quinta-feira, setembro 03, 2020

HELEN KELLER, ELEANOR HIBBERT, ABDIAS DO NASCIMENTO, MARY SHELLEY, JIŘÍ RŮŽEK, FLORENCE NIGHTINGALE & MAÍRA ERLICH


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DE ESBORRAR PASSANDO DA CONTA!?! - Gentamiga, vamos colocar um papo aqui na roda. Seguinte, o Fecamepa evoca uma simplicíssima reflexão: suponhamos que um certo desgoverno Coisonário, fictício que seja, aliciasse a todos com rebuço das suas desastrosas paixões obcecadas pelo poder e suas tempestades emocionais em que a mentira sobrepuja a verdade, o Estado sobre a Justiça, a guerra e a morte sobre a vida, o ódio sobre o amor e, disso, assim mesmo, fosse detectada um tanto de intriga, ódio e difamação. Sim, desse jeito mesmo e nos bastidores armasse de tudo sob sigilo ultrassecreto, sonegasse informações, escondesse dados, extinguisse conselhos civis, insultasse a imprensa, os outros poderes e a inteligência da população; enrolasse e levasse nas coxas as questões atinentes ao desemprego, a pandemia e a crise econômica, dificultasse a aposentadoria, enfraquecesse o SUS para que a saúde fosse tratada por qualquer coisa sob manobras e subnotificações; o meio ambiente e todos os ecossistemas passassem a ser torrados por fogaréu geral, com liberação de agrotóxicos e explosão dos índices da violência nas áreas rurais e urbanas; privatizasse para atender interesses das elites em detrimento da população; produzisse doidices polêmicas e desequilibradas no território familiar, da mulher e dos direitos humanos; provocasse relações internacionais com protocolos aviltados e desconformes; perdoasse dívidas do agronegócio e evangélicos, entregasse a Base de Alcântara, fomentasse o fascismo e práticas totalitárias, interferisse em todo aparelho estatal, propagasse notícias falsas aos montes, tivesse ligação íntima com as milícias e desenvolvesse uma gestão para lá de desastrosa que redundasse num sem número de denúncias-crimes requerendo o impeachment e outras tantas mais além de tudo, isso no campo da suposição, será que poderia ser real mesmo ou eu estou ficando doido de ver isso no aqui agora? Sério, em que lugar do mundo se sustentaria e estaria de pé mandando e desmandando? Acredito que qualquer um diante disso daria uma de Mary Shelley e, de queixo caído, diria: Contemplei o coitado... o desgraçado monstro que eu havia criado. E, com certeza seguiria o mote dela, acrescentando como glosa: O mundo precisa de justiça, não de caridade. Então vem sempre aquela voz me dizer que: o começo é sempre hoje. Com certeza, qualquer desgraça pouca não é só bobagem, e que nunca é tarde para se faz alguma coisa concordando imediatamente com Florence Nightingale: É necessária uma certa dose de estupidez para se fazer um bom soldado. Quanto mais um capitão que deu baixa em condições de extremo desatino! Será que estou fazendo a leitura certa da realidade ou estou inventando? Ora, ora, já não passou da hora da gente cobrar providências mais enérgicas? Sei não, ora, ora. Faço a minha parte mais que indignado, de luto pelos milhares que já se foram e na luta para tirar da minha frente situação tão calamitosa. Vamos simbora, gente! Ah, já ia me esquecendo: vem aí as desventuras do Capitão Cloroquina, o anti-heroi Coisonário, aguardem. 

DUAS DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO – Nossa! Vamos pras cenas. Primeiro: que o ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário e ativista dos direitos humanos e civis das populações negras, Abdias do Nascimento (1914-2011), que era militar e foi perseguido, preso diversas vezes e, inclusive, expulso do exército por sua atuação no combate à discriminação racial. Segundo: que este autor criou em 1944, o Teatro Experimental do Negro, promovendo apresentações teatrais, além de convenções e congressos para debates acerca das questões raciais brasileiras, combatendo o mito da democracia racial ocorrida nos anos 1960 e, consequentemente, não resistindo aos embates, o teatro foi extinto por dificuldades financeiras em 1961. O depoimento acerca de tudo isso está no texto Teatro Experimental do Negro: trajetórias e reflexões (Estudos Avançados, 2004), oriundo da peça teatral homônima de 1959, em que ele expressa: Era previsível, aliás, esse destino polêmico do TEN, numa sociedade que há séculos tentava esconder o sol da verdadeira prática do racismo e da discriminação racial com a peneira furada do mito da “democracia racial”. Mesmo os movimentos culturais aparentemente mais abertos e progressistas, como a Semana de Arte Moderna, de São Paulo, em 1922, sempre evitaram até mesmo mencionar o tabu das nossas relações raciais entre negros e brancos, e o fenômeno de uma cultura afro-brasileira à margem da cultura convencional do país. Por conta disso, se faz necessário mencionar que o autor possui diversas obras, a exemplo de Race and ethnicity in Latin America - African culture in Brazilian art (1994); Brazil, mixture or massacre? essays in the genocide of a Black people (1989); Racial Democracy in Brazil, Myth or Reality?: A Dossier of Brazilian Racism (1977); O Quilombismo (Vozes, 1980); O Genocídio do Negro Brasileiro (Paz e Terra, 1978), entre outros publicados no Brasil e no exterior, além de filmes que vão desde O homem do Sputnik (1959), Cinco vezes favela (1962), Cinema de Preto (2005) e de documentários sobre sua trajetória. Homenagem feita e justa nestes tempos obscuros de execrável racismo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

TRÊS DECEPÇÕES EM CIMA DA BUCHA & A RESILIÊNCIA EM DIA - Imagem do fotógrafo tcheco Jiří RůžekApesar de tudo, nunca esmoreci. Situação aversiva que fosse, nunca baixei o badalo. Escapava fedendo, arriava aos farrapos e, no outro dia, pronto para outra e novinho em folha. Isto quer dizer que enverguei de quase torar de sobrar os farelos, mas depois de ter morrido um tanto de vezes, ressuscitava. Foram tantas mesmo que perdi a conta, já me acostumei a dormir entre escombros e acordar como se fosse a primeira vez e nada tivesse acontecido antes. Nunca esqueci Helen Keller: Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar. Ah, mas tem os que atrapalham e como tem! Não só jogam do contra, como impedem ou fazem de tudo para que não se consiga o que quer que seja. E se conseguir, dizem que botam o olho gordo daquilo se perder, quebrar ou emperrar na hora. O que me ofereciam de figa, simpatias e protetores curiosos, oxe, meio mundo de tranqueira para me proteger dos agouros dos maledicentes. Na minha, só me valia dos ditos daquela escritora britânica Eleanor Hibbert (1906-1993) com seus trocentos pseudônimos: Realmente acredito que existem algumas pessoas que odeiam contemplar a felicidade dos outros. Nunca se arrependa. Se for bom, é maravilhoso. Se for ruim, é experiência. Foi disso que aprendi a levar tudo como lição. Se não deu, aprendi, mesmo cônscio do fracasso recorrente. Ora, foi muito aprendizado, enormes aprendizagens. Trocando em miúdos, vivi plenamente, nada a reclamar. Até mais ver.

A FOTOGRAFIA DE MAÍRA ERLICH
Gosto de enxergar a fotografia como algo muito além de ser só um registro, a fotografia tem muitas oportunidades de ser algo maior, mais profundo e transformador para muita gente. Você produzir uma foto que faça uma pessoa repensar todo o mundo dela eu acho isso um poder incrível.
A arte da premiada fotógrafa Maíra Erlich. Veja mais aqui & aqui.