quarta-feira, fevereiro 17, 2016

ANNE BOYER, NUSSBAUM, CARTWRIGHT, BEATRIX, LAGERCRANTZ, DORKENOO, ASHERAH & LITERÓTICA


 


ASHERAH & SEUS OUTROS MUITOS NOMES... – O nome dela eu não sei, nunca saberei, talvez seja inominável. O que sei apenas é que ela chegou como a idolatrada Vênus, saída das cabanas das mulheres que teciam véus. E se achegou deusa-nua flanqueada por dois leões indóceis, a lira em seus braços, o sexo aberto como uma evocação onírica. Sensualmente apascentou as feras e a mim se dirigiu, divindade doadora, para me dar ciência das narrações da mitologia semita e das fontes acadianas para os rituais matrilinear do sexo sagrado. Beijou-me a face e senti o seu hálito de dama-leoa: a serenidade de altiva hesiquia. E estendeu-me as mãos e me acolheu entre os seus seios robustos, a me encantar por fascinações paradisíacas. Tomou minha serpente entre as mãos e o acariciou meigamente. Dele fez a sua estaca sagrada, empunhada ao seu triângulo púbico de Senhora do Mar, e esmoreceu e suspirou, gemeu Aserdu dos hititas, Astarte dos gregos e fenícios, Ishtar dos assírios, Asera dos filisteus, Rainha de todos os Céus. E dela, Grande Dama, todo o prazer de Deusa da Árvore da Vida. E mais me beijou como Kali, e cavalgou acossada como Atirat, e se apossou e se fez minha como Elat de El, Deusa do amor. Nela toda graça da Divina Dama do Éden, soberana no meu panteão, celebrada pela adoração de sua sensualidade, a me fazer pronunciar duzentas mil vezes, Asherah, Deusa Proibida e toda minha, para me fazer coeterno na apostasia. Asherah de Samaria, a deusa que se fez nua e minha todas as noites e todos os dias, amém. Veja mais abaixo e mais aqui.

 


DITOS & DESDITOS

Eu só inventei histórias para me divertir, porque nunca cresci... Todas as formas exteriores de religião são quase inúteis e causam conflitos intermináveis. Acredite que existe um grande poder que silenciosamente age em todas as coisas para o bem, comporte-se bem e não se preocupe com o resto... Com oportunidades, o mundo se torna muito interessante...

Pensamento da escritora, ilustradora, micologista e conservacionista inglesa, Beatrix Potter (Helen Beatrix Potter – 1866-1943). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU:

Não há razão para continuar a falhar com as nossas meninas... Uma identidade altamente visível e compartilhada pode ajudar a reunir ativistas de diferentes origens com um senso comum de propósito e pressionar por mudanças de forma mais eficaz - do palco global para dentro de suas próprias comunidades e famílias...

Pensamento da ativista ganesa Efua Dorkenoo (1949-2014), conhecida como Mama Efua, pioneira do movimento global para acabar com a prática da mutilação genital feminina (MGF) e autora de textos como Cutting The Rose: Female Genital Mutilation the Practice and its Prevention (Minority Rights Group, 1994), Relatório da Primeira Conferência de Estudo sobre Mutilação Genital de Meninas na Europa/Mundo Ocidental (1993), Proteção à Criança e Mutilação Genital Feminina: Conselhos para a Saúde, Educação e Profissão de Serviço Social (1992), Mutilação Genital Feminina: Propostas de Mudança (com Scilla Elworthy) (1992) e Tradição! Tradição: Uma história simbólica sobre a mutilação genital feminina (1992).

 

A GAROTA NA TEIA DE ARANHA - [...] Pois é, não... são sempre as pessoas erradas que têm a consciência pesada. Aqueles que são realmente responsáveis pelo sofrimento no mundo não estão nem aí. São justamente os que lutam pelo bem que acabam consumidos pelo remorso. [...] Às vezes, as melhores ideias surgem quando a mente está ocupada com algo completamente diferente. Peças do quebra-cabeça podem, de repente, se encaixar. [...] Vivemos em um mundo distorcido onde tudo, tanto o grande quanto o pequeno, está sujeito à vigilância, e onde qualquer coisa que tenha valor econômico será sempre explorada. [...] O que importa não é acreditarmos em Deus. Deus não é mesquinho. O que importa é compreendermos que a vida é séria e rica. Devemos valorizá-la e também procurar tornar o mundo um lugar melhor. Quem encontra o equilíbrio entre as duas coisas está próximo de Deus. [...]. Trechos extraídos da obra The Girl in the Spider's Web (MacLehose, 2015), do jornalista e escritor David Lagercrantz, autor de livros como Änglarna i Åmsele (1998), Ett svenskt geni (2000), Stjärnfall (2001), Där gräset aldrig växer mer (2002), Underbarnets gåta (2003), Himmel över Everest (2005), Ett svenskt geni – berättelsen om Håkan Lans och kriget han startade (2006) e Fall of Man in Wilmslow (2009).

 

SEM FINS LUCRATIVOS: POR QUE A DEMOCRACIA PRECISA DAS HUMANIDADES - [...] O conhecimento não é garantia de bom comportamento, mas a ignorância é praticamente uma garantia de mau comportamento. [...] Outro problema com as pessoas que não examinam a si mesmas é que elas frequentemente se mostram excessivamente suscetíveis a influências. [...] O brincar ensina as pessoas a conviverem com os outros sem controle; conecta as experiências de vulnerabilidade e surpresa à curiosidade e ao deslumbramento, em vez de à ansiedade paralisante. [...] Essa tradição defende que a educação não se resume à assimilação passiva de fatos e tradições culturais, mas consiste em desafiar a mente a tornar-se ativa, competente e criticamente reflexiva em um mundo complexo. Esse modelo educacional substituiu um anterior, no qual as crianças permaneciam sentadas em suas carteiras durante todo o dia, limitando-se a absorver — e, posteriormente, reproduzir — o conteúdo que lhes era apresentado. [...] No entanto, o nojo logo começa a causar danos reais ao interagir com o narcisismo básico das crianças humanas. Uma maneira eficaz de se distanciar completamente da própria animalidade é projetar as propriedades dessa condição — mau cheiro, aspecto viscoso, viscosidade — em algum grupo de pessoas e, então, tratar esses indivíduos como agentes de contaminação ou impureza, transformando-os em uma classe inferior e, na prática, em uma fronteira ou zona de amortecimento entre o indivíduo ansioso e as propriedades temidas e estigmatizadas da animalidade. [...] Como dissemos, um aspecto central da patologia do nojo é a divisão do mundo entre o “puro” e o “impuro” — a construção de um “nós”, isento de falhas, e de um “eles”, vistos como sujos, malignos e contaminadores. Muitas análises equivocadas sobre a política internacional revelam traços dessa patologia, pois as pessoas mostram-se excessivamente propensas a encarar certos grupos de “outros” como seres sombrios e maculados, enquanto se colocam, elas mesmas, do lado dos anjos. Percebemos agora que essa tendência humana profundamente arraigada é alimentada por formas consagradas de contar histórias às crianças — narrativas que sugerem que a ordem do mundo será restaurada quando uma bruxa ou um monstro, feios e repugnantes, forem mortos ou até mesmo cozidos em seu próprio forno. [...]. Trechos extraídos da obra Not for Profit: Why Democracy Needs the Humanities (Princeton University Press, 2012), filósofa estadunidense Martha Nussbaum (Martha Craven Nussbaum). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

POLÍTICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS: UM GUIA PRÁTICO PARA FAZÊ-LAS MELHOR - […] Para que a política baseada em evidências cumpra o seu trabalho, então é melhor interpretar as evidências de forma ampla o suficiente para cobrir todos os factos sem os quais não se terá um bom argumento. [...] Ao longo das últimas duas décadas, mais ou menos, tornou-se norma exigir que os formuladores de políticas baseiem suas recomendações em evidências. Isso é hoje algo incontestável, a ponto de parecer óbvio — afinal, as políticas devem, naturalmente, fundamentar-se em fatos. Mas será que os métodos utilizados por esses formuladores para coletar e analisar evidências são os mais adequados? [...]. Trechos extraídos da obra Evidence-Based Policy: A Practical Guide to Doing It Better (Oxford University Press, 2012), da filósofa estadunidense Nancy Cartwright.

 

O LUGAR ONDE NO FIM / ENCONTRAMOS NOSSA FELICIDADE - A história das revoluções é a história de ideias vagas. \ Encolhendo os ombros, sem encolher os ombros, \ Ficar parado sem fazer nada, agindo sem pensar, \ Agir pensando, ser escrito ou escrever, \ Ser mulher ou menina parada por aí, \ Uma mulher ou menina com um pouco de farinha no bolso. \ para lançar uma nuvem de farinha \ para obscurecer a visão dos homens guerreiros. \ Aquela nuvem branca de seja lá o que for \ Entre os corpos móveis e imóveis \ É aquela história que se assemelha à não-história? \ da média ahistórica, \ Aquela adorável inexatidão e algo provisório— \ Armamentada ou nunca. \ Quão pouco teorizada é a respiração? \ Caminhando e não caminhando, \ Querer se divertir ou simplesmente estar se divertindo, \ Como se todos estivessem rumando para o Éden. \ E ninguém mais está na escola com seus corpos. \ A história das revoluções é a história da ortodoxia. \ chorando por sua hesitação \ ortodoxias: \ Qualquer coisa precisa — bobagem hoje em dia: \ A própria ideia de não imprimir nada \ no ar, entre os edifícios principais. \ Sem espaço para humanos — apenas papel de impressora. \ Nada em específico — fiquei impressionado. Poema da escritora estadunidense Anne Boyer. Veja mais aqui.





CANCIONEIRO DA IMIGRAÇÃO – Curtindo o álbum que reúne livro e cd-duplo do projeto Cancioneiro da Imigração, realizado pela pesquisadora e musicista Anna Maria Kieffer, reunindo  regravações de canções tradicionais dos séculos 19 e 20, junto com quinze comunidades de imigrantes. O trabalho mobilizou mais de quinhentos profissionais, apresentando um canto tradicional dos índios guaranis, letras em árabe, grego e português que pertencem aos sírios e libaneses, músicas da tradição polonesa e alemã. Veja mais aqui.


ECOLOGIA SOCIAL DE MURRAY BOOKCHIN - É hoje impossível considerar pouco importantes, marginais ou "burgueses" os problemas ecológicos. O aumento da temperatura do planeta em virtude do teor crescente de anidrido carbônico na atmosfera, a descoberta de enormes buracos na camada de ozônio - atribuíveis ao uso exagerado de clorofluorcarbonetos - que permitem a passagem das radiações ultravioletas, a poluição maciça dos oceanos, do ar, da água potável e dos alimentos, a extensa deflorestação causada pelas chuvas ácidas e pelo abate incontrolado, a disseminação de material radioativo ao longo de toda a cadeia alimentar... tudo isto conferiu à ecologia uma importância que não tinha no passado. A sociedade atual está a danificar o planeta a níveis que superam a sua capacidade de autodepuração. Avizinhamo-nos do momento em que a Terra não estará em formas de manter a espécie humana nem as complexas formas de vida não humana, que se desenvolveram ao longo de milhões de anos de evolução orgânica. Face a este cenário catastrófico há o risco, a julgar pelas tendências em curso na América do Norte e nalguns países da Europa ocidental, de se tentar curar os sintomas em vez das causas e de pessoas ecologicamente empenhadas procurarem soluções cosméticas em vez de respostas duradouras. O crescimento dos movimentos "verdes" um pouco por todo o mundo - inclusive no Terceiro Mundo- testemunha a existência de novo impulso para combater corretamente o desastre ecológico. Mas torna-se cada vez mais evidente que se necessita de bastante mais que de um "impulso". Por importante que seja deter a construção de centrais nucleares, de autoestradas, de grandes aglomerações urbanas ou reduzir a utilização de produtos químicos na agricultura e na indústria alimentar, é necessário darmo-nos conta que as forças que conduzem a sociedade para a destruição planetária têm as suas raízes na economia mercantil do "cresce ou morres", num modo de produção que tem de expandir-se enquanto sistema concorrencial. O que está em causa não é a simples questão de "moralidade", de "psicologia" ou de "cobiça". Neste mundo competitivo em que cada um se acha reduzido a ser comprador ou vendedor e em que cada empresa se deve expandir para sobreviver, o crescimento limitado é inevitável. Adquiriu a inexorabilidade duma lei física, funcionando independentemente de intenções individuais, de propensões psicológicas ou de considerações éticas. [...] A ecologia social, tal como a concebo, não é mensagem primitivista tecnocrática. Tenta definir o lugar da humanidade "na" natureza - posição singular, extraordinária - sem cair num mundo de cavernícolas antitecnológicos, nem levantar voo do planeta com fantasiosas astronaves e estações orbitais de ficção científica. A humanidade faz parte da natureza, embora difira profundamente da vida não humana pela sua capacidade de pensar conceitualmente e de comunicar simbolicamente. A natureza, por sua vez, não é simplesmente cena panorâmica a olhar passivamente através da janela, é a evolução na sua totalidade, tal como o indivíduo é a sua própria biografia e não a simples edição de dados numéricos que exprimem o seu peso, altura, talvez "inteligência" e assim por diante. Os seres humanos não são unicamente uma entre muitas formas de vida, forma especializada para ocupar um dos muitos nichos ecológicos no mundo natural. São seres que, pelo menos potencialmente, podem tornar autoconsciente e, por conseguinte, autodirigida a evolução biótica. Com isto não quero dizer que a humanidade chegue a ter conhecimento suficiente da complexidade do mundo natural para poder ser o timoneiro da sua evolução, dirigindo-a à sua vontade. As minhas reflexões sobre a espontaneidade sugiram prudência nas intervenções sobre o mundo natural, (sustentam que se requer) grande cautela nas modificações a empreender. Mas, como disse em "Pensar Ecologicamente", o que verdadeiramente nos faz únicos é podermos intervir na natureza com um grau de autoconsciência e flexibilidade desconhecido nas outras espécies. Que a intervenção seja criadora ou destrutiva é problema que devemos enfrentar em toda a reflexão sobre a nossa interação com a natureza. Se as potencialidades humanas de autodireção consciente da natureza são enormes devemos contudo recordar que somos hoje ainda menos que humanos. A nossa espécie é uma espécie dividida - dividida antagonisticamente por idade, caráter, classe, rendimento, etnia, etc. - e não uma espécie unida. Falar de "humanidade" em termos zoológicos, como fazem atualmente tantos ecologistas - inclusivamente tratar as pessoas como espécie e não como seres sociais que vivem em complexas criações institucionais - é ingenuamente absurdo. Uma humanidade iluminada, reunida para se dar conta das suas plenas potencialidades numa sociedade ecologicamente harmoniosa, é apenas uma esperança e não apenas uma realidade, um "dever ser" e não um "ser". Enquanto não tivermos criado uma sociedade ecológica, a capacidade de nos matarmos uns aos outros e de devastar o planeta fará de nós - como efetivamente faz - uma espécie menos evoluída do que as outras. Não conseguir ver que atingir a humanidade plena é problema social que depende de mutações institucionais e culturais fundamentais é reduzir a ecologia radical à zoologia e tornar quimérica qualquer tentativa de realizar uma sociedade ecológica. [...] Uma nova política deveria, quanto a mim, implicar a criação duma esfera pública "de base" extremamente participativa, a nível da cidade, do campo, das aldeias e bairros. Decerto o capitalismo provocou destruição tanto dos vínculos comunitários como do mundo natural. Em ambos os casos encontramo-nos face a simplificação das relações humanas e não humanas, à sua redução a formas interativas e comunitárias elementares. Mas onde existam ainda laços comunitários e onde - mesmo nas grandes cidades - possam nascer interesses comuns, esses devem ser cultivados e desenvolvidos. Estudei este tipo de política comunal (repito: entendo política no sentido helênico, não no seu significado atual que denomino "estatalidade") no meu livro "O Progresso da Urbanização e o Declínio da Cidadania". Por difícil que pareça, na Europa (e em menor grau, creio, nos Estados Unidos) acredito na possibilidade duma confederação de municípios livres como contra-poder de base à centralização crescente do poder por parte do Estado-nação. Quero fazer notar que, neste campo, a política ecológica é em muitos casos não apenas possível mas também coerente com a ecologia concebida como estudo da comunidade, quer humana quer não humana. Uma sociedade ecológica pressupõe formas participativas de base, comunitárias, que tal política se propõe realizar no futuro. A ecologia não é nada se se não ocupar do modo como interagem as formas de vida para construir e se desenvolverem como comunidades [...]. ECOLOGIA SOCIAL – A obra Ecologia social e outros ensaios, do escritor anarquista verde norte-americano, Murray Bookchin, aborda questões sobre a ecologia social, hecatombes de quarenta milhões de bisões, sem hierarquia e sem classes, o que é a natureza, vínculos comunitários, municipalismo comunitário, da tribo à cidade, a cidade e a urbe, município e democracia direta, o Estado contra a cidade, as classes sociais em reformulação, a comunidade e a fábrica, comunalismo: a dimensão democrática do anarquismo, grupos de afinidade, autogestão e tecnologias alternativas, sociedade e ecologia, a relação da sociedade com a natureza, o conceito de ecologia social, a filosofia da ecologia social, ecologia e pensamento revolucionário, anarquismo e ecologia, um manifesto ecológico, o poder de destruir e o poder de criar, tecnologia e população, ecologia e sociedade, uma visão de mundo mais coerente, nenhum presente parte do Estado, ecologia profunda e um momento de transição. Veja mais aqui.

REFERÊNCIA
BOOKCHIN, Murray. Ecologia social. Rio de Janeiro: Achiamé. 2010.


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