segunda-feira, dezembro 18, 2017

BARTHES, GEORGE SAND, KUROSAWA, KITARO, ECOSOFIA, SAINKHO, SONIA COUTINHO, DORA MAAR, PAUL KLEE & MEIO AMBIENTE

CIDADANIA & MEIO AMBIENTE: A TERRA SOMOS NÓS – Imagem: Highways and Byways (1929), do pintor e poeta suíço naturalizado alemão Paul Klee (1879 - 1940). - Ao assumir a Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, na gestão do poeta Juareiz Correya, no início dos anos oitenta, realizei a palestra A atividade artística como função alternativa para o progresso do município, no Teatro Cinema Apolo, em Palmares. Entre outras propostas, defendia a arborização, humanização e instalação de equipamentos que possibilitassem a revitalização e valorização do Rio Una, como também ações idênticas no Rio Pirangi. Evidente que à época não encontrei eco no seio da sociedade, afinal Ecologia & Meio Ambiente ainda era um tema incipiente, coisa de doido e abestalhado metido a cheio das pregas. Anos depois assumi a presidência do Conselho da FCCHBF, quando pude formalizar a criação, em parceria com o Professor João da Silva, da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Mata Sul, desenvolvendo uma série de projetos por meio de articulações com organizações públicas e privadas, oportunizando a nossa participação na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), preparatória para a ECO-RIO/1992 & Cúpula da Terra. A partir de então escrevi poema, canções e peças teatrais que abordassem a temática, engajando-me nessa bandeira. Com a minha transferência para Maceió, pude escrever livros infantis e realizar recreações e palestras sobre a temática da Cidadania & Meio Ambiente, apresentando-me em escolas e outras instituições pública, culminando com o convite recebido do Projeto Protejo, promovido pelo Ministério da Justiça & Fundação Darcy Ribeiro, no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), pelo qual pude realizar inúmeras palestras a respeito. Já no curso de Psicologia, foi a Professora Drª Daniela Botti, na disciplina de Estágio Básico, que acatou a realização do Projeto PsicoAmbiental na Comunidade do Riacho Salgadinho, em Maceió, articulando intervenção nas áreas de Educação Ambiental, Direito Ambiental e Psicologia Ambiental, nas comunidades limítrofes da nascente à foz do citado recurso hpidrico. Durante a realização dessas atividades, tive a honra de receber apoio de graduandos das mais diversas áreas do conhecimento, que assinalaram a temática na realização dos seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), fato que possibilitou um maior incentivo e amplitude nos trabalhos, bem como na intervenção de autoridades das três esferas governamentais, quanto a essa questão. Nessa mesma leva, ao participar das edições da Festa Literária de Marechal Deodoro (FLIMAR) e da campanha Folia Caeté, promovida pelo então empresário Marcos Alexandre Martins Palmeira, inseri a Lagoa Manguaba no campo de atuação, compondo frevo e atividades artísticas para realização de apresentações perante as comunidades de Pilar e Marechal Deodoro, inclusive, escrevendo o livro infantil As águas do Alvoradinha, ainda hoje inédito. Ao longo desses anos todos tenho insistido sobre a temática, agora voltada também para o Vale do Rio Una, que envolve comunidades de cerca de mais de cinquenta municípios que são vítimas da poluição de suas águas e das suas enchentes periódicas. Pensar no ambiente com cidadania requer iniciativas preventivas e de conscientização, tendo em vista que há um marco legal específico para tal, todo um aparato de ações educativas e necessidade da adoção de comportamentos que se insiram sob a perspectiva da sustentabilidade e da qualidade de vida e do meio ambiente equilibrado e sadio para todos. Eu acredito nisso, a Terra é nossa casa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o músico, compsoitor e multi-instrumentista japonês Kitaro: Heaven & Earth Ost; a cantora russa Sainkho Namtchylak & Ethno Orchestra: Alpha Co; a Música Ambiental Instrumental de Kevin MacLeod & Deep Sleep da Tibetan Meditation Music. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – O ser humano surgiu há 2 milhões de anos na Terra [...]. em cerca de apenas 200 anos, a sociedade – especialmente a ocidental -, com seu estilo de vida, conseguiu criar uma crise ambiental de proporções planetárias. O consumo exacerbado de energia e água, as devastações florestais, o lixo excessivo, a explosão demográfica, entre outras questões, são resultado da relação desigual desenvolvida com a natureza depois da Revolução industrial e ao longo do século XX. [...] Pobreza crescente e consumo desenfreado: estas na verdade seriam as maiores causas da degradação ambiental da atualidade. [...]. A sustentabilidade dos recursos está intimimamente ligada aos cuidados com o meio ambiente e à erradicação da pobreza. A qualidade de vida deve fazer parte do desenvolvimento econômico, e este casamento passa pelo uso sustentável dos recursos naturais. Todos os povos devem ter acesso a esses recursos, e usá-los de forma sustentada. [...]. Trechos extraídos da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 1009), de Rosane Carneiro, Nely Wyse Abaurre, Mônica Armon Serrão et al. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

ECOSOFIA, ECOFILOSOFIA & ECOLOGIA PROFUNDA – [...] Nosso mundo está com problemas por causa do comportamento humano fundamentado em mitos e costumes que estão causando a destruição da natureza e provocando as mudanças climáticas. Podemos agora deduzir a mais simples teoria cientifica da realidade: a estrutura ondulada da matéria no Espaço. Ao compreendermos como nós e tudo o que nos cerca está interconectado com o Espaço, podemos deduzir soluções para os problemas fundamentais do conhecimento humano em Física, Filosofia, Metafísica, Teologia, Educação, Saúde, Evolução e Ecologia, Política e Sociedade. Esta é a profunda nova maneira de pensar que Albert Einstein descreveu, que existimos como estruturas espaciais estendidas do universo. Uma mera ilusão de sermos corpos separados. Isto apenas confirma as intuições de antigos filósofos e místicos. [...]. Trecho extraído da obra Ecology, Community and Lifestyle: Outline of an Ecosophy (David Rothenberg, 1989), do filósofo e ecologista norueguês Arne Naess (1912-2009), que criou a Ecologia Profunda, também conhecida como Ecosofia ou Ecofilosofia, estabelecendo oito princípios de plataforma: O bem-estar e o florescimento da vida humana e da não-humana sobre a terra têm valor em si próprios (sinônimos: valor intrínseco, valor inerente). Esses valores são independentes da utilidade do mundo não-humano para propósitos humanos; a riqueza e a diversidade das formas de vida contribuem para a realização desses valores e são valores em si mesmas; os humanos não têm nenhum direito de reduzir essa riqueza e diversidade exceto para satisfazer necessidades humanas vitais; o florescimento da vida humana e das culturas é compatível com uma substancial dimimuição na população humana. O florescimento da vida não-humana exige essa diminuição; a interferência humana atual no mundo não-humano é excessiva, e a situação está piorando rapidamente; as políticas precisam ser mudadas. Essas políticas afetam estruturas econômicas, tecnológicas e ideológicas básicas. O estado de coisas resultante será profundamente diferente do atual; a mudança ideológica é basicamente a de apreciar a qualidade de vida (manter-se em situações de valor intrínseco), não a de adesão a um sempre crescente padrão de vida. Haverá uma profunda consciência da diferença entre grande e importante; aqueles que subscrevem os pontos precedentes têm a obrigação de tentar implementar, direta ou indiretamente, as mudanças necessárias. Esses princípios embasam q filosofia de harmonia ou equilíbrio ecológico, defendendo que todos os seres vivos têm direito a ser respeitados como tais, eles têm valor em si mesmo quer os humanos pensem assim quer não. Por conta disso, a ecofosofia representa uma nova maneira de ver o mundo e de se relacionar com ele, respeitando a diferença, agindo de modo benevolente, evitando suntuosidade, procurando aproximar-se da natureza exterior aos nossos corpos físicos, na medida do possível.

A LÍNGUA, O DIZER E A ALIENAÇÃO – [...] a língua implica uma relação fatal de alienação. Falar, e com maior razão discorrer, não é comunicar, como se repete com demasiada frequência, é sujeitar [...] Mas a língua, como desempenho de toda a linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer. [...] a língua, portanto, servidão e poder se confundem inelutavelmente [...] A semiologia seria, desde então, aquele trabalho que recolhe o impuro da língua, o refugo da lingüística, a corrupção imediata da mensagem: nada menos do que os desejos, os temores, as caras, as intimidações, as aproximações, as ternuras, os protestos, as desculpas, as agressões, as músicas de que é feita a língua ativa [...] . Trechos extraídos da obra Aula (Cultrix, 1980), do escritor, sociólogo, filósofo, semiólogo e crítico literário francês, Roland Barthes (1915-1980), discutindo as relações de poder dentro da sociedade, entendendo que o poder está impregnado em todas as relações sociais, por mais ínfimas que sejam, sendo a sua manifestação suprema e inescapável seria a linguagem, ou seja, a própria estrutura da língua refletiria imposições sociais e relações de poder estabelecidas, moldando as mensagens formuladas nela. Veja mais aqui.

O PALHAÇO DAS PERDIDAS ILUSÕES - [...] Eu, o escritor, acho que foi exatamente aí. Sim, foi aí que Caio tomou a decisão. Ou o Outro, que o habitava, tomou-a por ele. Estava espantado, perplexo, jamais imaginara que faria isso. Mas, com um quase riso nos lábios, por causa da amúsica que acabara de cantar, viu a si mesmo – que o Outro conduzia – pisar numa cadeira e passar as pernas por cima do corrimão da varanda. O que se seguiu foi um corpo em voo improvável, que se estatelou no cimento do playground do prédio, 12 andares abaixo. Trecho da ficção da escritora, jornalista e tradutora Sonia Coutinho (1939-2013).

CARTA DE AMOREstou muito animada para dizer-lhe que tenho / Eu entendi muito bem a outra noite que você teve / sempre um desejo louco de fazer um pouco / de dança. Eu mantenho a memória / de amor e eu gostaria que fosse / Esta é uma prova de que eu posso ser amada por você / com toda a força. Estou pronta para mostrar-lhe o meu / carinho desinteressado, sem cálculo / burro e se você quiser me ver também / desvendar minha alma sem qualquer artificialidade / completamente nua, venha me visitar. / Vamos conversar com franqueza, como bons amigos. / Eu vou provar para você que eu sou a mulher /sincera capaz de oferecer-lhe o carinho / mais profundo do que a mais estreita / amizade, em suma, a melhor prova / que você possa sonhar porque a sua / alma é gratuita. Você acha que a solidão que / o morcego é longo, duro e grosso / difícil. Então, refletindo sobre isso, eu tenho a alma / inchada. Volte logo e venha até mim / esquecer com esse amor em que eu quero / coloque tudo em mim. Poema da escritora e memorialista George Sand (Amandine Aurore Lucile Dupin – 1804-1876).

DERSU USALA
O filme Dersu Uzala (1975), do cineasta japonês Akira Kurosawa (1910-1998), é baseado na obra de Vladimir Arsenyev, contando a história de um explorador (líder de uma expedição de levantamento topográfico na Sibéria) do exército russo, que é resgatado na Sibéria por um caçador nanai (Dersu Uzala) que passa a servir-lhe de guia, dando início a uma forte amizade. Quando o explorador decide levar o caçador para a cidade, seus costumes se confrontam de forma esmagadora com o modo de vida burocrático na cidade, fazendo-o questionar diversos padrões da sociedade. Dersu é um exemplo de humildade e sabedoria, e o filme mostra de maneira poética e sensível as diferenças culturais entre ele e o pesquisador russo. O diretor de fotografia aproveitou ao máximo as imponentes paisagens naturais da Sibéria e as registrou em belas imagens. Numa das cenas inesquecíveis do filme, Dersu e o explorador russo se encontram em local aberto, uma estepe, quando uma nevasca os atinge. No frio siberiano (que pode atingir até 60º negativos), o russo se abate, quase que como entregue à morte certa. Dersu o convence a recolher os arbustos da estepe. Mesmo sem entender direito o significado do ato, este, cambaleante, faz o que Dersu lhe pede, até o esgotamento. Dersu então, continua recolhendo a vegetação rala, que mais tarde se transformará numa pequena cabana, cavada na terra. Uma cena digna das melhores do cinema com relação ao embate entre natureza e sobrevivência. A história aborda, na verdade, a majestade da vida natural, em detrimento do ritmo frenético do progresso. Veja mais aqui e aqui.

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A poesia de Olavo Bilac aqui.
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ARTE DE DORA MAAR
A arte da fotógrafa, poesia e pintora francesa Dora Maar (1907-1997).