ASHERAH
& SEUS OUTROS MUITOS NOMES...
– O nome dela eu não sei, nunca saberei, talvez seja inominável. O que sei
apenas é que ela chegou como a idolatrada Vênus, saída das cabanas das mulheres
que teciam véus. E se achegou deusa-nua flanqueada por dois leões indóceis, a
lira em seus braços, o sexo aberto como uma evocação onírica. Sensualmente apascentou
as feras e a mim se dirigiu, divindade doadora, para me dar ciência das
narrações da mitologia semita e das fontes acadianas para os rituais
matrilinear do sexo sagrado. Beijou-me a face e senti o seu hálito de dama-leoa:
a serenidade de altiva hesiquia. E estendeu-me as mãos e me acolheu entre os
seus seios robustos, a me encantar por fascinações paradisíacas. Tomou minha
serpente entre as mãos e o acariciou meigamente. Dele fez a sua estaca sagrada,
empunhada ao seu triângulo púbico de Senhora do Mar, e esmoreceu e suspirou,
gemeu Aserdu dos hititas, Astarte dos gregos e fenícios, Ishtar dos assírios, Asera
dos filisteus, Rainha de todos os Céus. E dela, Grande Dama, todo o prazer de Deusa
da Árvore da Vida. E mais me beijou como Kali, e cavalgou acossada como Atirat,
e se apossou e se fez minha como Elat de El, Deusa do amor. Nela toda graça da Divina
Dama do Éden, soberana no meu panteão, celebrada pela adoração de sua
sensualidade, a me fazer pronunciar duzentas mil vezes, Asherah, Deusa Proibida
e toda minha, para me fazer coeterno na apostasia. Asherah de Samaria, a deusa que
se fez nua e minha todas as noites e todos os dias, amém. Veja mais abaixo e
mais aqui.
DITOS
& DESDITOS
Eu
só inventei histórias para me divertir, porque nunca cresci... Todas as formas
exteriores de religião são quase inúteis e causam conflitos intermináveis.
Acredite que existe um grande poder que silenciosamente age em todas as coisas
para o bem, comporte-se bem e não se preocupe com o resto... Com oportunidades,
o mundo se torna muito interessante...
Pensamento
da escritora, ilustradora, micologista e conservacionista inglesa, Beatrix Potter (Helen Beatrix Potter – 1866-1943).
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
ALGUÉM
FALOU:
Não
há razão para continuar a falhar com as nossas meninas... Uma identidade
altamente visível e compartilhada pode ajudar a reunir ativistas de diferentes
origens com um senso comum de propósito e pressionar por mudanças de forma mais
eficaz - do palco global para dentro de suas próprias comunidades e famílias...
Pensamento
da ativista ganesa Efua Dorkenoo (1949-2014), conhecida como Mama Efua, pioneira
do movimento global para acabar com a prática da mutilação genital feminina
(MGF) e autora de textos como Cutting The Rose: Female Genital Mutilation
the Practice and its Prevention (Minority Rights Group, 1994), Relatório
da Primeira Conferência de Estudo sobre Mutilação Genital de Meninas na
Europa/Mundo Ocidental (1993), Proteção à Criança e Mutilação Genital
Feminina: Conselhos para a Saúde, Educação e Profissão de Serviço Social
(1992), Mutilação Genital Feminina: Propostas de Mudança (com Scilla
Elworthy) (1992) e Tradição! Tradição: Uma história simbólica sobre a
mutilação genital feminina (1992).
A GAROTA NA TEIA DE ARANHA - [...]
Pois é, não... são sempre as
pessoas erradas que têm a consciência pesada. Aqueles que são realmente
responsáveis pelo sofrimento no mundo não estão nem aí. São justamente os que lutam pelo bem que acabam consumidos pelo remorso. [...] Às vezes, as melhores ideias
surgem quando a mente está ocupada com algo completamente diferente. Peças do
quebra-cabeça podem, de repente, se encaixar. [...] Vivemos em um mundo
distorcido onde tudo, tanto o grande quanto o pequeno, está sujeito à
vigilância, e onde qualquer coisa que tenha valor econômico será sempre
explorada. [...] O que importa não é acreditarmos em Deus. Deus não é
mesquinho. O que importa é compreendermos que a vida é séria e rica. Devemos
valorizá-la e também procurar tornar o mundo um lugar melhor. Quem encontra o
equilíbrio entre as duas coisas está próximo de Deus. [...]. Trechos extraídos da obra The Girl
in the Spider's Web (MacLehose, 2015), do jornalista e escritor David Lagercrantz, autor de livros como Änglarna i
Åmsele (1998), Ett svenskt geni (2000), Stjärnfall (2001), Där
gräset aldrig växer mer (2002), Underbarnets gåta (2003), Himmel
över Everest (2005), Ett svenskt geni – berättelsen om Håkan Lans och
kriget han startade (2006) e Fall of Man in Wilmslow (2009).
SEM FINS LUCRATIVOS: POR QUE A DEMOCRACIA PRECISA DAS
HUMANIDADES - [...] O
conhecimento não é garantia de bom comportamento, mas a ignorância é
praticamente uma garantia de mau comportamento. [...] Outro problema com
as pessoas que não examinam a si mesmas é que elas frequentemente se mostram
excessivamente suscetíveis a influências. [...] O brincar ensina as
pessoas a conviverem com os outros sem controle; conecta as experiências de
vulnerabilidade e surpresa à curiosidade e ao deslumbramento, em vez de à
ansiedade paralisante. [...] Essa tradição defende que a educação não se
resume à assimilação passiva de fatos e tradições culturais, mas consiste em
desafiar a mente a tornar-se ativa, competente e criticamente reflexiva em um
mundo complexo. Esse modelo educacional substituiu um anterior, no qual as
crianças permaneciam sentadas em suas carteiras durante todo o dia,
limitando-se a absorver — e, posteriormente, reproduzir — o conteúdo que lhes
era apresentado. [...] No entanto, o nojo logo começa a causar danos
reais ao interagir com o narcisismo básico das crianças humanas. Uma maneira
eficaz de se distanciar completamente da própria animalidade é projetar as
propriedades dessa condição — mau cheiro, aspecto viscoso, viscosidade — em
algum grupo de pessoas e, então, tratar esses indivíduos como agentes de
contaminação ou impureza, transformando-os em uma classe inferior e, na
prática, em uma fronteira ou zona de amortecimento entre o indivíduo ansioso e
as propriedades temidas e estigmatizadas da animalidade. [...] Como
dissemos, um aspecto central da patologia do nojo é a divisão do mundo entre o
“puro” e o “impuro” — a construção de um “nós”, isento de falhas, e de um
“eles”, vistos como sujos, malignos e contaminadores. Muitas análises
equivocadas sobre a política internacional revelam traços dessa patologia, pois
as pessoas mostram-se excessivamente propensas a encarar certos grupos de
“outros” como seres sombrios e maculados, enquanto se colocam, elas mesmas, do
lado dos anjos. Percebemos agora que essa tendência humana profundamente
arraigada é alimentada por formas consagradas de contar histórias às crianças —
narrativas que sugerem que a ordem do mundo será restaurada quando uma bruxa ou
um monstro, feios e repugnantes, forem mortos ou até mesmo cozidos em seu
próprio forno. [...]. Trechos
extraídos da obra Not for Profit: Why Democracy Needs the Humanities
(Princeton University Press, 2012), filósofa estadunidense Martha Nussbaum (Martha Craven Nussbaum). Veja
mais aqui, aqui, aqui & aqui.
POLÍTICAS BASEADAS EM
EVIDÊNCIAS: UM GUIA PRÁTICO PARA FAZÊ-LAS MELHOR - […] Para que a política
baseada em evidências cumpra o seu trabalho, então é melhor interpretar as
evidências de forma ampla o suficiente para cobrir todos os factos sem os quais
não se terá um bom argumento. [...] Ao longo das últimas duas décadas, mais ou
menos, tornou-se norma exigir que os formuladores de políticas baseiem suas
recomendações em evidências. Isso é hoje algo incontestável, a ponto de parecer
óbvio — afinal, as políticas devem, naturalmente, fundamentar-se em fatos. Mas
será que os métodos utilizados por esses formuladores para coletar e analisar
evidências são os mais adequados? [...]. Trechos extraídos da obra Evidence-Based
Policy: A Practical Guide to Doing It Better (Oxford University Press, 2012),
da filósofa estadunidense Nancy Cartwright.
O LUGAR ONDE NO FIM / ENCONTRAMOS
NOSSA FELICIDADE - A história das revoluções é a
história de ideias vagas. \ Encolhendo os ombros, sem encolher os ombros, \ Ficar
parado sem fazer nada, agindo sem pensar, \ Agir pensando, ser escrito ou
escrever, \ Ser mulher ou menina parada por aí, \ Uma mulher ou menina com um
pouco de farinha no bolso. \ para lançar uma nuvem de farinha \ para obscurecer
a visão dos homens guerreiros. \ Aquela nuvem branca de seja lá o que for \ Entre
os corpos móveis e imóveis \ É aquela história que se assemelha à não-história?
\ da média ahistórica, \ Aquela adorável inexatidão e algo provisório— \ Armamentada
ou nunca. \ Quão pouco teorizada é a respiração? \ Caminhando e não caminhando,
\ Querer se divertir ou simplesmente estar se divertindo, \ Como se todos
estivessem rumando para o Éden. \ E ninguém mais está na escola com seus
corpos. \ A história das revoluções é a história da ortodoxia. \ chorando por
sua hesitação \ ortodoxias: \ Qualquer coisa precisa — bobagem hoje em dia: \ A
própria ideia de não imprimir nada \ no ar, entre os edifícios principais. \ Sem
espaço para humanos — apenas papel de impressora. \ Nada em específico — fiquei
impressionado. Poema da escritora
estadunidense Anne Boyer. Veja mais aqui.








