sexta-feira, junho 10, 2016

LEMINSKI, GOETHE, MACHADO DE ASSIS, ALEXANDRA STAN, CURITIBA & LUCIAH LOPEZ


A SEXTA É DIA DA DEUSA, DA MUSA, RAINHA, POETA, MULHER – (Imagem: Musa, arte da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez) - Se no sábado ela é deusa Freyaravi no panteão da minha devoção adoradora e de todos os seus templos mais suntuosos e de sua potestade, sou fiel servil de sua divindade e rendo-lhe culto noitedia para consagrá-la como minha única crença, venerando a sua santidade com todas as orações e rituais perante o seu altar e suas colunas ventrais que me fazem artesão para talhar sua escultura e a me dar o seu paraíso de Shangri-la. E se no domingo ela é gloriosa rainha Freyaravi no soberano trono de todo seu reinado, sou súdito fiel para honrar sua coroa e guerrear viril em seu nome e em sua defesa, sempre premiado com a majestade seminua de sua magnânima candura a me fazer vassalo de todas as suas ordens e quereres no leito real. E se na segunda ela é fêmea escrava, submissa mucama a me fazer degonso no conforto de todas as manhas e manhãs, sou-lhe o pelourinho para castigar-lhe a carne e a sina de ser-me usufruto para todo o sempre, amém. E se na terça ela é poeta devassa varando a noite nua e carregada de versos para me envolver com suas rimas, assonâncias e aliterações, sou-lhe o combustível que incendeia a inspiração e a faz sedutora atriz roubando da alma todas as magias a me endoidecer de amor. E se na quarta ela é dama sofisticada, pudica e sonsa, elegantemente trajada dos pés à cabeça, sou-lhe a licenciosidade sutil que ruboriza suas faces, endurece os ductos dos seus seios e enrijece o clitóris dentro da sua calcinha sedosa e a deixá-la em erupção até desnudar-se inteira na alcova dos meus prazeres. E se na quinta ela é solta e largada a se embriagar depravada, qual refém desbocada no meu apego contumaz, ela se faz meretriz na esquina do meu quarto, se faz puta safada na minha cama desforrada e se desnuda aos lençóis e se cobre de fronhas e perde a vergonha para ser-me inteira envolvida por minha arguta avidez de provocar-lhe os mais densos e perenes orgasmos. É na sexta que ela é musa inspiradora e me depõe versos aos borbotões a distribuir métricas livres, ressonâncias reverberadas por tonantes sílabas de gozos para que eu lhe faça a poesia viva de sua alma na mais completa manifestação. É quando ela é Freyaravi deusa que se profana e mais se endeusa em rainha destronada e que se entroniza na fêmea que se faz a poeta arrogadora puta em ser a fêmea pura e a mulher a mais maravilhosa do universo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: Mulata, arte da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui e aqui.


Curtindo o álbum Saxobeats (Columbia Records, 2011), da cantora e compositora romena Alexandra Stan, uma variedade musical com Pop, R&B, dance, synthpop & Hi-NRG.

PESQUISA
Goethe: história de um homem (Globo, 1940), do escritor alemão Emil Ludwig (1881-1948), tratando sobre a biografia do escritor e dramaturgo alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), trazendo no primeiro volume dois livros: Livro Primeiro – Gênio e Demônio, e Livro Segundo - O espírito da Terra; e no segundo volume o capítulo IX – Protêo e o Livro Terceiro – Vitória trágica. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Memórias póstumas de Brás Cubas (W. M. Jackson Inc, 1938), do escritor Machado de Assis (1839-1908), é o romance que traz a autobiografia do protagonista narrador que, depois de morto, resolve escrever suas memórias. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
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Neste exato momento nada me daria mais prazer que bolar uma história na qual o rei de um país africano determinava no começo do ano as palavras que os poetas da tribo poderiam usar aquele ano. As palavras tinham que ser três, uma tradição que vinha lá dos fundos tempos e ninguém nunca tinha perguntado por quê, coisa, aliás, que nessa tribo era considerada uma indelicadeza, tanto que era punida com a castração do testículo esquerdo do mal-educado. Durante tempos e tempos, aquela tribo foi feliz com seus poetas que só diziam três palavras, combinando-as em todas as combinações possíveis. Os bons reis escolhiam palavras fáceis de combinar, aurora, amor e alegria, por exemplo. Naquele ano, os poemas iriam ser: aurora alegria do amor. Ou: amor aurora da alegria. Nem faltaria algum poeta mais ousado que arriscasse: alegria amor da aurora. Nesses anos, o povo era feliz, a chuva vinha no tempo e na medida certa, a terra dava com frutos por um e o povo era feliz junto com seus poetas. Mas havia reis cruéis, reis que escolhiam palavras difíceis de combinar. Havia até um, na tradição, que tinha infligido aos poetas do seu povo as palavras inclusive, quase e talvez. Triste ano aquele, parco de messes e ralo de poesia. Depois desse tempo, veio a época dos reis fracos, reis que já não tinham mais a mesma força de autoridade dos reis de antigamente. Os poetas conseguiram assim a vantagem de fazer poemas com mais palavras. Uma verdadeira festa o dia em que os poetas conseguiram o direito de fazer poemas com dez palavras. Com o passar do tempo, os poetas foram aumentando seu poder, fazendo poemas com cada vez mais palavras. Até que um dia foi necessário admitir, dá pra fazer poesia com quantas palavras o poeta quiser. Mas a poesia nunca foi tão boa quanto na época em que tinha que ser feita só com três palavras.
Texto extraído do livro Gozo fabuloso (DBA, 2004), do poeta, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Se não fosse dela nada seria tão maravilhoso (LAM).
O lago do Parque Barigui – Curitiba – PR, do fotógrafo Marcos Guerra.

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino, Erich Fromm, Antonio Carlos Secchin, Alexandre Dumas, Gustave Courbet, João Gilberto, Bibi Ferreira, Isabelle Adjani & Judy Garland aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Imagem: arte da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: Paz, arte da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.