segunda-feira, setembro 14, 2020

GLORIA ANZALDÚA, FRANK ZAPPA, VICTORIA BORISOVA, RICHARD SENNETT, RODOLFO LEDEL & LUIZ QUEIROGA

  DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... CATÁBASE... - Milhares de mortos nublaram o meu sorriso e a vida o meu país nas trevas, era Frank Zappa me dizendo: a estupidez é o elemento básico do universoNão havia como prever Fecamepa tão medonho e estou só como se fizesse a trilha de Lidenbrock dos manuscritos do alquimista Saknussem na viagem de Verne ao som de Wakeman, a descer pela cratera do vulcão islandês Sneffels para não sei onde. Na verdade, parece mais no aqui e agora, baixava ao inferno e não foi a minha primeira vez, nem a última, porque sou argonauta e, tal Orfeu solitário, mereço Eurídice. Lá que é aqui, a ninfa Estige era um rio do Hades e logo me veio o barqueiro Caronte carregado das almas que abandonavam seus sonhos, desejos e deveres no Aqueronte. Ele fez a vez do psicopompo e me revelou: o inferno não é onde estou, mas onde você está que era o paraíso Hy-Breazil. Não sabia e ainda estou vivo.


DUAS VEZES VIVO MUITO MAIS!  - (ao som da Symphony nº 1 – The Triumph of heaven, de Victoria Borisova Ollas – Imagem art by Rodolfo Ledel) - Tem horas que voo na vida. Noutras, ela me leva. À espera do Sol e da hora de ir para não mais voltar, penso e sou o homem de Jung na raça de Vasconcelos Calderón enquanto Gloria Anzaldúa me dizia o verso do Útero sem túmulo: Padeço de um mal: a vida, / enfermidade recorrente / que me purga da morte. E era ela, luz&ar, nua e linda do inopinado como se rufassem todos os tambores da paixão com uma orquestra atacando a overture da sinfonia dos seus encantos para me embriagar pela indelével dança do amor e me fizesse de uma vez por todas esquecer pretéritos e crástinos porque tudo era agora e não mais que isso valesse a pena viver eternamente. Sou duas vezes vivo nela e muito mais.


TRÊS MIL VEZES A VIDA! - (Imagem art by Rodolfo Ledel) - Com a colagem das três decepções em cima da bucha & a resiliência em dia, persigo a vida e persevero, mesmo que o potencialmente perigoso asteroide Apolo 2020 QL2 mude de rota, errante de rumo e faça a danação de vez numa colisão que seja para que se diga que era só o que faltava este ano, enquanto Richard Sennett ironizasse a invisível tragédia que vige ao nosso redor: Não há mais o medo de violência entre "tribos", o que acontece é mais sutil, é um recuo em relação ao outro, como se o outro simplesmente não existisse. Nem me dera conta, muito embora soubesse da indiferença de todos apagando toda capacidade de indignação e nos desumanizando. Acabei de crer: indubitavelmente o inferno é aqui, só pode ser mesmo. Até mais ver.

LUIZ QUEIROGA, O HUMILDE IMENSO
Eu num tenho bicicreta / num tenho jipe, nem carro, nem caminhão / mái, no meu jegue, nas estrada eu disparo / e até já me apelidaro, Fittipardi do sertão. / O meu jumento deixa muita gente zônza / eu já quis corrê em Monza / e ía fazê figura / mái, reparei que o bicho tem até buzina / mái num usa gasulina / e lá num tem capim gordura. / Prá passa marcha a gente aperta nas urêia / o jumento se aperrêia e voa feito um avião / cum uma isporada ele rônca na trasêra / deixa tudo na puêra, meu jumento é campião!
Fittipárdi do sertão, extraído da obra Luiz Queiroga, o humilde imenso – o criador do Coronel Ludugero (Autor, 2006), da cantora e pesquisadora Mêvinha Queiroga, reunindo a biografia e textos de Lula Queiroga, José Mário de Austragésilo e Lúcio Mauro, Luiz Maranhão Filho, além de depoimentos de Arnaud Rodrigues, Carlos Fernando, Maciel Melo, Brivaldo Franklin – Zé do Gato, José Teles, Luciano Jacinto, Detto Costa, Jorge de Altinho, Coroné Caruá, entre outros. Veja mais aqui.