quarta-feira, novembro 27, 2019

JACK LONDON, DUÍLIA DE MELLO, ISADORA DUNCAN & MINEHAHA MULHER DO BÚFALO


OS SEIOS DE ISADORA - A vida não é um sonho. Como se fosse, assim se fez para a caçula do banqueiro que faliu e se foi, da professora de música numa casa onde só o amor à arte e sonhos, mais nada, frio e fome a cada dia. O incêndio a desapropriou: a vida na rua, à beira da indigência. A escola sufocava o fogo ardente de sua meninice maltrapilha, nem um centavo no bolso. Os sonhos continuavam sonhos, selvagem de nascença, geminiana jamais domesticada, o lema sem limites. Até que seu corpo as ondas do mar, a água, o vento, as plantas: a nudez grega, a vitalidade desinibida e avassaladora, nenhuma ninfa ou fada, música e poesia na rebeldia descalça de seios à mostra na túnica transparente, cabelos soltos, corpo livre aos improvisos irreverentes, decididamente escandalosa, desnudada, aplaudida, exaltada. Fez-se raposa comunista e os horrores dos fuzilados do czar pelo pão da miséria, engasgada pelas lágrimas indignadas: cortejo interminável dos infelizes, aos ombros seus mártires mortos e era só uma menina dançando num jardim, a dança futura pela causa da humanidade, impulsiva, imprevidente. Até na morte dos filhos no rio Sena, a tristeza com os nervos em frangalhos. Os sonhos continuavam sonhos e descia do Olimpo, os seios à mostra com seu inesquecível fascínio, sua dissimulação a girar cabeças coroadas e casacudas, sempre ardente, às breves e arrasadoras aventuras amorosas, generosa e maternal com seus recursos secretos e imprevisíveis A alma se desprendia do corpo e os seios à mostra: o amor fraternal: o sonho do adeus ao brutal velho mundo. Incorrigível perdulária a ruminar, era assim que era: revolucionária e espontânea. O rosto devastado pelo ocaso: álcool e dívidas, a autobiografia. Os sonhos continuavam sonhos, seios à mostra e a echarpe no Bugatti conversível vermelho, a despedida para o amor insólito e o estrangulamento. O estopim decadente. Não mais sonhos para dormir o pesadelo de nunca mais nos seios floridos e finalmente escondidos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Estamos passando por um momento muito difícil, de descrédito. As pessoas acham que ciência é religião, que se acredita ou não se acredita. Não é assim. Ciência é baseada em fatos, não precisa de crença. O fato existe, a gente interpreta o fato com método científico. É com muita tristeza que vejo esse passo que a humanidade está dando. Tenho impressão que isso é passageiro, que é só uma regressão que estamos vivendo porque houve um certo descuido, principalmente, dos cientistas que precisam comunicar a ciência todos os dias ao público, e precisa educar o jovem para a ciência. Os cientistas no mundo todo acharam que a escola estava educando o suficiente e demonstrando a importância da ciência. Espero que todos os cientistas acordem, porque passou da hora de comunicar a ciência. É uma coisa muito difícil, não é todo mundo que tem talento de passar conhecimentos difíceis para uma linguagem simples. [...]. Trecho da entrevista Estamos no caminho errado (Agência Brasil-EBC, 2019), da astrônoma e professora de Física e Astronomia da University Washington, pesquisadora do Goddard Space Flight Center – NASA, e autora do livro Vivendo com as Estrelas (PandaBooks, 2009), Duília de Mello, falando sobre pesquisa espacial e divulgação científica, concedida ao jornalista Gilberto Costa. Veja mais aqui.

MINEHAHA, A MULHER DO BÚFALO
[...] É uma lenda básica da tribo Blackfoot que originou seu ritual da dança dos búfalos onde eles invocam a cooperação dos animais no jogo da vida. Se você levar em conta o tamanho de algumas dessas tribos percebe que para alimentá-los era preciso muita carne. E uma forma de ter carne para o inverno era fazer estourar uma manada de búfalos e fazê-los cair do alto de um rochedo. Essa história se passa com a tribo Blackfoot muito tempo atrás. Eles não conseguiam fazer os búfalos cair do penhasco; os animais se aproximavam e se desviavam. Eles não iam conseguir carne para o inverno. Certa manhã uma mocinha de uma das cabanas vai buscar água no poço para a família. E ela diz: "Ah, se vocês caíssem eu me casaria com um de vocês". E para sua surpresa eles todos vêm e começam a despencar. Essa foi a primeira surpresa. A segunda surpresa foi quando um dos búfalos velhos, o feiticeiro do rebanho, diz: "Tudo bem, você vem comigo". Ela diz: "Ah, não!" Ele diz: "Sim, você prometeu. Nós cumprimos a nossa parte, minha família está morta lá embaixo. Agora você virá comigo". De manhã, a família dela acorda e cadê a Minehaha? O pai procura e diz: "Ela fugiu com um búfalo". Ele percebe pelas pegadas. Então diz: "Vou busca-la". Calça seus mocassins, seu arco e flecha e vai para a planície. Depois de caminhar bastante fica com vontade de descansar e chega a um lugar chamado Charco dos Búfalos, onde os animais gostam de vir rolar na lama para se refrescar e se livrar dos piolhos. Ali começa a pensar no que fazer quando chega uma pega; é um pássaro de plumagem vistosa que tem dons especiais qualidades mágicas. Sim, mágicas. E o homem lhe diz: "Oh, belo pássaro, minha filha fugiu com um búfalo. Você a viu? Poderia encontrá-la nessa planície?" Ele responde: "Vi uma linda garota junto com os búfalos perto daqui". E o homem diz: "Você poderia ir até lá e dizer a ela que seu pai está aqui?" O pássaro voa até a garota no meio dos búfalos que estão dormindo. Não sei o que ela estava fazendo, tricô ou algo assim. O pássaro chega e diz: "Seu pai está lá no charco esperando por você". Diz ela: "Isso é terrível; é muito perigoso! Esses búfalos podem nos matar. Diga a ele que me espere, vou dar um jeito". Então seu marido búfalo acorda, tira um dos chifres e lhe diz: "Vá até o charco buscar água para mim". Ela pega o chifre, vai até o charco e lá está seu pai. Ele lhe diz: "Venha". Ela diz: "Não, é muito perigoso. O rebanho inteiro vai nos perseguir. Acharei um jeito; agora me deixe voltar". Ela apanha água e volta. Seu marido búfalo diz: "Fi, fá, fo sinto um cheiro de índio!". Ela diz: "Nada disso!". E ele diz: "Sim, com certeza". Ele dá um mugido de búfalo, todos se levantam e fazem uma dança lenta, com os rabos levantados. Vão até o charco e pisoteiam o pobre homem até ele desaparecer; ficar em pedacinhos. A garota chora e seu marido búfalo diz "Você está chorando?". "Esse é o meu pai", diz ela. "Ah é? E nós? Ali estão nossos filhos, mulheres, pais; todos mortos. E você aqui chorando pelo seu pai!", diz ele. Mas parece que ele era bonzinho; fica com pena e diz: "Se você conseguir trazer seu pai de volta à vida, eu a deixo ir embora". Então ela diz ao pássaro: "Procure pelo chão e veja se encontra um pedacinho do meu pai". O pássaro vai ciscando e acaba trazendo um ossinho. E a garota diz: "Isso já basta. Vamos colocar isso aqui no chão"; ela coloca o cobertor sobre o ossinho e canta uma canção mágica, de grande poder. E veja só, um homem debaixo do cobertor. Ela olha, é seu pai, mas ainda não está respirando. Ela continua cantando; ele fica de pé e os búfalos ficam espantadíssimos. Dizem: "Por que você não faz isso por nós? Nós ensinaremos vossa dança e depois que vocês matarem nossas famílias, você dança, canta essa canção e nós voltaremos à vida". Esta é a ideia básica: que através do ritual se alcança a dimensão que transcende a temporalidade, a dimensão de onde vem a vida e para onde volta. [...]
MINEHAHA, A MULHER DO BÚFALO – Extraída da obra O poder do mito (Palas Athena, 1990), do mitologista, escritor e professor estadunidense Joseph Campbell (1904-1987), com edição de Bill Moyers e organizado por Betty Sue Flowers, fruto de uma série de conversas mantidas entre o autor e o jornalista editor, numa combinação de sabedoria e humor, tratando sobre o casamento, os nascimentos virginais, a trajetória do herói, o sacrifício ritual, entre outras. Veja mais aqui.

A ARTE DE ISADORA DUNCAN
A arte não é, de modo nenhum, necessária. Tudo o que é preciso para tornarmos o mundo mais habitável é o amor. O corpo do bailarino é simplesmente a manifestação luminosa da alma.
Não me lembro de nenhum sofrimento que tivera por causa da pobreza de minha casa. Essa pobreza nos parecia muito natural. Eu sofria somente na escola. Para uma criança sensível e orgulhosa, o sistema da escola pública era tão humilhante como o cárcere. Eu estava sempre em rebeldia.
ISADORA DUNCAN – A arte da coreógrafa e bailarina estadunidense Isadora Duncan (1877-1927), considerada a precursora da dança moderna, aclamada por suas apresentações em todo o planeta. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A OBRA DE JACK LONDON
Eu não vivo para o que o mundo pensa de mim, mas para o que eu penso de mim mesmo.
A obra do escritor, jornalista e ativista estadunidense Jack London (1876-1916) aqui e aqui.