Imagem: Arrostar aporias, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.
Fábula dos
embeiçados desavindos... - Cachucha passeava
nos olhos de Pimpão, era a mais faceira entre as tais dali – a bela majestosa pras
capas de sua revista predileta. De tocaia, não perdia qualquer aparição dela;
vigilante, esperava sua vez. Ela lá indiferente, à toa, arrodeada por gracejos,
desembaraçada, voluptuosa, sonsa que negava visivelmente todas as suas fechaduras - já havia rechaçado tantos adiantados, coitado
dele, só fitando-a por diferentes ângulos: paixão profusa alinhavada no jato da
gamação vertiginosa, de quase não acabar mais. E se ressentia pela impotência, se esvaindo entre quatro paredes; crescia assim, mesmo além da percepção: sonhava porque
era possível e desacertava. No começo a paixão por debaixo de 7 capas, ninguém
podia saber: conter-se a si e aos seus anseios. Veio a chance, propícia ocasião:
precipitou-se, nada por interditar. Foi empurrado pelo estímulo,
ziguezagueando, voltava do meio pra trás: não conseguia sequer falar, nó no juízo; muito menos se expressar, as palavras se dissolviam, sobrevivia atravessando as horas, até
onde nem podiam ir. Penava lá nele, o peso na cacunda, mais de mês e meio na
pelejada, segurando na sem graceza, embirrado; mas, obstinava, acossado pela aflição
de detê-la, fustigado pela ânsia. Na segunda oportunidade, não havia mais como
voltar, a ocasião deu-lhe uma providente dedada à socapa, ôpa! E o entusiasmo
interpôs-se à secreta paixão. Diante dela, não havia como precisar o certo,
exato, onde botar as mãos, como encolher os pés, enfim, atarantado. Da luz dos
olhos dela colhia diamantes nunca vistos, tesouros inenarráveis nas barrocas
das bochechas, os olhos agateados, toda cheirosa e bacana, o cangote moreno faceiro,
só às espiadelas sonsas, às gaitadas, refestelada, toda mansa, bonita que só
ela, que quartuda, minha nossa! Acorda! Hem? Ela envolvida num xale,
desprotegida; qual nada, uma frieza despótica - ao lado dela sentia-se uma indesejável
mosca, asqueroso mosquito, ou inseto qualquer desprezível: Sai pra lá, encosto!
Eita! Não ia perder a viagem, né? O tabaréu tomou coragem, baldeou o arraial e chegou-se
esfregando as munhecas, todo tinindo de si, exibindo muque fuba, patético, pra mor de lhe dizer, despenteado pelo alvoroço, quase aloprado: queria era impressionar, falar bonito, haja folga,
foi de araque todo encalombado, desdobrou a astúcia e pariu lábia doida, com a
gola levantada e as mangas dobradas no vinco da camisa listrada, a calça pegando
borboleta de tão coronha e por fora da galocha, tal quilômetro de lonjura,
fungando suas dores e premências - seria célebre no ímpeto de tangê-la, nada.
Aí, puxou proseado, as léguas do escabroso desinretado e caprichou nas boas
maneiras, tentou, foi a conta: encolheu-se, depois espichou, estirou-se
estendido, a calça caiu, enfezou-se, passou maior vergonha, arre! Segura a coisa! Que é que ouve? Ele soletrou
aos engasgos. Ah, é? Apertou-se todo. Vai cagar? Um peido revelador e cerrou as pálpebras, torando aço, esperou pelo pior: Seja
lá o que Deus quiser! Ela se riu, que coisa! Já se virando desenganado, nem ouviu o que ela
disse: Como é que é? Sim. Ora, a ficha caiu: Sim? Sim. Oxe, ele ousou levitar, por
que não? E desafiou os boatos inaugurando nassoviano a
festa dos holandeses do Recife à ilha de Antônio Vaz: era mais fácil um boi
voar do que aquilo dar certo. Mas, deu, por enquanto. Larga de ser besta, cara!
Ah, embriagado com o aroma da presença inevitável dela, ele danou-se a beijá-la
e lambeu-se todo folgazão. U-hu! E foram dengos mútuos, chega chupava os beiços,
empinado, babava pelas vistas, aos solavancos, do jeito que se ajuntou se
espalhava, mormente os regalos do aboio triunfal sobre o sátiro e a ninfa. Ela então
montou no seu dorso e foram terra afora, mar adentro, em jubilosa paixão. Os amigos
dela, agora dele. Lá estava inchado entre o casal Adamastor e Quelidônia, familiares,
parentes, simpatizantes. E ficou assim: pronde Pimpão ia, lá estava ao seu
braço Cachucha, atrás. Engrenou o namoro, já cobrança por noivado. Como é que
é? A primeira a exigir foi Audumbla, desconfiada a chamá-lo na grande, qual era
a dele: Vai enrolar não, né? Que pressa é essa, hem? Nem deu conta, do outro
lado, a madrinha dela, Glas Gaibhnenn, anunciando a data, acompanhada da Birog
da Montanha, iniciando ao ensaio do canto das açafatas na Praia dos
Lençóis: Lá vem ele, o noivo! E rompeu a sala Balor gritando: Vamos levá-lo pra
onde a Beócia se deitou para fundar Tebas. Hem? Ele: E é sangria desatada, é? Mal
terminou de inquirir, a Hator atacou com alegria da música e nem aliviou, já Lulubelle
III distribuía cogumelos mágicos - O que é isso? Psilocibina! Logo a companhia de Kāmadhenu
Surabhi, a fragrante, para dar-lhe prosperidade perfumada. Pronto! Depois Prithvi,
a Vasta, que trazia a Ibu Pertiwi pra ser ordenhada: Pra se fortificar, meu filho! Agora,
deu! A Antevorta trazia o futuro; a Postvorta, o passado. Foi chegando Carmenta
Nicóstrata, a imperatriz Sissi, a Gau Mata, a ninfa Io, seguida da Hera boōpis homérica que
contou d’O Lamento da Vaca, com a proteção de Gopala e a alegria de Charalambos. É festa pra casório! Estou ferrado! Quantos rumores rondavam e ele lá: Tô frito! Mal piscou o olho e
os convidados. Vixe, quanta gente! O primeiro deles, Gavaevodata zoroastriano, a
saudar Nandi de Shiva, que chegava enturmado com Tarvos Trigaranus, Vṛṣabha, Mnévis
Kemwer e Heliópolis; depois, Ápis de Ptah que se juntou ao sumério Iškur
Adad, com Lamassu, Auroque, Marduk Amar-Utu, todos queriam trazer
das terras azuis das dunas do outro mundo, o padrinho Pretão, com a estrela
brilhante na testa: Mas não é sexta sem lua! Pras suas núpcias, bestão! É? Tais por fora! Vamos
desencantá-lo! Será o dilúvio? Logo emergiu da cidade encantada o Bumba-meu-boi,
com o Tambor de Mina e os bois de Gerião, mais fujões e bravios. Parecia mais o folguedo estrondoso do boi do Barão caga-raio! Ah, vai ter o sacrifício da heroína & as
façanhas acanhadas do mancebo? Destá! No meio do rebuliço apareceu o da Mão
de Pau, que veio com Surubim e Calemba; o Barroso com Pai Francisco e Mãe
Catirina, um laço de fita amarela pro garrote Jauaraicica, que puxava o rabicho
da Geralda, com Pintadinho, Serapião, Espácio, Canastra, Bruchis dos famosos Hermonthis
e o de Creta que encantou
Pasífae, mais Mansinho e o Vaquim com fogo pelas ventas, mais
barbatões e os rebanhos de Sísifo, um aboio no curral, a apartação, as manadas,
os cascos brutos, vassourando a cauda para espantar os mosquitos, era cerimônia de esponsal. Tá cá gota! É gente como a praga! Ainda apareceu Agamedes e Trofônio que davam
um grau no espaço ritualístico, anunciando a promessa do boi de ouro: Qual o dedo
de moça que cabe neste anel? É agora! A noiva primeiro exigiu os 3 desejos, não
ia casar-se com o próprio pai, nem com o ourives, e confirmou as suas núpcias
com Pimpão! Vivaaaaa! Tome! E a celebração correu solta pelos ervais e altas
macegas dos campos das vacas brancas. Anunciaram o Boi-na-vara – O crime na
farra do sacrifício, isso não! Parou, parou! Nada de tauroctonia, nem Búfago
atroz. Veio, então, o boi-de-mamão – a cena corria: caiu morto na frente de
Mateus, com a Bernunça a devorar todo mundo e a espalhafatosa Maricota: Vai
chamar a benzedeira para mode ele ressuscitar! Renasceu Boi-de-Reis, com o da Promessa
do Garantido de Parintins e o bumbá do tesouro de Anicuns. Deu-se a apostasia
do bezerro de ouro de Arão: Vamos brincar! Era o caminho das boiadas, na
cantoria: Ê vaca Estrela, ô boi Fubá! No meio do zoadeiro, ninguém dava conta
das profecias de Cassandra, alertando não se sabe o quê! Como é? Deix’ela pra
lá, tá é doida! Vamos festar! Ah. E recomeçou o incesto de Anat e Baal: o rito cananeu de Ugarit, com uma chuvarada repentina, temporal de mesmo,
valei-me! E, depois um estiadão, a devastadora seca. Danou-se! Foram pro monte
Safão e lá, a destruição de Mot: foi tudo restaurado, colheita de vida! Vida os
casados! Já? Viva! Era chegada a hora da Mattu Pongal e o festival seguia encarreado
pelos 4 dias de janeiro, na temporada de monções e a colheita de Paddy. Vamos
comer! Quando menos se esperava, o incêndio de Karaqosh! Ih! Foi o tal do japonês
Kawata? Não! Então tá! Viva São João! Aí o píer ruiu, todo mundo dentro d’água,
timbungue! Eita, o menino pajem tá morrendo afogado, socorre! Pra relaxar, teve
quem quisesse brincar de roleta-russa. Valha-me! Toma essa arma! Pega! E o sonso
se esquivava, aí foi marrada certa: de susto, desmaiou. Teve um ataque
epilético, foi? Nada, munganga só. Bota tição no cu dele que levanta! Ele se
fez de morto. E ela danou-se de raiva e atochou impropérios, mostrando os
peitos por desaforo, jogando o buquê pro alto - logo tragado pela turbina dum
avião que passava ali do nada e teibei! Maior escarcéu. Fodeu! Ninguém previa o vaticínio da
desgraça. O desfalecido deu sinal de vida: ai, hemorroidas! Um padre bigodudo:
Tá com a braguilha aberta, infeliz! Vai casar ou não? Hum? Não tem mais casamento! Pronto,
acabou-se o que era doce. E ele frustrado na paixão, ousou, Pimpão, poetar na
maior caratonha: O destino fez o que quis comigo. Todos foram embora seguindo-a.
Findou ele esborrachado pela aquerúsia, na sua angústia muda, ao sabor das
estações e deboches, touceiras, moitas, gravetos, voando entre urubus: Pra lá,
pestes! Aqui é o inferno, avisaram. Carecia mesmo era de se empanturrar duns
heléberos pra consertar sua doidice. Quer morrer é? Não, ficar doidão, só, para
não findar como Iphis que se matou de amor, rejeitado pela Anaxarete. Ele, não!
Variava: Onde sequazes solarpunks? Birutou, mesmo. Nada, solidão braba. Logo ele que fora empurrado
sempre, nunca ninguém com conselhos, fixado na programação da tevê, nenhum
amigo, nem saía de casa à noite, medo de ser emboscado pelo inopinado, dormindo
cedo para trabalhar, era só o que restava, um trapo. Mas, tá! Mergulhou na sua abissal
escuridão e ainda havia o inédito fôlego: quem sonhou com a eternidade e não
era mais. Desapontou-se. Um estalo segurou a baba dos olhos – ganhava topografia e não tinha
que dar cabo da vida, seguia era em frente, isso sim, sem saber como: É a catábase!... Ih! E se deixou levar, estrela cadente, não era tarde, nem ainda mais... Até mais
ver.
Harold Pinter: Há algumas coisas que se lembra, mesmo que nunca tenham acontecido... Quando a tempestade acaba e a noite cai e a lua está fora em toda a sua glória e tudo o que você fica é o ritmo do mar, das ondas, você sabe o que Deus pretendia para a raça humana, você sabe o que é o paraíso... O passado é o que você se lembra, imagina se lembra, convença a si mesmo que se lembra ou finja que se lembra... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Nora Roberts: Você pode consertar qualquer coisa,
menos uma página em branco... A magia existe. Quem poderia duvidar disso,
quando existem arco-íris e flores silvestres, a música do vento e o silêncio
das estrelas? Quem já amou foi tocado pela magia. Ela é uma parte tão simples e
tão extraordinária das vidas que vivemos... Veja mais aqui, aqui, aqui &
aqui.
Jazz Jennings: Os
odiadores são a nossa munição. Eles nos motivam a continuar lutando por nossos
direitos. É por isso que continuo a partilhar a minha história... Quero mostrar
às pessoas que não têm de ter medo de serem diferentes... Não me importa o que
as pessoas pensam de mim... Veja mais
aqui.
DOIS POEMAS
Imagem: Celebração autopoiética,
da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.
OS OUTROS - os outros \ ter caminhado \ nesta neve \ mas
não são \ nas proximidades \ agora \ apenas eu \ a neve ainda descendo \ e as
árvores \ mas estes não são \ outros \ o outro \ É o único \ que pode fazer
perguntas.
FELIZ FIM - o filme \ foi sobre a guerra \ já tinham
largado a bomba \ e não havia jeito \ poderíamos fugir \ Todos nós sabíamos \
Nós deveríamos morrer \ em 10 minutos \ ou talvez 20 \ no dia seguinte, na
melhor das hipóteses \ Isso faz alguma diferença \ quando não há esperança \ de
fuga \ então de repente \ as luzes apagaram-se \ O filme parou \ e eu percebi \
a salvação às vezes pode vir \ o exato momento \ você abre mão de suas
esperanças...
Poemas da poeta, ensaísta e colunista armênia Marine
Petrossian.
AMIGOS MORTOS - [...] na arte não há nada mais complexo do que a simplicidade, e por isso ela
ocupa o topo da hierarquia. Apenas para os avançados. Um príncipe não consegue
alcançá-la. Ninguém pode levá-la até a plebe para que todos possam se
beneficiar dela igualmente; não existe democracia capaz de elevar alguém a
qualquer lugar por meio da arte. Cada um precisa amadurecer até alcançar sua
própria simplicidade, viver e trabalhar no vácuo por muito tempo, e isso exige
coragem. Sem coragem, não há arte. Coragem é necessária em uma monarquia,
coragem é necessária em uma ditadura, até mesmo em uma maldita democracia ou
plutocracia, porque na arte a opinião da maioria não vale nada e nem mesmo a
coragem é suficiente. [...]. Trechos extraídos da obra Halott
barátaim (Sárközy & Co, 2025), do escritor e
dramaturgo húngaro, Péter Nádas (1942-2026), que noutra sua obra, A
Book of Memories (Vintage, 1998), expressa que: […] Se alguém pudesse
aprender as coisas mais importantes da vida, ainda teria de aprender a guardar
silêncio sobre elas. [..] A harmonia de dois corpos expressa naquele único toque —
superando diferenças e dobrando a reserva moral de cada um — era tão poderosa e
indomável quanto a plenitude física; contudo, não havia falsidade nessa
harmonia, nem a ilusão de que, apenas pelo toque, nossos corpos pudessem
expressar sentimentos que a racionalidade nos impedia de tornar permanentes. Eu
diria até que nossos corpos preservavam friamente o bom senso, tramando e
mantendo um ao outro sob controle, como se dissessem: "Vou me entregar sem
reservas à loucura do momento, mas apenas se — e quando — você fizer o
mesmo". No entanto, esse apelo físico que unia paixão e razão,
espontaneidade e cálculo, proximidade e distanciamento, levava nossos corpos
além do ponto em que, aferrados ao desejo e em busca da gratificação imediata,
eles passariam a almejar uma harmonia nova e mais completa. [...] Minha
insensatez me levou a acreditar que eu era a história, e que aquela noite fria
e sombria era apenas o cenário; mas, na verdade, minha história real
desenrolou-se quase independentemente de mim ou, mais precisamente, ocorreu em
paralelo às minhas próprias pequenas aventuras. [...]. Ele também é autor de livros como Szépírás mint
hivatás (2023), Parallel Stories (2005), Own Death (2004) e The
End of a Family Story (1977).
MACROFILOSOFIA & POESOFIA - [...] Não pode haver liberdade
se interpretarmos que o marionetista coage, domina e força o marionetista a
fazer o que ele quer através dos fios que todos nós vemos. Assim, os sucessivos
marionetistas (porque se salienta que há mais de um) negam os princípios da liberdade
de seus marionetistas subordinados e, em última análise, do marionetista (que
não é mais o marionetista de ninguém). Porém, o que aconteceria se os vários
marionetistas se limitassem a fortalecer seus subordinados e o boneco? É uma
hipótese um pouco mais plausível que não se encaixa com a experiência habitual
na vida real. Mas não é descartável porque os fios podem forçar as mãos a se
mover contra sua própria vontade e ajudá-los a ter mais força e a fazer coisas
que queremos fazer, mas que - sem os fios - nos faltaria poder. Segundo essa
possibilidade, os vários bonecos se limitariam a seguir a vontade do boneco,
por exemplo como faria uma espécie de robô de controle remoto. Depois, os fios
que amarra as mãos do marionetista aos do marionetista (e este a outro
sucessivamente) não seria para coagir ou dominar, mas – pelo contrário –
perceber e melhorar suas decisões. [...] Na hipótese desses
marionetistas empoderamento, robótico ou benevolentes, o boneco seria livre e
capaz de fazer a sua vontade – tornar-se juiz – graças ao apoio do
Marionetista. Este não o coagiria o boneco e respeitaria tanto a autonomia
quanto a liberdades negativas e positivas. Além disso, então a série aberta de
marionetistas seria muito apropriada e útil. Quando a tarefa ou a vontade do
pobre boneco seria difícil o suficiente para que a ajuda do primeiro não fosse
suficiente boneketer, há fios superiores e mais poderosos "justiciadores"
bonequeiros que garantiriam cotas crescente liberdade positiva. [...] É
apenas uma fábula ou metáfora que acabamos de inventar? Ou existem tais
marionetistas, justiços e garantias de liberdade empoderadores pessoas
positivas? [...] Penso que tradicionalmente os Totens, os Deuses, a
Magia, o Estado, a Nação, a Ideologia, são entidades, seres, mecanismos ou
possibilidades que ajudariam a humanidade a atingir seus objetivos sem coagir e
garantir sua liberdade. São certamente esperanças ou perspectivas
reconfortantes. E é por isso que a humanidade tem muitas vezes acreditado neles.
[...] Se atendermos à história, então, nossa hipótese de os marionetistas
empoderadores parece confirmada ou muito plausível. Se existissem, graças à sua
capacidade de capacitação. Por outro lado, pais e mães muitas vezes se vêem
como os marionetistas capacitadores de nossas crianças. Vamos imaginar que
estamos - como na imagem inicial- alguns gigantes que imparavelmente levam seus
filhos ao objetivo que merecem. Muitas crianças, no entanto, descobrem que
muitos pais - carregados pelo seu "céu excessivo" - acabam se
tornando ditadores tão amorosos quanto os castradores. Ainda mais perigoso
seria o suposto “empoderamento”, dos totens acima mencionados ao progresso, que
muitas vezes se tornaram mestres inclementes, totalitário e destrutivo. Há
sempre o perigo de que “o empoderador” seja tornar-se um mero imperador –
Imperator – caprichoso, intolerante e Alibidor da liberdade. A humanidade tem
uma enorme tendência a imaginar poderes superiores de vários tipos como os que
temos apontado. É uma constante histórica e um elemento chave da condição
humana. [...] Por isso escrevemos uma série de poemas que se referem às
liberdades em muitos aspectos semelhantes, mas também com elementos muito
opostos. E vemos que as profundas diferenças que resultam e seus efeitos em
nossas vidas não podem ser ignoradas. [...]. Trechos extraídos do artigo Empoderando
bonecos: eles existem? (2020), do filósofo e ensaísta espanhol, Gonçal Mayos Solsona, que cunhou o termo macrofilosofia
no artigo Limites da hiperespecialização: Necessidade da macrofilosofia (Revice,
2021): [...] A macrofilosofia não é a cura para essa cegueira culpável — como diria Kant
— mas aponta o caminho para recuperar antigas e virtuosas trilhas. Pois a
filosofia — que foi a mãe de todas as ciências — conserva a memória da
emancipação e especialização de todas elas. Portanto, sabe que hoje não pode
mais realizar essa tarefa sozinha; precisa da colaboração de todas as ciências,
que devem assumir sua parcela de responsabilidade, e das reflexões em nível
macro de que a humanidade necessita. [...]. Neste sentido, a Macrofilosofia emerge no cenário contemporâneo como
resposta à fragmentação do saber, propondo uma retomada da visão de conjunto,
com a perspectiva investigativa de como ética, política, ciência e metafísica
se entrelaçam na estrutura das civilizações. Em contraposição à
ultraespecialização, busca uma compreensão holística do real, integrando os
diversos campos do pensamento para examinar tendências amplas e seus impactos
de longo prazo, estruturando-a a partir de três eixos: sistematicidade,
perspectiva de longa duração e transversalidade. Ao articular diferentes
saberes em modelos interdisciplinares, o autor reflete sobre os desafios do
nosso tempo, ao reafirmar a necessidade de um pensamento capaz de reconectar o
todo. [...]. Já a poesofia inscrita no seu artigo
Poesofemes (Associació Cultural de Poesia Pont
del Petroli, 2020), no qual expressa: [...] Porque a poesia
vem do grego poiesi, a criação contemplativa que se distingue e se diferencia
da arte mecânica. Na Grécia clássica, mas também em Hölderlin, Hegel, Nietzsche
ou Heidegger, a poesia é a primeira companhia da filosofia. É a base de toda
criação filosófica e certamente de todas as abordagens macrofilosóficas. [...] Já no texto Necessitat
de 'filosofia de guàrdia' i de poesofemes (2020), ele expressa que: [...] Um poema visual filosófico é uma criação que propõe uma provocação
intelectual e incentiva a reflexão. Lembre-se da poesia que você vê da Grécia,
pois ela será a sua criação. Este é um poema baseado em uma metáfora disruptiva
capturada em imagens, e não em parágrafos. Além disso, os poemas ou poesias são
criações metafóricas e provocativas, mas – em sua essência – são expressos
linguisticamente a partir de palavras, argumentos, conceitos, narrativas,
ideias, falácias, contradições e todos os paradoxos lógicos possíveis. Esses
elementos são mais importantes do que a métrica, a rima e outras estratégias
poéticas clássicas. [...] são criações poéticas que rompem e
propõem uma ruptura com a realidade cotidiana. Implicam uma ruptura com o
“senso comum” e até mesmo com uma impossibilidade ontológica que força cada um
que contempla (visual ou conceitualmente) a criar uma explicação que ultrapasse
as “regras”. São criações poéticas porque resistem a se tornarem uma explicação
científica ou mesmo filosófica definitiva. Pelo contrário, as gaudeixen
persistem à vontade das perguntas e das questões não resolvidas. Mantêm-se no
nível da criação, do poema, com uma tentativa invariavelmente aberta de
expressar sentimento ou uma história com um “final feliz” que faça sentido.
Porque se nega que a tensão interrogativa se dissipe, precisamente quando a cortina
se fecha para que todos se submetam rapidamente à experiência, a fim de poderem
voltar para casa amnésicos... sem fazer quaisquer observações significativas.
Pensemos! [...] Ligados à filosofia da guarda, os poemas respondem à necessidade humana de
encontrar o sentido, rapidamente, em plena luz e percepção, contra toda
esperança e diante da inexplicável explicação. [...] Ela
deve se manifestar com a filosofia orientadora que reside na essência de todo
pensamento autêntico. [...]. Estes artigos são resultados da conferência do autor sobre Urgence
of philosophy in human reptes with Covid-19. Necessitat de
poesofemes and philosophical visual poetry (VilaPensa, 2020).
ARTE NA ESCOLA – Reunião de sugestões para atividades artísticas que
possam ser desenvolvidas em sala de aula, sejam nos ensinos Fundamental ou Médio,
ou em formações pedagógicas, a partir da obra de autores como Clarice
Lispector, Adélia Prado e Conceição Evaristo, ou das reflexões de Gloria Mark,
Françoise Vergès, Martha Gabriel, Kananda Eller, Xiye Bastida e Kate Kretz,
como também das recreações propostas por Danica McKellar, Zadie Smith, Mel
Robbins & Giva Silva. Confira aqui.
TEATRO LAM – Reunião de textos, estudos, cursos e montagens, desde
os primeiros momentos de contato com a obra de Fenelon Barreto, o primeiro
texto encenado O Prêmio, A viagem noturna do Sol, a montagem de João Sem Terra,
de Hermilo Borba Filho; o infantil Lobisomem Zonzo, o Nitolino no Reino
Encantado de Todas as Coisas, além de formações, teatro na escola, entre
outros. Confira aqui.
O LIVRO DAS JANELAS – (Imagem: Acervo ArtLAM)
Reunião de contos, crônicas, narrativas, textos e outras poemagens prosaicas,
com foco na perspectiva das possibilidades, as alternativas de apreensão e
percepção, a visualização do universo, o olhar sobre o mundo e todas as coisas
a partir da janela. Confira aqui.
CAETÉS – Trata-se do 6º episódio das
aventuras do Nitolino no Valuna, desta feita, no território de Caetés, no qual
visualiza-se gente de Ponto Alegre, Atoleiro, Barriguda, Bastões, Vila Araçá,
Várzea Comprida, Várzea Suja e Queimada Grande, bem como da criação do Romance
do Pavão Misterioso, do cordel que ninguém sabe direito se é de Melchíades ou
de Camelo, e que conta a história de Evangelista e Creusa. Confira aqui.
POEMANDANTE, PALÁVORAS – Reunião de colagens autorais (COLAM), com poemagens e
versagens do acervo ArtLAM, sobre o tema musical autoral Abandono. Confira
aqui.
A arte do premiado ator Irandhir Santos (Irandhir Santos Pinto), graduado em Artes Cênicas pela UFPE e que atuou em espetáculos, como Liberdade, liberdade (1996), bem como filmes como Cinema, aspirinas e urubus (2005), Baixio das Bestas (2007), Febre do Rato (2012), Tatuagem (2013), Aquarius (2016), entre outros aplaudidos trabalhos na televisão. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.






