Serra da Prata? Sim, achar o caminho de Peabiru pra Yvy Maraey. Pra quê? Ora, corre! Findaram atolados quando as águas do riacho contaram da Guata Porã. Como é que é? Desconfiado, fez uma simulação – achava que seu corpo era imortal, não era, estava todo desconjuntado pra morrer. Tá doido? Na defensiva viu o papavento depois da trovoada: Olha o sinal! Uma chuvada com o arco-íris: Quanta doidice! É o rato de Rockland – o rato de 11 milhões de anos? Não, o híbrido demiurgo que vai salvar tua tontice! Foge! Pé na bunda. Só despertou atarantado, às cabeçadas pelas paredes, arranchando-se num canto da casa, desvalido, fazendo bico aos estalos, vibrato ao mexido do dedo na boca, besourado blu-blu, zunido estralado, bilu teteia nos beiços. Ih, pirou de vez! Oxe, lascou-se mesmo! Arreda.

 

CAMPANHA DO ZÉBILOLA

NO BIG SHIT BOBRAS

ZÉ BILOLA ACENDE O FACHO & TOMA NA TARRAQUETA

XOXOTOPOLIS: QUANDO ZÉ BILOLA ACHA O CAMINHO DA CASA DA PESTE!!!!

OLIMPÍADAS DE ALAGOINHANDUBA

DEPOIS DA TEMPESTADE NEM SEMPRE UMA BONANÇA

QUANDO NÃO É NA ENTRADA É NA SAÍDA

MAIOR ARRANCA-RABO!

 A ÚLTIMA: ZÉ BILÔLA NA FITA

 

PS: Ximênia não se fez rogada, fitou o estado deplorável dele e sapecou: Bem empregado, eu que num vou ter pena de cuidar dessa trepeça! E foi-se. Veja mais dela ingicada aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Aproveite o momento. E, se você me perguntar por que deveria se dar ao trabalho de fazer isso, eu poderia dizer que o túmulo é um lugar belo e reservado, mas acho que ninguém se abraça lá. Nem cantam, nem escrevem, nem discutem, nem veem a pororoca no Amazonas, nem tocam em seus filhos. E é isso que há para fazer: aproveitar enquanto pode — e boa sorte nessa empreitada... Pensamento da jornalista, escritora e ensaísta estadunidense Joan Didion (1934-2021). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eles não se reconhecem nas imagens de mulheres. Elas os desestabilizam. Sem mencionar o medo da castração... Pensamento da quadrinista, cartunista editorial, escritora e pintora francesa, Chantal Montellier, a primeira cartunista editorial feminina na França e pioneira no envolvimento das mulheres em histórias em quadrinhos..

 

TONI MORRISON – No livro Amada (Companhia das Letras, 2007), da escritora estadunidense e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1993, Toni Morrison, conta a história de uma ex-escrava que foge duma fazenda para refugiar-se numa cidade, na qual ela se vê envolvida com o fantasma de uma filha morta dezoito anos atrás. Da obra destaco o trecho: [...] Dez minutos para cinco letras. Com mais dez ela podia ter conseguido “Bem” também? Não tinha pensado em perguntar a ele e ainda a incomodava aquilo ter sido possível — que em troca de vinte minutos, meia hora digamos, ela podia ter conseguido a coisa toda, todas as palavras que tinha ouvido o pregador dizer no enterro (e tudo o que havia para dizer, com certeza) entalhado na lápide: Bem-Amada. Mas o que ela havia conseguido, que escolhera, era a única palavra que importava. Ela achou que podia bastar, copular entre as lápides com o entalhador, o filho dele, menino, olhando, tão velho o ódio em seu rosto; bem novo o apetite nesse rosto. Aquilo com certeza devia bastar. Bastar para responder a mais um pregador, a mais um abolicionista e a uma cidade cheia de aversão. Contando com a quietude de sua própria alma, ela esquecera a outra: a alma de sua filha bebê. Quem haveria de dizer que um velho bebezinho pudesse abrigar tanta raiva? Copular entre as lápides sob os olhos do filho do entalhador não bastou. Não só ela teve de viver seus anos numa casa paralisada pela fúria do bebê por lhe terem cortado a garganta, como aqueles dez minutos que passou esmagada contra a pedra cor de amanhecer salpicada de lascas de estrelas, os joelhos tão abertos como o túmulo, foram os mais longos de sua vida, mais vivos e mais pulsantes que o sangue do bebê que encharcaram seus dedos como óleo. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.


A FILOSOFIA DE SCHELLING – O volume Obras escolhidas, do filósofo do Idealismo alemão, Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (1775-1854), reúne na primeira, as dez cartas filosóficas sobre o dogmatismo e o criticismo em que se opõe à chamada moral da existência de Deus e mostrando que para o criticismo que se contrapõe ao dogmatismo a destinação do homem é o esforço pela autonomia inalterável pela liberdade incondicionada, o programa sistemático que marca o surgimento do idealismo alemão e do movimento romântico, a exposição da ideia universal da filosofia em geral e da filosofia da natureza como parte integrante da primeira, a Divina Comédia e a Filosofia na qual o autor mostra como a obra de Dante é o modelo exemplar da poesia moderna, Bruno ou do principio divino e natural das coisas no qual o autor desenvolve um diálogo que caminha para a discussão das noções de unidade, absoluto, infinito ideal e real, e, por fim, a História da Filosofia Moderna em que o autor aborda sobra Hegel interpretando a relação existente entre a lógica hegeliana e o Absoluto. O filósofo em estudo partiu de sua adesão aos escritos do sistema fichtiano, libertando-se em seguida do seu mestre por constatar insuficiente a tese de que a natureza é apenas uma resistência oposta à atividade infinita do eu e produzida por essa atividade. Schelling passa a defender a ideia de que a natureza é tão real e tão importante quanto o eu, afirmando ser tanto a natureza como a objetividade, aquilo que fornece à consciência material para reproduzir. Para ele, a essência do eu é espírito, a da natureza é matéria e a da matéria é força. Com isso ele apresenta uma espécie de naturalismo organicista procurando resolver os problemas colocados pelas ciências físicas, acreditando que o objetivo fundamental das ciências fosse a interpretação da natureza como um todo unificado. A partir da valorização da natureza, ele transita coerentemente através da ideia de desenvolvimento dialético, chegando a uma concepção mais ampla que denominou de Sistema de Idealismo Transcendental, expondo o desdobramento da consciência absoluta em suas relações com a dialética da filosofia da natureza e apresentando as ideias sobre o desenvolvimento da consciência no curso da história. A estética elaborada nesse sistema sustenta que, na obr de arte, a inteligência se torna totalmente autoconsciência, enquanto que na filosofia a inteligência é abstrata e limitada em suas tentativas de exprimir uma potencialidade infinita. Na obra de arte a inteligência realiza toda a sua potencialidade, porque está livre da abstração. Dessa forma, a arte seria o objetivo último para o qual tende toda a inteligência. A arte seria a verdadeira filosofia, na medida em que, nela se reconciliam a natureza e a história. Veja mais aquiaqui.

REFERÊNCIA
SCHELLING, Friedrich; Obras escolhidas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

 

A BRUXA, BELLADONNA - [...] O homem caça e luta. A mulher trama e sonha; ela é a mãe da fantasia dos deuses. Ela possui a segunda visão, as asas que lhe permitem voar em direção ao infinito do desejo e da imaginação. [...] Trecho extraído da obra La Sorcière (Garnier-Flammarion, 1966), do historiador e filósofo francês Jules Michelet (1798-1874), que inspirou o filme de animação japonês do gênero drama erótico, Kanashimi no Belladonna (1973), realizado e escrito por Eiichi Yamamoto, a terceira parte da trilogia de filmes eróticos Animerama. Veja mais aqui.

 

HISTÓRIA DA SUA VIDA – [...] Apesar de conhecer a jornada e aonde ela leva, eu a abraço e acolho cada momento. [...] O amor incondicional não pede nada, nem mesmo que seja retribuído. [...] A liberdade não é uma ilusão; ela é perfeitamente real no contexto da consciência sequencial. No contexto da consciência simultânea, a liberdade não tem sentido, mas a coerção também não; é simplesmente um contexto diferente, nem mais nem menos válido do que o outro. É como aquela famosa ilusão de ótica: o desenho que pode ser visto tanto como uma jovem elegante, de rosto voltado para longe do observador, quanto como uma velha de nariz verrugoso e queixo encostado no peito. Não existe uma interpretação “correta”; ambas são igualmente válidas. Mas não se consegue ver as duas ao mesmo tempo. Da mesma forma, o conhecimento do futuro era incompatível com o livre-arbítrio. O que tornava possível exercer a liberdade de escolha também tornava impossível conhecer o futuro. Por outro lado, agora que conheço o futuro, jamais agiria de modo contrário a ele — o que inclui contar aos outros o que sei: aqueles que conhecem o futuro não falam sobre ele. Aqueles que leram o Livro das Eras jamais admitem tê-lo feito [...]. Trechos do conto extraído da obra Stories of Your Life and Others (Tor Books, 2002), do escritor taiwanês Ted Chiang, que inspirou o drama de ficção científica Arrival (2016), dirigido por Denis Villeneuve e escrito por Eric Heisserer.

 

VEJA, PERMANEÇA NA INFINIDADE SEM ESTRELASQue o infinito seja sem estrelas, \ que a curva do tempo se endireite. \ E perca seu brilho, \ quando um planeta oscila no wensu e nos vestígios da explosão primordial. \ Categoria: Aquelas notícias recebidas \ desde o início das galáxias, do imenso vazio, \ Hoje, luz fóssil. \ Belos paradoxos que anunciam \ o que passou e postulam o futuro no passado. \ Universo de puro sopro: \ um espaço que flui como um rio \ e um tempo sem presente, opaco e frio. \ O tempo da espera e do esquecimento. Poema do escritor, jornalista e crítico cubano, Severo Sarduy (1937-1993).

 


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