sexta-feira, setembro 30, 2016

MARGUERITE DURAS, NIETZSCHE, STANISLAW PONTE PRETA, LENORA DE BARROS, MIRIAM RAMOS, LUCKESI, ED FREEMAN, LUCIAH & CORRUPÇÃO


INEDITORIAL: QUEM, NUNCA APRENDEU A DISCERNIR ENTRE O QUE É E O QUE NÃO É, JAMAIS APRENDERÁ A VOTAR! - Salve, salve, gentamiga do meu Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada! Sei que ninguém está nem aí – pudera, de repente o Brasil virou mais de pernas pro ar do que sempre esteve -, mas devo dizer que daqui mais um dia, a gente tem a obrigação de votar. Ih! Gostando ou não, eu vou. Sei também que ninguém confia mais nos políticos, na justiça, na polícia, nos gestores públicos, nas notícias da imprensa, em autoridade alguma. Também sei que de certeza a gente só tem duas: a primeira é que quando a coisa é pro nosso lado, ah, a lei é inexorável: ou vai, ou racha. Bota pra lascar! A gente que se vire pra sair da enrascada, só penando; e quando é direito da gente, ou é adiado até nunca mais, ou está faltando, ou prescreveu. É danado mesmo: quando vem não tem nem mais graça. A segunda é que a gente só vê neguinho se arrumando, aprontando, burlando e desmandando, avançando sinal, ultrapassando pela direita, enricando da noite pro dia, pintando e bordando e, depois de CPIs, das ações da polícia federal e dos intermináveis e milionários recursos jurídicos, sai mangando da gente por sermos bestas de cumprir as leis e de trilhar como manda o figurino. Pois é, pro lado da gente qualquer metidozinho fulustreco é autoridade prepotente. Porém – e ainda tem contudo, todavia, entretanto -, tudo isso é culpa da gente mesmo: a gente só sabe reclamar às escondidas da desconfiança geral. Então, tudo isso ocorre porque a gente não tem coragem de encarar a bronca de frente e exigir o cumprimento d tanto de lei que fabricam todo dia. A gente fica só: pra que tanta lei se, apesar da compulsoriedade, jamais será cumprida por todos! Só pelos bestas que andam na linha e correm o risco até do trem pegar. Como a democracia é uma promessa não cumprida montada na dissensão, a gente tem mesmo é que participar das broncas das nossas ruas, dos nossos bairros, da nossa cidade, do nosso estado, do nosso país. É exatamente pela falta da nossa participação que fazem do que fazem. E não vamos votar só por votar, mas com consciência! Entendeu ou quer que desenhe? Se não deu ou não tem dado certo, um dia a gente acerta! E só acerta quem tenta e erra. Enquanto isso, vamos pras novidades do dia: O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil, o conhecimento da Filosofia da Educação de Cipriano Luckesi, a literatura de Marguerite Duras & de Stanislaw Ponte Preta, a música do piano brasileiro de Miriam Ramos, a arte visual de Lenora de Barros, a gaia ciência de Nietzsche, a fotografia de Ed Freeman, o evento das Pensadoras – as grandes mulheres filósofas da história, a croniqueta O amor é tudo no clarão dos dias e na escuridão das noites e a arte & a poesia de Luciah Lopez. No mais, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.

Veja mais sobre
Brincar com arte, Johan Huizinga, Cecília Meireles, Ziraldo, Fernando Botero, Teatro Infantil & Literatura Infantil aqui.

E mais:
Proezas do Biritoaldo: quando Cupido acerta no alesado, Deus faz, o diabo ajunta aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Tolinho deu uma de bundão e quase bate as botas aqui.
Fceamepa: dando uns pulos que ninguém é quadrado aqui.
Crônicas Natalinas aqui.
Râmana Mahârshi, Raimundo Carrero, Bardesanes, Rainer Werner Fassbinder, Elisa Fukuda, Hanna Schygulla, Sustentabilidade & Direito Tributário aqui.

DESTAQUE:
[...] Todos têm o direito de desfrutar de forma equitativa das contribuições que fazem aos cofres públicos. Os recursos públicos devem ser utilizados para o desenvolvimento das comunidades, e não para o enriquecimento de uns poucos. [...] O acompanhamento e supervisão permanentes da conduta dos administradores públicos é uma forma essencial de controlar a corrupção. Para isso, é necessário informação [...] O exercício da cidadania pressupõe indivíduos que participem da vida comunitária. Organizados para alcançar o desenvolvimento da comunidade onde vivem, devem exigir comportamento ético dos poderes constituídos e eficiência nos serviços públicos. Um dos direitos mais importantes do cidadão é o de não ser vítima da corrupção. De qualquer modo que se apresente, a corrupção é um dos grandes males que afetam o poder público, principalmente o municipal. Ela também pode ser apontada como uma das cauãs decisivas da carência e da pobreza das cidades, dos estados e do país. A corrupção corrói a dignidade do cidadão, contamina os indivíduos, deteriora o convívio social, arruína os serviços públicos e compromete a vida das gerações atuais e futuras. O desvio de recursos públicos não só prejudica os serviços urbanos, como leva ao abandono de obras indispensáveis às cidades e ao país. Ao mesmo tempo, atrai a ganância e estimula a formação de quadrilhas que evoluem para o crime organizado, o tráfico de drogas, e de armas, provocam a violência em todos os setores da cidade. Um tipo de delito atrai o outro, que quase sempre estão associados. Além disso, investidores sérios afastam-se de cidades e regiões onde vigoram práticas de corrupção e descontrole administrativo. Os efeitos da corrupção são perceptíveis na carência de verbas para obras públicas e para a manutenção dos serviços da cidade, o que dificulta a circulação de recursos e a geração de novos empregos e novas riquezas. Os corruptos drenam os recursos da comunidade, uma vez que tendem a aplicar o grosso do dinheiro desviado longe dos locais dos delitos para se esconderem da fiscalização e da justiça e dos olhos da população. A corrupção afeta a qualidade da educação e da assistência aos estudantes, pois os desvios subtraem recursos da merenda e do material escolar, desmotivam os professores, prejudicam o desenvolvimento intelectual e cultural das crianças e as condenam a uma vida com menos perspectivas de futuro. A corrupção também subtrai verbas da saúde, comprometendo diretamente o bem estar dos cidadãos. Impede as pessoas de ter acesso ao tratamento de doenças que poderiam ser facilmente curadas, encurtando suas vidas. O desvio de recursos públicos condena a nação ao subdesenvolvimento econômico crônico. Por isso, o combate à corrupção nas administrações públicas deve estar constantemente na pauta das pessoas que se preocupam com o desenvolvimento social e sonham com um país melhor para seus filhos e netos. Os que compartilham da corrupção, ativa ou passivamente, e os que dela tiram algum tipo de proveito, devem ser responsabilizados. Não só em termos civis e criminais, mas também eticamente, pois eles procuram fazer com que a corrupção seja aceita como fato natural no dia-a-dia da vida pública e admitida como algo normal no cotidiano da sociedade. É inaceitável que a corrupção possa ter espaço na cultura nacional. O combate às numerosas modalidades de desvio de recursos públicos deve, portanto, constituir-se em compromisso de todos os cidadãos e grupos organizados que queiram construir uma sociedade justa e equilibrada. Devemos isso aos nossos filhos. [...].
Trechos extraídos da obra O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil (Ateliê, 2004), Antoninho Marmo Trevisan, Antonio Chizzotti, João Alberto Ianhez, José Chizzotti e Josmar Verillo. Veja mais aqui e aqui.

O AMOR É TUDO NO CLARÃO DOS DIAS E NA ESCURIDÃO DAS NOITES (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez). - A vida é plena na claridade dos seus olhos amantes e eu sou mas que fascínio feito um deus menino agraciado com a soberania sobre todas as coisas. E sou-lhe grato a recolher cada mínimo reflexo do seu áureo olhar, cada gesto tímido de suas portas entreabertas, para viver a cada instante a plenitude de sua existência mágica para satisfação dos meus mais requerentes apelos. E revivo o cheiro de sua boca viçosa a exalar os seus incensos na doçura da noite e no manjar do dia ,para que eu seja íntegro senhor de todos os seus domínios. E me aposso e tomo conta diligente de tudo que emana de sua divina compleição, a dar-me as sete chaves do seu coração imenso e o supremo refúgio de suas mãos magnéticas com todos os seus poderes. Sou rei no seu reinado e usufruo da delicadeza de sua carne báquica, opulenta, radiante e fecunda que transborda nos seus seios florescentes, para que eu seja mais que reinante da sua auréola miraculosa na graça do seu torso inteiriço, no feitiço do seu sexo inflado, na magistral beleza que o seu corpo encerra na convulsão dos sentimentos que se agitam indômitos no ventre dos desejos latentes e que palpita, ondula, ondeia, aguda maré cheia na dócil paixão de quem ama, na graça miraculosa da embriaguez do vício de amar. E eu à mancheia peço bis e a monja bela vai sorrindo e de mãos juntas e espalmadas se eleva diante do meu semblante e recresce no seu poder extremo com todas as suas amplidões infinitas, para que as minhas emoções profanas se sacralizem na sua majestade com a minha reverência penitente de governar a glória do seu amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

UMA MÚSICA
 Curtindo o álbum duplo Piano brasileiro: 70 anos de história (Paulus, 2003), da pianista Miriam Ramos, interpretando Villa-Lobos, Marlos Nobre, Almeida Prado, Ernesto Nazareth, Alberto Nepomuceno, Francisco Mignone, entre outros compositores brasileiros.

PESQUISA: O CONHECIMENTO - [...] O conhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire através de sua confrontação com essa mesma realidade. Ou seja, a realidade exterior adquire, no interior do ser humano, uma forma abstrata pensada, que lhe permite saber e dizer o que essa realidade é. A realidade, através do conhecimento, deixa de ser uma incógnita, uma coisa opaca, para se tornar algo compreendido, translúcido. [...] o conhecimento pode ser entendido, sim, como aquilo que adquirimos nos livros, nas aulas e anãs conversa, mas com o objetivo de alcançar entendimento da realidade. O que está em primeiro lugar, o que está na raiz do conhecimento, é a elucidação da realidade e não a retenção de informações contidas nos livros. Essas informações deverão ser auxiliares no entendimento da realidade; contudo, elas por si mesmas não são o conhecimento que cada sujeito humano, em particular, tem da realidade. É preciso utilizar-se das informações de maneira intelectualmente ativa, para que se transformem em efetivo entendimento do mundo exterior. [...] O conhecimento, em síntese, é uma forma de entendimento da realidade. Muitas vezes, o conhecimento é confundido com o processo de decorar informação dos livros, para a seguir, repeti-la em provas escolares ou em provas de seleção. Isso não é conhecimento. Isso é memorização de informação, sem saber o que, de fato, essa informação significa. [...] Conhecimento, no verdadeiro sentido do termo, é aquele que possibilita uma efetiva compreensão da realidade, de tal forma permite agir com adequação. Trecho extraído da obra Filosofia da educação (Cortez, 1994), do filósofo, escritor, professor e psicoterapeuta Cipriano Carlos Luckesi, tratando acerca da filosofia da educação e sua relação com a pedagogia, sociedade, tendências pedagógicas na prática escolar, perspectiva para a escola como instancia de mediação pedagógica, senso comum pedagógico e postura crítica na prática docente escolar, os sujeitos do processo educativo, métodos e procedimentos de ensino, o conhecimento e elucidações conceituais e procedimentos metodológicos, conteúdos de ensino e material didático, da pedagogia à prática docente, entre outros assuntos.

UMA LEITURA:
 [...] Não imaginava que aquele dia contaria em sua vida como o dia em que, pela primeira vez, sozinha, aos dezessete anos, ela iria à descoberta de uma grande cidade colonial. Não sabia que uma ordem rigorosa reinava ali e que as categorias de seus habitantes são tão diferenciadas que se fica perdido se não for possível encontrar-se em uma delas. [...].
Trecho do romance Barragem contra o Pacífico (ARX, 2003), da escritora, dramaturga, roteirista e diretora de cinema Marguerite Duras (1914-1996), contando a história de uma mãe viúva e obstinada lutando para manter seus filhos, sonhos e mundo, adaptada para o cinema em 2008, com direção de Rithy Panh. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA: VAMOS ACABAR COM ESTA FOLGA! – O negócio aconteceu num café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, português, franceses, argelinos, alemães, o diabo. De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou: — Isso é comigo? — Pode ser com você também — respondeu o alemão. Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos. O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros: — Isso é comigo? O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro. Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros. Crônica extraída da obra Tia Zulmira e eu (Autor, 1961), do mestre da crônica e do humor Sérgio Porto (1923-1968) sob a identificação do magistral Stanislaw Ponte Preta. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

UMA IMAGEM:
Procuro-me (2004), projeto da artista visual e poeta Lenora de Barros, com cartazes que foram colados em diversos locais, enquanto a artista gravava vídeos com a reação das pessoas. Ela utiliza em suas obras diversos recursos com fotografia, vídeo e instalação.

AGENDA: AS PENSADORAS – AS GRANDES MULHERES FILÓSOFAS DA HISTÓRIA – O curso As pensadoras: as grandes mulheres filósofas da história, prosseguirá no próximo dia 19/10, das 17 às 19hs, no auditório do prédio Íris III – do curso de Direito do Centro Universitário Cesmac -, sobre o tema As mães da igreja e pensadoras cristãs medievais, ministrado pelo professor e coordenador do grupo Álvaro Queiroz. Veja mais aqui e aqui.

A GAIA CIÊNCIA
[...] No fundo, desgostam-me todas aquelas morais que dizem: “Não faças isso! Renuncia! Supera-te!” – gosto, ao contrário, daquelas morais que me incitam a fazer algo e a fazê-lo de novo e de manhã até a tarde e à noite sonhar com isso, e não pensar em mais nada, a não ser: fazê-lo bem, tão bem quanto só é possível justamente a mim! [...] Mas não quero, de olhos abertos, lutar por meu empobrecimento, não gosto de todas as virtudes negativas – virtudes cuja essência é o próprio negar e renunciar a si.
Ao fazermos, deixamos, trecho extraído do Livro IV, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Sou altar dos teus sacrifícios vagina em plena geometria onde o suor do teu corpo jorra o esperma da tua verdade Sou a pia batismal o livramento dos teus pecados a renascer-te___ homem no vértice e na flor Sou a oração e a saudade a dor e o prazer a revigorar o teu pênis na oração e na tua infinita presença para sempre em mim.
Sou, poema/fotos da da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra com a arte do fotógrafo estadunidense Ed Freeman.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.
 

quinta-feira, setembro 29, 2016

EINSTEIN, IMRE KERTÉSZ, NIETZSCHE, SAVIANI, MANUEL DIÉGUES, EVELYN HAMILTON, CIDA DEMARCHI & EUSTÁQUIO NEVES


INEDITORIAL: QUANDO A POLUIÇÃO TORNA O AR IRRESPIRÁVEL, A VIDA VAI PRO BELELEU! – Salve, salve, gentamiga! As últimas não são lá nada alvissareiras! O alarme dado pela Organização Mundial da Saúde de que nove entre dez habitantes do planeta convivem em ambientes de alta poluição, causados pelo consumo de combustíveis dos motores da indústria, dos veículos e das termoelétricas, foi bastante aterrador. Nossa, alarme desse não é pra deixar passar em branco! E, pelo visto, as providências necessárias viraram necas de pitibiriba. Só ouvidos de moucos. Confesso, deveras, meu desapontamento com a indiferença de todos diante de tal fato. Estamos cada vez mais anestesiados pela insaciável voracidade do consumo e do dinheiro, fechados na redoma do umbigocentrismo, nem se dando conta de que não é só com os outros que acontecem as coisas ruins: o enterro também volta pra nossa banda. E quando o funesto nos envolve, não vai adiantar ficar perguntando o que foi que fez, porque todos nós somos responsáveis pelo adoecimento e, consequentemente, pelo apodrecimento do nosso planeta. Gente, está na hora da gente abrir o olho de verdade! Dito isto, vamos pras novidades: na edição de hoje o pacifismo ativo de Albert Einstein, a diversidade cultural de Manuel Diégues Júnior, a literatura de Imre Kertész, a gaia ciência de Nietzsche, o Setembro Amarelo de Prevenção ao Suicídio, a educação de Dermeval Saviani, a fotografia de Eustáquio Neves e Cida Demarchi, a pintura de Evelyn Hamilton, a croniqueta com os erradios catimbós de Afredo e a música de Mafalda Veiga. No mais, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.

Veja mais sobre
Educação por água abaixo, Miguel de Unamuno, Miguel de Cervantes y Saavedra, Vitsentzos Kornaros, Plinio Marcos, Michelangelo Antonioni, Michelangelo Merisi da Caravaggio, Márcio Montarroyos, Bernard Picart, Monica Vitti, Anita Ekberg, Literatura Infantil aqui.

E mais:
Ciranda, Carlos Fuentes, Daniel Defoe, Margaret Edson, Martin Luther King, Érica García, Robin Wright, Walasse Ting, Toponímia Pernambucana, Análise Literária & Zine Tataritaritatá aqui.
As croniquetas do Tataritaritatá aqui.
As noveletas do Tataritaritatá aqui.
O existencialismo de Jean-Paul Sartre aqui.
Uma vez na gruta do céu, Platão, Manuel Vásquez Montalbán, Amos Gitai, Roberta Sá, Brad Fraser Bruno Steinbach, Sexualidade Humana, Yael Abecassis, Zine Tataritaritatá & Benvinda Palma aqui.

DESTAQUE:
Considero-me muito feliz por assistir a esta grande manifestação pacifista, organizada pelo povo flamengo. Pessoalmente sinto necessidade de falar diante de todos os que aqui participam, em nome daqueles que pensam como os senhores e têm as mesmas angústias diante do futuro: “Nós nos sentimos profundamente unidos aos senhores nestes momentos de recolhimento e de tomada de consciência.” Não temos o direito de mentir a nós mesmos. A melhoria das condições humanas atuais, constrangedoras e desesperadoras, não pode ser imaginada como possível sem terríveis conflitos. Porque o pequeno número de pessoas decididas aos meios radicais pesa pouco diante da massa dos hesitantes e dos recuperados.* E o poder das pessoas diretamente interessadas na manutenção da máquina da guerra continua considerável. Não recuarão diante de nenhum processo para obrigar a opinião pública a se dobrar diante de suas exigências criminosas. Segundo todas as aparências, os estadistas atualmente no poder têm por objetivo estabelecer de modo duradouro uma paz sólida. Mas o incessante aumento das armas prova claramente que estes estadistas não têm peso diante das potências criminosas que só querem preparar a guerra. Continuo inabalável neste ponto: a solução está no povo, somente no povo. Se os povos quiserem escapar da escravidão abjeta do serviço militar, têm de se pronunciar categoricamente pelo desarmamento geral. Enquanto existirem exércitos, cada conflito delicado se arrisca a levar à guerra. Um pacifismo que só ataque as políticas de armas dos Estados é impotente e permanece impotente. Que os povos compreendam! Que se manifeste sua consciência! Assim galgaríamos nova etapa no progresso dos povos entre si e nos recordaríamos do quanto a guerra foi a incompreensível loucura de nossos antepassados!
Pacifismo ativo, extraído da obra Como vejo o mundo (Nova Fronteira, 1981), do físico, cientista e escritor alemão Albert Einstein (1879-1955). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

OS ERRADIOS CATIMBÓS DE AFREDO – Afredo não toma jeito! De tanto levar cipoada na vida, findou aprendendo uns bruxedos recolhidos duns livros escondidos da Mãe Zefa – diga-se de passagem, se tratar duma senhora do bem -, mas ele queria era aprender umas coisas de magia negra pra se vingar dos abusadores de sua boa vontade. Escondido dela, ele catou umas feitiçarias pra castigar seus desafetos e começou escrevendo nomes e mais nomes de gente, recortando direitinho e sacudindo todos à marra na boca de um sapo cururu de estimação. Depois ele armou-se de linha e agulha, costurou a boca do batráquio e ficou esperando a má sina pras bandas dos destinatários. Aí, enquanto a coisa se desenrolava, ele viu o Doro que ia passando e resolveu pedir-lhe dinheiro emprestado, já avisando que se ele não arrumasse, ia fazer um vodu da peste na vida dele. Oxe, isso é coisa de besta – disse o Doro -, tá feito mulherzinha, coisa de feitiçaria é pra mulher! Ingicou-se Afredo e zangado com o dá ou não dá, Doro alegando estar desprevenido o que levou o solicitante a sapecar um destá, você vai ver com quantos paus se faz uma canoa. E saiu injuriado largando ofensas aos ventos, quando encontrou Zé Corninho e fez o mesmo pedido, ao que o solicitado prometeu que se passasse amanhã de tarde depois que ele recebesse o salário no banco, ele arranjava. Afredo exultou, só faltou beijar os pés do Zé e acertou tudo para a tarde seguinte. Enquanto isso ele aprontou um trabalho pesado pro Doro, com todas as cargas malfazejas que pode arrancar de si e do mundo, catado a dedo dos alfarrábios da Mãe Zefa, juntou tudo e sapecou maleita braba pras bandas dele. Agora sim, dizia ele pra si, quero ver o Doro se sustentar em pé depois dessa! Eu sou a gota! E ficou só esperando a queda do excomungado. Eis que no dia seguinte, na hora aprazada, cadê Zé Corninho que não aparecia! Zanzou que só atrás do sortudo, nada dele dar as caras. Será que foi lesado de novo? Não podia, ele havia prometido. E saiu gastando solado e enchendo a rua de pernas, quando teve a notícia de que ele fora acometido de uma braba enfermidade, estando internado na UTI do hospital, entre a vida e a morte. Valei-me. Ele ficou quase chorando, o seu salvador, na horagá, estava pra bater as botas e ir pro saco de vez. Falta de sorte a dele. Aperreou-se, cagou raios e quase tem um troço. Peraí. Afredo ficou matutando: será que errei o alvo? A constatação chegou na hora quando viu o Doro bonzinho da silva e, pelo jeito, radiante e arrotando saúde. Danou-se! Foi se certificar, realmente, Zé Corninho estava na UTI entre a vida e a morte com uma doença desconhecida pros conhecimentos médicos. Vixe, santa! Errei o alvo, reclamou desalentado Afredo, de novo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

UMA MÚSICA
 Curtindo o álbum Mafalda Veiga ao vivo (2000), da cantautora e escritora portuguesa Mafalda Veiga.


PESQUISA: A PLURALIDADE CULTURAL DO BRASIL - [...] Num país como o nosso, em que a ampla extensão territorial é enriquecida pela diversidade de condições geográficas – e especial fisiográficas – é claro que a caracterização de regiões culturais constitui de partida fundamental para certos estudos, sobretudo para compreensão das diversidades culturais de hoje – e quase diria: pluralidade cultural – lastreado embora em unidade comum assegurada pela cultura portuguesa. Daí a importância de estudos regionais, não exclusivamente no sentido em que o compreendemos entre nós – monografias sobre Estados ou sobre áreas, ou ainda sobre aspectos peculiares dessa ou daquela unidade federada ou desse ou daquele município – mas ainda,e sobretudo, no sentido de estudos para compreensão e entendimento dos fenômenos brasileiros, da diversificação de técnicas a serem utilizadas, da diferença de situações que decorrem, em grande parte, de estilos de vida peculiares mantidos nas diversas regiões e, às vezes mesmo, em subáreas ou sub-regiões. [...]. Trecho extraído da obra Regiões culturais do Brasil (CBPE/INEP, 1960), do antropólogo, sociólogo, jurista e folclorista Manuel Diégues Júnior (1912-1991), tratando acerca da diversidade cultural do Brasil, as variadas culturas denominadas pelo autor de subsistemas culturais da cultura brasileira. Veja mais aqui.

UMA LEITURA: A LÍNGUA EXILADA
[...] Examinei essas fotografias espantado. Vi mulheres belas e sorridentes e jovens de olhos inteligentes, todos bem-intencionados, ansiosos por colaborar. Agora compreendo por que e como aqueles vinte minutos humilhantes de inação e impotência se apagaram de suas memórias. Quando pensei como tudo isso se repetiu da mesma forma durante dias, semanas, meses e anos a fio, tive a percepção do mecanismo do terror, descobri como foi possível voltar a natureza humana contra a vida do homem. Assim, prossegui, passo a passo, no caminho linear de descoberta; esse foi o meu método heurístico, se quiserem. Cedo descobri que não me interessava nem um pouco para quem e por que escrevia. Uma única questão me interessava: o que ainda tinha eu a ver com a literatura? Pois para mim era claro que uma linha intransponível me separava da literatura e dos ideais, do espírito associado ao conceito de literatura, e o nome dessa linha demarcatória - como o de muitas outras coisas - era Auschwitz. Quando escrevemos sobre Auschwitz, devemos considerar que Auschwitz - ao menos num certo sentido - suspendeu a literatura. Seria possível escrever um romance macabro sobre Auschwitz ou - perdoem a expressão - um seriado barato que começaria em Auschwitz e ainda duraria até os dias de hoje. O que significa que não aconteceu nada desde Auschwitz que a tivesse negado ou refutado. Nos meus escritos, o Holocausto nunca apareceu no passado. [...] sinto que o odor da submissão que exalo pode ser sentido à distância. Quem foi humilhado uma vez será humilhado sempre; quem é humilhado em casa é humilhado no exterior, texto meus axiomas. [...] A sombra da Hungria projeta-se sobre mim sempre, em todo lugar [...] envolvo-me nela obstinado, como se me cobrisse espontaneamente.
Trecho extraído da obra A língua exilada (Companhia das Letras, 2004), do escritor húngaro Imre Kertész (1929-2016), premio Nobel de Literatura de 2002 e judeu sobrevivente do holocausto.

PENSAMENTO DO DIA: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA - [...] Esperava-se que estendendo a escola para todos poder-se-ia alcançar a democracia, ou seja, a escolarização seria a base para a democracia burguesa. Na medida em que a burguesia se tornou classe dominante, ela elaborou seu projeto, organizando um sistema de ensino em nível nacional, visando com isto que, através da alfabetização, através da instrução, o povo fosse esclarecido e, tendo sido esclarecido, pudesse tomar decisões mais corretas e soubesse escolher melhor os seus governantes, contribuindo para a formação de uma democracia consistente: a democracia enquanto "governo do povo, pelo povo e para o povo". O que ocorreu, com a evolução histórica, foi que esse projeto - um projeto da própria classe dominante, que organizou a educação enquanto sistema escolar a partir da concepção de que a escola é direito de todos, devendo, portanto, ser estendida a todos - o que se constatou foi a não obtenção do resultado esperado. Quer dizer, apesar de alfabetizados, apesar de instruídos, os elementos do povo não escolhiam bem os seus governantes. [...] Na medida em que descobre que a educação é um fenômeno condicionado, determinado pelo modo de produção, pela estrutura da sociedade, pela correlação de forças, pelo controle político exercido através da dominação e hegemonia, esboroa-se toda aquela ilusão de poder. Aqui, admito, há o risco de se passar de um otimismo ingênuo para um pessimismo, no meu modo de ver, igualmente ingênuo, acreditando-se, agora, que a determinação da sociedade (leia-se classe dominante) é tal que retira da educação toda e qualquer chance de contribuir positivamente para a transformação da sociedade. Retomando-se as considerações que fiz no final da palestra (a consciência dos condicionantes objetivos ao mesmo tempo que destrói o poder fictício, constrói um poder efetivo) creio ser possível superar seja o otimismo ingênuo, seja o pessimismo ingênuo, em direção àquilo que eu chamaria, na falta de uma expressão melhor, entusiasmo crítico. Trecho extraído da obra Educação: do senso comum à consciência filosófica (Autores Associados, 1996),do filósofo e pedagogo Dermeval Saviani. Veja mais aqui.

UMA IMAGEM:
A arte do fotógrafo Eustáquio Neves.

AGENDA: SETEMBRO AMARELO – A coordenadora do Grupo de Pesquisa Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, professora Janne Eyre Melo Sarmento de Araujo, participará com o tema Epidemiologia do suicídio em Maceió, no evento Setembro Amarelo: Mês Internacional de Prevenção em Suicídio, que se realizará nesta quinta feira, a partir das 18:30hs, no auditório do curso de Direito do Centro Universitário Cesmac, numa promoção do curso de Psicologia. Na ocasião também participarão os professores Franklin Bezerra e Liércio Pinheiro com a temática Suicídio e Psicopatologia, o professor Claudio Jorge Gomes com a temática Aspectos psicossociais do suicídio; e o professor Manoel Henrique com a temática Suicídio e Espiritualidade. A coordenação dos trabalhos será realizada pelo professor Lamartine Vasconcellos. Veja mais aqui e aqui.

A GAIA CIÊNCIA

 [...] Como é difícil viver, quando se sente o juízo de muitos milênios contra si e em torno de si! É provável que por muitos milênios o conhecimento esteve impregnado de má consciência e que muito desprezo própria e secreta miséria há de ter entrado na historia dos maiores espíritos.
A reputação firmada, trecho extraído do Livro IV, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica estadunidense Evelyn Hamilton.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra com A moça, da fotógrafa Cida Demarchi.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.