quinta-feira, março 26, 2020

VIKTOR FRANKL, JUNG CHANG, CARLOS PATRAQUIM, MÓNICA MAYER & ANA VAZ


NÃO ESTOU FAZENDO NADA, VOCÊ TAMBÉM. QUE TAL? - UMA: FAZER O QUÊ DIANTE DA RECLUSÃO SOCIAL? - Ora, ora. Agora é só você com os seus e o espelho. Essa a forma encontrada para que a gente supere e consiga escapar da adversidade do agora. Esse o jeito mais preventivo, inteligente e barato, acho. É só encarar. Já ouviu falar sobre a solidão criativa? Ela existe sim e traz possibilidades de melhoria individual: leituras para refletir, atividades lúdicas criativas e inovadoras, enfim, muitas coisas podem ser feitas sozinho e entre os seus, sobretudo, conhecer-se melhor. Acho mesmo que é uma oportunidade ímpar para fugir do umbigocentrismo social com sua competitividade desumana e cotidiana, descobrindo-se a própria personalidade para aceitação de si mesmo, o que levará, indubitavelmente, a uma melhor condução de convívio com o outro e todos. Acredito nisso. Foi como uma vez ouvi da Erica Jong: Todos são talentosos. Difícil é ter coragem de seguir pelo caminho sombrio através do qual o talento guia. Conduza sua vida com as próprias mãos, e o que acontece? Uma coisa terrível: ninguém para culpar. Desafiador, não? Afinal, somos resultados das nossas escolhas, o que quer dizer que somos os únicos culpados pelo que passamos e vivemos. Num é não? Como não sou o dono da verdade, vamos conversar e aprender melhor juntos, então. Vambora? DUAS: BRINCANDO DE ARENGAR COMIGO MESMO – Sério? Diante do espelho: sou eu mesmo. Tudo o que fiz na vida teve uma motivação. Cada decisão tomada tiveram as razões para tal, acertada ou não, eu decidi. E levado sempre pelo certo e o melhor possíveis, mesmo não fossem esses os entendimentos resultantes entre os outros envolvidos, decidi. Mas, se pelejei, foi buscando o certo e o melhor, pelo menos, para mim, a intenção era essa. Quando errei, aceitei a pena; ao acertar, prosseguia. E fui tentando sempre juntando as ideias para que fosse pelo menos fiel a mim e a todos, como Sarah Bernhardt: desafio todas as superstições e apenas ajo como quero. Devemos odiar muito raramente, pois é muito cansativo; permaneça indiferente a muito, perdoe com frequência e nunca esqueça. Um exercício brabo este. É que nunca fui bom o suficiente para me levar a sério de todo. Tive sempre comigo aquela do Walt Whitiman: Longa é a nossa caminhada, e sempre chegamos todos de volta ao mesmo ponto. Pois é, no final, só sobra comigo mesmo. TRÊS: NO FRIGIR DOS OVOS, SOU EU – Numa quebra-de-braço comigo mesmo, muita coisa me descobri deplorável. Verdade. Teve coisas que demorei muito a me perdoar. Só com o passar dos anos, revendo acontecidos, não conseguia entender como eu fui capaz de passar por situações tão vexatórias. Passou, passei. Assumi o erro. Confessei para mim mesmo e paguei o pato, evidentemente. Quase me tornei um juiz inexorável comigo no banco dos réus. Lavei a culpa espremendo todos os panos. Aliviei um pouco o pé no acelerador, não era bem assim: ou me aceitava, ou me lascava todo. Cortei na carne e me cobri de vergonha. Foi quando li um escrito do Tennessee Williams: Ninguém consegue ver alguém verdadeiramente, senão através das falhas de seus próprios egos. É assim que todos nos vemos uns aos outros, na vida. Vaidade, medo, desejo, competição - todas essas distorções dentro de nosso próprio ego - condicionam nossa visão daqueles com quem nos relacionamos. Fui, então, além disso: estava sozinho na roda, ora, e me encontrei. Prestei contas, dei a cara à tapa e meti os peitos pra vida, como se fosse o meu poema em linha reta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Minha avó era uma beldade. Tinha um rosto oval, faces róseas e pele acetinada. Os cabelos longos e brilhantes eram entretecidos numa grossa trança que lhe chegava à cintura. Sabia ser recatada quando a ocasião exigia, ou seja, na maior parte do tempo, mas por baixo da aparência impassível estuava de energia reprimida. Era mignon, cerca de um metro e sessenta, com um corpo esguio e ombros arredondados, considerados o ideal. Mas seu grande tesouro eram os pés enfaixados [...] Os pés de minha avó foram enfaixados quando ela completara dois anos. A mãe, que tinha ela própria os pés enfaixados, primeiro enrolou um pedaço de pano branco de uns seis metros de comprimento em torno dos pés dela, dobrando todos os dedos, com exceção do dedão, para dentro, sob as solas. Depois colocou uma grande pedra em cima para esmagar o arco. Minha avó gritava de dor e pedia-lhe que parasse. A mãe teve de amarrar-lhe um pano na boca, para amordaçá-la. Minha avó desmaiou várias vezes de dor. O processo durava vários anos. Mesmo depois de quebrados todos os ossos, os pés tinham de ser enfaixados dia e noite com pano grosso, porque assim que eram soltos tentavam recuperar-se. Durante anos minha avó viveu com dores constantes e excruciantes. Quando implorava à mãe que desamarrasse as faixas, a mãe chorava e dizia-lhe que os pés desatados arruinariam toda a sua vida, e que fazia aquilo para a futura felicidade dela. Naquele tempo, quando uma mulher se casava, a primeira coisa que a família do noivo fazia era examinar seus pés. Achava-se que os grandes, ou seja, normais, traziam vergonha à casa do marido. [...] A prática do enfaixamento fora introduzida originalmente cerca de mil anos atrás, supostamente por uma concubina do imperador. Não apenas se considerava erótica a visão de uma mulher cambaleando sobre pés minúsculos, mas os homens se excitavam com eles, sempre ocultos sob sapatos de seda bordada. As mulheres não podiam retirar as faixas nem quando já estavam adultas, pois os pés recomeçariam a crescer. A faixa só podia ser afrouxada temporariamente à noite na cama, quando elas calçavam sapatos de sola mole. Os homens raramente viam nus os pés enfaixados, em geral cobertos de carne podre e malcheirosos quando se retiravam as faixas. Lembro-me de, quando criança, ver minha avó em sofrimento constante. Quando voltávamos das compras, a primeira coisa que ela fazia era mergulhar os pés numa bacia de água quente, suspirando de alívio. Depois punha-se a cortar os pedaços de pele morta, A dor vinha não apenas dos ossos quebrados, mas também das unhas, que se enterravam nas plantas dos pés. [...]. As meninas da terra tinham de caminhar seis quilômetros na vida e na volta todo dia; as crianças japonesas iam de caminhão. As da terra ganhavam uma papa rala feita de milho mofado, com bichos mortos flutuando dentro; as japonesas recebiam refeições embaladas de carne, legumes e frutas. [...]. Trechos extraídos da obra Cisnes Selvagens, (Companhia das Letras, 2006), , da escritora chinesa Jung Chang, contando sobre as perspectivas das mulheres a história da China, desde os tempos feudais até a Revolução Cultural, por meio de seus antepassados e presente, desde a mutilação dos pés até o interdito da demonstração de emoções por parte das mulheres.

SIM, AFINAL DE CONTAS... – Ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu injustiça. Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida. Cada vez mais, as pessoas têm os meios para viver, mas não tem uma razão pela qual viver. Devemos transformar os aspectos negativos da vida em algo construtivo. O amor é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo da sua personalidade. Pensamento do neurologista e psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905-1997). Veja mais aqui.

MULHERES DE ÁGUA, DE LUÍS CARLOS PATRAQUIM
[...] É que eu tenho uma história!...Não sei se posso contá-la, abrir-me assim diante deste silêncio...vergastando as vossas sombras...Um mulher não pode utilizar esse verbo...Abrir...A-brir-se!... [...].
MULHERES DE ÁGUA – O monólogo Mulheres de Água, do poeta, autor teatral e jornalista moçambicano, Luís Carlos Patraquim, trata sobre uma jovem mulher que conta sua própria história, acerca do absurdo, da política, do cômico e social, dos dias de hoje, um conflito entre a intelectual e a prostituta. Veja mais aqui.

A ARTE DE MÓNICA MAYER
A arte tem que ser o que precisamos que seja.
MÓNICA MAYER - A arte da premiada artista conceitual, ativista, curadora e crítica de arte mexicana Mónica Mayer, trabalha com fotografia, performance, gráficos digitais, desenho e teoria da arte, tendo participado de inúmeros eventos artísticos em diversos países, tornando-se a pioneira de performances e da arte feminista na América Latina. Participa do projeto De Archivos y Redes, criadora do projeto Pinto mi Raya e do grupo Polvo de Gallina Negra, publicando o Escandalario: los artistas y la distribucion del art (AVJ, 2008) e o livro infantil Juanita, las pochotas y una bolsa de preguntas (Instituto de la Mujar Oaxaqueña, 2008). Atualmente é membro do Conselho do Museo de Mujeres Artistas Mexicanas (MUMA) e do Consorcio Internacional Arte y Escuela AC. Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE ANA VAZ
A arte da premiada pintora Ana Vaz, que possui licenciatura em Artes Plásticas pela UFPE, doutoramento em Letras pela UFPE, e estudou na École Nationale Supérièure des Beaux Arts e na Université de Paris VIII, onde concluiu a sua Licenciatura. Já realizou exposições em países como França, Portugal, Mônaco, Suíça e Espanha, afora diversas capitais e cidades brasileiras.
A música de Vitor Araújo aqui.
A terra pernambucana do professor, jornalista e escritor Mario Sette (1886-1950) aqui & aqui.
As danças populares de Maria Goretti Rocha de Oliveira aqui.
A poesia de Alberto Lins Caldas aqui.
A casa do Alto do Inglês aqui & aqui.
A raposa, o sabiá e o cancão aqui.
O município de São Caetano aqui & aqui.
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OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.