O QUE DELA TODA MINHA... - Lá estava ela escorreita, safada. Saltou da cama a se desnudar, agachou-se
nua, divertida. Lambia o polegar, apertando o bico do peito, me fazia voyeur do
viço de sua beleza. Piscou o olho e se estendeu seminua, a rolar na cama,
encolhendo-se sequiosa, o bamboleio dos glúteos, os seus remexedores quadris,
virando-se de costas, derriere à mostra, movendo-se aos meus olhos, incitada
pelo vento, estimulado a decifrá-la. Nem precisaria, logo ela revolveu-se toda
e veio a mim, agarrou-se ao meu sexo, o seu brinquedo na ponta dos dedos,
esfregando às palmas até o punho, lentamente deslizando ao braço, entre os
seios e o acomodou ao pescoço, pressionando-o com o queixo, às faces para
deleite de seu apetite, lambuzada, a fazer círculos e espirais na glande, manuseou
minuciosamente delicada, afetuosa, dedicada, o ímpeto voraz, lisonjeada
locutora, o timbre de sua voz, a língua perturbadora aos rodopios. Agarrou-se
mais, com as duas mãos friccionando meu pênis, versúcia furiosa, a sugá-lo e a
sucção deliciosa, joia rara preciosa, suas mãos vorazes com as lambidas
arrasadoras, babando a lavá-lo, ateando fogo sem limites, o sobejo e às
chupadas, resfolegava às abocanhadas, deglutia insana, de vê-la contorcer-se, as
alterações anatômicas, a bruxa ainda na tensegridade do ventre, a deitar-se
manhosa, estirando-se, esparramada, saboreava demão nas chuchadas aos gemidos,
lábios ensopados, melando-se com suas expressões estimulantes, curiosa Helena
de Troia, nudez insultante, demasiada, berrante exasperação, esnobe felatriz
possessa, a vida domando, descalça, contraindo-se para que me aposse violando
seu enlouquecimento libidinoso de quem se perdeu de si mesma, na sua rendição
vermelha de prazeres, sevícias e sacudidelas, enfiadas e metidas, até explodir
em gozos e orgasmos com a penetração plena, extasiada, o delírio e lânguida,
letárgica a repousar suavemente à palma da mão, o toque de borboleta, espiral
de seda, babujada, gratificada e feliz: ela toda minha mais que a posse. Veja
mais abaixo e aqui.
DITOS & DESDITOS
No momento em que a boca
encontra o seio, ela encontra e absorve um primeiro gole do mundo. Afeto,
sentido, cultura estão co-presentes e são os responsáveis pelo gosto das
primeiras gotas de leite...
Pensamento da psiquiatra e
psicanalista italiana, Piera
Aulagnier, que contribuiu
com a apresentação dos conceitos de violência interpretativa, pictograma e
processo originário.
ALGUÉM FALOU:
Não aceito o fato de que meu lote é decidido, dia após dia, por pessoas
cujos projetos são hostis ou simplesmente desconhecidos para mim, e para quem
nós, que somos eu e todos os outros, somos apenas números em um plano geral ou
peões em um tabuleiro de xadrez, e que, finalmente, minha vida e minha morte
estão nas mãos de pessoas que eu sei que são necessariamente cegas...
Pensamento do filósofo grego Cornelius
Castoriadis (1922-1997),
que na sua obra A Ascensão da Insignificância (Bizâncio,
1998), discutiu como a
sociedade moderna tende a valorizar o trivial, o superficial, esvaziando a
política e a cultura de conteúdo crítico e profundo, tornando a existência
"insignificante".
A MÚSICA DE TCHAIKOVSKI
A música do compositor russo do período romântico Tchaikovski (Piotr Ilitch Tchaikovski – 1840-1893). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
LETRAS EM CAIXA DE ESPAÇO – [...] Deixe o
passado para trás, meu amigo. Todo esse ressentimento acumulado não faz bem
para a alma. [...] O passado
não é como água numa sanita. Não se pode simplesmente deitar fora. É uma fossa
séptica que se torna cada vez mais fétida. [...]. Trechos extraídos da obra
The Space Box Letters (Center Point, 2016),
da escritora inglesa Eve Makis.
LANÇAR - Resta pouco tempo a este meu corpo
arrastado. \ Devo morrer como estou, como estou, \ sem pensar em sangue e
secreções corporais.\ Preciso sufocar o ar do meu nascimento! \ Como a morte se
torna apropriada \ para este coração pálido. \ O tempo que não conecta as
alegrias umas às outras \ é uma ponte sinistra e sua sombra insuportável. \ Lá
se vai meu corpo negligenciado. \ Devo morrer como sou, \ sem pensar em amigos,
família ou qualquer tipo de esperança. \ Preciso retalhar este corpo repugnante
com a minha mente! \ Será que eu saberia, antes \ da escuridão se aproximar, \
que era a minha vida que poderia terminar? \ Eu estava alegre, tão alegre \ que
meu riso assustava as pessoas! \ O tempo está se esgotando para o meu corpo
exausto. \ Eu deveria morrer como estou, \ sem pensar em amor, laços ou
qualquer tipo de triunfo. \ Preciso ficar rígido assim, de uma vez por todas! Poema da
poeta turca Nilgün
Marmara
(1958–1987).
GENOCÍDIO INDÍGENA - [...] Nos dias
seguintes, apareceram mais manchetes e vieram a público novas declarações do
ministério: “Latifundiários ricos do município de Pedro Alfonso
[então no estado de Goiás, agora no Tocantins] atacaram a tribo dos craôs e
mataram cerca de cem pessoas.” [...] “O pior massacre ocorreu em
Aripuanã [Mato Grosso], onde os índios cintas-largas foram atacados com o
bombardeio de bastões de dinamite atirados de aviões.” [...] “Os
maxacalis ganharam aguardente dos proprietários de terra, que empregaram
jagunços armados para matá-los a tiros quando estivessem bêbados.” [...] “Proprietários
de terras contrataram um famoso pistoleiro e seu bando para massacrar os índios
canelas.” [...] “Os índios nambiquaras foram dizimados com disparos de
metralhadoras.” [...] “Duas tribos pataxós foram exterminadas por meio
de injeções com o vírus da varíola.” [...] “No Ministério do Interior,
declarou-se ontem que chegam a mais de mil os crimes cometidos por certos
ex-funcionários do SPI, desde arrancar as unhas dos índios até deixá-los morrer
sem nenhum tipo de assistência.” [...]
O SPI, admitiu o general Afonso Augusto de Albuquerque Lima, ministro do
Interior, havia sido convertido em um instrumento para a opressão dos índios e,
portanto, fora dissolvido. Haveria uma investigação judicial acerca da conduta
de 134 funcionários. Uma página de jornal inteira, em letras miúdas, foi
necessária para listar os crimes dos quais esses homens eram acusados. Em
conversa informal, o procurador federal, Jáder de Figueiredo Correia, afirmou duvidar
que dez funcionários do SPI, de um total de mais de mil, poderiam ser
totalmente eximidos de culpa e inocentados pela Justiça. [...]. Trechos
extraídos do livro Genocídio (The Sunday Times, 1968 – Piauí, 2019), do jornalista inglês Norman Lewis (John Frederick Norman Lewis - 1908-2003), acrescentando que: [...] Do fogo e
espada ao arsênico e balas – a civilização enviou seis milhões de índios para a
extinção. [...]. O artigo mobilizou um pequeno grupo de cidadãos preocupados
a formar a Survival International no mesmo ano. Como resultado do relatório, o
Brasil lançou um inquérito judicial, e 134 funcionários foram acusados de mais
de 1.000 crimes. 38 funcionários foram demitidos, mas ninguém foi preso
pelas atrocidades. O SPI foi posteriormente dissolvido e
substituído pela FUNAI - a Fundação Nacional do Índio
do Brasil. Mas enquanto grandes extensões de terras indígenas foram demarcadas
e protegidas desde então, as tribos do Brasil continuam a lutar contra a
invasão e destruição de suas terras por madeireiros, fazendeiros e colonos
ilegais, e a perder seu território por causa do programa de crescimento
agressivo do governo que visa a construção de dezenas de grandes hidrelétricas
e a autorização da mineração em grande escala em suas terras.








