quarta-feira, julho 15, 2020

CONAN DOYLE, CRISTINA MOURA, RECORDANÇA & A MULHER DO ALGODÃO



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: A MARÉ ESTÁ BRABA, MAS NÃO PODE AMOLECER - O Brasil tem dessas coisas: a gente fica com a bronca pelo pescoço, tentando não naufragar nas crises inventadas, manipuladas e desembocadas só para quem tem e muito! E digo isso por décadas de timbungada pelas sazonais desditas que sobram das mazelas escondidas dos que comandam o país, avalie. Não dá outra, do lado de cá da corda, a coisa fica para lá do horror com tudo à deriva, pagando o pato e só lapada no toitiço. Por isso que, para mim, sempre vale o que vociferava a Emmeline Pankhurst: Nós não queremos quebrar as leis. Nós queremos fazer as leis. Por isso, nunca se renda, nunca desista da luta! E mais ainda: por já se saber de cor e salteado aqui o que o Walter Benjamim deixou sacramentado: Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe! O capitalismo nunca morrerá de morte natural. Pois é, os pilotos sabidos sempre se esconderam na horagá e, agora, mais do que nunca, estamos desgovernados não se sabe para qual fundura ao deus dará. Vamos nessa e às cegas, afinal somos todos um.

DUAS: CUIDANDO ENTRE OLHO ABERTO & OUTRO FECHADO - Entre um piscado e outro dos olhos, constato: o que há entre o desiderato e o alarido dos tormentos, só dão em prevalecentes aporias. Ou, melhor dizendo: o mesmo que um meio de campo embolado pela retranca de desalmados aventureiros que não estão nem aí pra gente na geral com o coração na mão e sem nem saber para que lado torcer. Aí tudo é só pesadelo e manadas se formam umas atrás das outras e quem fica com o olho aberto fica feito os 7 gols alemães. Sinto que aí a gente foi sacaneado de um jeito ou de outro. Vamos lá. Quando me bate alguma emoção onírica, recorro logo ao Jacques Derrida: Eu sempre sonho com uma caneta que seria uma seringa. O que não pode ser dito acima de tudo não deve ser silenciado, mas escrito. Como ninguém me ouve nem deve, meto as catanas para cima e arrocho nos garranchos até não querer mais de tão rouco. É isso.

TRÊS: MISTURANDO AS TINTAS DAS LETRAS & CORES - Nada me basta mesmo, afoito que só! Nem bem comecei a soletrar umas escritas recorrentemente desmanchadas por escansões inapropriadas, mormente confusão entre os sintagmas e outros tantos solecismos, coisa de poetastro metido a beletrista. Pois é. Ainda por cima, inventei de pincelar sem o devido domínio nem das cores primárias – resultaram inúteis as repetidas consultas ao manual do Israel Pedrosa -, meti as mãos pelas pernas e findei colando imagens sob tintas, o que deu na maior seboseira. Aí, tentando esconder minha imperícia, achei melhor deixar meio que quase monocromático abstrato para passar a ilusão dum p&b lá que meio desaprumado. É que eu havia levado ao pé da letra Rembrandt: Tente colocar em prática o que você já sabe e fazendo isso, você descobrirá, com o tempo, as coisas escondidas sobre as quais agora você se questiona. Pratique o que você sabe e isso ajudará a tornar claro o que agora você não sabe. Quanto mais perigoso, mais belo! Ah, ledo engano esse meu. Só que eu não sabia, esse o detalhe e a questão, confesso. Taí, todo dia emplaco uma no cabeçalho daqui, mesmo convencido de que nunca levei jeito para nada, sempre o imprestável: vai ser desajeitado assim no raio que parta, broco! Digo pra mim mesmo: desculpa de amarelo é comer barro, hehehehehe. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: No momento, nosso mundo de humanos é baseado no sofrimento e na destruição de milhões de não-humanos. Aperceber-se disso e fazer algo para mudar essa situação por meios pessoais e públicos, requer uma mudança de percepção, equivalente a uma conversão religiosa. Nada poderá jamais ser visto da mesma maneira, pois uma vez reconhecido o terror e a dor de outras espécies, você irá, a menos que resista à conversão, ter consciência das permutações de sofrimento interminável em que se apoia a nossa sociedade. A mediocridade não conhece nada mais do que ela mesma, mas o talento instantaneamente reconhece o gênio. Aprendi a nunca ridicularizar a opinião de ninguém, por mais estranha que possa parecer. Pensamento do escritor e médico britânico Arthur Conan Doyle (1859-1930), aquele mesmo das inventivas histórias do detetive Sherlock Holmes. Veja mais aqui.

A MULHER DO ALGODÃO
[...] em uma escola particular, onde começaram a circular boatos sobre uma tal mulher loura que aparecia no banheiro das crianças em busca de seu filho morto. [...] E todos os dias estudantes saiam correndo do banheiro gritando: “Eu vi a loura! Eu vi a loura!” O pavor era grande. [...] Certa vez, minha irmã mais velha – que estudava na mesma escola que eu – sentiu vontade de ir ao banheiro durante a aula. Mas ninguém poderia acompanhá-la naquele momento. As escadarias do colégio estavam desertas: já no caminho ela sentiu um calafrio! E o banheiro estava escuro. Ao entrar, minha irmã dirigiu-se ao cubículo mais próximo da porta, pois já pensava em ter que fugir. Trancou-se na tentativa de ficar segura, usou o sanitário de olhos fechados e, de repente, sentiu uma presença. Abriu os olhos e lá estava a loura parada em sua frente. Tinha cabelos longos e claros, e uma expressão muito triste que só não chamava mais atenção do que os chumaços de algodão ensanguentados no nariz. Por um momento, a minha irmã pensou em fugir, mas a passagem estava bloqueada pela mulher. Tentou se acalmar um pouco e ficou ali durante alguns segundos observando o fantasma que, do mesmo jeito que apareceu, desapareceu sem deixar nenhum vestígio. [...].
A MULHER DO ALGODÃO - Trechos de um relato extraído da obra Histórias medonhas d’O Recife Assombrado (Bagaço, 2002), organizado por Roberto Beltrão. Veja mais aqui.

A DANÇA DE CRISTINA MOURA
A confusão da arte contemporânea, o lugar do público e do intérprete, o processo artístico, o estar em cena. O espetáculo fala do que vivemos hoje.
CRISTINA MOURA - A arte da coreógrafa, atriz, diretora, bailarina e artista múltipla Cristina Moura, que estudou e tornou-se membro da companhia EnDança e, depois, ingressou no Coletivo Improviso. Desenvolveu as performances Como um idiota (Like an Idiot - 2003), Im-Pulso e o mais recente solo Agô. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
RecorDança, um acervo do projeto de pesquisa, documentação e difusão da memória da dança, realizado pela Associação Reviva, desde 2003, reunindo o registro digitalizado de fotos, vídeos e programas de espetáculos produzidos na Região Metropolitana do Recife.
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Os ambulantes de deus, do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976) aqui.
A obra do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui & aqui.
A música do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre aqui.
Sísifo, do poeta Marcus Accioly (1943-2017) aqui.
Pintando na Praça aqui & aqui.
Das quedas, perdas e danos aqui.
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Gameleira aqui & aqui.