quinta-feira, agosto 22, 2019

DOROTHY PARKER, BENTO PRADO, HENRI CARTIER-BRESSON, MÔNICA MARTELLI & ENQUANTO A AMAZÔNIA AGONIZA...


ENQUANTO A AMAZÔNIA AGONIZA... - O Brasil, não se sabe como, sobrevive: levando no bambo entre baboseiras e avarias, aos trancos dos arremedos, emulações, simulacros. Tanto mau gosto, avalie. Tem gente para tudo: os que não se reconhecem, nem a si nem aos outros, e se tratam por gente inculta e feia, com suas mesuras de Jecas e Macunaímas: canibais que se fartam da hipocrisia às cipoadas de aprendizes de feiticeiro, às graves ofensas extemporâneas, perdidos nas encruzilhadas desse mundão arrevirado e de porteira escancarada. Quando não engulham hipnotizados com o noticiário escandaloso e questionável dos plumitivos oficiais, a misturar razão com sentimento, crendice com parafuso, responsabilidade com dever, tudo a mesma bosta onímoda, ora! Dizem de si por melhores que os outros: se acham. E se passam por moralistas a desancar gregos e troianos, quanto disparate nas diatribes: tudo com o rabo de fora, endeusando qualquer justiceiro de meia pataca e a crença nos políticos que esfregam as mãos e lambem os beiços de segunda a segunda, que nem cantiga de grilo, e mentem chega o cu apita. Gente que bate no peito o aperto do juízo e juntam umas merrecas, carro para passear, qualquer casebre é palacete: mais parece lápide ou sanitário público com suas calçadas escorregadias; bossam de pular no rio, amostrados, a boia furada: Chamem o bombeiro! E dão conselhos às novas gerações já de cabeça vetusta pelo passadismo e nariz no quintal alheio: festeiros varridos, engasgados com as grifes paraguaias e as sereias do consumo, flagelados anseios por mão beijada só para haurir vida boa e lambuzada à tripa forra – desgarrados falsos nostálgicos, aprendem a gastar energia despendida com ajeitados e corrupios do jeitinho, sem distinguir ouro de merda e reclamando da violência, como se fosse nada demais furar fila, avançar o sinal e se arrumarem incólumes como se fosse polícia à paisana na maior carteirada. Não sabem o que será do Brasil de uma hora para outra, ninguém; nem onde vai parar esse trem desgovernado: esgotado pela carestia, esmagado pelas canalhices e covardia. Tantos. Enquanto a Amazônia agoniza... as queimadas na farra de ruralistas e grileiros armados até as pestanas com sua capangagem, o Brasil, não se sabe como, sobrevive: quentura de rachar, frio de tremer. Impunidade e tergiversações. E ainda dizem que a Mãe Natura endoideceu. Afinal, quem é são no meio dessa medonha doidice, ora. Resta o sorriso para curar a humanidade, quem há de. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] É incontestável, assim, que não há no Brasil um conjunto de obras filosóficas que componha um sistema ou uma tradição autônoma. Mas, justamente por isso, talvez possamos falar de uma experiência particular da filosofia no Brasil, que tem essa carência como horizonte. Talvez, a maneira mais adequada de descrever a situação da filosofia do Brasil seja a de mostrar como os pensadores assumem essa carência da cultura nacional e como interrogam, através dela, a possibilidade de sua própria filosofia. [...] Muitos são os estudos sobre a filosofia no Brasil e cada um traz consigo não só uma imagem diferente do que foi a história de nosso pensamento, como também uma ideia diversa da natureza da própria filosofia e das tarefas do filósofo num país subdesenvolvido. [...] Talvez a expectativa de uma “filosofia brasileira” esteja, de fato, essencialmente associada a essa perspectiva política, cuja inconsistência veio à luz com o golpe militar de 1º de Abril de 1964. Talvez seja por essa razão, ainda, que a preocupação com a filosofia brasileira ou com a sua história seja tão rara entre as mais jovens gerações de estudiosos de filosofia [...] e protestam menos – ou de maneira diferente – contra o caráter “técnico” dos cursos que recebem. Se isto for verdade, a “atmosfera” que procuramos descrever nestas páginas já não será tão atual. Mas as “atmosferas” só se tornam visíveis e descritíveis quando já não são “vividas” sem distância e iniciam o seu eclipse.
Trechos extraídos da obra Alguns ensaios: filosofia, literatura e psicanálise (Paz e Terra, 2000), do filósofo, escritor, professor, crítico literário e tradutor Bento Prado Júnior (1937-2007).

O TEATRO DE MÔNICA MARTELLI
Somos mulheres independentes, trabalhamos e somos exigentes. A gente não quer só um cara que ponha presunto e leite dentro de casa. Queremos um parceiro que nos incentive.
A premiada peça teatral Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou (2011), da atriz Mônica Martelli, trata da vida das mulheres solteiras e da incessante busca por um grande amor, numa visão bem-humorada da mulher do terceiro milênio: independente, bem-sucedida e com dificuldades de encontrar um homem que saiba compartilhar tal liberdade. De uma forma bem divertida, Fernanda, 35 anos, solteira, jornalista que trabalha com festas de casamento, está em busca do amor e se envolve tão intensamente com os vários tipos de homens que chega a ficar muito parecida com eles, independentemente do físico, da condição social, racial ou econômica. Em algum momento, cada um dos rapazes se mostra o grande amor de Fernanda. Ela se relaciona com um político, um rico playboy, um alternativo do sul da Bahia e um gay. O tempo que gasta com os homens daria para ter dado uma volta ao mundo e ainda ter estudado a história de todas as civilizações. A vida para ela sem um amor é uma vida em preto e branco. A peça teatral foi transformada em filme e série de televisão. Veja mais aqui.

A FOTOGRAFIA DE HENRI CARTIER-BRESSON
Fotografar é colocar na mesma linha a cabeça, o olho e o coração. Afortunado realmente é o homem conhece precisamente a si mesmo e tem uma noção correta entre o que ele pode conseguir e o que ele pode usar.
A arte do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004). Veja mais aqui e aqui.

A OBRA DE DOROTHY PARKER
Quando você jurar lhe pertencer, arrepiada e sorrindo, e ele te jurar seu amor ser imortal, infindo - moça é bom escrever: Um de vocês está mentindo.
A obra da escritora, dramaturga e crítica estadunidense Dorothy Parker (1893-1967) aqui e aqui.