Imagem: Acervo ArtLAM.
Ao som do álbum Preludiando (Accoustic, 1997), da
compositora e pianista Carolina Cardoso de Menezes Cavalcanti (1913-2000),
com composições de sua autoria e releituras de Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Hekel
Tavares/Joracy Camargo e Henrique Vogeler.
Logorreia in
media res... - Num esconderijo recolheu-se altivo
A: braços cruzados, pernas abertas, recostado, nem mais aí com nada. Aí bisonho
B foi bulir com quem estava quieto e perguntou: O que é que houve? Nem perguntou
direito e carrancudo C chegou bem chato: Vem ou não? E aumentou a gritaria com
dadivoso D logo insinuando: Isso é um vitupério! Pronto, embananou tudo porque
efusivo E ajustou na fivela: Fique na sua! E tentava escapar das garras de facundo
F nos puxões aos agarrados: Vai virar suruba! Engrossou o caldo garboso G: Ôpa,
nessa que vou, quero também! Nem deram conta de humilde H: Ah, não – será um
assalto? Enquanto ileso I passava de fininho com os estribilhos de seus
epitáfios. Aí jactante J fisgava todos na isca: peras devassas, morangos adúlteros,
safadas mangabas... Ali lépido L assistia toda logopeia de hybris e kitsch: Vai
que dá certo e finda bom, hem? Assustou-se mesmo foi com manhoso M que veio com
a cama de gato: da goela pra baixo tudo era perna! E notório N chamava atenção pra
sua idolopeia: Ninguém sai nem entra! E fez sinal chutando a caixa do zoadeiro
e obeso O caiu na folia, misturando tudo na roda com dissonantes diminutivos:
Boínho-inho-inho! Do outro lado potente P gritava: Vamos botar ordem na confusão!
E robusto R se arranhava batendo o pé invocado: Isto tem mais jeito não! Mais serpenteava
S só e repelia gaiato empurrando pra dança: Vambora, putada! Levava de rodo tênue
T de braços abertos: Bora, cambada, vale tudo, carpe diem! E ufano U escapulia:
Tô fora, ora essa! Arrastado por viril V que se adiantava puxando todos pro
chão: Fora, nada: Abre-te, Sésamo! Até que xingador X extorquiu clichês na
tronchura dos ditirambos: Vai ou não? Zangou-se Z ameaçando: Senão, crau! Seguiu-se
mise-en-scène pelo folgado jogral: consoante tocava alaúde na loa anacreôntica,
a vogal dançava nonsense aos circunlóquios, a exclamação aos pulos anafóricos,
a interrogação aos abafos do burlesco, dígrafos perdidos, cacófatos às
explosões, antônimos sem vigência, locuções vituperadas, vocábulos desfeitos, verbetes
a pá lavrada nos palimpsestos, lexemas pinotaram, ecos de rimas extravasadas, dicionários
dissolveram-se, enciclopédias viraram cinzas dissipadas, as palavras
enlouqueceram, os vocábulos surtaram, morfemas se empirulitaram, enunciados se
escafederam, locuções que arribaram, línguas sumidas, dialetos enterrados,
desditos quantos nem ditos nem mais apalavrados, siglas esfumaçadas, sílabas
evadidas, muito menos afixos ou desinências pelas garatujas sumidas na
disortografia, nem um rabisco pra remédio, gírias atrapalhadas, uma verdadeira
logomaquia, será? Não teve gramático nem linguísta que desse jeito: umbigo
& artefato, impromptu e deus ex machina. Não tem mais abecedário na cabeça de
mudo, novilínguia e falante sem fala, palíndromos de volapuque e vozes caladas,
acrônimos de esperanto e escritas perdidas, heterônimos desfeitos, epigramas
assanhados, não se dizia mais nada aos ossos e caroços nos calembures derretidos,
caligramas borrados e cadavres exquis era uma vez pra sempre. Deixou de ser,
babau! E tudo sumiu como por encanto. Moral da hestória: a certeza de quem nem
sabia pra dúvida de quem quase sequer não sabia tudo. Até mais ver.
Walt Whitman: Mantenha sempre o rosto voltado para o sol, e as sombras ficarão para trás... Deixe sua alma permanecer serena e equilibrada diante de um milhão de universos... Cada momento de luz e escuridão é um milagre... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Can Xue: Sonhar
acordado era uma forma de relaxar, uma espécie de entretenimento, uma espécie
de terebintina saborosa. Agora tudo havia mudado. Meus devaneios não eram mais
divagações; agora tinham um objetivo... Veja mais aqui & aqui.
Pia Tafdrup: Minha poesia nasce entre dois polos: entre a fome de
viver e o medo da morte, entre a excitação e a reflexão, a linguagem e o
silêncio. O processo nunca é o mesmo, mas — prolongado até vibrar entre
extremos — contém uma necessidade imperativa que raramente pode ser explicada
de outra forma senão: não posso fazer outra coisa, portanto, devo fazê-la... Veja mais aqui & aqui.
SINTO SEUS LÁBIOS
MACIOS
Imagem: Acervo ArtLAM.
Eu sinto seus lábios
macios \ contra os meus. Seria isso \ mágica? \ Seria isso verdade? \ Quantas
noites \ eu sonhei com isso? \ Venha \ para os meus braços mais uma vez. \ Deixe-me
sentir que você está aqui. \ Tanto tempo \ se passou desde \ a última vez que
te abracei tão forte. \ Diga-me que me ama. \ Deixe-me ouvir essas doces
palavras \ sussurradas em meus ouvidos. \ Não consigo acreditar \ que você está
aqui comigo. \ Contei os segundos \ para que este momento chegasse. \ Mas agora
\ que você finalmente está aqui, \ me diga, \ quando \ você vai desaparecer?
Poema da escritora
paquistanesa Fatima Bhutto (Fatima
Murtaza Bhutto), autora de Whispers of the Desert (2005). Veja mais aqui.
AS ÚLTIMAS TESTEMUNHAS - [...] Como podemos preservar nosso planeta, onde meninas
deveriam dormir em suas camas e não jazer mortas na estrada com tranças
desfeitas? E para que a infância nunca mais seja chamada de infância em tempos
de guerra. [...] Para uma criança, a perda de
um dos pais é a própria perda da memória. [...].
Trechos extraídos da obra The Last Witnesses: A Hundred of Unchildlike
Lullabys (Penguin, 2019), da escritora ucraniana Svetlana Alexijevich
(Svetlana Aleksandrovna Aleksiévitch), prêmio Nobel de 2015. Veja mais aqui.
FUTURO DA GEOGRAFIA - [...] Se não
conseguirmos encontrar uma maneira de avançar como um planeta unificado, haverá
um resultado inevitável: competição e possivelmente conflito jogados no novo
cenário do espaço [...] Os Acordos de
Artemis (2020) são o melhor exemplo. Eles pretendem estabelecer diretrizes
atualizadas para atividades na Lua. Algumas partes estão em harmonia com o
Acordo da Lua: ambos promovem o Estado de Direito na exploração espacial,
concordam em fornecer assistência a todos os astronautas e espaçonaves,
independentemente da nacionalidade, e exigem a divulgação dos dados científicos
coletados na Lua. […] Envolvido
na imensidão infinita dos espaços dos quais nada sei e que nada sabem de mim,
estou aterrorizado. [...].
Trechos extraídos da obra The future of geography: how the competition in
space will change our world (Simon & Schuster, 2023), do escritor, jornalista
e radialista britânico Tim Marshall (Timothy John Marshall), que no seu livro The
Power of Geography: Ten Maps That Reveals the Future of Our World (Elliott & Thompson, 2021), ele expressa que: […]
Nos séculos anteriores, o domínio da Terra dependia do
posicionamento estratégico de forças terrestres e navais, que protegiam
zelosamente as rotas marítimas e as entradas e saídas de pontos de
estrangulamento, como o Estreito de Gibraltar ou o Estreito de Malaca. No
século XX, o poder aéreo tornou-se uma necessidade. No século XXI, o
posicionamento de recursos no espaço terrestre é imprescindível, a menos que um
Estado esteja disposto a ficar muito atrás de seus rivais (e aliados). [...] Existe uma visão
que pressupõe que as grandes potências buscarão dominar o espaço para alcançar
a supremacia comercial e militar. Isso é realpolitik para o espaço –
astropolitik. [...] A geografia não é o destino – os
humanos têm voz no que acontece – mas ela importa.
[...].
CHUVA
DE PAPEL, DE MARTHA BATALHA
[...] Ninguém
estaria esperando por ele em casa. Ele nem tem casa [...] a perna
quebrada, dezoito pontos na testa e inúmeras escoriações [...] – Mas e a
mudança? – Glória pergunta. Leandro diz que trouxe tudo. – Tudo? – Glória
repetiu, de um jeito que deixa os pertences ainda menores. – Eu tenho um abajur
– diz Joel. – Abajur todo mundo tem, ué. E os livros? ... – Nunca vi
intelectual sem livro... – Glória diz [...] “Não fui aeromoça. Não fiz
faculdade. Não viajei. Ano entrando e saindo, fiz empadão [...] Quando
as primeiras notícias da pandemia começaram a aparecer na TV, isolam do mundo
um homem e uma mulher, vivendo juntos em quartos separados [...] Ele
nunca passou tanto tempo no mesmo lugar. O mesmo lugar do qual ela nunca saiu [...].
Vai ser impossível viver estes dias vazios dedicados somente a mim [...]
Perguntado sobre o número de mortos pela covid, o presidente responde: E
daí? [...]
Trechos extraídos da
obra Chuva de papel (Companhia das Letras, 2023), da escritora e
jornalista Martha Batalha, autora dos livros A vida invisível de
Eurídice Gusmão (2016) e Nunca houve um castelo (2018). Veja mais
aqui e aqui.
&
DAS ÁGUAS
DO UNA À ARTE: HISTÓRIA, MEMÓRIA & CULTURA EM PALMARES!
Dia 02 de
junho, na Biblioteca Fenelon Barreto, Palmares (PE). Veja mais aqui.
&
CALIFASIA:
CORPO-VOZ & EXPRESSIVIDADE!
Lenine aquí, aqui, aqui, aqui & aqui.
Natara Ney aqui.
Valdir Oliveira aqui.
Thaís Alcoforado aqui.
Felipe Peres Calheiros aqui.
Vitória do Pife aqui.
Vandeck Santiago aqui.
Juliana Xucuru aquí.
Rodrigo Lins Barbosa aquí.
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