sexta-feira, fevereiro 19, 2016

BLAVATSKY, CLARICE, CASTORIADIS, EVE MAKIS, NILGÜN MARMARA, GENOCÍDIO INDÍGENA & LITERÓTICA

 


O QUE DELA TODA MINHA... - Lá estava ela escorreita, safada. Saltou da cama a se desnudar, agachou-se nua, divertida. Lambia o polegar, apertando o bico do peito, me fazia voyeur do viço de sua beleza. Piscou o olho e se estendeu seminua, a rolar na cama, encolhendo-se sequiosa, o bamboleio dos glúteos, os seus remexedores quadris, virando-se de costas, derriere à mostra, movendo-se aos meus olhos, incitada pelo vento, estimulado a decifrá-la. Nem precisaria, logo ela revolveu-se toda e veio a mim, agarrou-se ao meu sexo, o seu brinquedo na ponta dos dedos, esfregando às palmas até o punho, lentamente deslizando ao braço, entre os seios e o acomodou ao pescoço, pressionando-o com o queixo, às faces para deleite de seu apetite, lambuzada, a fazer círculos e espirais na glande, manuseou minuciosamente delicada, afetuosa, dedicada, o ímpeto voraz, lisonjeada locutora, o timbre de sua voz, a língua perturbadora aos rodopios. Agarrou-se mais, com as duas mãos friccionando meu pênis, versúcia furiosa, a sugá-lo e a sucção deliciosa, joia rara preciosa, suas mãos vorazes com as lambidas arrasadoras, babando a lavá-lo, ateando fogo sem limites, o sobejo e às chupadas, resfolegava às abocanhadas, deglutia insana, de vê-la contorcer-se, as alterações anatômicas, a bruxa ainda na tensegridade do ventre, a deitar-se manhosa, estirando-se, esparramada, saboreava demão nas chuchadas aos gemidos, lábios ensopados, melando-se com suas expressões estimulantes, curiosa Helena de Troia, nudez insultante, demasiada, berrante exasperação, esnobe felatriz possessa, a vida domando, descalça, contraindo-se para que me aposse violando seu enlouquecimento libidinoso de quem se perdeu de si mesma, na sua rendição vermelha de prazeres, sevícias e sacudidelas, enfiadas e metidas, até explodir em gozos e orgasmos com a penetração plena, extasiada, o delírio e lânguida, letárgica a repousar suavemente à palma da mão, o toque de borboleta, espiral de seda, babujada, gratificada e feliz: ela toda minha mais que a posse. Veja mais abaixo e aqui.

 


DITOS & DESDITOS

No momento em que a boca encontra o seio, ela encontra e absorve um primeiro gole do mundo. Afeto, sentido, cultura estão co-presentes e são os responsáveis pelo gosto das primeiras gotas de leite...

Pensamento da psiquiatra e psicanalista italiana, Piera Aulagnier, que contribuiu com a apresentação dos conceitos de violência interpretativa, pictograma e processo originário.

 

ALGUÉM FALOU:

Não aceito o fato de que meu lote é decidido, dia após dia, por pessoas cujos projetos são hostis ou simplesmente desconhecidos para mim, e para quem nós, que somos eu e todos os outros, somos apenas números em um plano geral ou peões em um tabuleiro de xadrez, e que, finalmente, minha vida e minha morte estão nas mãos de pessoas que eu sei que são necessariamente cegas...

Pensamento do filósofo grego Cornelius Castoriadis (1922-1997), que na sua obra A Ascensão da Insignificância (Bizâncio, 1998), discutiu como a sociedade moderna tende a valorizar o trivial, o superficial, esvaziando a política e a cultura de conteúdo crítico e profundo, tornando a existência "insignificante".

 

A MÚSICA DE TCHAIKOVSKI

A música do compositor russo do período romântico Tchaikovski (Piotr Ilitch Tchaikovski – 1840-1893). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A PAIXÃO SEGUNDO G. H. – No livro A paixão segundo G. H. (Autor, 1964), da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977), destaco o trecho: [...] Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivo, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar de desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar, para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi – na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro. Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser – se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele. Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. [...]. Veja mais aquiaqui e aqui.


A DOUTRINA SECRETA, DE BLAVATSKY - [...] O Passado ajudará a conhecer o Presente, e o Presente servirá para compreender melhor o Passado. Os erros do dia devem ser explicados e desfeitos. Contudo, é mais que provável, é mesmo certo que ainda desta vez o testemunho das idades passadas e da história não deixará impressão, a não ser nos entendimentos intuitivos, o que vale dizer — em muitos poucos. Em todo caso, nesta como em outras oportunidades, semelhantes, as pessoas sinceras e fiéis podem consolar-se trazendo perante os céticos saduceus modernos o depoimento matemático e histórico da obstinação e da estreiteza do critério humano. [...] É a VIDA UNA, eterna, invisível - mas onipresente; sem princípio nem fim - mas periódica em suas manifestações regulares (em cujos intervalos reina o profundo mistério do Não-Ser); inconsciente - mas Consciência absoluta; incompreensível - mas a única realidade existente por si mesma; em suma, "um Caos para os sentidos, um Cosmos para a razão". Seu atributo único e absoluto, que é Ele mesmo, o Movimento eterno e incessante, é chamado, esotericamente, o Grande Alento, que é o movimento perpétuo do Universo, no sentido de Espaço sem limites e sempre presente. O que é imóvel não pode ser Divino. Mas, de fato e na realidade, nada existe absolutamente imóvel na Alma Universal. [...] Desde o começo do que constitui a herança do homem, desde o primeiro aparecimento dos arquitetos do globo em que vivemos, a Divindade não revelada foi reconhecida e considerada sob o seu único aspecto filosófico — o Movimento Universal, a vibração do Alento criador na Natureza. O Ocultismo sintetiza assim a Existência Una: "A Divindade é um fogo misterioso vivo (ou movente), e as eternas testemunhas desta Presença invisível são a Luz, o Calor e a Umidade", tríade esta que abrange todos os fenômenos da Natureza e lhes é a causa. O movimento intracósmico é eterno e incessante; o movimento cósmico, o que é visível ou objeto da percepção, é finito e periódico. Como eterna abstração, é o Sempre Presente; como manifestação, é finito, na direção do futuro e na direção do passado, sendo estes dois o Alfa e o Ômega das reconstruções sucessivas. O Cosmos — o Númeno — não tem nada que ver com as relações causais do mundo fenomenal. Só em relação à Alma intracósmica, ao Cosmos ideal no imutável Pensamento Divino é que podemos dizer: "Jamais teve começo, nem jamais terá fim." Quanto ao seu corpo ou organismo cósmico, ainda que se não possa dizer que haja tido uma primeira construção ou deva ter uma última, em cada novo Manvantara pode esse organismo ser havido como o primeiro e o último de sua espécie, pois evoluciona cada vez para um plano mais elevado... A DOUTRINA SECRETA – A obra A doutrina secreta: síntese de ciência, filosofia e religião, da escritora e ocultista russa Elena Petrovna Blavatskaya, mais conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky (1931-1891), trata no primeiro volume sobre a vida uma, ativa e passiva, o panteísmo e o ateísmo, os sete elementos cósmicos, a evolução cósmica, a noite do universo, a ideia da diferenciação, o despertar do cosmos, as hierarquias setenárias, Fohat: o filho das hierarquias setenárias, o crescimento e desenvolvimento do mundo, as mônadas, os progenitores do homem na terá, entre outros assuntos. O segundo volume trata sobre simbolismo e ideografia, a lingaugem do mistério e suas chaves, substancia primordial e o pensamento divino,chãos, theos, kosmos, divindade oculta, o ovo do mundo, os dias e noites de Brahma, o Lótus como símbolo universal, a lua, Deus Lunus, Phoebe, o culto da árvore da serpente e do crocodilo, a toegonia dos deuses criadores, as sete criações, os quatro elementos, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIA
BLAVATSKY, Helena Petrovna. A doutrina secreta: síntese de ciência, filosofia e religião. Vol. 1 - Cosmogênese. São Paulo: Pensamento, s/d.
_______. A doutrina secreta: A doutrina secreta: síntese de ciência, filosofia e religião. Vol. 2 – Simbolismo arcaico universal. São Paulo: Pensamento, s/d.
 

LETRAS EM CAIXA DE ESPAÇO – [...] Deixe o passado para trás, meu amigo. Todo esse ressentimento acumulado não faz bem para a alma. [...] O passado não é como água numa sanita. Não se pode simplesmente deitar fora. É uma fossa séptica que se torna cada vez mais fétida. [...]. Trechos extraídos da obra The Space Box Letters (Center Point, 2016), da escritora inglesa Eve Makis.

 

LANÇAR - Resta pouco tempo a este meu corpo arrastado. \ Devo morrer como estou, como estou, \ sem pensar em sangue e secreções corporais.\ Preciso sufocar o ar do meu nascimento! \ Como a morte se torna apropriada \ para este coração pálido. \ O tempo que não conecta as alegrias umas às outras \ é uma ponte sinistra e sua sombra insuportável. \ Lá se vai meu corpo negligenciado. \ Devo morrer como sou, \ sem pensar em amigos, família ou qualquer tipo de esperança. \ Preciso retalhar este corpo repugnante com a minha mente! \ Será que eu saberia, antes \ da escuridão se aproximar, \ que era a minha vida que poderia terminar? \ Eu estava alegre, tão alegre \ que meu riso assustava as pessoas! \ O tempo está se esgotando para o meu corpo exausto. \ Eu deveria morrer como estou, \ sem pensar em amor, laços ou qualquer tipo de triunfo. \ Preciso ficar rígido assim, de uma vez por todas! Poema da poeta turca Nilgün Marmara (1958–1987).

 

GENOCÍDIO INDÍGENA - [...] Nos dias seguintes, apareceram mais manchetes e vieram a público novas declarações do ministério: “Latifundiários ricos do município de Pedro Alfonso [então no estado de Goiás, agora no Tocantins] atacaram a tribo dos craôs e mataram cerca de cem pessoas.” [...] “O pior massacre ocorreu em Aripuanã [Mato Grosso], onde os índios cintas-largas foram atacados com o bombardeio de bastões de dinamite atirados de aviões.” [...] “Os maxacalis ganharam aguardente dos proprietários de terra, que empregaram jagunços armados para matá-los a tiros quando estivessem bêbados.” [...] “Proprietários de terras contrataram um famoso pistoleiro e seu bando para massacrar os índios canelas.” [...] “Os índios nambiquaras foram dizimados com disparos de metralhadoras.” [...] “Duas tribos pataxós foram exterminadas por meio de injeções com o vírus da varíola.” [...] “No Ministério do Interior, declarou-se ontem que chegam a mais de mil os crimes cometidos por certos ex-funcionários do SPI, desde arrancar as unhas dos índios até deixá-los morrer sem nenhum tipo de assistência.” [...] O SPI, admitiu o general Afonso Augusto de Albuquerque Lima, ministro do Interior, havia sido convertido em um instrumento para a opressão dos índios e, portanto, fora dissolvido. Haveria uma investigação judicial acerca da conduta de 134 funcionários. Uma página de jornal inteira, em letras miúdas, foi necessária para listar os crimes dos quais esses homens eram acusados. Em conversa informal, o procurador federal, Jáder de Figueiredo Correia, afirmou duvidar que dez funcionários do SPI, de um total de mais de mil, poderiam ser totalmente eximidos de culpa e inocentados pela Justiça. [...]. Trechos extraídos do livro Genocídio (The Sunday Times, 1968 – Piauí, 2019), do jornalista inglês Norman Lewis (John Frederick Norman Lewis - 1908-2003), acrescentando que: [...] Do fogo e espada ao arsênico e balas – a civilização enviou seis milhões de índios para a extinção. [...]. O artigo mobilizou um pequeno grupo de cidadãos preocupados a formar a Survival International no mesmo ano. Como resultado do relatório, o Brasil lançou um inquérito judicial, e 134 funcionários foram acusados de mais de 1.000 crimes. 38 funcionários foram demitidos, mas ninguém foi preso pelas atrocidades. O SPI foi posteriormente dissolvido e substituído pela FUNAI - a Fundação Nacional do Índio do Brasil. Mas enquanto grandes extensões de terras indígenas foram demarcadas e protegidas desde então, as tribos do Brasil continuam a lutar contra a invasão e destruição de suas terras por madeireiros, fazendeiros e colonos ilegais, e a perder seu território por causa do programa de crescimento agressivo do governo que visa a construção de dezenas de grandes hidrelétricas e a autorização da mineração em grande escala em suas terras.

 


Veja mais sobre:
Cheiro da felicidade & Segunda feira do Trâmite da Solidão aqui.

E mais:
Caboclinhos aqui.
O frevo aqui.
Martin Buber, Julio Verne, Rick Wakeman, Pier Paolo Pasolini, Abelardo & Heloisa, Vangelis, Gustave Courbert & Arriete Vilela aqui.
Empreendedorismo & o empreendedor aqui.
A fotografia de Sebastião Salgado aquiaqui.
Uma cachaçada e uma casa no meio da rua aqui.
O trânsito e a fubica do Doro aqui.
A varanda na noite do amor aqui.
A obra de Pedro Abelardo, Projeto Carmin & Cruor Arte Contemporânea aqui.
Recontando Caetano Veloso & Podres Poderes aqui.
Recitando Castro Alves & O Navio Negreiro aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Veja mais aquiaquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.