quinta-feira, novembro 10, 2016

VAN GOGH, INGMAR BERGMAN, ANNIE VEITCH, KERRI BLACKMAN & SINFONIAS DE BAR


SINFONIAS DE BAR - Imagem: The Night Cafe in the Place Lamartine in Arles, do pintor do pós-impressionismo neerlandês Vincent van Gogh (p1853-1890) - Quanta solidão nesta mesa, quantos desejos contidos, quantas bandeiras levantadas, arriadas, perdidas, desesperançadas. São goles de mágoas, infelizes demais. Olhares de esquecidos vencedores, fazem da vitória uma festa sem laurear vencidos. Os olhos não cansam e se perdem na fumaça,, no fedor de fumo, ruidoso nervosismo nas ações, confissões de amor, ternura de perdão, cantores de ébrio, lutadores do vício na flor do luar, sentinelas da noite em seu arquipélago efêmero. Não diz das avenças em pleno reboco, não diz do soluço atrás da euforia, não diz da vergonha espremida no álcool, não diz da verdade suposta e tão crua: confidências de bocas e de copos, o halteres miúdo do vira virar. Não basta beber o tédio e o momento, precisa de vento em maior ventania, no batuque do samba em seu coração. Um mundo tão grande não cabe no passo, onirismos escritos em nuvens de giz, onde um lava a culpa, outro confidencia pormenores de escândalos, aquele afoga a mágoa de um amor perdido, este se alivia da dura labuta dizendo leseiras da vida. Aqueloutro enchendo miolo de pote, esbanjando elogios à mulher amada que sonha acordada no travesseiro. Estoutro comemora o gol mais fantástico na vitória do Flamengo com um replay de Milena Cyribeli, belíssima como sempre para delírio da galera rubronegra. Uns alegam dificuldades entre goles erradios e a inflação se apossando do que tem no bolso. Outro fala de uma revolta incontida para debelar a população contra a iniqüidade. Aquele deifica a praia e as garotas com suas bundinhas maravilhosas. Aqueloutro se altera ébrio fofocando a vida de todos. Este com anedotas de salão as mais cabeludas e risos os mais insolentes. Estoutro exalta quem vem de longe e pisa quem é de casa. Uns reclamam que entre poucos tudo se abarrota tudo farta. Outros declaram que entre muitos a estrela apagada no cu mostra que não se tem nada e que muito falta no charco abominável. Este relata um crime hediondo de hoje e que a honra dos bravos termina no cemitério. E se dizem suplícios e calvários, exorcizam o ouro, o coração das águas, nas mesas e nas cinzas dos copos. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Salgadinho: de riacho pra esgoto, Boaventura de Sousa Santos, Imre Kertész, Friedrich Schiller, Millôr Fernandes, Ennio Morricone, Gustav Machatý, Emílio Fiaschi, Joseph Mallord William Turner & Hedy Lamarr aqui.

E mais:
A musica de Monique Kessous aqui.
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Cidadania e dignidade humana aqui.
Literatura de Cordel: O cavalo que defecava dinheiro, de Leandro Gomes de Barros aqui.
Direitos adquiridos aqui.
A arte de Tatiana Cobbett aqui.
Tortura, penas cruéis e penas previstas na Constituição Federal de 1988 aqui.
Literatura de Cordel: Emissários do inferno na terra da promissão, de Gonçalo Ferreira da Silva aqui.

DESTAQUE: O OVO DA SERPENTE
O filme O ovo da serpente (Das Schlangenei, 1977), do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), é ambientado em Berlim nos anos 1920, quando os habitantes nativos estão oprimidos pela hiperinflação e temendo pelo futuro com a crise política. Um trapezista judeu de circo norte-americano chega à pensão onde mora e encontra seu irmão, um também artista, morto: havia se suicidado com um tiro na boca. Os dois haviam brigado e não estavam mais trabalhando, por isso começara a beber sem parar. Ele vai a polícia e é ouvido pelo inspetor e depois procura pela ex-esposa do irmão, também artista. Ele se surpreende ao encontrá-la se apresentando em um bordel. Os dois procuram se ajudar e vão morar juntos, mas ele se irrita quando ela lhe conta sobre seu relacionamento com um antigo conhecido detestado por ele. Despejados de onde estavam, ela acaba aceitando um quarto oferecido pelo antigo namorado, mesmo com o cunhado ficando com ela, apesar de contrariado, concordando também com um emprego de arquivista na clínica onde o receptor de ambos trabalha. Ao ser levado pelo inspetor pra ver a vários cadáveres no necrotério, de pessoas conhecidas do rapaz, ele pensa que é suspeito e tenta fugir desesperadamente mas é detido pelos policiais. Porém, é solto logo depois, sem explicações. Enquanto isso, ele parece cada vez mais doente. E esse maravilhoso filme transcorre, imperdível. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: arte da pintora e escultora canadense Annie Veitch.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Walk Forward in Peace, by Kerri Blackman.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.