sexta-feira, junho 26, 2015

MAFFESOLI, SÁBATO, GIL, ELIANE CAFFÉ, MUNCH, ISABEL CÂMARA, FLORENT, BEATRIZ SEGALL & LEO LOBOS.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? SE NADA ACONTECESSE, NADA VALERIA Imagem do poeta e artista visual chileno Leo Lobos – Quando parece que o mundo desabou – como se a vida desse uma de Hércules com a gente: Nec plus ultra; ou como o Corvo de Poe: Never more -, a gente se vê no aperto espremendo o rabo entre as pernas: o horizonte encolheu, virou uma fresta de nadinha de não dar pra passar nem invisível. É na hora que se sente uma ilha arrodeada de uma grande escaramuça por todos os lados e, por resultado, ficar pulando num pé só na maior prova de fogo. Imaginou? Não adianta cortar pra dezoito que quando o entretido passa, a dor é mais arrepiada. Melhor botar o pé no chão: se perdeu todas as dividas e passou de cavalo pra burro atravessando o rubicão, não adianta perder o rebolado, melhor é cantar: levanta, sacode a poeira e dá volta por cima. Ah, mas tá difícil, né? E vai ficar submerso em abnegados padecimentos, afinando o cocoruto na bolea da situação? Ah, sei. Limpou a vista, o dia virou noite e só restou tirar fino nas broncas e nas tocaias, só no fio da meada. Apois, tá. Compreendo que quando a gente se vê na lona, todo mundo vira um pasquino para meter a colher na nossa vida pregressa – parece mais que erramos em tudo na vida -, e a língua afiadíssima bem no meio das nossas feridas supuradas. Hummmm! Dói, e como dói. E, ainda, ficam apontando que a gente perdeu o bonde pros gozadores parvenus em festa – os que são, muitas vezes, meros privilegiados dos propinodutos de gatunildos e ladronacios. Passam tudo na cara: - Olhe lá, não vá amarrar seu cilício com as suas disciplinas, afinal cuspiu pra cima e não saiu, o cuspe na cara caiu. Ou você cospe no prato que come? Mexem com o nosso brio, reduzem a honra e, ainda por cima, parece mais que estão felizes com nosso farol baixo. Dói, fazer o quê? Passar esponja? Largar de mão e jogar favas no chão? Passar sebo nas canelas pra dar uma de Vila-Diogo com as calças na mão? Tais conversando? Não seria melhor avaliar se realmente o mundo está todo errado ou é a gente segurando o equívoco com o umbigo no mão? O mundo precisa mudar ou somos nós que precisamos rever nossas ideias, comportamentos e condutas para melhor nos conduzir e, com isso, procurar a construção de um mundo melhor? Afinal, tem-se constatado que a vida é uma vitória! É? Pois, é. Se levarmos em consideração quantos espermatozoides perderam a viagem pra você chegar no óvulo, aí a coisa muda de figura, não? A sorte está lançada! Ao invés da gente procurar mudar os outros, por que não revemos tudo de nós mesmos pra ver se não é a gente que precisa dar uma profunda analisada acerca do verdadeiro sentido da vida? Tá pra você! Veja mais aqui.

Imagem: Nude, Sitting on the Couch, do pintor do expressionismo norueguês Edvard Munch (1863-1944)

Curtindo Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo (Biscoito Fino, 2012), do cantor e compositor Gilberto Gil, acompanhando de um quinteto de cordas & Orquestra Petrobrás Sinfônica.


OPINIÃO PÚBLICA & OPINIÃO PUBLICADA – O livro Saturação (Iluminuras, 2010), do sociólogo francês Michel Maffesoli, aborda temas do seu conceito de tribo urbana, ligação social comunitária e a prevalência do imaginário nas sociedades pós-moderna, abordando assuntos sobre apocalipse, guerra civil, matrimonium, tratado de ecosofia, do progresso ao progressivo, o mito do Golem, Apokatastasis, geossociologia, entre outros. Da obra destaco o techo do Opinião pública/opinião publicada: A confusão das palavras acaba, sempre, por provocar a confusão das coisas. A literatura, bem como a experiência comum, mostra aonde isso vai dar, rapidamente: à confusão dos sentimentos, quer dizer, dos modos de vida. Assim, nos períodos de mudança é urgente encontrar palavras, se não totalmente adequadas, pelo menos que sejam o menos falsas possível. Palavras que, pouco a pouco, (re)transformam-se em palavras fundadoras, ou seja, que garantem a instalação do estar-junto que está emergindo. E, no meio de todas essas banalidades que é importante relembrar, está-se no limiar de uma nova era. E é inútil querer remendar as ideologias elaboradas nos séculos XVIII e XIX e com as quais fomos, em todos os sentidos da palavra, irradiados. Sim, é preciso revirar de cabeça para baixo as ideias rançosas, jogar fora as análises pomposas e um tanto insípidas. Em suma, descerrar os olhos. Mesmo sabendo que isso nunca é fácil, ainda mais levando em conta que está muito difundido aquilo que Durkheim chamava, justamente, de “conformismo lógico”. Ele favorece a preguiça intelectual e as diversas formas de inquisição, engendradas em todos os tempos por esse instinto de preservação que faz preferir o aprisionamento dogmático ao vasto espaço dos pensamentos amplos. [...] Veja mais aqui.


O ESCRITOR E SEUS FANTASMAS - O livro O escritor e seus fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor, ensaísta e físico argentino Ernesto Sábato (1911-2011), trata sobre as ideias do romance, a literatura nacional, o romance psicológico e social, o escritor e suas viagens, o principal problema do escritor, o romance, a arte como conhecimento, entre outros assuntos. A respeito da condição mais preciosa do escritor, assinala o autor que: O fanatismo. É preciso ter uma obsessão fanática, nada deve antepor-se a sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela. Sem esse fanatismo nada de importante por ser feito. Sobre os românticos alemães: [...] viam na arte a suprema síntese do espírito – mas agora apoiada numa concepção mais complexa, que, se não fosse pela grandiloquência da expressão, teria de denominar-se neo-romantismo fenomenológico. Penso que essa doutrina pode resolver os dilemas em que se vem esgotando a teoria: romance psicológico contra romance objetivo, romance de fadas contra romance de ideias. Concepção integralista à qual corresponde um integralismo das técnicas [...]. Sobre o romance e os tempos modernos: [...] o drama da civilização que deu origem a essa curiosa atividade do espírito ocidental que é a ficção romanesca [...] Nenhuma atividade do espirito nem um único de seus produtos podem ser entendidos e julgados isoladamente no âmbito estreito de sua cidadania: nem a arte, nem a ciência, nem as instituições jurídicas; mas muitíssimo menos essa atividade que tão estranhamente aparece unida à condição total e misteriosa do homem, reflexo e mostruário de suas ideias, angustias e esperanças, testemunho total do espirito de seu tempo [...] Sobre o despertar do homem: Dizia Donne que ninguém dorme na carreta que o conduz do cárcere para o patíbulo e que, no entanto, todos dormimos desde a matriz até a sepultura, ou não estamos inteiramente despertos. Uma das missões da grande literatura: despertar o homem que vivia com destino ao patíbulo. Veja mais aqui e aqui.

HORA SAGRADA & OUTROS POEMAS – A escritora, dramaturga e atriz mineira Isabel Câmara (26 Poetas Hoje – Aeroplano, 2007), é autora de Coisas coió (Sette Letras, 1998) e da peça teatral As moças (Prêmio Molière, 1971). Da sua lavra destaco inicialmente Hora sagrada: Ti espero. / Sob o travesseiro / a tesoura segura / o Ouro / o Trigo / o abraço ligeiro / de quem tem cheiro / das coisas pagãs / anãs sob o linho fino / o vinho rastreiro. / Faço a feira. /vivo beirando a beira / da Orgia / que pia, escorrega, / cortando ligeira / a noite do dia que me alivia. / E aí só cria / meu mundo de fantasia / Agora vê se não chia / Você não é minha tia. Em seguida o seu poema Afirmativa: Na posição que me encontro / só no sono do barato / na zona franca, ausente / me sinto contente! Logo após o poema A very-important question: Qual mortal até hoje / pensou um / Unicórnio com medo / de cair-lhe o chifrinho / da testa? Também o seu poema Probel/Problemas: O futuro é uma ciência fodida pelo tempo / O presente é isso aí / O passado é a gavetinha onde a memória brinca / de obra e Arte. Ainda merece destaque o seu poema Carta: Olha eu te desejo / tanto que perdi / o recado. / Nada temo, tremo! / Sou poeta devassa / adorando a tua raça. / Lovely & lonely Bird / of my Youth, tell / me how to reach / The South of your Mouth. Por fim, o seu belíssimo poema Dezenove do oito de mil novecentos e setenta & quatro: Não entendo nada desta janela fechada / que me aperta a culpa / Doer não dói mais, / nem sangra – / Consegui o que queria: / ser despedida, ficar perdida / falida & alone / olhando o papel da Comédia. / Sei que me chamam Bel / Mel de paixão / sugado da boca louca / de onde sangra o coração / e chora a hora / do leito vazio / da falta de peito / do jeito do beijo / fácil, difícil, sutil. / A verdade é que vivo a mil / sonhando a morte em azul-anil. Veja mais aqui.


AS PEQUENAS RAPOSAS A consagrada atriz brasileira de teatro, cinema e televisão Beatriz Segall, iniciou sua carreira profissional como professora de francês e foi estudar teatro no início dos anos 1950. A partir de então, dá-se a uma trajetória artística que se desenvolveu a partir dos trabalhos com Henriette Morineau e aos estudos em Paris. Foi no filme A beleza do diabo, de Romain Lesage, que se deu a sua estreia como atriz. Daí, todo seu talento foi distribuído em participações ora na televisão, ora no cinema, ora no teatro. Em 2004, com direção de Naum Alves de Souza, ela traduziu e protagonizou a peça teatral As pequenas raposas (The little foxes), da lendária escritora e dramaturga progressista estadunidense Lillian Hellmam (1905-2004) que enfrentou corajosamente o macarthismo e criou uma respetável obra em vários gêneros. A peça denuncia as distorções sociais e o cinismo da sociedade estadunidense em um enredo concentrado no sul, no inicio do séc. XX. O embate entre a nova ordem capitalista e as velhas famílias patriarcais, traz na trama a saga da família Hubbard com os seus problemas. Aqui fica o registro e a homenagem para a grande atriz Beatriz Segall. Veja mais aqui.


FALANDO DE CINEMA: ESPÍRITO EXPEDICIONÁRIOA cineasta Eliane Caffé iniciou sua carreira com três filmes de curta metragem que são: O Nariz, Arabesco e Caligrama. Seu primeiro longa metragem é Kenoma (1997). Narradores de Javé (2003) é seu segundo filme longa metragem. Tratando sobre cinema em seu artigo Espírito Expedicionário (Bravo, 2004), ela assinala que [...] O ato criativo, igual a todas as relações no mundo moderno, está oculto e cada vez mais mediado pelas facilidades das novas tecnologia da comunicação: as relações ou pesquisas de conhecimento via internet, junto ao acesso fácil e imediato das diversas realidades visíveis no controle das tvs, dvds, cd-roms, etc., nutrem as discussões e decisões estéticas. Se tal oferta abre novas e mais amplas perspectivas de conhecimento à produção, também gera uma nova ordem geopolítica, que oculta novas formas de poder e dominação infiltradas no ato criativo (afinal, os conteúdos retirados das telinhas já foram interpretados e selecionados). Toda a questão da mediação das tecnologias é acima de tudo politica, porque a técnica já traz impressa no seu artefato as normas e representações do sistema político que a gerou (ou seja, homens de carne e osso, representantes do poder que sustenta as inúmeras pesquisas tecnológicas para o avanço dos seus territórios cibernéticos). Inclui-se nesse fato o aprendizado espontâneo que milhares de espectadores realizam a partir da referencia hegemônica do cinema imperialista de Hollywood, que ocupa 85% do mercador exibidor em todo mundo (as historias e os temas variam, mas – e aqui reside o terror – a forma narrativa para representa-los se restringe sempre a uma mesma gramatica audioviosual ou, ainda, a um mesmo ponto de vista ideológico). [...] Um conhecimento ou um criação massificada a que se constroi a partir das mesmas referencias disponibilizadas nos meios de comunicação tende à homogeneização e a reiteração [...] O confronto direto no corpo a corpo com a realidade que se pretende representar está cada vez mais entorpecido, cada vez menos exercitado. As viagens, o pé na estrada, o embate direto com as vidas, enfim, toda a experiência se traduz o espirito expedicionário de nossa época está sobre uma espessa neblina que a obscurece, imobiliza e rouba a sua força de agir e revelar. [...] Nesse estado, o artista intui relações muito mais vigorosas do que as que surgem no espaço resguardado, domesticado ao redor da mesa, em frente ao computador, onde só alguns dos sentidos estão operando. Nos imprevistos que marcam qualquer viagem investigativa, no corpo suado e encharcado do artista-expedicionário, reside a possibilidade de romper com as formas viciadas e domesticadas que a narrativa cinematográfica foi sedimentada. E, assim novamente descobrir a sua potencia de impacto, de expressão que remove as vísceras e principalmente os pensamentos. Hoje, estamos lançados numa realidade cada vez mais multifacetada, contraditória e repleta de aparências enganosas [...]. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Foto da série Poussière d’étoiles (Pó de Estrela) – dançarinos na lente do fotógrafo francês Ludovic Florent.

Veja mais sobre:
Além da entrega mais que tardia, Papoulas de julho de Sylvia Plath, Literatura de vanguarda de Guillermo de Torre, a pintura de Artemísia Gentileschi & Tom Wesselmann, a música de Sky Ferreira, a arte de Jean Cocteau & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Caraminholas do miolo de pote, Escritos de Guillaume Apollinaire, O homem pós-orgânico de Paula Sibilia, a literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Diamanda Galás, a pintura de Marie Fox, a fotografia de Jim Duvall & a arte de Luciah Lopez aqui.
O sábado é dia de amor & poesia aqui & aqui.
Fecamepa, Gestalt-Terapia de Friederich Perls, Novelas de La Fontaine, As rosas do cume de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada & Procópio Ferreira, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
O trâmite da solidão, O espectro da fome de Josué de Castro, a pintura de Mercedes Sosa, A Ilíada de Homero, Ana Botafogo In Concert, Conversação noturna & Martha Angerich, a pintura de Tamara de Lempicka, a arte de Eliezer Augusto & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Doro & a copa do mundo, Fritz Perls, Procópio Ferreira, a música de Moraes Moreira & Programa Tataritaritatá aqui.
Blitz-krieg do Mineirão, Manuel Bandeira, a arte de Ana Botafogo & a música de Mercedes Sosa aqui.
A Filosofia & História das calamidades de Abelardo, Nara Salles, Projeto Carmin & Cruor Arte Contemporânea aqui.
A provocação aguda da paixão aqui.
A mulher, Lei Maria da Penha, Ginocracia & Daby Palmeira aqui.
A donzela arrevesada de Hermilo Borba Filho, a poesia matuta de Rubão, Dr. Zé Gulu & papos do Doro aqui.
O romance do pavão misterioso de João Melchiades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Pechisbeque, 1984 de George Orwell, Legado & grito de Renata Pallottini, As casadas solteiras de Martins Pena, A realidade das coisas de Tales de Mileto, a música de Bach & João Carlos Martins, País de Cucanha, o cinema de Sidney Lumet & Sophia Loren, a arte de Antoni Gaudí, a pintura de Theo Tobiasse & Jean-Jacques Henner aqui.
Quando não é na entrada é na saída, O autor como produtor de Walter Benjamin, Fronteiriços de Anna Bella Geiger, Linquistica & Estilo, Carna, a música de Andrea dos Guimarães, Antologia pornográfica de Gregório de Matos & Alexei Bueno, Wunderblogs, a arte de Gilvan Samico & Matéria Incógnita aqui.
Crônica de amor por ela, a pintura de Pablo Picasso, a música de Roberto Carnevale, a fotografia de Claudia Andujar, Teoria da Literatura de Rogel Samuel, Os 120 dias de Sodoma de Marquês de Sade, a poesia de Ana Cristina César, o cinema de Chris Wilkinson & Linda Marlowe & a arte de Lygia Pape aqui.
Betúlia, a belezura e os restos nos confins do mundo, Evolução e sentido do teatro de Francis Fergusson, Porto Calendário de Osório Alves de Castro, Kadish de Allen Ginsberg, a fotografia de Claudia Andujar, a pintura de Federico Beltrán Massés & Fayga Ostrower, a música de Consuelo de Paula & Iemanjá, Mãe D’Água de Petrolina - PE aqui
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude woman reading, do artista plástico estadunidense Howard Chandler (1873-1952).
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