segunda-feira, fevereiro 10, 2020

BRECHT, CAROLINA NABUCO, OSAMU OBI, ANA DE OLIVEIRA & SÉRGIO FERRAZ, NATHALIA LIMA & TUNAI


PARA NÃO PERDER A VIAGEM, VAMOS DE 3 EM 1 – UMA: OS LIVROS SOB A CENSURA & O LIXO – Isto é o Brasilzilzilzilzil do Coisonário. Pois é, a coisa pegou! É a farra dos necrófagos bibliófobos! O caso da proibição de obras imortais da Literatura pelo governo de Rondônia, apenas acrescenta a extensa lista de casos semelhantes que tratei aqui. O mais escandaloso de todos ocorreu em Palmares – PE, pelo de fato de uma escola jogar a biblioteca inteirinha no lixo. A calamidade grassa! DUAS: POR QUE SÓCRATES ESCOLHEU A CICUTA? – Possuidor que era da humildade dos sábios, ele andava descalço – o que era um escândalo risível na Antiga Grécia -, professando ideias paradoxais, pelas quais foi acusado de perverter a juventude. A segunda: ele casou-se com Xântipe, tida como “a pessoa mais difícil de se relacionar de todas as mulheres que existem”, tendo, inclusive, um dia, por ocasião de seu retorno à casa, ser por ela excomungado com um balde de dejetos das necessidades da noite passada e, depois, trancar-lhe a porta, impedindo-o de entrar. Assim, ao invés de se retratar e conviver com uma megera insuportável, preferiu a cicuta e tornar-se exemplo para a posteridade. Veja mais aqui, aqui & aqui. TRÊS: A SACADA DE VIRGINIA LANE – Mulher resolvida é outra coisa! A atriz e uma das mais importantes vedetes do teatro e do cinema brasileira, Virginia Lane (1920-2014), marcou o imaginário popular com seu carisma, talento e beleza. Teve uma trajetória de mais de 6 décadas de carreira, atuanto em 37 filmes e muitos espetáculos, sendo uma das mais cortejadas mulheres do país. Sobre o que ela mais fez na vida, respondeu: “Muita natação e — não posso negar — abri e fechei essas pernas demais. É ótimo exercício”. Esse um ótimo conselho para a ministra queijuda – aquela mesma que Jesuisis deixou atrepada na goiabeira - e seus seguidores de azul&rosa, que prega a abstinência para combater a pedofilia (sic)!?! Eu, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Sentia-se realmente desligada do mundo, e de tudo a que a inimiga ainda dava importância, e a que ela já dera muita também. Repudiava agora aquilo a que antes dava valor. Dessa vida que ardera e já passara, não via mais senão as cinzas, que restavam do fulgor, e que se estendiam diante dela, sem nenhum traçado, submergindo o que fora seu universo. Mas via, pela janela, que o dia estava claro e bonito... [...]. Trecho extraído da obra Chama e cinzas (José Olympio, 1947), da escritora Carolina Nabuco (1890-1981), retratando a posição da mulher burguesa dos anos 1950, os valores e os tabus que orientavam o lugar social da mulher e a nova voz feminina que parece emergir desse contexto. Em outra obra sua, Meu livro de cozinha (Nova Fronteira, 2002), ela expressa que: [...] Aos cinco anos começou a deliciosa aventura de estudar com minha mãe. Ganhei uma carteira de colegial para meu tamanho, mas em cujo banco cabíamos as duas. Lembro-me (como se fosse hoje) da emoção que me assaltou no dia em que, tendo mais ou menos aprendido o alfabeto, eu descobri subitamente como se fazia a fusão das letras e exclamei exultante: – Ah! É assim? Então eu sei ler! Eu tinha verdadeira avidez de aprender tudo o que me quisessem ensinar. Minha mãe familiarizou-me cedo com o francês, que era para ela uma segunda língua materna. Abriu-se com isso, para mim, o acesso à delícia dos livros da condessa de Ségur, hoje quase todos traduzidos, mas que naquele tempo só existiam nas edições de capa de percalina vermelha da série da Bibliothèque Rose. As lições de mamãe corroboravam minha ansiedade em entender as histórias do livro, que eu manuseava com delícia antecipada aplicando-me em adivinhar o sentido [...].

SE OS TUBARÕES FOSSEM HOMENS - Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos. Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações. Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói. Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali. Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens. Extraído da obra Se os tubarões fossem homens (Olho de Vidro, 2018), do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956), reunindo fábulas modernas com pitadas de ironia e irreverência sobre a organização social do mundo, os valores éticos e as relações de poder. Para ele, pensar é um dos maiores prazeres do bicho-homem. Veja mais aqui.

CARTAS DE AMOR & OUTRAS HISTÓRIAS
Curtindo o álbum Cartas de amor e outras histórias (Independente-Tratore, 2019), do duo formado pela violinista Ana de Oliveira e o compositor, violonista e multi-instrumentista Sérgio Ferraz, com composições de Egberto Gismonti e do Sérgio Ferraz.
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ETERNAMENTE
Só mesmo o tempo / Pode revelar o lado oculto das paixões / O que se foi / E o que não passará / Inesquecíveis sensações / Que sempre vão ficar / Pra nos fazer lembrar / Dos sonhos, beijos / Tantos momentos bons / Só mesmo o tempo / Vai poder provar / A eternidade das canções / A nossa música está no ar / Emocionando os corações / Pois tudo que é amor / Parece com você / Pense, lembre / Nunca vou te esquecer / Vou ter sempre você comigo / Nosso amor eu canto e cantarei / Você é tudo que eu amei na vida / Nunca vou te esquecer.
Eternamente, uma parceria musical de Liliane, Sergio Natureza e o inesquecível Tunai (1950-2020). Veja mais aqui.

A ARTE DE OSAMU OBI
A arte do artista visual japonês Osamu Obi. Veja mais aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A premiada química Nathália Lima, doutora em Química pela Universidade Federal de Pernambuco (2015), que atua na área de Química Teórica/Computacional e Química Inorgânica Experimental, com ênfase em compostos de coordenação e em complexos de ligação de hidrogênio, com publicações independentes em revistas de circulação internacional e laureada, em 2018), com o prêmio "Para Mulheres na Ciência (For Women in Science)" concedido pela L'Oréal, UNESCO e Academia Brasileira de Ciências.
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O livro Maconha (EDM, 1947 ), do escritor, teatrólogo e jornalista Silvino Lopes (1982-1951) aqui.
A pintura de Gabriel Petribú aqui.
O Dicionário Poético Militante (NEP/MMM, 2018), do poeta e jornalista Marcelo Mário de Melo aqui.
Lendas, crendices e abusões: alegoria e história em O Cara de Fogo, de Jayme Griz, em artigo de Ivson Bruno da Silva aqui.
A a música do cantor e compositor Lucas Kallango aqui.
A arte de Airô Barros aqui.
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O município de Tacaimbó aqui & aqui.