terça-feira, julho 27, 2010

CIRCO ITINERANTE, LEON URIS, RUPERT BROOKE, CONDILLAC, P. D. JAMES, ZILDA PAIM, ALEJANDRO ARREPOL, A CIDADE & AS ENCHENTES


A arte do artista chileno Alejandro Arrepol.

CIRCO ITINERANTE – Dez anos se passaram da enchente devastadora, toda população traumatizada com a tragédia. Seguiam sonâmbulos entre o que sobraram das ruínas, escombros. Alimentavam-se do que aparecesse: areia, excrementos, cascas, folhas, frutos e o que desse na fome por comestível. Vagavam por noites e dias. De repente surgira a tropa do exército que desfilara garbosamente com suas armas e pompas, repetindo o evento todos os dias por mais de vinte e um anos de continências e disciplina. Acompanhavam o passeio das ruidosas botas com a correria dos quepes e cavalarias, exibicionismos e ordens cumpridas cegamente. O que faziam aqueles soldados e graduados de todas as patentes, não se sabia; não perdiam tempo em saber, nem se davam conta do que poderia ser. Viam e viviam, apenas, como podiam: plateia hipnotizada. Assim como chegara, a tropa escafedera. E a população insone, catatônica, arrodeando os limites da localidade. Deu-se com o passar do tempo a chegada de um circo um tanto diferente, festeiro como se fosse um bloco carnavalesco. Na primeira ala um bando de saltimbancos de todas as travessuras, a bulir com um e com outro daquela comunidade alheia. Entre os truões uma esbelta acrobata que a cada rodopio se transformava numa contorcionista que se esticava como se de borracha, ou se comprimia reduzindo-se a minúsculas formas de bola chutada pelos bufões, logo se tornando uma firme equilibrista em pé sobre os ombros dos mambembes perfilados que findava numa corda esticada, faceira funâmbula com malabarismos e já trapezista a dar salto solto para lá e para cá e aterrissar fazendo escala para hipnose dos presentes. Uma leva de histriões fizeram-na desaparecer para dar vez a um palhaço que largava piadas com adivinhas e todos se encantavam com seus mirabolantes trava-línguas, paródias e jogos de palavras, levados por outros burlescos personagens para o mágico, exímio ilusionista que se passava por faquir, engolidor de fogo, e se envultava e tornava a aparecer como o gênio da lâmpada de Aladim, ou cavaleiro da Távola Redonda, ou sábio de Shangri-lá e todos caíam no frevo por arlequins e colombinas, uma festa dionisíaca de plena liberdade que durou cerca de trinta anos. Isso quando em pleno meio dia deu-se o retorno barulhento da tropa do exército com seu desfile de armas e pompas, botas e continências, e todos voltarem ao embotamento insone de nunca mais sorrir. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.


DITOS & DESDITOS - O verdadeiro órfão é aquele que não recebeu educação. Pensamento do filósofo francês Étienne Bonnot, abade de Condillac (1714-1780) o maior expoente de uma teoria radicalmente empirista do funcionamento da mente a que se costuma referir desde então como sensualismo. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo! Pensamento do escritor estadunidense Leon Uris (1924-2003).

ISTO É SANTO AMARO – [...] De repente, a fatalidade transformou a alegria em dor, o entusiasmo em sofrimento, o riso em pranto. Uma pavorosa explosão abalou a terra, de uma só vez detonaram todos os fogos. Cruel fatalidade que envolveu no luto, na orfandade e na miséria mais de uma centena de irmãos. [...]. Trecho extraído da obra Isto é Santo Amaro (Academia de Letras, 2005), da educadora, historiadora, folclorista e pintora Zilda Paim (1919-2013).

OS FILHOS DOS HOMENS – [...] A generosidade é uma virtude para os indivíduos, não para os governos. Quando os governos são generosos, é com o dinheiro de outras pessoas, a segurança de outras pessoas, o futuro de outras pessoas. [...] Se, desde a infância, você trata as crianças como deuses, na idade adulta, elas são passíveis de agir como demônios. [...] Não sou tirana, mas não posso me dar ao luxo de ser misericordiosa. O que for necessário, eu farei. [...] Eu sabia que o que eu sentia era inveja ou arrependimento, não por algo perdido, mas por algo nunca alcançado. [...]. Trechos extraídos da obra The Children of Men (Faber&Faberm 19922) um romance distópico do escritora inglesa P. D. James - Phyllis Dorothy James, Baronesa James de Holland Park (1920-2014).

OS MORTOSDe humanas alegrias e cuidados / foram tecidos estes corações. / Prontos para o prazer, foram lavados / pela tristeza prodigiosamente. / O tempo deu-lhes bondade. O poente / foi seu, e a aurora, e as cores que há na terra / Ouviram música, e aventuras viram; / o sono conheceram, e a vigília; / amaram; orgulhosos se partiram, / cercados de amizades, e sentiram / a repentina comoção do espanto; / sentados, muita vez a sós ficaram; / tocaram flores, faces e peliças, / e todas essas coisas se acabaram. / Águas há que se riem, assopradas / pelos ventos mudáveis e que são / pelo céu vivo, ao dia, iluminadas. / Depois, com um gesto, a geada faz parar / ondas que dançam e a beleza a errar, / e deixa um resplendor alvo e contínuo, / um brilho recolhido, uma amplidão, / uma paz luminosa sob a noite. Poema do poeta britânico Rupert Brooke (1887-1915).



 A URBANIZAÇÃO E AS ENCHENTES - O processo de urbanização brasileiro apresenta uma série de problemas detectados ao longo de seu desenvolvimento nas últimas décadas. Tais problemas urbanos têm acarretado outros tantos problemas que vão desde a ocupação desordenada da área urbana, bem como levado a ocorrências de alagamentos e enchentes que causam danos a população. È sob tal observância que o presente artigo aborda a questão da urbanização e das enchentes, tratando acerca da visualização de como ocorreu a urbanização no Brasil, no Nordeste e em Alagoas nas últimas décadas, para identificar a relação entre o processo de urbanização e as enchentes ocorridas. A urbanização, segundo Pedrosa (2010, p. 14) é “[...] caracterizada pela alta densidade demográfica, é reconhecidamente um processo histórico inevitável” e que pelas transformações ocorridas, tem apresentado inúmeros problemas para a coletividade. Tal fato se prende à observação de Peplau (2005, p. 1), ao assinalar que  Com a urbanização, intensificaram-se as transformações do uso e ocupação do solo, causando efeitos diretos sobre os recursos hídricos no meio ambiente antrópico, alterando o ciclo hidrológico. [...] O processo de ocupação urbana ainda resulta em aumentos da demanda por água e da carga poluidora, alteração na sedimentologia, rebaixamento de reservas subterrâneas e mudanças no micro-clima local. Verifica-se, portanto, que tais transformações ocorridas no processo de urbanização que antes vista pela distinção entre a distribuição populacional urbana e rural, passando à utilização da noção de população agrícola e urbana, constatando o processo migratório de trabalho rural com fixação de residência nas cidades. Nesse processo, a urbanização foi se formatando com o nascimento e crescimento das cidades na diversa área territorial brasileira, tendo a instalação de empreendimentos agroindustrial, como mola propulsora do desenvolvimento econômica nos setores primário, secundário e terciário. Nesse sentido, observa Brito et al (2010, p. 4) que: [...] as migrações internas fizeram um dos elos mais importantes entre as profundas mudanças estruturais e a expansão urbana [...] A análise da evolução da população urbana segundo os diferentes tamanhos de cidades contribui, decisivamente, para a explicação do grande ciclo da expansão urbana no Brasil, já que expressa não só o processo de crescimento da população urbana, mas, também a sua redistribuição entre cidades de diferentes tamanhos. Essa modernização rural flagrada nas mais diversas regiões agrícolas do país, procedeu um processo excludente com alijamento e expulsão da camada mais pobre da população, proporcionado a migração destes para as periferias das cidades. Por conseqüência, em razão da baixa absorção do setor industrial da mão-de-obra disponível por exigência de qualificação, o setor terciário por não apresentar garantia de estabilidade e baixa remuneração, tem contribuído com o inchamento das cidades que sofrem com a favelização, refugiando os que são estornados das atividades agroindustriais. Saliente Brito et al (2010, p. 4) que: O ciclo de expansão da urbanização pode ser compreendido dentro do processo mais amplo de constituição das grandes regiões metropolitanas [...] Essas regiões desde a sua criação, até os dias atuais, sofreram inúmeras transformações com a incorporação de novos municípios. Como esta decisão é da competência das Assembléias Legislativas, muitas vezes, a delimitação de uma região metropolitana obedece muito mais a critérios políticos. Esse movimento migratório tem aumentado de volume nas últimas décadas, quando uma população de excluídos passa a dar volume nas regiões periféricas do aglomerado urbano, que não dispõe de infra-estrutura como saneamento básico, escolas, sistema de transporte coletivo, serviços de saúde, energia, entre outros, provocando a pobreza no espaço urbano pela ausência de oportunidades. Tal quadro desfigura a cidade com moradias irregulares, muitas localizadas em terrenos íngremes ou às margens de charcos e córregos, e que acomodam o contingente migratório sem escolaridade nem qualificação profissional, que vivem de subempregos sazonais ou da informalidade. Neste sentido, entende Valente (2010, p. 3) que: [...] a urbanização desconectou o homem do seu ambiente natural e ele não sabe mais, como os antigos sabiam, que um pequeno córrego vem "daquela cabeceira", ou seja, os cursos d'água não têm origem em si mesmos e são produtos de uma parte da superfície, chamada bacia hidrográfica. Cada um tem a sua, pro menor que seja. Este contingente populacional se torna vulnerável às ocorrências ambientais, enfrentando o risco de desmoronamento e enchentes nos períodos chuvosos. Em conseqüência disso, Peplau (2005, p. 8) chama atenção para o fato de que: Com a ocupação urbana, o sistema natural de drenagem fluvial e pluvial da localidade é modificado, necessitando adequações. Essas intervenções deveriam ser projetadas levando em consideração a integração geral do sistema de infraestrutura urbano, a partir do mais elementar compartimento, como o lote, por exemplo. De modo geral, a ocupação da maioria das cidades, ocorreu sem um planejamento eficaz, que contemplasse satisfatoriamente a questão da eficiência da drenagem das águas pluviais e fluviais urbanas. Este é um quadro resultante da rápida urbanização brasileira que tem por conseqüência o aumento do tamanho dos subúrbios dentro do processo de conurbação, formando um cenário excludente e carregado de problemas que provocam a ineficiência do poder público na satisfação de atendimento dos serviços públicos necessários para essa concentração populacional. Diferente não é o quadro da realidade do Nordeste brasileiro, registrado por Manuel Correia de Andrade (apud FERNANDO, 2010, p. 1) As cidades surgiram nas encostas, pois se procuravam a proximidade com os rios, temiam a invasão das águas durante as enchentes, enchentes sempre violentas pela rapidez com que se apresentavam e pela excessiva oscilação do débito dos rios, de vez que estes, tendo a maior extensão dos seus cursos nas áreas semi-áridas do Agreste e Sertão, possuem a irregularidade típica dos rios de caatinga. Irregularidade expressas pela ausência d’água no leito durante o estio e pelo transbordamento para a várzea, alagando e encharcando os canaviais, na estação das chuvas.
A URBANIZAÇÃO NO NORDESTE - A região nordestina, a exemplo de toda realidade territorial brasileira, não apresenta quadro diferente, tendo como supremacia econômica a instalação de empreendimentos destinados ao setor sucroalcooleiro e a agroindustrial. Nesta região, entende Para Lubambo et al (2010, p. 1) que: [...] no Nordeste um processo de urbanização de rapidez e intensidade significativas. No entanto, os processos de crescimento econômico e de desenvolvimento social dessa mesma região têm sido profundamente heterogêneos e descontínuos entre as áreas que atingem. [...] Por resultante, caracteriza- se um novo espaço regional, onde se distinguem os eixos diferenciados, marcados por aglomerações e centros com dimensões e perfis urbanos os mais variados, além de novas tendências no desenho da rede de cidades.
A URBANIZAÇÃO EM ALAGOAS - O Estado de Alagoas está dentro desta realidade nordestina, configurando o seu quadro de urbanização, identicamente problemático pelo quadro que se apura com a revisão da literatura realizada. Os diversos municípios alagoanos apresentam problemas que são detectados na grande rede municipal brasileira, sofrendo com as mudanças ocorridas no processo de urbanização brasileiro, sintomaticamente vítimas das ocorrências ambientais que provocam desmoronamentos e enchentes que levam a tragédias noticiadas nos últimos anos pela imprensa nacional.
AS CONSEQUENCIAS DAS ENCHENTES – As consequências das enchentes mereceram considerações de Peplau (2005, p. 17) que se expressou: As inundações urbanas, cuja principal causa é a má gestão do espaço urbano, trazem consigo uma série de problemas associados a diversos fatores influentes no cotidiano da população. O ciclo dos prejuízos é grande e de difícil mensuração, afetando grande número de pessoas, atividades produtivas, bens capitais e meio ambiente. No entanto, sem parâmetros de mensuração ou escala de valor está a vida de milhares de pessoas que faleceram e virão a sucumbir vítimas das enchentes, este configurado como o quadro (figura 6) mais dramático e triste do problema, pois a maioria dessas mortes poderiam de alguma forma ser evitadas. As ocorrências das enchentes se dão, conforme o autor mencionado, acarretando a invasão do passeio público, ruas, avenidas, casas, propriedades ou pelas as encostas desprovidas de proteção; causando transtornos e prejuízos diversos, tanto pela força da água pluvial e das chuvas, quanto pela sua contaminação. Essas enchentes, conforme Pedrosa (2010, p. 19), causam diversos problemas e prejuízos à população urbana: Os prejuízos com as enchentes estão muito longe de ser a soma dos valores dos objetos da população, atingidos pela inundação. Na literatura nacional há registros de diversos casos de enchentes, com elevados prejuízos em vidas humanas e econômicos. As enchentes das áreas ribeirinhas são ricamente documentadas nos textos técnicos de hidrologia, constatando-se que a ocupação do leito maior do rios,por vezes, torna-se bastante amarga para as populações que ali residem. Registra, portanto, o autor, que as enchentes marcantes nos processos hidrológicos urbanos se dão por causa do processo de urbanização, dando-se por conta do aumento da quantidade de sedimentos e lixo, resultando no assoreamento dos canais, galerias e sarjetas, alteração da qualidade das águas pluviais e dos corpos receptores do sistema de drenagem, problemas com água potável e alteração dos parâmetros climáticos. Considera mais Pedrosa (2010) que as enchentes ocorrem por um processo natural, mas que por ocupação da várzea traz grandes prejuízos aos moradores locais, além de elevar os níveis das enchentes a jusante, decorrentes da obstrução do escoamento natural. As razões dessas ocorrências, segundo Peplau (2005, p. 1), porque: As enchentes acontecem naturalmente de modo periódico, devido a chuvas intensas aliadas a condições favoráveis de solo e conformação morfológica, levando os rios e canais preferenciais de escoamento a extravasarem o seu leito menor inundando as várzeas e depressões. [...] Devido à impermeabilização dos solos, as respostas hidrológicas nas áreas urbanas são sensivelmente modificadas, sendo os principais efeitos o aumento do escoamento superficial (vazão máxima e volume), a antecipação dos picos de vazão e a diminuição da infiltração, acarretando inundações e alagamentos. Consequência disso, foi o desastre trágico ocorrido ultimamente na Zona da Mata de Alagoas e Pernambuco, que, segundo Fernando (2010), ocorreu por razões que envolvem questões ambientais degradadas pelos fatores socioeconômicos que se encontram no latifúndio canavieiro e no empobrecimento da população causada pela concentração de terras e rendas. Em nota assinada pela Associação dos Geógrafos Brasileiros (FERNANDO, 2010), as enchentes ocorridas atingiram municípios pernambucanos e alagoanos, alguns deles ainda hoje em estado de emergência e outros em calamidade pública. A catástrofe provocou transbordamento de rios, sangramento de barragens, destruição de cidades e plantações, interrupção do fornecimento de energia elétrica, serviços hospitalares, telefone, segurança e abastecimento de água, entre outros serviços essenciais. Marques (2010) registrou o posicionamento do chefe do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o professor Ricardo Sarmento Tenório, ao afirmar que a chuva não teria força para causar a destruição vista nas cidades alagoanas. Registra mais que na visão do pesquisador, a tragédia alagoana poderia ser evitada se não houvessem construído as cidades e efetuada a sua urbanização no leito de rios que possuem hoje bacias totalmente degradadas. No entanto, a respeito Dias et al (2002, p. 23) se expressa: Os impactos ambientais negativos da ocupação humana sobre áreas problemáticas representada por áreas de riscos ambientais sobre potenciais para expansão urbana refletem na qualidade do ambiente que o homem habita e dele depende, resultando num problema de ecologia urbana com impactos socioeconômicos graves. Estes impactos afetam os parâmetros básicos (solos, geomorfologia, geologia, declividade, etc.), bióticos (vegetação e fauna) e antrópicos (infraestrutura urbana). As atividades humanas, transformando o ambiente natural em ambiente construído, têm resultado em desequilíbrios ambientais, acarretando impactos ambientais nos ecossistemas. Mediante todo exposto, atribuem os engenheiros anteriormente mencionados, conforme Fernando (2010, p. 1), que esta tragédia tem por causa: [...] o resultado de uma desigual ocupação do espaço, aliado aos fatores sociais, a falta de investimentos nas cidades da zona da mata, bem como a não existência de uma articulada rede de prevenção de catástrofes naturais no território nacional, capaz de prevenir fenômenos meteorológicos com mais precisão e eficiência, dando tempo à defesa civil alertar e divulgar medidas cautelares aos moradores das cidades ribeirinhas vem prejudicar mais gravemente os trabalhadores e os mais pobres que vivem na região. É com este pensamento e avaliação que nós, da Associação dos Geógrafos Brasileiros - Seção Recife, nos solidarizamos ao povo Pernambucano e Alagoano apontando o real culpado pelo os estragos, o latifúndio da cana de açúcar e não apenas a grande quantidade de chuvas. Entre as causas podem ser assinaladas também a ausência de gestão e planejamento urbano, ausência do serviço de defesa civil nos municípios, gerenciamento das bacias hidrográficas, entre outras. Na busca por soluções, Valente (2010, p. 5) aponta: Nas áreas urbanas, a parte da chuva que inevitavelmente se transforma em enxurrada, pode ser retida por meio de caixas de coleta em casas, prédios, galpões industriais, para uso posterior em limpeza, irrigação de jardins etc,; coleta de enxurradas ao longo de estradas; piscinões. Se tais soluções são meras utopias, tudo bem, restando-nos aceitar, com resignação, as repetidas notícias anuais sobre danos à vida e ao patrimônio, como se tudo fosse mera fatalidade! Por esta razão, assinala Peplau (2005, p. 1) que:  O desafio ante as enchentes provocadas pela urbanização requer do poder público ações planejadas e integradas com o aparelhamento urbano, com intervenções estruturais (obras de melhoramento em geral) e não-estruturais (práticas de gerenciamento com políticas e ações para uma melhor convivência com as enchentes) de modo a prevenir, disciplinar e mitigar inadequações de uso e ocupação do solo urbano. Como medidas preventivas, Brasil (2010) tem procurado informar a população dos vários tipos de inundações, suas causas e conseqüências danosas, atribuindo, pontualmente, a questão urbana como uma das causadoras das enchentes, carecendo de educação popular e mudança na cultura da gestão urbana, com a elaboração de Plano Direito de Desenvolvimento Municipal, fiscalização das áreas inundáveis e de risco, elaboração de plano de evacuação com sistema de alarme, implantação de esgotamento de águas servidas e coleta de lixo domiciliar, indicação de áreas seguras para construção com base no zoneamento, bem como planejamento, fiscalização eficiente e eficaz com base na criação de um corpo legal que contemple tais incidências. Observa-se pelo estudo realizado, que a população urbana alagoana vem sendo de forma intermitente vítima das enchentes, a exemplo do que ocorreu em São José da Lage, em 1969, e que vem se repetindo ano após ano vitimando o espaço urbano, especialmente as populações ribeirinhas. Tais acontecimentos exigem a instalação de uma equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais especialistas das áreas de urbanização, meteorologia e hidrografia, visando apresente um diagnóstico capaz de possibilitar uma leitura geral do problema e apresente o seu respectivo prognóstico.
CONCLUSÃO - Observou-se com o estudo realizado que a causa das enchentes que ocorreram em Alagoas e Pernambuco são causadas, entre outros fatores, pelo processo desordenado de urbanização que ocorreu nas últimas décadas em todo país. Neste sentido, se faz necessário que se envidem esforços na gestão urbana dos municípios, baseada em ações de planejamento que possibilitem coibir ou erradicar o problema em Alagoas.
REFERENCIAS
BRASIL. Inundação: conheça o desastre. Brasília: Ministério de Integração Nacional. Secretaria Nacional de Defesa Civil, 2010.
DIAS, José Eduardo; GOMES, Olga; COSTA, Maria Sandra; GARCIA, José Miguel; GOES, Maria Hilde. Impacto ambiental de enchentes sobre áreas de expansão urbana no município de Volta Redonda/Rio de Janeiro. Revista Biociências,Taubaté, v.8, n.2, p.19-26, jul.-dez.2002.
FERNANDO, Robson. As causas reais das enchentes da zona da mata nordestina. Arauto da Consciência, 2010.
LUBAMBO, Cátia; CAMPELLO, Ana Flávia; ARAÚJO, Maria do Socorro; ARAÚJO, Maria Lia. Urbanização recente na região Nordeste: dinâmica e perfil da rede urbana, 2010.
PEDROSA, Valmir. O controle da urbanização na macrodrenagem de Maceió: Tabuleiro dos Martins, 2010.
PEPLAU, Guilherme. Influência da variação da urbanização nas vazões de drenagem na bacia do rio Jacarecica em Maceió – AL. Recife: UFPE, 2005.
BRITO, Fausto; HORTA, Claudia; AMARAL, Ernesto. A urbanização recente no Brasil e as aglomerações metropolitanas. NRE/SEED/PR, 2010.
MARQUES, Maikel. Origem da destruição. Gazeta de Alagoas, 2010
VALENTE, Osvaldo. Enchentes e urbanização. IETEC, 2010; Veja mais aqui.




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