quarta-feira, janeiro 15, 2020

VIVIANE MOSÉ, CASTRO ALVES & EUGÉNIA, LIANA BLACKBURN, THAÍS GOMEZ, LENDA DA MANDIOCA & ARTE DE PERNAMBUCO


AS ESPUMAS FLUTUANTES DE EUGÊNIA - Ainda uma vez, depois de tantos versos olvidados, valho-me de mais esta carta. Endereçada está à mulher do meu amor, sim, era ela, uma estrela transformada em mulher, aquela que dizia aos quatro cantos que encontrara o amor em mim e comigo, se dizendo endoidecida por isso, e era a mais linda e sensual história de amor. Era ela a estrela d’alva que rasgou o céu com o sorriso mais encantador, rompeu a estátua do glamour e tornou-se vedado paraíso no palco do Santa Isabel, o país do meu sonho. Era ela a fascinante Baronesa do Almourol no drama de Abel, a beleza de uma Vênus grega, a ardente mística Safo, o talento fulgurante da Dama Negra e o voo do gênio: o leito delirante no templo da paixão. Era ela a atriz de má vida com as suas indecisões e recuos, a quem dediquei o Meu Segredo. Isso tudo era ela e muito mais, aquela que Infante fidalga da genealogia de séculos, gostava dos elogios, fugia do silêncio e da solidão com sua aura magnética de grande vitalidade, imaginação criadora exaltada e capacidade realizadora inestimável. Era ela tudo, os seus esboços poéticos e dotes artísticos, espirituosa, irrequieta, intensa, impetuosa na nossa lua-de-mel, quando pertencíamos um ao outro, eu era seu, ela era minha, a viva paixão, o desvario no encanto dos momentos desse arrebatado amor, o maior amor da minha vida, o nosso louco e atribulado amor com constantes desavenças, brigas, mágoas, precárias reconciliações. Era ela, o mesmo riso que amei, a mesma por quem morria, uma perda irreparável junto a tantas outras, porque ela chorou magoada e mentirosa, mergulhei na melancolia com uma punhalada de traidora. As mentiras de todos os dias, o embuste e as brigas por falsos ciúmes, ela se fazia, eu dei a minha vida e me abandonou quando eu mais precisava. A minha vida se foi com ela. O meu coração e toda minha poesia. Agora nas minhas noites de insônia, tamanho sofrimento, pesadelos, morro de frio com o peito em brasa, versos com o fogo da paixão. Apesar de tudo ela sempre foi a minha felicidade, mas não a dela; se assim era, prefiro o abismo, porque não tenho nem nunca tive nada, só o amor para dar. O sonho se quebrou, se partiu, rompeu. Perdida para sempre, não há mais razão para viver. Para quem foi extremo abrigo, agora fadário estranho, a desgraça de vê-la partir, sangro tanto, um chão deserto. Há muito perdoei porque nunca deixei de amar. Eu me consumi de amor, sem esperança declaro a morte no meu coração, a vida secou, não mais me possuo. Só eu sei o sofrimento das minhas muitas dores na vida abreviada: meus versos de sangue e fogo, silenciados e distantes, a chaga no peito, sepultado na dor dos meus olhos, o mais desgraçado dos dias, o amor me custou a vida. Eu me enganei, ela não era digna do meu amor. Se ela era a fatal serpente, sou acauã. Sim, mas ela me matou e a culpa é minha. Não consegui odiá-la, mesmo com toda humilhação, me basto a mim mesmo, é preciso morrer porque a minha vida está completa. O doido amor da carne, o drama apagou. Ainda uma vez, sim, a última, talvez, nesta derradeira ela brilha sobre o meu palco e saúdo, aplaudida, triunfante cerviz ovacionada com todos os troféus de todos os altares do universo. Apesar de tudo, estou feliz por ela. Por isso, esta carta está endereçada, sim, jamais será entregue, nem precisa. Não quero mais o amor, mas minha alma será sempre dela. Essa a eterna despedida na minha noite sombria. Vou para não mais voltar, até nunca mais. Assinado, o seu Cecéu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A modernidade nos deixou como herança um enorme desenvolvimento tecnológico, mas nos deixou também uma absurda crise social, ambiental, econômica, por isso desmorona em consequência de sua própria exaustão. [...] acreditar em um mundo possível e criá-lo é a tarefa, não de um homem, mais de uma cultura afirmativa, como penso ser a nossa. Nós, os sem lastro, muitas vezes sem condições mínimas de sobrevivência, estivemos, desde o princípio, condenados a criar. Acostumados ao sofrimento, nos tornamos fortes, resistentes, dotados de uma inteligência que insiste, sempre. Mas nossa criatividade, tipicamente brasileira, continua existindo apesar da escola, que nos ensina história da literatura antes mesmo de nos inserir no universo estético da escrita, do mesmo modo como iniciamos o estudo da gramática antes mesmo de termos consolidado a leitura. Síndrome dos subordinados que nasceram para decorar, repetir os gestos dos grandes, dos que pensam, dos filósofos, nós os pobres, os broncos. [...] Teus verdadeiros educadores, aqueles que te formarão, te revelarão o que são verdadeiramente o sentido original e a substância fundamental da tua essência, algo que resiste absolutamente a qualquer educação e a qualquer formação, qualquer coisa em todo caso de difícil acesso, como um feixe compacto e rígido: teus educadores não podem ser outra coisas e não teus libertadores. [...] educação é somente libertação, extirpação de todas as ervas daninhas, dos dejetos, dos vermes que querem atacar as tenras sementes das plantas, ela é efusão de luze calor, o murmúrio amistoso da chuva noturna; ela é limitação e adoração da natureza no que esta tem de maternal e misericordioso, ela consuma a natureza quando, conjurando os acessos impiedosos e cruéis, os faz levar a bom termo, quando lança o véu sobre suas intenções de madrasta e as manifestações de sua triste cegueira. [...]. Trechos extraídos da obra O homem que sabe: do homo sapiens à crise da razão (Civilização Brasileira, 2013), da poeta, filósofa, psicóloga e psicanalista capixaba, Viviane Mosé. Veja mais aqui & aqui.

O AMOR DE CASTRO ALVES & EUGÊNIA CÂMARA – Quis te odiar não pude. – Quis na terra / Encontrar outro amor. – Foi-me impossível. / Então bendisse a Deus que no meu peito / pôs o germe cruel de um mal terrível. / Sinto que vou morrer! Posso, portanto / A verdade dizer-te santa e nua: / Não quero mais o teu amor! Porem minh’alma / Aqui, além, mais longe, é sempre tua. O poeta Castro Alves (1847-1871) integrou a terceira geração romântica, começou sua produção aos dezesseis anos de idade, influenciado por Victor Hugo, Lord Byron, Musset, Heine e Lamartine. Ele apaixonou-se perdidamente pela atriz portuguesa Eugénia Câmara (1837-1874), que também era poeta, autora e tradutora de peças teatrais. Os amantes passaram a morar em uma rua no Barro, em Jaboatão, e ele compõe a peça Gonzaga para ela. A convivência de ambos marcada por brigas e ciúmes, até se separarem do drama passional. Ele fica abatido em profunda solidão. Em um acidente, tem a perna amputada e sofre com a tuberculose: "Corte-o, corte-o, doutor… Ficarei com menos matéria que o resto da humanidade". Movido pelo amor, escreve os versos do poema Adeus: "Adeus! P'ra sempre adeus! A voz dos ventos / Chama por mim batendo contra as fragas, / Eu vou partir... em breve o oceano / Vai lançar entre nós milhões de vagas...". O último encontro deles se deu em 31 de outubro de 1869, no Teatro Fênix Dramática. O romance está retratado no filme Vendaval maravilhoso (1949), de Leitão de Barros, contando a labareda das paixões no fragor de um vendaval, com a cantora Amália Rodrigues interpretando Eugênia. Desse filme, surgiu o livro Como eu vi Castro Alves e Eugênia Câmara no vendaval maravilhoso de suas vidas (Lisboa, 1949), de Leitão de Barros. Também o documentário Castro Alves – retrato falado do poeta (1999), do cineasta Silvio Tendler. Sua obra está reunida nos volumes Poesia completas de Castro Alves (2 volumes – Spiker, s/d), tendo, também, a relação do casal retratada na peça teatral O amor do soldado (1944-Record, 1981), e no volume A.B.C de Castro Alves: louvação (Record, 1980), ambos de Jorge Amado. Veja mais aqui e aqui.

A LENDA DE MANI
Em tempos idos, apareceu grávida a filha de um chefe selvagem, que residia nas imediações do lugar em que está hoje a cidade de Santarém. O chefe quis punir no autor da desonra de sua filha, a ofensa que sofrera seu orgulho e, para saber quem ele era, empregou debalde rogos, ameaças e por fim castigos severos. Tanto diante dos rogos como diante dos castigos a moça permaneceu inflexível, dizendo que nunca tinha tido relação com homem algum. O chefe tinha deliberado matá-la, quando lhe apareceu em sonho um homem branco, que lhe disse que não matasse a moça, por que ela efetivamente era inocente, e não tinha tido relação com homem. Passados os nove meses ela deu à luz uma menina lindíssima, e branca, causando este último fato a surpresa, não só da tribo, como das nações vizinhas, que vieram visitar a criança, para ver aquela nova e desconhecida raça. A criança, que teve o nome de Mani, e que andava e falava precocemente, morreu ao cabo de um ano, sem ter adoecido, e sem dar mostras de dor. Foi ela enterrada dentro da própria casa, descobrindo-se-a, e regando-se diariamente a sepultura, segundo o costume do povo. Ao cabo de algum tempo  brotou da cova uma planta que, por ser inteiramente desconhecida, deixaram de arrancar. Cresceu, floresceu, e deu frutos. Os pássaros que comeram os frutos se embriagaram, e este fenômeno, desconhecido dos índios, aumentou-lhes a superstição pela planta. A terra afinal fendeu-se; cavaram-na e julgaram reconhecer no fruto que encontraram o corpo de Mani. Comeram-no, e assim aprenderam a usar da mandioca.
MANI, A LENDA DA MANDIOCA - Extraída da obra O selvagem (Companhia Editora Nacional, 1935), do escritor, etnólogo e folclorista José Vieira Couto de Magalhães (1837-1898). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu achei que a vida mudava para repetir afirmações todos os dias, especialmente toda vez que sou confrontado com o “perfeccionista” dentro de mim, atrapalhando. Esta é a minha afirmação favorita de todos os tempos: "Estou completamente comprometida, mas desapegada". As pessoas precisam ter um espaço seguro para falar e serem ouvidas, precisam ser apoiadas e sua vulnerabilidade precisa ser bem-vinda como força! A aula sempre foi e ainda é sobre dançar com intenção, não para atenção!
LIANA BLACKBURN – A arte da coreógrafa, atriz, bailarina, professora e dançarina estadunidense Liana Blackburn, que atuou em diversos filmes, entre eles You (2009), Footloose: ritmo contagiante (2011) & Viva Laughlin (2007). Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
Imagem: arte de Thaís Gomez.
A poesia de Manuel Bandeira (1886-1968) aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura do escritor Raimundo Carrero aqui, aqui & aqui.
A música de Karina Buhr aqui & aqui.
As transfigurações do artista plástico Francisco de Almeida aqui.
Políticas de alimentação e nutrição de Bertoldo Kruse aqui.
O Pastoril do Rabeca aqui.
Direitos da População Indígena & Diversidade Religiosa – filme & curtas aqui.
&
O município de Agrestina aqui, aqui & aqui.
 

terça-feira, janeiro 14, 2020

FEYERABEND, EMILY GREENE BALCH, VIRGINIA BARATA MORAES, TATUAGEM, BELIATO & A ARTE PERNAMBUCANA


A PARTILHA DO BELIATO - Pois bem, passou o natal e, no outro dia, quando Beliato botou a cara na porta para encher a rua de pernas, deu de cara com um estranho: Bença, pai! Mal se virou, outro: Pai, porra, me dá 10 pilas aí, vai! Passou um pito e nem se avexou direito, esbarrou a venta noutro: Qualé, pai, vamos nessa? Ih! Um passo que desse lá vinha uma enfieira de supostos filhos: Pai, peraí! Passou sebo nas canelas, escondeu-se. Nada: E aí, pai! Vixe! Que é que é isso? Mais: Que foi, pai? Danou-se. Saiu arretado: Vão todos pra puta que os pariu! Eita! Dá não, véi, mãe tá esperando a grana da feira. Que porcaria é essa? Desenrola aí, meu, assim não dá, pai, ou dá ou desce! Fodeu! Foi aí que Beliato teve um troço e findou numa maca hospitalar. Quando abriu o olho, o enfermeiro: Pode ficar de boa, pai, deixei os outros todos lá fora, quarando no sol quente. Hem? Aí o médico: Esquente não, pai, dou um jeito neles. Agoniou-se e fingiu de morto. Adiantou nada, o pesadelo uma algaravia: Pai! Ô pai! Sai dessa, pai! Entrou em coma. Um zoadeiro danado lá dentro dele não lhe deixava em paz. E o capeta apareceu: Pai, agora é o acerto de contas! Como? Ué, tá esquecido é? Oxe! De repente, abriu os olhos e questionou-se: Será? Estou frito. Estava mesmo. O tinhoso lá: Vamos logo, pai! Arreda! Levantou-se meio amalucado, saiu da enfermaria e foi ganhando a rua, deparou-se com uma multidão: É pai! Calma lá! E deitou um papo para todos que um dia teve um sonho que na parede da casa onde morava havia uma botija. No outro dia, ele derrubou a parede e ela estava lá. Hoje tenho mais nada, estou pobre de Jó. Quem acredita? Essa a versão dele de como se aprumou na vida. Todo mundo sabia de outra coisa: um golpe numa ricaça. Dela, dois filhos: a filha, com ela no exterior; o filho, o mais velho, morava com ele: a menina dos seus olhos, o preferido dele. Pra ele: o único que deu certo. Nem era lá ouro dezoito. Ô pai, conta a história direito! Tenho mais nada não, estou liso. Segura a onda, véi! Verdade. Um urué botou lenha na fogueira: Ou divide tudo com a gente, ou a gente vai fazer tudo na marra! Segura a peneira, bedegueba! Tais pensando o quê? E a munheca rolou no pé do maluvido: uns contra os outros, todos contra todos. E Beliato lá se fingindo de morto. O velho morreu! Correram, socorreram. Segura a urupema na cabeça, véi! Lá estava ele de volta aos cuidados médicos e com o aloprado do lado: Adianta correr não, dessa você não escapa. Pronto. Lá fora a multidão no maior tiroteio entre a filharada, cada um dando por legítimo, todos se tratando por bastardos. E ele lá pulando fogueira, morre mas num morre. Anteciparam o velório, como não podiam fazer quarto ao defunto, ficaram de sentinela. Pensaram em matar uns bichos em oferenda à alma dele, com cânticos religiosos, excelências, glorificando seus feitos, velando. Lá pras tantas, se arretaram e começaram uma serração do véio: os bens, as posses, o que fosse, tudo serrado e partilhado igualmente entre eles. Beliato mais que morria: Tanta luta, meu Deus, para acabar nisso. Para quem era bem quisto por todos, a serração botou os podres dele para fora. Queimaram geral o filme dele. E isso juntou mais gente. O cafuçu no pé dele: Melhor se ajeitar comigo, pai! Ora, deixa disso! Você não tem saída. Isso é tudo um mal-entendido. Você que pensa. Aí ele arregou e deu uma de doido mesmo: saiu nu gritando umas coisas que ninguém entendia pela rua afora. Lá ia ele na frente e a multidão atrás. A cidade em peso viu aquele espetáculo e toda população espera até agora o retorno dele a qualquer momento. Pelo menos a mundiça em sua perseguição deixou todos em paz. Por enquanto. Que será mesmo de Beliato, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Para os que examinam o rico material fornecido pela história e não têm a intenção de empobrecê-lo a fim de agradar a seus baixos instintos, a seu anseio por segurança intelectual na forma de clareza, precisão, “objetividade” e “verdade”, ficará claro que há apenas um princípio que pode ser defendido em todas as circunstâncias e em todos os estágios do desenvolvimento humano. É o princípio de que tudo vale [...] Minha intenção não é substituir um conjunto de regras gerais por outro conjunto da mesma espécie: minha intenção, ao contrário, é convencer a leitora ou o leitor de que todas as metodologias, até mesmo as mais óbvias, têm seus limites. [...] O pluralismo de teorias e concepções metafísicas não é apenas importante para a metodologia; é, também, parte essencial de uma perspectiva humanitarista [...]. Trechos extraídos da obra Contra o método (UNESP, 2007), do filósofo e físico austríaco, Paul Feyerabend (1924-1994), considerando a partir da tese da incomensurabilidade que [...] Os professores que usam avaliações e o medo do fracasso moldam os cérebros dos jovens até que eles perdem toda a imaginação que algum dia poderiam ter. A minha intenção não é substituir um conjunto de regras gerais por outro conjunto semelhante. [...] O único princípio que não inibe o progresso é: tudo vale a pena. [...]. Veja mais aqui & aqui.

EMILY GREENE BALCH - Devemos aprender a conectar nossos ideais e deles, devemos aprender a trabalhem em conjunto com eles pela justiça, pelas condições humanas de vida, pela beleza e por verdade, não apenas liberdade formal. Clubes e aulas, bibliotecas e escolas, assentamentos e, sobretudo, movimentos em que diferentes classes de cidadãos se juntam para trazer melhorias específicas no governo ou nas condições de vida, são de valor infinito, pois conduzem a esse nível unidade, na qual podemos preservar toda diferença a que os homens se apegam com eles por justiça, por condições humanas de vida, por beleza e por verdade, não meramente liberdade formal. Uma proporção muito grande da paz a qualquer preço ou simpatizantes, indubitavelmente covardes físicos, e igualmente sem dúvida uma grande proporção de ultrapacifistas de hoje que defendem visões como as descritas no jornal, em defender a paz sem levar em conta à justiça, são realmente mais influenciados pela covardia física. Eles temem morte ou dor ou desconforto além de qualquer outra coisa e gostaria de esconder seu medo por trás palavras que soam altas. É natural tentar entender o tempo em que vivemos, encontrar e analisar as forças que o movem. A industrialização baseada em máquinas, como é referida como uma característica do nosso tempo, nada mais é do que um aspecto da revolução que está sendo forjada pela tecnologia. Na enumeração dessas tendências que formam um mundo novo, não devemos esquecer a evolução do pensamento religioso ou espiritual e o sentimento da humanidade, onde também sentimos uma forte tendência unificadora. Pensamento da socióloga, escritora, pacifista e sindicalista estadunidense Emily Greene Balch (1867-1961), que foi agraciada com o Nobel da Paz de 1946. Veja mais aqui.

TATUAGEM, DE HILTON LACERDA
As praxes do improvável, junto da epifania da desordem. Eles são iniciados pela insatisfação da domesticação do trabalho, do amor, e do capital simbólico.
TATUAGEM – O premiado drama Tatuagem (2013), com direção de Hilton Lacerda, conta uma história que se passa no ano de 1978, quando um grupo de artistas provoca a moral e os bons costumes pregado pela ditadura militar, ainda atuante mas demonstrando sinais de esgotamento. Num teatro/cabaré localizado entre duas cidades nordestinas, aconteciam os espetáculos da trupe, conhecida como Chão de Estrelas. A trupe apresenta os seus espetáculos de resistência politica com muito deboche, anarquia e subversão. É neste cenário que Paulete, a estrela do grupo, recebe a visita de seu cunhado militar, o jovem Fininha. É neste encontro de mundos, o militar com a ditadura, rigidez e atrocidades, e o mundo do cabaré e da arte do Chão de Estrelas, com sua subversão, alegria e homossexualidade, é no choque entre o encontro que cria uma marca que nos lança no futuro, como uma tatuagem. O filme serve para mostrar o quanto ainda persiste certa imaturidade intelectual nas discussões sociais e políticas travadas hoje em dia. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A Arte é a minha paixão
VIRGINIA BARATA MORAES – A arte da escultora, artesã, artista visual e restauradora de artes sacras, Maria Virginia Barata Moraes, reunindo seu acervo no seu espaço Art’Vivi Artes, Esculturas e Restauros, trabalhando com biscuit, cabaça, cestas, luminárias em PVC, oratórios, vasos, entre outras. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A música de Marlos Nobre aqui, aqui & aqui.
A poesia de Joaquim Cardozo aqui, aqui & aqui.
A literatura de Gilvan Lemos aqui, aqui & aqui.
A arte de J. Borges aqui, aqui & aqui.
As amizades & Assuntos pernambucanos de Barbosa Lima Sobrinho aqui e aqui.
Memória da cena teatral pernambucana aqui.
A arte da artista plástica Irene Duarte aqui.
O canavial e as Ligas Camponesas aqui & aqui.


segunda-feira, janeiro 13, 2020

PAULO FREIRE, KHATIA BUNIATISHVILI, SIDARTA RIBEIRO, CHRISTINE WALTERS, RAFAEL ROCHA & ARTE PERNAMBUCANA


ERA UMA VEZ OS LIVROS DE UMA ESCOLA... - Bastou o Coisonário dizer que o livro é um montão de amontoado, muita coisa escrita para se ler, e foi o suficiente para a farra dos camirangas carniceiros. Entre eles, a urubutinga Maria das Calamidades Calamares atacar com suas garras, mandando jogar os livros comunistas de ciência no lixo mesmo, agora só publicações evangélicas passariam a existir. Para os catartídeos do ódio, um prato cheio. E o negócio pegou feio a ponto da diretora de uma escola e candidata a prefeita simpatizante da legenda do Coiso, a doutora Katavanir de tal-sei-lá-das-quantas-mais, mandar ver no agouro, demitir o bibliotecário da sua escola e sacudir fora todo acervo da biblioteca. Desfolharam-se as árvores da sabedoria, da coisa toda ficar séria e feder além da conta. Ela, nem aí, ainda berrou: Ou vira lixo ou papel higiênico, pronto, resolvido. E, assim, de chapa, espalhou-se a má notícia e os necrófagos bibliófobos mandaram ver: derrama de volumes em Belém do Pará, em Santo Antônio de Jesus, na Praia do Dendê de Teolândia, em Ouro Branco, na Estação do Forró de Salgueiro, na BR 156 do Amapá, na Perimetral Oeste de Caxias do Sul, em lixeiras de Bragança Paulista e Ribeirão Preto, na rodovia de acesso de Rincão, no Uberaba de Curitiba, no lixão de Iporá e por aí vai mundão afora. Vixe! Livro virou urubu quando morre: nem as formigas comem. Até o Ministério do FNDE providenciou descarte num monturo de terreno baldio, nada mais nada menos que quase três milhões daquelas brochuras didáticas, desfazendo-se de opúsculos inservíveis e depositados num armazém alugado dos Correios de Cajamar, sob a condição de que esses alfarrábios perderam a validade. Hem? Afora outros tantos milhões nunca usados, trancados em salas, sob a pecha de desatualizados, ociosos, defasados, irrecuperáveis, antieconômicos ou em desuso, servindo só para urubus leitores. Valei-me! Que coisa! Foram disparadas denúncias que nenhuma autoridade nem polícia apuraram no devido, valendo-se a dita cuja diretora de uma satisfação pública, só no deboche: A coisa toda tava empestada de mijo de rato! Óóóóóóóóó! Quer dizer: quem pegasse naquilo ou limpasse o rabo, morria na hora? Óóóóóóóóó! A coisa tomou termômetro! Nada, era só desculpa de amarelo para comer barro. E a peitica ficou no puxa-encolhe. O que ninguém sabe é que o Coisonário é apenas um ventríloquo do Urubu de Malasarte. É? Eita! E urubu sabe como é, né? Serve-se só de carniça e, como disse Darwin, se diverte na podridão. É isso aí. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O sonho é essencial porque nos permite mergulhar profundamente nos subterrâneos da consciência. Experimentamos no transcorrer desse estado uma colcha de retalhos emocionais. Pequenos desafios, modestas derrotas e vitórias cotidianas geram um panorama onírico que reverbera as coisas mais importantes da vida, mas tende a não fazer sentido globalmente. Quando a existência flui mansa é difícil interpretar a algaravia simbólica da noite. Por outro lado, não se pode negar nem às pessoas ricas o direito ou a sina de serem atormentadas por pesadelos recorrentes, de íntimo significado. Mas para quem sobrevive à margem do bem‑estar, para quem verdadeiramente teme dia e noite pela própria vida, para bilhões que não sabem se amanhã terão o que comer, vestir ou onde dormir, sonhar é quase sempre lancinante. Na vida do sobrevivente de guerra, do presidiário ou do mendigo, o sonho é um tobogã de afetos em tons gritantes de vida e morte, prazer e dor nos extremos desejantes. [...] A rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o mal‑estar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. No século xxi, a busca pelo sono perdido envolve rastreadores de sono, colchões high‑tech, máquinas de estimulação sonora, pijamas com biossensores, robôs para ajudar a dormir e uma cornucópia de remédios. A indústria da saúde do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares.3 Mesmo assim a insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão poucos se lembram que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chega‑se a duvidar da sobrevivência do sonho. E, no entanto, sonha‑se. Sonha‑se muito e a granel, sonha‑se sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas. [...]. Trechos extraídos da obra O oráculo da noite: A historia e a ciência do sonho (Companhia das Letras, 2019), do neurocientista, biólogo, neurobiólogo e professor Sidarta Ribeiro, tratando sobre o sonho e ancestral, psicanálise e deuses vivos, sonhos únicos e típicos, primeiras imagens, evolução do sonhar, a bioquímica onírica, a loucura, dormir e lembrar, a reverberação de memórias, genes e memes, dormir para criar, sono rem, desejos, emoções e pesadelos, o oráculo probabilístico, a saudade e a cultura, sonho e destino, entre outros assuntos.

DESTAQUE: A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER - [...] a leitura critica da realidade, dando-se num processo de alfabetização ou não e associada sobretudo a certas práticas claramente políticas de mobilização e de organização, pode constituir-se num instrumento para o que Gramsci chamaria de ação contra-hegemônica [...] da importância do ato de ler, que implica sempre percepção critica, interpretação e "re-escrita” do lido [...] A forma como atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, e a partir dela, tudo isso, indiscutivelmente, tem que ver com técnicas, métodos, processos, previsões orçamentárias, pessoal auxiliar, mas, sobretudo, tudo isso tem que ver com uma certa política cultural. [...] A mesma compreensão mágica da palavra escrita, o mesmo elitismo reacionário minimizador do Povo, mas o mesmo espírito crítico-democrático de que tanto precisamos neste país de tão fortes tradições de arbítrio. O Brasil foi "inventado” de cima para baixo, autoritariamente. Precisamos reinventá-lo em outros termos. [...]. Trechos extraídos da obra A importância do ato de ler: em três artigos que se completam (Cortez, 1989), do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui.

A MÚSICA DE KHATIA BUNIATISHVILI
Você não tem garantia de que tudo ficará bem, mas sente uma enorme liberdade para criar. Quando criança descobri que muitos dos artistas de quem eu gostava dividiram opiniões em sua época. Hoje ninguém duvida mais deles e de como transformaram a história da música. Eu me acostumei com a controvérsia. As pessoas que prestam atenção a meu físico e minhas roupas tentam me colocar numa caixa. Se eu mudar, significa que os machistas ganharam.
KHATIA BUNIATISHVILI – A arte virtuosista e voluptuosa da consagrada pianista franco-georgiana Khatia Buniatishvili, com suas interpretações dramáticas e decotes profundos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Meu trabalho é melhor descrito como uma experiência. A arte é uma expressão pessoal. Não sou uma artista treinada, por isso corro riscos que a maioria dos artistas pode não se sentir à vontade. O medo não controla o resultado do que está sendo criado. Divertir-se e deixar que os que estão ao meu redor vivenciem o processo criativo cria uma obra de arte final memorável, capturada em uma pintura, vídeo, música e fotografia. Minha visão da performance art combina todos os meios artísticos em um cenário majestoso é uma questão de tempo e continua a construir uma equipe sólida para realizá-la.
CHRISTINE WALTERS - A arte da artista e performer estadunidense Christine Walters que combina música e pintura em shows apoteóticos por todo planeta. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
Imagem: arte do artista plástico Rafael Rocha.
A literatura de Osman Lins aqui, aqui & aqui.
A música de Antônio Nóbrega & Quinteto Armorial aqui & aqui.
Roda de Teatro de Rua do Recife aqui.
A poesia viva do Recife aqui.
A Revolução Pernambucana de 1817 & Ana Lins aqui.
Carnaval pernambucano aqui & aqui.
Os fantasmas e o incêndio da biblioteca de Alagoinhanduba aqui & aqui.




segunda-feira, janeiro 06, 2020

CARMA, ILSE LOSA, ANNA FEDOROVA, TANYA SHATSEVA, IZABEL MARQUES & ARTE PERNAMBUCANA



CARMA, PARA SEMPRE – Nasci no seu sorriso: um rio que se fizera mares, oceanos e tudo de infinito. Ela que sempre foi em mim Araci e me ensinou o dia de todas as horas e acontecências; que foi Coaraci e me deu o brilho do Sol de todas as luzes e cores; que foi Tatá-manha para que eu soubesse do fogo, queimares e brilhos; que foi Dandalunda, Iemanjá, a mãe Dandá e Cotaluna, para que eu soubesse das águas nas cuias das mãos de todas as sedes e procederes; que foi Caamanha para que eu soubesse do mato e todos os poderes; que foi Jaci e me ensinou da Lua os frutos de todos sabores da boca e pomares - e o juazeiro que não perde as folhas na seca nem no inverno; que foi Murucututu com todas as cantigas de ninar no céu estrelado e escuridão; que foi Sacu-manha para me aquecer de todos os frios nas geleiras do abandono; que foi Iá-Quererê e me levou para ver o arco-íris beber das águas do rio: carangueijo ao atá quer brincar! Eu era menino, sempre fui e até hoje. E ela ria para me ensinar Caapepena e todas as lições do fio de Cloto, do fuso de Laquesis e do nó de Átropos: tudo para que eu visse a princesa deitada no casco do guajá e me protegesse de mandingas e de tantos quebrantos, do calor extremo – ela dava três assobios longos e logo ventava forte: ora, é só deixar os patos passarem. E eu ria ou chorava. E mais ríamos com as minhas atrapalhadas. Assim me dizia e eu ria, crescendo, maturando. Foi ela ainda eu tabaréu que me fez curado de cobra com ensalmos que curam de amor e com todas as manobras e trajetos; e me disse para não mais olhar para trás e encarar as pelejas, a distinguir o que era coisa feita e o canzuá de quimbe, dos que não se viram no espelho e logo morreram de pecado mortal: do tanto que foi o pote à fonte e um dia se quebrou - quem não pode com ele não pega na rodilha. Aconselhava e sorria, quase nem levava a sério, mas levava e eu nem sabia. Foi dela que soube de Luzia que arrancou os olhos e os deu ao amor, e Obá a orelha para agradar seu senhor. Ela alisava meus cabelos e cafunés me dizia para que eu não vacilasse de olho aberto para as hamadríadas nos carvalhos, o lúgubre agouro do Jucurutu, o não-sei-que-diga escondido e os que mijavam nas covas, enquanto se viam nas quadras de punição; de Priprioca e a casa de Piripiri, o tajá e o tamacoare, valia dela a dendrofilia: o respeito eterno pela Natureza & todas as coisas. É dela o que foi e está em mim, o melhor de tudo, o que era panaceia e o que era espinha de bagre, das riquezas do lago encantado do Grongonzo, dos dias de Logunedé, das jornadas por promessas com quadras decoradas a desatar o que deu nó com dois dedinhos de prosa nas ligeiras: paca, mondé, sururu, porco-do-mato e tatu. Ou dedo-mindinho, seu vizinho... cadê o bolinho daqui? Eu ria. O rato comeu: lá vai o gato atrás do rato e a futucada no sovaco. Esse menino tem cotoco, não para quieto! Eu contava, somava e dividia; e ela sorria com instruções para as redondilhas e o Lunário Perpétuo, até a liberdade do verso livre: o melhor poeta um coco, o melhor vate um papão, tudo para que me tornasse canoeiro patenteado, livre de efifás das que não mostram os panos, enfim, para que eu encontrasse a dama-de-branco e ficasse rico e amado. Não fui, acho que não. Não sei, nem saberia. Ela sabia tudo. Sempre tive mais que o merecido. Dela, a graça divina e o que aprendi. Fiz uma canção para ela e foi pouco. Um poema e mais. Nada me satisfez nem poderia, porque ela era Carma, a Ci, a mãe de todas as mães com as manhecências do seu sorriso que ficou em mim para sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] a nostalgia de um passado histórico se cultiva na infância, tal como os usos e os costumes. O estrangeiro, quando muito, pode admirar, gostar, achar curioso, mas não se enternece nem se orgulha. As lutas e glórias dum país que não é o seu permanecem-lhe alheias porque a infância foi-lhe povoada de outras lutas e glórias, e a sua nostalgia é, por consequência, outra também. [...] Um filho é continuação. Ou chegada? Procura chegar, José! Procurei chegar, Nils, procurei deveras. Mas sabes tu o que quer dizer chegar? O amor a outros seres, a continuação em outros seres, a ilusão de segurança e de estabilidade ou somente uma estação intermédia na eterna fuga do homem? Não sei, não sei. [...]. Trechos extraídos da obra O mundo em que vivi (Afrontamento, 1987), da escritora e tradutora portuguesa Ilse Losa (1913-2006), que em outra de suas obras, Sob céus estranhos (Portugália, 1962), assinalou: [...] não se volta tão depressa para uma terra onde por toda a parte ainda há cheiro a crime, sobretudo quando esse crime nos diz respeito. [...] sou estrangeiro, o estrangeiro é tolerado, ai daquele que se atreve a integrar-se!, se ao menos me naturalizassem, diabo!, […] o nosso menino não será estrangeiro, é o que lhe vale, tenho de me deixar ficar por isso… ficar… linda palavra… […] ficar, quem me garante que possa ficar, quem garante seja o que for, quem garante que a Teresa não morra de parto? [...].

DESTAQUE: NA CURVA DOS QUE NÃO CHEGARAM A IR.... DÁ NISSO.... - Bem que se diz, que os velhos são teimosos e turrões... passei toda a vida só constatando esse fato sem contudo , dá muita atenção ao fato, afinal eu era jovem! Mas as coisas mudam, a vida nos transfigura os traços a cada dia, sem contar com o que sentimos profundamente dentro da gente. Passei esse Dezembro todo me perguntando o que estaria havendo comigo?! Uma tristeza tão grande, uma apatia, um alheamento temporal como se eu estivesse vivendo uma realidade paralela, como alguém, que é forçado vez ou outra, a vigiar fatos como quem assiste a um filme sem envolvimento, sem "raport " com seus atores ou mesmo a história contada ! Quem de tanto assistir a um determinado gênero de ficção, não fica craque em adivinhar como terminam as tramas? O filme assistido por nós esse ano que passou, foi revoltante, foi aviltante, xexelento... aí deu nisso... dizem que hoje a gente entra em 2020, tanta loucura, tantos gastos por uma passagem tão fugaz? Aliás, fugacidade está sendo a palavra de ordem... e não consigo deixar de pensar que nós estamos em uma queda livre, vertiginosa com um conceito de tempo totalmente desvirtuado ou acertado? Sei lá! Esse pra mim é um dia como qualquer outro, vou vivê-lo com a disposição que vivi todos os outros dias de exílio como alguém que chegou nesse local, cheia de entusiasmo pra cumprir uma missão, mas a lembrar por todos os momentos que o Lar está á anos Luz de distância, onde com certeza o meu Amor está, sinto tanta saudade dele e ele com certeza sente muita falta de mim... por isso esse ano ficarei no compasso da minha verdade, quietinha no meu canto, sem nada de especial, pois há muito me falaram abruptamente que Papai Noel não existia e esse ano eu soube de algo bem pior: Essa história de ano tal e qual é só convenção e que aqui a gente está imersa numa grande ficção, com protagonistas do Bem e Vilões do outro lado a sustentarem a trama até o final.... e se há alguma coisa a desejar hoje é um feliz passar de página desse livro pra um novo capítulo desse pastelão, tchin....tchin....Texto da escritora, arteterapeuta e contadora de histórias Izabel Marques. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE ANNA FEDOROVA
Adoro viajar e adoro minha vida como uma pianista de concerto. A vida é sempre cheia de aventuras, novos conhecimentos, novas impressões e emoções. A única coisa com a qual sofro é o constante transporte de malas pesadas… Sim, eu adoro Villa-Lobos! Eu acho que primeiro tive conhecimento dele através de suas obras para violão, há sete ou oito anos.
ANNA FEDOROVA - A arte da pianista ucraniana Anna Fedorova que atua como solista, musicista de câmara e com orquestras sinfônicas por todo planeta. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu gosto muito de ciência e tecnologia, bem como de mitologia e idéias metafísicas. Na verdade, algumas teorias científicas modernas são quase surreais, especialmente na física quântica, parecem ainda mais impressionantes do que qualquer fantasia esotérica inventada. Eu amo misturar a atenção plena do racional e a beleza dos mundos irracionais. Há também um tema de morte digital nas peças, flutua através de códigos, um verdadeiro mundo da vida após a morte.
TANYA SHATSEVA - A arte da artista visual russa Tanya Shatseva que cria pinturas acrílicas e ilustrações no gênero do surrealismo pop. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira, organizadora da antologia Eu voltarei ao sol da primavera: Ascenso Ferreira (FCCHBF/SEC/DSE/DC, 1985), na imagem do artista plástico José Rodrigues aqui, aqui e aqui.
A arte do artista plástico João Câmara aqui, aqui & aqui.
A música do cantor & compositor Paulo Diniz aqui.
A história dos caetés aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte da atriz Geninha da Rosa Borges – a Grande Dama do Teatro Pernambucano aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...