quinta-feira, junho 01, 2017

JOÃO TERNURA DE ANÍBAL, PRIMEIRA VEZ DE JULIANA DE AQUINO & BRINCARTE DO NITOLINO

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DIA DE MUITO, VÉSPERA DE NADA - Até ontem não havia nada, só o desejo na contagem regressiva, o resultado só para amanhã e o futuro da noite, interfaces da solidão. Amanhecia sequestrando o domingo, o feriado virava cantiga de grilo no trampo. O feito e refeito de nada valiam, coisas pro lixo, estaca zero. Justapostos planos de horas para fugas do labirinto, quando o vento soprava, desastres a vista; quando a chuva descia, transbordavam os rios pra reduzir o mundo ao ermo, vitórias feitas de cinzas, derrotas acenando na esquina. Realmente até ontem não havia nada, só melancólicas fisionomias severas com seu jeito fingido dissimulando o menosprezo pelos outros insignificantes que nascem para reclusão da pobreza de seus destinos cruéis, prontos com suas intemperanças verbais exasperadas na fúria mal humorada do recato hipócrita que escondia o despudor deslavado, oh gente difícil essa. De algum lugar uma voz terna me chamava atenção ao ouvido, como quem fala generosamente coisa fraternal, e eu me virei pra ver e não vi quem era, parecia voz da mulher amada que chega sem avisar e sai sem se despedir. Quem seria? Não deu pra ver, estranhei espantado quem a capacidade de tal gentileza, tão difícil nos tempos atuais, à procura, cadê, pés nas poças e a lama salpicou a minha e a roupa de outras pessoas, está doido? Alguém gritou e nem vi, procurava aquela voz que sumiu e esperava encontrá-la de mão em mão, passo a passo, remembranças à flor da pele celebrando a vida ao canto de amor, ah o amor sempre às voltas do meu coração. A buscar do afeto daquela voz me levou por lugares nunca vistos e perdi a noção do tempo, sabia não encontrá-la, sempre assim, as coisas me fugiam entre os dedos, o que não interessava era que fincava a bandeira da aversão ao meu redor a todo tempo e momento. Então, mais nada afora isso, até ontem assim, nada demais. Hoje, amanheci teimosa esperança, tola pra quem dá tudo por perdido, resiliente pra quem persevera sem saber qual razão pra seguir entre tantos destroços. Assim sou, do que fui pro que vou e voo. O meu dia de tudo, posto que nada possa ocorrer, quem sabe, de uma hora outra tudo vira de cabeça pra baixo e, pelas tabelas, possa ser que dê de cara com o que nunca pude ver ou saber na minha louca forma de ser e viver. Um dia como outro, meu recomeço diário pra fazer o novo de novo e sempre. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

JOÃO TERNURA DE ANÍBAL MACHADO
[...] Não adiantava fingir naturalidade, de maneira a ser confundido com os demais acompanhantes: o jeito, o olhar, e sobretudo a colocação especial no grupo da frente o denunciavam. Tanto assim que das calçadas e janelas a direção dos dedos, os olhares, as exclamações eram só para ele, o renegado, o filho da Liberata.
Trecho da obra João Ternura (José Olympio, 1980), do escritor, professor e homem de teatro Aníbal Machado (1894-1964). Veja mais aqui, aqui e aqui.

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PRIMEIRA VEZ DE JULIANA DE AQUINO
Curtindo o cd Primeira vez (Independente, 2001), da cantora lírica e atriz brasileira Juliana de Aquino (1980-2009), interpretando músicas de Djavan, Suzy Quintella & Heraldo Palmeira, entre outros. Ela estudou piano no Instituto de Música do Distrito Federal e na Universidade de Brasília, integrava o coral do Teatro Nacional de Brasília, além de ter participando de óperas e musicais na Alemanha. Entre os seus trabalhos estão o Rei Leão(Der König der Löwen, 2003-2007) e interpretou o papel de Maria Madalena em Jesus Cristo Superstar (2008). Sua arte foi interrompida pelo trágico acidente no Oceano Atlântico, durante o voo 447 da Air France.

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