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sábado, fevereiro 13, 2016

CAILLOIS, ZAZA MUCHEMWA, MORTIMER, FOWLES, UIARA & LITERÓTICA



 

RESSURRETO DAS ENCRUZILHADAS: OS ALCOVITEIROS: AGORA É CASO DEFRONTE! - Tais sabendo da última? Qual é? Tem um Canoeiro na parada! Que foi que ele fez? Sequestrou a filha do Coronelão! Ele é doido é? Vixe, esse tá frito! Ele é à prova de bala ou indestrutível? Tá, pelo que fez parece que é super-herói às avessas e deu uma senhora mancada. Ora, acho que ele ou não bate bem da bola ou não sabe a bronca em que se meteu! Você num sabe! Do quê? Vocês dois estão descascando quem, hem? Sai pra lá, fofoqueira! Tais vendo, comadre, essas duas trepeças juntas cochichando, tem coisa acontecendo ou não tem? Tem, comadre, ouvi deles sobre o Canoeiro, aquele pão, lindo de morrer! Se assunte, mulher, o seu belo já está com os dias contados! Inveja, pode ver! Oxe, ele mexeu com a filha do Coronelão e o velho está botando fumaça pelas ventas para pegá-lo! Danou-se! Vai ser o maior revestrés! Eita, cada qual o seu emperro! Ele tá lascado: f-o-fu-d-i-di-d-o-do! Fodido e meio. Parece que o vagabundo paisano é moço bem enxerido, traz alegre a soledade e o quartel bem divertido. Se ele aparecer lá em casa eu escondo! Mulher, toma juízo. Escondo mesmo e debaixo da minha saia, ui-ui! E tu comadre? Oxe, Deus queira que ele apareça lá em casa, não terá exército que me tire ele do quarto! Vocês duas não tem mesmo tino. E vocês dois morrendo de inveja! Vocês duas não sabem de nada: ele além de sequestrar a filha do Coronelão, deu um sarrabulho no doutor Dino e na recada de polícia e araques todos, desancou e saiu depois de deixá-los tudo estirado. Foi a maior correria pela rua, não sei se mataram, mas pelo menos todo mundo viu atirarem nele e ele voando na carreira, caiu no rio e babau. Ninguém mais sabe dele. Aindagora mesmo o Coronelão passou pra cima e pra baixo, pela beira do rio com trocentos capangas e uns dez batalhões de militares, tudo de metralhadora na mão, caçando o rapaz por toda extensão do rio. Soube que estão tudo reunido, juiz, delegado, bispo, a corja toda, tudo tramando para pegá-lo, o que seria bem feito. Bem, o rio, salvo engano, tem duzentos e cinquenta quilômetros da nascente até a foz e, pelo volume de convocados, duma margem a outra, pontes e quedas d’águas, tem mais gente pra meter tiro que todas as guerras do mundo. Tão fazendo a maior varredura. O cabra parece mais que já está sendo caçado pela Interpol, Polícia Federal, FBI, o escambau a quatro, tudo para tirar o couro dele depois de esquartejá-lo com a cabeça enfiada num toco, feito Tiradentes. Menino, o negócio é sério mesmo! Olhaí as sirenes, tão passando de instante em segundos, para lá e para cá, só vão parar o cerco quando agarrarem o desgraçado. Desgraçado nada, ele é lindão mesmo, parece mais artista de cinema, de capa de revista, tudo morrendo de inveja. Deixa essas quengas pra lá, vem cá, me diz uma coisa: é verdade que o Cabraí foi ter com o bispo ontem? Oxe, com o santo excrementíssimo episcopal? É o que estão falando à boca miúda. Rapaz, aquele corta dos dois lados em todos os sentidos, amarra com um, acerta com outro, ajusta direitinho e sai por cima, ninguém escapa da agiotagem dele. Quando o Coronelão souber desse arrumadinho, sei não. Oxe, dá em nada, o da batina sabe dá o ponto sem nó, bota todos os botões no caseado, fica o maior vinco, o homem é jeitoso. Se lembra daquela vez que ele ficou lá e cá, ora apoiava um e, logo na volta do aperto, apoiava o outro, ele sabe pular academia, amarelinha e tudo o mais, vai prum lado e outro na maior descaradice, se brincar ele acomoda Deus e o diabo no mesmo prato e ainda sai sorrindo. Também, na volta do prefeito ninguém é besta, ele que se engana, pensa que porque passou a perna no padrinho ricaço dando um chega pra lá, ele vai sair podendo tudo, ninguém é idiota de acender uma vela presse devotado de meia tijela, todo mundo vai ficar pra ele com um pé atrás, afinal ninguém quer morrer de graça, ou ele bota pra fora rachando o desfalcado do cofre, ou vai amargar o fel das puxadas de tapetes em cima da bucha. Homem-seu-menino, sei não, a coisa tá embolando. E vai estufar mais, ainda mais com o Coronelão virado na gota com esse Canoeiro que achou de desafiá-lo arrancando o bigode mais precioso dele. Sei não, isso ainda vai dar muita resenha! Ah, se vai... Veja mais aqui.

 


DITOS & DESDITOS

Sempre senti que precisava me esforçar muito para não decepcionar. Então, me esforcei muito, mas na época me convinha, porque eu não fazia muita coisa além disso...

Pensamento da atriz, diretora e produtora de cinema britânica Emily Mortimer.

 

ALGUÉM FALOU:

Eu não passava de um cílio perdido que o mundo desatento jamais saberia ter deixado cair — uma baixa ciliar que ninguém notou, uma cedilha sem o "c" a que se pendurar... Quando você escreve sobre os mortos, você tem a última palavra...

Pensamento o escritor, crítico e cineasta britânico Adam Mars-Jones.

 

A TEORIA DA FESTA: O HOMEM & O SAGRADO – [...] Os ritos de consagração, que são introduzidos no mundo do sagrado, um ser ou um escolhido, e os ritos de dessacralização, ou de expiação, que, ao contrário, tornam uma pessoa ou um objeto puro ou impuro no mundo profano. [...] É sagrado o ser, a coisa ou a ideia à qual o homem vincula toda a sua conduta, aquilo que ele não aceita ver posto em discussão, aviltado ou ridicularizado, aquilo que ele não renegaria nem trairia a qualquer preço. [...] As cerimônias de fertilidade não são as únicas. Outras têm por objetivo introduzir os jovens na sociedade dos homens e, assim, integrá-los à coletividade. Trata-se dos ritos de iniciação. [...] As forças de bênção habitam os mastros totêmicos de cores vivas — orgulho da grande praça da aldeia —, onde se erguem, lado a lado, o altar e a casa dos homens ou a alta habitação do chefe. [...] A circuncisão completa seu falo. Toda a cerimónia confere-lhes as diversas virtudes viris, nomeadamente a bravura, a invencibilidade e, por outro lado, o direito e o poder de procriar. [...] O tabu apresenta-se como um imperativo categórico negativo. Consiste sempre numa defesa, nunca numa prescrição. Não é justificado por qualquer consideração de caráter moral. [...] O indivíduo isolado, saído da dualidade elementar, é um ser perdido, um errante. Ele não constitui uma unidade, mas sim o fragmento avulso de uma totalidade viva. [...]. Trechos extraídos da obra L'Homme et le sacré (Gallimard, 1965), do sociólogo e crítico literário francês Roger Caillois (1913-1978), em qual procura definir a natureza e a função do mito, analisando as diferentes determinações que contribuem para fazer das representações coletivas de caráter mítico uma manifestação privilegiada da vida imaginativa. Apresenta no capítulo O sagrado de transgressão: Teoria da festa, a ruptura efervescente com o tempo cotidiano, regulado e submetido a proibições, defiindo a festa como um momento de transgressão sagrada e dispêndio de energia, servindo para renovar a ordem social do mundo cotidiano. Nesta obra o autor desenvolve diversos conceitos, entre ele o de Mundo Profano vs. Mundo Sagrado, no qual as sociedades se organizam entre o cotidiano útil profano e o sagrado, visto como uma força ou energia perigosa que mantém a ordem cósmica. Por conta disso apresenta o conceito de Transgressão Regulada, pelo qual a festa rompe temporariamente com as regras, interdições e hierarquias do dia a dia, permitindo o excesso de forma controlada. Apresenta o conceito de Dispêndio, ou gasto, definindo que, na festa, há uma queima intencional de riquezas, alimentos, tempo e energias acumuladas, contrariando a lógica econômica da produção e da utilidade. Por fim trata a respeito do conceito de Regeneração da Ordem, entendendo que, na festa, ao liberar as tensões e os excessos acumulados de forma coletiva, ela então purifica a sociedade e fortalece os laços comunitários para o retorno ao ciclo profano. Ele também é autor de obras como The Dedalus Book of Surrealism: The Identity of Things (1993) e Au coeur du fantastique (1965). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ODE A ABRIL - Abril chega com a chuva: ventos fortes, águas cortantes que se precipitam, gotas grossas na vidraça, aquele único dia de chuva, uma shura que não reconhecemos, mashura nezviratidzo são a ordem dos nossos dias. Abril chega com o cabelo cortado, mais de 10 anos de 'manter a autenticidade', clandestinamente arrancado do couro cabeludo, chega de portas fechadas! Você declara com medo do que está por vir, e nos perguntamos se a tristeza nos olhos é uma ilusão ou se a imaginação corre solta, mais descontrolada do que quando sufocávamos nossos pesadelos em vários litros de álcool. Abril chega com o desejo: instável como a energia elétrica da ZESA, inesperado como um dólar que cai do céu no meio do mês. O desejo, há muito reprimido, como o ar em um recipiente retangular vazio de óleo de olivina. O som de "thrrraaaaack" ao ser aberto sussurra de volta aos dias de infância, quando quebrávamos brinquedos para brincar com utensílios domésticos. A chuva de abril espalha a grama verde camaleônica pela terra ressecada, rica e saborosa, seu aroma fugaz como o suntuoso sadza remhunga cinza-barro , brilhando no prato vermelho elétrico, cercado por um mar de sadza rechibagwe branco. Abril chega com o desejo. Nove meses sóbrio, você aprende a desconfiar do fogo de um fósforo aceso na mão. Nestes nove meses, um bebê poderia ter nascido, mas um homem em seu corpo é mais interessante na mente do que na carne. Sua carne, que sangra mensalmente com frequência, continua a te atormentar. Ossos com seu desejo de trazer nova vida enquanto as visões por vir batem à sua cabeça com mais urgência do que o mensageiro do senhorio, em vigília, em sono, o cacarejar dos pássaros em conferência sob a janela do seu quarto perfura o sol, suas lágrimas douradas derramando-se em seu quarto através das frestas descobertas pela cortina esbranquiçada, você é você, abril chega com um acordo silencioso para transformar a maré de mágoa e irritação em mais consideração, de ambos os lados, as crianças ainda não sabem, abril é o tolo mantendo a calma, seus pais estão crescendo em um tempo atrasado, nós mantra, nós karma, nós viemos a este altar de palavras; eu me amo, eu amo meu corpo, meus desejos são válidos, meu prazer é meu para dar ou receber. Poema da premiada poeta e dramaturgo do Zimbábue, Zaza Muchemwa (Zaza Muchemwa (Elizabeth R.S. Muchemwa).


Imagem: Ilustração de J. Lanzellotti.

A UIARA DO JARAGUÁ – Na Revista de Cultura Lendas e fábulas indígenas (Rio de Janeiro, 1938), encontro a narrativa O Uiara do Jaraguá, do Padre Armando Guerazzi, dando conta de que: De manhãzinha, clara manhã de algodoadas nuvens, ao primeiro despontar do sol, Leri – a ostra -, jovem esbelto, cabelos cor de ônix, olhos chispantes cheios de doçura, galgara o pico do Jaraguá a ver, dizia ele consigo mesmo, se lograria contemplar a Uiara. A lagoa, que brilhava no alto, nesses tempos remotos, refletia o céu azul, numa transparência cristalina. Eis senão quando percebe o moço um canto de enlevar. Pareciam acordes sobrenaturais. Voltou-se e, junto a si, deu de rosto com a Uiara. Linda como as mais lindas; cabelos de ouro, olhos glaucos, tez clara como seda branca e sorriso de real atrativo. – Vem comigo, Leri, e te mostrarei as minhas riquezas ocultas. O jovem lhe obedeceu. Lança-se às ondas tépidas, e, num instante, a Uiara o leva para o fundo das águas. Grande porta de bronze rangeu nos gonzos e se abriu para dar passagem ao visitante. Mas logo o moço recuou. Três monstros lhe surdiram à frente: um jacaré, uma sucuriju famélica e um tapir enorme. – Não temas, acudiu a fada encantadora. Essa visita te dará o poder da energia na guerra, desde que te laves na fonte dos diamantes. Assim fez, porque ao lado pululava água puríssima. Sorveu alguns haustos dessa água límpida e viu faiscar ali toda a sorte de pedras preciosas das mais variadas cores, como não vira jamais. E, a brando toque de Uiara, os monstros se transformaram em donzelas de aparência arrebatadora. Borboletas volitavam em ondas graciosamente cromáticas. – É o país do sonho – prosseguiu a fada. E ela assumiu vestes cada vez mais brilhantes. Enquanto da fisionomia moça irradiava felicidade. Perolas lhe afogavam o pescoço, diamantes lhe reluziam aos dedos, e os braços ebúrneos da Uiara tinham o lácteo das espumas do mar. Sentara-se depois a um trono e recebia das jovens, reverencias. Perfumes exalavam as tapeçarias magnificas, ao modo dos palácios orientais. As cores do ambiente mudavam de irisações, num espetáculo original, ao passo que harmonias em surdina se elevavam, entre vozes misteriosas, como qualquer cousa de exceder a fantasia humana. O jovem se esquecera da terra. Mas desejoso de mostrar aos seus aquele recanto ideal, onde notara tantas formosuras – estrelas de ouro, pedras dos variados matizes, sinfonias dulcíssimas e cantos de fascinar -,. Pensou um momento em voltar à maloca. – Ah! – exclamou pesarosa a linda Uiara. – Tens saudades da terra? Para lá hás de voltar. Partirás como herói porque viste o palácio do misterio. Nem te mostrarei as outras salas. E ao leve bater da vara de junco, a Uiara transportou de novo o rapaz à tona d’água, e desapareceu. O moço refletiu. Não podia falar. Durante aquela cena não pudera articular palavra. E mudo permaneceu mais tarde para não poder jamais contar a outros os segredos do Jaraguá. Mas de uma vez ascendeu ao topo daquele monte, e nada mais pode observar de extraordinário. Os sonhos, como as grandes alegrias, têm a fugacidade dos aromas e dos minutos... E caiu o moço na realidade da vida. Sobreveio a guerra. Leri, que era tido como a vergonha da tribo pela covardia, - tanto que o alcunhavam de belo efeminado -, revelou desde ali audácia nos combates e deixou entre os fortes o renome dos mais fortes. Trazia consigo os dentes de ror de inimigos que abatera na luta. E, nas horas do cururu, tanta vez cantaram em desafio que ele era o melhor, porque soubera lavar o nome quando bebera da água transformadora de vontades no palácio encantador da Uiara, no Jaraguá.

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A BURRINHA DE PADRE 
A LENDA DO MORRO PINTADO

O COLECIONADOR – [...] Eu adoro fazer, adoro fazer. Adoro estar por inteiro, adoro tudo que não seja ficar sentado assistindo, copiando e morto de coração. [...] Acho que somos apenas insetos, vivemos um pouco e depois morremos, e é isso. Não há misericórdia nas coisas. Não existe nem mesmo um Grande Além. Não existe nada. [...] Todos nós queremos coisas que não podemos ter. Ser um ser humano decente é aceitar isso. [...] Odeio os ignorantes e os ignorantes. Odeio os pomposos e os falsos. Odeio os invejosos e os ressentidos. Odeio os rabugentos, os mesquinhos e os mesquinhos. Odeio todas as pessoas comuns e sem graça que não têm vergonha de serem sem graça e pequenas. [...] É desespero pela falta de sentimento, de amor, de razão no mundo. É desespero por alguém sequer cogitar a ideia de lançar uma bomba ou ordenar que ela seja lançada. É desespero por tão poucos de nós se importarem. É desespero por haver tanta brutalidade e insensibilidade no mundo. É desespero por jovens perfeitamente normais poderem se tornar cruéis e malignos só porque ganharam muito dinheiro. E depois fazer o que você fez comigo. [...] Quando você desenha algo, ele vive; quando você o fotografa, ele morre. [...] Esquecer não é algo que você faz, acontece com você. Só que não aconteceu comigo. [...] O poder das mulheres! Nunca me senti tão cheia de um poder misterioso. Homens são uma piada. Somos tão fracas fisicamente, tão indefesas diante das coisas. Ainda assim, até hoje. Mas somos mais fortes do que elas. Podemos suportar a crueldade delas. Elas não suportam a nossa. [...] O homem comum é a maldição da civilização [...] Eu só penso nas coisas como bonitas ou não. Você não entende? Eu não penso em boas ou ruins. Só em bonitas ou feias. Acho que muitas coisas boas são feias e muitas coisas ruins são bonitas. [...] Vivo. Vivo do mesmo modo que a morte é viva. [...] Sou apenas uma em uma fileira de espécimes. É quando tento sair da linha que ele me odeia. Sou destinada a estar morta, presa, sempre a mesma, sempre linda. Ele sabe que parte da minha beleza é estar viva, mas é a minha versão morta que ele quer. Ele me quer viva, mas morta. [...] Sou eu. Eu sou a loucura dele. Há anos ele procura algo para colocar sua loucura. E ele me encontrou. [...] Você deve fazer, sempre. Você deve agir, se acredita em algo. Falar sobre atuação é como se gabar dos quadros que você vai pintar. A pior forma de se fazer. [...] Apenas essas três palavras, ditas e significadas. Eu te amo. Elas eram completamente sem esperança. Ele disse isso como se tivesse dito: Eu tenho câncer. Seu conto de fadas. [...] Ele é sólido; imóvel, com uma vontade férrea. Um dia, ele me mostrou sua garrafa da morte. Estou aprisionado nela. Flutuando contra o vidro. Como consigo ver através dela, ainda acho que posso escapar. Tenho esperança. Mas é tudo uma ilusão. Uma parede grossa e redonda de vidro. [...] A arte é cruel. Você pode se safar de um assassinato com palavras. Mas uma imagem é como uma janela que atravessa direto o seu coração. [...] Você sabia que tudo o que é grandioso na história da arte e tudo o que é belo na vida é, na verdade, o que você chama de desagradável ou foi causado por sentimentos que você chamaria de desagradáveis? Pela paixão, pelo amor, pelo ódio, pela verdade. Você sabia disso? [...] O céu está absolutamente vazio. Lindamente puro e vazio. Como se os arquitetos e construtores morassem em todas as casas que construíram! Ou pudessem morar em todas elas. É óbvio, é evidente. Deve haver um Deus e ele não pode saber nada sobre nós. [...] Devo lutar com as minhas armas. Não com as dele. Não com egoísmo, brutalidade, vergonha e ressentimento. [...] Ele não é humano; ele é um espaço vazio disfarçado de humano. [...] O que você ama é o seu próprio amor. Não é amor, é egoísmo. Não é em mim que você pensa, mas no que você sente por mim. [...] Trechos extraídos da obra The Collector (‎Back Bay Books, 1997), do escritor e novelista britânico John Fowles (1926-2005), contando sobre o jovem solitário Frederick Clegg, que trabalha como balconista em uma prefeitura e coleciona borboletas nas horas vagas. A primeira parte do romance conta a história do seu ponto de vista, mostrando seus familiares e seus desejos profundos. De repente, ele fica obcecado por Miranda Gray, uma estudante de arte de classe média na Slade School of Fine Art. Ele a admira à distância, mas é incapaz de fazer qualquer contato com ela, porque se considera socialmente subdesenvolvido. Um dia, ele ganha um grande prêmio nas piscinas de futebol e deixa o seu emprego e compra uma casa isolada no campo. Apesar de ficar rico e ter sua própria casa, ele se sente muito sozinho, e seu desejo de ficar com Miranda aumenta. Como ele é incapaz de fazer qualquer contato normal com ela, Clegg decide adicioná-la à sua "coleção" de objetos bonitos e preservados, na esperança de que, se ele a mantiver em cativeiro por tempo suficiente, um dia ela passará a amá-lo. O romance foi adaptado o cinema e estreou em 1965, com o roteiro escrito por Stanley Mann e John Kohn, e dirigido por William Wyler, com Terence Stamp e Samantha Eggar. Em 1985, os assassinos Leonard Lake e Charles Chi-Tat Ng sequestraram Kathy Allen, de 18 anos, e Brenda O'Connor, de 19 anos. Lake disse que era obcecado por O Colecionador, e descreveu seu plano de usar as mulheres para sexo e tarefas domésticas e depois registrava em vídeo que considerava sua principal "filosofia". Acredita-se que os dois assassinos tenham matado pelo menos 25 pessoas, incluindo duas famílias inteiras. Embora Lake tenha cometido vários crimes na área de Ukiah, Califórnia, sua "Operação Miranda" não começou senão depois que se mudou para Wilseyville, Califórnia. As fitas de vídeo de seus assassinatos e um diário escrito por ele mesmo, estavam enterrados perto do bunker em Wilseyville. Eles revelaram que Lake havia nomeado seu enredo de Operação Miranda em homenagem à própria Miranda do livro. Já Christopher Wilder foi um assassino em série que matava jovem garotas, ele foi morto pela polícia em 1984 e um sua posse estava o O Colecionador. Em 1988, Robert Berdella manteve suas vítimas do sexo masculino em cativeiro, sob tortura. Fotografava-os antes de os assassinar a sangue frio. Ele alegou que a versão cinematográfica de O Colecionador havia sido sua principal inspiração quando era adolescente. Veja mais aqui.

  


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CRÔNICA DE AMOR POR ELA;

 AS MUITAS POSES DELA

Ela robusta me aguça e que eu seja nela treloso com toda astúcia, a dar-se avulsa, ousada atrevida, fúcsia desnuda, pra que eu seja vigoroso com toda minúcia, explorando a pelúcia de seus domínios espaçosos. Ela se prostra vencida, exposta à esparrela das minhas carícias no seu reino dadivoso. E se espalma escorrida, caravela translúcida, aguerrida exaltada amante, cada vez mais provocante e rendida, e eu a fuçar tudo nela, como se dela tudo me desse, como quem quase fenece garrida, quando estremece desabrida no êxtase do mútuo gozo.

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