sábado, setembro 12, 2026

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

 


Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou por baixo da ponte. Enxurrada braba, foi: chega o rio estava apressado e sem margens, pra todo lado. Despencou dos céus o maior temporal, deslizamentos, inundações: a Terra se desmanchava. Quem escapuliu, subiu no telhado que deu pra se salvar, um aguaceiro de danar a paciência: assim também já é demais, né? É mesmo! Até a saparia atônita arregou com súplicas de clemência! Fodeu! De repente, ao cabo de meses, quase ano, estiou de vez e esturricou. A temperatura subiu e, em alta voltagem, o termômetro derreteu: bombas de guerras no gozo das BT&DC, vulcões em erupção, terremotos, tornados, maremotos, tsunamis, lixo & a barbárie cristonazifascistada, poluição geral. Eita! É pouco? E, não muito longe dali, os anfíbios resignados e espremidos na beira do que restou duma poça chocha, croc, croc, o que era de ribeirão, córregos, lagoa e brejo, ih, só aluviãozinho, poin, poin, tudo por uma peínha de nada, foi, foi. Vamos pra lá! Pra onde, ora? Pra qualquer corredeira! Vá você: quem quer se perder, é só mergulhar, mas só se for no chão. Ah, não! O Sol amadurecia e, aos psalmos, só bufotoxina no ar: S’ajeite na beldroega, prefiro taioba. O calorão tá de lascar. Será que chove? Lá vem ela! Isso não é chuva é cabelo de jia, chuvisquinho besta! Vamos apelar pra Amana-manha: Ô Amanhamanha! Essa rã não vai mais nos atender! E ela veio cantando, ajuntou todos e começou a bactromancia, catando varinhas, gravetos e bastões: Se caírem duas vezes seguidas mostrando o lado da casca, é mau presságio! Valha-me! Não deu outra. Foi nada! Ah, se... E Frineia desconsolada lançou-se nua às águas, a heterófila anadiômena, para servir Afrodite nas festas de poseidonia, em Eleusis. Eita, danou-se tudo! Aí o Dardo-verde-e-preto chamou o Amazônico-listrado, que puxou o Arlequim-escarlate e veio o Fantasmagórico: Larga de ser palerma! Sai pra lá, papudo! Ora, tiborna! Aí o Dardo-granular-da-flecha-granulada: Vamos timbungar no Paraopeba! O Dardo-morango: Menos esse tanto, Ludugero! O Dardo-azul: An-ham! O Dourado-da-Costa-Rica: Nem existe mais, bestões! E o que não era regra dele, levou a Dardo-dourada irritada: Coisa mais fora de hora! O Janelo-titicaca, todo posudo falando difícil: O inabitual! A de Schuencas-Romeu-&-Julieta, segredou: Areja, véi! E os pândegos Harlequins, só folia, nem sabiam que estavam fazendo ali. Era pra ser reunião séria: Como é que é? A coisa enfeiou! Para espanto de todos chegou o gigante Tiddalik australiano, riu-se de soluçar, verteu toda água, um santo adjutório pra crise. Pronto, resolvido. Está melhorando, só! Evaporou, deu pra nada. Depois o Tsathoggua de Cthulhu, doutra galáxia, em socorro! Coisa de outro mundo é? Só sendo, na causa. E hibernou. Ah, agora é tarde! Veio Ōgama do Japão, com mais de mil anos como yōkai! Vixe! E foi crescendo, aumentando, até ficar feito uma montanha, a língua longa de fora, o hálito de arco-íris. Que danado é isso? É o fim do mundo! Olha a Pipa Pipa! A Aru, pé-de-pato-surinã! Pra quê? Ah, meu, chama logo o garçom Luzantonho pra servir a gente! Ô Pula-pula vem cá! Minchou, meu! Qual é a bronca? Inesperadamente, deu-se um eclipse e a Ch'an-chu devorou a Lua! Valha-me! E depois o Sol! Maior escuridão. Ouviu-se trovejar: O rei está mal! Como assim? Indagorinha ele estava bonzinho da silva! Gente, o rei tá morrendo! Óóóóóóóó! E todos se renderam plangentes, contando disso e daquilo das façanhas do governante. Alguém lamentava: Logo ele que resgatou a bola de ouro da princesa, em troca de promessas de companhia, ela, a rainha; e, ele, o sapo-rei, agora velho, à beira da morte! Como é que pode? Ouviu-se logo - Como gostais, Shakespeare: Doces são os frutos da adversidade; \ que, como o sapo, feio e venenoso, \ carrega, no entanto, uma joia preciosa na cabeça... É vero, um aviso: só querem a crapaudine. É, a bufonita feita amuleto pros outros, desgraça da gente. Isso mesmo, dizem: a batracita cura de venenos, qualquer picada, a forma perfeita que enriquece a joalheria. E tome anel, talismã. Só quem nos pegar vivos poderá extraí-la, senão a pedra apodrecia sem valor. É. Viu aquele sobre um pano vermelho pra vomitá-la? Esse ainda se banha, eu mesmo fui colocado em um pote perfurado em cima de um formigueiro, quer pior? Servi de graça pro Medici seduzir a Graciosa, filha do Baltazar de Cabell. E quem não foi pra joia mágica da Deltora Quest da Rodda? E quantos pras joias da Catedral de Aachen? E eficaz contra os sortilégios e poderosa contra os venenos, por que malvadam tanto com a gente, hem? Nisso, a tarde recuava na boquinha da noite, quando deu as caras, do trapézio dos dias, Aderbal! Esse veio de encomenda: chorou na barriga da mãe! Vinha de Pasárgada, malas arrumadas de saudades - de caçarola a penico, de gargalo a pinguelo, das ouças aos focinhos, os de casa e os de fora, ije! Que é que tá pegando? O rei está esticando as pernas, tá todo mundo borocochô! Ah, não é segredo de abelha! Meu, mesmo não! -, disse o Flecha-abelha-faixa-amarela. Quer semear sisânia, é? Aqui num vale, só: Sapientis est mutare consilium! Não adianta nada xingar com nome feio! Tem que desentocar a causa disso tudo! Ah e não sabia? Tagarela de sempre, o seu fraco era puxar conversa e, arrebatado pela emoção do reencontro, esfriou: Ah, por isso que tá todo mundo agora aqui, né? Foi então que a perereca Kambô trouxe a vacina. Curou? Oxe, o cabra teve náusea, vômito, diarreia, rejeitou o laxativo. Vá na onda de sapeiro, viu! Deixe de marmota! Ora, é revigorante, estimulante! Taís pensando que é a aquela Pimenta que encaipora é? Ah, vou pro buraco da Gia, Fortaleza. Eita, fandango! Vamos pro sarrabalho, dancê a serra-baile! E o que era falta de jeito e fealdade, às interjeições com as façanhas glosadas. Alguém arengou: Vá lá pro jieiro Tito, o homem da jia. Ah, o ladrão! E o Sapo-boi mugiu: Sapo de fora não chia! A Rã-Golias se armou: Quem vai na garupa, não mexe na rédea! E o que era anuro virou Mirão, o outro Espião, que trouxe Xagueta, Ferreiro e Martelo: Sapo não lava o pé, taí o chulé! E o De-vidro, translúcido, venenoso: Quando se ama, parece amar-se a Lua. Aí o De-chifre, ô pacman, o folha: O óleo perfura a pedra! Eita, Moché! Moxé! Uma tuia de girino e era Pingo-de-ouro, De-rabo e Ponta-de-flecha! E pulou o que estava no ombro da bruxa, vestido de veludo escuro, chamou na grande: A coisa é séria, gente, rezem todos pra chamar chuva! Mais? Quase tudo morre afogado instantinho atrás. Bora. Aderbal, tome jeito, folgado! Aí a Rã-chorona: Olha só, minha gente, o rei foi acometido de enfermidade letal e, por causa disso, todos vamos morrer! Nossa, batráquios! Como assim? Tão culpando a comadre Unha Africano. Hum? Sim, um patógeno. Que é isso? O fungo critídio. Deixe de falar grego, esclareça! Um tal de maligno DB, até as salamandras, cecílias, tritões, axolotes, perigam todos extintos, incluindo nós aqui. É mesmo? Até a cobra-cega? Infelizmente, pandemia. A desconsolação bateu geral: Cadê meus girinos? E a vacina? Não tem. A desesperação caía cada vez mais perto. Vão apostar no pior? As perdas ensinam. E já era noite sem Lua. E Aderbal: Mãe Natura endoideceu, Jayme? Que pinoia é essa, hem? Aderbal, Aderbal, toma tino! Vão desertar? Pronde tu vai, abestado? Ué, escapulir, sou lá de esperar tempo ruim! Pra onde, fulustreco? Ah, fuga, babau... Fui! Até mais ver.

 

Luis Cernuda: Não anseie por um destino mais fácil... Contarei como nasceram os prazeres proibidos, como um desejo nasce sobre torres de terror... Tudo que é belo tem seu momento e depois desaparece... Veja mais aqui, aqui & aqui.

William Golding: O que um homem faz o contamina, não o que os outros fazem... Estive em muitos países e neles encontrei pessoas examinando seu próprio amor pela vida, seu senso de perigo e seu próprio bom senso. A única coisa que elas não conseguem entender é por que esse mesmo amor pela vida, esse mesmo senso de perigo e, sobretudo, esse bom senso, não são invariavelmente compartilhados por seus líderes e governantes... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ursula Karven: Envelhecer é uma jornada empolgante que leva a ainda mais independência e liberdade... Nenhuma tempestade dura para sempre... É exatamente nesses momentos que reside a força na paz e na serenidade... Veja mais aqui & aqui.

 

NAUFRÁGIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Quero soltar a âncora e velejar nesse mapa desconhecido, \ e se o mar ficar bravo, \ assobiarei aos céus para negociar a rota direta à lua, \ e se os ventos forem fortes, \ aguentarei firme nas coordenadas dessa viagem da vida.

Poema da premiada poeta e artista visual maçambicana Sónia Sultuane, autora do livro Walking Words (2021), entre outros. Veja mais aqui.

 

PALAVRAS HERMÉTICAS ENAUSEADAS - [...] Em um tempo no qual a intimidade é perpassada por todos os códigos de IA, a maneira de se proteger é simular uma linguagem hermenêutica, que não o é. Antes, é náusea que brota incontivelmente, com o mínimo de filtros e revisões. Vai do ato incontrolável da escrita relaxada à publicação não revisada num ato contínuo que desconsidera a liturgia que segrega o sagrado do profano. [...] Não entender nada pode ser tomado como uma tradução ao ato de discordância radical de quem prefere rotular de nonsense a fala alheia, bárbara, evitando a possibilidade de diálogo. Mas se há a possibilidade de diálogo, a concordância se dá como ponto de fuga, isto é, busca-se o entendimento como repulsa ao monólogo, da linguagem unidirecional. Decidimos concordar sobre a disposição de nos lançar ao diálogo, mormente com quem discordamos radicalmente. [...] Tudo que escrevo em textos resultante da náusea é um transbordo deste tempo em que os limites do diálogo são rompidos e a violência e a mentira tomam o lugar da discordância. [...] De fato, apelo a uma linguagem estranha, na qual há o apelo para que o lobo e o cordeiro vivam juntos (a despeito dos sábios). Mas como, se o leão amando o cordeiro faz dele sua refeição? Isto é um mistério. [...]. Trechos extraído do texto Palavras herméticas enauseadas (2025), do escritor samarinês Marco Nicolini, autor de Sottacqua (Aiep, 2020).

 

RACISMO - Não se pode olhar para uma pessoa e julgá-la pela cor da sua pele... O racismo é uma doença de adultos, e devemos parar de usar nossas crianças para propagá-lo... O racismo é uma forma de ódio. Nós o transmitimos aos nossos jovens. Quando fazemos isso, estamos roubando a inocência das crianças... As escolas precisam ser diversas se quisermos superar as diferenças raciais... Acredito que odiar não te faz bem nenhum... Talvez não sejamos todos igualmente culpados. Mas todos somos igualmente responsáveis por construir uma sociedade decente e justa... Pensamento da ativista estadunidense Ruby Bridges (Ruby Nell Bridges Hall), que é autora da obra Through My Eyes (Scholastic Press, 1999) e presidente da Fundação Ruby Bridges, criada em 1999, para promover "os valores da tolerância, do respeito e valorização de todas as diferenças."

 

A ARTE DE JOÃO FALCÃO

[...] Eu vi que o teatro era fácil, era só juntar algumas pessoas e ter uma boa ideia [...] Trabalhei com monstros consagrados, mas também com muita gente iniciante [...] O Asdrúbal me despertou o fascínio pelo trabalho de grupo e pela temática contemporânea. Quando vi Macunaíma, descobri a figura do diretor, inventei que queria fazer aquilo [...].

Trechos extraídos da entrevista João Falcão: De mansinho, a consagração - Como a carreira do diretor foi construída sobre percalços que se confundem com os dos personagens de sua peça 'Clandestinos' (Continente, 2010), do roteirista, diretor e compositor musical, João Falcão (João Barreto Falcão Neto), que atua no teatro com quase quatro décadas de trajetória e dezenas de peças encenadas, criador da famosa peça A Máquina (1999), que revelou atores como Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, e que transformada em filme em 2004.. Também dirigiu sucessos como Gonzagão – a Lenda e Clandestinos, com também participou de produções de grande destaque na Rede Globo, como A Comédia da Vida Privada, Sexo Frágil e Clandestinos. No cinema, colaborou nos roteiros de filmes como O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro. Começou sua trajetória como ator na peça Morte e vida Severina (1980), de João Cabral, e em Toda Nudez será castigada (1980). Dirigiu Flicts, a cor, de Ziraldo e Aderbal Freire Filho. É autor das peças Muito pelo contrário (1981), Xilique Peba Piriquito Xique (1983), Cara Metade (1983), O Pequenino Grão de Areia (1983), Esse Estranho desejo (1984), A ver estrelas (1985), Palmas pra que te quero (1986), Criadas da Glória (1986), Mamãe não pode saber (1993), A História do Homem (1996), A Dona da História (1998), Uma noite na lua (1999), Marilyn, Marilyn (2000), As aventuras de Zé Jack e seu Pandeiro... (2005), Dhrama (2007), Clandestinos (2008), Gonzagão, a Lenda (2012), Dorinha, meu amor (2017), Que Deus sou eu (2020) e Ensina-me a Viver (2022). Atuou com roteirista e diretor em diversos audiovisuais da TV Globo, entre participações na direção e roteiro de filmes, shows e especiais. Veja mais aqui & aqui.

 


A MÚSICA DE MILTON NASCIMENTO - Perfil & trajetória, com toda discografia e participações cinematográficas, do cantor, compositor, ator e multi-instrumentista Milton Nascimento (Milton Silva Campos do Nascimento, 1942), que aos 4 anos ganhou uma sanfona de 2 baixos e, aos 13, cantava no conjunto Continental de Duilio Riso Cougo, um grupo de baile. Com a música Travessia, parceria com Fernando Brant, ocupou o 2º lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967, gravou 34 álbuns registrando as suas mais diversas parcerias, hoje, com 84 anos, os aplausos para este cidadão do mundo. Confira aqui.

 


A ARTE DE GUITA CHARIFKER – Destaque para a arte da pintora, desenhista, gravurista e escultora, Guita Charifker (1936-2017), pela relevância de sua trajetória no cenário das pinturas, aquarelas e desenhos desta grande artista. Veja a homenagem aqui.

 


MUNDO DA DIVERSIDADE – Reunião de temas que caracterizam a diversidade de ideias da contemporaneidade, tratando sobre cultura, sexualidade, racismo, gênero, identidade, inclusão, relacionamento, entre outros, fazem parte das discussões na reflexão ampla de pensadores da atualidade. Confira aqui.

 


TORÉ XUKURU – Trata-se do 4º episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna. Desta feita, a garotada se depara com o Toré Xukuru, em Pesqueira, terra do doce e da renda renascença, a terra da amizade. Confira aqui.

 


CANTARAU TATARITARITATÁ – Registro de realização do cantarau Tataritaritatá, um projeto iniciado em 2002 como como zine impresso, depois transformou-se em zineblog, programa radiofônico, folheto de cordel, show poético-musical e, agora, em livro. Dá-se aqui a reunião de informações do portfólio, repertório, playlist de vídeos e fotos do projeto, a exemplo da apresentação no Sopa de Letrinhas do Clube Caiubi, em São Paulo. Veja detalhes aqui.

 

ISTO É PERNAMBUCO!!!

A arte do escultor, artesão, mamulengueiro, dançarino, escritor e artista Mestre Saúba (Antônio Elias da Silva), apelidado por conta de uma façanha da juventude: conseguiu retirar um relógio de dentro de um formigueiro. Veja mais aqui.